Sobre esse post, escreveram que não há nada mais adolescente do que querer fazer o que se quer na hora que se quer. Estranhamente, se não me falha a memória da minha adolescência e dos adolescentes que ensinei e ainda ensino, nada mais adolescente que querer ser aceito a todo custo. Naturalmente, indo mais longe, ambas atitudes são francamente adolescentes. Paradoxalmente, eu pergunto: e daí? Ser adolescente é ruim?
Toda criança é genial. Somos nós, os adultos, que perversamente as massacramos até extirparmos cada dose de individualismo e originalidade, para que se moldem ao que mediocremente chamamos de "o mundo", "a vida", "as coisas como elas são", etc.
As pessoas mais interessantes que conheci tinham quinze anos de idade. E depois se tornaram adultos chatos e caretas, cheios de filhos e de dívidas, fazendo hora extra e colocando dinheiro no fundo de pensão, misturando viagra com tônico capilar, centrum com óleo de peixe.
Hoje em dia, meus amigos de infância me são um eterno alerta contra os horrores da vida adulta.
Aos 18 anos, eu era sério e responsável, presidente do grêmio e editor do jornal da escola, não fumava maconha e não comia ninguém.
Hoje, aos 33 anos de idade e com saúde perfeita, começo a viver, esperando não parar até morrer. Finalmente coloquei minhas prioridades em ordem: sou adolescente. Celebro a mim mesmo. Canto a mim mesmo.
Um amigo bem-intencionado: "Alex, se você continuar falando tudo o que passa na sua cabeça e fazendo tudo do seu jeito, você nunca vai ser bem-sucedido na vida."
Eu: "Oras, falar tudo o que passa na minha cabeça e fazer tudo do meu jeito é minha definição de ser bem-sucedido na vida!"
* * *
Ainda o mesmo amigo:
Eu: "Mas, afinal, por que você tanto quer ser bem-sucedido?"
Ele: "Você tem cada uma, Alex! Pra eu poder ter independência financeira pra não precisar mais medir minhas palavras ou puxar o saco do chefe, pra poder fazer o que eu quero do jeito que eu quero."
Eu: "Bem, eu devo ter pulado uma etapa então, porque eu já vivo assim."
* * *
Hora do meu amigo abrir os meus olhos:
Ele: "Pô, Alex, às vezes você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas. Eu conheço gente que acha esse seu jeito muito inconveniente, te evita, não te chama pras coisas. Isso não te incomoda?"
Eu: "Olha, quando eu era adolescente, eu também tinha esse medo de que ninguém iria gostar de mim. Então, me envolvi em política estudantil e, mesmo sendo gordo, feio e inconveniente, eu consegui ser amado por quase todo mundo, ter entrada em todos os grupinhos rivais e vencer todas as eleições que disputei. Mas, depois,me dei conta que era tudo vaidade sob o sol, como diria um outro amigo meu. De que adiantava puxar o saco e ser legal com tanta gente que não me importava? O que aquelas pessoas me acrescentavam? Um belo dia, eu parei de falar o que as pessoas queriam ouvir e passei a falar o que eu queria dizer. Uma multidão de malas se afastou, é verdade, mas outras pessoas incríveis começaram a se aproximar. E eu me dei conta: se existe tanta gente que vai me amar por eu ser do jeito que eu sou, qual é o sentido de me reprimir pra ser aceito pelas outros? O que eu devo a esses outros, afinal?"
Ele: "Não deve nada. Mas ontem teve festa na casa do Paulo, sabia?"
* * *
Outro dia, no mercado em Nova Orleans, eu estava fazendo compras completamente descabelado (aliás, é por isso que gosto de cabelo curto, porque sempre esqueço de pentear) e eis que encontro outra amiga bem intencionada que, com uma sinceridade digna de mim, me avisou do meu pobre estado e ainda perguntou:
Ela: "How can you allow yourself to leave the house like that?"
Eu: "Well, step number one is sincerely not caring about other people's opinions. Once you have a good grasp of step one, the other steps just take care of themselves."
Desde então, ela tem estado fria comigo. Oras, a menina não estava nem um pouco errada, mas alguém que tem coragem de dizer o que ela disse, deveria mesmo ficar chateada com a minha humilde resposta?
Sinceridade é sempre boa indo; vindo parece que nego não gosta.
* * *
Email que chegou há pouco tempo, assunto: "mentira", representativo de várias mensagens semelhantes que recebo:
"você justificou tanto que não se importa com a opinião dos outros sobre você, que me parece justamente o contrario... o tempo todo você ficou tentando provar que nunca foi nem ai pra o que os outros pensam ou dizem da sua pessoa...mais tudio isso é pura mentira... se você não se importasse com a opinião dos outros vc não precisaria ficar justificando isso..."
A resposta é simples: a descoberta de que eu não precisava agradar os outros nem falar o que queriam ouvir pra ser amado, pra conseguir mulher, pra ser lido, pra arrumar trabalho, pra tudo, enfim, foi algo tão transcendental e esmagador na minha vida que fico mortificado de ver tanta gente ainda sendo oprimida pela ditadura da opinião dos outros.
E me pego pensando: as pessoas devem ser mesmo muito inseguras se acham que o único jeito de serem aceitas é eternamente se censurando, se reprimindo, se anulando.
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Por fim, meu amigo balança a cabeça, põe a mão no meu ombro e diz: "Isso tudo é muito bonito, Alex, e vai dar um bom post amanhã, mas a triste verdade é que, um dia, você vai pagar o preço."
Um dia?! Ora, estou pagando o preço hoje. Só eu sei os colegas que alienei, as oportunidades que me negaram, as costas que me viraram. E só eu sei as aventuras que vivi, as mulheres que amei, os amigos que conheci. Pago o preço feliz e ainda sobra troco.
Já tracei meu caminho faz tempo: mais vale fracassar fazendo as coisas do meu jeito do que vencer só porque me anulei.
Em uma tarde preguiçosa de terça-feira, eu e Renata fomos a Grumari. Mal chegamos e vem essa vira-lata e senta entre nós sem nenhuma cerimônia. Nunca vi uma cachorrinha mais fofa. O vendedor de coco disse que ela morava na praia e, às vezes, vomitava de tanto comer areia. Não sei como ninguém levou ela antes. Nós levamos. Fizemos todos os testes, demos todos os remédios e ela agora mora com os pais do namorado da Renata, que a batizaram Fiona.
O argentino Jorge Luis Borges é um dos maiores autores de todos os tempos. O poema Martín Fierro, de José Hernández, é considerado a obra-prima da literatura argentina. No texto abaixo, eu analiso as leituras que Borges fez do Martín Fierro, um livraço que vale muito a pena conhecer. Para não entediá-los até as lágrimas, estou postando só a introdução e a conclusão. Quem quiser ler o texto inteiro, peça.
O Verdadeiro Herói do Martín Fierro: Civilização vs Barbárie em Borges e Hernández
A história das leituras de Martín Fierro, de José Hernández, é a própria história da literatura argentina Suas duas partes (El Gaucho Martín Fierro, também conhecido como La Ida, 1872, e La Vuelta de Martín Fierro, 1879) foram primeiro publicadas como livretos, baratos, acessíveis e despretensiosos, circulando assim separadamente por mais de 30 anos, com imenso sucesso comercial. Em 1910, são finalmente reunidas e editadas em forma de livro, o que marca o primeiro passo concreto no caminho para sua canonização literária. Na mesma década, dois influentes críticos literários, Rojas e Lugones, decretam o Martín Fierro como a epopéia do povo argentino, a obra-prima nacional por excelência, repositório das melhores qualidades e virtudes da cultura dos pampas. Pouco depois, entretanto, já surgem as primeiras vozes dissidentes, como Oyuela, seguidas pelo monumental estudo de Martínez Estrada: esses críticos não negam o valor literário da obra, mas sim a estatura do protagonista tanto quanto modelo de conduta quanto gaúcho paradigmático. Nesse momento, nas décadas de 40 e 50, acossado por um peronismo que via como um retorno da barbárie do século XIX, Jorge Luis Borges relê, reinterpreta e retoma o Martín Fierro, mudando para sempre o modo como o poema será lido.
Entretanto, a abordagem borgiana do já polêmico Martín Fierro não poderia deixar de ser também polêmica. Seus contos hernandianos ("Biografía de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874)" e "El Fin") e gauchescos ("La Otra Muerte", "El Sur", etc) são vistos tanto como traições ao gauchesco e ataques ao Martín Fierro quanto como homenagens a essa tradição literária nacionalista . Alguns estudiosos, que ainda enxergam em Martín Fierro um ideal virtuoso a ser seguido, consideram a abordagem borgiana, ao matar o personagem em "El Fin", um golpe de misericórdia no gênero gauchesco. Outros, mais críticos quanto às atitudes éticas do personagem, consideram que Borges salvou Martín Fierro de si mesmo, ao lhe dar a morte honrosa que Hernández lhe negara. De qualquer modo, todos concordam que Borges corrige e reescreve o Martín Fierro. Mas como? Qual é o eixo dessa reescritura?
O ponto central do debate, naturalmente, é um julgamento moral sobre as escolhas, atitudes e ações do personagem Martín Fierro. Será ele um herói forte e virtuoso ou um desertor brigão e hipócrita? Devem os argentinos tomar o Martín Fierro como ideal heróico? Merece Martín Fierro ser um modelo a ser seguido? Nesse julgamento moral do gaúcho, o principal argumento da acusação são as atitudes de Martín Fierro com dois negros. Em La Ida, enquanto está bêbado, ele puxa uma briga com um negro, o mata na frente de sua mulher e ainda o humilha. Em La Vuelta, o irmão do Negro desafia Martín Fierro para uma payada [algo como um duelo de cantores]: o gaúcho aceita mas acaba fugindo do duelo que se seguiria. Por que Hernández utiliza dois negros para ilustrar as duas ações mais baixas do seu personagem? Como esses dois negros, em especial o segundo, são mostrados pelo autor em comparação com o protagonista? Qual é a atitude de Martín Fierro em relação ao dois negros? Dentro do plano da obra, qual o significado dessas baixezas por parte do protagonista? Ou seja, por que Hernández faz seu protagonista cometer tamanhas atrocidades? Na esteira dessas perguntas, analisaremos também o conto "El Fin", de Jorge Luis Borges. Por que Borges escolhe justamente essa relação entre Fierro e o Moreno para glossar? De que modo a interação entre ambos personagens é diferente em Borges e em Hernández? Afinal, Martín Fierro é ou não um herói do povo argentino?
Nesse trabalho, vamos estudar a figura do negro em Martín Fierro, avaliar como essas personagens são tratadas na obra ensaística borgiana sobre o poema e, por fim, considerar a recriação que Borges executa do Moreno em seu conto "El Fin" [do livro Ficciones].
* * *
"O romancista não é porta-voz de ninguém, .... nem mesmo de suas próprias idéias. Quando Tolstoi esboçou a primeira versão de Ana Karenina, Ana era uma mulher muito antipática e seu fim trágico era senão justificado e merecido. A versão definitiva do romance é bem diferente, mas não creio que Tolstoi tenha mudado nesse meio tempo suas idéias morais, diria antes que, enquanto escrevia, ele escutava uma outra voz que não aquela da sua convicção moral pessoal. Ele escutava aquilo que eu gostaria de chamar a sabedoria do romance. Todos os verdadeiros romancistas estão à escuta dessa sabedoria suprapessoal, o que explica que os grandes romances são sempre um pouco mais inteligentes que seus autores. Os romancistas que são mais inteligentes que suas obras deveriam mudar de profissão. ... O espírito do romance é o espírito da complexidade. Cada romance diz ao leitor: 'As coisas são mais complicadas do que você pensa.'" (Kundera, 198)
Borges, sem dúvida alguma, teria concordado, em especial em relação ao Martín Fierro, que ele considerava um romance em verso: "Hernandez escribió para denunciar injusticias locales y temporales, pero en su obra entraron el mal, el destino y la desventura, que son eternos." (Borges, Martín Fierro, 43) O fato de Martín Fierro ser tão mais do que Hernández se propôs a escrever não deve nos levar a esquecer sua motivação primeira, pois aí encontramos as chaves para entender alguns dos mistérios do poema. Em uma época de declínio do gaúcho e de constante debates civilização vs barbárie (alimentados, entre outros, pelo Facundo, de Sarmiento), nunca ocorreria a Hernández que seu personagem pudesse ser tomado como arquétipo nacional ou mesmo modelo de conduta. Para o autor, seu poema era a narrativa dos azares, desventuras e exílios de um homem assediado por todos os lados: Fierro sofre nas mãos do exército e dos índios, dos bandidos e da justiça. Durante todo o poema, com raras exceções (como a deserção de Cruz), temos a impressão de que ninguém está ao seu lado. Acossado por tantas tragédias, Fierro se refugia na bebida e no crime. Hernandez não faz Fierro matar o Negro em um duelo gratuito e escandaloso porque seria assim que os verdadeiros gaúchos se comportavam, mas para mostrar as profundezas morais onde as circunstâncias tinham jogado seu herói.
Como tantos homens do povo, Martín Fierro é racista, mas, ao contrário de tantos textos abolicionistas do século XIX, o poema Martín Fierro não é. Mais do que o gaúcho, o verdadeiro herói do poema é o Moreno, mostrado como tendo todas as virtudes civilizadas que Hernández exalta, e nenhum dos defeitos de Fierro. A mensagem parece clara: o governo falhou com o gaúcho, que foi jogado na pobreza, na infâmia e no crime. A saída para o país é sermos como o Moreno: homens de família, trabalhadores, sedentários. Enquanto os gaúchos são valentões e temperamentais, e perdem suas vidas vagando pelos pampas, o Moreno é um homem calmo, tranquilo, ponderado, controlado. Não é por acaso que um país tão orgulhoso de sua herança branca, como a Argentina, tenha se negado a admitir que o maior herói do seu maior poema é justamente um negro trabalhador.
Assim como Spagnuolo, discordamos da leitura comum que vê em La Ida uma exaltação das virtudes e do ethos gaúcho e, em La Vuelta, uma exaltação dos valores burgueses e civilizados. Não existe esse corte: todo o poema é uma exaltação da civilização sobre a barbárie e do trabalho sedentário contra o nomadismo. Não vemos contradição alguma entre La Ida e La Vuelta: Martín Fierro, ao recusar o duelo que lhe oferece o heróico Moreno, somente demonstra que começa a aprender o código da civilização. Talvez ainda exista salvação para ele, parece nos dizer o poema.
Nesse ponto, de fato, vemos uma cunha entre Borges e Hernández: preso em sua eterna contradição entre o culto aos livros e o culto à coragem, Borges lamenta que o personagem Martín Fierro seja tomado como modelo de conduta, mas não consegue deixar de admirar seu código de honra. O poema realmente termina em um ponto baixo para o ethos gaúcho: lutar contra índios e bêbados é fácil (parece nos dizer Hernández), mas quando Fierro é interpelado por um homem de verdade, íntegro, bravo, controlado, ele foge da briga, esconde os filhos debaixo das saias, muda de nome e desaparece. Ou seja, quando a civilização decide finalmente enfrentar a barbárie cara-a-cara, a bárbarie não tem nem ao menos a coragem de aceitar o duelo e perder com hombridade. Em "El Fin", Borges não muda a moral da história, somente seu eixo: a civilização ainda derrota o gaúcho, assim como Borges espera que também ainda derrote o peronismo, mas, no conto, a derrota é menos vergonhosa. Em Hernández, o gaúcho sai de cena humilhado, fugindo da briga, negando todo o seu código de conduta. Em Borges, o gaúcho é vencido, mas com honra: ele volta para enfrentar seu destino cara-a-cara, olho-no-olho, e morre como homem, de faca na mão.
Eu Deveria Usar Esta Minha Inteligência Um Pouco Melhor
Assunto: verdade
tu é muito inteligente,parabéns! mas deveria usar esta inteligÊncia um pouco melhor. tua capacidade de escrever é incrivel,mas alguns temas são imbecis. não gostei de como tu se refere sobre "a verdade" e de duvidar que Deus exista ,esta certo q cada um tem tuas crenças,mas gostaria de saber o q passa pela cabeça de uma pessoa assim.se não foi Deus qm fez tudo a nossa volta da onde tu acha q vieste?
Vim do banheiro. Aí li esse email e fiz o post. Satisfeito?
Se você gosta desse blog, me lê de graça há anos e ainda me cita pros colegas, eu tenho um pedido/sugestão pra te fazer: compre alguns exemplares do meu best-of-the-best Liberal Libertário Libertino para dar de presente aos seus entes queridos ou não-tão-queridos assim: "Amor, sabe aquele maluco Alex Castro de quem eu falo de vez em quando? Pois é, tá aqui."
O livro é bonitinho, bem acabadinho, vermelhinho, não faz feio como presente e ainda parece um gesto assim meio vanguardista, "literatura independente de natal, uau!", essas coisas. Ou seja, o presente perfeito. Custa R$28,50 e chega na sua casa em dois dias úteis.
E, se não gosta de mim, não seja por isso: passe no site da Os Vira-Lata e dê outros livros independentes de natal.
A femme fatale é um arquétipo comum da literatura mundial. Ela representa o medo primordial do homem diante do "mistério" feminino. A femme fatale é íncubo que destrói o homem usando aquelas armas que ele teoricamente não tem, armas "tipicamente femininas", como a sedução, a mentira, a traição, a dissimulação, a sensualidade. Curiosamente, entretanto, essa figura arquetípica aparece muito pouco na literatura brasileira.
Nossas mulheres brancas são, em geral, senhoras recatadas e bem comportadas. José de Alencar publicou alguns perfis de mulheres fortes (Senhora, Diva, Lucíola) mas nenhuma era propriamente a femme fatale arquetípica, perversa e manipuladora. Quando muito, eram mulheres feridas que tornaram-se fortes para se vingar, nunca deixando de ser primordialmente boas, e logo cedendo novamente às pressões da sociedade patriarcal para que voltassem a ser "boas moças". Via de regra, mesmo quando momentaneamente rebeladas contra a sociedade, a personagem feminina brasileira raramente é verdadeiramente perversa.
A femme fatale brasileira, quando existe algo próximo, é somente uma mulher super-sexualizada. Lenita, de A Carne, não é uma pessoa perversa: ela apenas gosta demais de sexo. Naturalmente, para a moral do século XIX, que depositava toda a virtude feminina em sua sexualidade, é isso que fazia dela uma mulher pervertida: mas não cruel, não uma femme fatale. Aliás, o romance deixa bem claro que o despertar sexual de Lenita se deu por causa de sua proximidade excessiva com os escravos, esses sim, vistos como bestas totalmente sob o controle dos seus impulsos sexuais.
O elemento negro não surge por acaso. Na literatura brasileira, a personagem sexualizada por definição é a mulata. Entretanto, a mulata também não é uma femme fatale, não é a mulher calculista que uso o sexo ao seu favor: quando muito, as mulatas são mostradas como seres tão intensamente sexuais que estão sob controle de sua sexualidade, e não oposto. Isaura é uma mulata pura e virtuosa que, mesmo assim, não consegue evitar o efeito enlouquecedor que desperta nos pobres machos. Rita Baiana causa a morte de seu homem e desgraça de um português, mais por sua sexualidade animal do que por algum plano ou vontade sua. Gabriela encarna uma mulata de sexualidade tão aflorada que chega a ser ingênua e inocente: para ela, é normal ser desejada e é normal desejar. Apesar de catalizadora de mortes, ciúmes e paixões, a mulata da literatura brasileira não é uma femme fatale: por não ter controle sobre sua sexualidade e sobre seu efeitos nos homens, ela é praticamente inocente do caos que gera.
Nesse aspecto, apesar de mostrada com simpatia pelo narrador, apesar de também ser uma vítima do sistema que a engendra, a Leniza de A Estrela Sobe é uma femme fatale clássica: dotada de certo desprezo pelos homens (gerado por desilusões amorosas prévias), ela usa sua sexualidade com frieza e calculismo para conseguir o que quer e para manobrar as contradições e entrelinhas da sociedade patriarcal. Como tantas femme fatales, Leniza também trabalha como prostituta e vive um caso de amor com outra mulher, Dulce. A simpatia com que o narrador vê Leniza não impede que também seja mostrada como a típica femme fatale manipuladora e mentirosa. O autor critica o sistema que engendra Leniza, mas também enfatiza que ela é responsável por suas ações e que age movida por ambição e vaidade.
Leniza tem muitos pontos em comum com uma das poucas outras femmes fatales da literatura brasileira: Ambrosina, a protagonista homônima de A Condessa Vésper (1882), de Aluísio de Azevedo. Ela também aprende cedo a usar sua sexualidade pra vencer no mundo masculino, também torna-se prostituta por um tempo e vive um caso de amor com outra mulher. As diferenças páram aí, entretanto, pois A Condessa Vésper era um típico folhetim melodramático de aventuras: enquanto Leniza é vista como uma pessoa completa, às vezes perversa, às vezes hesitante, e sempre humana, Ambrosina é um monstro da maldade. Nas palavras de Adeítalo Manoel Pinho: "ambiciosa, mentirosa, falsa, adúltera, ladra, prostituta, sedutora, homossexual. Ela é hiperbolicamente negativa. Chamá-la de dissimulada seria uma ironia, e não uma adjetivação."
Obras Citadas
Pinho, Adeítalo Manoel Pinho. "A condessa da maldade: formação da personagem feminina no romance brasileiro do século XIX." Trabalho apresentado no "Seminário Internacional Fazendo Gênero 7: Gênero e Preconceitos", Simpósio Temático 13C - "Ruídos na representação da mulher: preconceitos e estereótipos na literatura e em outros discursos". Florianópolis, UFSC, 28-30 de agosto de 2006.
Alex... achei o seu texto bastante interesante e realmente concordo com você de que as pessoas na maioria das vezes mentem para serem aceitas... mais sò tem um problema, você justificou tanto que não se importa com a opinião dos outros sobre você, que me parece justamente o contrario... o tempo todo você ficou tentando provar que nunca foi nem ai pra o que os outros pensam ou dizem da sua pessoa...mais tudio isso é pura mentira... se você não se importasse com a opinião dos outros vc não precisaria ficar justificando isso... sem contar tmb que vc mesmo se considera um zero a esquerda para a sociedade... só pelo simples fato de ser gordo!!! de qualquer forma procure uma psicologa geral ela te ajudara a aumentar sua auto estima!!
Ela não diz a qual texto se refere, mas eu acho que é esse aqui.
Não é nada, não é nada, mas, caso precise, temos o nosso e não é todo mundo que tem.
Navio-Aeródromo São Paulo (A12), em viagem do Rio a Vitória. Fotos de André Feltes.
Aliás, esse aqui é o melhor site brasileiro sobre Poder Naval.
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Aliás aliás, desculpem o tom pouco característico do post, sei que sou libertário e talz, mas a Marinha é uma coisa estranha, de sangue, adoro aqueles navios, adoro história marítima, adoro o cheiro de cais do porto do Primeiro Distrito Naval, adoro aquelas oficiais vestidinhas de branco, adoro poder discordar abertamente dos almirantes porque não faço parte da hierarquia militar. Já fiz muita pesquisa no Departamento de História Marítima e Naval do Serviço de Documentação Geral da Marinha (um prédio lindo na Ilha das Cobras, foto), publiquei na Revista Marítima Brasileira e tenho até base naval de submarinos com o nome da minha família. Pois é, e vocês achavam que sabiam tudo da minha vida.
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Comentário da Lulu no MSN: "acho engraçado e bom você ter pelo menos um lado hominho. 'Gente, o que o Alex tem de hominho?' 'Sei lá... Ah! sim! Ele gosta de porta-aviões!'"
Louvados sejam. Depois de anos de edições ruins, a Companhia das Letras está finalmente reeditando toda a obra de Borges. Ficções é um dos meus livros preferidos de todos os tempos, e o Livro dos Seres Imaginários é simplesmente delicioso, diversão pura. Recomendo nos mais enfáticos termos.
A Esquerda e a Direita Odeiam Meu Livro sobre Cuba - Updated de NOVO
Na comunidade Comunistas, Cuba os Espera, o meu livro é visto como pura propaganda comunista, sou esquerdóide, sociopata, comunista de butique, odeio os americanos mas não sei viver sem eles:
Cara, eu não costumo xingar pessoas de uma forma geral, mas para você eu vou abrir uma exceção: você é um idiota. Mas o que esperar de um esquerdóide? Um sociopata? Nada além disso [...] Cuida da tua vida, cara. [...] Você (como todo esquerdóide de bosta)apóia a violência contra pessoas que tiveram mais capacidade de ascender na vida e por isso tem mais posses. E como todo sociopata que se preze, você não dá a mínima para a vida humana. Cara, quer nos fazer um favor? Se mata!
sua puta louca , porra nao trabalhe ta , e nao guarde dinheiro , porque se algum camarada revolucionario ficar sabendo , ele vai te quebrar u peito de viado ese que vc tem com um facao pra dar de comer a seus filhos . quanta gordura(do macdonals capitalista ) poderiamos tirar do teus peitos afeminados ou da tua barriga abalheinada " porra daria pra freir muita carne e muitos ovos , suficentes pra alimentar tuda africa . puta louca vicha , vc entao so pega fusil pela libertade de exprecao , porra vai pa cuba a lutar pela libertade de exprecao de um povo que a 50 anos sufre pelas loucuras de uma velha vicha louca que vc revolucionariamente aceitaria dar u cu. vai lutar porra y nao fale merda . se nao luta pelos oprimidos , pelo menos fas algo se bota uma bomba nu peito y mata muitos americanos imperialistas ( que vc tanto odeia) . sabe porque vc nao faz , pois porque vc e un covarde que so fala merda comunista de boutique .escreve merda mas nao pode viver sem u capitalismo. vai se fuder sua puta louca nao fale tanta merda e fas algo (so pra que alguem te mate sua merda e o mundo se libere de uma barata como vc)
Enquanto isso, na comunidade Cuba, eu sou anti-comunista, estou claramente promovendo uma campanha anti-Cuba, meus textos parecem que saíram do MidiaSemMáscara e devo estar querendo me promover pra alguma Olaveti:
Aliás creio que nesta comunidade não é o lugar para um "jormalista" vir fazer propaganda contra Cuba!! [...] Nitidamente, ele [o meu livro] destina-se a divulgar informações que não são verdadeiras, sob um viés extremamente mal intencionado sobre Cuba e talvez bem intencionado para alguém que deseja lucrar $$$ com isso.
Seu blog é interinamente parcial, parecendo o "midiasemmascara", mas como já foi dito, mais engraçado. ... de baixa qualidade, tanto no conteúdo quanto na parte gráfica, provavelmente está querendo promover seu livro recém lançado pra alguma Olaveti.
Já li coisas parecidas em sites como o “Mídia sem Máscara” e outras merdas que existem por aí. Como o Ricardo falou os seus textos estão parecendo obras de ficção, não condizem com a realidade. Infelizmente, você acabou caindo naquele tipo de visão cara aos direitistas, onde os preconceitos ideológicos falam bem mais altos do que a verdade dos fatos. [...] Alex, não sinta vergonha de expressar suas opiniões. É bem mais fácil você admitir que á anti-comunista do que ficar falando que o seu livro é apenas um "relato de experiências pessoais".
Olha, a idéia do blog é propagar idéias através dos textos. Para mim, é óbvio que o negócio é campanha contra Cuba. Li vários dos textos e não consigo ver uma visão positiva, é crítica em cima de crítica. Usa-se um suposto exemplo para falar de uma "polícia repressora e racista". Um suposto apartheid que não existe. E por aí vai. Felizmente, para cada um que denigre Cuba, há mil que a defendem.
Se quiserem, cliquem nos links e vão lá pra jogar lenha na fogueira.
* * *
Bem, amigo leitor, acho que está na hora de comprar o livro e decidir por si mesmo, não? Ou quer deixar esse povo discutindo sozinho?
Update
Comentário misterioso deixado pelo leitor Lúcio:
Gente como você me causa nojo!
Hmm, nojo por eu ser um comunista nojento ou um anticomunista nojento? Num post como o de hoje, você tem que especificar...
Update II
Entrei nas duas comunidades e disse a mesma coisa, com pequenas alterações
"Pois é, vocês aqui estão me chamando de esquerdista/direitista, mas, lá na comunidade dos esquerdistas/direitistas, eles estão me chamando de direitista/esquerdista! Pra vocês verem como o mundo não é tão preto no branco!"
E não é que ambos os grupos responderam EXATAMENTE a mesma coisa? Por favor, não confiem em mim: cliquem nos links.
Sinceramente? Esquerdista acha que todos estão contra eles, inclusive você. Escrever que a ilha de Cuba é maravilhosa, exemplo, mas tem uma rua suja, é motivo de dizer que "és um traidor do movimento!". Para você ver como vocês são caricatos, tão engraçados! hahahhahahahahahahahhahahahahah
Isabel Löfgren, artista plástica. Minha irmã, minha sócia, minha inspiração, minha melhor amiga. Ela agora reuniu toda sua obra em um único site. Recomendo a visita.
Bobby White foi condenado por um crime sexual 18 anos atrás e carrega essa letra escarlate até hoje. Quando comprou sua casa, todos os vizinhos receberam uma cartinha como essa abaixo.
Tanto atazanaram o homem e seu companheiro [é um casal gay, ainda por cima] que ele decidiu ir embora, mas com um detalhe: está alugando sua casa preferencialmente para ex-presidiários, assassinos, ladrões e criminosos sexuais de modo geral. E com um cartaz bem explícito no gramado. Claro que a vizinhança veio abaixo.
Mas, ué, assassinos que cumpriram sua pena têm que morar em algum lugar, não? Afinal, não existe lei contra alugar sua casa pra um estuprador. Os vizinhos podem ficar tranquilos: assim que Bobby alugar a casa, eles vão receber uma cartinha com todos os detalhes sobre o novo inquilino...
Heroes termina seu segundo volume de forma fraca. A temporada praticamente não teve antagonistas. Hiro vence o bandidão, literalmente, num piscar de olhos, o que ele poderia ter feito desde o começo. Então, pra que tanto alarde? A moça latina dos olhos de petróleo a la Arquivos X ficou a temporada inteira chorando, e vindo de cá pra lá e, no final, provou-se que não tinha ABSOLUTAMENTE nenhuma função na trama. Poderia ser cortada e ficaria tudo igual. A namoradinha do Peter ficou largada no futuro alternativo e todo mundo cagou. Dado que Peter salvou o mundo e o futuro alternativo onde ela está teoricamente nunca vai existir, o que aconteceu com ela? Alguém se importa? Por fim, meu deus, o que está havendo com a boca cada vez mais torta do Peter? Será derrame?
Dexter termina sua segunda temporada de forma fraca. A temporada também praticamente não teve antagonistas. Tiveram o maior trabalho pra criar Dexter na primeira temporada, só para desconstruí-lo na segunda, e reconstruir tudo de novo no último capítulo. Quanto trabalho à toa. Valeu pelo agente Lundy, super carismático, e pela Lila - quem não gosta de uma psicopata? A temporada ia quase bem até o último capítulo. O espectador está sempre preparado para engolir uma ou outra coincidência inverossímil, às vezes a história só funciona se todos os personagens forem jantar no mesmo restaurante na mesma noite, mas não pode virar novela mexicana, gente. O último episódio teve não só peripécias e reviravoltas suficientes para encher meia temporada, como também uma série de coincidências absolutamente impossíveis de engolir - eu contei seis. Uma, tudo bem; seis é demais. A resolução da trama nunca é tão legal quanto a trama em si* mas, esse ano, eles mal tentaram. Pelo menos, Battlestar Galactica Razor, o filminho de duas horas entre a terceira e quarta temporadas, foi simplesmente demais. Leia um post antigo sobre o toque de gênio de Battlestar Galactica.
* * *
*"La solución del misterio siempre es inferior al misterio. El misterio participa de lo sobrenatural y aun de lo divino; la solución, del juego de manos." Borges
O Fabrício me envia essa notinha do exblog do César Maia (que, estranhamente, só existe via email):
EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO ACHOU GRAÇA NENHUMA!
Cristina Kirchner -antes, durante e depois- da cerimônia de posse como presidente da Argentina, repetiu que Brasil, Argentina e Uruguai deveriam pedir desculpas ao Paraguai pela Guerra da “Tríplice Aliança" nos anos 1860, contra Solano Lopez. O Exército Brasileiro não gostou nem um pouquinho e o Itamarati e Lula não sabem direito o que fazer. Sugestão deste Ex-Blog: leiam sobre a Guerra do Paraguai e as razões de seu inicio com ocupação da parte brasileira da fronteira com Mato Grosso, de Corrientes nas Provincias Unidas do Prata e de Uruguaiana, pelo exército de López. E depois meditem se cabem as desculpas e por parte de quem.
Pesquisei essa guerra durante dez anos e, olha, de tanta coisa que o Brasil tem pra se desculpar, a Guerra do Paraguai definitivamente não é uma delas. Leiam meus textos sobre o assunto ou comprem o livro definitivo (depois de ler esse, vocês não vão precisar ler nenhum outro).
Abaixo, mais alguns livros interessantes. A Retirada de Laguna é um incrível relato em primeira pessoa escrito na época. Recomendo especialmente o trabalho de Ricardo Salles sobre o escravo e a guerra. Chamigo é uma graphic novel meio paradona pra quem gosta de super-herói, mas excelente. E, por fim, pra entender porque ainda tem gente achando que o Paraguai era um paraíso habitado por inocentes e que o Brasil foi fantoche da Inglaterra, leiam Pomer, a fonte original desses mitos.
Compre algum dos livros acima clicando pelos links aqui do blog e você estará dando um presentinho de natal pro seu blogueiro favorito, ho ho ho!
Sério, tem gente perdendo a linha com essa história dos "videozinhos que encontrei debaixo da minha porta, junto com um cheque". [copyright Liloló] Qual é a grande vergonha de ter anunciantes? Em tempo: o LLL tem fins lucrativos sim. Quando o post é pago ou patrocinado, eu sempre aviso.
Ontem, fiz um post sobre meus livros favoritos do ano.
Não deixa de ser engraçado que logo a literatura que eu mais leio e estudo, a cubana, é completamente desconhecida no Brasil. Com exceção de Carpentier, tenho certeza que a maioria dos meus leitores jamais ouviu falar dos livros cubanos citados. É uma pena.
Canción de Rachel é meu livro preferido de Miguel Barnet, o maior best-seller cubano de todos os tempos. A personagem principal é um dos mais fascinantes retratos femininos da literatura. Aqui, m artigo sobre seus quarenta anos de publicação.
Onoloria, de Miguel Collazo, tem uma das prosas mais lindas que já li, suave, misteriosa, elíptica, impossível de classificar. Queria saber escrever assim. Dois artigos sobre o autor:
Acompanho seu site a um bom tempo - se brincar já devo ter lido 90% das suas crônicas. No princípio estranhei muitas e odiei várias. Teve hora em que os dedos coçaram para te escrever fazendo alguma crítica, mas eu sabia que era tempo perdido - você não debate, apenas sobe no banquinho e fala "eu sou assim, tá achando ruim dane-se, não quero seguidores". Então, pensei, vamos tentar entender a cabeça desse sujeito... De crônica em crônica, de prisão em prisão, lá fui eu dissecar o Alex. Tive sucesso nesta empreitada? Não sei, só sei que no fim das contas o dissecado fui eu! Muita coisa que você escreveu me fez rever muitos conceitos, joguei um monte de tralha fora e hoje sou uma pessoa muito mais leve do que era antes de conhecer seu site. Agora posso rever boa parte dessa experiência, com um livrinho na mão e no conforto de uma boa poltrona. Muito obrigado!
Muito obrigado. E você, que também lê esse blog faz tempo? Dê LLL de presente esse natal!
Essa é para ateus e crentes que gostam de ficar batendo-boca ou, como eu, de assistir o circo pegar fogo: está rolando uma discussão divertida sobre meu artigo Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas lá no fórum do Clube Cético.
Sinceramente, mérito por mérito, não deveria ter pra mais ninguém: o melhor livro que li esse ano foi Ficciones, pela quinta vez, e o segundo lugar seria disputado nariz a nariz entre El Aleph e Os Lusíadas - não era o próprio Borges que dizia que reler é mais importante que ler?
Mas seria injusto com os outros livros, coitadinhos, então modifiquei a pergunta para "melhor livro que descobri em 2007". Ainda assim, a escolha está impossível. Com vocês, os finalistas, por categoria. Querem me ajudar a escolher?
Olhando a lista, o único que foi lido por vontade própria e puro prazer, sem estar ligado a nenhuma obrigação profissional foi, acreditem ou não, o último. Agora estou em provas finais, não consigo nem pensar direito. Mais tarde, escrevo o post.
Por causa das caminhadas com o Oliver, eu conheço todos os meus vizinhos. Essa semana, um casal de estudantes - ele, serviço social, ela, saúde pública - me convidou pra uma festinha de fim de ano. Eu não sabia os seus nomes e eles talvez nem soubessem o meu, mas nos falávamos quase todo dia - eles fumando na varanda e eu passando com o Oliver.
Nesse país, todo mundo estudando em outros estados e longe de casa, as pessoas fazem o que podem pra vencer a solidão. De certo modo, são mais abertos à novas amizades que no Brasil.
Depois de passar o dia todo escrevendo um paper, dei um pulo lá. Fiquei um tempo calado, só fumando e ouvindo as conversas, e depois fui participando mais. Bastou conversar um pouco pra descobrir que quase ninguém se conhecia. Eles chamaram até a barista que os atendia toda manhã no Starbucks na esquina. Todos eram ilustres desconhecidos.
Paula Lee Adorou "Liberal Libertário Libertino - o Livro"
Se você gosta desse blog, me lê de graça há anos e ainda me cita pros colegas, eu tenho um pedido/sugestão pra te fazer: compre alguns exemplares do meu best-of-the-best Liberal Libertário Libertino para dar de presente aos seus entes queridos ou não-tão-queridos assim:
"Amor, sabe aquele maluco Alex Castro de quem eu falo de vez em quando? Pois é, tá aqui."
O livro é bonitinho, bem acabadinho, vermelhinho, não faz feio como presente e ainda parece um gesto assim meio vanguardista, "literatura independente de natal, uau!", essas coisas. Ou seja, o presente perfeito. Custa R$28,50 e chega na sua casa em cinco dias úteis.
E, se não gosta de mim, não seja por isso: passe no site da Os Vira-Lata e dê outros livros independentes de natal.
Abaixo, a opinião nada imparcial da minha amiga Paula Lee, blogueira do excelente Amante Profissional:
O blog do Alex é um dos poucos que mereciam virar livro, assim mesmo, com os posts já publicados, porque os seus textos são profissionais, de uma riqueza imensa. Nos últimos anos vi blogs passados para o papel quase por uma questão de vaidade do blogueiro, (...) mas não é esse o caso do Alex, que antes de ser blogueiro é escritor. (...)
Às vezes, talvez para alguns, suas análises podem parecer subversivas, e, quando elas assim podem parecer, não é, nem de longe, um reflexo de uma rebeldia, mas, quanto antes, um retrato de um observador que não vê apenas com os olhos, mas com a alma e o corpo inteiro, misturando situações, analisando-as, estudando e brincando com elas. Apesar de ter lido a maioria dos seus textos no seu blog, reli tudo no livro, como se fosse um livro novo, sem saltar uma única linha. E afinal era um livro novo. Sempre descobria ali uma palavra nova, uma reflexão nova ilustrando uma reflexão velha, um pensamento que vinha me dar uma cotovelada diante de algum parágrafo que, talvez em outra altura, talvez não tivesse me despertado para a mesma reflexão. "Liberal.Libertário.Libertino" não é um livro para ler no computador. Também não é um livro para ler e guardar na estante. É um livro para ler várias vezes, sempre que precisarmos de um pensamento novo.
* * *
Agora, não tem mais desculpa: compre o livro. Ideal para coleguinhas de escritório, parentes chatos, namoradas monogâmicas.
Eu não entendo o futebol. Eu não entendo várias coisas, mas de todas as coisas que eu não entendo, a que eu menos entendo é O Futebol. Não que eu não entenda as regras, as motivações que levam o sujeito a praticar o esporte. Isso eu entendo um pouco. Entendo que pessoas queiram jogar futebol para se manterem em forma, sadias, como pessoas que nadam, ou caminham no final da tarde, ou jogam piorrinha. Entendo também que alguns pais incentivem seus filhos a praticar o esporte desde cedo, já que o bom desempenho pode significar altas cifras, ou cifras menores caso o pimpolho acabe no time do Matsubara. A sorte não sorri para todos, embora sorria para jogadores de dentes desalinhados, como o Ronaldinho Gaúcho.
Um dia MV Bill me disse: "meus pais gostavam mais quando eu chegava com uns trocados em casa do que quando tirava notas azuis no colégio. Ganhar dinheiro fácil, sem estudar, é só jogando bola". Entre ser músico de orquestra ou jornalista e jogador de futebol, ora, muito melhor ser jogador de futebol, já que aí é que a gente aparece em "Caras"! Aparece em "Caras", casa com loiras peitudas, corre pelas ruas com potentes carros importados, atropelando criancinhas sem futuro.
Isso, eu entendo.
O que não entendo são as pessoas que torcem, adotam times, choram e sofrem por escudos, idolatram jogadores, endeusam dirigentes, tratam dO Futebol como se houvesse uma hierarquia divina, como se O Time fosse uma entidade não-corpórea que ouvisse e considerasse as súplicas individuais e coletivas dos torcedores, como um Deus criacionista onipresente, onipotente, onisciente, onitorcente.
Aliás, tem coisa mais ridícula que O Torcer?
Torcer é como rezar. O camarada fica lá diante da TV ou no estádio (ah, tudo bem, no estádio existe a identificação coletiva, o espírito de grupo, a catarse de massa) gritando (como se os jogadores pudessem ouvir, ou como se O Time, essa entidade, pudesse entender as súplicas e alterar alguma realidade qualquer), esperneando, se descabelando, se enervando pela... vitória. O similar é o crente em vigília, na corrente pela libertação da Universal, pedindo pro câncer cerebral sumir. É só ter fé, irmão!
A Vitória, num jogo de futebol, é como uma benção concedida, um milagre materializado para um devoto. E é interessante que O Torcedor muitas vezes ache que tem parte no resultado. Especialmente quando O Resultado é A Vitória.
Quando O Time perde, a culpa é de interferências negativas, entidades demoníacas, chamadas O Técnico, O Goleiro ou O Dirigente. A culpa nunca é dO Torcedor, quando o time perde. Será que ele não torceu pouco? Será que não faltou torcida? Assim como falta fé & oração quando o milagre não acontece?
Me assusta quando vejo tanta gente inteligente discutindo futebol. Um conhecido meu, razoavelmente inteligente, evangélico, disse que eu não sabia o que era "ter um brasão no peito". Não sei mesmo. Nem roupa que tem marca no peito eu gosto de usar, fico me sentido outdoor ambulante. Acho errado colocarem marcas de roupa do lado de fora da roupa, como se o nosso nome, escrito na tarja, fosse "Levi´s". "Prazer, Lévi´s Castro!". Me imagine andar por aí com Palmeiras ou Corinthians ou São Paulo ou Santos no peito - seria extremamente constrangedor para mim.
Aí vejo gente inteligente dizendo que torce para esse time ("ah, me causa tanta infelicidade", diz o masoquista), ou aquele ("ah, só me traz alegria!", diz o animadinho), se empolgando com "a jogada que deu a taça para o Itumbiara em 53" ou "o bicampeonato da Copa Guanabara em 66" ou ainda "a péssima atuação do juiz que impediu que o Nhandeara subisse para a séria B2 em 81" - pfui! - como se falassem de grandes passagens bíblicas, como Moisés abrindo o mar vermelho ou Noé atravessando o Egito com os fiéis.
Ah, não foi Noé que atravessou o Egito? Que diferença faz?
Na plêiade divina dO Futebol, tal qual Jesus, encabeça O Rei Pelé que, mesmo escroque como pessoa, é endeusado como Jogador - mas temos que separar as coisas, lembremos que Céline era nazista, Borges era racista e Guevara comia criancinhas: temos que olhar para A Obra dos sujeitos. Tudo bem, Jesus não era Um Santo, mas esse Pelé, argh!
Só não me dá mais engulhos do que falar de Automobilismo & Airton Senna. Sim, tem gente que acha que Senna foi uma espécie de super-homem. Ele só dirigia um carro rápido, meu Deus! E dirigia mal, tanto que bateu!
Se o futebol é o criacionismo dos esportes, o automobilismo é a cientologia. E tenho dito!
* * *
Não, o texto não é meu, é dele. Mas republiquei sem aspas e sem dizer nada (mas com permissão), porque, putaqueopariu, raras vezes eu leio um texto com o qual eu concordo e assinaria embaixo até a última vírgula. Nem camisa com dizeres eu uso, pelos mesmos motivos. Com raras e honrosas exceções, claro: se tem alguma coisa escrita no meu peito, é porque eu consciententemente assino embaixo. E sobre o Senna, eu nunca nem escrevi, pra não dar confusão. Meu pai perdeu pai e mãe e nunca chorou tanto como no dia em que esse homem enfiou a cara no muro. Não entendo.
Eu raramente publico meus textos assim que os escrevo: antes de saírem no blog, eles ficam semanas, às vezes meses, envelhecendo em tonéis de carvalho. Entretanto, quando fico particularlmente orgulhoso de um texto, em geral passo ele para todo mundo que está online no meu MSN. Pois bem, só essa turma sabe que talvez o meu melhor texto sobre futebol, sobre os meus três jogos inesquecíveis, foi irremediavelmente censurado e nunca poderá ver a luz do dia. Quem leu, leu. *suspiro*
O foda desse blog é que eu escrevo um bando de besteira e fico adiando as coisas importantes. Um dia, por exemplo, eu vou escrever sobre minhas impressões da vida de imigrante nômade expatriado. Um dia, eu vou fazer uma comparação das vantagens e desvantagens de morar no Brasil e nos EUA. Um dia, eu vou falar das minhas indecisões e idas e vindas quanto ao que fazer com a minha vida quando eu me formar: encontrar emprego aqui? Voltar pro Brasil? Um dia, eu falo de tudo isso.
Por enquanto, fiquem com essa interessantíssima reportagem do New York Times sobre o número cada vez maior de imigrantes brasileiros voltando pra casa. Eu sei como eles se sentem.
Aliás, alguém aqui já morou fora e depois voltou pro Brasil? Como foi? Por quê?
Update
Mais interessante do que a matéria do NYT são as reações dos americanos. Grosso modo, caem em dois tipos:
- Olhem como o endurecimento das medidas anti-imigração funciona! A vida desses ilegais ficou tão difícil que estão voltando pra casa! Já vão tarde! Agora tem que endurecer mais! Jack Bauer pra presidente!
- Olhem como os Estados Unidos estão fodidos! Por causa da falta de liberdade e da recessão, o país já está começando a perder cada vez mais membros das dinâmicas comunidades de imigrantes! Se continuarmos assim, será o fim do nosso país!
Leia o que os americanos estão falando sobre isso, via Technorati ou via BuzzTracker. Quem se ofende fácil, ou tem muitos brios patrióticos, melhor não ler.
Hoje, durante aqueles minutos mortos antes da aula, falou-se do Chavez. Que a imprensa mundial adora chamá-lo de golpista, autoritário, proto-ditador, essas coisas, mas que quando ele provou que não era nada disso, não se viu uma linha de retratação no New York Times. Ninguém publicou um editorial dizendo: "Estávamos errados esses anos todos, Chavez é um democrata, quem diria!" Se limitaram a dar a notícia da vitória da oposição e pronto, essa imprensa burguesa hipócrita! E eu, calado.
* * *
Imaginem a cena. Você tem um amigo que foi preso, condenado e cumpriu pena por roubo. Logo, ele é um ladrão. Aí, ele vai na sua casa, fica lá o dia todo, e, na saída, quando já estão do lado de fora, ele diz:
"Bem, agora você não pode mais me chamar de ladrão." "Ué, por quê?"
"Porque passei o dia inteiro na sua casa e não roubei nada, nem uma vez!"
Oras, pra ser chamado de ladrão, basta ter roubado uma vez. Você ter a oportunidade de roubar e não roubar não te faz menos ladrão. Se fosse assim, só poderíamos chamar de ladrão o cara que rouba vinte e quatro horas por dia. Mas cleptomaníaco é uma coisa, ladrão é outra.
Só os serial killers poderiam ser chamados de assassinos, senão seria injustiça:
"Pôxa, como ousa me chamar de assassino? Não mato ninguém desde março!"
* * *
Chavéz já tentou derrubar o governo do seu país. Essa nódoa não se apaga. Muitas das medidas que ele democraticamente implementa têm inspiração claramente anti-democrática.
Chávez é como Getúlio. Ele pode se eleger democraticamente quantas vezes quiser, e tem que ser respeitado como líder eleito do seu país, mas seria ingenuidade esquecer sua vocação autoritária.
Então, com o devido perdão ao meus colegas, o assassino não deixa de ser assassino porque teve a chance de matar e não matou, e Chávez não deixa de ser um proto-ditador só porque teve a chance de impugnar ou roubar a eleição mas aceitou a derrota com hombridade.
* * *
(Se gostou do texto e tem interesse no assunto, clique nos livros e compre alguma coisa no Submarino que eu ganho uns trocados e você prestigia o blog que já lê de graça há tanto tempo. E feliz natal, ho ho ho!)
Cartaz visto em Havana: "Se ha perdido un loro. Se recompensará a quien lo devuelva. Su propietario aclara que no comparte, en absoluto, sus opiniones políticas".
"E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos. E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia."
Segundo Livro de Reis 2: 23-24
"Então [Eliseu] subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, careca; sobe, careca! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos."
Ezequiel 23: 19-20
"Todavia ela multiplicou as suas prostituições, lembrando-se dos dias da sua mocidade, em que se prostituíra na terra do Egito, deixando-se seduzir pelos seus libertinos, cujo sexo é como o sexo dos jumentos, cujo fluxo (leia-se esporrada) é como o dos cavalos."
Juízes 3: 16-23
"E Eúde fez para si uma espada de dois fios, do comprimento de um côvado; e cingiu-a por baixo das suas vestes, à sua coxa direita. E levou aquele presente a Eglom, rei dos moabitas; e era Eglom homem muito gordo. E sucedeu que, acabando de entregar o presente, despediu a gente que o trouxera. Porém ele mesmo voltou das imagens de escultura que estavam ao pé de Gilgal, e disse: Tenho uma palavra secreta para ti, ó rei. O qual disse: Cala-te. E todos os que lhe assistiam saíram de diante dele. E Eúde entrou numa sala de verão, que o rei tinha só para si, onde estava sentado, e disse: Tenho, para dizer-te, uma palavra de Deus. E levantou-se da cadeira. Então Eúde estendeu a sua mão esquerda, e tirou a espada de sobre sua coxa direita, e lha cravou no ventre, De tal maneira que entrou até o cabo após a lâmina, e a gordura encerrou a lâmina (porque não tirou a espada do ventre); e saiu-lhe o excremento. Então Eúde saiu ao pátio, e fechou as portas da sala e as trancou."
Números 16: 23, 31-33
"E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: (...) E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu. E a terra abriu a sua boca, e os tragou com as suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Coré, e a todos os seus bens."
Deuteronômio 25: 11-12
"Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar a seu marido dos socos do outro, e ela estender a sua mão, e lhe pegar pelas suas vergonhas, Então cortar-lhe-ás a mão! Que teu olho não tenha piedade!"
Primeiro Livro de Reis 18: 24, 38-40
"Então invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do SENHOR; e há de ser que o deus que responder por meio de fogo esse será Deus. E todo o povo respondeu, dizendo: É boa esta palavra. (...) Então caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o SENHOR é Deus! Só o SENHOR é Deus! E Elias lhes disse: Lançai mão dos profetas de Baal, que nenhum deles escape. E lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom, e ali os degolou."
Juízes 15: 15-16
"E achou uma queixada fresca de um jumento, e estendeu a sua mão, e tomou-a, e feriu com ela mil homens. Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento, eu os amontoei; com uma queixada de jumento matei mil homens."
Primeiro Livro de Samuel 18: 25-27
"Então disse Saul: Assim direis a Davi: O rei não tem necessidade de dote, senão de cem prepúcios de filisteus, para se tomar vingança dos inimigos do rei. Porquanto Saul tentava fazer cair a Davi pela mão dos filisteus. E anunciaram os seus servos estas palavras a Davi, e este negócio pareceu bem aos olhos de Davi, de que fosse genro do rei; porém ainda os dias não se haviam cumprido."
A Bíblia é ou não é maravilhosa? Leiam The 9 Most Badass Bible Verses. O melhor são os comentários. Eu só colei aqui os versículos traduzidos para conforto dos monoglotas.
Cheguei em Nova Orleans em agosto de 2005 e, já no mesmo mês, fiz parte da maior evacuação forçada da história. Só fui voltar à cidade em janeiro do ano seguinte. Tem sido interessante observar a volta progressiva da civilização.
Passei o primeiro mês tomando banho frio, em pleno inverno, porque a distribuição de gás ainda não havia sido normalizada. Apagões eram frequentes. O correio só entregava pacotes e cartas pessoais: nada de revistas ou junk mail. Os bondes não estavam rodando. A maioria dos estabelecimentos comerciais estava fechada ou com horário reduzido. O lixeiro não tinha dia certo pra passar, forçando todo mundo a deixar seu lixo na rua a semana inteira.
Hoje, já faz dois anos e meio do furacão.
A linha de bonde que eu pegava pra ir pra universidade - a mais antiga em funcionamento no país - ainda não voltou a circular completamente. A maioria das lojas e restaurantes 24 horas agora abre somente em horário normal.
A última novidade foram os parquímetros, que voltaram a funcionar em toda a cidade. Agora, cada vez que entro em uma loja, os solícitos vendedores fazem questão de lembrar: "veio de carro? lembrou de depositar as moedas no parquímetro?"
A Nova Orleans pós-K faz a gente dar valor às pequenas pentelhitudes da civilização.
* * *
Verdade seja dita: apesar dos pesares, Nova Orleans é uma cidade única e Nova Orleans pós-K é mais única ainda. Quem viu e viveu, sabe. Quem não esteve aqui, agora só nos livros de história e nos documentários do Spike Lee.
Um dos meus 5 filmes nacionais preferidos, fácil. Com R$30 de desconto no Submarino, por somente R$14,90. De graça. Compre, divirta-se e ajude esse blogueiro falido.
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambi�‹o, verdade e medo. Dê sua opinião!
160. Omil, Alba. Cuatro Versiones del Mart’n Fierro. [Argentina, 1993] Dez. (TulBib)
159. Estrada, Ezequiel Mart’nez. Muerte y Transfiguraci—n de Mart’n Fierro. [Argentina, 1948] Dez. (TulBib)
158. Alposta, Luis. La Culpa en Mart’n Fierro. [Argentina, 1998] Dez. (TulBib)
157. Lesser, Jeffrey. A Negocia�‹o da Identidade Nacional. (Negotiating National Identity. Immigrants, Minorities, and the Struggle for Ethnicity in Brazil.) [EUA, 1999] (TulBib.) Dez.1
143. Cadena, Marisol de la. Indigenous Mestizos. The Politics of Race and culture in Cuzco, Peru, 1919-1991. [EUA, 2000] Out.
142. Moura, Clovis. As Injusti�as de Clio: O Negro na Historiografia Brasileira. [Brasil, 1990] Out. (TulBib)
141. Gorender, Jacob. A Escravid‹o Reabilitada. [Brasil, 1990] Out. (TulBib)
140. Grandin, Greg. The Blood of Guatemala. A History of Race and Nation. [EUA, 2000] Out.
139. Borges, Jorge Luis. Otras Inquisiones. [Argentina, 1952] Out.
138. Lacombe, AmŽrico Jacobina & outros. Rui Barbosa e a Queima dos Arquivos. [Brasil, 1988] Out. (ILL)
137. Graham, Sandra Lauderdale. Prote�‹o e Obedi�ncia: Criadas e seus Patr›es no Rio de Janeiro, 1860-1910.[EUA, 1992] Out. 12 (TulBib)
136. Martinez-Alier, Verena. Marriage, Class and Colour in Nineteenth-Century Cuba. A Study of Racial Atittudes and Sexual Values in a Slave Society. [Reino Unido, 1974] Out.10 (TulBib)
135. Graham, Richard. (org) The Idea of Race in Latin America, 1870-1940. [EUA, 1990] Out.8 (TulBib)
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