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Monday, December 31, 2007

Um Dia na Praia com Mirna

Mirna at Macumba Beach

Mirna at the Car, Going to the Beach Mirna's Andalusian Spree Mirna's Big Toe and the Ocean Mirna's Andalusian Spree and the Ocean Mirna at the Mall Mirna Sleeping Beauty


Sunday, December 30, 2007

As Crianças e os Adolescentes

Sobre esse post, escreveram que não há nada mais adolescente do que querer fazer o que se quer na hora que se quer. Estranhamente, se não me falha a memória da minha adolescência e dos adolescentes que ensinei e ainda ensino, nada mais adolescente que querer ser aceito a todo custo. Naturalmente, indo mais longe, ambas atitudes são francamente adolescentes. Paradoxalmente, eu pergunto: e daí? Ser adolescente é ruim?

Toda criança é genial. Somos nós, os adultos, que perversamente as massacramos até extirparmos cada dose de individualismo e originalidade, para que se moldem ao que mediocremente chamamos de "o mundo", "a vida", "as coisas como elas são", etc.

As pessoas mais interessantes que conheci tinham quinze anos de idade. E depois se tornaram adultos chatos e caretas, cheios de filhos e de dívidas, fazendo hora extra e colocando dinheiro no fundo de pensão, misturando viagra com tônico capilar, centrum com óleo de peixe.

Hoje em dia, meus amigos de infância me são um eterno alerta contra os horrores da vida adulta.

Aos 18 anos, eu era sério e responsável, presidente do grêmio e editor do jornal da escola, não fumava maconha e não comia ninguém.

Hoje, aos 33 anos de idade e com saúde perfeita, começo a viver, esperando não parar até morrer. Finalmente coloquei minhas prioridades em ordem: sou adolescente. Celebro a mim mesmo. Canto a mim mesmo.


Saturday, December 29, 2007

Minhas Lindas Amigas e Seus Pés

Jezebel

Jezebel.

CARALHOOOOOO!



Eu preciso ir dormir mas não consigo parar de ler esse livro.


Friday, December 28, 2007

Quem Avisa Amigo É

Um amigo bem-intencionado: "Alex, se você continuar falando tudo o que passa na sua cabeça e fazendo tudo do seu jeito, você nunca vai ser bem-sucedido na vida."

Eu: "Oras, falar tudo o que passa na minha cabeça e fazer tudo do meu jeito é minha definição de ser bem-sucedido na vida!"

* * *

Ainda o mesmo amigo:

Eu: "Mas, afinal, por que você tanto quer ser bem-sucedido?"

Ele: "Você tem cada uma, Alex! Pra eu poder ter independência financeira pra não precisar mais medir minhas palavras ou puxar o saco do chefe, pra poder fazer o que eu quero do jeito que eu quero."

Eu: "Bem, eu devo ter pulado uma etapa então, porque eu vivo assim."

* * *

Hora do meu amigo abrir os meus olhos:

Ele: "Pô, Alex, às vezes você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas. Eu conheço gente que acha esse seu jeito muito inconveniente, te evita, não te chama pras coisas. Isso não te incomoda?"

Eu: "Olha, quando eu era adolescente, eu também tinha esse medo de que ninguém iria gostar de mim. Então, me envolvi em política estudantil e, mesmo sendo gordo, feio e inconveniente, eu consegui ser amado por quase todo mundo, ter entrada em todos os grupinhos rivais e vencer todas as eleições que disputei. Mas, depois,me dei conta que era tudo vaidade sob o sol, como diria um outro amigo meu. De que adiantava puxar o saco e ser legal com tanta gente que não me importava? O que aquelas pessoas me acrescentavam? Um belo dia, eu parei de falar o que as pessoas queriam ouvir e passei a falar o que eu queria dizer. Uma multidão de malas se afastou, é verdade, mas outras pessoas incríveis começaram a se aproximar. E eu me dei conta: se existe tanta gente que vai me amar por eu ser do jeito que eu sou, qual é o sentido de me reprimir pra ser aceito pelas outros? O que eu devo a esses outros, afinal?"

Ele: "Não deve nada. Mas ontem teve festa na casa do Paulo, sabia?"

* * *

Outro dia, no mercado em Nova Orleans, eu estava fazendo compras completamente descabelado (aliás, é por isso que gosto de cabelo curto, porque sempre esqueço de pentear) e eis que encontro outra amiga bem intencionada que, com uma sinceridade digna de mim, me avisou do meu pobre estado e ainda perguntou:

Ela: "How can you allow yourself to leave the house like that?"

Eu: "Well, step number one is sincerely not caring about other people's opinions. Once you have a good grasp of step one, the other steps just take care of themselves."

Desde então, ela tem estado fria comigo. Oras, a menina não estava nem um pouco errada, mas alguém que tem coragem de dizer o que ela disse, deveria mesmo ficar chateada com a minha humilde resposta?

Sinceridade é sempre boa indo; vindo parece que nego não gosta.


* * *

Email que chegou há pouco tempo, assunto: "mentira", representativo de várias mensagens semelhantes que recebo:

"você justificou tanto que não se importa com a opinião dos outros sobre você, que me parece justamente o contrario... o tempo todo você ficou tentando provar que nunca foi nem ai pra o que os outros pensam ou dizem da sua pessoa...mais tudio isso é pura mentira... se você não se importasse com a opinião dos outros vc não precisaria ficar justificando isso..."
A resposta é simples: a descoberta de que eu não precisava agradar os outros nem falar o que queriam ouvir pra ser amado, pra conseguir mulher, pra ser lido, pra arrumar trabalho, pra tudo, enfim, foi algo tão transcendental e esmagador na minha vida que fico mortificado de ver tanta gente ainda sendo oprimida pela ditadura da opinião dos outros.

E me pego pensando: as pessoas devem ser mesmo muito inseguras se acham que o único jeito de serem aceitas é eternamente se censurando, se reprimindo, se anulando.

* * *

Por fim, meu amigo balança a cabeça, põe a mão no meu ombro e diz: "Isso tudo é muito bonito, Alex, e vai dar um bom post amanhã, mas a triste verdade é que, um dia, você vai pagar o preço."

Um dia?! Ora, estou pagando o preço hoje. Só eu sei os colegas que alienei, as oportunidades que me negaram, as costas que me viraram. E só eu sei as aventuras que vivi, as mulheres que amei, os amigos que conheci. Pago o preço feliz e ainda sobra troco.

Já tracei meu caminho faz tempo: mais vale fracassar fazendo as coisas do meu jeito do que vencer só porque me anulei.


Wednesday, December 26, 2007

Renata e Fiona em Grumari

Renata em Grumari

Em uma tarde preguiçosa de terça-feira, eu e Renata fomos a Grumari. Mal chegamos e vem essa vira-lata e senta entre nós sem nenhuma cerimônia. Nunca vi uma cachorrinha mais fofa. O vendedor de coco disse que ela morava na praia e, às vezes, vomitava de tanto comer areia. Não sei como ninguém levou ela antes. Nós levamos. Fizemos todos os testes, demos todos os remédios e ela agora mora com os pais do namorado da Renata, que a batizaram Fiona.

Renata e Fiona em Grumari

Renata e Fiona em Grumari

Renata e Fiona em Grumari

Renata em Grumari

Jorge Luis Borges e o Martín Fierro

   Martín Fierro, O O argentino Jorge Luis Borges é um dos maiores autores de todos os tempos. O poema Martín Fierro, de José Hernández, é considerado a obra-prima da literatura argentina. No texto abaixo, eu analiso as leituras que Borges fez do Martín Fierro, um livraço que vale muito a pena conhecer. Para não entediá-los até as lágrimas, estou postando só a introdução e a conclusão. Quem quiser ler o texto inteiro, peça.

O Verdadeiro Herói do Martín Fierro: Civilização vs Barbárie em Borges e Hernández

A história das leituras de Martín Fierro, de José Hernández, é a própria história da literatura argentina Suas duas partes (El Gaucho Martín Fierro, também conhecido como La Ida, 1872, e La Vuelta de Martín Fierro, 1879) foram primeiro publicadas como livretos, baratos, acessíveis e despretensiosos, circulando assim separadamente por mais de 30 anos, com imenso sucesso comercial. Em 1910, são finalmente reunidas e editadas em forma de livro, o que marca o primeiro passo concreto no caminho para sua canonização literária. Na mesma década, dois influentes críticos literários, Rojas e Lugones, decretam o Martín Fierro como a epopéia do povo argentino, a obra-prima nacional por excelência, repositório das melhores qualidades e virtudes da cultura dos pampas. Pouco depois, entretanto, já surgem as primeiras vozes dissidentes, como Oyuela, seguidas pelo monumental estudo de Martínez Estrada: esses críticos não negam o valor literário da obra, mas sim a estatura do protagonista tanto quanto modelo de conduta quanto gaúcho paradigmático. Nesse momento, nas décadas de 40 e 50, acossado por um peronismo que via como um retorno da barbárie do século XIX, Jorge Luis Borges relê, reinterpreta e retoma o Martín Fierro, mudando para sempre o modo como o poema será lido.

Entretanto, a abordagem borgiana do já polêmico Martín Fierro não poderia deixar de ser também polêmica. Seus contos hernandianos ("Biografía de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874)" e "El Fin") e gauchescos ("La Otra Muerte", "El Sur", etc) são vistos tanto como traições ao gauchesco e ataques ao Martín Fierro quanto como homenagens a essa tradição literária nacionalista . Alguns estudiosos, que ainda enxergam em Martín Fierro um ideal virtuoso a ser seguido, consideram a abordagem borgiana, ao matar o personagem em "El Fin", um golpe de misericórdia no gênero gauchesco. Outros, mais críticos quanto às atitudes éticas do personagem, consideram que Borges salvou Martín Fierro de si mesmo, ao lhe dar a morte honrosa que Hernández lhe negara. De qualquer modo, todos concordam que Borges corrige e reescreve o Martín Fierro. Mas como? Qual é o eixo dessa reescritura?

O ponto central do debate, naturalmente, é um julgamento moral sobre as escolhas, atitudes e ações do personagem Martín Fierro. Será ele um herói forte e virtuoso ou um desertor brigão e hipócrita? Devem os argentinos tomar o Martín Fierro como ideal heróico? Merece Martín Fierro ser um modelo a ser seguido? Nesse julgamento moral do gaúcho, o principal argumento da acusação são as atitudes de Martín Fierro com dois negros. Em La Ida, enquanto está bêbado, ele puxa uma briga com um negro, o mata na frente de sua mulher e ainda o humilha. Em La Vuelta, o irmão do Negro desafia Martín Fierro para uma payada [algo como um duelo de cantores]: o gaúcho aceita mas acaba fugindo do duelo que se seguiria. Por que Hernández utiliza dois negros para ilustrar as duas ações mais baixas do seu personagem? Como esses dois negros, em especial o segundo, são mostrados pelo autor em comparação com o protagonista? Qual é a atitude de Martín Fierro em relação ao dois negros? Dentro do plano da obra, qual o significado dessas baixezas por parte do protagonista? Ou seja, por que Hernández faz seu protagonista cometer tamanhas atrocidades? Na esteira dessas perguntas, analisaremos também o conto "El Fin", de Jorge Luis Borges. Por que Borges escolhe justamente essa relação entre Fierro e o Moreno para glossar? De que modo a interação entre ambos personagens é diferente em Borges e em Hernández? Afinal, Martín Fierro é ou não um herói do povo argentino?

Nesse trabalho, vamos estudar a figura do negro em Martín Fierro, avaliar como essas personagens são tratadas na obra ensaística borgiana sobre o poema e, por fim, considerar a recriação que Borges executa do Moreno em seu conto "El Fin" [do livro Ficciones].

* * *

"O romancista não é porta-voz de ninguém, .... nem mesmo de suas próprias idéias. Quando Tolstoi esboçou a primeira versão de Ana Karenina, Ana era uma mulher muito antipática e seu fim trágico era senão justificado e merecido. A versão definitiva do romance é bem diferente, mas não creio que Tolstoi tenha mudado nesse meio tempo suas idéias morais, diria antes que, enquanto escrevia, ele escutava uma outra voz que não aquela da sua convicção moral pessoal. Ele escutava aquilo que eu gostaria de chamar a sabedoria do romance. Todos os verdadeiros romancistas estão à escuta dessa sabedoria suprapessoal, o que explica que os grandes romances são sempre um pouco mais inteligentes que seus autores. Os romancistas que são mais inteligentes que suas obras deveriam mudar de profissão. ... O espírito do romance é o espírito da complexidade. Cada romance diz ao leitor: 'As coisas são mais complicadas do que você pensa.'" (Kundera, 198)   Martín Fierro, O
Borges, sem dúvida alguma, teria concordado, em especial em relação ao Martín Fierro, que ele considerava um romance em verso: "Hernandez escribió para denunciar injusticias locales y temporales, pero en su obra entraron el mal, el destino y la desventura, que son eternos." (Borges, Martín Fierro, 43) O fato de Martín Fierro ser tão mais do que Hernández se propôs a escrever não deve nos levar a esquecer sua motivação primeira, pois aí encontramos as chaves para entender alguns dos mistérios do poema. Em uma época de declínio do gaúcho e de constante debates civilização vs barbárie (alimentados, entre outros, pelo Facundo, de Sarmiento), nunca ocorreria a Hernández que seu personagem pudesse ser tomado como arquétipo nacional ou mesmo modelo de conduta. Para o autor, seu poema era a narrativa dos azares, desventuras e exílios de um homem assediado por todos os lados: Fierro sofre nas mãos do exército e dos índios, dos bandidos e da justiça. Durante todo o poema, com raras exceções (como a deserção de Cruz), temos a impressão de que ninguém está ao seu lado. Acossado por tantas tragédias, Fierro se refugia na bebida e no crime. Hernandez não faz Fierro matar o Negro em um duelo gratuito e escandaloso porque seria assim que os verdadeiros gaúchos se comportavam, mas para mostrar as profundezas morais onde as circunstâncias tinham jogado seu herói.

Como tantos homens do povo, Martín Fierro é racista, mas, ao contrário de tantos textos abolicionistas do século XIX, o poema Martín Fierro não é. Mais do que o gaúcho, o verdadeiro herói do poema é o Moreno, mostrado como tendo todas as virtudes civilizadas que Hernández exalta, e nenhum dos defeitos de Fierro. A mensagem parece clara: o governo falhou com o gaúcho, que foi jogado na pobreza, na infâmia e no crime. A saída para o país é sermos como o Moreno: homens de família, trabalhadores, sedentários. Enquanto os gaúchos são valentões e temperamentais, e perdem suas vidas vagando pelos pampas, o Moreno é um homem calmo, tranquilo, ponderado, controlado. Não é por acaso que um país tão orgulhoso de sua herança branca, como a Argentina, tenha se negado a admitir que o maior herói do seu maior poema é justamente um negro trabalhador.

Assim como Spagnuolo, discordamos da leitura comum que vê em La Ida uma exaltação das virtudes e do ethos gaúcho e, em La Vuelta, uma exaltação dos valores burgueses e civilizados. Não existe esse corte: todo o poema é uma exaltação da civilização sobre a barbárie e do trabalho sedentário contra o nomadismo. Não vemos contradição alguma entre La Ida e La Vuelta: Martín Fierro, ao recusar o duelo que lhe oferece o heróico Moreno, somente demonstra que começa a aprender o código da civilização. Talvez ainda exista salvação para ele, parece nos dizer o poema.

Nesse ponto, de fato, vemos uma cunha entre Borges e Hernández: preso em sua eterna contradição entre o culto aos livros e o culto à coragem, Borges lamenta que o personagem Martín Fierro seja tomado como modelo de conduta, mas não consegue deixar de admirar seu código de honra. O poema realmente termina em um ponto baixo para o ethos gaúcho: lutar contra índios e bêbados é fácil (parece nos dizer Hernández), mas quando Fierro é interpelado por um homem de verdade, íntegro, bravo, controlado, ele foge da briga, esconde os filhos debaixo das saias, muda de nome e desaparece. Ou seja, quando a civilização decide finalmente enfrentar a barbárie cara-a-cara, a bárbarie não tem nem ao menos a coragem de aceitar o duelo e perder com hombridade. Em "El Fin", Borges não muda a moral da história, somente seu eixo: a civilização ainda derrota o gaúcho, assim como Borges espera que também ainda derrote o peronismo, mas, no conto, a derrota é menos vergonhosa. Em Hernández, o gaúcho sai de cena humilhado, fugindo da briga, negando todo o seu código de conduta. Em Borges, o gaúcho é vencido, mas com honra: ele volta para enfrentar seu destino cara-a-cara, olho-no-olho, e morre como homem, de faca na mão.

* * *

Para ver o texto todo, me escreva.


Monday, December 24, 2007

Diálogo na Casa de Uma Amiga

Ela - Alex, quer um iogurte?

Eu - Quero, tem de quê?

Ela - Ih, só tem o de cagar, o de comer acabou.

Eu - O de cagar é de morango ou de ameixa?

Ela - De ameixa.

Eu - Então, quero não, obrigado.


Sunday, December 23, 2007

Eu Deveria Usar Esta Minha Inteligência Um Pouco Melhor

Assunto: verdade

tu é muito inteligente,parabéns! mas deveria usar esta inteligÊncia um pouco melhor. tua capacidade de escrever é incrivel,mas alguns temas são imbecis. não gostei de como tu se refere sobre "a verdade" e de duvidar que Deus exista ,esta certo q cada um tem tuas crenças,mas gostaria de saber o q passa pela cabeça de uma pessoa assim.se não foi Deus qm fez tudo a nossa volta da onde tu acha q vieste?
Vim do banheiro. Aí li esse email e fiz o post. Satisfeito?


Saturday, December 22, 2007

Dê LLL de Natal

Nesse natal, dê um vira-lata de presenteSe você gosta desse blog, me lê de graça há anos e ainda me cita pros colegas, eu tenho um pedido/sugestão pra te fazer: compre alguns exemplares do meu best-of-the-best Liberal Libertário Libertino para dar de presente aos seus entes queridos ou não-tão-queridos assim:

"Amor, sabe aquele maluco Alex Castro de quem eu falo de vez em quando? Pois é, tá aqui."

O livro é bonitinho, bem acabadinho, vermelhinho, não faz feio como presente e ainda parece um gesto assim meio vanguardista, "literatura independente de natal, uau!", essas coisas. Ou seja, o presente perfeito. Custa R$28,50 e chega na sua casa em dois dias úteis.

E, se não gosta de mim, não seja por isso: passe no site da Os Vira-Lata e dê outros livros independentes de natal.

Tem Coisa Mais Provinciana...

Do que ficar babando ovo de celebridade? E daí que você encontrou a Madonna na fila do banco?

Back to the Future

   De Volta para o Futuro - Box de Colecionador- Triplo

Outro dia, vi um filme com Lea Thompson e me dei conta: estamos somente a sete anos do futuro mostrado no filme. Putaqueopariu.


Thursday, December 20, 2007

A Femme Fatale na Literatura Brasileira

   Perfis de Mulheres: Diva, Lucíola, SenhoraA femme fatale é um arquétipo comum da literatura mundial. Ela representa o medo primordial do homem diante do "mistério" feminino. A femme fatale é íncubo que destrói o homem usando aquelas armas que ele teoricamente não tem, armas "tipicamente femininas", como a sedução, a mentira, a traição, a dissimulação, a sensualidade. Curiosamente, entretanto, essa figura arquetípica aparece muito pouco na literatura brasileira.

Nossas mulheres brancas são, em geral, senhoras recatadas e bem comportadas. José de Alencar publicou alguns perfis de mulheres fortes (Senhora, Diva, Lucíola) mas nenhuma era propriamente a femme fatale arquetípica, perversa e manipuladora. Quando    Carne, Amuito, eram mulheres feridas que tornaram-se fortes para se vingar, nunca deixando de ser primordialmente boas, e logo cedendo novamente às pressões da sociedade patriarcal para que voltassem a ser "boas moças". Via de regra, mesmo quando momentaneamente rebeladas contra a sociedade, a personagem feminina brasileira raramente é verdadeiramente perversa.

A femme fatale brasileira, quando existe algo próximo, é somente uma mulher super-sexualizada. Lenita, de A Carne, não é uma pessoa perversa: ela apenas gosta demais de sexo. Naturalmente, para a moral do século XIX, que depositava toda a virtude Escrava Isaura, A feminina em sua sexualidade, é isso que fazia dela uma mulher pervertida: mas não cruel, não uma femme fatale. Aliás, o romance deixa bem claro que o despertar sexual de Lenita se deu por causa de sua proximidade excessiva com os escravos, esses sim, vistos como bestas totalmente sob o controle dos seus impulsos sexuais.

O elemento negro não surge por acaso. Na literatura brasileira, a personagem sexualizada por definição é a mulata. Entretanto, a mulata também não é uma femme fatale, não é a mulher calculista que uso o sexo ao seu favor: quando muito, as mulatas são mostradas como seres tão intensamente sexuais que estão sob controle de sua sexualidade, e não oposto. Isaura é uma mulata pura e virtuosa que, mesmo   Cortiço; Casa de Pensão, Oassim, não consegue evitar o efeito enlouquecedor que desperta nos pobres machos. Rita Baiana causa a morte de seu homem e desgraça de um português, mais por sua sexualidade animal do que por algum plano ou vontade sua. Gabriela encarna uma mulata de sexualidade tão aflorada que chega a ser ingênua e inocente: para ela, é normal ser desejada e é normal desejar. Apesar de catalizadora de mortes, ciúmes e paixões, a mulata da literatura brasileira não é uma femme fatale: por não ter controle sobre sua sexualidade e sobre seu efeitos nos homens, ela é praticamente inocente do caos que gera.   Gabriela, Cravo e Canela

Nesse aspecto, apesar de mostrada com simpatia pelo narrador, apesar de também ser uma vítima do sistema que a engendra, a Leniza de A Estrela Sobe é uma femme fatale clássica: dotada de certo desprezo pelos homens (gerado por desilusões amorosas prévias), ela usa sua sexualidade com frieza e calculismo para conseguir o que quer e para manobrar as contradições e entrelinhas da sociedade patriarcal. Como tantas femme fatales, Leniza também trabalha como prostituta e vive um caso de amor com outra mulher, Dulce. A simpatia com que o  Estrela Sobe, Anarrador vê Leniza não impede que também seja mostrada como a típica femme fatale manipuladora e mentirosa. O autor critica o sistema que engendra Leniza, mas também enfatiza que ela é responsável por suas ações e que age movida por ambição e vaidade.

Leniza tem muitos pontos em comum com uma das poucas outras femmes fatales da literatura brasileira: Ambrosina, a protagonista homônima de A Condessa Vésper (1882), de Aluísio de Azevedo. Ela também aprende cedo a usar sua sexualidade pra vencer no mundo masculino, também torna-se prostituta por um tempo e  Condessa Vésper, A vive um caso de amor com outra mulher. As diferenças páram aí, entretanto, pois A Condessa Vésper era um típico folhetim melodramático de aventuras: enquanto Leniza é vista como uma pessoa completa, às vezes perversa, às vezes hesitante, e sempre humana, Ambrosina é um monstro da maldade. Nas palavras de Adeítalo Manoel Pinho: "ambiciosa, mentirosa, falsa, adúltera, ladra, prostituta, sedutora, homossexual. Ela é hiperbolicamente negativa. Chamá-la de dissimulada seria uma ironia, e não uma adjetivação."

Obras Citadas

Pinho, Adeítalo Manoel Pinho. "A condessa da maldade: formação da personagem feminina no romance brasileiro do século XIX." Trabalho apresentado no "Seminário Internacional Fazendo Gênero 7: Gênero e Preconceitos", Simpósio Temático 13C - "Ruídos na representação da mulher: preconceitos e estereótipos na literatura e em outros discursos". Florianópolis, UFSC, 28-30 de agosto de 2006.


Nesse natal, dê um vira-lata de presente

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Wednesday, December 19, 2007

Mulher É Um Bicho Engraçado

Ou perdoa tudo ou não perdoa nada.

Mais Um Texto da Auto-Proclamada Alexete

Aqui.


Tuesday, December 18, 2007

Pega na Mentira

Assunto: Mentira

Alex... achei o seu texto bastante interesante e realmente concordo com você de que as pessoas na maioria das vezes mentem para serem aceitas... mais sò tem um problema, você justificou tanto que não se importa com a opinião dos outros sobre você, que me parece justamente o contrario... o tempo todo você ficou tentando provar que nunca foi nem ai pra o que os outros pensam ou dizem da sua pessoa...mais tudio isso é pura mentira... se você não se importasse com a opinião dos outros vc não precisaria ficar justificando isso... sem contar tmb que vc mesmo se considera um zero a esquerda para a sociedade... só pelo simples fato de ser gordo!!! de qualquer forma procure uma psicologa geral ela te ajudara a aumentar sua auto estima!!
Ela não diz a qual texto se refere, mas eu acho que é esse aqui.

A12

Não é nada, não é nada, mas, caso precise, temos o nosso e não é todo mundo que tem.

Navio-Aeródromo São Paulo (A12), em viagem do Rio a Vitória. Fotos de André Feltes.











Aliás, esse aqui é o melhor site brasileiro sobre Poder Naval.

* * *

Aliás aliás, desculpem o tom pouco característico do post, sei que sou libertário e talz, mas a Marinha é uma coisa estranha, de sangue, adoro aqueles navios, adoro história marítima, adoro o cheiro de cais do porto do Primeiro Distrito Naval, adoro aquelas oficiais vestidinhas de branco, adoro poder discordar abertamente dos almirantes porque não faço parte da hierarquia militar. Já fiz muita pesquisa no Departamento de História Marítima e Naval do Serviço de Documentação Geral da Marinha (um prédio lindo na Ilha das Cobras, foto), publiquei na Revista Marítima Brasileira e tenho até base naval de submarinos com o nome da minha família. Pois é, e vocês achavam que sabiam tudo da minha vida.

* * *

Comentário da Lulu no MSN: "acho engraçado e bom você ter pelo menos um lado hominho. 'Gente, o que o Alex tem de hominho?' 'Sei lá... Ah! sim! Ele gosta de porta-aviões!'"


Sunday, December 16, 2007

Borges na Companhia das Letras

Louvados sejam. Depois de anos de edições ruins, a Companhia das Letras está finalmente reeditando toda a obra de Borges. Ficções é um dos meus livros preferidos de todos os tempos, e o Livro dos Seres Imaginários é simplesmente delicioso, diversão pura. Recomendo nos mais enfáticos termos.

A Esquerda e a Direita Odeiam Meu Livro sobre Cuba - Updated de NOVO

Radical Rebelde RevolucionárioNa comunidade Comunistas, Cuba os Espera, o meu livro é visto como pura propaganda comunista, sou esquerdóide, sociopata, comunista de butique, odeio os americanos mas não sei viver sem eles:

Cara, eu não costumo xingar pessoas de uma forma geral, mas para você eu vou abrir uma exceção: você é um idiota. Mas o que esperar de um esquerdóide? Um sociopata? Nada além disso [...] Cuida da tua vida, cara. [...] Você (como todo esquerdóide de bosta) apóia a violência contra pessoas que tiveram mais capacidade de ascender na vida e por isso tem mais posses. E como todo sociopata que se preze, você não dá a mínima para a vida humana. Cara, quer nos fazer um favor? Se mata!

sua puta louca , porra nao trabalhe ta , e nao guarde dinheiro , porque se algum camarada revolucionario ficar sabendo , ele vai te quebrar u peito de viado ese que vc tem com um facao pra dar de comer a seus filhos . quanta gordura(do macdonals capitalista ) poderiamos tirar do teus peitos afeminados ou da tua barriga abalheinada " porra daria pra freir muita carne e muitos ovos , suficentes pra alimentar tuda africa . puta louca vicha , vc entao so pega fusil pela libertade de exprecao , porra vai pa cuba a lutar pela libertade de exprecao de um povo que a 50 anos sufre pelas loucuras de uma velha vicha louca que vc revolucionariamente aceitaria dar u cu. vai lutar porra y nao fale merda . se nao luta pelos oprimidos , pelo menos fas algo se bota uma bomba nu peito y mata muitos americanos imperialistas ( que vc tanto odeia) . sabe porque vc nao faz , pois porque vc e un covarde que so fala merda comunista de boutique .escreve merda mas nao pode viver sem u capitalismo. vai se fuder sua puta louca nao fale tanta merda e fas algo (so pra que alguem te mate sua merda e o mundo se libere de uma barata como vc)
Enquanto isso, na comunidade Cuba, eu sou anti-comunista, estou claramente promovendo uma campanha anti-Cuba, meus textos parecem que saíram do MidiaSemMáscara e devo estar querendo me promover pra alguma Olaveti:
Aliás creio que nesta comunidade não é o lugar para um "jormalista" vir fazer propaganda contra Cuba!! [...] Nitidamente, ele [o meu livro] destina-se a divulgar informações que não são verdadeiras, sob um viés extremamente mal intencionado sobre Cuba e talvez bem intencionado para alguém que deseja lucrar $$$ com isso.

Seu blog é interinamente parcial, parecendo o "midiasemmascara", mas como já foi dito, mais engraçado. ... de baixa qualidade, tanto no conteúdo quanto na parte gráfica, provavelmente está querendo promover seu livro recém lançado pra alguma Olaveti.Radical Rebelde Revolucionário

Já li coisas parecidas em sites como o “Mídia sem Máscara” e outras merdas que existem por aí. Como o Ricardo falou os seus textos estão parecendo obras de ficção, não condizem com a realidade. Infelizmente, você acabou caindo naquele tipo de visão cara aos direitistas, onde os preconceitos ideológicos falam bem mais altos do que a verdade dos fatos. [...] Alex, não sinta vergonha de expressar suas opiniões. É bem mais fácil você admitir que á anti-comunista do que ficar falando que o seu livro é apenas um "relato de experiências pessoais".

Olha, a idéia do blog é propagar idéias através dos textos. Para mim, é óbvio que o negócio é campanha contra Cuba. Li vários dos textos e não consigo ver uma visão positiva, é crítica em cima de crítica. Usa-se um suposto exemplo para falar de uma "polícia repressora e racista". Um suposto apartheid que não existe. E por aí vai. Felizmente, para cada um que denigre Cuba, há mil que a defendem.
Se quiserem, cliquem nos links e vão lá pra jogar lenha na fogueira.

* * *

Bem, amigo leitor, acho que está na hora de comprar o livro e decidir por si mesmo, não? Ou quer deixar esse povo discutindo sozinho?

Update

Comentário misterioso deixado pelo leitor Lúcio:
Gente como você me causa nojo!
Hmm, nojo por eu ser um comunista nojento ou um anticomunista nojento? Num post como o de hoje, você tem que especificar...

Update II

Entrei nas duas comunidades e disse a mesma coisa, com pequenas alterações

"Pois é, vocês aqui estão me chamando de esquerdista/direitista, mas, lá na comunidade dos esquerdistas/direitistas, eles estão me chamando de direitista/esquerdista! Pra vocês verem como o mundo não é tão preto no branco!"

E não é que ambos os grupos responderam EXATAMENTE a mesma coisa? Por favor, não confiem em mim: cliquem nos links.

Da comunidade direitista:
Sinceramente? Esquerdista acha que todos estão contra eles, inclusive você. Escrever que a ilha de Cuba é maravilhosa, exemplo, mas tem uma rua suja, é motivo de dizer que "és um traidor do movimento!". Para você ver como vocês são caricatos, tão engraçados! hahahhahahahahahahahhahahahahah
Da comunidade esquerdista:
Os direitistas falam que até a Globo é comunista! Leia o site Mídia sem Máscara e vai entender do que estou falando.
Ai, ai, deve ser até pecado eu me divertir tanto assim com a minha vida.


Saturday, December 15, 2007

Dizem Que Eu Virei Comunista Mas Não É Verdade

Tem post novo no blog cubano: O Que a Imprensa Cubana Tem a Nos Ensinar

Isabel Löfgren



Isabel Löfgren, artista plástica. Minha irmã, minha sócia, minha inspiração, minha melhor amiga. Ela agora reuniu toda sua obra em um único site. Recomendo a visita.

Para saber as fofocas da nossa vida, leiam Elogio à Isabel e Elogio a Alex Castro.


Friday, December 14, 2007

Vingança É um Prato que Se Come Frio

Bobby White foi condenado por um crime sexual 18 anos atrás e carrega essa letra escarlate até hoje. Quando comprou sua casa, todos os vizinhos receberam uma cartinha como essa abaixo.

Sex Offender Notification Sex Offender Notification

Tanto atazanaram o homem e seu companheiro [é um casal gay, ainda por cima] que ele decidiu ir embora, mas com um detalhe: está alugando sua casa preferencialmente para ex-presidiários, assassinos, ladrões e criminosos sexuais de modo geral. E com um cartaz bem explícito no gramado. Claro que a vizinhança veio abaixo.

rent

Mas, ué, assassinos que cumpriram sua pena têm que morar em algum lugar, não? Afinal, não existe lei contra alugar sua casa pra um estuprador. Os vizinhos podem ficar tranquilos: assim que Bobby alugar a casa, eles vão receber uma cartinha com todos os detalhes sobre o novo inquilino...

Leia também:


Thursday, December 13, 2007

Últimos Capítulos

Choro e ranger de dentes.

  Heroes - 1ª TemporadaHeroes termina seu segundo volume de forma fraca. A temporada praticamente não teve antagonistas. Hiro vence o bandidão, literalmente, num piscar de olhos, o que ele poderia ter feito desde o começo. Então, pra que tanto alarde? A moça latina dos olhos de petróleo a la Arquivos X ficou a temporada inteira chorando, e vindo de cá pra lá e, no final, provou-se que não tinha ABSOLUTAMENTE nenhuma função na trama. Poderia ser cortada e ficaria tudo igual. A namoradinha do Peter ficou largada no futuro alternativo e todo mundo cagou. Dado que Peter salvou o mundo e o futuro alternativo onde ela está teoricamente nunca vai existir, o que aconteceu com ela? Alguém se importa? Por fim, meu deus, o que está havendo com a boca cada vez mais torta do Peter? Será derrame?

   Dexter: The Complete First SeasonDexter termina sua segunda temporada de forma fraca. A temporada também praticamente não teve antagonistas. Tiveram o maior trabalho pra criar Dexter na primeira temporada, só para desconstruí-lo na segunda, e reconstruir tudo de novo no último capítulo. Quanto trabalho à toa. Valeu pelo agente Lundy, super carismático, e pela Lila - quem não gosta de uma psicopata? A temporada ia quase bem até o último capítulo. O espectador está sempre preparado para engolir uma ou outra coincidência inverossímil, às vezes a história só funciona se todos os personagens forem jantar no mesmo restaurante na mesma noite, mas não pode virar novela mexicana, gente. O último episódio teve não só peripécias e reviravoltas suficientes para encher meia temporada, como também uma série de coincidências absolutamente impossíveis de engolir - eu contei seis. Uma, tudo bem; seis é demais. A resolução da trama nunca é tão legal quanto a trama em si* mas, esse ano, eles mal tentaram.
 Battlestar Galactica - Primeira Temporada- 5 DVDs EDWARD JAMES OLMOS   JAMIE BAMBER   MARY MCDONNELL   KATEE SACKHOFF
Pelo menos, Battlestar Galactica Razor, o filminho de duas horas entre a terceira e quarta temporadas, foi simplesmente demais. Leia um post antigo sobre o toque de gênio de Battlestar Galactica.

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*"La solución del misterio siempre es inferior al misterio. El misterio participa de lo sobrenatural y aun de lo divino; la solución, del juego de manos." Borges


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