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Saturday, March 3, 2007

Livros Infanto-Juvenis

Harry Potter e o Enigma do Príncipe - Vol. 6 J.K. ROWLING Eu gosto muito de Harry Potter. Em termos de storytelling ability, J. K. Rowley só se aproxima de Tolkien e Stephen King. Não entendo quem possa ler um livro de Harry Potter e não gostar. Não consigo imaginar o que mais essas pessoas esperariam de um livro infanto-juvenil. Ou, em outras palavras, que outro livro infanto-juvenil oferece mais do que Potter? Pior ainda, claro, são os que não leram e não gostaram. Qualquer um que não gosta de qualquer coisa sem ler é um boçal inqualificável. Coleção Harry Potter J.K. ROWLING

Enfim, gostei tanto de Harry Potter que comecei a me perguntar: será que os livros que me lembro da minha infância eram tão bons assim, ou será a memória me pregando peças?

Pra conferir, reli os que eu lembrava como os meus preferidos:

  • O Gênio do Crime
  • O Escaravelho do Diabo
  • O Caso da Borboleta Atíria
  • Um livro da Inspetora
  • Reinações de Narizinho
O Gênio do Crime sobreviveu incólume à leitura. O Gênio do Crime é simplesmente genial.

 Gênio do Crime, O JOAO CARLOS MARINHOReinações de Narizinho é ótimo, mas o timing é todo errado, está cada vez mais distante dos leitores jovens de hoje. Eu não seria contra uma "adaptação" contemporânea do livro, sem mudar quase nada, mas agilizando-o.

O resto, sinceramente, é lixo. Escaravelho do Diabo, O LUCIA MACHADO DE ALMEIDA

Acho que a diferença é carinho. Nas Reinações, no Gênio, em Potter, você vê o carinho dos autores. Tratam bem a história. Eles levam seus leitores a sério. Burilam a linguagem: não é fácil a sua linguagem ser simples sem insultar a inteligência dos seus jovens leitores. E eles fazem isso.

Os outros não sobrevivem a uma leitura minimamente criteriosa: as histórias parecem ter sido escritas com pressa, sem carinho e sem cuidado, para leitores retardados. O enredo é cheio de furos, nada faz sentido.

 Reinações de Narizinho: Textos Escolhidos e Comentados p/ Uso Escolar MONTEIRO LOBATO   Não pensem que falo isso à toa. Foi um dos grandes baques da minha vida descobrir que O Escaravelho do Diabo e O Caso da Borboleta Atíria, duas boas lembranças da minha infância, são livros péssimos, péssimos, péssimos. E olha que não estou dizendo que são péssimos em comparação a Machado de Assis e James Joyce, mas ao Gênio do Crime e Harry Potter.

Eu concordo com o Rafa. Não acho que são livros nocivos mas acho que não são livros que a escola deveria ensinar. Também não acho que a escola deva dar Crime e Castigo na quinta série, mas há um meio-termo saudável. Afinal, se a escola não for capaz de escolher os livros que são ao mesmo tempo bons E acessíveis, quem mais fará isso?  Caso da Borboleta Atíria, O LUCIA MACHADO DE ALMEIDA

Minha querida Lulu, que é professora de português do ensino médio, postou em seu blog uma interessantíssima lista dos livros que ensina para seus alunos. Alguns livros eu não consigo deixar de achar que são muito avançados, mas esse é um feeling que só o próprio professor pode ter. De qualquer modo, dá pra ver várias sugestões de leituras que não são nem complexas nem retardadas.

Boa parte dos livros da Lulu são clássicos que se prestam a vários níveis de leituras: apesar de complexos, permitem leituras mais simples e superficiais, como A Metamorfose, O Médico e o Monstro, O Velho e o Mar, O Cavaleiro Invísivel, etc. O professor pode até mesmo, digamos, apresentar A Metamorfose como a simples história do cara que vira inseto e já ir construindo nos alunos uma sensibilidade artística mais delicada que os permita entender que não é isso que está acontecendo no romance. Metamorfose, A FRANZ KAFKA

E, por fim, é sempre importante matar esse senso-comum preconceituoso de que leitura é algo inerentemente lindo e que todos devem sempre ler mais e mais e mais. Leitura não faz de ninguém uma pessoa melhor. Leitura é bom pra quem gosta de ler e para quem tem carreiras que dependam de domínio da língua. Dependendo da criança, do seu tipo de inteligência e das suas inclinações, pode ser mais saudável passar seus dias praticando esportes, resolvendo quebra-cabeças, jogando videogames, tocando guitarra, construindo móveis, etc etc, do que passivamente lendo.

Esse mito do valor inerente da leitura só existe porque as pessoas que gostam de ler têm um lobby mais influente do que as pessoas que gostam de passar o dia se bronzeando na praia ou jogando bola em terreno baldio.


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