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Sunday, December 31, 2006
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Lista de Leituras
Fecho 2006 com 154 livros lidos. Entendo os incrédulos. Se eu não tivesse marcado um por um, dia a dia, também não acreditaria. E olha que a lista não inclui trechos de livros e artigos acadêmicos, que formam boa parte das minhas leituras. Janeiro vai ser ainda pior: vou ficar por conta das leituras do exame de mestrado praticamente em tempo integral. Machado me ajude.
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Saddam - UPDATED
Eu já comentei isso aqui uma vez. É incrível como as pessoas não sabem nada de nada e, ainda assim, opinam sobre tudo. Pior, opinam passionalmente. Tem gente dizendo que o julgamento do Saddam foi injusto ou que foi justo, que foi imposto pelos americanos ou que os americanos não queriam, etc etc. Bem, eu não sei nada sobre isso. Nem elas, aliás.
Mas sei o seguinte. A cena da execução é chocante. Não pela execução em si mas pela precariedade do ambiente, pela falta de respeito dos guardas, pela sordidez generalizada. Sou contra pena de morte, mas não me meto na soberania dos outros. Se os iraquianos decidiram executar seu ex-chefe de estado, que o executem. Mas que o façam com ordem, com cidadania, com legalidade. Não precisa fazer da execução uma plataforma para o martírio do condenado, mas que tenham respeito pela dignidade de um ser humano.
Não sei quanto ao julgamento mas a torpeza da execução lhe esvaziou completamente de legitimidade.
Leia também: As Certezas dos Humanos
UPDATE
Ai meus sais que me mijo de rir! Tem um cara me chamando de fascista nos comentários por causa desse post! Calma, não cliquem nos comentários ainda. A brincadeira é a seguinte: antes de clicar, tente adivinhar que elemento do post acima uma mente doente poderia distorcer ao ponto de tornar-se prova do meu fascismo. Vamos lá.
Saturday, December 30, 2006
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Eu Acho Engraçado Quando as Pessoas Batem no Peito e Dizem "Eu Não Vim pro Mundo a Passeio, Não!"
Eu vim.
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Um Dia na Praia
Cresci na Praia da Barra, sempre dentro d'água - odeio areia. Morei no bairro de 1978, época de dunas desertas, até 2000. Nunca deixei de frequentar, pois toda minha família continuou morando lá. Agora, nessa temporada no Rio, estou ficando na casa do meu pai, na Praia da Barra. Hoje, passei a manhã na minha praia, o meu habitat. Abaixo, as melhores fotelhas.

Sério, como resistir a essa expressão facial, a esse bíquini amarelinho, a essa tornozeleira amarela combinando, a esses dedinhos pra cima, a essas pernas?

Perguntei pra uma amiga paulista se ela achava que eu precisava explicar pros haoles o que eram as oferendas na praia e ela nem entendeu a pergunta. Então, aqui vai. Na verdade, eu não sei bem o que são as oferendas, mas posso dizer que são deixadas por todas as praias da cidade, nas vésperas do ano-novo, pelos praticantes das religiões afro-brasileiras. Ninguém ousa mexer, por medo de atrair o ódio dos espíritos.
(Antes que perguntem, Haole é um termo havaiano que quer dizer estrangeiro. Hoje em dia - ou, pelo menos, na minha praia, na época onde eu cresci - é usado pelos surfistas locais - singular: lokau - para descrever quem não surfa ali, quem não é daquela praia. Por extensão, é usado pelos cariocas pra descrever os não-cariocas.)
(Obs: com certeza, vai aparecer algum babaca dizendo que carioca é arrogante por chamar não-carioca de haole. Mas só pode ser inveja. Porque eu aposto que, se eu tivesse crescido em Cuiabá e dissesse que, na minha rua em Cuiabá, a gente tinha uma palavra ("Gebloro") pra descrever os meninos das outras ruas e que, por extensão, chamávamos de Gebloros também os não-cuiabanos, duvido que viesse algum mala me encher o saco.)

No fundo, a obra do emissário submarino da Barra. Aparentemente, começou a funcionar por esses dias.

O Biscoito Globo (também chamado de Biscoito Grobo) é talvez a maior tradição das praias cariocas. Indispensável.

Quando eu era moleque, não vendia camarão na praia, não. Sou corajoso, mas não a esse ponto.



Update
Perguntaram que câmera eu uso. Essa aqui. À venda no Sub com R$300 de desconto, frete grátis e cartão adicional de 128MB.
Friday, December 29, 2006
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Câncer
Sexta, meio dia. Estou no centro do Rio desde quarta fazendo testes de usabilidade com usuários. Ontem, marquei com sete pessoas, vieram somente três. A média normal de faltas é 10% ou menos. Estou alugando uma sala por hora, meu dinheiro escoa pelo ralo a cada usuário que falta. Leio as manchetes dos jornais e me bate uma tristeza imensa, como se a mulher que eu amo tivesse sido diagnosticada com câncer terminal. Apesar disso, não tem nenhum lugar do mundo onde eu preferiria estar agora do que no Rio.
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Essa Vida É Engraçada
Primeiro, os leitores ficaram com ódio do "Leia Mais". Depois, ficaram com ódio de mim falando sobre o "Leia Mais". Às vezes, acho que vocês têm é ódio demais nesse coração. Bem, eu trabalho com usabilidade de interfaces: pra mim, essas discussões são interessantíssimas e vitais. Mas, enfim, pra não me apedrejarem, abaixo está a conclusão da série sobre click vs scroll e, para os leitores menos técnicos, um post sobre Kafka. Espero que agrade a gregos e baianos.
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Kafka no Restaurante
Tive que ler Soy Paciente, de Ana Maria Shua, romance argentino de 1980, para a aula do Idelber. Conta a história de um homem que se interna em um hospício (qual é o nome politicamente correto que usam hoje em dia?) para fazer uns exames e acaba ficando toda a vida. 
O livrinho é bom, divertido, gostei de tudo, mas só teria uma crítica: em um universo onde já existe Kafka, ele é redundante. Tudo é kafkiano até o último detalhe. O título bem poderia ser: Kafka no Hospício.
Aí pensei: não seria legal se a próxima daquelas séries de romances da Objetiva fosse de romances kafkianos? Kafka na praia, Kafka na eleição, Kafka no trânsito, Kafka na escola, as possibilidades são ilimitadas.
O meu seria Kafka no restaurante.
* * *
Alguém deve ter distorcido seu pedido, pois assim que Joseph K chegou no restaurante o garçom já lhe trouxe um bife. Joseph K mandou voltar o bife e o garçom disse que não tinha autoridade pra devolver o bife, que Joseph K deveria falar com o Gerente-Geral. Joseph K pede que ele pelo menos afaste o bife, pois é vegetariano e tem nojo. O garçom diz que não pode fazer nada, que é apenas uma engrenagem na grande máquina do restaurante, que não sabe como as coisas funcionam, que tem acesso apenas ao 3o cozinheiro, que teria que passar o bife ao 2o cozinheiro, que teria que passar o bife ao 1o cozinheiro, que teria que passar o bife ao cozinheiro-chefe, que nenhum deles nunca tinha visto, não sabiam nem se existia um cozinheiro-chefe. Joseph K pede que o garçom então chame o Gerente-Geral. O garçom avisa que é inútil, que o Gerente-Geral nunca vem ao restaurante, nunca gerencia nada e nunca, nunca fala com os clientes, mas que iria tentar assim mesmo.
Enquanto espera, Joseph K começa a trocar olhares com sua vizinha de mesa, uma certa Fräulein Bürstner, que ele conhecia de vista. Ela se aproxima dele, senta ao seu lado, passa o pé por sua perna e tenta avisá-lo para não devolver o bife, melhor comê-lo e pronto, mas ele se recusa a ceder, e ela se afasta, desiludida, dizendo que então não poderá protegê-lo.
Aparece um novo garçom, dizendo que desde o começo dos tempos, nunca ninguém conseguiu devolver um bife, e aponta um senhor sentado no fundo do restaurante, que estava esperando seu bife há anos e anos, mas que ele, garçom, conhecia o cozinheiro-chefe e poderia interceder em nome de Joseph K.
Os anos se passam. Joseph K está magro pela falta de comida. Não ganha nem sobremesa até acabar seu bife. Um dia, um cozinheiro de outro restaurante senta em sua mesa e lhe conta uma história. Um freguês chega diante da porta da cozinha, protegida por um guarda enorme, e lhe diz que gostaria de entrar. O guarda não deixa e o homem senta pra esperar. Ambos esperam a vida toda. O freguês tenta subornar o guarda, que aceita os presentes mas não o deixa entrar. Muitos anos depois, quando o homem já está morrendo de fome e de velhice, o guarda lhe diz que aquela cozinha tinha sido construída somente para ele e, agora que iria morrer, ela seria fechada pra sempre. Joseph K não entende nada.
Finalmente, dois garçons fortes como dois armários saem da cozinha dispostos a resolver tudo, levantam Joseph K pela gola e arremessam ele e seu bife no chão. Uma bota militar aperta a cabeça de Joseph K contra o bife e o garçom manda: come tudo, agora, assim!
Joseph K obedece. Como um cão.
* * *
Leia Kafka, Um Autor Traído
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Clique vs Scroll: "Leia Mais" em Blogs (Parte 4 de 4)
O Polêmico Scroll
Algumas dos defensores do "leia mais" o fazem por serem anti-scroll.
Concordo. Eu também sou. A gente não se dá conta de como um número enorme de usuários simplesmente ainda não entende o conceito de scroll.
Realizei um teste de usabilidade para um site que exigia que o usuário se logasse antes de fazer qualquer coisa. A primeira pergunta, como sempre, era só aquecimento, para os todos os participantes acertarem e ficarem confiantes: mude seu endereço no cadastro. Simples assim.
Para nossa enorme surpresa, 40% dos participantes não conseguiram cumprir essa tarefa pois não conseguiram NEM se logar.
A explicação é simples: por alguma dessas bizarrices de design, os campos de login e senha ficavam abaixo da dobra (below the fold). Ou seja, o usuário teria que dar scroll para vê-los. Pois esses 40% de usuários procurou o login e a senha por todos os cantos possíveis e imaginários da tela (afinal, sabiam que TINHA que estar ali em algum lugar) mas simplesmente não lhes ocorreu dar o scroll para ver se não estavam mais embaixo. Talvez tivesse lhes ocorrido mais tarde: a condição de sucesso da tarefa era ser realizada em 10 minutos. Ao final desse tempo, essas pessoas não tinham nem se logado ainda, quem dirá trocado seu endereço no cadastro.
Então, sim, para meus clientes de usabilidade, eu uso esse exemplo aterrador para recomendar, nos mais fortes termos, que todo o conteúdo essencial esteja sempre visível acima da dobra (above the fold). Nunca conte com o scroll do usuário.
Por outro lado, também fiz uma consultoria de usabilidade para uma empresa de ecommerce que tinha uma home simplesmente gigantesca, oferta em cima de oferta em cima de oferta, uma página inicial pesadíssima que não acabava nunca e demorava meses para carregar. Usei o exemplo acima para sugerir ao cliente que talvez grande parte daquelas ofertas estivesse apenas pesando a home e sendo vista por muito poucos consumidores.
O cliente me respondeu com um dado impressionante, quase inacreditável: 40% das vendas do site (por acaso, o mesmo número que da historinha acima) eram feitas através da home. O usuário chegava na home, via uma oferta, botava no carrinho e comprava, sem nem passar por nenhuma outra página do site. Eles tinham medo de diminuir o número de ofertas na home e perder muito em vendas.
Eu fiz uma sugestão alternativa: ok, mas esses 40% eram de vendas na home inteira ou só das megaofertas above the fold? Eles voltaram aos logs, observaram o comportamento dos usuários pelos próximos dias, e confirmaram: realmente, essas vendas todas eram basicamente das ofertas das primeiras três ou quatro linhas. Os produtos mais abaixo disso mal eram vendidos. Estavam apenas pesando a home à toa.
O cliente diminuiu o número de ofertas na home de quase 100 para 12-20 (o que já é muito) e as vendas, longe de cair, ainda aumentaram - pois eles recuperaram todos os clientes que antes não compravam por não conseguir carregar a página.
Conclusões
Em suma, assim como muitos dos desenvolvedores web que usam o "leia mais" em seus blogs, eu também sou contra scroll. Sei que o usuário médio não dá scroll. Qualquer coisa below the fold corre o sério risco de nunca ser vista por boa parte dos usuários mais novatos.
Entretanto, o usuário médio do Submarino não é o usuário médio de um blog. Só por saber o que é um blog, um leitor de blogs já demonstra um mínimo de sofisticação. O próprio conceito de blog é uma sequência de textos em ordem cronológica inversa. Curtos ou longos, não faz diferença. Quem está em um blog e sabe o que é um blog já está demonstrando uma aceitação tácita desse conceito.
O "padrão do mercado" para blogs não inclui o "leia mais", então ninguém abandona um blog em desespero por falta dele, mesmo que os posts sejam longuíssimos. Quando muito, o usuário pára de ler o blog por ele ser chato, não pela decisão de design de apresentar textos completos na home. Se perguntássemos a esse usuário sua opinião, ele provavelmente diria que a solução são posts menores e mais interessantes, e não um recurso como o "leia mais".
Entretanto, como vimos, muitos usuários estão abandonando e deixando de ler blogs por causa da presença do "leia mais", um recurso que consideram irritante e antipático.
Como disse um outro usuário, a grande questão não é nem scroll vs clique:
Na verdade a dúvida é [scroll] vs [click + scroll], pois qd vc clica e aparece o texto completo, ainda assim vc tem q scroll. Ou seja, se não há como fugir do scroll, fujamos pelo menos desse clique adicional que causa emoções tão fortes nos usuários.
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Clique vs Scroll: "Leia Mais" em Blogs (Parte 3 de 4)
Minha Opinião de Usuário
Eu já desisti de ler blogs por causa do "leia mais". Eu já deixei de clicar pra ler o resto de artigos que normalmente eu leria. Eu já fiquei frustrado e saí do blog batendo a porta.
Entendo perfeitamente as razões pelas quais blogueiros, de boa fé, adotam o "leia mais". Essas razões não tornam o recurso menos antipático, entretanto. Basta ouvir o que dizem - gritam - os usuários.
Escrevendo como usuário e não como consultor de usabilidade, eis como eu SINTO o "leia mais":
Em primeiro lugar, o "leia mais" é arrogante. O blogueiro parte do princípio que ele e seu textos são tão fodas que eu vou me submeter a um trabalho extra só pra ter a honra de ler o resto do seu magnifíco texto.
E respondo: Não vou. Não clico. Passar bem.
Em segundo lugar, o "leia mais" é antipático. Eu já estou ali. Já acessei o blog. Já li o começo do post. Já me interessei. Caramba, já demonstrei meu apreço pelo seu texto de várias maneiras. Você poderia ter me mostrado o resto do post exatamente agora, nesse ponto onde estamos, mas não. Eu quase posso visualizar um blogueiro bem geek e implicante, balançando o dedo indicador em gesto de "não", e dizendo "nã nã ni nã não, se quiser MESMO ler meu texto, vai ter que provar que está REALMENTE interessado, vai ter que dar mais um clique...."
E respondo: quer saber de uma coisa? Agora não quero mais. Se tudo o que fiz vindo até aqui e lendo o começo do texto não basta pra provar meu interesse, foda-se você e sua pirraça. Vai ficar sem leitores. Passar bem.
Em terceiro lugar, o "leia mais" é manipulador. Eu me sinto abrindo uma daquelas bonecas russas. A gente abre, e dentro tem outras, e mais outras, e acabamos que nunca chegamos a lugar nenhum. Eu me sinto uma mula com uma cenoura sendo abanada em frente ao meu rosto. Me sinto um cachorro acompanhando o dono balançar um osso daqui pra lá. "Quer ler meu texto? Vem pra cá. Quer continuar a ler meu texto? Vai pra lá. Quer ler MESMO meu texto? Vem pra cá..." Eu quase posso ouvir o blogueiro rindo de mim.
E respondo: quer saber? Azar o seu. Tenho outros mil blogs não-pirracentos pra ler. Não vou. Não clico. Não leio. Não volto.
Minha Revista Não Tem Todas as Matérias na Capa, Só as Chamadas
Muitos dos entusiastas do "leia mais" fizeram defesas apaixonadas do método que usam.
Pra começar, eu queria dizer que, pra mim, o usuário é rei. Durante os últimos sete anos em que trabalhei como consultor de usabilidade, esse mantra nunca me falhou. Se depois de tanta manifestação espontânea de ódio por parte dos usuários, alguém ainda quer defender e racionalizar o "leia mais", faz isso por sua própria conta e risco. O blog de cada um é de cada um, podem fazer o que quiserem, só não venham dizer que fazem isso pra facilitar a vida do usuário. O usuário já disse que é contra.
Enfim, algumas pessoas usaram o argumento "revista", que acho especialmente problemático. Grande parte dos piores erros de usabilidade em sites nasce de falsas analogias com o mundo real, analogias que simplesmente não funcionam direito na web.
Alguns escreveram:
Eu nem reparo tanto [no "leia mais"]. Mas sei que quando compro uma revista o conteúdo não está todo dentro da capa.
O que você acharia se encontrasse toda a matéria do seu jornal de Domingo logo na Capa? Será que eu preciso mesmo dizer que um blog não é uma revista e uma revista não é um blog? Que as soluções que funcionam pra um podem até funcionar pra outro, mas nunca automaticamente? Que fazer uma comparação do tipo "se a revista é assim, o blog deve ser assim também" é um non-sequitur completo? Mas as revistas também fazem uma coisa bem parecida, e de forma tão irritante quanto. Grande parte das revistas mensais de variedades dão as primeiras páginas de todas as suas matérias na primeira metade da revista, sempre com um "link" para que você continue a ler a matéria na página 156. E lá vai você, no meio de um parágrafo interessante, ter que folhear 100 páginas de revista pra ler a continuação daquela matéria. E, pior ainda, depois de ler até o fim, você tem que voltar para onde estava antes, pra ler a matéria logo depois daquela. Não sei como essas revistas sobrevivem impondo tanto trabalho inútil aos usuários, sendo tão antipáticas. A maioria das pessoas que eu conheço acha esse artifício completamente irritante. Arrisco até a dizer que, fora dos ramos editorial e publicitário, nenhum leitor leigo aprecia esse artifício. Queremos fazer isso nos nossos blogs também? Os leitores já mostraram que não concordam. Gente Que Não Entende a Questão PropostaA questão era especificamente sobre o recurso "Leia Mais" em blogs. Claro. Óbvio. Em qualquer outro site, a questão não se aplica. Imaginem chegar na home de um portal ou de um jornal e ler todas as matérias, por extenso, em ordem cronológica? Seria um inferno. Ninguém faria isso. Ninguém propôs isso. Entretanto, em sua infinita capacidade de não-ler, não-entender e mudar de assunto, muitos leitores vieram me falar justamente de portais e sites. É como se eu tivesse dito que não se deve usar calção de banho em reuniões de negócios. E vêm os leitores me dizer que não, estou falando besteira, que eles sempre usam calção de banho na praia, e funciona que é uma maravilha. Pena que a questão não é o mérito ou não dos calções de banjo, mas simplesmente se devem ser usados em reuniões de negócios. Mais uma vez, a questão levantada era se o recurso "leia mais" cabe ser usado em BLOGS. O fato de o "leia mais" ser imprescindível para uma home de portal não tem NADA a ver com a questão em pauta. Lá no meu site pessoal, por exemplo, a home tem uma descrição de cada seção e a home de cada seção tem um pequeno trecho de cada artigo. Mas, naturalmente, o meu site é um site e estamos falando de blogs. Amanhã, o famigerado scroll e seus prós e contras....
Thursday, December 28, 2006
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Clique vs Scroll: "Leia Mais" em Blogs (Parte 2 de 4)
Os Usuários Descrevem Sua Raiva e Frustração
Reparem especialmente no impacto emocional sobre o pobre do usuário-vítima:
Leia mais é totalmente irritante! Eu desisto de ler o blog as vezes, porque quebra a linha de raciocinio do texto. Quando eu comeco a me envolver na historia o texto é interrompido. Aí eu fico irritada e vou embora...
Acho um verdadeiro porre o link "leia mais" . Acho uma aberração obrigar alguém clicar num link e depender do humor da D. Internet para poder continuar a ler um artigo. Isso é truque para fazer com que o Seu Adsense compute mais um page view.
Tenho certa raiva do 'leia mais'...
"Leia Mais" é uma merda. SEMPRE segue o começo do texto, um corte abrupto e o famigerado LM. O único lado positivo é a velocidade de carregamento da página. Mas o que acaba acontecendo, no meu caso, é eu abrir 415 abas no Firefox -- todas com o mesmo título -- e me perder no meio do conteúdo.
Por favor, "leia mais" não! Quem depende de conexão discada - como este seu fiel leitor aqui - se ferra...!
Eu DETESTO o Leia Mais.
acho um saco...nao leio, às vezes nem vejo que o post continua.
Clique é horrível, Quebra o ritmo, tem a demora no carregamento da página e as idas e vindas consecutivas para ler vários posts. Creio que deve ser muito bom para medir a "audiência" dos posts mas para o leitor é triste. Já me deparei com um sujeito que conseguiu ir mais longe ainda: um clique em um post do feed dele levava para o primeiro parágrafo do post e aí você ainda tinha que clicar no leia mais para continuar. O horror, o horror.
Eu também nunca clico no 'leia mais'.
É um saco, se eu quiser ver os posts rapidamente é só usar a barra de rolagem na lateral.
Clicar pra ver o resto do post é uma merda. tira o ritmo da leitura. pra texto ruim, é só rolar e pronto. texto bom, continuo lendo. agora, ter que fazer isso direto, para cada post, cada vez que eu quero ler um texto, não dá. fujo do blog e nunca mais volto.
É horrível. Cria uma expectativa que o texto normalmente não realiza.
eu nunca clico no "leia mais"
Eu acho um saco, prefiro ler o post inteiro no meu leitor de feeds.
é um recurso chato, pois normalmente a compreensão do trecho que fica à mostra depende do restante do post.
Não gosto. Nem sei direito dizer o motivo, só sei que quando tem isso simplesmente deixo de ler o blog. Já fiz isso várias vezes.
Já usei e larguei de mão, além dos problemas citados, tem também o pessoal da discada. Imagina domingo à tarde, leva uma vida prá carregar e o cara ainda vai clicar em leia mais?
É uma merda. O dono do Blog parece achar que os leitores são imbecis, por acharem que post longo não se ler, ou por tentarem criar um clima de suspense escondendo uma foto ou uma figura.
Eu acho um saco, em blogs. Tem que ficar abrindo em outra aba, ou abrir na própria e depois voltar...em um blog, normalmente vc não sabe exatamente aonde a pessoa vai querer chegar, fica na incerteza se deve ou não abrir, ou se vai abrir em encontrar um texto chatíssimo de trocentos parágrafos.
Pra mim atrapalha, as vezes até abrir a nova página demora, a conexão pode ficar lenta, além do mais se não quero ler, passo logo para o outro post, não me importo de ter um texto grande e rolar a página.
Eu odeio!! Nunca leio o resto, a não ser que me interesse MUITO!!! Melhor seria se só colocassem uma foto sobre o assunto... chamaria mais atenção.
Atrapalha. Normalmente não volto a sites assim, a menos que o conteúdo realmente valha a pena
Eu acho horrível, sinceramente. Acho que atrapalha muito. Prefiro que venham menos matérias carregadas por completo do que resumos. Geralmente não clico e desisto.
Sinceramente, quando eu entro em um blog e acho algum artigo interessante, começo a ler. Daí, quando o assunto está começando a ficar atrativo, tem um tal de "continue lendo". Isso é desestimulante. Eu diria até um balde de água fria em minha leitura. Chego até a desistir de continuar lendo. Não vejo problema algum em ter uma página inicial gigante, com o scroll pequeno. É só texto mesmo, nem atrapalha o carregamento.
Normalmente, quando vejo um blog assim, me desestimula a lê-lo... Esses foram só os posts que manifestaram algum tipo de impacto emocional, mas tem muito mais. Os interessados podem ir nos dois artigos e ler tudo. Os Usuários Estão Desistindo do seu Blog!Achei interessante reparar quantos usuários disseram explicitamente que desistem de ler os blogs com "leia mais" e não voltam nunca mais. Fico pensando se os blogueiros que adotaram esse recurso faziam alguma idéia de que ele lhe custava tantos usuários assim. O scroll longo pode ser ocasionalmente chato mas, como é o padrão de blogs, pouca gente ou ninguém abandona um blog por isso. De acordo com essa nossa pesquisa informal, entretanto, muita gente deixa de ler ou de voltar a um blog por causa do "leia mais". Depois dessa amostragem, mesmo se eu amasse o "leia mais" e quisesse casar com ele, eu não o usuaria nunca mais. Mas eu gosto de ser lido, claro. Tem gente que gosta é de atazanar seu usuário. Amanhã... Minha opinião de usuário... Revista não tem todas as matérias na capa... Gente que não entende a questão proposta....
Wednesday, December 27, 2006
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Clique vs Scroll: "Leia Mais" em Blogs (Parte 1 de 4)
Usabilidade e Emoção
Uma das principais tarefas de uma consultoria de usabilidade é fazer o cliente entender que suas decisões de design e tecnologia, muitas vezes tomadas de forma neutra e fria, tem um impacto emocional forte no usuário. Meus honorários já terão valido a pena para o cliente se perceber que um elemento de design que ele achou auto-evidente levou uma pobre usuária a quase chorar de frustração.
Alguns dos piores erros de usabilidade são fruto de uma completa alienação de designers, programadores e desenvolvedores do universo de expectativas do usuário comum. Enquanto esses profissionais inventam novos ícones hipercriativos ao invés de seguir as melhores práticas de mercado e acreditam sinceramente que todo internauta pensa como um geek, o usuário, coitado, fica perdido. Isso quando não fica revoltado, puto, frustrado, ofendido.
Eu trabalho com internet há 9 anos e, com usabilidade, há 7. Também estou distante do usuário médio. A diferença é que eu SEI que o usuário não pensa como eu, que preciso sempre perguntar o que ele acha, o que ele quer, o que ele pensa. Ninguém tem como adivinhar, você tem que observar.
O lema da minha empresa de usabilidade é "observe e aprenderás".
Vale a Pena Usar o "Leia Mais"?
Semana passada, eu fui comentar com um amigo que o recurso "leia mais" de seu blog é extremamente irritante. Muitas vezes, eu simplesmente não leio o resto do post pra não ter que clicar no "leia mais". Meu amigo, como tantos outros blogueiros que usam esse recurso, disse que fazia isso pensando justamente no usuário, pra facilitar a navegação da sua página inicial, pro scroll não ficar muito grande, pra tudo ficar mais organizadinho. "Poxa, Alexandre, como você é xiita!"
Eu, que tenho experiência em pensar como usuário, respondi que provavelmente acontecia o contrário, que esse recurso era irritante e frustrante. Mas, vá lá, não sou dono das opiniões desse fugidio "usuário médio". Também estava curioso pra saber o que aconteceria. Afinal, o que quer o usuário?
Fiz um post em meus dois blogs, Usabilidade e Arquitetura da Informação, pra profissionais da área, desenvolvedores web e designers, e Liberal Libertário Libertino, para o público em geral, perguntando aos leitores o que achavam desse recurso. Fiz a pergunta de modo neutro. Não disse que EU não gostava do recurso. Que os leitores soubessem, eu podia muito bem estar perguntando pois achava uma boa idéia e pensava implementar esse método.
A resposta foi a mais negativa possível. Não apenas negativa, mas raivosa. Revoltada. Frustrada. O usuário médio não apenas desgosta dessa opção, ele a odeia com todas as suas forças. Para boa parte dos meus usuários, o assunto não é acadêmico, mas altamente prático, pessoal, real. Foi impressionante comprovar o impacto emocional que essa simples decisão de design tem nos usuários.
Leigos vs Profissionais
Houve uma coisa interessante.
No blog de Usabilidade e Arquitetura da Informação, lido basicamente por gente que sabe o que é usabilidade, pessoas do ramo, o "leia mais" teve muitos defensores. Parece que os webdevelopers em geral gostam desse recurso. Já no Liberal Libertário Libertino, lido por leigos de todos os ramos, o "leia mais" foi atacado por todos os lados, recebeu críticas, xingamentos e impropérios.
Novamente, os webdevelopers comprovaram estar completamente fora de sintonia com o público em geral. Se quiserem fazer blogs para ser lidos dentro do seu nicho, beleza. Mas, se quiserem escrever para o público em geral, melhor que tentem entender as reações que o "leia mais" causa.
Amanhã, as reações mais raivosas dos usuários.
Tuesday, December 26, 2006
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PanAmérica, por José Agrippino de Paula (Leituras pro Exame de Mestrado)
(Ainda lendo para o meu exame de mestrado, na primeira semana de fevereiro. A lista completa está aqui.)
Sobre esse romance, publicado em 1967, Caetano Veloso diz que era tão próximo a tanta coisa que ele queria abordar em sua obra que quase o deixou paralisado. O prefácio de Caetano Veloso é o prefácio mais elogioso que já li: se quiserem ler o livro preferido de Caetano Veloso, é esse. Outras descrições de PanAmérica: Epopéia do Império Americano, Ilíada na voz de Max Cavalera, cósmico, cosmogônico, apocaliptico.
Realmente, o livro muitas vezes remete ao Apocalipse assim como também à literatura beat, como Almoço Nu. Sempre achei que o Apocalipse era beat e que Almoço Nu era apocalíptico. PanAmérica é beat e apocalíptico.
Demora até você se acostumar ao ritmo de PanAmérica. Eu demorei 100 pgs. O livro acompanha as aventuras de um narrador sem nome e sem subjetividade (ele só narra o que faz, nunca o que pense ou sente) através dos fatos mais marcantes da década. Ele dirige uma superprodução bíblica em Hollywood, transa com Marilyn Monroe, mata Joe DiMaggio, luta ao lado de Che Guevara, etc etc. Tudo de uma forma louca, onírica, sexy.
Aliás, detesto essa palavra, "onírica", e detesto sonhos em literatura - soam sempre falsos e forçados. PanAmérica, entretanto, e digo isso como um raro elogio, parece a descrição de um longo sonho, em que o sonhador interage com pessoas famosas, as situações se sucedem sem lógica e alguém que morre aqui aparece vivo acolá sem maiores explicações ou estranhamentos. E, não, Panamérica não é realismo mágico.
PanAmérica é um livro paradigmático que soa como a mais perfeita tradução dos anos 60 - especialmente para pessoas como eu que nunca viveram essa época. Fica entretanto uma interessante dúvida: será esse um daqueles livros que captou com perfeição o ritmo e o clima da sua época ou será que, mais do que isso, PanAmérica participa do processo de instituição e criação do ritmo e do clima da sua época?
Em outras palavras, PanAmérica parece definir os anos 60 porque o autor foi um grande observador de sua época ou porque o livro fez parte do processo que criou a imagem que temos dos anos 60 até hoje?
Amanhã, começo a ler teoria literária...
Monday, December 25, 2006
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Lei & Ordem
Sempre adorei Lei & Ordem. A união dos procedimentos policiais e judiciais é muito bem bolada. Os episódios são sempre densos e se movem em direções inesperadas. Mas parei de assistir TV quando ainda não existiam os spin-offs, como Criminal Intent e Special Victims Unit.
A temporada atual do seriado principal está chata. Só atores sem carisma. Que saudade do Lenny Briscoe.
Dos spin-offs, Trial by Jury foi o único a ser cancelado. Com razão. Chato, chato, apesar da Bebe Neuwirth, que é o máximo. Também não senti tesão algum por Special Victims Unit. Personagens também sem carisma. Pra piorar, todos os episódios giram em torno da atual obsessão americana com crimes sexuais.
Mas confesso estar completamente apaixonado por Criminal Intent. O Detetive Goren é simplesmente sensacional. Um dos grandes detetives televisivos de todos os tempos, a altura dos meus outros preferidos, Columbo e Monk. E, nas temporadas posteriores, o Logan/Mr.Big também esbanja carisma. Dá de mil a zero nas outras séries. Estou assistindo todos os episódios empolgadão.
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Meu deus, Já É Dia 24, Não Dá Mais Tempo de Comprar Nada que Chegue Antes do Natal!

Calma, dá sim. Supermouse é seu amigo e vai salvá-lo do perigo: compre um ebook. Você paga no cartão, recebe o arquivo na hora e manda pro seu presenteado gastando onda de presenteador high-tech vanguardista. Recomendo esse aqui, de um autor novo aí que dizem que é bonzinho. O design é um desbunde. Vai lá ver. Você ainda mata dois coelhos com uma só presentada: presenteia seu amigo felizardo e presenteia também o pobre autor que você lê de graça todos os dias. Ho ho ho. Feliz Saturnália pra vocês!
Sunday, December 24, 2006
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Canaã (Leituras pro Exame de Mestrado)
Terminados os trabalhos de fim de ano, minha ocupação pelas próximas semanas será fazer as leituras para o meu exame de mestrado, na primeira semana de fevereiro. A lista completa está aqui.
Hoje, li Canaã, de Graça Aranha. Prolixo ao extremo, cheio de discursos, ação inverossímil, um protagonista tão chato e idealista que acho difícil ler esse livro sem querer lhe dar um soco. A grande discussão sobre Canaã, escrito em 1901 por um autor que participaria como "velhinho de plantão" da Semana de Arte Moderna, é se ele é um romance do século XIX ou é um romance pré-modernista? Tirando o fato de eu odiar definir qualquer coisa por algo que ainda não aconteceu, Canaã não é pré-nada. É um livro firmemente ancorado no passado.
Canaã me lembrou os romances de Turgenev, escritos cinquenta anos antes, que quase sempre apresentavam um jovem idealista e chato levando porrada do mundo. De um modo bem concreto, Canaã é um romance de Turgenev mal-escrito. Se Turgenev fosse tão mau escritor quanto Graça Aranha, Pais e Filhos seria igualzinho a Canaã. Não é. Graças a Shakespeare. (Aliás, Turgenev é um dos meus autores preferidos de todos os tempos, mas aposto que você não conhece. Azar o seu.)
Próximo: Panamérica, de José Agripino de Paula.
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Conselho Culinário de Amigo
Depois de cortarem pimentas vermelhas, nunca, nunca enfiem o dedo no nariz pra tirar meleca, mesmo depois de lavarem a mãos. Hipoteticamente falando, é claro.
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Meu Belo, Belíssimo Bairro

Com suas lagoas e balsas, árvores e montanhas. Meu prédio fica imediatamente à esquerda da foto, do outro lado dessa ponte. É bom estar aqui.
Saturday, December 23, 2006
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Não Confio em Gente Que
Não gosta de cachorro. Não gosta de criança. É brigado com todos os ex-namorados. É amigo de todo mundo. Sempre diz que tudo está bom.
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Como Esses Desqualificados Ousam Querem Ter o Que Eu Já Tenho?
Hoje li um escritor famoso, reconhecido, blá blá blá, trocentos e oito livros publicados, reclamando que essa juventude de hoje só pensa em ser publicada, sair em livro, etc. Até imitou Guimarães Rosa (outro canônico!) em sua zoação e disse: oh o livro oh!
E eu fiquei cá pensando em um dos melhores contos de Veríssimo, em que um primo rico, bem-alimentado, vai visitar o primo pobre, subnutrido, para lhe contar das novidades do país, abertura política, eleições diretas, etc, mas o favelado, coitado, que não vê comida faz tempo, só quer saber de quando vai cair alguma no prato dele. E o primo rico, do alto do seu bucho cheio de carne com coca-cola, responde indignado: eu aqui lhe falando de coisas importantes e você só pensa em comida!
Vai ver sou só eu mas, mesmo a crítica sendo válida, eu teria vergonha de criticar alguém, qualquer um, por querer ter algo que EU já tenho. Iria me sentir como aqueles burguesões egoístas que tem quatro carros na garagem e reclama que o trânsito está ficando impossível porque todo mundo, no primeiro dinheiro que arranja, já compra um carro! Assim não dá, pô, eu cheguei primeiro, comprei carro antes deles, agora as ruas são minhas! Ninguém entra! Ninguém entra!
Acho especialmente engraçado que um escritor tão aberta e combativamente socialista e marxista faça um comentário tão burguesão e egoísta como esse. Nada mais burguês e reacionário do que criticar os outros por quererem ter o que você já tem. Quem eles pensam que são?! EU?!
Thursday, December 21, 2006
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Como Você se Masturba? (Desafio de Desconstrução de Tabu)
Eu cresci ouvindo que a masturbação era legal. Meus pais, os professores de saúde e educação sexual, os livros de "sexo para jovens" que minha mãe me dava, eram todos unânimes: masturbação é uma forma saudável das crianças explorarem o próprio corpo, aprenderem a ter prazer e se prepararem para a vida sexual.
Apesar disso, toda a minha experiência social demonstra o contrário. Masturbação aparentemente não é legal nem saudável: é um dos últimos e mais poderosos tabus da nossa cultura. Dependendo do ambiente e do momento, as pessoas falam de tudo, discutem sua impotência ou frigidez, falam da sua flatulência, contam anedotas sexuais constrangedoras.... mas ninguém se masturba! Ninguém conta do que houve aquela vez em que se masturbou. Ninguém comenta a punheta que bateu no outro dia. Ninguém troca experiências sobre diferentes métodos de auto-gratificação. Amigos boca-suja que falam tudo, tudo mesmo, sobre sexo e funções corporais, aparentemente nunca ouviram falar em masturbação. Devem achar que se masturbar, ou admitir que se masturbam, é algo emasculante, patético, doentio.
Ué, mas não era pra ser algo saudável e legal que todo mundo faz? Eu, realmente, não entendo nada.
Então, já que o LLL é um espaço pra desnudar prisões e ir contra as convenções, eu pergunto:
- Como você se masturba? Com que frequência?
- Qual foi o seu ápice masturbatório, a época em que mais se masturbou? Quantas vezes em média?
- Como você aprendeu a se masturbar? Com que idade se masturbou pela primeira vez?
- Você já usou algum tipo de apetrecho/objeto pra te auxiliar, de KY a pepinos, passando pelo gato da vizinha?
- Já masturbou outra pessoa?
- Você pára ou parou de se masturbar quando tem uma vida sexual regular? Qual é a diferença dos seus padrões masturbatórios quando está solteiro e quando está num relacionamento?
- Qual foi o lugar mais estranho onde já se masturbou?
- Que tipos de estímulos ou inputs você usa/prefere/precisa? Ou seja, você se masturba pensando em algo, ou precisa/prefere ler uma revista, ver um fime, olhar uma foto, etc, algum input externo?
- O que você evoca pra se masturbar? Cenas de filmes, cenas que viveu, cenas que você fantasia mas que nunca aconteceram, a imagem que alguém conhecido ou não, o cheiro, o toque ou a voz desa outra pessoa, etc?
- Você já teve vergonha de se masturbar e tentou parar?
- Você já foi flagrado se masturbando?
Hmmm, esqueci alguma coisa? Será que vocês encaram o desafio? Sintam-se livres. Respondam todas ou só algumas das perguntas. Respondam outras perguntas que não fiz. Não precisam escrever muito nem revelar tudo, mas que seja verdade o pouco que disserem, senão não tem graça. Caso não se sintam confortáveis, podem fazer comentários anônimos. Se possível, respondam as perguntas em seus blogs com link pra cá. Se preferirem não responder, pelo menos divulguem as perguntas em seu blog e vejamos o que as pessoas respondem. Daqui a pouco, faço um post. O título será bem explícito, Elogio à Masturbação. Quem não se sentir confortável, que não leia.
Wednesday, December 20, 2006
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Duas Coisas que Me Ofendem nos Estados Unidos
Eu sou um estrangeiro muito tranquilo. Não exijo que pronunciem meu nome certo, ou que saibam a capital ou a língua do meu país. Mas tem duas coisas que me ofendem aqui.
* * *
Quando os norte-americanos se referem ao país deles como "América", como se o país Estados Unidos da América fosse coexíguo com o continente América; como se eu, um guatematelco ou um jamaicano não fôssemos tão americanos quanto qualquer cidadão dos Estados Unidos da América.
* * *
Quando os americanos, e europeus também, se referem ao ocidente sem incluir a América Latina.
Muita gente no Brasil não faz a menor idéia disso, mas quando se fala em Ocidente (West) ou Mundo Ocidental (Western World) por aqui, eles estão se referindo a Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental (algumas vezes sem nem Espanha ou Portugal), Austrália e Nova Zelândia e talvez Japão.
Mas se a América Latina não faz parte do Ocidente, tanto do Ocidente geográfico (o que é óbvio) como também do Ocidente cultural, então nada mais faz sentido. Nossa cultura, arquitetura, economia, política e tradições são ocidentais.
Escutamos falarem em Ocidente e achamos que estão falando da gente, mas não estão, não. Pra eles, somos nativos marronzinhos colonizados. A diferença entre um portenho cosmopolita e um aborígene de Papua Nova Guiné é insignificante. A mesma coisa, na prática. Ambos estão fora da tradição do pensamento ocidental e pronto. Como se Homero, Shakespeare e Leonardo da Vinci não fossem tão parte da minha herança cultural quanto da de um sueco ou canadense.
Excluir a América Latina do conceito de Ocidente é talvez o maior e mais cretino ato imperialista desse tal Ocidente.
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Política de Emails e Comentários LLL
Ao comentar no LLL, ou ao enviar email para mim, você está automaticamente abdicando da presunção de privacidade inerente à correspondência privada e permitindo que eu faça o que desejar com sua mensagem, inclusive postá-la no blog para ridicularizá-la. Ignorância não é desculpa: eu rotineiramente publico emails que recebo. Essa minha prática não é segredo para ninguém.
Fique avisado: eu não me envolvo em debates. Estou aqui para expor meu projeto pessoal de vida - não para convencê-lo de nada e, muito menos, para ser convencido por você. Sinta-se livre, entretanto, para tentar me irritar e me provocar para o debate: isso me diverte horrores e sempre acaba gerando emails e comentários engraçados para eu ridicularizar publicamente - ver parágrafo acima.
Para mais informações sobre a nossa Política de Debates, confira Quando Um Não Quer, Dois Não Debatem
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Companhia de Bolso: Leve 3, Pague 2

Acho que essa é a melhor promoção do Submarino até hoje. Esses livrinhos da Companhia de Bolso são ótimos. Ganhar um deles de graça é lindo. Meus preferidos: Declínio e Queda do Império Romano, O Processo, Uma História da Guerra e O Cavaleiro Inexistente.
Vão lá, comprem e me agradeçam depois. Se eu não fosse morto-de-fome e não precisasse da comissão do Sub pra botar peru na minha ceia, nunca desencavaria essas promoções pra vocês.
Tuesday, December 19, 2006
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Clique vs Scroll: Pesquisa de Opinião - UPDATED!
Estou escrevendo um megapost sobre o assunto mas antes queria a opinião de vocês: o que acham daqueles blogs que ao invés de mostrar os posts completos na home colocam só um trecho ou um parágrafo seguido de um link "leia mais" (exemplo)? Vocês acham que ajuda ou que atrapalha? Que aumenta ou diminui a usabilidade da página? Por favor, dêem suas opiniões.
Update - Mais Considerações Merdodológicas
Está todo mundo questionando minha merdodologia científica! Escreveu um leitor anônimo:
fazer uma pergunta dessas para leitores de um blog sem leia mais, já cria uma expectativa quanto as respostas, tanto é que o único argumento realmente objetivo é o tal do RSS... de resto, é melhor ampliar a pesquisa a outros "tipos" de blogs Se eu perguntar, mesmo se da forma mais neutra possível, para uma platéia de filme de terror se preferem "Sexta-Feira 13" ou "A Noviça Rebelde", acho que todo mundo sabe qual vai ser a resposta. Tentei fazer a pergunta da forma mais neutra possível, justamente para não direcionar as respostas, mas concordo com a ressalva do leitor. Como o blog no qual a pergunta foi feita não tem "leia mais", vai haver uma tendência nas respostas para irem contra o "leia mais". Entretanto, é só uma tendência. Nem todos os leitores de um blog concordam seja com todas as suas opiniões, seja com todas as suas opções de lay-out. E, mais importante, como eu só tenho esse blog, só posso fazer a pergunta nele mesmo. Ou seja, não teria como fugir desse viés. A não ser que o leitor sugerisse eu criar um blog com "leia mais" e fazer a mesma pergunta lá, só para ser o controle da experiência.
Monday, December 18, 2006
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Serão o Esquerdismo e o Ateísmo Coisa de Gente Burra? - UPDATED
Quase ninguém fica mais burro com a idade. Alguns idiotas continuam idiotas. Outros tornam-se um pouco menos idiotas. Muitos melhoram bastante. Quase todos melhoram alguma coisa.
Como até mesmo o Presidente Lula admite, quase ninguém torna-se esquerdista depois de velho. Sim, devem haver alguns. Sei que vai me aparecer alguém me falando do Tio Kleber, que foi do PFL a vida toda e se filiou ao PSOL aos 62, mas são exceções. A regra geral, que vemos todo dia, são aqueles velhos próceres da esquerda tornando-se cada vez mais conservadores e direitistas. E, por outro lado, raros são os jovens direitistas que passam a criticar a mais-valia na terceira idade.
Pra não falarem que me coloquei fora da questão, com o ateísmo acontece a mesma coisa. Muitos são ateus quando jovem e vão se convertendo ao longo da vida. Vários dos meus mais pilhados amigos ateus da adolescência já hoje, aos trinta, estão rezando por aí. Duas das atéias mais radicais que conheci foram acabar uma astróloga semi-profissional e outra foi morar em uma comunidade agrícola alternativa de alguma religão asiática em Portugal. Me parte o coração. Não entendo. As fileiras se afinam. É como uma guerra: cada dia voltam menos soldados ao batalhão.
Minha pergunta aos ateus e esquerdistas: dado que (quase) ninguém fica mais burro com a idade, por que tanta gente abandona o ateísmo e o esquerdismo a medida que envelhecem? Como vocês explicam isso?
Obviamente, não adianta o pessoal do contra vir dizer que ateísmo e esquerdismo é coisa de gente burra e pronto. Pode até ser verdade, mas não ajuda nada nem explica nada. Estou buscando por uma explicação social, cultural, sociopolítica, antropológica. Algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci são ateus, esquerdistas ou ateus de esquerda. Estarão lutando contra o tempo? Será a tendência natural do ser humano se transformar no Pedro Sette Câmara? Será que a direita conservadora religiosa somente chegou mais rápido aonde todos chegaremos?
Pensamentos assim me gelam o sangue de noite. Tem gente que olha a mureta e tem aquele ímpeto de pular. Eu tenho medo de olhar a igreja e ter ímpeto de comungar, de olhar o diretório regional do PFL e ter ímpeto de me filiar à Juventude César Maia.
Update
Considerações Metodológicas
Alguns leitores fizeram algumas ressalvas metodológicas que acho importante clarificar. Primeiro falou o Kenji:
Você fez uma pesquisa, com grande amostragem, para comprovar isso? Verdi e Darwin se tornaram agnósticos/ateus quando velhos, por exemplo. E concordou o Ibrahim: Como disse o André Kenji cadê a amostragem.Para mim só passa de um "achismo" polêmico, do tipo "mulheres fofocam mais" ou "baianos são preguçosos", além de é claro ser um velho cliché, não? Meu deus, gente, quem vocês pensam que eu sou? Acham mesmo que eu seria irresponsável ao ponto de fazer uma afirmação dessas sem o embasamento teórico e empírico necessário? Que eu sairia fazendo generalizações assim, a torto e a direito, logo onde!, em um blog?! Por favor, me dêem um crédito. Bastava perguntar. A pesquisa foi realizada em 18 capitais (Campina Grande é a capital ou é João Pessoa? Se não, 17 capitais mais Campina Grande), entre os dias 10 e 14 de dezembro, sendo que uma entrevista foi realizada no dia 16, a moça não estava em casa na hora. Foram ouvidas 2.345 pessoas, inclusive dois rapazes mudos que não foram tecnicamente ouvidos, mas eles gesticularam suas respostas e então foram computados assim mesmo, sendo que destas 4.563 pessoas entrevistadas 1.456 eram homens, 9.234 eram mulheres e 3 ¼ eram transsexuais de Pelotas (ah é, desculpem, 16 capitais mais Pelotas e Campina Grande). Os homens estavam na faixa entre 15 e 82 anos (menos a faixa entre 50 anos, 2 meses e 3 dias e 62 anos, 6 meses e 6 dias, não conseguiram encontrar ninguém com essa idade) e as mulheres, entre 16 e 34, 45 e 51 e 65 e 74 (os números são estimados porque o moço que fez a pesquisa achou que elas estavam mentindo a idade, mas era machismo bobo dele), mais uma senhora de 58 anos, mas com um corpão de 45, de Santarém (ah sim, Santarém também não é capital, então na verdade foram 15 capitais, mais Pelotas, Santarém e Campina Grande - quanto mais capitais, mais cara era a pesquisa, eles tinham uma tabelinha). A margem de erro é de 34 ¾% para mais ou para menos - claro!, onde já se viu margem de erro só para mais ou só para menos? Mas, como vocês duvidaram do meu embasamento empírico, melhor não facilitar. O importante é a transparência científica, para que vocês possam confiar nas conclusões auferidas, naturalmente. Não imagino que ninguém esperaria menos de um blog! Dos entrevistados acima de 35 anos e 8 meses, 56% e uns quebrados eram de direita, 35,93% de esquerda e 29% tico-tico no fubá. Desses direitistas, 78,97 ¼% haviam militado na esquerda quando jovens - jovem, para os fins metodológicos dessa pesquisa, quer dizer menor de 35 anos e 6 meses. As pessoas entre 35 anos e 6 meses e 35 anos e 8 meses foram ignoradas, por serem estatísticamente insignificantes e muito chatas. Além disso, meu primo tem essa idade e eu não queria que sua opinião contasse. Dos esquerdistas com mais de 35 anos e 11 meses, um sempre foi de esquerda e o outro também, mas ambos militaram no PSOL na década de 80 e, hoje, são filiados ao PT, então a tendência se mantém. Dos entrevistados acima de 36 anos, ou 429 meses, o que vier primeiro, somente 32 ½% eram ateus. Destes, 93% sempre foram ateus e 22,22% tornaram-se ateus depois de tragédias pessoais que lhes fizeram perder a fé no senhor - um deles foi chamado pra ser mesário em 12 eleições consecutivas, etc. Dos 92 ½% de religiosos acima de 33 anos (idade de jesus!) (ah, mais um parentêses: para fins metodológicos dessa pesquisa, foi considerado religioso qualquer um que acredita em algo que eu acho que não existe, como duendes, teorias da conspiração, jornalistas inteligentes, políticos honestos, conservadores de bom coração, etc), 66,6% se converteram depois de velhos (como vocês sabem, para fins dessa pesquisa, velho é qualquer um com mais de 58 anos, a não ser que seja muito sarado, nesse caso não) e, destes, 52% se converteram ainda jovens, ou seja, com menos de 28 anos, 12 meses e 1 dia bissexto. Entenderam? Enfim, foi só um resumo. O instituto de pesquisa que contratei me mandou um PDF de 150 páginas com todos os resultados consolidados. Basta pedir que eu mando. E, da próxima vez, tenham mais fé em mim, por favor! Ou acham que quero perder a confiança dos leitores que me lêem em busca de hard facts e informações confiáveis?
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Eu Trabalho na Globo, Tá Legal?
Ator-mirim da Grobo é preso depois de varar uma blitz a 160 por hora. Sua carteira estava vencida e ele estava bêbado. O machinho grita que é ator da Grobo e mostra até o crachá, mas nenhum dos policiais o conhecia - eu também não. Quando a delegada lhe diz que a fiança é de R$2 mil, ele puxa o cartão de crédito com a maior empáfia, até que lhe informam que é só em dinheiro, dotô, e o galãzeco tem que ligar pra casa: "manhê, vem me tirar da cadeia?"
(porra, vocês acreditam que não consegui encontrar UMA foto do Bozó pra ilustrar esse post?! Se alguém tiver, pode mandar...) (Update: caralho, eu não quero foto do tal Bruno de Luca, tem uma foto dele no link que dou acima, como poderia não ter visto? Quero uma foto do Bozó, caramba, o personagem do Chico Anysio!)
Sunday, December 17, 2006
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Eu Podia Estar Escrevendo Novela, Trabalhando na Minha Tese, Comendo Minha Namorada...
Mas estou aqui, escrevendo de graça pra você, te entretendo todos os dias do ano. Nesse natal, dê um presente ao seu blogueiro preferido. Ho ho ho!
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Cidadania
Você ficou indignado com o aumento de 90% que os deputados se deram? Eu fiquei. Você fez alguma coisa? Eu fiz. Não é muito, mas fiz.
Escrevi para o meu deputado. Ele acabou de ser nomeado pra uma secretaria do governo do estado (o homem vai ser secretário de esportes do Rio durante os Jogos Panamericanos, uma roubada!) e lhe escrevi não só para parabenizá-lo pela indicação, como para perguntar quem será o seu suplente em Brasília (que, afinal, será o meu deputado pra todos os fins) e qual a sua posição em relação a esse escandaloso auto-aumento.
Meu deputado sabe quem eu sou. Eu lhe escrevo frequentemente. Pergunto suas opiniões e dou as minhas. Sou educado, mas deixo claro que ele trabalha pra mim. Ele, por seu lado, também é muito educado: suas respostas deixam claro que ele é um homem importante e ocupado, que talvez ainda vá ser grande, mas que ele sabe que, na prática, no fim das contas, trabalha pra mim, que cresci e moro no mesmo bairro em que ele cresceu e mora, colocamos gasolina nos mesmos postos e comemos sanduíches nas mesmas lanchonetes - quando não estou em Nova Orleans e ele em Brasília, claro.
Ficou indignado? Escreva pro seu deputado. Diga pra ele o que acha da política nacional. Deixe ele saber suas opiniões. Se ele for um bom político, ele vai querer saber as opiniões dos seus eleitores. Se não é, por que votou nele, sua anta?
Encontre seu deputado.
Saturday, December 16, 2006
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Acontecimento Comum na Minha Casa

Já estaria rico se ganhasse um centavo por cada vez que deixei de ir ao banheiro, beber água ou atender um telefone porque tinha um cachorro encocozado entre as minhas pernas.
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Atentado Violento ao Pudor

Ao fundo, o IFCS, no Largo de São Francisco, onde fiz a graduação.
Friday, December 15, 2006
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O Pior É Que Não Sinto Empatia
Assunto: Manografia
Alex preciso fazer uma manografia de Autram Dourado até Segunda-feira.Não sei como faço,pois não é pra mim é pro meu irmão,e como estou desempregada ele pediu que eu fizesse e ele me pagaria.Então você entendeu né? Me ajuda por favor!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Pimenta no Coração dos Outros É Amor
Ou "Se uma desconhecida lhe oferecer pimentas, isso é paixão"

Presentinho que ganhei. Ao fundo, as lagoas e montanhas do Rio.
Se eu não sair dessa onda melosa logo, esse blog vai ficar muito chato. E quer saber? Que fique!
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Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá
"Pensei que os livros me bastassem, que eu me satisfizesse a mim próprio... Engano! As noções que acumulei, não as soube empregar nem para minha glória, nem para minha fortuna... Não saíram de mim mesmo... Sou estéril e morro estéril... As palavras me faltam; as idéias não encontram expressões adequadas, para se manifestarem... Enfim, estou no fim da vida, e só agora sinto o vazio dela, nota a sua falta de objetivo e de utilidade.... (...) Tenho desgosto de mim, da minha covardia... Tenho desgosto de não ter procurado a luz, as alturas, de me ter deixado ficar covardemente entre tais patos. (...) O que mais me aborrece é ter chegado a esta idade vazio de tudo, vazio de glória, de amizade, só,e quase isolado dos meus e dos que me podiam entender. Estou abandonado como um velho tronco desenraizado num areal... (...) Fugi das posições, do amor, do casamento, para viver mais independente... Arrependo-me!..." Mais sobre esse livro e seu autor.
Thursday, December 14, 2006
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Desventuras de Um Blogueiro Semi-Profissional
Alguns amigos me aconselham não revelar esses números aqui. Mas acho importante. Estou tentando uma coisa nova. Não sei se vai dar certo. Pode ser que outros queiram seguir meu caminho. Pode ser apenas mais um dos meus tantos fracassos. Quem sabe?
Nos últimos quatro meses (agosto-novembro de 2006), eis minha renda com esse blog:
- AdSense: US$84 (R$185)
- Vendas de Onde Perdemos Tudo pela Amazon: US$125 (R$275)
- Vendas de Onde Perdemos Tudo por depósito bancário: R$82
- Comissão do Submarino: R$640
Ou seja, esse blog me rendeu cerca de R$1200 em quatro meses, uns R$300 por mês. Não dá pra comprar aquele apartamento em Mônaco que estou namorando, mas já é alguma coisa. Um Projeto PessoalComparado com o que outros ganham, é ridículo. Tem blogueiro brasileiro aí que outro dia levou R$15 mil pra veicular um vídeozinho. Mas é diferente. Sites como o Cocadaboa e o Kibeloco, por exemplo, são mesmo feitos para audiência de massa. Já o LLL é um blog que não faz descontos ou concessões ao gosto popular. Faço posts em inglês sem constrangimento. Fala da minha vida e dos meus pensamentos. Discuto literatura e os grandes temas intelectuais do nosso tempo, e também coloco fotinhas do meu cachorro e falo do meu pão. A linha editorial do LLL é não ter linha editorial. Tentar ser algo completo, all-encompassing, falar de tudo, sempre, o tempo todo, ao mesmo tempo. Tentar mostrar que a mesma mente que agora discute Machado de Assis com erudição amanhã vai lamber um pé e que a vida é assim mesmo. Tentar ser como uma revista de variedades, em que você não precisa ler cada artigo ou concordar com tudo pra ler e acompanhar. Um blog assim naturalmente é um projeto muito pessoal e confesso que nunca achei que fosse fazer algum sucesso. Até hoje, me surpreendo um pouco. E sou grato pelo sucesso que faz. Ganhar dinheiro em troca das minhas opiniões e pensamentos mais íntimos. Quem diria! SubmarinoComo deu pra ver, a maior renda do LLL vem do Submarino. Desde voltei a ser linkado pelo Google, as vendas pelo Sub dispararam. A comissão costumava ser cerca de R$100 por mês mas bateu R$300 em novembro. Nesse mês, mandei 41 mil pessoas ao Submarino (o dobro de leitores que teve o LLL no mesmo período, 20 mil) e intermediei R$6500 em vendas. A explicação é simples: boa parte das pessoas que mando pro Sub chega lá através dos links no meu site. O cara busca por Lima Barreto no Google, encontra meu artigo sobre Lima Barreto no site, lê, gosta, clica em algum dos links, compra algum livro do Lima Barreto no Sub e pronto, eu ganho uns cascudos. Meus artigos sobre autores são uma boa fonte de informações (deus sabe quantas vezes devem ter sido copiados pra trabalhos de escola) e, de um modo bem concreto, a minha comissão é uma boa gorjeta pelo serviço prestado. Algumas das coisas interessantes que vendi pelo Sub em novembro: - Razr V3 Preto GSM com Câmera, Fone Bluetooth e Toques MP3
- Método Infantil para Piano com Ilustrações
- Jogo PS2 Grand Theft Auto Vice City - GTA
- Xuxa Só Para Baixinhos - Vol. 2
- Tratado da Argumentação: a Nova Retórica
- Monty Python - A Vida De Brian
- Guimarães Rosa e a Psicanálise: Ensaios Sobre Imagem e Escrita
- Secador MP 16000 Preto 1800 Watts
- Chapinha Easy Cerâmica Taiff
- Boneca Amazing Ananda K5624-06
- GF760 Preto GSM com Câmera e Viva Voz
- Camisa do Corinthians Oficial Uniforme I 2006/07 - Nike
- Kit de Parafusamento Manual com 11 Peças Black&Decker
- Cofre S20MCS
- Encordoamento para Contrabaixo 5 Cordas Super Bass 040/115
Por Fim, A SacolinhaOra, leitor desavisado, claro que iria chegar a hora da sacolinha. Eu só te peço duas coisas: Se gosta realmente do blog, acompanha e talz, e se o dinheiro não for fazer falta no leite das crianças, dê um presente ao seu blogueiro preferido nesse natal e compre meu livro de contos, Onde Perdemos Tudo. Aposto que você vai gostar. Se está cansado de ficar em filas pras compras de natal, faça suas compras pelo Submarino e entre clicando pelos links aqui do blog. Repara só, não estou te pedindo pra fazer nada que já não fosse fazer. Mas, caso compre alguma coisa pela internet e caso compre pelo Sub, te peço que lembre desse blogueiro aqui. Entrar no Sub por um dos links do LLL não vai te custar absolutamente nada, mas vai colocar peru na minha ceia de natal. Vocês são lindos. Feliz Natal. Ho ho ho!
Wednesday, December 13, 2006
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Aprovação de Comentários
Como os comentários estão sendo simplesmente invadidos e sobrecarregados por spammers (vocês não vêem pois eles só "comentam" em posts antigos) estou instituindo a aprovação prévia de comentários. Podem continuar me xingando, o objetivo apenas é brecar os spammers. Sem leitores me xingando, que graça tem manter um blog? Quando o Comentar resolver o problema, eu volto a liberar geral.
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Aviso aos Navegantes
Estou no Rio. Tenho até dia 19 de dezembro pra terminar todos os meus papers pra universidade. Estou correndo contra o tempo. Não tenho me logado ao MSN, não tenho respondido emails, não liguei pra ninguém, zero, zilch. Depois dessa data, as coisas não ficam muito melhores. Meu teste de mestrado é na primeira semana de fevereiro, aquele para o qual tenho que ler 80 livros, e também estou bem atrasado. Vou ter que sentar minha bundinha na cadeira e ler, ler, ler. (Veja a lista de leituras atualizada.) Além disso, tenho um trabalho de consultoria em usabilidade pra uma empresa de e-commerce e, naturalmente, tenho que fazer toda a análise, realizar os testes e entrevistas e apresentar o relatório antes de ir embora. Ou seja, vai ser um mês do cão. Mas só estar no Rio e nos braços da minha LLL (LindaLoiraLouca) já é bom demais.
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Emails que Recebo
Só pra lembrar: de acordo com os termos de uso, expostos no formulário de email, eu me dou o direito de publicar no blog as mensagens que recebo. Ainda assim, por cortesia, eu pergunto a todos os que me escrevem se posso postar. Os emails que vocês lêem são ou de quem permitiu ou de quem nunca respondeu. Por favor, não critiquem as pessoas que me escrevem. Em caso de dúvidas, consultem os meus critérios para apagar comentários.
assunto: pq ser contra a igualdade?
Ah, vá morar numa favela com 10 reais por mês depois vc venha falar alguma coisa contra marxismo, babaca.
assunto: Seu jeito de impedir a gente escrever para você
Alex, Gostei de seu jeito de impedir a gente escrever para você... Sim duvida. Tuvo bom humor para presentar-se.
assunto: Eu te adoro cara!
Fala Alex. Eu encontrei seu site por acaso. Cara... adoro tudo que você escreve. Quanto mais eu leio seus textos, mais tenho vontade de ler. Só páro quando os olhos estão doendo :) Em breve compro o seu livro e te presenteio com outro. Muito obrigado. Muito obrigado.
assunto: Pé
Oiee...gosto muito dos teus textos...gostaria de sua opinião sobre este pé...é bonito? Não é meu, mas, quando o vi, lembrei de vc...não sei como te mandar a foto...então, tô mandando o link. Bjokas.
assunto: como vai ser a minha primeira vez?
eu tenho 14 mais o meu corpo é de menina de 19. Ñ sei o q fazer pois tem menino q me olha e ñ acredita, eu fico com medo de me relacionar com eles:ai eu penso (ai ñ vai olhar meu corpo e ñ vai gostar,ou então vai doer muito).Mais o grande pq ainda sou virgem é pq tenho um imenso medo de engravidar. Eu queria lhe perguntar como eu faço para me livrar desses pensamentos? fale comigo por favor sei q vc ñ é profiscional mais pode esclarescer algumas dúvidas minha. bjs... tchau,tchau.
assunto: A questão da felicidade individual reprimida pela sociedade
Olá, Antes de tudo quero te parabeniar pelo seu trabalho e por contribuir com suas ideias para quem quiser adquiri-las ou explora-las. Olha não sei se foi por acaso que isso aconteceu, mas eu estava pesquisando na Internet sobre o Top 10 dos livros mais lidos atualmente e de repente apareceu seu blog com a lista dos 30 melhores livros de todos os tempos.Achei bem interessante e resolvi navegar mais um pouco no seu blog.De repente encontro um página falando sobre felicidade.Você já tentou fugir um pouco do mundo das idéias?Tudo se baseia nas idéias da mente humana.O homem pensa que possui uma mente,mas é ela que o possui.E eu gosto e não gosto disso ao mesmo tempo.Li um pouco das suas idéias sobre a felicidade, e gostaria de colocar a minha opinião, pois o seu blog felizmente, nos oferece este privilégio.Olha, para mim a felicidade não está na realização de todos os prazeres individuais que são repimidos pelos alicerces da sociedade.A felicidade é algo mais profundo.Digamos que uma pessoa resolva fazer tudo o que lhe faz bem,tudo mesmo .E depois ela vai fazer o quê? Talvez ela perceba que não era isso que queria ou não.Ter uma vida perfeita como tudo que agente quer, não é felicidade.Se tudo fossem flores seria umn tédio.Os conflitos fazem parte da vida.Tá,Tá isso pode ser um conceito imposto pela sociedade para que ninguém saia por aí fazendo o que quer .Talvez...Mas as leis foram criadas por Deus para que houvesse ordem, e o maior desejo de Deus é que o homem seja feliz.Não sei se você crer nisto ,não sei nem se você está lendo isso.Mas provavelmente você só queira defender a idéia de que o mais importante é viver intensamente...Talvez a felicidade não seja uma prisão.Talvez ela também não seja a quebra de todas as prisões.Talvez ela não esteja no fazer,mas no ser...Se quiser pulblica este e-mail no teu blog,não para mim,mas para que todos possam compartilhar de novas idéias...Ah sim! E coloca também o seu depoimento sobre este e-mail.Se quiser...e se não for pedir demais.Obrigado.
assunto: arte
Já que você é historiador e artista, me diz: Você acha que a história é a melhor forma de se compreender a arte? A contemplação é apenas um primeiro momento? Sendo a análise histórica a porterior e mais completa forma de compreensão da arte? Se as obras de arte servem apenas à comtemplação, como faço pra ganhar dinheiro contemplando obras? Sem ter que me entregar à descrições, críticas ou histórias de arte? Tenho que escrever um artigo sobre história da arte. Você disse que pra ser artista não é preciso se produzir arte. Me ajuda? Obrigada pela atenção. =)
assunto: blog
Gostei do blog e você não é feio não!!
Tuesday, December 12, 2006
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Lista de Leituras para o Exame do Mestrado
(estou repetindo o post pois houve algumas mudanças no teste. a principal mudança é que troquei cultural studies por teoria literária)
Uma das exigências para a obtenção do meu título de Mestre em Português é uma provinha de cinco perguntas. Cada pergunta tem uma lista de leituras de cerca de 15 livros. Estou correndo contra o tempo pra tentar ler tudo até a primeira semana de fevereiro, quando será realizado o teste. Lembrem-se que, além dessa listinha singela, também tenho que ler os trocentos livros das minhas aulas.
Uma coisa interessante é que estou relendo O Cânone Imperial, obra deliciosa do Flávio Kothe, e não dá pra deixar de pensar que essa lista de mestrado nada mais é, naturalmente, do que o cânone da literatura brasileira (com algumas salpicadas de literatura portuguesa pra não pegar muito mal). Mas, claro, nada de errado nisso. Quem quer ser mestre em português tem mais é que já ter lido pelo menos o cânone.
Em negrito, os que eu já li.
Luso-Brazilian Literature to 1822
1. Gil Vicente (adoro, morro de rir)
2. Luis de Camões. Os Lusíadas, Canto IX (delicioso)
3. Pero Vaz Caminha. A Carta (fundamental pra se entender o mito do Brasil edênico)
4. Gregório de Matos. Epílogos, Senhora Dona Bahia, Descreve o que era realmente naquele tempo a Cidade da Bahia, À Cidade da Bahia, O poeta é condenado ao degredo em Angola, A uma crioula chamada Cipriana ou Supupema, A uma cunhã, em lingua brasileira
5. Padre Antonio Vieira. Sermão da Sexagésima, Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda (de gregório e vieira eu já li muitas coisas em seletas, é capaz de já ter lido esses sermões e poemas, vou ter que conferir)
6. Fernão Mendes Pinto. Peregrinação
7. Historia tragico-maritima. Anônimo (esses dois estão na minha lista faz tempo, vai ser um prazer finalmente lê-los)
8. Basilio da Gama. O Uraguai
9. Tomas Antonio Gonzaga. Marilia de Dirceu (chatos de doer os dois)
10. Anchieta. de gestis mendi de saa (uma surpresa interessante, jamais imaginei que fosse ser tão bom)
Luso-Brazilian Literature 1822-1922
1. Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um sargento de milícias (não dei nada pelo livro quando o li, mas quanto mais leio literatura brasileira do século XIX, mais gosto dele na comparação)
2. Gonçalves Dias. Primeiros Cantos (tá, eu confesso, é bobão, mas I-Juca-Pirama e Canção do Exílio me dão uns calafriozinhos sim)
3. Antonio de Castro Alves. O navio negreiro (ele tem poemas abolicionistas muito melhores, não sei porque citam sempre esse)
4. Aluísio Azevedo. O Cortiço (talvez meu romance preferido escrito no Brasil nesse século)
5. Adolfo Caminha. Bom Crioulo (embora, conhevenhamos, a história do negão viado na marinha também seja campeã)
6. Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura (fraco, mas gostoso de zoar)
7. José de Alencar. Iracema (estava pra ler faz tempo)
8. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas (legal e talz como inovação, mas acho Dom Casmurro e Quincas Borba muito melhores)
9. Machado de Assis. Dom Casmurro (obra prima)
10. Eça de Queirós. O Crime do Padre Amaro
11. Eça de Queirós. A Ilustre Casa dos Ramires (colocaram logo dois do Eça que não li. Ramires estava na minha lista faz tempo mas confesso não ter simpatia pelo padre amaro, me parece ser o típico romance esquemático naturalista)
12. Euclides da Cunha Os Sertões (é daqueles livros que você nunca lê, mas lê tantos trechos e lê tanto sobre ele que parece que leu)
13. Lima Barreto. Triste Fim de Policarpo Quaresma (dos romances dele, é o mais fraquinho. Clara, Isaías e Gonzaga dão banho)
14. João do Rio. A Profissão de Jacques Pedreira (confesso que nunca tinha ouvido falar)
15. Graça Aranha. Canaã (estava na minha lista faz tempo, agora vou ler)
Luso-Brazilian Literature 1922-1968
1. Oswald de Andrade, Poesia Pau-Brasil, Manifesto Antropófago (coisas que se lêem em livros de escola)
2. Mário de Andrade. Macunaíma (não vi graça)
3. Fernando Pessoa. Mensagem (já li trocentos poemas dele em seletas cá e lá, devo ter lido boa parte do livro mas tenho que verificar)
4. Patricia Galvão. Parque Industrial (será bom?)
5. Gilberto Freyre. Casa Grande & Senzala (magistral)
6. Rachel de Queiroz. As três marias (chatinho)
7. José Lins do Rego. Menino do Engenho (li fogo morto e não achei nada de mais, mas estou curioso pra ler esse aqui)
8. Graciliano Ramos. Vidas Secas (perfeito)
9. João Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas (genial)
10. Nelson Rodrigues. Vestido de Noiva, Beijo no Asfalto (talvez as duas peças dele que eu mais gosto)
11. Clarice Lispector. A Paixão Segundo G.H. (sou fã doente de clarice e esse aqui tava na fila faz tempo)
12. Antonio Callado. Quarup (estão dizendo que é chato. sei que é grosso pra burro)
13. José Agrippino de Paula. Panamerica (confesso, humilde, que nunca tinha ouvido falar)
14. Italo Moriconi. Os cem melhores poesias brasileiros do século
15. Ensaios: Mário de Andrade, O Movimento Modernista, Antonio Candido, Literatura e Subdesenvolvimento
Luso-Afro-Brazilian Literature 1968-present
1. Lygia Fagundes Telles. As meninas (tava na fila faz tempo)
2. Clarice Lispector. A hora da estrela (genial)
3. Lídia Jorge. A costa dos murmúrios (construção interessante mas não gostei da execução)
4. Ivan Angelo. A Festa (interessante)
5. Roberto Drummond. Sangue de Coca Cola (nunca tinha ouvido falar desse livro, nunca tinha lido esse autor)
6. Rubem Fonseca. Bufo & Spallanzani (um dos seus últimos livros bons)
7. António Lobo Antunes. As Naus (excelente)
8. João Gilberto Noll. Hotel Atlântico (*dedo na garganta*)
9. João Ubaldo Ribeiro. Viva o povo brasileiro (estava na fila faz tempo)
10. José Saramago. A jangada de pedra (*dedo na garganta de novo*)
11. Mia Couto. Terra Sonâmbula (adorei esse romance, mas prefiro seus contos)
12. José Agualusa. Nação Crioula (sensacional)
13. Paulo Lins. Cidade de Deus (confesso que tenho um medinho de ser ruim de doer, mas vou ler)
14. Caetano Veloso. Verdade Tropical
15. Ensaios: Silviano Santiago, O Entre-lugar do discurso latinoamericano, A permanência da tradição, Roberto Schwarz, Cultura e Política , 1964-1969, Idéias fora do lugar, Nacional por Subtração, Haroldo de Campos, Europa sob o signo da devoração (Schwarcz consegue ser um bom intelectual apesar da tremenda limitação ideológica do seu raciocínio)
A quinta unidade era uma escolha entre vários males: linguística, teoria literária, cinema. Eu tinha escolhido cultural studies mas, na última hora, me decidi por teoria literária. Aliás, por isso, estou repetindo o post. Essa seção vai me dar mais trabalho que as outras juntas.
Teoria Literária
Exceto quando indicado, todos os textos são da The Norton Anthology of Theory and Criticism. Vincent B. Leitch, Ed. New York: W.W. Norton & Company, 2001.
Formalism: 1. Boris Eichembaum. From The Theory of the Formal Method (págs. 1058-1088) 2. Yuri Tynyanov. On Literary Evolution in The Critical Tradition. Classic Texts and Contemporary Trends. David H. Richter, Ed. Boston: Bedford Books, 1998. 3. Mikhail Bakhtin. From Discourse in the Novel (págs. 1186-1220)
Structuralism: 1. Roman Jakobson. From Linguistics and Poetics, Two aspects of language and two types of aphasic disturbance (págs. 1254-1269) 2. Roland Barthes. The Death of the Author, From Work to Text (págs. 1466-1476); Introduction to the structural analysis of narratives in A Barthes Reader, Susan Sontag Ed. New York: Vintage, 1993. 3. Jacques Derrida. From ?Grammatology? (págs. 1822-1830)
Psychoanalysis: 1. Sigmund Freud. From The Interpretation of Dreams, The Uncanny (págs. 919-952) 2. Jacques Derrida. Freud and the Scene of Writing in Writing and Difference Chicago: University of Chicago Press, 1980.
Marxism: 1. Louis Althusser. From Ideology And Ideological State Apparatuses (págs, 1483-1509) 2. Walter Benjamin. The Work of Art in the Age of its Technical Reproduction (Págs. 1166-1185) 3. Max Horkheimer and Theodor Adorno. From The Culture Industry: Enlightment as Mass Deception (págs. 1220-1240)
Phenomenology, Hermeneutics: 1. Wolfgang Iser. Interaction Between Text and Reader (págs. 1670-1682) 2. Hans Robert Jauss. From Literary History as a Challenge to Literary Theory (págs. 1547-1565)
Deconstruction, Post-Structuralism, Post-Modernism: 1. Fredric Jameson. Postmodernism or the Cultural Logic of Late Capitalism in Postmodernism or, the Cultural Logic of Late Capitalism. Duke University Press, 1991. 2. Jean-François Lyotard. Defining the Postmodern (1609-1615) 3. Michel Foucault. From The History Of Sexuality, Vol.1, An Introduction (Págs, 1648-1666) 4. Jacques Derrida Plato?s Pharmacy (págs. 1830-1876)
Post-Colonial: 1. Frantz Fanon. From The Wretched Of The Earth (págs. 1575-1593) 2. Edward Said. From Orientalism (págs. 1986-2012)
Feminism & Gender Studies: 1. Judith Butler. From Gender Trouble (págs. 2485-2502)
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A segunda unidade, 1822-1922, é minha especialidade, e não vejo nada faltando. Talvez eu trocasse as duas obras do Eça por somente Os Maias, que é mais longo e talvez mais representativo. De resto, eu manteria o Policarpo, por exemplo, ao invés de trocá-lo por outras obras melhores do Lima. Uma lista assim é pra ser mesmo a "passada a limpo" do cânone, e tem que incluir todos os seus marcos.
Nas unidades pós-1922, acho emblemático que Jorge Amado não apareça em nenhuma das duas categorias onde poderia ter aparecido, mas sim Rachel, Zé Lins, até mesmo Pagu. Aliás, cadê Ariano Suassuna?
Na unidade mais recente, eu definitivamente trocaria As Naus por algum outro romance mais longo, mas mais fácil e mais representativo de Lobo Antunes, como Manual dos Inquisidores ou Esplendor de Portugal. Provavelmente incluiria alguns livros péssimos mas já clássicos, como Estorvo, para servirem de sintoma do que a novíssima literatura brasileira se tornou.
Meus quatro autores brasileiros obscuros prediletos não foram citados. Nenhum dos seus livros é rigorosamente canônico, ou emblemático ou sintomático de nada (a não ser, talvez, da arbitrariedade do cânone), mas eu adoraria a chance de fazer meus alunos os lerem: * * *
E vocês, o que acham dessa lista? Adoram, odeiam? O que falta, o que poderia ter? O que não deveria estar aí?
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