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Monday, December 18, 2006

Serão o Esquerdismo e o Ateísmo Coisa de Gente Burra? - UPDATED

Quase ninguém fica mais burro com a idade. Alguns idiotas continuam idiotas. Outros tornam-se um pouco menos idiotas. Muitos melhoram bastante. Quase todos melhoram alguma coisa.

Como até mesmo o Presidente Lula admite, quase ninguém torna-se esquerdista depois de velho. Sim, devem haver alguns. Sei que vai me aparecer alguém me falando do Tio Kleber, que foi do PFL a vida toda e se filiou ao PSOL aos 62, mas são exceções. A regra geral, que vemos todo dia, são aqueles velhos próceres da esquerda tornando-se cada vez mais conservadores e direitistas. E, por outro lado, raros são os jovens direitistas que passam a criticar a mais-valia na terceira idade.

Pra não falarem que me coloquei fora da questão, com o ateísmo acontece a mesma coisa. Muitos são ateus quando jovem e vão se convertendo ao longo da vida. Vários dos meus mais pilhados amigos ateus da adolescência já hoje, aos trinta, estão rezando por aí. Duas das atéias mais radicais que conheci foram acabar uma astróloga semi-profissional e outra foi morar em uma comunidade agrícola alternativa de alguma religão asiática em Portugal. Me parte o coração. Não entendo. As fileiras se afinam. É como uma guerra: cada dia voltam menos soldados ao batalhão.

Minha pergunta aos ateus e esquerdistas: dado que (quase) ninguém fica mais burro com a idade, por que tanta gente abandona o ateísmo e o esquerdismo a medida que envelhecem? Como vocês explicam isso?

Obviamente, não adianta o pessoal do contra vir dizer que ateísmo e esquerdismo é coisa de gente burra e pronto. Pode até ser verdade, mas não ajuda nada nem explica nada. Estou buscando por uma explicação social, cultural, sociopolítica, antropológica. Algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci são ateus, esquerdistas ou ateus de esquerda. Estarão lutando contra o tempo? Será a tendência natural do ser humano se transformar no Pedro Sette Câmara? Será que a direita conservadora religiosa somente chegou mais rápido aonde todos chegaremos?

Pensamentos assim me gelam o sangue de noite. Tem gente que olha a mureta e tem aquele ímpeto de pular. Eu tenho medo de olhar a igreja e ter ímpeto de comungar, de olhar o diretório regional do PFL e ter ímpeto de me filiar à Juventude César Maia.

Update

Considerações Metodológicas


Alguns leitores fizeram algumas ressalvas metodológicas que acho importante clarificar. Primeiro falou o Kenji:

Você fez uma pesquisa, com grande amostragem, para comprovar isso? Verdi e Darwin se tornaram agnósticos/ateus quando velhos, por exemplo.
E concordou o Ibrahim:
Como disse o André Kenji cadê a amostragem.Para mim só passa de um "achismo" polêmico, do tipo "mulheres fofocam mais" ou "baianos são preguçosos", além de é claro ser um velho cliché, não?
Meu deus, gente, quem vocês pensam que eu sou? Acham mesmo que eu seria irresponsável ao ponto de fazer uma afirmação dessas sem o embasamento teórico e empírico necessário? Que eu sairia fazendo generalizações assim, a torto e a direito, logo onde!, em um blog?! Por favor, me dêem um crédito. Bastava perguntar.

A pesquisa foi realizada em 18 capitais (Campina Grande é a capital ou é João Pessoa? Se não, 17 capitais mais Campina Grande), entre os dias 10 e 14 de dezembro, sendo que uma entrevista foi realizada no dia 16, a moça não estava em casa na hora. Foram ouvidas 2.345 pessoas, inclusive dois rapazes mudos que não foram tecnicamente ouvidos, mas eles gesticularam suas respostas e então foram computados assim mesmo, sendo que destas 4.563 pessoas entrevistadas 1.456 eram homens, 9.234 eram mulheres e 3¼ eram transsexuais de Pelotas (ah é, desculpem, 16 capitais mais Pelotas e Campina Grande).

Os homens estavam na faixa entre 15 e 82 anos (menos a faixa entre 50 anos, 2 meses e 3 dias e 62 anos, 6 meses e 6 dias, não conseguiram encontrar ninguém com essa idade) e as mulheres, entre 16 e 34, 45 e 51 e 65 e 74 (os números são estimados porque o moço que fez a pesquisa achou que elas estavam mentindo a idade, mas era machismo bobo dele), mais uma senhora de 58 anos, mas com um corpão de 45, de Santarém (ah sim, Santarém também não é capital, então na verdade foram 15 capitais, mais Pelotas, Santarém e Campina Grande - quanto mais capitais, mais cara era a pesquisa, eles tinham uma tabelinha).

A margem de erro é de 34¾% para mais ou para menos - claro!, onde já se viu margem de erro só para mais ou só para menos? Mas, como vocês duvidaram do meu embasamento empírico, melhor não facilitar. O importante é a transparência científica, para que vocês possam confiar nas conclusões auferidas, naturalmente. Não imagino que ninguém esperaria menos de um blog!

Dos entrevistados acima de 35 anos e 8 meses, 56% e uns quebrados eram de direita, 35,93% de esquerda e 29% tico-tico no fubá. Desses direitistas, 78,97¼% haviam militado na esquerda quando jovens - jovem, para os fins metodológicos dessa pesquisa, quer dizer menor de 35 anos e 6 meses. As pessoas entre 35 anos e 6 meses e 35 anos e 8 meses foram ignoradas, por serem estatísticamente insignificantes e muito chatas. Além disso, meu primo tem essa idade e eu não queria que sua opinião contasse. Dos esquerdistas com mais de 35 anos e 11 meses, um sempre foi de esquerda e o outro também, mas ambos militaram no PSOL na década de 80 e, hoje, são filiados ao PT, então a tendência se mantém.

Dos entrevistados acima de 36 anos, ou 429 meses, o que vier primeiro, somente 32½% eram ateus. Destes, 93% sempre foram ateus e 22,22% tornaram-se ateus depois de tragédias pessoais que lhes fizeram perder a fé no senhor - um deles foi chamado pra ser mesário em 12 eleições consecutivas, etc. Dos 92½% de religiosos acima de 33 anos (idade de jesus!) (ah, mais um parentêses: para fins metodológicos dessa pesquisa, foi considerado religioso qualquer um que acredita em algo que eu acho que não existe, como duendes, teorias da conspiração, jornalistas inteligentes, políticos honestos, conservadores de bom coração, etc), 66,6% se converteram depois de velhos (como vocês sabem, para fins dessa pesquisa, velho é qualquer um com mais de 58 anos, a não ser que seja muito sarado, nesse caso não) e, destes, 52% se converteram ainda jovens, ou seja, com menos de 28 anos, 12 meses e 1 dia bissexto. Entenderam?

Enfim, foi só um resumo. O instituto de pesquisa que contratei me mandou um PDF de 150 páginas com todos os resultados consolidados. Basta pedir que eu mando. E, da próxima vez, tenham mais fé em mim, por favor! Ou acham que quero perder a confiança dos leitores que me lêem em busca de hard facts e informações confiáveis?

Na medida em que vamos envelhecendo, acho que vamos perdendo nossas tradicionais fontes de amparo: os pais, a família, os ideais, os sonhos, etc. e a realidade vai se revelando cada vez mais cruel, mais difícil de ser suportada. Acho que aí é que entra a religião, Deus e os conservadorismos, pois eles nos mostram um rumo mais seguro a seguir, diminuindo a sensação de desamparo.
 

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