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Tuesday, December 12, 2006

Lista de Leituras para o Exame do Mestrado

(estou repetindo o post pois houve algumas mudanças no teste. a principal mudança é que troquei cultural studies por teoria literária)

Uma das exigências para a obtenção do meu título de Mestre em Português é uma provinha de cinco perguntas. Cada pergunta tem uma lista de leituras de cerca de 15 livros. Estou correndo contra o tempo pra tentar ler tudo até a primeira semana de fevereiro, quando será realizado o teste. Lembrem-se que, além dessa listinha singela, também tenho que ler os trocentos livros das minhas aulas.

Uma coisa interessante é que estou relendo O Cânone Imperial, obra deliciosa do Flávio Kothe, e não dá pra deixar de pensar que essa lista de mestrado nada mais é, naturalmente, do que o cânone da literatura brasileira (com algumas salpicadas de literatura portuguesa pra não pegar muito mal). Mas, claro, nada de errado nisso. Quem quer ser mestre em português tem mais é que já ter lido pelo menos o cânone.

Em negrito, os que eu já li.

Luso-Brazilian Literature to 1822

1. Gil Vicente (adoro, morro de rir)

2. Luis de Camões. Os Lusíadas, Canto IX
(delicioso)

3. Pero Vaz Caminha. A Carta
(fundamental pra se entender o mito do Brasil edênico)

4. Gregório de Matos. Epílogos, Senhora Dona Bahia, Descreve o que era realmente naquele tempo a Cidade da Bahia, À Cidade da Bahia, O poeta é condenado ao degredo em Angola, A uma crioula chamada Cipriana ou Supupema, A uma cunhã, em lingua brasileira

5. Padre Antonio Vieira. Sermão da Sexagésima, Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda (de gregório e vieira eu já li muitas coisas em seletas, é capaz de já ter lido esses sermões e poemas, vou ter que conferir)

6. Fernão Mendes Pinto. Peregrinação

7. Historia tragico-maritima. Anônimo (esses dois estão na minha lista faz tempo, vai ser um prazer finalmente lê-los)

8. Basilio da Gama. O Uraguai


9. Tomas Antonio Gonzaga. Marilia de Dirceu
(chatos de doer os dois)

10. Anchieta. de gestis mendi de saa
(uma surpresa interessante, jamais imaginei que fosse ser tão bom)

Luso-Brazilian Literature 1822-1922

1. Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um sargento de milícias (não dei nada pelo livro quando o li, mas quanto mais leio literatura brasileira do século XIX, mais gosto dele na comparação)

2. Gonçalves Dias. Primeiros Cantos (tá, eu confesso, é bobão, mas I-Juca-Pirama e Canção do Exílio me dão uns calafriozinhos sim)

3. Antonio de Castro Alves. O navio negreiro (ele tem poemas abolicionistas muito melhores, não sei porque citam sempre esse)

4. Aluísio Azevedo. O Cortiço (talvez meu romance preferido escrito no Brasil nesse século)

5. Adolfo Caminha. Bom Crioulo (embora, conhevenhamos, a história do negão viado na marinha também seja campeã)

6. Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura (fraco, mas gostoso de zoar)

7. José de Alencar. Iracema (estava pra ler faz tempo)

8. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas (legal e talz como inovação, mas acho Dom Casmurro e Quincas Borba muito melhores)

9. Machado de Assis. Dom Casmurro (obra prima)

10. Eça de Queirós. O Crime do Padre Amaro

11. Eça de Queirós. A Ilustre Casa dos Ramires (colocaram logo dois do Eça que não li. Ramires estava na minha lista faz tempo mas confesso não ter simpatia pelo padre amaro, me parece ser o típico romance esquemático naturalista)

12. Euclides da Cunha Os Sertões (é daqueles livros que você nunca lê, mas lê tantos trechos e lê tanto sobre ele que parece que leu)

13. Lima Barreto. Triste Fim de Policarpo Quaresma (dos romances dele, é o mais fraquinho. Clara, Isaías e Gonzaga dão banho)

14. João do Rio. A Profissão de Jacques Pedreira (confesso que nunca tinha ouvido falar)

15. Graça Aranha. Canaã (estava na minha lista faz tempo, agora vou ler)

Luso-Brazilian Literature 1922-1968

1. Oswald de Andrade, Poesia Pau-Brasil, Manifesto Antropófago (coisas que se lêem em livros de escola)

2. Mário de Andrade. Macunaíma (não vi graça)

3. Fernando Pessoa. Mensagem (já li trocentos poemas dele em seletas cá e lá, devo ter lido boa parte do livro mas tenho que verificar)

4. Patricia Galvão. Parque Industrial (será bom?)

5. Gilberto Freyre. Casa Grande & Senzala (magistral)

6. Rachel de Queiroz. As três marias (chatinho)

7. José Lins do Rego. Menino do Engenho (li fogo morto e não achei nada de mais, mas estou curioso pra ler esse aqui)

8. Graciliano Ramos. Vidas Secas (perfeito)

9. João Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas (genial)

10. Nelson Rodrigues. Vestido de Noiva, Beijo no Asfalto (talvez as duas peças dele que eu mais gosto)

11. Clarice Lispector. A Paixão Segundo G.H. (sou fã doente de clarice e esse aqui tava na fila faz tempo)

12. Antonio Callado. Quarup (estão dizendo que é chato. sei que é grosso pra burro)

13. José Agrippino de Paula. Panamerica (confesso, humilde, que nunca tinha ouvido falar)

14. Italo Moriconi. Os cem melhores poesias brasileiros do século

15. Ensaios: Mário de Andrade, O Movimento Modernista, Antonio Candido, Literatura e Subdesenvolvimento

Luso-Afro-Brazilian Literature 1968-present

1. Lygia Fagundes Telles. As meninas (tava na fila faz tempo)

2. Clarice Lispector. A hora da estrela (genial)

3. Lídia Jorge. A costa dos murmúrios (construção interessante mas não gostei da execução)

4. Ivan Angelo. A Festa (interessante)

5. Roberto Drummond. Sangue de Coca Cola (nunca tinha ouvido falar desse livro, nunca tinha lido esse autor)

6. Rubem Fonseca. Bufo & Spallanzani (um dos seus últimos livros bons)

7. António Lobo Antunes. As Naus (excelente)

8. João Gilberto Noll. Hotel Atlântico (*dedo na garganta*)

9. João Ubaldo Ribeiro. Viva o povo brasileiro (estava na fila faz tempo)

10. José Saramago. A jangada de pedra (*dedo na garganta de novo*)

11. Mia Couto. Terra Sonâmbula (adorei esse romance, mas prefiro seus contos)

12. José Agualusa. Nação Crioula (sensacional)

13. Paulo Lins. Cidade de Deus (confesso que tenho um medinho de ser ruim de doer, mas vou ler)

14. Caetano Veloso. Verdade Tropical

15. Ensaios: Silviano Santiago, O Entre-lugar do discurso latinoamericano, A permanência da tradição, Roberto Schwarz, Cultura e Política , 1964-1969, Idéias fora do lugar, Nacional por Subtração, Haroldo de Campos, Europa sob o signo da devoração (Schwarcz consegue ser um bom intelectual apesar da tremenda limitação ideológica do seu raciocínio)

A quinta unidade era uma escolha entre vários males: linguística, teoria literária, cinema. Eu tinha escolhido cultural studies mas, na última hora, me decidi por teoria literária. Aliás, por isso, estou repetindo o post. Essa seção vai me dar mais trabalho que as outras juntas.

Teoria Literária

Exceto quando indicado, todos os textos são da The Norton Anthology of Theory and Criticism. Vincent B. Leitch, Ed. New York: W.W. Norton & Company, 2001.

Formalism:
1. Boris Eichembaum. From The Theory of the Formal Method (págs. 1058-1088)
2. Yuri Tynyanov. On Literary Evolution in The Critical Tradition. Classic Texts and Contemporary Trends. David H. Richter, Ed. Boston: Bedford Books, 1998.
3. Mikhail Bakhtin. From Discourse in the Novel (págs. 1186-1220)

Structuralism:
1. Roman Jakobson. From Linguistics and Poetics, Two aspects of language and two types of aphasic disturbance (págs. 1254-1269)
2. Roland Barthes. The Death of the Author, From Work to Text (págs. 1466-1476); Introduction to the structural analysis of narratives in A Barthes Reader, Susan Sontag Ed. New York: Vintage, 1993.
3. Jacques Derrida. From ?Grammatology? (págs. 1822-1830)

Psychoanalysis:
1. Sigmund Freud. From The Interpretation of Dreams, The Uncanny (págs. 919-952)
2. Jacques Derrida. Freud and the Scene of Writing in Writing and Difference Chicago: University of Chicago Press, 1980.

Marxism:
1. Louis Althusser. From Ideology And Ideological State Apparatuses (págs, 1483-1509)
2. Walter Benjamin. The Work of Art in the Age of its Technical Reproduction (Págs. 1166-1185)
3. Max Horkheimer and Theodor Adorno. From The Culture Industry: Enlightment as Mass Deception (págs. 1220-1240)

Phenomenology, Hermeneutics:
1. Wolfgang Iser. Interaction Between Text and Reader (págs. 1670-1682)
2. Hans Robert Jauss. From Literary History as a Challenge to Literary Theory (págs. 1547-1565)

Deconstruction, Post-Structuralism, Post-Modernism:
1. Fredric Jameson. Postmodernism or the Cultural Logic of Late Capitalism in Postmodernism or, the Cultural Logic of Late Capitalism. Duke University Press, 1991.
2. Jean-François Lyotard. Defining the Postmodern (1609-1615)
3. Michel Foucault. From The History Of Sexuality, Vol.1, An Introduction (Págs, 1648-1666)
4. Jacques Derrida Plato?s Pharmacy (págs. 1830-1876)

Post-Colonial:
1. Frantz Fanon. From The Wretched Of The Earth (págs. 1575-1593)
2. Edward Said. From Orientalism (págs. 1986-2012)

Feminism & Gender Studies:
1. Judith Butler. From Gender Trouble (págs. 2485-2502)

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A segunda unidade, 1822-1922, é minha especialidade, e não vejo nada faltando. Talvez eu trocasse as duas obras do Eça por somente Os Maias, que é mais longo e talvez mais representativo. De resto, eu manteria o Policarpo, por exemplo, ao invés de trocá-lo por outras obras melhores do Lima. Uma lista assim é pra ser mesmo a "passada a limpo" do cânone, e tem que incluir todos os seus marcos.

Nas unidades pós-1922, acho emblemático que Jorge Amado não apareça em nenhuma das duas categorias onde poderia ter aparecido, mas sim Rachel, Zé Lins, até mesmo Pagu. Aliás, cadê Ariano Suassuna?

Na unidade mais recente, eu definitivamente trocaria As Naus por algum outro romance mais longo, mas mais fácil e mais representativo de Lobo Antunes, como Manual dos Inquisidores ou Esplendor de Portugal. Provavelmente incluiria alguns livros péssimos mas já clássicos, como Estorvo, para servirem de sintoma do que a novíssima literatura brasileira se tornou.

Meus quatro autores brasileiros obscuros prediletos não foram citados. Nenhum dos seus livros é rigorosamente canônico, ou emblemático ou sintomático de nada (a não ser, talvez, da arbitrariedade do cânone), mas eu adoraria a chance de fazer meus alunos os lerem:

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E vocês, o que acham dessa lista? Adoram, odeiam? O que falta, o que poderia ter? O que não deveria estar aí?