Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8%.

Sunday, December 3, 2006

Fetiche de Papel, Fetiche de Sapatos, RPG e Audiobooks

Fetiche de Sapatos

Nos comentários do meu post sobre fetiche de papel, teve muita gente fazendo comparações com o fetiche de sapatos. A comparação é boa.

Eu adoro livros assim como adoro sapatos femininos. Adoro torrar dinheiro com livros e adoro torrar dinheiro presenteando sapatos. Gosto do cheiro dos livros, do seu toque, do seu peso na minha mão. Adoro sapatos femininos, suas formas, seus cheiros, seus sons. Entretanto, o importante do livro não é seu cheiro ou seu projeto gráfico, mas seu conteúdo. O importante do sapato não são suas linhas arrojadas ou seu salto, mas a mulher que o está usando.

O fetiche vira patológico quando o fetichista dá mais valor ao objeto de sua obssessão do que, digamos, à sua própria essência. Um livro sem conteúdo não vale nada. Um sapato sem uma mulher dentro não tem graça nenhuma.

A Diferença Entre Gostar e Ser Obcecado

Quando falei de RPG, eu também deixei bem claro que não estava criticando os jogadores de RPG em geral mas apenas aqueles obcecados que largam as vidas para viver seus personagens. Apesar disso, muitos idiotas acharam queu estava criticando o RPG em si.

Pois hoje também não estou criticando quem gosta de livros. Eu adoro livros. Estou criticando as pessoas obcecadas com o objeto-livro em oposição ao livro-conteúdo.RPG

Um leitor escreveu:

tem muita diferença entre ler um texto impresso e ler na tela do computador. É evidente que o conteúdo é o mesmo, mas o livro você leva pra cama, pra praia, pro avião, pro parque, pode ler recostado em uma árvore, enfim...
Pois os obcecados de quem estou falando, e conheço vários, justamente JAMAIS levariam um livro para a praia ou para o parque, porque poderia sujar, ou amassar, ou pegar calor, ou pegar sol, ou suas mãos poderiam suar em contato com as páginas, ou a cola poderia soltar, ou o Bin Laden poderia atacar etc etc.

Sempre que eu critico alguma obssesão por X, me aparecem alguns praticantes de X se sentindo atacados, como se eu tivesse falado deles. É como eu fazer um post sobre aqueles gordos mórbidos que comem compulsivamente e um bando de idiota vir encher minha caixa de comentários dizendo coisas como:
"Ei, seu idiota, como você ousa falar mal de quem come? Eu como três vezes por dia e não tem nada de errado comigo! Você tem é preconceito contra as pessoas que comem! Você é feio e bobo!"
Ai ai, se não fosse minha experiência dando aulas pra crianças não sei como lidaria com alguns dos meus leitorinhos.

AudioBooks

Muita gente "respondeu" ao post falando sobre ler no computador, mas eu não falei nisso hora nenhuma. Eu também odeio ler no computador. Vocês simplificam tudo. Não fiz uma dicotomia entre ler na tela e ler no livro, mas somente critiquei as pessoas que valorizam mais o meio do que a mensagem - aliás, um assunto recorrente no LLL.

Por que ninguém falou de audiobooks, por exemplo?

Eu já ouvi muito mais audiobooks do que li livros na tela. Já ouvi Stephen King lendo seus próprios contos, Frank McCourt contando a história da sua vida com um delicioso sotaque irlandês, as Mil e Uma Noites lidas por uma árabe (o sotaque faz a diferença), O Morro dos Ventos Uivantes, O Grande Gatsby, O Senhor dos Anéis adaptado como novela radiofônica pela BBC (uma das coisa mais poderosas que já ouvi, a seu modo, tão perfeito, emocionante e genial como os filmes de Peter Jackson), adaptações radiofônicas das décadas de 30 a 50 dos grandes clássicos pulp ou sci-fi como Chandler, Stout, Bradbury, Clarke, os últimos livros de John Grisham e Michael Crichton, os contos de Clarice lidos por Aracy Balabanian, Fernando Pessoa lido por Paulo Autran, A Ilíada e a Odisséia narradas pelo shakespeareano Derek Jacobi e A Eneida, por Christopher Ravenscroft, todos produções de dar lágrimas nos olhos, pra citar só os que lembro agora.

A maioria desses é tão bom quanto ler o livro, mas alguns são aibda melhores.

Ouvir o autor declamar sua obra é muito melhor do que lê-la friamente. Imaginem como seria ouvir Cervantes lendo o Dom Quixote.

Ouvir as obras sendo declamadas por grandes atores também é melhor do que ler. Dependendo da obra, claro, pois certas obras não se prestam a isso. As que nasceram como literatura oral, entretanto, Mil e Uma Noites, Ilíada e Odisséia, crescem muito na vozs de um ator competente. De um modo bem real, ouvir a Ilíada é estar muito mais próximo da experiência original da Ilíada do que lê-la. Hoje, não consigo ler Fernando Pessoa sem ouvir a voz poderosa de Paulo Autran ressoando em minha cabeça.

Já as adaptações radiofônicas, quando bem-feitas, com seus diferentes atores, efeitos especiais e ritmo próprio, estão em um outro nível completamente, são uma forma de arte em si - e em extinção.

Ou será que não? Será que se não for no papel, não tem graça? Será que ouvir o Morro dos Ventos Uivantes em áudio é menos válido ou menos literário do que ler em um livro de papel?


Voltar para Liberal Libert‡rio Libertino

[Powered by Blogger]

8129 Panola St, New Orleans, LA, 70118, msn, tel, email

Ao me enviar email ou comentar no LLL, voc� est‡ automaticamente permitindo que eu publique sua mensagem no blog, inclusive com seu nome e endere�o. Pense bem.