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Wednesday, August 9, 2006

Teste: Você É Viciado em Blogs?

Outro dia, reconheci o estilo de um blogueiro famoso só de ler um texto seu onde não deveria estar. Na hora que li, totalmente fora de contexto, pensei: isso foi escrito pelo fulano. E tinha sido mesmo. Fiquei um pouco assustado. Claramente, ando lendo blogs demais.

E vocês?

Tentem identificar o blogueiro que escreveu cada texto abaixo. Todos foram tirados da página principal de seu respectivo blog e são (ou tentam ser) representativos do estilo, tema e tiques doautor.

Sempre lembrando que ser blogueiro famoso é como ser a miss minissaia do festival das flores de Lambari, blá blá, todos os doze aqui citados são, dentro dos limites da blogoseira, famosinhos.

É claro que não vale procurar o post original nos blogs e nem usar o Google!

Se você acertar mais da metade, está em maus lençois. Procure uma clínica de desintoxicação urgente. Se acertar menos, não vá ficando muito feliz, não. Vai ver você é viciado em blogs que eu não leio - e ser viciado em blog ruim é pior ainda!

1) Houve época em que se acreditava que a fotografia não passava de uma mera reprodução da realidade, e que, por conta disso, não teria valor criativo ou artístico. Ledo e ingênuo engano: muito mais do que simplesmente espelhar a natureza, os artistas da câmera possuem a capacidade de captar uma determinada imagem em uma específica fração de tempo e fazer com que ela transcenda os limites da moldura, preenchendo a escrita da luz com entrelinhas que não se esgotam em um mero clique.

2) Gojado. Hic! Eu achava gue dinha setch leitores, masshh tou vendo agora que são catorghi! Hic! Xiguinte, xiguinte: deshcobri gue pra essha embarcaxão chegar até a África do Shul é moleza! A África do Shul não tá longe! Hic! É logo ali, ó! Não prechija nem ichar as velas: embarcou, chegou! Masshh porgue eu tou falando de África do Shul, meshmo? Hic! Hã? Ah, tá! É que meush pilotosh aqui, o Shtubb, o Flashk e o Shtarbuck, tão doidinhossh pra virar comida de leão! Hic! O pob? plob.. pobrem? ah, a merda vai ssher se depoisshh de comer eles o leão não esshcrever, não delefonar, não mandar email, hahahaha. Hic! Aí vai sher uma deshilujão pra elesh, o cashtelo de areia delesh vai vir abaisshho! Elesh não vão eshquecher o? eshquecher o? esquecer? o que é que elesh não vão esquecher, porra?

3) Mas não basta ser velho, que depois que a Peste Negra se foi ficou fácil chegar a uma idade de ancião. Bom mesmo é ser um velho chato. E eu seria um velho realmente chato, daqueles que reclamam de tudo, que peidam diante do genro e beliscam os netos, que mostram a eles doces que jamais darão, que furam a bola dos meninos que jogam na rua, que atrapalham namoros na praça, que dizem esquecer as coisas para que os tratem com absoluto monopólio de atenção.

4) Outro dia, estava eu comprando brinquedinhos pra minha sobrinha de 4 meses. Alguém viu um brinquedo que seria perfeito pra ela e colocou pilha pra eu comprar. Eu, que sou como uma criança de quatro anos e falo as coisas sem pensar, respondi que era melhor não, aquele brinquedo era só pra crianças a partir de 3 anos e ela poderia morrer nesse meio tempo. Pronto. Caos e confusão. Rasgação de vestes e ranger de dentes. Quase me deram um soco. Mandaram eu parar de brincadeirinhas mórbidas. Me chamaram de monstro, idiota, inconsequente. Um verdadeiro escândalo.

5) Sou ultra conectado antenado e filtro conteúdo na velocidade do pensamento vigente pró-efervecente e acredito que a gente tem mais é que fazer mais gente que seja igual ao vetusto senhor doutor sonhador beatnik tardio agora e sempre que mesmo-doente, entre o nanosegundo e o submundo, se faz conhecer e admirar. Com vocês, George Carlin.

6) E é um porre receber "vale CD", vai dizer? A pessoa te dá um pacote embrulhado, no formato de um CD e, ao abrir, você vê uma caixinha vazia, aquela expressão de frustração vinda lá do fundo do seu ser, o sorriso amarelo de "obrigado". O "Vale CD" é um "não-presente". E temos que dizer do impressionante trabalho que temos depois, de ir até a loja para trocar o "vale". Você chega na loja, procura e encontra o disco que quer, é um duplo importado que custa mais de 100 reais... mas o seu "vale" não vale para ele; seu vale é de apenas vinte reais! Dá pra levar, no máximo, uma coletânea do Kleiton e Kledir. A pergunta: por que alguém te dá liberdade de escolher se, de verdade, você não pode escolher?

7) E lá vou eu levar o mexica sem óculos, hospedado em "algum lugar" da Avenida do Contorno. Depois de muito zanzar, perto do bairro da Serra, ouço um "acho que é aqui..." Meto o pé no freio, deixo o cabra por lá mesmo, entrego o Frajola em casa e ainda chego ao meu bairro a tempo de comemorar com amigos a vitória do Galo com gol de goleiro no último minuto. Espero que o mexicano tenha achado o caminho de casa e tenha saído com boas memórias da sua estadia no Brasil.

8) Logicamente, com a crescente importância da indústria do entretenimento e com a veloz taxa de convergência tecnológica, onde tudo transporta tudo, o único recurso que se torna realmente escasso é a atenção do consumidor. Isso já é um problema para a sobrevivência do modelo de TV aberta em alguns países, por exemplo, cujas receitas provêm do valor pago pelos anunciantes para transmitir suas mensagens às audiências. Ocorre que estas audiências hoje estão se fragmentando devido à concorrência da internet e dos videogames; além disso, o controle remoto e o digital video recorder estão esmagando as inserções comerciais. As redes, por enquanto, tentam combater estas tendências com estratégias como o merchandising, onde o produto aparece embutido dentro do conteúdo televisivo. Mas isso não pode durar muito tempo. O corolário de se ter muito mais músicas disponíveis, dado que o tempo para ouvi-las é muito menos elástico do que a capacidade de produzi-las, é que cada música provavelmente desfrutará de muito menor probabilidade de ser ouvida por um dado consumidor em particular.

9) Assisti em dvd O Elo Perdido (Man to Man, GB-França-África do Sul, 2005), do Régis Wargnier. Joseph Fiennes vai à África e, com a ajuda de Kristin Scott Thomas, rapta um casal de pigmeus para um estudo antropológico na Inglaterra do século XIX. Drama interessante desnudando a empáfia etnocentrista apoiada em cientificismo equivocado, típica não só do colonialismo do passado mas também encontrável em atitudes imperialistas de hoje.

10) O médico opera no Sírio Libanês e imediatamente me transformo em Elaine Benes: o mesmo hospital que linkei para um abaixo-assinado. E chamei os médicos de cretinos. E dei o número da minha identidade. Imagino coisas terríveis, sendo que passei o sábado inteiro vendo Seinfeld, o que só intensifica a paranóia. Leio o manual inteiro no metrô. A alimentação deverá ser líquida e pastosa, durante 45 dias. Quarenta e cinco dias? Planejo baldes de milk shake do Bob´s, ou desaparecerei. Deixo pra lá, falta tanto tempo. O centro da cidade está sujo e feio. Minha camiseta seria: Imploro, não me dê panfletos. Mas dão. Poderia forrar as paredes do meu quarto com eles: compro ouro, empresto dinheiro, trago seu amor de volta. Mas elas já estão tomadas por sete mil emails que contam histórias de sereias, piratas & furacões. Jogo na lata de lixo sem que a pessoa perceba. No meu mundo paralelo, gentileza gera gentileza.

11) No dia 3 de Agosto, quinta, das 19:00 às 21:30, darei uma palestra trancado no meu quarto, andando em círculos ao som da Sinfonia n.77 de Haydn. O tema da palestra será ?Boris Karloff: Homem Alto ou Apenas um Baixinho com Cara de Alto??. Debatendo comigo estarão um busto de Goethe com o nariz lascado, uma foto de Audrey Hepburn em cima da minha tevê e um boneco careca e sem pernas chamado Hugo (ou Mr.Hugo). Se a certa altura o busto de Goethe disser que o meu blog é muuuuito complexo, muuuuito erudito, Mr.Hugo baterá na testa dele com uma colher de sopa que já separei para isso mesmo. Servirei paçocas para mim mesmo e de tantos em tantos minutos pararei tudo para fingir que estou regendo a sinfonia com a boca cheia de paçoca. Ninguém mais será admitido na palestra, exceto talvez Monica Bellucci se vier nua e coberta de mel.

12) Para mim, pessoalmente, um dos grandes males da interatividade na internet foi ter me proporcionado esta visão nada grandiosa dos leitores. Quem não tem contato com o que pensam os que lêem (e eu não tinha há até bem pouco tempo) pode pensar que há uma multidão silenciosa de sábios. Um grande engano. A multidão é extremamente ignorante das premissas mais básicas de raciocínio. E aqui nem entro em questões de técnicas de debate. Até porque soaria erudito demais para a platéia de ignaros.

Respostas aqui.


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