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Wednesday, April 5, 2006

Porto do Desespero, Capítulo 5: A Malvada

Um romance policial colaborativo. Antes de ler, confira os capítulos anteriores:

capítulo 1 : A Carne

capítulo 2 : O Serviço

capítulo 3 : O Noivado

capítulo 4: A Encruzilhada

capítulo 5: A Malvada

Finalmente, apareceu o carro, aqueles faróis tremeluscantes entre a neve que caía. Eu tive medo que ele não fosse conseguir chegar, mas o idiota sempre levou jeito com mapas. E eu tinha dado instruções bem detalhadas. Daniel estacionou perto do galpão e correu até mim com seus olhinhos de cachorro pidão e bracinhos balançantes de galinha tentando levantar vôo:

- Má! Má! - Era o apelido que ele tinha dado pra mim. Mal sabia como era preciso.

O bobão se agarrou em mim, eram tantos bracos em volta do meu corpo que ele parecia um polvo, querendo me sugar com suas ventosas. Eu não estava com o menor saco de aturar aquela babação.

- Daniel, meu amor, ainda bem que você veio! - Eu falei, no meu tom mais doce e cínico - Trouxe as lembrancinhas?

Ele coçou aquela cabecinha de que não estava entendendo nada: - Sim, claro, mas não entendi como você sabia disso, não tinha ninguém me esperando no aeroporto, aí você ligou, mas aliás, explica, você não estava em coma? Eu vim do Brasil só pra isso e-

Interrompi o pato e tomei a caixa da mão dele: - Ah, meu querido, eu já te explico, mas fique sabendo que você salvou a minha vida vindo pra cá, sei que sempre posso contar com você, meu cavaleiro da armadura reluzente...

Abri a caixa. Sim, estava tudo lá, perfeito. Daniel tinha acabado de perder sua utilidade. Ele deu mais uma passo em minha direção e estava com as mãos na minha cintura, quando soou a voz imperiosa e máscula e deliciosa de Roberto por entre as sombras:

- Muito bem, maricão, você já fez o que tinha que fazer, agora tira as patas da minha mulher.

Daniel, coitadinho, não entendeu nada: - Como assim? Má, o que está acontecendo? Quem é esse cara? O que ele está falan-

- Ah, me poupe! - E dei na cara dele com a caixa que acabara de trazer. Daniel nem reagiu e caiu no chão, com aquela carinha de criança que perdeu o pirulito.

Ele ainda ficou me olhando lá debaixo, os olhinhos cheios d'água e eu saboreei a decepção em seus olhos. Que idiota! Ele merece tudo o que vai lhe acontecer. Quem mandou acreditar em mim?

Pisei em seu rosto com minhas botas de cano alto, sujando toda sua cara com aquela neve suja, e disse, na minha voz mais sexy e doce:

- Desculpe, queridinho, mas não preciso mais de você. Roberto, amor, me passa a pistola. Essa eu quero ter o prazer de fazer pessoalmente.

(continua.... vai que é tua, Bia!)


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