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Escravidão


Sim, abandonei de vez a Guerra do Paraguai. Eu sabia que meu tesão por esse conflito maldito já tinha acabado. Decidi me dedicar à escravidão, por uma série de motivos.
O campo é vasto e multidisciplinar. Pode-se pular de literatura pra história pra sociologia pra antropologia. Pode-se estudar o passado, o presente e o futuro, a realidade, o discurso e a iconografia. Eu não me sentiria restrito a uma só disciplina.
A bibliografia essencial é quase toda nas três línguas que eu domino: espanhol, português e inglês. Eu adoraria, por exemplo, trabalhar com a Bíblia, que é meu livro predileto, ou com Turgenev, mas estou meio velhinho pra aprender grego, hebráico e russo.


O assunto é polêmico e vivo. Não é como escrever sobre romances românticos ou guerra cisplatina ou etnografia da tribo dos mnbatu. Escravidão é um tema controverso, politicamente carregado e que influencia nossas sociedades até hoje. Ainda é uma área na qual um bom trabalho acadêmico pode romper os limites da academia e causar impacto verdadeiro.
Apesar de ser um tema intrinsecamente brasileiro e poder ser utilizado para melhor compreender o Brasil (esse fetiche de brasileiro de ficar sempre querendo compreender o Brasil em detrimento de todo o resto), ele também é universal, um dos fenômenos mais interessantes, vastos e horripilantes da históra humana. Transcende nossas fronteirinhas nacionais e engloba o Humano com H maiúsculo.
Estou muito feliz com minha escolha, obrigado.