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Saturday, December 31, 2005

100 things we didn't know this time last year

Essa aqui tem tudo a ver com meu último choque cultural:

8. Devout Orthodox Jews are three times as likely to jaywalk as other people, according to an Israeli survey reported in the New Scientist. The researchers say it's possibly because religious people have less fear of death.
Não é lindo que a língua inglesa tem um verbo só para atravessar a rua fora da faixa?

100 things we didn't know this time last year

Banzo



Às vezes, dá uma saudade do Rio que dói nos ossos. Hoje de madrugada, fiquei assistindo RJTV no Globo Media Center. Vi até dragarem minha lagoa. Ai ai.

Nunca Houve uma Mulher como Talita

Nunca Houve Uma Mulher como Talita

Hoje acordei pensando em Talita. Talvez ela tenha sido a primeira grande mulher da minha vida. Talvez, se você considerar que sou escritor, a mulher mais importante da minha vida.

Alguém mais lembra dela? Tirando essa imagem, não consegui achar mais nada na internet. O livro é de quando? Ainda é publicado? Quando saiu de catálogo?

O Sonho de Talita, por Manoelita Marcello Pimenta Bueno e Maria do Carmo de Freitas Guimarães, ilustrações de Luiz César.

Update: O Sonho de Talita ainda está a venda, na Casa Cruz!

Amor Local e Amor Remoto (Confissões Sexuais, 33)

O melhor modo de equilibrar dois amantes é quando um deles mora longe.

Lina tem duas paixões: uma local e outra à distância. O local sabe que exclusividade é palavra que não existe no seu dicionário. Com o remoto, a paixão é mais platônica e Lina às vezes sente remorso:

"Tomara que ele esteja me enganando também," suspira ela, romântica.

Dormir

Tem gente que quando fica preocupada, triste, deprimida, estressada, perde o sono. Eu sou o contrário. Parece que fui picado pela mosca tsé-tsé.

Está chegando a hora de ir pra Nova Orleans e ainda não tenho idéia de onde vou ficar. E as perspectivas parecem progressivamente desesperadoras.

Enquanto isso, passei os últimos três dias dormindo quase que direto. Eu durmo umas três, quatro horas, acordo, checo o email, começo a ler um livro e, em menos de uma hora, durmo de novo. Daqui a três, quatro horas, acordo mais uma vez e o ciclo recomeça. Estou há três dias assim.

Quem não me conhece, diria que sou o homem mais relaxado e tranquilo do mundo. Quem me conhece, sabe que é o sinal do desespero.

* * *

Aliás, sonhei que estava entrevistando para alugar um quarto na casa de uma senhora, mulherão, quarentona, tudo em cima, linda. Estávamos na sua sala, eu ao lado dela, os seus dois filhos adolescentes sentados em frente.

Ela começou dando aqueles tapinhas no meu braço, típicos de quem gosta de tocar os outros quando fala. Daqui a pouco, segurou meu braço e não largou mais. E, daqui a mais um pouco, sua mão deslizou suavemente para minha virilha e agarrou meu pau. Assim ficamos conversando, eu meio envergonhado, os filhos fingindo que não estavam vendo. Mais tarde, vendo o quarto que seria meu, ela me tascou um beijo cheio de promessas.

Naturalmente, aceitei o quarto sem nem querer saber o preço.

Depois da mudança, não só não rolou mais nenhum beijinho como o preço era exorbitantemente mais caro do que deveria ser.

Até meus sonhos são frustrantes.


Friday, December 30, 2005

Small Ads from the UK

Panorâmica de Temporal

Prisão Felicidade: Nietszche e Outras Sugestões

 Teoria da Justiça, Uma JOHN RAWLS Antes de escrever a Prisão Felicidade (breve resumo abaixo), estou lendo e relendo algumas obras importantes sobre o assunto. Como podem ver na minha lista de leituras, acabei de reler La Mettrie (o grande inspirador das prisões) e agora estou lendo Utilitarismo, do Mill, e depois pretendo ler Uma Teoria da Justiça, do Rawls, que discorda de Mill.

Também queria ler algo de Nietzsche. Por uma enorme lacuna na minha bibliografia, apesar de já ter sido chamado de nietzschiano a torto e a direito, nunca li Nietzsche. Alguém sabe que Nietzsche abordou essa questão moral da felicidade em algum dos seus escritor?
 Utilitarismo JOHN STUART MILL
Ou teriam alguma outra obra a sugerir? Por sugetão de uma leitora, vou procurar também A Conquista da Felicidade, do Russel.

Sobre a Prisão Felicidade

Uma leitora escreveu:

Li aqueles teus artigos sobre as prisões. Em um deles tu falas que a felicidade deve estar acima de tudo, inclusive da verdade. Muito bem. O que tu tens a dizer de alguém que tem prazer em matar os outros, ou roubar, ou estuprar. A felicidade do sujeito consiste nisso, então pela tua teoria é uma felicidade legítima. Tu podes esclarecer-me a respeito disso?
Realmente, essa é a conseqüência lógica de todo o raciocínio subjacente às prisões e o ponto mais polêmico desse livro que estou escrevendo ao vivo aqui pra vocês. Deixei esse ponto para o final, pois ainda estou me preparando para a saraivada de críticas que receberei.

   Conquista da Felicidade, A BERTRAND RUSSELLSim, se o prazer de alguém é matar, roubar ou estuprar, coisas horríveis em geral e etc, não vejo que outra opção essa pessoa tenha a não ser tentar ser feliz fazendo as coisas que a fazem feliz. Do ponto de vista dela, sua felicidade é legítima, como é a de todos nós.

Anti-natural e hediondo seria alguém conscientemente escolher ser infeliz, escolher não fazer as coisas que satisfazem seus prazeres. (Apesar disso, a maioria das pessoas vive exatamente assim, se sacrificando, se reprimindo, se limitando, se aprisionando, se forçando à infelicidade. Deve ser por isso que não entendem o que estou falando.)

Naturalmente, nada disso quer dizer que roubar, estuprar e matar sejam aceitáveis. Assim como a felicidade dessa pessoa hipótetica depende, digamos, de estuprar, a felicidade de qualquer mulher hipotética depende de não ser estuprada. E a sociedade, que existe justamente para impedir que seus membros tolham as liberdades uns dos outros, está do lado da mulher.

Em outras palavras, cada um tem que defender a sua felicidade. O facínora persegue sua felicidade cometendo as atrocidades que o fazem feliz - pois ele não tem outra escolha. Nós, a sociedade, perseguimos nossa felicidade (ficar vivos, não ser roubados, etc) combatendo o facínora e encarcerando-o pra sempre.

Vou repetir, pra não me encherem o saco (mas sei que vão): pessoas cuja felicidade é causar o mal às outras têm que ser perseguidas, neutralizadas e encarceradas com todo o vigor da lei. Ficou claro?

A Questão Social

Sempre tem alguém que vem me falar da questão social. São todas variações da velha objeção: "e se todos fizessem como você?", que eu já cansei de responder. É como se eu estivesse fazendo um estudo sobre a poços de petróleo e algum viesse me perguntar qual a aplicação prática disso para as artes conceituais.

Ora bolas, não sei, nem quero saber. Eu só estou dizendo como EU vivo a minha vida. Se um ou outro leitor achar bonito e quiser adaptar algumas das coisas que eu digo à SUA vida, beleza - por sua conta e risco.Não estou preocupado com os reflexos sociais dos meus textos porque minhas pobres teorias jamais teriam sucesso o suficiente pra serem aplicadas por largas parcelas da sociedade.

E, digo mais, se tivessem, eu já estaria tão rico de vender tanto livro que estaria morando em um praia deserta e só saberia das convulsões sociais pelo seu Manuel, da padaria da vila mais próxima.

Escreveu o Kita:
Alexandre, uma coisa que talvez voce não tenha percebido, mas esse seu louvor à irresponsabilidade civil incondicional só estimula o aumento da repressão. Nesse sentido, se todos fizerem o que voce prega, o que acontece? O Estado e a sociedade como um todo vão se ver obrigados a incrementar ainda mais o aparato repressivo. Escolas vão ter que contratar seguranças pra tirar alunos baderneiros que só atrapalham a aula dos outros e se recusam a sair, clinicas vão ter que pedir pra seus clientes esvaziarem seus bolsos na entrada pra assegurar que eles não vão acender um cigarro em lugar proibido, o Estado se ve obrigado a por lombada e cameras na ruas, enfim, a nos controlar cada vez mais nosso ir e vir. Por que hoje ninguem mais pode beber cerveja num estadio aqui em São Paulo? Porque sempre tem aquela meia duzia de irresponsaveis libertarios que bebem e fazem merda.

Sei que voce só quer chamar a atenção escrevendo algo "polemico", mas quando voce é chamado à respinsabilidade, sai com algo do tipo "ninguem precisa me obedecer". Ou diz que não é pra todo mundo fazer isso, só uma minoria privilegiada de espertinhos libertarios deve fazer isso, senão fode tudo. Ou seja, vazio, vazio.
Aliás, o Kita menciona algo que era ponto pacífico para o grupo dos Libertinos Eruditos, do século 18: que suas teorias libertárias e libertinas realmente só tinham aplicação individual e elitista. Se o grosso da galera chutasse o balde, a festa acabava pra todos.

Vocês podem concordar ou não com as prisões, mas se não reconhecerem que elas refletem uma filosofia individual, libertária e anti-social, vai ser como somar bananas com laranjas. Não dá nem pra conversar.

Se você quer ler um texto com preocupações sociais, por favor, vá catar algum manual marxista e não venha me encher a cachola aqui no LLL. Se você acha que o indivíduo existe para servir à sociedade, e não vice-versa, então as prisões não são pra você.

O que eu não quero (e já estou fazendo) é defender o texto antes de escrevê-lo. Estou demorando a escrever justamente por ser algo que tem que ser dito com cuidado.

Entretanto, nada do que eu falei, falo ou falarei enfatiza ou defende irresponsabilidade civil ou desrespeito às leis. A não ser que ninguém esteja olhando, claro.

* * *

O que vocês acham? Alguém tem mais alguma sugestão? A Prisão Felicidade ainda está em aberto mas quase formada na minha cabeça: quero escrevê-la em breve.

Talvez O Pior Dessa História das Escutas Ilegais do Bush

Seja o fato de que a popularidade do puto subiu! Metade dos americanos acha que ele tem direito de espionar as ligações!

Teatro Municipal - Fachada

Pequenos Choques Culturais

Uma Coisa que Eles Fazem e Eu Não me Acostumo

Não entendo alguém confiar sua vida a linhas brancas pintadas no chão. Acho incrível a coragem temerária com a qual um americano típico atravessa a rua na faixa. Eles vão direto. Com fé total nas instituições. Está escrito pra parar, o motorista vai parar. Na verdade, nem mesmo pensam nisso. Atravessam e pronto.

Mas eu, que já atravessei a Presidente Vargas na altura da Candelária na hora do rush, não consigo. Sou fisicamente incapaz de entrar em rota de colisão com um bólido de mais de uma tonelada avançando a dezenas de quilômetros por hora e confiar cegamente que ele vai frear antes de me transformar em patê.

Eu ou atravesso quando não há chance do cara me pegar, ou espero ele parar.

E, quando ele pára, eu também não consigo deixar de agradecer. Faço um thumbs up, um pequeno aceno ou meneio a cabeça. O motorista, claro, me olha como se eu fosse maluco. Ele não fez mais do que sua obrigação.

Mas eu sou do Rio. O maior prazer de um motorista carioca é poder atropelar um pedestre legalmente.

Pra mim, parar onde nem tem sinal pra deixar um pedestre atravessar é o cúmulo da gentileza.

Uma Coisa que Eu Faço e Eles Não se Acostumam

Eu seguro a porta. Sim, não é nada demais. Mas eles não estão acostumados.

Também é algo incontrolável. Vou entrar ou sair de um lugar público, tem alguém a menos de dois metros atrás de mim, eu seguro a porta pra pessoa.

A graça é o olhar surpreso do agraciado. Parece que é a última coisa que ele espera.

Freiam o carro pra qualquer um, mas não estão acostumados a segurar portas.

São loucos esses romanos.


Thursday, December 29, 2005

Cachorro de Sorte

Mais fotinhas da leitora Jezebel.

Jezebel and Dog 1 Jezebel and Dog 2
Jezebel and Dog 3 Jezebel and Dog 5

Quando sou eu, o Rafael surta. Quando é um filhotinho de yorkie, todo mundo vai achar lindo. Ê mundo injusto.

A Água me Persegue

Enchentes ameaçam norte da Califórnia, diz a manchete.

Sábado retrasado, choveu tanto que um dos quartos aqui da minha casa ficou totalmente inundado e ainda não secou completamente. E agora vem mais água.

Por Onde Você Já Passou?

Eu já andei por aqui:



23 países. Faça o seu mapa de países visitados.

E o Oliver, esse cachorro sem-vergonha, por aqui:



10 estados (Eu passei por 15). Faça o seu mapa de estados americanos visitados.

Retrospectiva 2005

Considero 2005 o melhor ano da minha vida. Como vocês são mesmo uns fofoqueiros, vou compartilhar meus motivos. Vale a pena lembrar que os melhores motivos são secretos. Infelizmente, as histórias mais interessantes são, por isso mesmo, as que eu não posso contar no blog.

Janeiro

2004 pra 2005 foi a primeira virada de ano que passei sozinho. Aparentemente, deu sorte.

Um post que faço sobre um ex-amante da minha mulher gera o primeiro e único estresse que tivemos. Mas depois resolve.

Passo o mês todo preparando meu application pra Tulane. Os fofoqueiros podem ler a microbiografia comentada que enviei pra eles.

Fevereiro

Sou aceito em Tulane, por unanimidade, em primeiro lugar.

A ex-esposa consegue um emprego dando aulas no Timor.

Durante minha entrevista pro blogólogo, forma-se um grupo de amigos apelidado de O Boteco. Amo todos eles.

Saio num primeiro date com uma moça muito simpática mas tudo acaba melando por causa da ex, mas não por culpa dela. Fico bastante puto.

No meio de uma semana estressante e depressiva, passo um dia em São Paulo simplesmente perfeito e maravilhoso ao lado de uma amiga que eu amo muito.

Março

A ex esposa embarca para o Timor no último dia do mês. É um mês dolorido, de muitas despedidas, de uma mulher que ainda amo muito. Não sei quando vamos nos ver de novo.

Festa de 2 anos de LLL, no Amarelinho. Foi uma delícia. Meu irmão, o Bia, veio lá de Americana só pra me ver - ainda não nos conhecíamos pessoalmente. O relato que ele fez de nossas aventuras já é um dos textos mais clássicos da internet brasileira.

Abril

Sem a ex no Brasil, minha vida amorosa começa a pegar no tranco. Uma linda amiga paulista que não conhecia o Rio vem passar o fim-de-semana comigo.

Finalmente, mudo meu nome: de Alexandre Cruz Almeida (sobrenome da ex que eu tinha adotado) para Alex Castro. A mudança é muito divulgada, sai até na Folha.

Maio

Passo dois dias memoráveis em São Paulo, para ir a um cliente e também para sair com uma mulher maravilhosa. A aventura foi imortalizada no post Periclitante Périplo Paulista que, infelizmente, teve que ser tirado do ar.

Começo a escrever meu romance policial.

Outra leitora maravilhosa, linda e inteligente, de fora da cidade, me dá a honra de vir ao Rio e passar o dia comigo.

Me apaixono pela primeira vez no ano.

Junho

Outra leitora linda, inteligente e malvada vem ao Rio e passamos juntos um dos melhores fins-de-semana da minha vida.

Faço outra viagem histórica. Primeiro, compareço a um encontro de blogueiros em São Paulo, e depois, passo a semana com o meu irmão, Biajoni, em Americana e adjacências. As histórias dessa viagem renderiam um livro. Tenho realmente que escrever sobre ela.

Uma leitora linda e simpática me pega na rodoviária e anda comigo por São Paulo inteira, até vermos o sol nascer juntos.

Me apaixono pela segunda vez no ano e finalmente supero a ex.

Julho

Último mês de Brasil. Muitos preparativos. Muitos encontros.

Me apaixono pela terceira vez.

Começam a ser publicadas as polêmicas Confissões Sexuais.

Agosto

O mês mais agitado, decisivo e interessante de toda a minha vida.

Começo agosto ainda na minha casa, com meu carro, meus móveis, meus livros, uma vida aparentemente normal.

Despedida do LLL no Amarelinho. Muitas fotos. Encontro com muita gente que eu amo. A lindíssima leitora Renata me deu o prazer de beijar seus pés.

Uma velha amiga e ex-amante de quem eu já tinha desistido de reconquistar decide voltar atrás na véspera da viagem.

Largo casa, carro, livros, tudo, e embarco com o Oliver pra Miami. Dirigimos mil milhas até Nova Orleans, onde começamos a nos preparar para os próximos cinco anos do programa de doutorado.

Os cinco anos não duram nem duas semanas. No dia 27 de agosto, sou obrigado a evacuar Nova Orleans por causa do Katrina e deixo o Oliver pra trás. A previsão da universidade era que, se o furacão não batesse, voltaríamos em dois dias. Caso o furacão atingisse Nola, a volta seria em quatro dias, na quarta, 31. Ninguém estava esperando o armagedon.

Na peregrinação que se seguiu, passei por Jackson, Mississipi, Detroit, Michigan, Chicago, Illinois, Jersey City, New Jersey, até chegar na casa de uma amiga maravilhosa, em Nova Iorque, que concordou em me hospedar.

Eu chorava o tempo todo e só pensava no Oliver, sozinho em casa, tendo que enfrentar o pior furacão de todos os tempos. Quanto pior ficava a situação, mais difícil seria de ir resgatá-lo eu mesmo.

Quando o mês acaba, estou sozinho e desesperado em NY, só com as roupas do corpo, pensando obssessivamente no meu cachorro querido e em como salvá-lo. E perdendo as esperanças.

Setembro

Tulane anuncia que só vai reabrir em 2006 e recomenda que os alunos tentem cursar o semestre em outras instituições. Minha irmã, que mora em Berkeley, insiste que eu vá pra lá tentar entrar nessa que é uma das melhores universidades do mundo.

Meus leitores me surpreendem com sua bondade e diligência. Centenas de pessoas se mobilizam pra salvar o Oliver. Sua foto é republicada em dezenas de sites. Ele torna-se um cachorro famoso.

Finalmente, no dia 5 de setembro, depois de passar 9 dias preso em casa, ele é resgatado por um fotógrafo sino-americano, levado de carro pra Washington e enviado para a Califórnia, de graça, pela Continental. Nosso reencontro foi delicioso.

A generosidade dos americanos também me surpreende. Sou muito bem recebido em Berkeley, aceito na universidade, hospedado por uma família, e ainda ganho comida, roupas, livros, tudo de graça.

Dou minha primeira aula nos Estados Unidos, falando da Escola Urbana.

Outubro

Um amigo de um amigo, que eu nem conheço, vai a minha casa de Nova Orleans e pega minhas coisas que o roommate estava ameaçando jogar fora. As coisas leves ele me manda pelo correio, as outras ficam guardadas com um vizinho. Acabou que não perdi nada com o furacão.

Tulane volta a me pagar.

Novembro

Volto a escrever as prisões.

Meu pai vem passar Thanksgiving comigo. A vida começa a se estabilizar.

Dezembro

Acaba o ano. As aulas recomeçam em Nova Orleans em 16 de janeiro de 2005. Tudo aqui esteve ótimo, mas é hora de levantar acampamento e ir refazer a vida em uma cidade destruída.

Não vai ser fácil, mas acho que vou ter histórias pra contar.

* * *

Em 2005, tive duas das minhas piores depressões: perder a ex de vez, em março, e perder o Oliver, em agosto. Mas passou, acabou. Lavou, está novo.

Também tive muitas alegrias com mulheres maravilhosas, que me reensinaram a amar, que fizeram eu me sentir sexy de novo. Hoje, sou um homem que ama e é amado.

Sei que vou sentir muita falta de 2005. Obrigado a quem esteve comigo nesses 12 meses caóticos e deliciosos.

* * *

Já classificaram esse post de egomaníaco. Eu concordo. Durante os primeiros anos desse blog, eu não falava nada pessoal, por achar que não iria interessar ninguém, até descobrir que é de fofoca que vocês gostam.

Na verdade, o post é egomaníaco pois acho que vocês é que são maníacos pelo meu ego.

Enfim, cliquem nos anúncios do Google, comprem umas joças no Submarino, e fica tudo bem.


Wednesday, December 28, 2005

Sartre e Beauvoir

Trecho da resenha de Tête-à-Tête: Simone de Beauvoir and Jean-Paul Sartre, de Hazel Rowley, livro recém-lançado sobre o casal de filosófos:

Sartre was a troll. He was five feet tall. Neither handsome nor dashing, nearly blind in one eye, and scornful of even the most basic conventions of bourgeois dental hygiene (mossy is a word that comes easily to mind). And yet he got girls like he was in the Beatles. As strange to the American mind as escargot is the French custom of beautiful young woman finding brilliant older men attractive merely for being brilliant?and then sleeping with them!

In October 1945 Sartre gave a lecture entitled "Is Existentialism a Humanism?" The answer was no, and the crowd went nuts. A Parisian newspaper described the scene: "A young woman with radiant blue eyes drinks in Sartre's every word. Another collapses in adoration before him: she has just fainted!" (...) Existentialism did not become a humanism, but it did become a way to get girls. If we are truly free and every moment is contingent, why not share your essence with my existence? Helping Sartre pull the strings of his desire was de Beauvoir. Rowley's book highlights various, and in some cases rather vile, machinations of the philosopher king and his philosopher queen with the young entourage at their feet. The tales of their amorous intrigues make disturbing and disappointing reading.
Dia 2 de janeiro, assim que a biblioteca reabrir, vou pegar esse livro pra ler.

Muitos Decidiram Não Evacuar

Charlotte Wightman lost her father and best friend to Katrina, and neither death had to happen. Ignoring pleas to leave, both chose to ride out the hurricane at home.

Wightman's father, Pat Turner, a retired federal housing administrator who weathered Hurricane Betsy four decades ago, died of a heart attack after floodwaters chased him into the attic of his home in eastern New Orleans. Her friend Darlene Saia drowned at her Meraux home as she fell into the storm surge while struggling to get her dog into a boat.

There was nothing particularly unusual in Turner and Saia's decisions to ignore mandatory evacuation orders that inspired more than 1 million people to flee the metro area.

"Nobody thought the levees were going to break or this was going to happen; we all thought we were going on a three-day vacation," said Wightman, 56, who fled to Mississippi with her husband. "There were a lot of people that just didn't want to go. They were just determined to stay in their house." (...)

The pet question

The pet question, while hard to quantify, seems important: Most out-of-town shelters didn't accept pets, and sheltering them through veterinarian clinics was costly or logistically difficult. Rescuers faced many instances of people refusing to part with an animal even at the risk of not being saved themselves.

As refugees were loaded on buses for evacuation from the Superdome, according to Associated Press reports, their pets weren't allowed on board. When a police officer took away a small boy's dog, he cried until he vomited, calling out, "Snowball, Snowball."

Houston officials acknowledged the strength of bonds many people have with their pets and opened Rita shelters to pets, according to University of New Orleans sociologist Shirley Laska, a key player in local evacuation planning. Louisiana authorities need to step up their work on that issue, she said.
Leia a matéria completa: Many made fatal choice to stay behind

A gente toma as decisões e, depois, nós é que temos que viver com elas.

Os Amores de Henry Miller

Tropico de Câncer HENRY MILLER

Grande parte dos seus sofrimentos veio das relaçôes tumultuadas, conflitantes e dantescas com as mulheres, mas em nenhum momento da sua vida ele desistiu da eterna busca da sua outra metade. Ninguém melhor do que o autor de Trópico de Câncer para se definir: "Minha obra é como eu sou: o homem confuso, temeràrio, exuberante, obsceno, turbulento, escrupuloso, inquieto, mentiroso. O homem diabolicamente sincero que eu sou." (...)

A um dos seus biografos, Jay Martin, ele diz : "Evidente que nunca disse toda a verdade e isto vale para os meus amores também. Vàrios amores nâo figuram dentro dos meus livros. Ninguém pode conhecer a verdade da minha història."
Leia Os Amores de Henry Miller, o autor mais liberal, libertário e libertino que já existiu. E, se for comprar algum livro dele, compre por aqui.

Último Erro de Inglês: Present Perfect

Talvez esse seja o pior erro. Mesmo brasileiros que falam inglês muito bem ou simplesmente nunca usam o present perfect, agem como se ele não existisse, ou usam de forma totalmente aleatória e quase sempre errada.

O present perfect não tem paralelo em português. Não tem como traduzir. O único jeito é tentar entender sua lógica.

Leiam devagar e com cuidado, pode ser difícil de entender pra quem nunca ouviu falar disso.

A Caneta que Shakespeare Perdeu

Eu pergunto aos meus alunos: como vocês traduziriam as seguintes frases: He lost his pen e He has lost his pen.

Invariavelmente, ele respondem: ele perdeu sua caneta e ele tinha perdido sua caneta.

Como assim "ele tinha perdido sua caneta"?, eu pergunto. O que isso quer dizer? Ninguém nunca consegue me explicar.

A triste verdade é que como o nosso idioma não tem equivalente ao present perfect, uma das traduções possíveis para he has lost his pen é, também, ele perdeu sua caneta.

Se quisermos ser mais fiéis ao sentido da frase, teríamos que mudar o eixo e dizer: sua caneta está perdida.

Pois o grande erro dos brasileiros é achar, contra todas as evidências, inclusive o próprio nome, que o present perfect é um tempo passado. Não é. É um tempo presente. O present perfect é usado para dar uma informação sobre o aqui e o agora, não sobre o passado.

He lost his pen, passado simples, quer dizer que essa pessoa perdeu sua caneta em um momento indeterminado do passado. Pode ter sido há meio segundo, pode ter sido Shakespeare perdendo sua anacrônica caneta no século XVI.

he has lost his pen quer dizer não só que ele perdeu sua caneta em algum ponto do passado (com uma conotação de passado bem recente) como também, mais importante, que essa ação passada se estende até o presente. Ou seja, não só ele perdeu a caneta recentemente como ainda não encontrou. Ela ainda está perdida. A informação que o present perfect dá é sempre sobre o presente: agora, nesse momento em que a frase foi pronunciada, a caneta está perdida.

Falar que Shakespeare has lost his pen soa esquisitíssimo, pois dá a entender que Shakespeare ainda está vivo e perdendo coisas.

Getúlio Vargas e Meu Pai Não-Jogando Videogames

Do mesmo modo, eu digo que

Getúlio Vargas never played videogames
.

My father has never played videogames.

A vida do Getúlio já acabou. O que ele não fez, ele não vai mais fazer.

Meu pai, enquanto isso, está vivo; pra ele, a questão está em aberto. Meu pai ainda não jogou videogames mas, quem sabe, amanhã pode jogar.

A ação do Getúlio não-jogar videogames está encerrada. Já a ação do meu pai não-jogar videogame se estende até o presente: meu pai está não-jogando videogames nesse exato segundo.

Se eu falasse my father never played videogames, um americano teria toda a razão do mundo de presumir que meu pai é falecido.

Encontrando com Minha Mãe de Manhã

Último exemplo. Pensem antes de continuar a ler. Quero que me digam que horas são nas duas frases abaixo:

I haven't seen my mother this morning.

I didn't see my mother this morning.

Pensou? Ah, vai, usem a cabeça. Depois dos dois exemplos acima, não deve ser difícil.

Pensou? Então vamos lá.

Na primeira frase, I haven't seen my mother this morning, ainda é de manhã e ainda não vi minha mãe essa manhã. Mas a manhã ainda está rolando. Posso esbarrar na minha mãe a qualquer minuto. Ou seja, estou falando, como sempre, do presente. (Daí o nome present perfect, lembram?) Minha ação de não-encontrar minha mãe essa manhã está acontecendo agora.

Na segunda frase, I didn't see my mother this morning, a manhã acabou. Já é tarde ou noite do mesmo dia. A manhã é um tempo passado, encerrado, que nunca voltará. Se não encontrei minha mãe naquela manhã, nunca mais vou encontrá-la naquela manhã. Kaput. Logo, uso o passado simples.

Digam que entenderam, por favor.

Últimas Dicas

Como vocês devem ter percebido, frases no present perfect via de regra incluem algum tipo de referência temporal a um período de tempo que ainda está rolando:

I haven't eaten today.

I haven't been to the beach this year.

Quando não tem nada, muitas vezes a conotação é ou de algo que acabou de acontecer ou de uma ação que se estende por toda a minha vida:

I haven't been to China.

I have lost my pen.

Por outro lado, e essa regra não tem exceções que me venham à cabeça agora, qualquer referência a um tempo passado e fechado nunca vai levar present perfect:

I didn't eat yesterday.

I didn't go to the beach last year.

O erro mais comum de brasileiros que usam o present perfect aleatoriamente é quebrar essa regra. Talvez por achar (já ouvi isso de várias pessoas) que o have indica um passado mais passado. Então, na cabeça deles, o negócio funciona assim:

I lost my pen yesterday.

I have lost my pen last year.

Poucas coisas poderiam ser mais erradas e mais esdrúxulas de ouvir quanto essa última frase.

Mas, deixa pra lá, eu já ensinei isso pra tanta, mas tanta gente, e ninguém aprende. (Esperem só que algum chato vai falar que fui eu que ensinei errado.)


Monday, December 26, 2005

Dois Pesos, Duas Medidas

Dois escritores estão atualmente esperando julgamento na Europa. O crime de ambos foi ousar ter uma opinião considerada ilegal.

Curiosamente, intelectuais e governos de toda a Europa estão dando apoio ilimitado a um deles, enquanto acham que o outro tem mais é que mofar na cadeia.

Nada mais hipócrita do que defender direito de expressão só pra quem concorda com a gente. Ou vale pra todos ou não.

Um disse que um genocídio não existiu, outro disse que existiu. Não sei nada sobre as opiniões do escritor turco que afirma que seu governo massacrou armênios na Primeira Guerra Mundial. Discordo da opinião do historiador inglês que diz que o holocausto não foi bem assim e está preso na Áustria.

Mas a questão é justamente essa: não faz diferença se concordo ou não com suas opiniões. Acho que eles têm o direito de tê-las.

Já é triste a Europa ter dois escritores presos por crime de opinião. Muito mais triste é a intelligentsia mundial defender um e não o outro.

Dizem que estão defendendo a liberdade de expressão, mas não estão. Já nem sabem mais o que isso quer dizer.

* * *

Leia esse excelente artigo: Free speech in Europe: it's all or nothing

So Turkey is put under pressure to call off Pamuk's trial to demonstrate that it is the modern European state it claims to be and is fit to join the EU, while Austria is congratulated for its tough stance on Holocaust denial which is taken as evidence that it has overcome its shadowy Nazi past as the birthplace of Hitler and is moving towards a new dawn. EU officials demand that Turkey let Pamuk speak if it wants to be taken seriously, while Austria is taken seriously by refusing to let certain people speak. (...)
Pamuk's case should be thrown out of court and he should be free to say or write what he wants. But if that happens and Irving remains in jail in Vienna then there isn't free speech in Europe; if Pamuk is free to ask questions about Armenia but Irving is not free to say the Holocaust was exaggerated, then free speech does not exist.

Pés de Uma Leitora Má: Jezebel

Jezebel FaceJezebel Evil Giantess A bela e malvada leitora Jezebel me mandou essas fotos dos seus lindos pezinhos. Ela disse que adoraria me encolher até eu ficar do tamanho de um ratinho e usar esses pés que eu tanto gosto pra me esmagar como uma uva. O ângulo dessas fotos seria a última coisa que você veria, ela disse. E você ainda iria gostar, né?

Eu tenho as melhores leitoras do mundo.

Todas as fotos.

Erros de Inglês: Pronúncia

N ou M

Em inglês, o m final é longo (um som que não existe em português) e o n final é curto (como o nosso m final). Por causa disso, palavras como them e then, Dan e dam, Tim e tin, etc, são pronunciadas de forma idêntica, gerando confusão.

Pronunciar Vogais

Português é uma língua vocálica. Os gaúchos ainda a pronunciam o mais próximo possível de uma língua consonantal mas a maioria dos brasileiros, especialmente os cariocas, enfia vogal em tudo. Enquanto os gaúchos pronunciam 10 como se escreve (o que, pelo menos comigo, causa um esticamento desagradável do pescoço), cariocas e muitos outros brasileiros falam deIz, e enfiam uma vogal ali pra facilitar a pronúncia. Mesma coisa com douze-doze, etc. Pena que não dá pra fazer isso com inglês.

Uma das coisas que mais me dói os ouvidos é quando os brasileiros invariavelmente pronunciam o e no ed. Por exemplo, parked é pronunciado como parkEd (às vezes, horror dos horrores, parkEdI) ao invés de park'd.

Vale a pena lembrar que o e antes do d nos verbos terminados em ed quase nunca é pronunciado. Então, não se fala playEd, mas play'd; cook'd e não cookEd, e assim por diante.

Também é muito importante não enfiar vogais no final de palavras terminadas em consoantes. Muito brasileiro simplesmente não aceita que uma palavra termine em consoante. Qualquer palavra que termine em consoante, ou que termine em vogal muda, eles insistem em enfiar uma vogal. Então, saem coisas como:

Pleasí, I wantí to cookí my fudí.

O pior da história é que tem trocentas palavras em inglês cuja única diferenciação é esse som de vogal ao final: rain e rainy, sun e sunny, etc. Então, se você enfia uma vogal no final de cada palavra, já mela tudo.

World, Girl

Admito que essa é difícil. Talvez seja a única realmente impossível pra quem já passou de certa idade. Eu me lembro que aprendi aos 15 anos, treinando muito. O segredo, pra mim, foi simples: começar a pronunciar um r e, no meio do caminho, antes de terminar o som do r, enfiar um l.

Na falta disso, a pronúncia padrão dessas palavras são os dolorosos de ouvir uóld e guél.

Disney, Money

Outra que quebra o coração dos meus alunos é descobrir que o nome do criador do Mickey não se pronuncia dísnêi mas dísni. O ey final tem som de i. Então, dinheiro se pronuncia máni e não mónei.

O resultado dos últimos dois erros é que a pronúncia típica brazuca pra Disneyworld é algo que tem tão pouco a ver com a pronúncia correta que acho que bem dá pra um americano não entender mesmo: dísneiuóldi. (E o brasileiro ignorante ainda vai acusá-lo de má vontade.)

Aliás, claro, o nome do personagem criado pelo dísni é míqui e não míquei.

Love, Money

Já que falei que dinheiro é máni e não mónei, vale a pena lembrar que muitos os têm som de a. O caso mais típico é o verbo love. Não tem brasileiro que não pronuncie como lóvi, sendo que a pronúncia certa é algo como lãv.

Na dúvida, basta pegar qualquer filme americano, colocar no mudo e observar os lábios. Quando o personagem diz I love you, seus lábios sempre fazem o som do a.

Colocar um Rato na Cabeça

Brasileiro confunde muito o som do h e do r iniciais. Palavras como hat e rat, head e red acabam sendo pronunciadas iguais. O gênero musical rock, por exemplo, é sempre pronunciado como se começasse com h, fica estranhíssimo.

Eu sempre digo que, se não prestarem atenção, vão acabar colocando um rato na cabeça, achando que é um chapéu.

Palavras Inglesas

Várias palavras inglesas ou internacionais são usadas em português com a grafia internacional mas com pronúncia aportuguesada. Nada poderia ser mais enganador do que isso. Os brasileiros pegam uma palavra como hamburger, por exemplo, e quando vão falar inglês, a pronunciam à brasileira, gerando trocentas incompreensões.

Plízí, gívi mi a hãbúrguer.

Naturalmente, independente da vogal forte no final de please e give e mais ainda da grosseria do pedido, a pronúncia certa do sanduíche é rénburger.

Espera até descobrirem como se pronuncia waffle. Eles não acreditam quando eu conto.

Terminando

Eu diria que os dois erros principais são querer pronunciar a palavra como se lê e enfiar vogal em tudo quanto é canto.

Nomes de Jornal

Vocês já repararam que enquanto os jornais do Rio têm nomes abrangentes e globalizantes (Jornal do Brasil, O Globo, O Dia), os jornais de São Paulo têm nomes restritivos e provincianos (Folha de SP, Estado de SP, Diário de SP)?

Bibliotecas vs Tio Sam

Sim, a história do rapaz que pegou o livro vermelho do Mao em uma biblioteca e foi visitado pelo FBI era mentira. Mas o pano de fundo da história não.

Antes que a direita venha comemorar a desmoralização do caso, vamos lembrar o seguinte: o Patriot Act dá sim ao governo americano o direito de exigir que bibliotecas por todo o país divulguem os empréstimos seja de livros ou de usuários específicos. Os bibliotecários são legalmente proibidos de comentar o assunto ou revelar quais são os usuários ou livros sob observação.

Jessamyn West é bibliotecária em Vermont e está fighting the good fight contra o Patriot Act, como mostrado nesse excelente artigo da Wired, Don't Mess with Librarians. Seu blog Librarian.net acompanhou detalhadamente a história do hoax do Red Book e é a melhor fonte de informações sobre o assunto.

Além disso, ela também mantém o delicioso Naked Librarians, só de fotos de bibliotecárias nuas. Eu não sei vocês, mas eu sempre tive um tesão incubado por bibliotecárias - e não é por causa daquela boboba boazinha da BatGirl. Pode ter coisa mais sexy do que uma bela mulher que dedique sua vida a cuidar de livros? Uma das minhas amigas e leitoras mais lindas, atraentes, interessantes, instigantes, inteligentes e céticas (além de ter deliciosos pés que ela me deixa beijar) é bibliotecária e, naturalmente, só faz alimentar o meu fetiche, a safada. (Saudade sua, viu? E obrigado por me ajudar a salvar meus livros!)

Ai ai, estão vendo? Eu começo a falar de mulher e já saio do assunto. Mulher é tão mais interessante do que qualquer outra coisa. Enfim.

A história do Red Book pode até ser falsa, mas ela só foi tão verossível porque o Patriot Act de fato permite esse tipo de vigilância.

Natal em Berkeley

Hoje fez um dia deliciosamente quente e ensolarado. Andei até o cinema e voltei, só de camiseta. No caminho, encontrei um amigo escritor e sentamos na grama, sob o sol, pra comer a melhor pizza do mundo. Só aqui fui dar real valor ao sol. Não tem nada melhor que o sol.

Eu amo e sou amado, meu cachorro está aqui comigo e ainda sou amigo da minha ex-mulher. Todo dia, mais de dez mil pessoas lêem o que escrevo na internet. Minha vida é ótima. Sou muito feliz.

Obrigado a quem me ama, por me ajudar a entender que a vida não precisa ser solitária como sempre achei que fosse. Obrigado a quem me odeia por dar tanta importância a mim em suas vidas e por evitar que os elogios de quem me ama subam à minha cabeça.

Desejo aos meus leitores e amigos a única coisa que realmente se pode desejar ao outro (porque o resto ou se tem ou não se tem): muita, muita sorte pra vocês.

Tentem ser felizes. É mais fácil do que parece.


Sunday, December 25, 2005

Bom Astral

Estava hoje no MSN tentando ajudar um amigo passando por dilemas existenciais amorosos e, como sempre, eu bato na tecla (não tenho outra) de que temos que tentar buscar nossa felicidade. No fim da conversa, meu amigo disse:

engraçado, geralmente os caras inteligentes q nem vc viram uns cinicos niilistas babacas, vc por milagre conseguiu manter um bom "astral".
Eu respondi que a vida simplesmente não vale a pena ser vivida se você for um cínico reclamão niilista. E me lembrei de um comentário que fizeram a esse post:
Não acho que o objetivo da vida seja apenas ter prazer ou mesmo ser feliz. As pessoas que conheço que colocam o prazer acima de todas as coisas costumam ser as mais imbecis e limitadas. Tantas vezes já me senti feliz, agradecido aos céus, por coisas que ao final não eram nem ao menos reais. Nada pior do que a ironia de si mesmo. O objetivo da vida para mim é aumentar a compreensão que tenho da vida, do mundo, das pessoas, de mim mesmo. Se puder ser com prazer, ótimo. Se for para ser com dor e sofrimento, prefiro isso ao sorriso congelado e oco dos hedonistas.
Vejam bem: eu não conheço a pessoa que comentou isso, não sei nem quem é, não me importo, não estou escrevendo o post para atacá-lo.

Mas esse comentário pra mim foi importantíssimo: ele simboliza um perigo real e grave que pode afetar qualquer homem inteligente. Ocasionalmente, eu me deixo cair nesse estado de espírito. Queria poder imprimir e emoldurar esse comentário, pra poder olhar pra ele nas horas difíceis e não fraquejar.

A compreensão é muito importante como guia para a ação mas, muitas vezes, a tentação é forte, e a compreensão torna-se um substituto para a ação. O indíviduo compreende para não ter que agir. Sai do palco. Entrega a luta. Vira Hamlet.

A realidade é uma prisão. Um momento feliz meu é mais importante pra mim que toda a realidade do universo. E daí se o que causou a felicidade não foi real? A felicidade foi real. Isso é que importa.

Meu objetivo é ser feliz e ter prazer. Pra isso, é necessário compreender o mundo, funcionar em sociedade, mil outras coisas. Eu ganho a vida "compreendendo" literatura, por exemplo.

Mas sei bem quais são minhas prioridades.

Os Valores da Família e o Cristianismo

Nesse dia de natal, em que cristãos do mundo todo batem a mão no peito pra falar dos valores da família, vale a pena lembrar que ninguém era mais anti-família do que o fundador do Cristianismo:

Não pensem que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em oposição o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. (Mt 10, 34-37) Se alguém vier a mim, e não odeia seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lc 14, 26)
Eu gosto da Bíblia porque ela é tão grande e tão rica e tão contraditória que ela prova qualquer coisa.

Feliz Natal, ho ho ho! E sejam tão carinhosos com suas mães quanto Jesus era com a dele:
E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu com isso? Ainda não é chegada a minha hora. (Jo 2, 3-4)

Bach na BBC

Novo vício. A BBC está transmitindo toda a obra de Bach - e tem pela internet!

Tubarão Branco Ataca Surfista no Oregon

E a grande dúvida é: o que faz alguém surfando no Oregon no dia 24 de dezembro? Vocês fazem idéia de como o Oregon é frio?

Nova Orleans Tomada por Melancias Selvagens

Fenômeno natural inexplicável. Na rabeira do Katrina, a cidade de Nova Orleans está repleta de... melancias! Melancias selvagens e fora de época estão nascendo por todos os lados, nos gramados, entre os destroços, nos parques abandonados. Ninguém sabe o porquê.

A verdade é que o mundo é um lugar do cacete. Life finds a way.

Mais uma Excrescência do Natal

Spam natalino de scrap no orkut. Putz, que coisa escrota.

Dicas para Mentirosos

A história do rapaz que foi visitado pelo FBI por ter pego o livro vermelho do Mao em uma biblioteca americana era falsa. Tudo inventado.

A graça é que a história original era tão simples que a mentira poderia jamais ter sido descoberta. O rapaz se ferrou quando começou a ficar nervoso e inventar detalhes, um mais verificável que o outro. Aí danou-se.

Aprendam, meus aprendizes de mentirosos. Uma boa mentira é curta, direta, simples e com detalhes não verificáveis. Quando pedirem mais detalhes, você não tem. Só sabe aquilo, foi só aquilo que aconteceu. Depois que a mentira saiu da sua boca, agarre-se a ela com unhas e dentes. Afunde com ela, se for preciso. Não mude. Não melhore. Não adicione.

E nunca, nunca confesse. Se confessar, acabou a dúvida. Mas enquanto afirmar veementemente sua inocência, mesmo que tenha sido flagrado girando a faca no corpo da vítima, sempre vai haver pelo menos uma velhinha pra acreditar em você: ahh, coitadinho, mas ele está falando com tanta convicção...

Blogs

Estou de saco cheio de blogs. Apaguei quase todos os blogs do meu blogroll. Realmente, não entendo porque alguém vai a um blog pra discordar e descobri que discordo de todo mundo. Então tá.

'X-mass greetingz'

Votos Natalinos

Nesse natal, eu queria mesmo era beijar os pés da Renata de novo. Ho, ho, ho.

Renata 14 Renata 13 Renata 15 Renata 3

De Rótulos e Definições (Confissões Sexuais, 32)

Uma das perguntas mais estranhas que podem me fazer é se eu fiquei ou transei com uma mulher. Homem adora perguntar isso. E aí, ficou com a Fulana? Transou com a Beltrana? Como responder uma coisa dessas?! Não é nem pelo quesito privacidade, mas pela própria indefinição dos critérios.

Se eu lambi entre seus dedos dos pés enquanto ela se masturbava, mas nunca nos beijamos, isso é uma ficada? Se eu chupei sua buceta, beijei seus pés e lambi seus mamilos, mas não a penetrei, isso é sexo? Um boquete, pura e simples, é uma ficada, uma transada, ou nenhuma das opções acima? Passar a noite inteira dedando ela por debaixo da mesa constitui uma ficada?

Sempre que tento fazer uma lista das mulheres com quem transei ou fiquei, eu esbarro nesse tipo de problema. Já desisti. Hoje, listo apenas as mulheres que amei, que incluem desde a minha melhor amiga até a minha ex-esposa, passando pela minha irmã.

Eu vou dizer o seguinte: beijo e penetração são maravilhosos, mas eles têm um problema. Eles definem. Eu odeio definição. Definir é matar, sugerir é criar. Se beijou, você sabe que foi ficada. Se penetrou, você sabe que foi sexo. Mas as áreas cinza em volta talvez sejam ainda mais interessantes.

Tem meninas com quem eu só converso, outras. eu beijo; algumas eu massageio os pés, outras, eu chupo os dedinhos; em algumas, eu penetro, em outras, eu faço tudo, menos penetrar. Nunca se sabe. Cada relação tem seu ritmo e segue um curso diferente. Tento não rotular. Meu único rótulo foi esposa, porque esse não teve jeito. Mas não classifico ninguém de namorada, amante ou coisa que o valha. São todas mulheres que eu amo.

(O pior é quando eu saio com uma menina linda, sexy e sem-vergonha e, semanas depois, ela reclama: poxa, você passou o dia todo comigo e nem beijou meus pés! Ou seja, fiquei typecast!)

Gosto especialmente de quando eu beijo, lambo e chupo os pés de uma mulher. É algo que eu faço para me dar prazer e também é um modo de dar muito prazer a ela. Uma ou outra mulher demonstra pouca sensibilidade, a maioria sente enorme prazer, muitas não resistem a se masturbar, algumas gozam só assim. E eu adoro sempre.

Mas o melhor é a indefinição. Afinal, o que foi isso? O que acabou de acontecer? Foi algo sexual? Sim, claramente foi sexual, mas o quanto? Foi uma ficada? Foi sexo? Se ela tiver saindo com alguém, foi traição? E qual é nossa relação agora? Sou alguma coisa dele, ele é alguma coisa minha? Pra onde vamos? Como ficamos?

Sexo é prazer, só isso.

Erros de Inglês: Usando Roupas

Além do terrível I'm with with a white t-shirt, os brazucas também adoram falar I'm using a white t-shirt.

Sempre que meus alunelhos diziam isso, eu perguntava: for what?

Eles nunca entendiam e eu perguntava de novo: you are using your white t-shirt for what?

Depois, eu explicava: yesterday, I used an old t-shirt to wipe the floor. When I helped a hit-and-run victim, I used my t-shirt to bandage his head and stop the bleeding. That's how you use a t-shirt!

Difícil de enfiar na cabeça dos brazucas que, em inglês, qualquer coisa que você coloque no corpo você está wearing, inclusive smiles, frowns, perfumes, watches, hats, jewelry, etc.


Saturday, December 24, 2005

Veterinária é sequestrada e agredida por dona de coelho insatisfeita com atendimento

Será essa, na reta final, a história mais esdrúxula de 2005?


Friday, December 23, 2005

Outros Erros Típicos de Quem Fala Inglês Bem

Acho que isso vai virar uma série. Estou cheio de erros na cabeça. Sempre lembrando que, em primeiro lugar, a casa desrecomenda correções públicas de amigos e parentes. Nada mais irritante e inconveniente. Em segundo, eu estou apenas escrevendo isso pois, como dei aula de inglês muitos anos, meu trabalho era justamente corrigir os alunelhos.

Por fim, a série é pra mostrar erros de quem fala inglês razoavelmente bem. Apontar erro de iniciante é covardia.

I'm With a Problem, diz o professor de inglês, desesperado

Essa é mortal.

Alguém pergunta: com quem está minha caneta?, e o brasileiro responde: I'm with your pen. Depois, se tiver que faltar a aula, ele vai se justificar: sorry, I was with a problem, my wife was with a fever, sabe como é. Ou, então, descrevendo seu vestuário, ele diz: I'm with a white t-shirt.

O problema é que a expressão "estar com" é tão comum em português que sempre acaba escapando um imperdoável "is with" em inglês.

Eu tento pedir pros meus alunelhos limarem essa construção de suas cabeças. Ela quase nunca é válida em inglês. Na dúvida, melhor não usar.

Na verdade, o único uso relativamente comum dessa expressão em inglês que eu posso pensar é pra dizer que você estava com alguém. Where were you, Marylou? I was with Paul, we went to the party.

O problema não é só dos brasileiros, claro. Eu também dava aulas de português e meus gringos cometiam os mesmos erros - ao reverso.

Eu perguntava: cadê minha caneta?, e o aluno respondia: eu tenho sua caneta.

Nada disso. Quem tem minha caneta sou eu. Você só está com ela.

E, assim, uma pequena variação de palavra revela uma profunda diferença da noção de posse entre falantes de inglês e de português.

Difíceis Decisões

No Brasil, o dilema era oposto. Por que pagar R$16 pra ver um filme, ter duas horas de entretenimento e acabou, se pelos mesmos R$16 eu posso comprar um livro, que vai me entreter por mais de duas horas e durar pra sempre?

Agora, eu penso que é melhor pagar $7 por um filme que não vai gerar peso nenhum do que comprar um livro que eu depois vou ter que carregar nas costas.

Pra todos os fins e efeitos, sou agora como um daqueles nômades africanos. Tenho que me manter leve a todo custo. Estou sempre em movimento.

Antes de comprar qualquer coisa, não basta calcular o preço do objeto: também tenho que calcular o custo de levá-lo comigo pra Nova Orleans, daqui a três semanas, e o custo de deixá-lo em storage, em maio, quando eu for pro Brasil.

A grande verdade é a seguinte: a meia dúzia de sebos de Berkeley, mais a biblioteca da universidade, possuem todos os livros possíveis que eu posso querer na vida. A pior coisa de ir em sebos aqui é que você descobre todos os livros que passou a vida toda procurando. Aí, na hora de comprar, você lembra dos custos acima e não compra. Com o coração pesado, mas não compra.

Então, em um mercado assim, ainda mais tendo à disposição uma biblioteca excelente e sebos fartos, não preciso mesmo carregar meus livros nas costas. Um livro que eu comprei aqui, li e gostei, vale mais a pena revender pro sebo e, mais tarde, se eu quiser ou precisar dele de novo, eu ou pego na biblioteca de Tulane ou compro no sebo mais próximo.

Em outras palavras, é mais barato eu recomprar os livros que eu for precisar de novo do que carregar todos nas costas. Triste verdade.

Já separei aqui 21 livros que vou revender, quase todos ali da lista de leituras. Coisa boa, da qual eu normalmente não me separaria. Teoria literária, Bakhtin, Watt, McKeon, Graciliano, Saer, Martin Fierro, Estação Carandiru, Simenon, Ian Fleming, Woolf, Perez-Reverte, Tomás Rivera, Rulfo.

Dá uma dorzinha no coração.

Funk Filosófico

Pra quem diz que não gosta de funk porque as letras são idiotas.

They Do It With Mirrors: Notícias Borgeanas

Enquanto alguns cientistas comprovavam que, a essa altura do campeonato, seres humanos ainda não conseguem entender direito como funcionam espelhos, outros conseguiram criar o primeiro robô consciente, que consegue até reconhecer seu reflexo... em um espelho.

Esperem cinqüenta anos pra ver quem será a espécie dominante do planeta. Eu não sei vocês, mas eu vou me vender pros nossos senhores-robôs já na primeira defecção em massa.

Anon

Desde que comecei o meu outro blog de fotos de belas mulheres, eu já visitei muitos sites de fotos sensuais caseiras. E o melhor, disparado, é do dessa americana, 35, casada, que assina Anon.

Não só ela é linda e tem um corpo perfeito, como os ângulos que seu marido inventa são sensacionais. Vale muito a pena a visita. As melhores fotos só estão disponíveis para amigos, você tem que ser usuário cadastrado do Flickr e pedir autorização pra ela, mas vale muito a pena. De qualquer modo, já dá pra se esbaldar só com as fotos públicas.

Você vai me agradecer depois.

Confeitaria Colombo

On the Disposal of Dictators

Já tem gente pensando no que fazer com o corpo do Saddam depois que ele for executado. Ao longo da história, corpos de ex-chefes de estado sempre causaram problemas.

Meu Segundo Museu Favorito

O Pior É que Bate Saudade das Piores Merdas

Celulares

Eu devo ser mesmo um bicho muito estranho. Sou sempre o contrário de todo mundo.

Por exemplo, estou vivendo sem celular há quatro meses e confesso que só senti falta mesmo uma vez: quando fui sair com a americana que, primeiro, duvidou que eu não tinha celular e, depois, me deu um bolo e disse que se eu tivesse celular, teria me avisado a tempo.

Mas, se eu consigo viver a minha vida sem celular, acho que não suportaria se as outras pessoas não tivessem celular.

Todo mundo reclama disso, o que não faz sentido, porque todo mundo faz isso, mas deixa então eu ser o primeiro a admitir: eu a-d-o-r-o ficar ouvindo as conversas dos outros no celular.

Não preciso nem mais levar livros no ônibus ou no metrô, porque tem sempre alguém despejando suas entranhas pelo telefone, sem vergonha, sem embaraço, como se estivesse na privacidade da sua casa. Nada poderia ser mais delicioso que isso para um escritor, pseudojornalista e, vá lá, fofoqueiro como eu. Há cinco anos, isso simplesmente não existia, e agora está por todo lado. Não saberia mais viver sem isso.

E as pessoas que reclamam (ou seja, todas) são um bando de cínicas, sinceramente.

Só tem um problema. Já aconteceu comigo duas vezes. É uma daquelas famosas fronteiras que jamais deveria ser cruzada.

Estou falando com o cara e escuto, ao fundo, uma porta abrindo e fechando, um thump acrílico e, de repente, ploft, uma pedra na água, plect, outra.

Hãã, fulano, onde você está?

No banheiro, por quê?

Iergh!


Thursday, December 22, 2005

Meus Projetos para 2005 - Balanço

No final do ano passado, eu fiz uma lista de projetos para 2005. A lista original está aqui. Vejamos se consegui alcançar alguma coisa:

  • Ser aceito no mestrado e ir morar em New Orleans em setembro.

  • Aceito eu fui, me mudei em agosto e, antes de setembro começar, eu já tinha fugido da cidade com a roupa do corpo e estava em NY morrendo de preocupação pelo Oliver. Quer fazer deus rir, diz o provérbio? Conte-lhe seus planos.

  • Terminar o livro das prisões antes disso, porque depois minha vida vai virar de cabeça pra baixo.

  • Quase. Só falta um capítulo.

  • Fechar pelo menos três trabalhos de consultoria no primeiro semestre, pra fazer um pé de meia digno.

  • Só fechei dois e tive um primeiro semestre totalmente apertado de grana.

  • Desenferrujar o meu espanhol escrito e falado, senão não vou poder acompanhar as aulas do mestrado.

  • Ha, ha. Meu espanhol é uma piada e estou descobrindo que vou precisar dele mais do que pensava.

  • Descobrir como fazer pra levar o Oliver pros EUA, senão vou ficar banzo de tanta solidão em um lugar onde não conheço ninguém.

  • Levei o Oliver e dirigi mil milhas por causa dele, acabei tendo que deixá-lo pra trás durante a evacuação de Nova Orleans, ele foi resgatado por um fotógrafo chinês, levado pra Washington, e depois enviado pra Califórnia, e está agora deitado na cama, me olhando, e eu sou muito, muito grato.

  • Concluir meu processo de separação, reciclar o coração e me preparar pra me apaixonar de novo por um gringa gostosa - mas só em 2006, porque em 2005 não vou ter cabeça pra essas coisas.

  • Sim, concluí meu processo de separação, embora não legalmente. A ex foi pro Timor e meu coração carente conseguiu se apaixonar três vezes em 2005.

  • Recuperar o contato com os amigos do qual me afastei progressivamente durante o casamento.

  • Não recuperei o contato com ninguém do mundo real, mas o aniversário do LLL, em março, o encontro de blogueiros em SP em junho, e a despedida do LLL, em agosto, me trouxeram muitos grandes amigos na blogosfera.

  • Fazer com que esse blog me renda pelo menos R$200 por mês, para diminuir o meu prejuízo.

  • R$200 por mês não foi, mas deu pra tirar uma média de R$100, o que não é de todo mau.

  • Encontrar algum editor que ache que vale a pena publicar um romance baixado mais de 10 mil vezes e escrito por um cara que é lido por milhares de pessoas por dia. Será pedir muito?

  • Ainda não. Pelo menos, consegui fechar com uma agente que está correndo atrás no Brasil. O livro foi recusado pela Rocco e está sendo analisado pela Planeta, José Olympio, Bertrand-Record e Nova Fronteira.

    No geral, eu tenho que dizer que 2005 provavelmente foi o melhor ano da minha vida.

    Três Erros Comuns de Brasileiros Fluentes em Inglês

    Ando convivendo bastante com brasileiros que moram aqui e falam inglês muito bem. Eu faço questão de nunca corrigir ninguém mas reparei três coisinhas que mesmo os mais fluentes continuam errando.

    As Regras do Português Não Valem pro Inglês

    Todo mundo sabe disso, mas na hora de falar e escrever sai errado. Escrevem coNfort ao invés de coMfort, separam sílabas à la brasileira (obsses-sion) e, o mais comum, pronunciam o S sozinho como se fosse Z. Ou seja, pronunciam closer como clouZer ao invés de clouÇer.

    Pedidos Grosseiros

    Essa eu já perdi a conta de quantas vezes ouvi coisas assim. Já falei sobre isso aqui no blog. Meus aluninhos no Brasil erravam sempre, mas até o povo fluente daqui faz muito.

    Give me a coke, please. I want a hamburguer, please.

    Cara, os americanos ficam putos. E os brazucas nem percebem.

    Números por Extenso

    Falar bem uma língua depende só de ouvir os nativos com atenção e imitá-los.

    Por exemplo, como um americano típico leria os números 1.200, 3.500, 4.100?

    Um brasileiro falando inglês diria one thousand two hundred, three thousand five hundred, four thousand one hundred.

    Está errado? Errado não está, mas soa estranhíssimo pros ouvidos americanos. Eles nunca falariam assim.

    Se ouvissem mais, saberiam que os nativos diriam twelve hundred, thirty five hundred, forty one hundred.

    Do Papel Social da Punheta Enquanto Impedidora de Fazer Merda

    Sempre alguém me diz que está louco de tesão e pronto pra fuder sua própria vida, eu recomendo: bate uma punheta. Enfia um consolo nessa boceta. Ordenha essa jeba. Relaxa.

    Um dia a humanidade ainda vai reconhecer as sangrentas tragédias que foram evitadas só porque alguém bateu uma punhetinha rápida e saiu dessa onda de fazer besteira.

    Ah, punheta, essa incompreendida

    Triste Estado da Civilização

    Respondendo ao meu post sobre cinema, o Thiago, do A Box Full of Nothing, também escreveu sobre a sétima arte. O triste da história é que, ao final, ele acrescenta:

    Eu não sou dono da verdade. Por favor, leiam isso: eu não sou o dono da verdade.
    Somente por ter dado sua opinião, o Thiago se sentiu obrigado a avisar, nesse tom desesperado, que não é o dono da verdade - como se as pessoas fossem realmente achar que ele se pensa o dono da verdade só porque deu sua opinião.

    O que comprova o estado podre da nossa cultura é que ele está certíssimo.

    * * *

    Eu tinha uma amiga que, sempre que eu emitia uma opinião enfática, virava pra mim fazendo a maior cara de desagrado do mundo e dizia, em tom de crítica: essa é sua opinião, né?

    E eu respondia na hora: não, essa foi a opinião daquele careca que vai passando ali. Agora eu vou dar a sua opinião. A minha mesmo eu vou dar no final, pra causar mais impacto...

    Qual Foi o Crime?

    Homem é preso por distribuir dinheiro na rua

    EPTV

    SÃO PAULO - Um homem, de 51 anos, foi preso na tarde desta segunda-feira em São Lourenço, interior do estado, porque estava distribuindo dinheiro às pessoas que passavam por uma avenida. A polícia abordou o homem, que se identificou como Fernando Zago, e com ele encontrou uma mochila com R$ 41.280,00. Na mochila havia também uma chave de fenda, cadeados e um par de luvas. O homem disse que encontrou o dinheiro em uma rua de São José dos Campos.

    Minha Amada



    O verão começa hoje, às 16:35h, horário de Brasília, o primeiro verão do Rio do qual não vou ver nem um só dia. Gosto muito de tudo aqui, mas qualquer lugar que não seja o Rio já começa errado.

    Belas Fotos, Belas Mulheres

    Criei um blog especial só para as lindas mulheres que encontro no Flickr. Algumas fotos são eróticas mas nenhuma pornográfica; a maioria, nem isso. Só belas mulheres, fotografadas com classe e arte.



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    Gatas do Flickr


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