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Sunday, October 16, 2005
Elogio ao Capitalismo(novos posts estarão abaixo desse) One effect of the vulgar belief that the seventeenth-century distrust of figurative expression is a strictly "Puritan" phenomenon is to conceal the hostility to human creation that lies at the heart of empirical-capitalist thought itself. (...) Once ideas can be owned, their value lies in disowning them by making them public - not only in the economic sense of the creation of surplus value, but also in the sense that the very meaning of conceptual ownership depends upon the knowledge of others of your ownership, upon their capacity to know your ideas without also being able to extract material profit from them. Thus capitalism learns to embrace creativity by discovering its alienability.Reparem o non-sense. Pra começar, ele afirma que o capitalismo é hostil à criatividade humana mas o que diz em seguida parece desprovar isso. Afinal, se as idéias criativas têm valor e podem ser vendidas, isto é, inseridas no mercado, não haveria porque o capitalismo ser hostil a elas. Eu confesso que sempre achei que o capitalismo fosse tão só simpático como, em seu eterno desejo de expansão, dependente de novas idéias, novos produtos e novos mercados de consumo. Dizer que o capitalismo é contra a criatividade é como dizer que o mercado editorial é contra livros novos. Quem era simpático à criatividade então? Aristocracia? Feudalismo? Mercantilismo? Comunismo? Por fim, ele afirma, em tom de denúncia e como se fosse alguma grande novidade, que o capitalismo só dá valor à criatividade para aliená-la - e você pensa: que capitalismo malvado! Mau capitalismo, mau capitalismo! Ué, mas não é assim com qualquer mercadoria? You can't eat the cake and have it too. O parágrafo acima pode ser reescrito substituindo "idéias" por praticamente qualquer coisa que possa ser vendida. O meu café só passa a ter valor quando "faço ele público", "o coloco no mercado" e "o alieno." Enquanto o café estiver em meu depósito, em minha posse, o valor dele é apenas potencial. Eu somente posso realmente afirmar que meu café vale R$10 a saca quando alguém pagar R$10 pela saca. E aí o café deixa de ser meu e passa a ser de quem pagou por ele. Isso é pra ser uma coisa ruim? * * * Em outra aula, lendo romances cubanos do século XIX, faz-se um enorme esforço pra culpar o capitalismo pela escravidão, mas essa é até covardia: se não fosse a ganância dos capitalistas ingleses, é capaz do Brasil ter escravos até hoje. Querer, de algum modo, culpar o capitalismo pelo crime que ele mesmo extirpou é o cúmulo da acrobacia mental. * * * Mesmo já conhecendo a arrogância e o despeito dos humanos, confesso que fiquei chocado pelos comentários que ouvi durante o caso Daslu. Parece que a prosperidade dos outros é ofensa pessoal. E gastarem seu dinheiro como bem entendem, então, é declaração de guerra. Teve blogueiro se sentindo pessoalmente ultrajado pelas coleiras de cachorro cravejadas de diamante. Fiquei me lembrando de jantares que tive na casa de amigos classe média, vulgo pequeno-burgueses. Não se podia falar de nenhum preço à mesa. Eu, que sempre falei tudo o que me vinha a cabeça, me sentia castrado. Um exemplo: meu anfitrião dizia que tinha acabado de comprar um carro usado baratinho. E eu perguntava, uau, quanto foi? E ele colocava a mão sobre a minha, apontava com os olhos para a empregada e dizia: foi barato, bem barato. E depois, quando ela se afastava, ele sussurava: não é bom falar números na frente da empregada... Sejam sinceros. Quantas vezes vocês já não viram essa cena? Aparentemente, nossa burguesia acha que se a criadagem souber que eles gastam três vezes o seu salário em uma jaqueta de couro, eles podem fuzilar a família do Czar, queimar os engenhos ou convocar os Estados Gerais. Meus amigos pequeno-burgueses devem saber do que estão falando: afinal, eles têm medo que seus empregados façam com eles a mesma caça às bruxas o que eles fazem com os de-fato ricos, com os clientes da Daslu. Sinceramente, não sei quem é mais nojento: pessoas que não mencionam na frente dos empregados quanto pagaram por suas roupas ou pessoas que ficam revoltadas da Daslu vender uma coleira de cachorro cravejada de diamantes. É a mesma escória. * * * Eu já me conformei em não fazer nenhum amigo por aqui. Estávamos discutindo Lukacs no corredor e eu disse que não dava pra levar a sério um cara que estava perdido na vida até que conheceu Lênin e pensou: yes, that makes sense! E meu colega retrucou: ora, Lênin teve muitas boas idéias. E eu: claro que sim, aliás, um dia, sua mãe estava tentando pendurar um quadro, não tinha martelo e ele disse: por que a senhora não martela o prego com o salto do sapato, mamãe?, e ela disse: boa idéia, Vladimir Ilych! Tirando isso, todas suas outras idéias eram lixo. Ninguém riu. * * * Não tem um desses autores mal-ajambrados e mal-comidos que sou obrigado a ler que não dê verdadeiros ataques histéricos contra o capitalismo - desses de dar soquinhos no chão e chamar a mamãe. Por que tanta gente critica o pobre do capitalismo, meu deus? Eu pensaria que um cara que acabou com o feudalismo e com a escravidão, reinventou a democracia, estimulou as artes e gerou prosperidade ecônomica fora de escala seria um tiquinho mais popular. Só pode ser inveja e despeito. Não tenho outra explicação.
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EpitáfioAqui, nesse endereço, viveu e brincou o blog Liberal Libertário Libertino (4 de março de 2003 – 3 de fevereiro de 2008). Atualmente, o blog pode ser lido diariamente em interney.net/blogs/lll Visite também o site pessoal do autor: alexcastro.com.br
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Fevereiro 2008
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