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Minha Única Ida ao Puteiro (Confissões Sexuais, 4)
Só fui a puteiro uma única vez. Era despedida de solteiro de um amigo. Dessa vez, não sei porque, me chamaram. Nunca tinham me chamado pra nenhuma das outras. Talvez por presumir que eu não aceitaria. Presumiram certo. Não aceitei mesmo.
Mas a esposa me intimou a aceitar. Ela estava curiosíssima para saber com funcionava um puteiro. Exigiu relatório completo. Isso é que dá casar com mulher libertina.
Chegamos na Centaurus de Ipanema e fomos conduzidos a um vestuário, onde trocamos nossas roupas civis por roupões de banho e chinelos.
Acho que o orgulho dos machos não resistiria às mulheres simplesmente se oferecendo como mercadorias. Não, meus amigos, aqueles executivos branquelos e barrigudos faziam questão da ilusão.
Então, no andar de cima, em um ambiente que parecia uma boate com bar americano, homens de roupões de banho interagiam e flertavam com mulheres vestidas de puta. Eu me senti em um episódio de Além da Imaginação.
Se um dos objetivos do lugar era criar a ilusão da caçada, os roupões só faziam dar à cena uma aparência surreal, dantesca e insólita. Afinal, em uma noitada comum, os homens estão com suas roupas normais.
Além disso, e talvez seja só eu, mas acho o tirar-a-roupa parte integral de uma boa transa. O modo como você tira, a velocidade, a ordem das peças, tudo isso já dá o tom do que vai acontecer depois. Mas, provavelmente, a diferença entre eu e um homem que come putas é que ele não pensa nessas coisas.
O único bom motivo que posso pensar é evitar que as roupas adquiram manchas ou cheiros difíceis de explicar em casa.
O preço da admissão dava direito apenas a ficar perambulando ali pelo bar, flertando com as meninas. Para fazer qualquer outra coisa, era preciso levar a menina para um quarto, pagar por ela e pagar pelo quarto.
Éramos seis. Nosso plano era simples: depois que cada um tivesse escolhido a menina de sua preferência, iríamos todos para um quarto só.
Há algo estranho em estar em uma sala cheia de mulheres e saber que você pode comer quem quiser. É meio como ir ao super-mercado pela primeira vez depois de velho, já ganhando seu próprio dinheiro, e saber que pode comprar o que quiser, sem precisar pedir pra mãe, mesmo que seja Farinha Láctea com geléia de mocotó e Yakult..
É nessas horas também que definimos bem o nosso tipo físico ideal, que às vezes nem conhecíamos.
Fui o último a se decidir. Estavam todos só por minha conta. Enquanto meus amigos estavam acompanhados de mulheres que serviam de mera desculpa para enormes bundas e monstruosos peitos, eu escolhi Charlotte, loira, alta e magérrima, de ancas protuberantes e cabelos muito curtos, e pernas que simplesmente não acabavam mais.
Fomos para o quarto. Meus amigos se espalharam pelas camas, sofás e cadeiras. Eu fui com Charlotte para uma escadinha em um canto. Seria impossível eu transar assim com uma mulher que nem conhecia. Acho que meu pau nem ficou duro. Sexo era a última coisa que eu queria naquele momento. Sexo eu tinha em casa, com uma mulher muito mais interessante.
Enquanto eu chupava os pés de Charlotte e lambia o seu corpo todo (sim, eu tenho uma forte fixação oral), ela me contou a história da sua vida, seus sonhos, frustrações, desgostos. Ao mesmo tempo, eu roubava olhares para meus amigos. Nunca tinha estado com outros homens em um mesmo quarto. Aquilo pra mim era muito mais interessante do que comer a Charlotte.
A conta foi salgada: quase R$500 por cabeça.
Depois, enquanto vestíamos as roupas, eu comentei que tinha sido muito interessante, ainda bem que minha mulher tinha insistido pra eu vir.
O quêêêê?! (gritos desesperados e furiosos) Sua mulher sabe que você está aqui?!
Claro que sabe, ué. Eu conto tudo pra ela. Na verdade, só vim mesmo porque ela insistiu.
Quase fui linchado: você é louco! Essas coisas não se conta pra mulher nunca! Jamais! Hoje, ela até acha bonitinho, porque está apaixonada, mas depois vai jogar isso na sua cara pra sempre.
Ou pior, lembrou o outro, vai contar pras nossas mulheres!
Nunca mais fui convidado para nenhuma despedida de solteiro.