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Saturday, May 21, 2005

O Velho da Horta, de Gil Vicente

Auto da Índia; Auto Barca Inferno; Farsa I. Pereira GIL VICENTEAdoro Gil Vicente.

Acabei de ler O Velho da Horta, uma farsa de 1512, sobre um velho que encontra uma moça em uma horta e se apaixona incondicionalmente por ela. O diálogo é magistral e eu, um fã de mulheres malvadas, simplesmente adoro o modo como ela faz pouco do amor do velho:
Moça: Bom homem, estais às escuras! Não vos vedes como estais?

Velho: Vós me cegais com tristuras, mas vejo as desaventuras que me dais.

Moça: Não vedes que sois já morto e andais contra a natura?

Velho: Oh flor da mor formosura! Quem vos trouxe a este meu horto? Ai de mim! Porque, logo que vos vi, cegou minha alma, e a vida está tão fora de si que, partindo-vos daqui, é partida. Farsa de Inês Pereira GIL VICENTE

Moça: Já perto sois de morrer. Donde nasce esta sandice que, quanto mais na velhice, amais os velhos viver? E mais querida, quando estais mais de partida, é a vida que deixais?

Velho: Tanto sois mais homicida, que, quando amo mais a vida, ma tirais. (...)

Moça: Oh miolo de coelho mal assado! (...) Mas dizei, que me sentiste, remelado, meio cego?

Velho: Mas de todo, por mui namorado modo, me tendes, minha senhora, já cego de todo em todo.

Moça: Bem está, quando tal lodo se namora.


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