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Tuesday, February 15, 2005
25 Anos de Mad in Brazil: Uma Depoimento das Internas(texto escrito em 1999)Ninguém questiona que a revista Mad é parte integrante da cultura ocidental. Em 2002, a revista -- que já foi o gibi mais vendido do mundo -- comemora 50 anos. Todo mundo leu. Todo mundo conhece. As sátiras de filmes e seriados, as marginais do Aragonés, o Lado Irônico do Dave Berg, as dobradinhas do Al Jaffee, as piadas do Don Martin, as trapalhadas do Spy vs. Spy. A comemoração de 2002, porém, é mundial. Os fãs brasileiros vão fazer sua festa é em 1999. Em julho, a Mad in Brazil chega ao número 150, comemora 25 anos de vida e 15 em sua atual editora, a Record. Em uma nota mais pessoal, eu comemoro 5 anos de colaboração para a revista, escrevendo sob o pseudônimo Xandelon. E, se a cultura ocidental já incorporou Dave Berg e Aragonés, por exemplo, o leitor brasileiro também tem sua galeria de cartunistas inesquecíveis: quem não conhece Ota, Flávio, Ed, Pupuca, Tibúrcio, Xalberto e Marcelo Martinez, só para citar os mais visíveis? Ou o Fernando Miller, que é o meu preferido? Isso pra não falar, claro, nos discretos mas não menos importantes roteiristas, como o saudoso José Alberto e o meu amigo P.C. Barreto. O time artístico da Mad in Brazil não faria feio em lugar nenhum. A revista estreou em julho de 1974, publicada pela Vecchi e já editada por Otacílio D'Assunção Barros, o Ota. Aliás, por quase todo esse período, a Mad e o Ota nunca se separaram. Ele chegou até a ser demitido da revista, só que logo depois a Vecchi faliu, interrompendo a publicação da Mad no número 103, de janeiro de 1983. Provavelmente não houve relação causal entre a saída do Ota e a falência da editora mas, pelo sim pelo não, nunca mais tentaram separá-lo da revista. Quando a Record assumiu a Mad, em julho de 1984, colocou o Ota de volta como editor e ele não saiu mais de lá. Antes que o pessoal entenda errado, deixa eu explicar uma coisa. O que se deve comemorar não é a Mad estar sendo publicada no Brasil há 25 anos mas sim a Mad estar produzindo material nacional de alta qualidade e revelando grandes cartunistas brasileiros há 25 anos. O Batman é editado no Brasil há mais tempo que isso e cadê as histórias nacionais do Batman? Não tem. A parte nacional do Mad começou timidamente e hoje já é o carro-chefe da revista. O grosso das matérias vem dos Estados Unidos mas as matérias de capa, as que vendem revistas e chamam leitores, são quase sempre nacionais. Ano passado, por exemplo, todas as capas foram brasileiras, enfocando assuntos como a filha da Xuxa, o Ratinho e o programa do Gugu. Outras vezes, o assunto pode até ser importando, mas a capa é nacional: em 1997, diante da loucura das Spice Girls, a Mad in Brazil decidiu fazer seu próprio número dedicado ao grupo inglês -- a matéria, aliás, foi escrita por mim. Dois meses depois e muito para o nosso orgulho, pasmem!, lá estavam as Spice Girls na capa da Mad americana. Às vezes, a filial fica na vanguarda da matriz! A Mad in Brazil também tem seus personagens clássicos, como o Welberson, o leitor mais chato do mundo. Ele existe mesmo. Não só isso, tudo o que foi publicado sobre ele na revista é verdade: idade, profissão, cidade onde mora, tudo. Quando o Ota me enche muito o saco, eu ameaço revelar o endereço dele pro Welberson! E adivinhem o quê? Funciona! Nada apavora mais o Ota do que a possibilidade de o Welberson descobrir onde ele mora! Isso, claro, já foi dito na revista várias vezes, mas ninguém acredita. Ou vocês sabiam que as cartas nunca são inventadas? A galera escreve mesmo aquelas abobrinhas todas! Talvez uma das coisas mais engraçadas sobre a Mad seja justamente isso: todas as confusões da redação foram fielmente retratadas pelo Ota nos editoriais e nas seções de cartas mas, claro, os leitores sempre acham que é invenção dele! Vou dar aqui um exemplo que aconteceu comigo, enquanto trabalhei de sub-editor, em 1996: O número 120, com capa dos Mamonas Assassinas e com uma matéria minha intitulada "Ascensão e Queda dos Mamonas", foi para a gráfica em uma sexta-feira. No domingo, o Ota me acorda gritando que os Mamonas tinham morrido num acidente de avião e a TV não falava de outra coisa. De início, ficamos com medo de que a revista fosse pegar mal. Coitados de nós, inocentes. Já na terça-feira, tudo quanto é revista sensacionalista tinha lançado edição especial dos Mamonas. Estávamos na crista da onda! Mas cadê a Mad? Isso mesmo: enquanto as bancas eram inundadas com encartes impressos nas coxas, a nossa revista, que estava pronta bem antes e poderia ter chegado às bancas em 24 horas, mofava na gráfica por problemas técnicos! Acabou que a Mad só saiu mais de uma semana depois e foi apenas mais uma revista entre tantas outras explorando a morte dos ídolos. E o pior era que a minha matéria sobre eles ainda previa o futuro e mapeava o que iria acontecer com o grupo mês a mês: dezembro de 1995, janeiro de 1996, etc. Então, no número seguinte, publicamos um "erratorial", em lugar do editorial, contando essa papagaiada toda, e eu escrevi uma errata da minha matéria, com os mesmos desenhos mas texto diferente, contando dessa vez não mais a trajetória do grupo mas a exploração de sua morte pela mídia. Resultado: vocês acham que algum leitor acreditou nas nossas explicações, no erratorial e etc? Como sempre, claro que não. Mas o importante é que se divertiram. Os Mamonas teriam aprovado. Eu sabia que se falasse da Mad ia acabar me alongando. Razões sentimentais. Tenho orgulho de fazer parte da história da Mad in Brazil assim como a Mad in Brazil, com certeza, tem orgulho em fazer parte da história da Mad Magazine, um dos gibis de maior sucesso de todos os tempos. Mas orgulho MESMO eu tenho é de fazer parte da equipe de uma senhora revista que não deve nada a ninguém. Ainda que sem os talentos de um Aragonés ou Dave Berg, os "mesmos idiotas de sempre" (apelido carinhoso dos colaboradores da Mad) do Brasil já garantiriam que essa fosse, por si só, a melhor publicação humorística do país. Pós-escrito No ano seguinte, 2000, a Mad foi cancelada pela Record e, poucos meses depois, retomada pela Mythos, sempre sob a tutela do Ota. Mas aí, infelizmente, os tempos eram outros e o orçamento também: o número de páginas nacionais caiu radicalmente e a revista passou a republicar matérias velhas. Continua hilária, claro, mas não é mais a mesma coisa. Minha última colaboração foi uma matéria sobre Harry Potter, no começo de 2000.
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EpitáfioAqui, nesse endereço, viveu e brincou o blog Liberal Libertário Libertino (4 de março de 2003 – 3 de fevereiro de 2008). Atualmente, o blog pode ser lido diariamente em interney.net/blogs/lll Visite também o site pessoal do autor: alexcastro.com.br
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