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Friday, December 31, 2004

Sugestão Oportunista de Leitura

 Krakatoa: o Dia em que o Mundo Explodiu SIMON WINCHESTER

LLL no Estadão

Como é que sou mencionado no Estadão de quarta, 29 de dezembro, e ninguém me avisa? Será que nenhum leitor desse blog lê o Estadão? Tive que descobrir pelo Google Alert!

Vejam o que escreveu Robson Pereira:
"MENDIGANDO LIVROS

"Se você dispõe dos meios, por favor, considere doar um ou dois livros para um pobre escritor falido que não recebe um tostão pelo que escreve." As aspas integram um manifesto sincero e bem-humorado divulgado no blog Liberal Libertário Libertino, mantido pelo escritor carioca Alexandre Cruz Almeida.

Para facilitar eventuais doações, Almeida criou uma lista de presentes no Submarino, onde discrimina os livros que gostaria de receber. Independentemente de doações, os textos escritos por ele estão disponíveis para download no próprio blog (www.sobresites.com/alexandrecruzalmeida/artigos/mendigando.htm) ou pelo e-mail cruzalmeida[guess what]sobresites.com."
Obrigado, Robson. Adorei.

Prisão Vergonha

Não sei se publico a Prisão Vergonha amanhã ou espero até segunda. Esse blog hoje deve ter só uns 1.500 pageviews, um dos dias mais fracos do ano, e amanhã deve ficar ainda pior. Não quero postar uma das coisas que mais me deu trabalho no dia em que ninguém vai ler. Fica pra segunda.

Saldão de CDs com 80% de Desconto

 Saldão de CDs com 80% de desconto!!

Flickr

Confesso que estou viciando em Flickr. Já coloquei zilhões de fotos, organizei em pastas, adicionei comentários, postei fotos aqui no blog via Flickr, o troço tem mil e uma utilidades. O Fotolog pode se considerar morto.

Feliz 2005!

Para todos, menos para Branca de Neve. São os sinceros votos da Rainha Má e deste que vos escreve. (Eu sei, eu sei, eu sou doente, mas esse desenho me leva à loucura!)

Os Pés da Madrasta Má / The Wicked Stepmother's Feet

Emails Incompreensíveis que Recebo

Acho que a intenção era boa, então agradeço:
"nao eseste aumoso mas eseste programas tipo o flogao eu nao quero que vc nao fique com raiva mas e so desendo que eseste xaos a i um feliz ano novo para vc "

O Mensageiro, de L.P.Hartley

  The Go-Between L. P. HartleyComentário do Márcio Hack ao post sobre Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto:
"O trecho do Lima Barreto que te lembrou do Sábato me lembrou de um parágrafo do romance "The Go-Between", de L. P. Hartley, sobre um homem que, ao se deparar o com o seu diário no qual narrara os acontecimentos infelizes que marcaram o verão dos seus 12 anos, passado na casa de um amigo rico, rememora o passado:

"My secret - the explanation of me - lay there. I take myself too seriously, of course. What does it matter to anyone what I was like, then or now? But every man is important to himself at one time or another; my problem had been to reduce the importance, and spread it out as thinly as I could over half a century. Thanks to my intermetent policy I had come to terms with life, I had make a working - working was the word - arrangement with it, on the one condition that Mensageiro, O L.P HARTLEY there should be no exhumation. Was it true, what I sometimes told myself, that my best energies had been given to the undertaker's art? If it was, what did it matter? Should I have acquitted myself better, with the knowledge I had now? I doubted it; knowledge may be power, but it is not resilience, or resourcefulness, or adaptability to life, still less is it instinctive sympathy with human nature; and those were qualities I possessed in 1900 in far greater measure than I possess them in 1952."
Márcio, muito obrigado pela contribuição. Eu nunca tinha ouvido falar nem desse escritor, nem desse livro, mas bastou esse trecho para me deixar muito interessado. O romance já está na minha Lista de Presentes, vou correr atrás dele.

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (Lima Barreto, 10)

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá LIMA BARRETOSome authors grow on you.

Eu nunca fui muito com a cara de Lima Barreto. Li Policarpo Quaresma na escola, achei chato, nunca mais pensei nele. Agora, com o lançamento de suas crônicas completas pela Agir, me bateu uma curiosidade e li um livro de crônicas dele que tinha aqui. Abriu meu apetite e acabei lendo também Clara dos Anjos, Recordações do Escrivão Isaías Caminha e alguns contos. Antes que eu percebesse, tinha escrito nove longos posts sobre ele e incluído dois de seus livros em minha Lista de Presentes.

O escritor Lima Barreto em foto tirada em 1919 no hospício Nacional; abaixo, sua ficha de internação achada nos arquivos do Instituto de Psiquiatria da UFRJA simpaticíssima leitora e mecenas Maryanne, de Cuiabá, leu meu romance, adorou e, de acordo com os novos Termos de Uso, achou que eu merecia um mimo.

Mandou para mim Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. Devorei no mesmo dia e, pronto, dou o braço a torcer. Realmente, Lima Barreto não é um figurante na Literatura Brasileira. O homem é bom mesmo.

Maryanne, muito, muito obrigado. Agora é esperar outro leitor rico me dar meu novo objeto de desejo: sua Prosa Seleta, da Nova Aguilar, que coloquei lá na Lista de Presentes.
 Lima Barreto: Prosa Seleta LIMA BARRETO
Mas vou esperar sentadinho.

* * *

Gonzaga de Sá é um romance que parece simples e curto, mas não é. Alfred Bosi considera-o a mais curiosa síntese de documentário e ideologia que conheceu o romance brasileiro.

O pretexto da história é simples: um funcionário de repartição pública decide escrever a biografia de um colega recém-falecido. A tal biografia nada mais é do que um veículo para longas caminhadas pelo Rio de Janeiro, nas quais são expostas os pensamentos, esperanças e, principalmente, desilusões de Gonzaga de Sá.

Lima Barreto é o poeta do fracasso. Em suas mãos, os personagens sofrem fracassos totais, absolutos, inevitáveis e irrecorríveis. Gonzaga de Sá não seria exceção. Depois de um livro inteiro de observações intelectuais e controladas, ele, por fim, desaba:
"Pensei que os livros me bastassem, que eu me satisfizesse a mim próprio... Engano! As noções que acumulei, não as soube empregar nem para minha glória, nem para minha fortuna... Não saíram de mim mesmo... Sou estéril e morro estéril... As palavras me faltam; as idéias não encontram expressões adequadas, para se manifestarem... Enfim, estou no fim da vida, e só agora sinto o vazio dela, nota a sua falta de objetivo e de utilidade.... (...) Tenho desgosto de mim, da minha covardia... Tenho desgosto de não ter procurado a luz, as alturas, de me ter deixado ficar covardemente entre tais patos. (...) O que mais me aborrece é ter chegado a esta idade vazio de tudo, vazio de glória, de amizade, só,e quase isolado dos meus e dos que me podiam entender. Estou abandonado como um velho tronco desenraizado num areal... (...) Fugi das posições, do amor, do casamento, para viver mais independente... Arrependo-me!..."
Um solilóquio desses me gela o sangue. Poderia ser o Lima Barreto. Poderia ser eu. Provavelmente, era. Provavelmente, será.

* * *

Em uma atitude que me lembrou Sábato, Lima Barreto também faz uma crítica, de certo modo, à inteligência e à educação. Pois de que adiantam inteligência e educação se não levam a uma maior felicidade?
"Porque não sou assim como aquele barrigudo senhor, inconscientemente animalesco, que não pensa nos fins, nas restrições e nas limitações? Longe de me confortar a educação que recebi, só me exacerba, só fabrica desejos que me fazem desgraçado, dando-me ódios e talvez despeitos! Por que ma deram? Para eu ficar na vida sem amor, sem parentes e, porventura, sem amigos? Ah! se eu pudesse apagá-la do meu cérebro! (...) Repara (...) como esta gente se move satisfeita. Para que iremos perturbá-la com as nossas angústias e nossos desesperos?"
* * *

Por fim, em uma crítica social mais ao estilo de Lima Barreto, Gonzaga de Sá simplesmente não compreende porque aquelas pessoas humildes continuam vivendo naquelas condições, porque não se revoltam:
"Eu não compreendo (...) um animal dotado de senso crítico, capaz de colher analogias, levantar-se às quatro horas da madrugada, para vir trabalhar no Arsenal de Marinha, enquanto o Ministro dorme até às onze, e ainda por cima vem de carro ou automóvel. Eu não compreendo (...) que haja quem se resigne a viver desse modo. (...) Porque aqueles homens maltratados pela vida, pela engrenagem social, cheios de necessidades, excomungados falariam tão santamente entusiasmados pelas coisas [tanques, encouraçados, aviões militares] de uma sociedade em que sofriam? Porque a queriam de pé, vitoriosa - eles que nada recebiam dela, eles que seriam espezinhados pela mais alta ou pela mais baixa das autoridades, se alguma vez caíssem na asneira de ter negócios a liqüidar com alguma delas?"
* * *

Maryanne, mais uma vez, muito, muito obrigado. Como vê, adorei o seu presente e foi muito bem utilizado. Não sei o que faria sem mecenas como você.



Gostou desse artigo? Resolveu sua dúvida? Representou valor na sua vida? Então, retribua - na medida do possível. Envie um livro pra mim e me ajude a continuar nessa trincheira.

Lista de Presentes do Liberal Libertário Libertino

Victoria: Os Pés de uma Leitora Má

Meu romance se paga pelas oportunidades que ele me proporciona. Ele já teria valido a pena só por ter me juntado à Victoria.Victoria Andalusian Spree

Ela era uma conhecida social. Acabou lendo meu romance porque eu, escritor estreante, empurro meu romance goela abaixo de todo mundo. Victoria voltou com ele todo sublinhado e com mais quatro páginas de caderno cheias de impressões e opiniões. Tinha muita coisa a dizer. Fomos caminhar pela cidade enquanto ela ia me contando tudo o que achara.

Acabamos entrando em um shopping vazio e sentamos em umas mesinhas desertas, em um canto onde não passava muita gente. Parte de sua empolgação era com a podolatria escancarada de Murilo. Ela tinha tido um caso com um homem que adorava idolatrar seus pés, lambê-los e beijá-los: aquilo, para ela, era o êxtase. Dizendo isso, colocou seus pés em meu colo e comecei a massageá-los.Victoria Dedinhos Contra o Chão

Nos conhecíamos há meses e nunca tínhamos olhado muito um para o outro. Até aquele momento, nunca conversáramos por mais que alguns minutos. Mas aquela tara em conjunto nos aproximou.

Aos poucos, ela foi se revelando. Não gostava somente da sensação de ter seus pés beijados. Gostava de se sentir desejada, poderosa, uma rainha. Seu alter-ego, que usava em salas de chat, era Victoria, uma rainha absoluta e cruel.

É engraçado como a internet facilita muitas coisas. Pessoalmente, Victoria me deixava massagear seus pés e ronronava como uma gatinha satisfeita, mas não passava disso. Uma brincadeira inocente, uma sensação gostosa. De madrugada, quando nos falávamos pelo MSN, ela deixava sair seu lado mais pervertido e falava livremente aquelas coisas que não tinha coragem de falar cara-a-cara. Pela internet, ela tornava-se realmente Victoria, crescia em poder e superioridade, me xingava, dizia as coisas horríveis que faria comigo se me tivesse em suas garras.

Victoria Andalusian SpreeSuas inibições eu tive que destruir aos poucos, com delicados golpes de cinzel. Da conversa no shopping ao primeiro beijo, foram três meses e meio de muitas idas e vindas. No dia seguinte, estávamos em um motel e a Rainha Victoria se revelou em toda a sua maldade e majestade.

Seu maior prazer era me xingar. Ela me fazia adorá-la, como uma deusa distante, depois adorar suas botas e, por fim, adorar seus pés, sempre fazendo questão de me dizer o que achava de um homem que se prestava aquele papel. Tinha orgasmos só de me dizer aqueles impropérios. E eu, de ouvir.

Fantasiava coisas horríveis. Enquanto eu lambia seus pés, ela me dizia qual seria meu triste destino. Gostava de dizer que, depois de me usar como seu brinquedinho sexual, iria me encolher, me enfiar em seu tênis, que tinha usado o dia todo, e colocar seus pés lá dentro, para se deliciar com meus esperneios contra suas solas. Quando se cansasse, apertaria, me sentiria esmagar ali dentro como um besouro gordo, até eu fazer ploc, mexeria os dedinhos na pastinha que tinha sido eu, e sairia do quarto de motel sozinha, Victoria vitoriosa.Victoria Andalusian Spree

Também gostava de fantasiar que me encolheria e me daria um peteleco, me arremessando janela afora, e ficaria apreciando o arco que eu desenharia no ar até cair e me espatifar lá embaixo. Sua favorita absoluta era me transformar num cachorro coxo e me largar no meio de uma auto-estrada, para ficar observando do acostamento até que um caminhão apressado me acertasse. Imaginar que faria isso a um homem que tinha acabado de amá-la lhe dava tremendo prazer.

Depois que gozávamos ambos com essas loucuras, eu ia subindo por suas pernas, beijando e lambendo seu corpo inteiro, e fazíamos amor. E ela dormia abraçadinha comigo, gatinha desarmada, rainha destronada.

Victoria Andalusian SpreeNos amamos por quatro meses. Só esses quatro meses já me fizeram valer a pena ter escrito o maldito romance.

Hoje, ainda somos amigos próximos. Ela gosta de me ligar pra me fazer ciúmes com histórias dos outros homens de sua vida. E pergunta: ainda tem vontade de lamber meus pés, cachorrinho? Eu respondo que sim, claro, e ela retruca: você não sabe o prazer que me dá ouvir isso, ainda mais sabendo que jamais beijará meus pés de novo.

Que bobinha. Ninguém melhor do que eu sei o prazer que ela tem em ouvir isso. Por isso é que digo. E por ser verdade, claro.Victoria Andalusian Spree

Perguntei se podia contar nossa história aqui no blog e postar algumas das fotos que tirei dela - sem seu rosto e usando seu codinome Victoria. Ela respondeu que sim, mas eu não teria vergonha dos detalhes sórdidos?

Ora bolas, são os detalhes sórdidos que fazem a história ser interessante. Sem eles, não haveria nada pra contar. E ela deveria saber que não tenho vergonha de nada.

Depois de Victoria, eu nunca mais olhei para as mulheres negras do mesmo jeito. Ela é psicóloga e atende dezenas de pacientes em seu consultório.

Victoria Andalusian SpreeAliás, dentre as malvadas que encontrei em minha vida, a maioria é de psicólogas (profissionais que tratam da nossa saúde mental!), professoras primárias e secundárias (mandonas e tiranas por obrigação de ofício) e, quem diria, contadoras (compensando na fantasia a carreira mais chata do mundo).

O resto das fotos da Victoria está no meu novo fotolog.

Considerem esse texto sem vergonha uma introdução à Prisão Vergonha, que começará a ser publicada amanhã, 1º de janeiro de 2005.

Feliz ano novo.

Leia também:
Elogio as Malvadas
Aprendizes de Malvadas


Thursday, December 30, 2004

Calando aos Beijos

 Ensaio Autobiográfico, Um JORGE LUIS BORGESPrimeiro, o Biajoni, do excelente Tiro & Queda, escreveu uma resenha do meu romance, Mulher de Um Homem Só, em que fala mais de mim do que do romance em si. Eu agradeci mas disse que achava que autor é uma coisa, obra é outra. Enquanto isso, a Dani prontamente escreveu um post concordando com o Bia, que conhecer a vida de um autor é importante para entendermos seus livros.

Eis que hoje, enquanto estou ocupado escrevendo um artigo para demonstrar que conhecer a vida de um autor não só não ajuda a conhecer sua obra como, pior, quanto mais se conhece a vida de um autor, MENOS conhecemos sua obra, eis que no meio disso tudo me chega aqui pelo correio Um Ensaio Autobiográfico, do Borges, presente de natal do Bia pra mim. Logo o Borges, um dos meu autores preferidos!Aleph, JORGE LUIS BORGES

O colega Rafael Galvão outro dia me confidenciou que não suportava Borges, não conseguia gostar dele, por causa do seu apoio à sangrenta ditadura argentina.

Mas o que importa é a obra, não o autor. O que importa é termos Ficciones, El Aleph, El Hacedor. Se eu soubesse que Borges só escrevia tão bem assim porque gostava de torturar criancinhas no porão de sua casa, eu mesmo levaria umas crianças chatas pessoalmente pra ele. Em 500 anos, ninguém vai nem se lembrar onde fica a Argentina, mas ainda vão ler o Quixote, de Menard.

Ficções JORGE LUIS BORGESSe eu fosse um homem digno e coerente, devolvia o presente sem nem ler. Afinal, de que me importa a autobiografia de Borges, quando tenho sua obra?

Mas coerência é para os fracos e os medíocres. Nunca vi ninguém desmontar um argumento com um presente. O Bia deve ser daqueles que calam mulher faladora com beijos.

Bia, muito, muito obrigado. Sensacional.

Visitem o Tiro & Queda, que o Bia merece, e também dêem uma olhada em minha lista de presentes.

The New Annotated Sherlock Holmes

Escreveu Nemo Nox, o melhor blogueiro do mundo:

"Já li todas as histórias do Sherlock Holmes em português. Já li todas as histórias do Sherlock Holmes em inglês. Já li vários livros sobre o Sherlock Holmes, em vários idiomas. Mas agora parece que vou ter que comprar mais uma edição dos contos do detetive de Baker Street: "The New Annotated Sherlock Holmes, a two-volume, 10-pound collection of all 56 Holmes short stories by Sir Arthur Conan Doyle, complete with Mr. [Leslie] Klinger's exhaustive footnotes. The collection, published last month by W.W. Norton is being hailed as the definitive exegesis of Holmes and his times.""
E eu queria confessar: eu comprei! Eu comprei! Empenhei até a alma, carne agora só em março, mas comprei.

Eu também li todas as histórias do Holmes em português, quando era moleque, naquelas edições da Melhoramentos. Eu também li vários livros sobre o Holmes - adorei The Seven Percent Solution. Eu também li todos os contos de novo em inglês - comprei uma edição das histórias completas do Holmes, editada pela Barnes & Noble.

E meu sonho sempre foi ter uma edição anotada das histórias, pra saber o backround, as fofocas, os erros internos. Agora, tenho. Custou U$45 mas valeu a pena. Era preço de lançamento, depois subiria pra US$75.

Mandei pra casa da minha irmã, na Califórnia (senão seria o triplo só de frete) e ela trouxe o livro pro Brasil nesse natal. Disse que foi metade do peso da mala. Bem feito. Foi a cachorra dela que comeu a minha edição da Barnes & Noble.

5kg de puro Holmes. Estou babando. Morram de inveja.

Novos Links

Agora, cada vez mais selecionados. Só papa fina.
Blog da artista plástica Isabel Löfgren, minha amiga do coração e uma das pessoas mais próximas a mim. Tudo sobre artes plásticas e internet.

Último post: Susan Sontag: a mulher que deu sentido a fotografia

A belíssima Cinthia Rocha, estudante de História, namorada do Marcelo que não escreve pra poucos, mantém um blog sobre ciências humanas, arte e atualidades. No começo do mês, eu fiz um post em homenagem a ela, que a moça merece.

Último post: A Tragédia na Ásia e as Profecias

A Viajandona acabou de se formar e está indo viver sua vida.

Último post: É...

Projeto colaborativo criado pelo incrível Biajoni. Todo dia, novos colunistas, novas colunas, novos artigos. Tem sempre coisa boa lá.

Último artigo do Bia: Mulher de Um Homem Só

Por Onde Começar a Ler a Bíblia? (Bíblia, 3)

 JóTodo mundo tem uma Bíblia em casa. Mesmo que não seja a ideal, é melhor que nada. Por onde começar então? Depende do que você quer.

Filosofia

A Bíblia contém dois belíssimos livros de Filosofia, o Eclesiastes e , esse último remetendo aos diálogos gregos. A graça da brincadeira é justamente comparar como a filosofia e lógica hebráicas são totalmente diferentes das gregas em conteúdo e objetivo, mesmo que superficialmente parecidas. Eclesiastes e Cântico dos Cânticos MAURO ODORISSIO

Poesia

Além dos Salmos (que eu acho insuportáveis, mas há quem goste), a Bíblia tem diversos livros de poesia, ou com extensos trechos em poesia. Os meus preferidos são o Cântico dos Cânticos (um livro sensual que ninguém entende o que faz na Bíblia) e Naum, em que um profeta sedento de sangue canta, com um êxtase cruel, a queda dos inimigos do povo de deus.

 Como Ler os Livros de Samuel: a Função da Autoridade IVO STORNIOLO   EUCLIDES MARTINSHistória

Nenhum livro da Bíblia é histórico como entendemos hoje, mas muitos enganam bem. Também é interessante comparar os livros de Samuel, Reis e Macabeus às histórias de Heródoto e Tucídides. Assim como os livros filosóficos, eles são traiçoeiramente parecidos na forma, mas totalmente distintos em conteúdo, tom e objetivos. Inclusive o Livro dos Macabeus é ostensivamente anti-grego. Não leia Crônicas, é chato demais.Como Ler o Livro de Daniel: Reino de Deus X Imperialismo IVO STORNIOLO

Leis & Romance Policial


Para quem quiser saber como surgiram os códigos legais que influenciam nossa vida até hoje, recomendo os áridos Levíticos e Números mas, melhor ainda, o Livro de Daniel, que apresenta a primeira investigação policial e julgamento com testemunhas dignos desse nome da história. Mas, cuidado, pois a História de Suzana e os Anciãos é um trecho do Livro de Daniel que só aparece nas Bíblias católicas. Não foi Poe quem inventou o conto policial, foi Daniel.

Como Ler o Livro de Jonas: Deus Não Conhece Fronteiras IVO STORNIOLO   E.M. BALANCINLiteratura & Folclore

Alguns dos melhores livros da Bíblia são os que largam mão de qualquer pretensão histórica ou de verossimilança (a não ser para os fundamentalistas, claro, que acham que é tudo verdade) e abraçam seu lado mais imaginativo e folclórico, narrando as lendas de formação do povo judeu. São eles o Gênese, o Êxodo, Juízes, Rute, Judite, Jonas e Tobias (esse só nas Bíblias católicas). É um melhor que o outro.

Literatura BeatComo Ler o Apocalipse: Resistir e Denunciar JOSE BORTOLINI

Inclassificável é o Apocalipse, talvez o meu favorito. É um livro louco, que remete aos mais loucos escritos de Burroughs e Ginsberg. Impossível não imaginar que seu autor estava cheio de haxixe na cabeça pra imaginar aquelas imagens tão loucas.

 Introdução ao Apocalipse: uma Interpretação Junguiana ROBIN PETERSONNaturalmente, há todo um contexto histórico e literário. O gênero apocalíptico (existiram vários apocalipses, o da Bíblia é só um deles) foi a uma resposta à opressão política que o povo judeu sofria e os freis betos da Teologia da Libertação adoram cooptar o Apocalipse pra si, rotulando-o de literatura de resistência. Tudo isso é, ao mesmo tempo, algo verdade e algo besteira.

Esqueça o contexto histórico. O Apocalipse é, e sempre será, literatura de primeira grandeza pela sua imagética, bem, apocalíptica. Poucos livros são mais eminentemente visuais, grandiosos, sensacionais, enlouquecidos.

Divirta-se e me conte como foi sua jornada pela Bíblia.




Bíblia de JerusalémBíblia do Peregrino



Gostou do artigo? Foi útil pra você? Se foi, retribua. Dê um livro ao seu blogueiro preferido e me ajude a manter esse blog no ar.

Lista de Presentes do Liberal Libertário Libertino

Tsunami

Com certeza, para grande parte da elite anglófoba do mundo, a pior coisa desse tsunami é que não dá, simplesmente não dá pra culpar os EUA por nenhuma parcela do desastre.

Bush não assinou Kioto, os EUA consomem mais do que o resto do mundo, etc etc, mas nada, nada disso afetou, criou ou estimulou o tsunami. A única crítica que conseguiram fazer (pueril!) foi dizer que o país que doa 40% de tudo o que é doado no mundo foi "sovina".

Sério, deve ter neguinho enfiando o dedo no cú e rasgando de tanto ódio.

Politicamente Incorreto Mas Preciso

Via Intelligentsia. Aproveitem e leiam meu artigo Quando Um Não Quer, Dois Não Debatem


Universidade da Pseudociência

Bem vindos aos campus. Via Boing Boing.


Saldão de Fim-de-Ano com 70% de Desconto

Pra torrar tudo o que não vendeu no Natal. Pelo sim pelo não, vale a pena conferir.


Viciado em Lobo Antunes

 Cus de Judas, Os ANTONIO LOBO ANTUNESFiquei dez dias com três livros do Lobo Antunes, li como um desesperado, e só consegui ler dois. E nem encostei nos Mia Couto.

Os Cus de Judas é bom, mas não é nem a obra-prima de Lobo Antunes e muito menos um clássico da literatura universal. Talvez as pessoas ainda associem mais essa obra a ele por ter sido seu primeiro grande sucesso. Talvez ele tenha escrito tantos romances que fica difícil da crítica concordar em qual é o maior.

As metáforas são lindas, a linguagem flui, mas não senti nada por trás: somente a fachada, somente o jogo estético. O romance não me envolveu em nenhum momento, mal percebi os personagens.
  Manual dos Inquisidores, O ANTONIO LOBO ANTUNES
Fechei o livro e pensei: está aí o grande problema dessas invenções estilísticas do século XX, falta de conteúdo. Grande Sertão Veredas é bom pois aliava a prosa estonteante de Rosa a um enredo envolvente. O resto da sua obra é fraco (alguém tem saco pras novelas de Corpo de Baile?) pois a mesma prosa estonteante, sem um enredo envolvente por trás, é só jogo de cena.

Comecei a ler Manual dos Inquisidores e foi um baque. Estava diante de um novo Grande Sertão Veredas, um livro certamente grande, em todos os aspectos, ambicioso, voraz, sensacional.

Grande Sertão: Veredas JOAO GUIMARAES ROSANão tenho condição de descrever o estilo de Lobo Antunes em Manual dos Inquisidores. Só posso dizer que nunca vi nada parecido. Só posso dizer que funciona - e isso talvez seja o mais incrível.

80 anos de experimentação estilística no século XX, produzindo pilhas de romances ilegíveis, beat, surrealistas, finalmente culminaram em Manual dos Inquisidores, uma prosa radicalmente nova, desconcertante, viciante, mas totalmente integrada ao enredo, aos personagens, à história que se quer contar.

O estilo é desconexo, truncado e louco, mas necessário. O leitor avança de relato em relato, de história em história, de comentário em comentário, e se vê envolvido naquela multiplicidade de vozes, naquela enormidade situações, naquela tristeza profunda. No início, a prosa parece pesada, forçada. Em breve, já não podemos conceber que o livro tivesse sido escrito de outra forma.

Depois de décadas de ditadura salazarista, a Revolução dos Cravos, de 1974, traz a democracia de volta à Portugal. Manual dos Inquisidores acompanha a decadência e queda de um dos ministros de Salazar, e de como isso influencia sua família, seus subordinados e agregados.

A principal reclamação que fazem ao livro é ser caricato, como se os personagens não fossem realistas o suficiente. Talvez. Mas não acho que quaisquer personagens tenham obrigação de ser realistas. Em Manual dos Inquisidores, estamos mais preocupados com o painél do que com os personagens individuais.

Ler Manual dos Inquisidores foi uma das experiências mais sensacionais do ano.

* * *

Para quem não lembra, a biblioteca da PUC comprou muitas obras de Lobo Antunes, mas elas não podem sair da biblioteca, só na noite de sexta para voltar na segunda de manhã. Consegui ficar dez dias com Os Cus de Judas e Manual dos Inquisidores porque era recesso de natal.

Quando fui devolver, implorei, chorei, tentei de tudo para a bibliotecária-chefe me permitir ficar com eles mais uma semana, até o ano-novo, mas nada, ela foi implacável.

Resultado: quinta vou lá de novo, pegar um ou dois Lobos Antunes e tentar lê-los obcecadamente até o dia 3 de janeiro, quando terei que levá-los de volta. Lá se vão mais alguns livros maravilhosos ser lidos de forma errada.

Ser pobre é uma merda.

* * *

Alguém comprou Manual dos Inquisidores no Submarino, clicando pelos links aqui do blog.

Confesso que, apesar de grato, me bateu uma inveja: um livro maravilhoso, que devia ser lido no seu próprio ritmo, eu tive que ler a toque de caixa, em cinco dias, pra devolver correndo pra biblioteca, e agora esse cretino, por minha indicação, vai ler o Manual dos Inquisidores sem pressa alguma.

Ingrato. Podia ter mandado outro pra mim!

UPDATE

Vocês reclamam de eu ser pidão, mas desde que escrevi as linhas acima, nessas poucas horas, esse post já vendeu mais TRÊS livros do Lobo Antunes, nenhum deles - que eu saiba - pra mim.

Ô inveja.

* * *

Será que nenhum leitor caridoso me daria alguma das obras abaixo do Lobo Antunes? Das que estão disponíveis no Submarino (o homem escreveu dezenas de livros), as que me faltam são: Fado Alexandrino, Exortação aos Crocodilos e A Ordem Natural das Coisas.

  Exortação aos Crocodilos ANTONIO LOBO ANTUNES  Ordem Natural das Coisas, A ANTONIO LOBO ANTUNES  Fado Alexandrino ANTONIO LOBO ANTUNES

Lista de Presentes LLL

Val Giganta

Val Giganta

Um amigo fez essa colagem dos belos pés da minha amiga Val (eu amo tornozeleiras de búzios) pisando em um homenzinho. Ele deveria estar gostando, o ingrato.

Está lá, no meu novo fotolog.

A Obra como Apêndice do Autor

Esse discussão é vital e nem começou ainda. Por enquanto, vou só apresentando os diversos pontos de vistas relacionados.

Com a palavra Milan Kundera, um dos grandes escritores desse século, em A Arte do Romance (1986):
O romancista é aquele que, segundo Flaubert, quer desaparecer atrás de sua obra, (...) renunciar ao papel de homem público. Não é fácil hoje, quando tudo o que é muito ou pouco importante deve passar pelo palco insuportavelmente iluminado dos mass media que, contrariamente à intenção de Flaubert, fazem desaparecer a obra atrás da imagem de seu autor. Nessa situação, da qual ninguém pode escapar inteiramente, a observação de Flaubert me parece quase uma advertência: prestando-se ao papel de homem público, o romancista põe em perigo sua obra que corre o risco de ser considerada como um simples apêndice de seus gestos, de suas declarações, de seus pontos de vista.

O romancista desfaz a casa de sua vida para, com as pedras, construir a casa do seu romance. Os biógrafos de um romancista desfazem portanto o que o romancista fez, refazem o que ele desfez. O trabalho deles não pode esclarecer nem o valor nem o sentido de um romance, apenas identificar alguns tijolos. No momento em que Kafka atrai mais atenção do que Joseph K., o processo de morte póstuma de Kafka se iniciou.
Leia também
O Autor & O Livro
A Voz do Blog e a Persona do Autor


Wednesday, December 29, 2004

Clube de Leituras LLL: Planejamento

Um ano para ler os 10 melhores livros do mundo. Que tal?

Estou dando, em média, um mês e meio para cada livro, sendo que dois meses para o Quixote, por ser bem maior, e um mês para Hamlet e Dom Casmurro, que são curtinhos.
  • 31 janeiro: Crime e Castigo
  • 15 março: Processo / Metamorfose
  • 15 maio: Dom Quixote
  • 30 junho: Grande Sertão Veredas
  • 30 julho: Hamlet
  • 15 setembro: Cem Anos de Solidão
  • 30 outubro: O Nome da Rosa
  • 30 novembro: Dom Casmurro

O Autor & O Livro

O autor conta? O autor deve ser levado em consideração quando apreciamos uma obra de arte? A discussão, iniciada pela resenha do Bia, continua no blog da Danicast.

Ainda estou escrevendo uma resposta apropriada. Por enquanto, leiam o que a Dani escreveu:
""Já eu considero o autor 100% irrelevante: como as abelhas, ele podia bem morrer depois de dar sua ferroada e não nos faria muita falta. Quando muito, se o autor tiver que ser considerado, que seja a partir da obra, mas nunca a obra entendida a partir do autor." - Alexandre Cruz Almeida

Não considero os autores "irrelevantes", não dá para considerar o autor irrelevante. Apesar do Alexandre sempre dizer que prefere ser separado enquanto pessoa de seus textos, não há como separar.

Somos todos texto. O livro é o autor.

Na maioria dos livros nada sabemos sobre os autores. Se gostamos muito de um autor, lendo sua obra, podemos até ir atrás de sua biografia e quando temos sorte, encontramos um diário para ler - pretendo ler o diário de Kafka, é uma idéia que tenho comigo há tempos - mas temos sempre pouco sobre o autor. E mesmo esse pouco, revela-se profundamente integrado ao que ele escreve em suas obras.

"Kafka dizia abertamente que queria sair dos domínios de seu pai, e para isso acabou optando por uma profissão que não era de seu agrado. Formou-se em Direito e trabalhou por 14 anos em uma companhia de seguros contra acidentes do trabalho. Ocupação para ele alienante e burocrática, da qual se queixou em seu diário no ano de 1913:

'Meu emprego é insuportável porque se opõe ao meu único desejo e minha única vocação, a literatura. Como eu não sou outra coisa que literatura, e não posso e nem quero ser outra coisa, meu emprego nunca conseguirá apoderar-se de mim, ainda que possa a chegar a destroçar-me totalmente. Não falta muito para isso."" - O Espelho de Kafka

Ainda que do ponto de vista mais simplificado, será que teríamos O Processo, se Kafka não fosse advogado?

Durante a minha adolescência fui fã ardorosa de Somerset Maugham. Eu li Liza, A Pecadora (1897), Servidão Humana, O Fio da Navalha, Contos dos Mares do Sul. Quando fui pesquisar mais sobre a vida de Maugham, descobri que ele era órfão, foi criado por um tio, tornou-se médico - o que talvez explique várias passagens de Liza, A Pecadora - foi agente secreto na Segunda Guerra e morou na Riviera francesa - talvez a experiência de guerra tenha sido a idéia inicial para O Fio da Navalha, livro que tem entre seus cenários a Riviera. Maugham viajou pelo Pacífico e a partir de sua experiência nessas viagens, escreveu Contos dos Mares do Sul. Se a vida de Maugham fosse diferente, ele escreveria livros diferentes.

O Alexandre sempre reclama que os leitores do blog confundem-no com seus escritos. Mas a verdade é que a mesma história, se fosse escrita por outra pessoa, seria totalmente diferente. Já fizemos um exercício assim, uma vez.

Somos totalmente texto. Nosso próprio texto. Construído pelo que vivemos, o que gostamos, o que pensamos, o que lemos, como experimentamos o mundo. O que escrevemos é reflexo desse texto. É a minha opinião. "
Ninguém está questionando que se a vida de Maugham e Kafka tivesse sido diferente eles teriam sido pessoas diferentes e teriam escrito livros diferentes. A Dani falou, falou, mas não entrou na questão que eu propus.

Saber que o Maugham era órfão e foi criado por um tio pode até nos ajudar a compreender melhor a PESSOA de Maugham, mas não tem nada a ver com a compreensão e apreciação de seus romances.

São, ou deveriam ser, coisas diferentes.

Val Arco das Solas

Pés da Val

A Val é outra bela ex-colega de trabalho, que adorava minhas massagens e me deixou tirar fotos de seus belos pés. Eu acho essa sua tornozeleira de búzios um charme.

Vejam as fotos no meu novo fotolog.

Os Pés das Leitoras: Alyne

Alyne Andalusian SpreeA Alyne trabalha comigo no curso de inglês. Além de ser uma grande amiga, muito simpática e leitora desse blog, é uma gatinha e tem pés simplesmente deliciosos. Costumava ficar horas massageando-os entre uma aulas e outra.

Aí, infelizmente, a Alyne arrumou um namorado e usou isso como desculpa, safada!, para não de deixar mais fazer as massagens.

Como toda mulher, ela incompreensivelmente pensa que seus pezinhos são feios e achou a maior graça (como dá pra ver) das várias fotos que tirei. Eu não sei vocês, mas acho que rir embeleza qualquer mulher. A Alyne, então, fica ainda mais bonita rindo.Alyne Pintinha

Reparem também no mais delicioso detalhe: a Alyne tem uma charmosíssima pintinha perto da unha do segundo dedo do pé esquerdo. Reparem na foto ao lado.

Para melhorar, ela ainda fez a minha posição favorita com os dedos dos pés, que chamo de Andalusian Spree, e acho linda: levantar o dedão ao máximo, e baixar os outros, como se fosse um OK com os pés.

O resto das fotos está no meu novo fotolog, pra não ficar enchendo esse blogs de pés - mesmo que lindos.

A Voz do Blog e a Persona do Autor

Luiz Biajoni, criador do excelente site Tiro & Queda (sim, estou recomendando e muito uma visita, dê um pulo lá) escreveu uma resenha muito interessante, perceptiva e bem articulada do meu romance, Mulher de Um Homem Só. Confiram:
"Alexandre Cruz mantém um dos mais interessantes e acessados blogs de toda internet no Brasil, o LLL (tem link também na página inicial do T&Q). Ele fala com desenvoltura sobre literatura e temas atuais, instiga seus leitores a algumas discussões, brinca com fetiches particulares. Mas antes disso, gaba-se de ler muito (leu mais de 70 livros apenas neste ano) e de ter escrito um romance que está disponível para download em seu blog. ?Mulher de um homem só? foi, recentemente, rejeitado pela editora Rocco. Alexandre cria, dessa maneira, uma aura de intelectual e escritor ainda não ?compreendido? - cegas e tacanhas essas editoras!

Gosto imensamente do que escreve Alexandre em seu blog e admiro com fanatismo juvenil sua perseverança de afirmar-se "escritor até o último fio de cabelo", disposto a tudo para cumprir seus projetos pessoais - basicamente: ler livros, escrever livros e comer mulheres. Acrescentaria a esse projeto apenas ver filmes e ouvir música - mas aí precisaria de mais dinheiro e teria que trabalhar mais - e Alexandre trabalha na medida para sua satisfação; que advém das ações descritas acima. Não precisa de muito, acreditamos.

Mas o objeto aqui não era seu romance? Que estou falando dele e de seu blog? Simples: como as pessoas só têm acesso ao seu livro pelo seu blog dificilmente conseguem dissociar a voz do blog e a persona do autor da narrativa no romance. Romance? Estamos mais diante de uma narrativa, um conto de assunto fechado, do que de um romance. Não abundam personagens ou situações. E a narrativa na primeira pessoa atrapalha tanto quanto pretendo mostrar a seguir.

É Carla quem conta a história de seu casamento com Murilo, da interferência contínua de Júlia, amiga antiga do marido, no casamento, no nascimento e criação da filha e sobre como ela própria, Carla, tirou proveito e execrou essa relação com Júlia. Carla, inicia dizendo: "Não tinha nem me libertado da escola ainda quando me casei. Mas boa fedelhacente que era não encampava mais vida na minha casa: foi só Murilo puxar o pedido e eu aceitei, num estrambelho". Que tipo de mulher usa esse tipo de linguagem? Que mulher diz que era "fedelhacente" quando casou e que não "encampava" mais vida em casa quando o cara "puxou" o pedido e ela aceitou num "estrambelho"?

Pois foi a justificativa para esse tipo de linguagem utilizada por Carla durante todo o livro que eu procurei e acabou me motivando a leitura - e me frustrando no final, pois essa justificativa não existe! Não existe um motivo para Carla estar escrevendo aquilo, nem daquele jeito tão ?anti-coloquial?. A linguagem de Carla é de alguém preocupada com a estética do contar e não com uma narrativa real e consistente. A gente sabe que quem está contando a história é Alexandre Cruz - cara que sabe manejar as palavras, que gosta de Borges e lê vários livros... Carla não é assim. Ela casou muito nova, teve uma filha logo depois e foi cursar faculdade de odontologia enquanto a filha ainda era bebê e... decide contar a história desses seus dias. A gente não sabe porquê ela toma essa decisão. E nem o motivo de usar um palavreado tão rebuscado, cheio de metáforas, figuras de linguagem, comparações e palavras inusuais.

A narrativa, diga-se, é fluente e bonita; de rebusque na medida e motivadora da leitura. Só que soa artificial na boca da protagonista. Se tudo fosse passado para a terceira pessoa, seria maravilhoso: teríamos um observador objetivo e sensível da história a comparar passagens, personagens e sentimentos - e ele estaria contando uma história mais real até do que aquela vivida pelos personagens.

Ponto interessante, que achei que fosse levar por algum caminho de entendimento, é o fato de Júlia, o pomo da discórdia, ser artista. Ela é artista plástica. Murilo gosta e tem certa condescendência por ela, por essa... sensibilidade; enquanto a esposa, Carla, é uma mulher prática - acreditamos.

Pois se Carla se decidisse, lá pelas tantas, a cursar uma faculdade de Letras (sempre se sonhara escritora, por exemplo), podíamos imaginar que o resultado final do texto na primeira pessoa fosse uma concretização de seus anseios. Com isso, podia ela também estar fazendo uma afronta a Júlia e toda sua "sensibilidade". ?Disputando? com Júlia ? que é o que ela faz o tempo todo.

Júlia tem uma primeira exposição dos trabalhos, que lhe rende boas críticas. Ela é jovem. Carla está cuidando das coisas ao seu redor, não tem tempo para devaneios artísticos. As próximas exposições de Júlia são fracassos seguidos - e Carla, em Letras, poderia mostrar o exemplo de um "linear e progressivo" crescimento artístico que culminaria com... a narrativa do livro em si. Seria a justificativa para a narração e o estilo.

Mas eis que Carla vai cursar Odontologia e eu fiquei pensando em uma dentista fazendo aquele relato, com aquela linguagem. Ficou mais incrível ainda!

A falta da conexão entre a voz e o personagem, para mim, é o pior defeito do livro. A voz cabe perfeitamente em Alexandre - isso atrapalha às pampas!

Outro problema na narração de Carla é que ela dá detalhes que seriam impossíveis a ela saber. O diálogo de Murilo com o irmão de Júlia, Glicério, é cheio de detalhes (o giz que corre o chão e gruda no sapato...) que talvez só um dos dois debatedores, Murilo ou Glicério, poderiam saber. Mas isso é uma licença perfeitamente aceitável.

A mulher de um homem só, na verdade, são as duas - Carla e Júlia. Carla teve e amou objetivamente Murilo. Júlia desejou-o desde sempre, mas nunca o teve como homem. Murilo é um personagem deficiente, frente a duas mulheres tão magnânimas. Talvez fosse interessante deixar na imaginação do leitor se ele e Júlia realmente tiveram algo. Mas a coisa toda é descartada, eles não tiveram nada mesmo, por (in)vontade de Murilo.

Na verdade, Murilo parece algumas vezes intelectual demais (cerebral, Alexandre?), ou radical demais (respeitar Hipócrates, Alexandre?), ou fetichista demais (pés, Alexandre?). Em alguns momentos Carla diz ter mais desejo sexual que ele e que por vezes ele preferia ficar a beijar-lhe os pés sujos. Glicério, irmão de Júlia, não entende como ele nunca teve desejo pela irmã - e ele explica comparando-a com um amigo homem. Murilo, no fim, é quase um "não-objeto de desejo" - serve apenas à disputa dessas duas mulheres que não conseguem tê-lo por inteiro. Não sabemos se Murilo ama mesmo Carla - e essa dúvida atrapalha também, ele parece desprovido de paixão. Por cerebral e não-sexual, duvida-se que ele ame qualquer coisa... Já que se definiu que ele não sente nada sexual por Júlia podia estar explícito, em algum trecho, sua entrega a Carla. Ele sequer se dirige a ela de maneira carinhosa em todo o livro.

Júlia insinua-se por essa vida dos dois e também deita-se sobre Raquel, a filha do casal, como um fantasma de algo que Carla gostaria de ter sido. A mãe de Júlia é espírita e meio que se reconcilia com a filha como se fossem uma o carma da outra e Carla, a narradora, faz um questionamento: se não seriam, todos os personagens, carmas uns dos outros? E o livro acaba quase sem um fim. Não fosse por um parágrafo crucial.

Existe um parágrafo que cita que o espólio de Júlia passou para Mariana, provável filha de Raquel, neta de Carla e Murilo, bom tempo depois do tempo da narração dos acontecimentos. Marina se desfaz das obras. O trecho termina com uma frase sucinta de Carla: "Eu teria aprovado". Por que ela "teria aprovado"? Será que Carla morreu e toda essa narração é além-túmulo?

(UPDATE: esse parágrafo, na verdade, é o fim do livro - que muitos acham que não termina)

Aí teríamos que afirmar que as noções estéticas de narração ficam mais apuradas no pós-morte. Alexandre tem essas noções ainda vivo - e preparou um texto interessantíssimo e de fluência invejável. Talvez só tenha colocado sua voz na boca de uma defunta restrita demais para tão rebuscada prosa. Ou seria Carla a encarnação de uma Virginia Woolf?
Adorei a resenha do Bia, com algumas ressalvas. Algumas distorções de sua percepção (nas quais não vou entrar, não é o meu papel) são fruto, justamente, dessa discrepância entre "voz do blog e a persona do autor da narrativa no romance".

O Bia leu e entendeu o romance tendo como ponto de partida a pessoa do autor e não a obra em si. Já eu considero o autor 100% irrelevante: como as abelhas, ele podia bem morrer depois de dar sua ferroada e não nos faria muita falta. Quando muito, se o autor tiver que ser considerado, que seja a partir da obra, mas nunca a obra entendida a partir do autor.

Pode parecer que estou discutindo quantos anjos que dançam na ponta de um alfinete mas, para um romancista, essa questão não poderia ser mais vital e premente. Dela depende, entre outras coisas, minha postura pública e até mesmo o futuro desse blog.

Amanhã vou publicar um artigo mais elaborado sobre isso. Mas, antes, eu queria saber: o que pensam vocês? Será que conseguem ler Mulher de Um Homem Só sem pensar nesse blog? Eu também gostaria muito de saber como outros autores-blogueiros encaram esse problema.

E, aliás, será que você é o único freqüentador do LLL que ainda não leu Mulher de Um Homem Só? Vai lá, vai lá!

Ah, e uma última coisinha sobre a voz literária de Carla não ser condizente com uma dentista: quantos jagunços você conhece que falam como o Riobaldo?

Inclua o botão da campanha em seu site e ajude a divulgar

Banner do Clube de Leituras LLL

O amigo e überblogueiro Mauro Amaral, do Carreira Solo, além de fazer um simpático post sobre o Clube de Leituras, ainda criou esse simpaticíssimo banner.

Leiam o que o Mauro escreveu e ajudem também a divulgar essa idéia.




Leia a Bíblia Certa (Bíblia, 2)

Se você vai mergulhar em deliciosa leitura da Bíblia como Literatura, também vale muito a pena comprar uma Bíblia literária.

Bíblia PastoralCada Bíblia tem uma função. Existem Bíblias litúrgicas (feitas para serem usadas pelos sacerdotes), pastorais (para ser usadas na conversão) e de estudo (para ser usadas em estudos teológicos). Escolher bem a Bíblia é fundamental.

Bíblia Pastoral: a Bíblia da Teologia da Libertação

A Bíblia Pastoral foi editada por pessoas fortemente ligadas à Teologia da Libertagem. Elas distorceram, em função de sua ideologia, tudo o que poderia humanamente ser distorcido - especialmente as introduções, notas e subtítulos dos livros.

Exemplos de subtítulos do Eclesiastes, na tradução da Bíblia Pastoral:
  • A competição é desumana
  • A felidade é usufruir o fruto do próprio trabalho
  • O acúmulo traz desgraça
Desnecessário acrescentar que nenhuma dessas expressões ocorre no próprio texto, mas são apenas tentativas desastradas dos editores de guiar e influenciar ideologicamente a leitura.

Ou seja, se você quer realizar uma lavagem cerebral em pobres camponeses ignorantes, a Bíblia Pastoral é a escolha perfeita. Se quiser apreciar os aspectos estéticos e literários da Bíblia, esqueça.

Eu confesso que dou boas gargalhadas com minha Pastoral. Sempre que leio um livro da Bíblia, eu vou na Pastoral conferir como os Freis Bettos a distorceram. Nunca falha em me divertir.

(O Marxismo e o Cristianismo são duas das piores, mais nocivas e mais assassinas idéias da História. Felizmente, eles raramente andam juntas: quem sofre de uma, não sofre de outra. As antas da Teologia da Libertação merecem um prêmio especial de escória da humanidade por ter conseguido, a custa de muito esforço, conciliar duas teorias idiotas e, a princípio, irreconciliáveis, em uma teoria que é, talvez, a MAIS idiota de todos os tempos - numa espécie idiota como a humana, esse é um feito e tanto.)
Bíblia de Estudo Thompson
Bíblias Protestantes: Menos Intrusivas

Também não recomendo as Bíblias protestantes, nem a mais clássica (tradução de João Ferreira de Almeida) nem as de estudo (a mais famosa é a Thompson). Por definição, a religião protestante enfatiza uma compreensão individual da Bíblia, não mediada por sábios ou teológos. Conseqüentemente, as leituras protestantes da Bíblia são relativamente mais simples e literais.

Uma Bíblia de Estudo como a Thompson, apesar de excelente e completa, não vai oferecer todas as possíveis nuances interpretativas e literárias de cada livro - justamente para evitar guiar a leitura individual que cada um deve fazer da Bíblia.

Bíblia de JerusalémOu seja, também não é recomendada para quem quer ler a Bíblia como Literatura.

Bíblia de Jerusalém e Bíblia do Peregrino
Bíblia do Peregrino
Recomendo, portanto, as Bíblias de estudo católicas. Existem duas excelentes no mercado, a Bíblia de Jerusalém e a Bíblia do Peregrino. Além de abordarem todos os aspectos teológicos e históricos que as outras abordam, ambas demonstram enorme cuidado em também apresentar aos seus leitores o lado mais poéticos e literário de cada livro.

Leitores não-católicos podem ficar incomodados com as notas teológicas mas, vão por mim, que também não sou católico: se querem entender e apreciar os aspectos literários da Bíblia, as melhores opções são essas duas. Pule os trechos teológicos, ignore o que eles falam de Maria e dos anjinhos, e concentre-se nos comentários estéticos, que são muitos e interessantíssimos.

Além disso, como bem lembrou o Igor, a Bíblia católica tem vários livros que a protestante não tem. Independente de ser inspirado ou não, o Livro de Tiago é boa literatura, com certeza.

(amanhã... por onde começar a ler a Bíblia?)



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Lista de Presentes do Liberal Libertário Libertino

Archeological Dig Uncovers Ancient Race of Skeleton People

"AL JIZAH, EGYPT - A team of British and Egyptian archaeologists made a stunning discovery Monday, unearthing several intact specimens of "skeleton people" - skinless, organless humans who populated the Nile delta region an estimated 6,000 years ago.

"This is an incredible find," said Dr. Christian Hutchins, Oxford University archaeologist and head of the dig team. "Imagine: At one time, this entire area was filled with spooky, bony, walking skeletons." (leia o resto...)

 Hora da Estrela, A CLARICE LISPECTOR

A Hora da Estrela com 30% de Desconto

A Hora da Estrela só não é a obra-prima de Clarice Lispector (merecia) pois Água Viva é um romance simplesmente fora de qualquer escala. Eminentemente simples e incrivelmente complexo, A Hora da Estrela é um dos pontos altos da literatura tupiniquim.

Aliás, se fosse fazer uma lista dos cinco melhores romances brasileiros, entrariam, com certeza, Dom Casmurro, Grande Sertão Veredas, Água Viva e A Hora da Estrela. O quinto variaria de acordo com o meu humor.

Aproveite para comprar A Hora da Estrela com 30% de desconto e, clicando por aqui, você ainda faz um agrado pra esse pobre blogueiro que poderia estar roubando, poderia estar matando, mas está aqui escrevendo de graça pra você.


Tuesday, December 28, 2004

Inclua o botão da campanha em seu site e ajude a divulgarRepercussões do Clube de Leituras LLL

O Clube de Leituras LLL já está repercutindo pela blogosfera. Só hoje, foi citado no Reflective Surface e no Bibi's Box.

O quê? Você não sabe do que estou falando? Leia tudo sobre o nosso Clube de Leituras aqui: em janeiro, estamos lendo Crime e Castigo, de Dostoievski.
Crime e Castigo FIODOR DOSTOIEVSKI
E eu reitero o meu pedido: se você já tem o livro, ou está tão duro quanto eu e vai ou pegar de uma biblioteca ou garimpar em sebos, tudo bem, boa sorte.

Mas, se vai mesmo comprar, clique nas imagem aqui desse post, compre no Submarino e ajude o pobre blogueiro que inventou essa joça.
Crime e Castigo FIODOR DOSTOIEVSKI Estou em contato com o pessoal do Submarino. Os vagabundos da Martin Claret estão em férias coletivas, então só devem chegar novas cópias da edição deles (à esquerda) na segunda semana de janeiro.

A edição da Editora 34, entretanto, muito melhor (à direita), está a venda normalmente. Se você encontrar a mensagem Indisponível isso quer dizer APENAS que uma cópia acabou de ser vendida e a outra ainda não entrou no sistema.

Eu ficaria muito, muito grato se você pudesse tentar de novo em algumas horas.

Isaac Bashevis Singer

 Inimigos: uma História de Amor ISAAC BASHEVIS SINGERIsaac Bashevis Singer é, certamente, um dos grandes autores da Literatura e um dos melhores contistas de todos os tempos - ao lado de Borges, Tchecov, Maupassant e Poe.

Polonês, ele emigrou para os Estados Unidos antes da Segunda Guerra e morou em Nova Iorque até sua morte, recentemente. Por decisão consciente, escreveu toda sua obra em iídiche, que não era a sua língua nativa mas que ele considerava possuir vantagens incomuns. Merecidamente - caso raro! - ganhou o Nobel de Literatura de 1978.

Quando seus contos se passam em aldeias judaicas da Europa Oriental, num passado distante, eu freqüentemente não consigo me relacionar, o tema me parece longínquo demais, mas quando seus contos se passam no século XX, entre os judeus da diáspora, são simplesmente irresistíveis. Satã em Gorai ISAAC BASHEVIS SINGER

Mês passado, li o romance que é considerado sua obra-prima, Satã em Gorai, mas não consegui me envolver. O livro conta a história de uma aldeia polonesa do século XVII que é tomada pela certeza messiânica de que o fim do mundo é iminente e de como isso afeta a tudo e a todos. Satã em Gorai, aliás, está na lista dos 100 romances do século da Folha.

 Sombras Sobre o Rio Hudson ISAAC BASHEVIS SINGERTenho cá um volume de seus contos escolhidos, que é um dos meus maiores tesouros. A Companhia das Letras acabou de lançar uma coleção de seus 47 melhores contos que recomendo para todos. É simplesmente a melhor introdução para Singer.

Está em minha fila o romance Shadows on the Hudson, publicado postumamente, sobre a comunidade judaica de Nova Iorque.

Isaac Bashevis Singer completaria 100 anos em 2004.

Leiam artigo do New York Times de domingo, 26 de dezembro, sobre Gimpel, the Fool (Gimpel, o Tolo), talvez seu conto mais famoso: 47 Contos de Isaac Bashevis Singer ISAAC BASHEVIS SINGER
"On Singer's 100th Anniversary, the Debate Still Rages Over a Famous Fool

By ADAM COHEN

When the townspeople of Frampol tell Gimpel that the Czar is coming to their forlorn little village, he instantly believes it. When they tell him his parents have risen from the grave, Gimpel throws on his wool vest to look for them. Whatever story his neighbors come up with, no matter how wildly improbable, Gimpel accepts it at face value. "I had seven names in all: imbecile, donkey, flax-head, dope, glump, ninny and fool," says the notably self-aware Gimpel. "The last one stuck."

Gimpel is the narrator and quasi hero of "Gimpel the Fool," Isaac Bashevis Singer's best-known and most widely anthologized short story, and one of the most perplexing characters in modern literature. Because this year has been the centenary of Singer, who won the Nobel Prize for Literature in 1978, Gimpel has been the subject of an unusual amount of discussion, including a panel this month at the Jewish Community Center in Manhattan that posed the question, "Was Gimpel a Fool?" A more basic question Singer's story suggests, however, is whether in this deeply flawed world it is really so great to be wise.

"Gimpel the Fool," which has been called the greatest story ever written about a schlemiel, arrived on the New York literary scene with a splash in 1953, when Partisan Review published Saul Bellow's still-classic translation. It was a significant milestone in the crossover success of Singer, who had fled Poland in 1935, when the Nazi shadow was growing darker, and found a home in exile at The Jewish Daily Forward, where he wrote stories and serialized novels in Yiddish, many of them set in the world he left behind.

Singer's writings often dwell on the darkness of the human heart: the critic Stanley Edgar Hyman called him the "Yiddish Hawthorne." Many of his works, including two that were made into movies, "Yentl, the Yeshiva Boy" and "Enemies, a Love Story," have psychically wounded protagonists. Yentl is a rabbi's daughter with "the soul of a man and the body of a woman," who must live as a man to study Torah. "Enemies" centers on a Holocaust survivor in New York, and the three refugee women he juggles, who are as damaged as he is.

On the surface, Gimpel's world is far less fraught. He works as a baker in an Eastern European shtetl, where life hews closely to tradition. The townspeople, having come to appreciate Gimpel's credulity, mislead him in increasingly significant ways. He is persuaded to marry the town whore, Elka, whose bastard child is, he is told, her little brother. When she gives birth four months after their wedding, Gimpel is persuaded that he is the child's father.

In time, Gimpel wises up. On her deathbed, Elka confesses that none of their six children are his. After she dies, the Spirit of Evil visits Gimpel in a dream, and tells him to get his revenge on the town by urinating in the dough before he bakes it, so the townspeople can "eat filth." Gimpel decides not to. Instead, he leaves Frampol and becomes a wandering storyteller who spins "yarns - improbable things that could never have happened - about devils, magicians, windmills and the like" - much like Singer himself.

Literature is full of simpletons, but Gimpel is a fool of an unusual sort. His lack of sense does not involve hatching inane schemes or uttering nonsense. He is foolish only in his relations with other people and, more specifically, his willingness to have faith in them when there is no good reason to. Unlike most fools, Gimpel is aware of his foolishness: he knows that much of what he is being told is highly improbable, but he makes a conscious - even a moral - decision to believe. He consults a rabbi, who tells him, "It is written, better to be a fool all your days than for one hour to be evil." Gimpel ends up defending his faith with an arresting comparison: "Today it's your wife you don't believe; tomorrow it's God Himself you won't take stock in."

"Gimpel" is, at least partly, a tribute to a classic Eastern European Jewish type, the simple, long-suffering man who accepted what the world handed him, and a dissent from the emerging, modern sensibility that argued for a more active approach to the world. When the story was written, many of Singer's fellow Yiddish writers were socialists, or idealists of other stripes. But Singer, perhaps because he was so attuned to man's imperfections, was skeptical of their wild dreams. The story ends with Gimpel waiting hopefully for the next world, where things will be simpler and purer and where "God be praised ... even Gimpel cannot be deceived."

Singer often said that he and Gimpel were one and the same, which some critics considered laughable coming from the wily and sagacious Singer. But they may have been too focused on how Gimpel starts, rather than where he finishes. It is no accident that when he comes to his senses - rejecting Frampol, but keeping his own innate goodness intact - he, like Singer, takes flight and becomes a storyteller. 47 Contos de Isaac Bashevis Singer ISAAC BASHEVIS SINGER

"Gimpel" is, in the end, a sly rebuke to rationalism, and is a story in which the author explains, and defends, his decision to become a writer. In his Nobel lecture, Singer argued that storytellers might have the best chance of anyone to "rescue civilization." Writing fiction might not seem like the most direct way to improve the human condition, but Singer suggested that in a world where politics often failed, or worse, succeeded disastrously, intelligent, logical interactions with the world - the kind Gimpel spent a lifetime avoiding - may well be overrated. "Some of my cronies in the cafeteria near The Jewish Daily Forward in New York call me a pessimist and a decadent," Singer told his Swedish audience, "but there is always a background of faith behind resignation."



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