|
|
|
Monday, May 31, 2004
Pobre do QuirogaQuebrei em dois, deixei no ar dois dias, sem posts menores para competir e, mesmo assim, vocês cagaram solenemente para o post sobre o Quiroga.
Uma das Poucas VozesA entrevista da 2ª, da Folha de hoje, é com François Chesnais, chamado de crítico feroz do neoliberalismo. Em sua apresentação, a jornalista Cíntia Cardoso diz assim: "Professor emérito da Universidade Paris XIII, Chesnais é uma das poucas vozes no meio acadêmico que defendem políticas econômicas de viés marxista, como economia planificada e rompimento com o FMI (Fundo Monetário Internacional)." Quem me dera, Cíntia. Quem me dera. Mas de onde você está falando? Com certeza, não é nem do Brasil e nem da França, onde o pensamento marxista é o verdadeiro pensamento único que domina toda a produção acadêmica.
Novos Blogs RecomendadosA Galeria de Honra é para os amigos do peito que me ajudam a divulgar o LLL colocando botões em seus blogs. Dessa vez, entraram o Esfera Cúbica, da Hipácia, ex-Um Certo Diogo Mainardi, que ainda fez um gif muito legal dos meus botões, e o Geógrafos sem Fronteiras, do Antônio Carlos. Imprensa: essa semana, fui destaque em um site que já deveria estar aqui há muito tempo, o Relatório Alfa. Blogs amigos são todos os que têm a gentileza e o carinho de linkar pra mim. É impressionante o número de novos blogs que, toda semana, passam a linkar pra cá. Aqui vão eles: Café Impresso - Lado Blog, Par Elis, JazzCatNine, Voando pelo Céu da Boca, Blog do Cético, Completamente Desvairada, Dois Lados da Mesma Moeda, Segundo Sexo, Perfume de Afrodite, Daialand, Nababu, Bizarre News, Ônibus dos Pensadores, Apalavrar, Lucubrando e Lápis de Cor. Quer entrar para a Galeria de Honra? Coloque um botão do LLL no seu blog ou site.
Mais Livros Presenteados: Horácio Quiroga (Parte II de II)Uma Visão Marxista Estação de Amor é uma linda história. Mas o melhor mesmo é o posfácio, escrito por Pablo Rocca. Não existe história tão boa que não possa ser arruinada por uma crítica rasteiramente ideológica. Pra começar, adoro expressões academesas como rito libertador do carnaval burguês, cosmópolis, quadro ético e topos democratizador: "Nébel e Lídia entram em contato e se distanciam em movimento: primeiro, durante o rito libertador do carnaval burguês e "civilizado", mas onde ainda se pode transgredir algum limite da cidade provinciana. Por isso, entram e saem de Concórdia. Por isso voltam a ter contato, através da mãe, num bonde de Buenos Aires, quando já passado certo tempo - e na cosmópolis a máquina moderna é entendida como topos democratizador. (...) Os adultos, com suas imposições e valores, corrompem a pureza dos jovens e desenham o quadro ético que aplica ferrolhos à liberdade, acabando por induzir condutas que os jovens repetirão - com variantes, mas sempre com culpas - ao chegarem também à condição de adultos. (itálicos do autor, negritos meus) Não é lindo? Eu fico pensando se eu seria mais feliz se fosse uma dessas pessoas que foge de ambigüidades, define tudo e vê o mundo em preto em branco de acordo com dogmas ideológicos. Sei não, uma vida assim deve ter seus atrativos, nunca faltam voluntários para as fileiras do obscurantismo. Esse Alienado do Quiroga A seguir, Rocca cita um conto semelhante do também uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994), com uma diferença: o protagonista de "Onetti ataca sem piedade o status da moral burguesa. Quiroga, embora ensaie um gesto de ataque, termina por situar-se ambiguamente ante as raízes dessa moral, pois, uma vez consumado o ato sexual entre entre os adultos Lídia e Nébel, o narrador olha através dos olhos do homem, que se sente 'inerte ao lado daquela mulher que conhecera o amor antes que ele tornasse a aparecer [...]. Nébel guardara essa lembrança sem mancha - pureza imaculada de seus dezoito anos - e agora ela jazia ali, enlameada até a raiz, numa cama de empregada.' Além disso, ao despedir-se, Nébel dá a Lídia a imensa quantia de dez mil pesos, que ela aceita não sem estremecer. A mulher - tal como a concebe Quiroga - não é mais que um objeto passivo ou um ser degredado pelo dinheiro, isto é, pelo símbolo do capitalismo que se impunha sem contemplação na época da composição desse texto: o homem podia governá-la enquanto manejava o dinheiro." (itálicos do autor, negritos meus) Não entendo por que essas pessoas estudam literatura. Se só o que buscam é ideologia, por que não vão sorvê-la na fonte, em livros de política, economia ou sociologia? Por que não deixam a literatura para artistas e apreciadores das artes? Reparem como ele critica justamente o elemento que dá grandeza à novela de Quiroga: o autor não se posiciona. Não há ideologia, não há preto no branco. Rocca cobra do autor um ataque explícito, manifesto e inequívoco contra a tal "moral burguesa", contra os tais "símbolos do capitalismo" que ele deve tanto odiar. Vai ver Quiroga os odiava também. Não sabemos. Magistralmente, grande artista que era, Quiroga manteve sua ideologia nas trevas: deu um passinho atrás e deixou seus personagens viverem seu drama humano sem interferências. Ou seja, ao invés de fazer um libelo contra a opressão capitalista, esse alienado do Quiroga escreveu uma bela, triste e ambígua história de amor. Chega! A América Latina não vai pra frente por causa de autores burgueses entreguistas como esse! Melhor reler As Veias Abertas da América Latina e pronto. Entretanto, muito a contragosto dos que gostariam de matar a literatura em nome da ideologia, Quiroga é um grande autor justamente pela riqueza temática de histórias como Uma Estação do Amor. Leia meu artigo O Dever do Escritor, sobre a difícil relação entre literatura e ideologia. Uma Moedinha para o Saxofonista do Metrô Sou como a Mãe Dinalda. Não cobro nada. Estou aqui nesse blog por livre e espontânea vontade. Por prazer. Minha retribuição fica a cargo da sua consciência. Se meus textos não lhe tocam, beleza. Se o dinheiro vai fazer falta no leite das crianças, nem pense nisso. Mas, se o que escrevo significa algo para você e se dispõe dos meios, por favor, considere doar um, dois, oito (pra que pensar baixo?) livros para um pobre escritor falido que não recebe um tostão pelo que escreve. Pense no seguinte. Eu demorei horas para escrever aquele texto do qual você tanto gostou. Se eu tivesse gasto esse tempo em alguma atividade produtiva, eu hoje provavelmente estaria melhor alimentado e mais bem vestido. Mas você nunca teria visto o mundo com novos olhos. Lista de Presentes Liberal Libertário Libertino
Sunday, May 30, 2004
LLL Destaque no Relatório AlfaEu nunca soube muito bem o que pensar sobre o Relatório Alfa. Seu slogan é "descubra o que não querem que você saiba", o que já indica uma predisposição à teorias conspiratórias. Apesar disso, assinei a newsletter por vários meses e gostei muito do material que recebi, inclusive alguns furos de reportagem. Há anos eu não pensava no Relatório Alfa. Hoje de tarde, por algum motivo que nem me lembro mais qual foi, me peguei indo lá, dei uma olhada, relembrei velhos tempos. E, por incrível coincidência, poucas horas depois Aldo Novak, responsável pelo site, escreveu sobre minha coluna da proibição das câmeras digitais: ""HELLO, MOTO!" Era mesmo falsa a tal história dos celulares com câmeras, no Iraque Caiu todo mundo, como patinhos. Toda aquela balbúrdia, de que o desgoverno do George Bush, havia proibido os soldados americanos de usarem celulares com câmeras fotográficas, para impedir as fotos mostrando as barbaridades promovidas nos cadeiões da invasão, não passava de um hoax. Pensando bem, tinha tanta lógica que chega a ser um erro quase compreensível, mas indesculpável. Quem tem um texto muito bom, e detalhado, sobre isso é o Alexandre Cruz Almeida. Outro boato destruído. Não vai dar para a Motorola usar como publicidade: "Hello, Moto!"" Aldo, valeu pela confiança e pelo endosso. Leitores, visitem o Relatório Alfa e formem suas próprias conclusões.
Mais Livros Presenteados: Horácio Quiroga (Parte I de II)Acabei de ler os dois livros de Horácio Quiroga que me enviou a mecenas Ana Flor. Ana é muito mais que uma mecenas: ela é minha velha amiga e professora do coração. Eu tinha escrito várias coisas sobre ela aqui, mas apaguei. Vou falar dela em breve, quando narrar a história dos julgamentos de Capitu que ela promovia na escola. Se eu não escrever logo, podem cobrar, vale a pena. Por enquanto, vou falar de Quiroga. Horácio Quiroga Horácio Quiroga (1878-1937) era uruguaio, mas logo se mudou para a Argentina, onde viveu. Sua vida foi marcada pelos suicídios do padrasto, da primeira esposa, dos três filhos e, por fim, dele mesmo. Ele era, por um lado, um escritor tipicamente urbano da virada do século. Por outro lado, em visita à região de Missiones, ele se apaixonou pela selva e foi morar lá de malas e cuias. Muitos de seus contos retratam uma natureza selvagem e invencível. A Galinha Degolada A primeira metade de A Galinha Degolada é composta por contos curtos, intensos e aterrorizantes - à la Poe. Não me impressionaram muito. Nada que não tenha sido feito milhares de vezes. O resto do livro é formado por Heroísmos, curtas biografias exemplares de grandes personagens da história universal. Também aqui nada de sensacional, mas as histórias de Scott, Pasteur e Fulton, entre outros, me agradaram mais. Uma Estação de Amor A verdadeira jóia é a noveleta Uma Estação de Amor, que dá nome ao segundo livro. Dois jovens se conhecem em um balneário. O pai do menino, homem rico, impede o relacionamento, por achar que a mãe da menina estava interessada apenas no dinheiro da família. Anos depois, se reencontram: ele está casado, a moça continua solteira. Alcovitada pela mãe, que se revela exatamente a interesseira que o pai previra, ela se convida para a estância dele. Homem e mulher, finalmente, transam. A mãe, muito doente, morre logo depois. Com sua esposa prestes a voltar de viagem, o rapaz dá uma quantia generosa de dinheiro para a moça e ela vai embora. Uma história linda, sutil, ambígua e dolorosa. Parece Turgenev nos seus melhores momentos, como em Primeiro Amor e Torrentes de Primavera. Um tema, aliás, que bate perfeitamente com o do romance que estou gestando, sobre a influência do dinheiro. A cena final é terrivelmente brusca. Nada havia sido mencionado sobre uma eventual partida de Lídia, a moça, e sua mãe da estância. Mas reparem a passagem rápida da morte da mãe para a saída de Lídia, como se uma coisa decorresse da outra: "Morreu à uma hora da manhã. À tarde, depois do enterro, Nébel esperou que Lídia terminasse de vestir-se, enquanto os empregados punham as malas no carro. - Toma - disse-lhe, quando ela chegou ao seu lado. Era um cheque de dez mil pesos. Lídia estremeceu e seus olhos vermelhos se fixaram em cheio nos de Nébel. Mas ele sustentou o olhar. - Toma logo - Repetiu surpreso. Lídia pegou o papel e abaixou-se para apanhar sua malinha. Nébel então inclinou-se para ela: - Me perdoa - disse -, não me julga pior do que já sou. Na estação, ficaram um momento diante do estribo do vagão, sem falar. Quando o sino tocou, Lídia estendeu-lhe a mão, que Nébel reteve em silêncio. E logo, sem soltá-la, abraçou-a e a beijou demoradamente na boca. O trem partiu. Nébel, imóvel, ficou olhando, mas Lídia não veio à janela." Quando Nébel se inclina para Lídia, a frase: "Me perdoa, não me julga pior do que já sou" poderia ter sido dita por qualquer um dos dois. Belíssimo. Um Blog Mais Literário Não sei se repararam, mas estou me obrigando a ler e comentar, imediatamente, os livros que me presenteiam. Resultado: esse blog está ficando mais literário, como deveria ser. Obrigado de novo, a todos os mecenas. Lista de Presentes Liberal Libertário Libertino (amanhã... uma visão mais, digamos, engajada... os perigos de uma leitura marxista... quiroga, esse burguês alienado!... uma moedinha para o saxofonista do metrô...)
Saturday, May 29, 2004
Três Perguntas aos Meus LeitoresComo nenhum escritor tem leitores melhores que os meus, lanço a vocês três perguntas que estou, por vários motivos e há muito tempo, tentando responder. Já tentei de tudo. Procurei por toda a Internet. Não são curiosidades vãs. As respostas são importantes pra mim. Quem souber responder, eu agradeço. 1) Qual é a origem da expressão Quem Vigia os Vigias ou Who Watches the Watchers? 2) Em média, os computadores domésticos brasileiros são usados por quantas pessoas? 3) Como saber quais são as palavras mais buscadas da Internet brasileira? Antigamente, tinha o Radix. E agora?
Nostalgia da Guerra FriaHélio Fernandes de ontem: "Nunca fui comunista. Num tempo em que tantos se arrojavam aos pés de Stalin, como "guia genial dos povos", eu combatia o ditador. Também não deixei de criticar duramente (talvez o único e não apenas no Brasil) Gorbachov. E disse durante anos e desde o princípio que era um traidor, sabotou o regime, entregou o mundo ao domínio dos EUA, que antes dividiam o Poder mundial com a União Soviética. Numa época em que EUA e União Soviético dividiam uma espécie de Tratado de Tordesilhas, não haveria lugar, de modo algum, para essa revoltante "GUERRA PREVENTIVA" de Bush filho. Liquidada a União Soviética, os EUA ficaram livres para DEFENDER A DEMOCRACIA NO MUNDO, MESMO TENDO QUE SACRIFICÁ-LA no próprio país."
Ser MainardiNa NoMínimo de hoje, Tutty Vasques comenta que, sempre que alguém quer criticá-lo, compara-o a Diogo Mainardi. E, pior, ele adora a comparação: "Não sei se acontece com todo colunista gaiato - ô, raça! -, comigo vem se repetindo freqüentemente: toda vez que um leitor quer xingar minha mãe, manda e-mail me comparando ao Diogo Mainardi. Meus amigos ficam indignados que isso não me ofenda. Cá pra nós, até prezo no coleguinha da Veja e do Manhattan Conection o mérito de irritar gente que não gosta de mim, coisa que não tenho mais paciência de fazer. Se me dizem "olha aí, bestalhão, você está virando um outro Diogo Mainardi", agradeço, cumprimento e me despeço preocupado." Adoro Diogo Mainardi. Ele não é santo, não é dono da razão e não está sempre, nem mesmo quase sempre, certo. Entretanto, essa coluna do Tutty (outro grande nome) me fez ter um curioso insight: ser comparado ao Diogo Mainardi é um dos melhores indicadores de que um cronista, jornalista ou escritor em geral está no caminho certo. Imagino quantas vezes o Soares Silva e o Polzonoff já devem ter ouvido isso. Imagino se outros blogueiros que adoro, mas são mais bem-comportados, como o Inagaki e o Marmota, não deveriam talvez ouvir isso mais vezes para soltar logo a franga. Estou escrevendo mais uma prisão, a Prisão Patriotismo Reloaded, tomando como ponto de partida a crônica do Mainardi na qual ele diz que a cultura brasileira é monotemática. Tomara que me xinguem bastante. Leia Mainardi, eu?, de Tutty Vasques, na No Mínimo Leia Diogo Mainardi e o Boi-Bumbá
Bush e as EleiçõesRafael Galvão, autor de um dos meus novos blogs favoritos, escreveu: "Desde que comecei este blog, venho dizendo que Bush vai perder as eleições." Perder nem é mais a questão. Afinal, ele já perdeu uma eleição: a última! Tomara que também perca a próxima e, mais tomara ainda, tomara que dessa vez perca e NÃO leve. * * * Não deixem de ver esse excelente post do Rafael sobre uma questão polêmica: os muçulmanos devem recuperar o direito de rezar na Mesquita de Córdoba, direito esse perdido durante a Reconquista, mais de 500 anos atrás?
Alexandre Soares SilvaEu nunca tinha ouvido falar do jornal Semana 3, de Campinas, mas eles já ganharam meu respeito: deram uma coluna ao Alexandre Soares Silva, meu escritor favorito da nova geração. Sou contra elogios. Não gosto de dar, gosto menos de receber. Pra eu elogiar um cara que tem o nome parecido com o meu, pertence a mesma geração que eu e se propõe a fazer a mesma coisa que eu... Bem, o cara é bom. Essa primeira coluna, por exemplo, está das melhores coisas que ele escreveu nos últimos meses. Alexandre, qual é a desse jornal? Ele é mensal? Na capa, diz só "Maio". E sua coluna? É mensal também? Aliás, se não me engano, o livro ao qual você se refere é Preconceito Linguístico, do Bagno. A teoria dele é mais ou menos essa que você resume, e parece bastante idiota, bem tese de esquerda festiva, mas o livro é surpreendentemente bom. Humilhados e Ofendidos - Coluna de estréia do Alexandre no Semana 3 Alexandre Soares Silva - O blog
Excelente Designer Dando SopaMinha amiga Daniela Castilho está enfrentando alguns problemas e precisa encontrar um emprego urgente, em São Paulo ou em Salvador. Ela pediu para que eu divulgasse o seguinte anúncio: Designer procura emprego Procuro emprego de designer, diretor de arte, encarregado de arte, em gráfica, com web, cinema, tv. Tenho 15 anos de experiência comprovada. Já trabalhei com revistas, agência de publicidade, cinema, tv. Trabalho com web desde 1996, e já coordenei projetos grandes como portais e sites de leilões. Tenho larga experiência em atender grandes clientes, dar atendimento comercial e suporte téncico. Meu curriculum online: curriculum vitae Por favor mandar email para Daniela Castilho. Muito obrigada."
Friday, May 28, 2004
Câmeras Digitais São Proibidas no Iraque. Ou Não. Leia hoje na minha coluna:
Câmeras Digitais São Proibidas no Iraque. Ou Não. Na minha coluna da semana passada, comentei que as fotos emblemáticas da Guerra do Iraque estavam sendo produzidas pelas próprias câmeras digitais e celulares dos soldados. Poucos dias depois, Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos Estados Unidos, decidiu banir o uso desse tipo de aparelho das bases militares no Iraque. Pelo menos foi isso que noticiaram a Agência France-Presse, a Folha Online e centenas de outros jornais pelo mundo, como Yahoo! News, Washington Times e Sydney Morning Herald, entre outros. Pena que era tudo mentira. História Mal-Contada Eu li a matéria na Folha e já pensei: escrevo sobre isso na sexta, ele proíbe no domingo, perfeito. Já tenho minha próxima coluna. Na verdade, considerando o estrago que essas fotos têm causado, o governo semi-ditatorial de Baby Bush até demorou muito pra tomar essa decisão. Entretanto, o clamor público que deveria ter se seguido não aconteceu. Decidi pesquisar um pouco mais a fundo. A matéria da Folha, reproduzida da Agência France-Presse, cita como fonte um tal jornal "The Business." Não poderia haver nome mais geral e vago. A medida que a notícia era reproduzida por todo o mundo, a nacionalidade do jornal variava. Veículos ingleses diziam que o "The Business" era inglês, australianos, que era australiano. Até o news.com.au, confiável portal de notícias da Austrália, citava o "The Business" como sendo um jornal australiano. Quem sou eu pra desdizer? Bem, sou um jornalista que sabe encontrar as coisas na internet. E, com exceção de reproduções dessa falsa notícia, não há nenhuma outra menção de jornal inglês ou australiano chamado "The Business". Além disso, curiosamente, ninguém dava o link da matéria original. Será que existe um jornal australiano ou inglês que não possua site? Felizmente, não fui só eu que procurei. Vários outros jornalistas, blogueiros e diletantes em geral também tentaram ir fundo nessa história e deram com a cabeça nas pedras. As teorias foram muitas - seria o "Sunday Business" ou o "Business Times"? - mas a verdade é que não havia evidência suficiente para apoiar nenhuma conclusão. Eram tantas pulgas atrás da minha orelha que elas escorriam pelos meus ombros. Uma coisa é certa: essa história estava incrivelmente mal-contada. Imprensa Enganada Na minha coluna de 30 de abril, mostrei como notícias falsas, criadas por sites humorísticos, estavam circulando pela Internet como se fossem verdade, e enganando até jornalistas. Essa semana, por exemplo, Ricardo Noblat, excelente colunista de O Dia, caiu no trote. O Cocadaboa veiculou uma notícia (falsa, como tudo o que mais que eles publicam) sobre Lula ter sido zoado pelo programa humorístico norte-americano Saturday Night Live. Noblat engoliu tudo. Reproduziu a matéria completa, sem citar a fonte, e ainda acrescentou: "É o que dá arranjar briga sem necessidade. Se Lula não tivesse mandado expulsar do país o correspondente do NYT, ninguém lá fora teria dado importância ao que ele escreveu. E aqui dentro também não." E eu pensei cá com minhas teclas: teria a imprensa mundial caído em um enorme trote digno do Cocadaboa? Departamento de Defesa Desmente Xeni Jardin, jornalista da Wired e uma das responsáveis pelo ótimo blog Boing Boing, decidiu ir fundo no assunto. Entrevistou um porta-voz do Departamento de Defesa e ele negou tudo. Não houve a tal proibição, embora existam algumas diretivas bem gerais sobre o uso de aparelhos sem fio. Basicamente, as diretivas se resumem a "usem seu bom-senso e juízo, hein!" Ainda assim, fica uma dúvida: bom-senso do ponto de vista de quem? Para o soldado torturador, bom-senso seria não registrar seus crimes. Para o contribuinte norte-americano, bom-senso seria divulgar as fotos e descobrir que tipo de atrocidades ele está financiando. A Farsa Diária A fonte do trote parece ser uma matéria do jornal satírico "The Daily Farce" (A Farsa Diária), publicada no dia 6 de maio: "Surgem novas fotos de abusos: Rumsfeld proíbe câmeras digitais no Iraque" (New Abuse Pictures Emerge; Rumself Prohibits Digital Cameras In Iraq). Alguns trechos: "Para proteger os prisioneiros iraquianos de futuros abusos, todas as câmeras digitais, filmadoras ou telefones celulares com câmeras estão rigorosamente proibidos em qualquer instalação militar do Iraque." "To protect the Iraqi prisoners from any future abuses; any digital cameras, camcorders, or cell phones with cameras are strictly prohibited anywhere in any military compound in Iraq." Outras manchetes em destaque na mesma página incluem coisas como "Tropas Norte-Americanas Atiram em Casamento Iraquiano; Bush: 'Pensamos que Fosse um Casamento gay.'" ("U.S. Fires on Iraqi Wedding; Bush: 'We had intelligence it was a gay marriage.'") Ou seja, não dá pra levar a sério. Armas de Fotografia em Massa A matéria enganou o mundo por ser extremamente verossímil. Baby Bush, em campanha pela eleição (só quem foi eleito pode ser reeleito), vai tentar de tudo para cobrir seus podres. Rumsfeld já chegou a afirmar: "Pessoas estão andando de um lado para o outro com câmeras digitais, tirando essas fotos inacreditáveis e passando-as adiante, contra a lei, para a imprensa, pelas nossas costas, quando elas nem mesmo chegaram no Pentágono." "People are running around with digital cameras and taking these unbelievable photographs and then passing them off, against the law, to the media, to our surprise, when they had not even arrived in the Pentagon." Em artigo de opinião para o Houston Chronicle, "Sim para as Armas de Fotografia em Massa" (Yes to Weapons of Mass Photography), Clarence Page comenta essas declarações de Rumsfeld, dizendo: "Não, amigos. Aparentemente, na opinião de Rummy, o problema não é a grosseira falta de preparo desse governo para os problemas do Iraque pós-Saddam. O problema são esses garotos intrometidos e suas armas de fotografia em massa." "No, folks, it's apparently not the administration's gross lack of preparation for the management of post-Saddam Iraq that's the problem, in Rummy's view. It's those pesky soldiers and their Weapons of Mass Photography." Uma versão bastante editada desse texto foi publicada na minha coluna Internet, na Tribuna da Imprensa, no dia 28 de maio de 2004. A versão não-editada que você está lendo nesse blog é de minha inteira responsabilidade e contém informações que não foram aprovadas e muito menos publicadas pela Tribuna da Imprensa. Quaisquer reclamações, portanto, devem ser dirigidas a mim. Para conferir a versão autorizada publicada na edição impressa da Tribuna da Imprensa, clique aqui.
Thursday, May 27, 2004
Amanhã, na Minha ColunaSite humorístico faz matéria satírica (e totalmente falsa, claro) e acaba enganando imprensa do mundo inteiro, incluindo Agência France-Presse e até a Folha de São Paulo. Amanhã, na Tribuna da Imprensa, com reprodução nesse humilde blog.
Novos Pecados CibernéticosParece que esses caras acham que já não existe culpa suficiente no mundo! Hoje, no Plantão Info: Teólogos reunidos na Conferência Episcopal Italiana, realizada na semana passada na Universidade Lateranense de Roma, discutiram os "pecados cibernéticos", os quais devem ser adicionados àqueles já difundidos pela Igreja católica. Durante o evento, cerca de 40 teólogos concluíram que os novos costumes e o uso indiscriminado dos meios eletrônicos e da internet fizeram com que o "sentimento do pecado" caísse em desuso, e que surgissem "novas formas de pecar". Entre as novas modalidades de pecado estaria o uso indevido do computador, aí incluídos o uso de software sem licença, a criação e difusão de vírus, o envio de e-mails anônimos com mensagens falsas e o download ilegal de músicas e filmes. Os spams e as atividades dos hackers também podem levar o internauta a queimar no inferno, de acordo com os teólogos. Os pecados considerados mais graves foram a criação e o uso de sites pornográficos e o fornecimento de informações pessoais falsas nas conversas via chat. Também estará em débito com Deus quem "passar a noite conversando com uma pessoa que não é o marido, a esposa ou os filhos", ou quem mantiver uma relação sentimental virtual."
Cocadaboa Faz Mais uma Vítima: Ricardo NoblatNa minha coluna de 30 de abril, falei sobre os boatos que circulam pela Internet e como até mesmo jornalistas supostamente inteligentes se deixavam enganar por eles. Aqui no Brasil, o Cocadaboa é líder em enganar a imprensa. Ontem foi a vez de Ricardo Noblat, dono de um dos melhores blogs jornalísticos do Brasil. Primeiro, ele postou: "É o que dá arranjar briga sem necessidade. Se Lula não tivesse mandado expulsar do país o correspondente do NYT, ninguém lá fora teria dado importância ao que ele escreveu. E aqui dentro também não. Vejam o que recebi há pouco: "O presidente Lula foi alvo de piadas de gosto duvidoso no programa "Saturday Night Live" transmitido pela rede americana NBC, todos os sábados ao vivo de Nova Iorque. No quadro intitulado "Weekend Update", o comediante Jimmy Fallon, com um copo de whisky na mão, fez um monólogo de quase três minutos listando "coisas que você deve fazer se quiser ser o presidente do Brasil". Na lista constavam medidas como beber três garrafas de whisky por dia, fichar estrangeiros para que eles não roubem sua cachaça e expulsar do país quem te denunciar para o A.A. Fallon terminou o monólogo dizendo "E mesmo se você for derrotado em algumas eleições, Keep Walking!", em uma clara alusão ao comercial do whisky Johnnie Walker. O programa Saturday Night Live é uma das maiores audiências na televisão americana nas noites de sábado. Está no ar desde 1975." O segredo do Cocadaboa, como falei em minha coluna, é ser incrivelmente verossível - como no caso do serviço de celular que avisaria cariocas de tiroteios pela cidade. Qualquer um que conheça o Saturday Night Live sabe que, se houvesse o quadro, ele seria assim mesmo. Com uma única ressalva: eles jamais se importariam conosco o suficiente para zoar de nós! Quem acabou zoado foi o Noblat, por dezenas de leitores. Mais tarde, publicou um mea-culpa que só o enobrece: "Peço desculpas a todos, mas tratei como coisa séria o que não passava de brincadeira do site cocadaboa.com.br Refiro-me ao programa de tv que teria gozado o presidente Lula. Existe na internet uma rede de jornalismo investigativo frequentada por centenas de jornalistas brasileiros e alguns estrangeiros. Ela serve para a troca de informações e debate de certos temas. O que não passava de uma inteligente brincadeira foi tratado como algo sério na rede ao longo do dia. E eu resolvi pôr no blog para informação de vocês. Errei. Deveria ter checado antes a procedência do material - como alguns de vocês fizeram. Redobrarei a atenção para não derrapar novamente.E renovo o pedido de desculpas." Noblat aprendeu uma lição importante: não acreditar em tudo que chega por email. Leia minha coluna Os Boatos e A Internet Leia Presidente Lula É Ridicularizado por TV Americana, a matéria original, no site do Cocadaboa.
O Problema das CotasO grande problema das cotas é que raça não é um critério científico que possa ser auferido objetivamente. Mas quem disse que a lei precisa ser coerente? Afinal, por um lado, a lei abole o conceito de raça e, por outro, condena editores por publicar livros racistas (como assim, se não existe raça?) e dá vantagens adicionais a um grupo específico baseado em raça (como assim, se não existe raça?). Enfim, agora a história vai começar a ficar engraçada. Dos 4.173 estudantes que se declararam negros à UnB, 212 foram rejeitados com base em suas fotografias. Da Folha, de ontem: "Para Mauro Rabelo, diretor acadêmico da entidade responsável pelo vestibular da universidade, os candidatos excluídos não foram classificados como negros. "Eram brancos. Nosso critério é a cor de pele. Alguns entenderam que seriam selecionados pela ascendência. Outros tiveram má-fé, "se colar, colou'", afirmou. A UnB fotografou os candidatos que se declararam aptos a concorrer dentro da política de cota racial. Segundo ele, já era esperada uma rejeição de 5% dos pedidos. A universidade aceitou que pessoas de cor parda se declarassem negras no processo de seleção." Três perguntas: Como será que a universidade informou os rejeitados? "Desculpe, você não é negro o suficiente"? "Case com um angolano retinto e talvez seus filhos tenham direito a esse privilégio"? Quanto tempo vai demorar até pelo menos uma dessas pessoas começar a processar a universidade por racismo? Meu ex-chefe, citado abaixo, que sempre se considerou negro mas aqui no Brasil era branco, teria sido sumariamente rejeitado. Isso é justo?
Ser NegroSer negro ou ser branco é, antes de tudo, um critério comparativo. Um dos meus chefes, em uma empresa de investimentos, foi um negro norte-americano, advogado formado em Harvard, diretor de multinacional, uma das melhores lábias que já vi em ação. O homem tinha um orgulho tribal de sua herança africana (African Heritage) e de tudo que tinha conseguido alcançar, blá blá blá, e até aí tudo bem, mas então ele começava a falar de racismo no Brasil e eu, como odeio papo furado, era obrigado a interromper. Você não é negro. E ao que ele me olhava chocado, depois de eu ter destruído os alicerces de sua cultura e de sua identidade, pior do que se eu tivesse dito que ele não era terráqueo, eu acrescentava: pelo menos aqui no Rio você não é negro. Não é, obviamente, que não exista preconceito racial no Brasil. Era apenas que meu chefe nunca seria vítima dele, pois não era percebido como negro. O homem tinha traços negros, é verdade, mas não muito, e sua pele era bastante clara. No sul dos Estados Unidos, onde negro é quem tem uma gota de sangue negro e onde os brancos têm cara de leite, realmente, ele era negro, era visto como negro e, de fato, o que ele conseguiu não foi pouco, ainda mais lutando correnteza acima contra o preconceito do Alabama. Mas no Brasil, ao contrário, país de miscigenação profunda, negro é só quem é muito negro e branco é só quem é muito branco. A grossa maioria da população se vê e se pensa e se considera em uma grande categoria amorfa e indefinida, que se situa entre esses dois extremos, e cujo nome varia muitas vezes de pessoa pra pessoa: mulatos, pardos, morenos, mestiços ou, a melhor que já ouvi e a que adotei pra mim: cor de brasileiro. Tem como ser mais claro? Não sou branco, nem negro: sou brasileiro. Além disso, mesmo no nosso Brasil miscigenado, mas ex-escravista, convenhamos: um americano rico, culto, inteligente, bem vestido e diretor de multinacional só vai ser considerado preto se for realmente muito, muito preto, daqueles negros azulões como só se vêem na África. Quase posso ouvir os nativos rindo: onde já se viu diretor de multinacional negro? Mais tarde, eu reparei que, quando ele fazia seu discurso-padrão de negritude e preconceito para brasileiros que não conheciam a realidade norte-americana, ninguém nunca entendia nada. Ouviam o discurso pensando que ele estava falando de outras pessoas, que estava falando do negro de modo geral. Lembro bem de uma faxineira, negra, que comentou comigo, depois que ele saiu: que pessoa boa, engajada, é de gente assim que o Brasil precisa! E eu expliquei: é que ele pensa que é negro. Ela não tinha como ficar mais surpresa: o quê?! Como assim? O patrão?! É. Na terra dele, ele é negro. E ela só coçou a cabeça, sem entender nada: que coisa! Esses gringos são todos malucos... Não estou questionando o direito do meu ex-chefe de se ver como negro e de ser negro. Afinal, ele nasceu negro, sempre se pensou negro e sofreu (e superou!) todos os preconceitos que os negros ainda sofrem no Alabama. Eu só queria que ele entendesse que os brasileiros nunca o veriam como negro a não ser que ele os informasse previamente desse fato: prazer, meu nome é Fulano e eu sou negro. Leia a Prisão Preconceito
Pirataria ObjetalColuna Pirataria S/A, de Nelson Vasconcellos, em O Globo de hoje: "Não deixa de ser curiosa a análise do físico Aroaldo Veneu sobre a questão da pirataria de produtos culturais, como os CDs de música: - No caso da música digital e dos softwares, a pirataria é relacional e não objetal. - Hein? - Imagine que você fez uma cópia de um CD seu. Se você usar a cópia no lugar do original ela não será pirata. Se você emprestá-la a alguém, tampouco. A pirataria só começará quando (e se) você vendê-la. Isso é prova de que a pirataria está na relação, e não no objeto. É diferente do que acontece com um tênis, por exemplo, em que a matéria-prima, por si, já é pirata, de má qualidade - diz Veneu."
Sebastião Nery: Coragem ou CostumeDiscordo da maioria das opiniões e conclusões de Sebastião Nery, colunista da Tribuna, mas não resisto às histórias com as quais ele abre suas colunas: "O senador do Espírito Santo precisava de um homem valente para se livrar de um pistoleiro que o ameaçava e a meio mundo no Estado. Pediu ao senador da Paraíba para indicar alguém de confiança e coragem. O senador da Paraíba resolveu o problema. Chamou alguém de confiança e coragem, explicou o serviço e mandou para Vitória. O senador do Espírito Santo recebeu o homem com a maior surpresa. Magrinho, baixinho, pequenininho, não parecia dar conta do recado: - Você tem coragem de fazer o serviço? - Coragem não tenho, não, senhor. Tenho é costume. Esse é o problema do Banco Central. Não tem coragem, tem é costume."
A Felicidade dos MausA leitora Riponga, que andou falando umas besteiras por aqui, finalmente teve um insight interessante. Ela escreveu: "Li aqueles teus artigos sobre as prisões. Em um deles tu falas que a felicidade deve estar acima de tudo, inclusive da verdade. Muito bem. O que tu tens a dizer de alguém que tem prazer em matar os outros, ou roubar, ou estuprar. A felicidade do sujeito consiste nisso, então pela tua teoria é uma felicidade legítima. Tu podes esclarecer-me a respeito disso?" Ela foi bastante perceptiva. Realmente, essa é a conseqüência lógica de todo o raciocínio subjacente às prisões e o ponto mais polêmico do livro que estou escrevendo ao vivo aqui pra vocês. Deixei esse ponto para o final, pois ainda estou pesquisando-o e me preparando para a saraivada de críticas que receberei. Entretanto, em respeito ao belo insight da Riponga e, também, para saber a opinião de vocês, deixa então eu adiantar: Sim, se o prazer de alguém é matar, roubar ou estuprar, coisas horríveis em geral e etc, não vejo que outra opção essa pessoa tenha a não ser tentar ser feliz fazendo as coisas que a fazem feliz. Do ponto de vista dela, sua felicidade é legítima, como é a de todos nós. Naturalmente, nada disso quer dizer que roubar, estuprar e matar sejam aceitáveis ou certos por causa disso. Assim como a felicidade dessa pessoa hipótetica depende, digamos, de matar, a felicidade de qualquer mulher hipotética depende de NÃO ser estuprada. Em outras palavras, cada um tem que defender a sua felicidade. O facínora persegue sua felicidade cometendo as atrocidades que o fazem feliz. Nós, a sociedade, perseguimos nossa felicidade (ficar vivos, não ser roubados, etc) combatendo o facínora e encarcerando-o pra sempre.
Uma Noite na ÓperaEstou tentando aproveitar melhor as oportunidades culturais da cidade. Só esse mês, fui a dois concertos no Municipal, um recital no SESC e uma ópera ontem. Toda quarta-feira, às 18:30hs, tem projeto Piccola Ópera no Teatro Municipal do Rio. Faz semanas que quero ir, mas estar no centro às 18:30 para quem já não está no centro é um verdadeiro martírio. Hoje, eu estava, e fui. Os Terninhos Quando eu era criança, minha família tinha uma frisa no Municipal. Dos seis anos em diante, eu ia a todas as óperas e balés que eram encenados. Pior, minha mãe (ainda jovem, brincando de bonecas) fazia questão de me vestir de terno e gravata. Na época, meus ternos eram feitos sob medida no Alberto Marques, um dos melhores e mais caros alfaiates da cidade. Ainda me lembro do sacrifício que era, pra um moleque insuportável e hiperativo como eu, ficar horas parado tirando medidas. Com o preço de um único desses terninhos, que eu jogava fora a cada poucos centímetros que crescia, eu hoje passava três meses. Ai, ai. Enfim, já fui a várias óperas, mas não lembro de nenhuma. Depois de velho, a de ontem foi a primeira. A Língua Estava esperando cantores trocando receitas em um italiano incompreensível, mas tive uma agradável surpresa. Era uma ópera americana, cantada em inglês e passada na década de 40. Bem sui-generis: A Médium, de Giancarlo Menotti. E, palavra de professor de inglês, os cantores tinham excelente pronúncia. A Malvada A ópera conta a história de Madame Flora (Gelcia Improta), uma médium cambalacheira que começa a ser assombrada por fantasmas de verdade e, logo, não consegue mais distinguir entre realidade e ficção. Já de cara, o figurino de Madame Flora me impressionou: ela parecia vestida de Madrastá Má da Branca de Neve. E não era só a roupa. Ao longo da peça, ela humilha, bate, chuta, pisa e acaba matando a tiros seu filho de criação. No meio de tudo isso, ela ainda acha tempo de lhe dar uma surra de chicote tão estalada como eu só vi em um clube de sado-masoquismo. Depois da peça, tentei tirar uma foto dela, mas a máquina ficou sem pilha. Raios. Suspensão de Descrença Qualquer obra de ficção exige algum tipo de suspension of disbelief por parte dos espectadores. Por exemplo, ao assistir um filme sobre vampiros, você tem que "suspender sua descrença" em mortos-vivos que chupam o sangue de outras pessoas. Sem aceitar a premissa básica, não há como apreciar o filme. Eu confesso que meu maior problema durante a ópera foi suspender minha descrença de que pessoas realmente falassem gritando daquele jeito. Arte Erudita Alguém poderia somente me dizer porque ópera e música clássica são consideradas música erudita? Erudita em que sentido? Como uma música pode ser erudita em relação a outra? Por que samba é popular e ópera é erudita? É preciso alguma erudição ou cultura para apreciar a nona de Beethoven? Alguém que gosta de Mozart é mais culto do que alguém que gosta de Fundo de Quintal? Não entendo essas coisas. Eu, por exemplo, acho música clássica algo extremamente popular. Aqui no Rio, pra ouvir um cantor de bar blimblomblando travessia no violão eu teria que pagar uns R$10 só de couvert artístico. Já para assistir esses dois concertos, um recital e uma ópera, em maio, eu gastei um total de R$2. Não tem como ser mais popular.
Wednesday, May 26, 2004
Ainda Sobre A Tarde Consegui comprar um A Tarde em uma banca do centro do Rio. Fiquei impressionado. Meu pai morou em Salvador uma época e eu lia o A Tarde todos os dias quando estava na casa dele. Sempre que passou uma excelente impressão.
Hoje, olhando com olhos mais atentos, gostei ainda mais. O Caderno de Informática é muito bem fechadinho e, especialmente, adorei a diagramação e ilustração da minha matéria. Muito classuda. Meus agradecimentos à editora, Ilza, que me acolheu, e à Regina, que primeiro me entrevistou. Agradecimentos também aos leitores que me parabenizaram aqui. Não, não é um emprego, e não, não é nada fixo, mas pretendo mandar artigos toda semana, sim. Se a Ilza vai querer publicar, não sei. Veremos.
Estréia em A Tarde, de Salvador Começo hoje a colaborar no caderno de informática do jornal A Tarde, de Salvador, o maior diário do nordeste.
Meu primeiro artigo é Não Compre Tartaruga por Lebre, sobre a má qualidade das velocidades de conexão à Internet. Infelizmente, só para assinantes.
Dom Quixote Acabei de ler a primeira parte do Quixote. Tenho que ser sincero. Não achei nada de mais. Nem um pouco ruim, muito bom, na verdade, mas longe de ser uma das maiores obras literárias da humanidade blá blá blá.
Pouca gente sabe, mas o que é hoje considerado o Dom Quixote é formado, na verdade, por dois livros bem distintos. El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha foi publicado em 1605. Mais tarda, a aparição de versões espúrias fez com que Cervantes inventasse algo que nos persegue até hoje: a seqüência. Uma nova obra, independente da original, mas com os mesmos personagens: El Ingenioso Caballero Don Quijote de La Mancha, publicado em 1615. Reparem na diferença do título. Minha edição do Quixote é sensacional. Não hesito em dizer que é o melhor livro que eu tenho - e olha eu tenho muitos. Produzida pelo Instituto Cervantes, em 1998, ela tem dois volumes, um com o livro e o outro só com a fortuna crítica. Ou seja, tudo, tudo mesmo o que vocês possam imaginar para auxiliar a leitura, como mapas, notas, ilustrações comentadas, contexto histórico, etc. Basicamente, nesse primeiro livro, Dom Quixote e Sancho Pança são meras desculpas para a narração de várias novelas independentes. E as histórias não são nem tão boas assim. As do Decamerão, por exemplo, são muito melhores. Mas li. Li até o fim. Sem sacrifícios. O livro é leve e engraçado, causa lá suas gargalhadas. O espanhol nem é difícil: é mais fácil de ler do que um contemporâneo como Camilo José Cela. Pensei seriamente em não ler o segundo livro. Dizem, entretanto, que Quixote genial é o da segunda parte, com um fio condutor narrativo e na qual Cervantes, já sabedor do enorme sucesso do primeiro livro, faz brincadeiras metalinguísticas bastante modernas. Será? Vou conferir. Estou lendo o segundo livro. Depois, conto mais.
Novas TécnicasA verdade é que o LLL ficou mais intenso, mas também perdeu parte de sua tradicional qualidade. Os posts bons e de conteúdo original (a razão de ser do blog) acabavam sumindo entre diversos outros posts de humor ou jornalísticos - que também têm o seu enorme valor. Por isso, tentei uma experiência nova com esse último post. Foi difícil, mas contive ao máximo a minha prolixidade por quase dois dias. Fiz o post dos ghosts of past happiness e deixei ele quieto, no topo da página, para garantir que fosse lido e comentado pelo número máximo possível de leitores. Deu certo. Tentarei fazer isso mais vezes.
Tuesday, May 25, 2004
Ghosts of Happiness PastA felicidade só pode existir no presente. No futuro, ela é um engodo. No passado, quase sempre uma aflição. Felicidade futura é uma das ferramentas mais reacionárias e conformistas da todos os tempos. Em nome de uma pretensa felicidade eterna no paraíso, gerações e gerações se submeteram às mais desumanas tiranias. Em pleno século XXI, a quimera de uma boa poupança, sua casa própria e uma velhice tranqüila também faz com que milhões trabalhem como mouros hoje, dando suas vidas em holocausto a uma felicidade futura que pode jamais acontecer. Mas a felicidade futura é um perigo por demais conhecido. Também terrível é a felicidade passada. O Ponto de Ônibus Existe um ponto de ônibus no qual vivi momentos de intensa felicidade. Eu estava namorando uma colega de trabalho, Valéria. Ela era linda, sexy e inteligente. Psicóloga, mestre em Filosofia, me apresentou a Antônio Nóbrega e a Roberto Freire. Além disso, era uma verdadeira Rainha Má e tinha tesão em me fazer lamber seus pés e adorar suas botas. Sinto muito sua falta em minha vida. Todo dia, às seis, eu ia levá-la no ponto. Enquanto esperávamos seu ônibus chegar, nos beijávamos apaixonadamente. Meu grande objetivo era fazê-la perder o número máximo de ônibus possível. Ela perdia o primeiro, perdia o segundo, tinha dias que perdia o terceiro e quarto, embalada nos meus beijos. Só não perdia mais porque estava indo para um segundo emprego e não podia se atrasar. Hoje, esse ponto fica perto da minha casa. Dou voltas enormes para evitá-lo. Passar por ele me faz mal. Tanta felicidade morta tem um peso opressivo. Quanto maior a felicidade, mais fedorenta a massa putrefata. Um triplo assassinato não teria deixado a atmosfera tão pesada quanto aqueles longos beijos ao pôr-do-sol. Passo por lá e posso sentir o velho ponto de ônibus me atormentando, esfregando minha felicidade passada em minha própria cara, me acusando de não ser tão feliz quanto era, de não ser tão feliz quanto poderia ser. Fantasmas Nada Assustadores Nas histórias de terror, os fantasmas são vítimas de terríveis violências, pobres pessoas de cabeças decepadas e unhas arrancadas, impedidas de alcançar o descanso eterno pelas dramáticas circunstâncias de suas mortes, condenadas a vagar por nosso mundo buscando por seus algozes. Que escritores mais sem imaginação! Fantasmas assim nada têm de assustadores. Eu poderia chegar em casa todos os dias e conviver com eles sem problema algum. Boa noite Headless Nick, boa noite Gaspar, como vão?, ainda sentindo cócegas no braço decepado?, já conseguiu encontrar o seu assassino?, não?, puxa, que chato, alguma pista?, me passa o porto?, ah, é verdade, você é imaterial, pode deixar que eu pego, etc. Assassinato, morte e mutilação, além de não serem tão terríveis assim, pelo menos dão assunto. Uma Casa Verdadeiramente Mal-Assombrada Muito pior seria morar em uma casa verdadeiramente mal-assombrada. Imaginem uma ex-casa de festas, onde adolescentes perderam a virgindade juntos em êxtases de felicidade, onde casamentos representaram a culminação dos desejos de várias vidas, onde casais se conheceram e experimentaram aquela alegria primordial de se encontrar sua alma gêmea. Acontecimentos posteriores não importam. Acontecimentos posteriores sempre estragam tudo. A ex-virgem ficou grávida, o cara fugiu e deu a maior merda. O casamento acabou em adultério e recriminação menos de um ano depois. O casal que se conheceu nunca se juntou, pois ele foi transferido e ela não quis ir atrás. Não interessa. Aqueles momentos foram tão infinitamente extasiantes que ficaram cravados na estrutura do universo, impregnados nas paredes da casa, se recusaram a deixar de existir e caminhar para as trevas do passado juntos com os outros momentos comuns. Não, meus amigos. Um momento realmente feliz nunca deixa de existir. Ele continua reverberando para sempre. Sua existência é tão concreta que ele quase pode ser visitado, como se visita a casa de um velho amigo. E imaginem que terror seria chegar em casa e tentar tomar tomar um café na cozinha logo no momento em que o tal casal está se conhecendo melhor - o quê?, você também colecionou Watchmen?, não acredito! Ao contrário dos assassinados, mutilados e amaldiçoados, esses dois nem mesmo conversam comigo, não me dão a menor bola, não me fazem companhia. Só querem saber um do outro. Eles se bastam para a eternidade. Lá em cima, a mesma coisa. Nas noites em que os virgens se manisfestam, tenho que ir dormir no sofá: eles fazem muito barulho e ocupam a cama toda. Já tentei inclusive mudar a cama de quarto e nada. Eles seguem a cama. Deve ter sido naquela cama mesmo. Inferno. A felicidade dos outros sempre é algo sufocante. Se o outro for nós mesmos, alguns anos antes, é pior ainda. Água e Chocolate Eu e minha esposa mal tínhamos nos conhecido e decidimos passar um fim-de-semana juntos. Éramos adultos e barbados e, mesmo assim, num arroubo de rebeldia juvenil, não contamos a ninguém para onde estávamos indo nem com quem. Pegamos um ônibus para um balneário próximo, fomos nos comendo já no ponto e ao longo de todo o trajeto, mal nos segurando pra não transar pelo caminho. Paramos em uma vendinha e, enquanto nos agarrávamos cada vez mais intensamente, compramos água, guaraná, chocolate em barra e biscoito recheado de chocolate. Devidamente munidos de calorias em estado bruto, nos enfiamos no quarto mais barato da pensão mais vagabunda e lá ficamos, de sexta a segunda, só saindo para comprar mais água e chocolate. Na segunda, já sabíamos que queríamos passar o resto da vida um com o outro, faltava só ajeitar os detalhes. Nove meses depois, estávamos morando juntos. De Castigo Há momentos de felicidade que nos exaurem e há os que nos recarregam. O segredo é fugir dos primeiros e buscar os últimos. Via de regra, eu evito o ponto de ônibus e não penso muito nele. E, quando estou deprimido, visito o meu primeiro fim-de-semana com minha mulher. Como Funes, o memorioso, eu fecho os olhos, dou um passinho pro lado e estou lá. Ele existe ainda, concretamente, fisicamente, sempre ao meu alcance. Sinto tudo o que senti, vejo tudo o que vi. E volto de lá refeito, recarregado, pronto pra outra. Os meus últimos dias foram difíceis. Não saí de casa, não comi nada, não usei o computador, não tive ânimo de pegar nem O Globo debaixo do carpete. Chorei e chorei. A porta do meu fim-de-semana estava trancada. Fiquei de castigo no ponto, sozinho, esperando por um ônibus pra me tirar dali. E o ônibus nunca veio. * * * O bom de estar deprimido é que pelo menos volto a escrever direito. Esse post é como deveriam ser (e como costumavam ser) todos os posts desse blog. O título é referência aos "ghosts of christmas past" (fantasmas dos natáis passados), de A Christmas Carol, do Dickens. Funes, o memorioso é protagonista de conto homônimo do Borges, um cara que lembra de absolutamente tudo, com um único problema: pra lembrar de um dia ele precisa de um outro dia. Nearly Headless Nick é um fantasma quase sem cabeça dos livros do Harry Potter e Gaspar é o Gasparzinho depois de velho.
Monday, May 24, 2004
Procura-se por Assinantes da VejaAlgum santo leitor que seja assinante da Veja poderia, por favor, me conseguir o texto da crônica de Diogo Mainardi onde ele diz: "Enquanto as outras literaturas exploram o indivíduo, a literatura brasileira é monotemática"? Obrigado.
Novos FavoritosDei uma mexida radical nos links. Resolvi deixar os blogs favoritos realmente só para aqueles blogs que eu visito todos os dias. E tinha muito blog lá paradão, mortão, com posts semanais e olhe lá. Continuo gostando deles, mas como não vou voltar tanto, coloquei-os lá embaixo. Em compensação, vários outros que me peguei visitando com muita freqüência acabaram subindo. Confiram abaixo. Novos blogs favoritos: Rafael Galvão, Petrarca, Confissões de Uma Mulher de 30, Cris Dias, Singrando, Praia do Nelson, Zerok e Epinion. Blogs amigos são todos os que têm a gentileza e o carinho de linkar pra mim. É impressionante o número de novos blogs que, toda semana, passam a linkar pra cá. Aqui vão eles: Um Labirinto Feito de Espinhos, Restos de Ontem, Mulher de Óculos, Escambo, Farofa na Neve, Devaneadora, Cannibal Café e Vox Noctis Liber. Essa semana não houve nenhuma adição à Galeria de Honra? Quer entrar para a Galeria de Honra? Coloque um botão do LLL no seu blog ou site. Ah, e esse é o 800º post desse blog.
Júnia Bittencourt e Arte NaïfConvido meus leitores a visitar o site de Júnia Bittencourt, leitora e artista naïf. Adoro sua série de cobras, as Membiras. Vale a pena a visita. Júnia Bittencourt
Knut HamsunKnut Hamsun (1859-1952), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1920, é considerado o maior escritor norueguês. Henry Miller idolatrava Hamsun. Por sua empolgada recomendação, li Fome, considerada a obra-prima do norueguês. Achei fraco. É uma escolinha urbana precoce. Escritor maldito e faminto (literalmente!) vaga pelas ruas de Oslo, sem amigos, sem dinheiro, sem talento e deixando os leitores sem saco. Buscando por Hamsun na Internet, descobri que boa parte das pessoas que o lê hoje em dia é justamente por causa das recomendações de Miller. Depois, também tentei ler Pan, mas larguei. Chato demais. Riscado da minha lista. Minha edição de Fome foi traduzida por Carlos Drummond de Andrade, o que só atesta o estado precário das traduções nacionais. Duvido que Drummond soubesse ler norueguês. Sabe-se lá de que língua ele retraduziu e o quanto se perdeu nesse telefone sem fio. Quando a Alemanha invadiu a Noruega, Hamsun virou um dos maiores entusiastas das idéias nazistas. Com o fim da guerra, foi preso, seus bens confiscados e seu nome execrado. Hamsun não poderia ser figura mais controversa. Reconhecidamente é o maior escritor nacional, mas os noruegueses ainda morrem de vergonha dele por seu papelão adesista. Imaginem como seria nossa relação com Machado de Assis se, depois de ter escrito Dom Casmurro e Brás Cubas, ele tivesse virado serial-killer. Pois é. Mais ou menos assim. O destino final de minha cópia foi interessante. A jovem escritora Ana Paula Maia estava enlouquecida procurando por Fome pra ler, também por recomendação do Miller, e troquei minha cópia por um exemplar do seu romance de estréia O Habitante das Falhas Subterrâneas. Ela ainda se sentiu lisonjeada quando eu disse que a troca era extremamente vantajosa pra mim. Não sei se ela já teve chance de ler Fome e descobrir o mau negócio que fez. Leia meu artigo sobre a Escola Urbana, a praga que assola a literatura nacional.
A Escola Urbana Latino-AmericanaA maldita Escola Urbana não é problema só aqui no Brasil. O caderno Mais, da Folha, mostra em sua capa de hoje a Escola Americana Latino-Americana. Incrivelmente, como se fosse coisa boa. A matéria, como todas do Mais, é gigantesca e não cabe aqui. Fiquem com um trecho da entrevista com Efraim Medina Reyes, "enfant terrible da nova literatura colombiana": "Efraim Medina Reyes posa de outsider: recusa ser incluído na nova geração da literatura de seu país -um "bando de pentelhos"-, mas, com suas declarações sarcásticas dadas sob medida, se tornou o "darling" das mídias colombiana e espanhola. Ele desqualifica os escritores do "boom" dos anos 60 -"García Márqueting" à frente-, mas com seu debochado "Técnicas de Masturbação entre Batman e Robin" (ed. Planeta, trad. Luís Reyes Gil, 300 págs., preço a definir), que está saindo nesta semana no Brasil, se tornou a aposta mais segura do principal grupo editorial de língua espanhola. Na entrevista a seguir, Medina Reyes também se diz influenciado pela nata da cultura "pop cabeça" -o cineasta alemão Wim Wenders, as bandas americanas Pixies e Nirvana-, por lutas de boxe e, também, pela literatura -o italiano Cesare Pavese, a poeta dos EUA Emily Dickinson e a geração "beat" (Medina Reyes já chegou a ser chamado de "Bukowski colombiano"). Contudo seu livro é recheado de máximas e sentenças bem ao gosto dos moralistas franceses do século 18. Colagem de narrativas mais ou menos desconexas girando em torno das inquietações sexuais, existenciais e sociais do escritor fracassado Sergio Bocafloja, "Técnicas de Masturbação entre Batman e Robin" é, contudo, uma obra singular. Isso não se deve tanto ao experimentalismo (Cortázar já havia sido muito mais radical) ou às referências à cultura pop (comum nos próprios beats ou em contemporâneos, como o americano Dave Eggers), mas por sua grande capacidade imagética. Ironicamente, essa sempre foi uma das virtudes mais celebradas em autores como Vargas Llosa e Gabriel García Márquez, a quem Medina Reyes tanto desqualifica. (...) "Meu desejo era fazer uma história fragmentada em mil pedaços": ao descrever a própria obra, Sergio Bocafloja parece estar falando de "Técnicas...". Em que medida ele é um personagem autobiográfico? Tudo o que existe em meus livros é absolutamente autobiográfico. Sou cada um de meus personagens: Rep, Sergio, Marianne... Nada foi inventado. Saí com 800 mulheres nos últimos 25 anos, consumi todas as drogas possíveis e algumas impossíveis, roubei... Então como você mesmo definiria seu livro? Sentia a necessidade de contar minha vida precária e suja, que não cabia nesse pomposo ataúde chamado literatura. Venho de um país feito em pedaços, eu mesmo sou um maldito quebra-cabeças sem raça definida, sem origem nem futuro. Alguma coisa à deriva. Com esses pedaços escrevi meus livros. Com esses pedaços trato de saber quem sou. E quem é você? Alguém que se entristece quando toca peitos repletos de silicone. Que não confunde informação com sabedoria. Que, quando está apaixonado, não pára de transar e o resto do tempo se masturba pela internet. Embora venha de um país mentiroso, minha mãe me ensinou que a verdade tem sua importância." Ai, meu São Machado, dai-me paciência. Leia, na Folha, Topografia Literária da Violência Leia meu artigo sobre A Escola Urbana
Sunday, May 23, 2004
Eu Fui Fiscal do JulianoTabelamento de preços nunca é uma boa idéia. Quem já foi fiscal do Sarney, no agora longínquo ano de 1986, lembra bem disso. Mas em 1986 eu só tinha 12 anos, não sabia nada da vida. Será que mais ninguém sabia disso? Será que nenhum daqueles ignorantes entendia nada de oferta e demanda? No ainda mais longínquo ano de 362 EC, outro tabelamento, implementado pelo imperador romano Juliano, acabou como acabam todos os tabelamentos: em confusão, monopólio e mercado negro. Uma seca havia destruído boa parte das plantações de trigo e milho, e o preço do pão e outros gêneros de primeira necessidade havia subido proibitivamente. Juliano, de passagem pela cidade de Antióquia, resolve remediar a situação. Do vigésimo-quarto capítulo de Declínio e Queda do Império Romano, por Edward Gibbon: "The inclemency of the season had affected the harvests of Syria; and the price of bread, in the markets of Antioch, had naturally risen in proportion to the scarcity of corn. But the fair and reasonable proportion was soon violated by the rapacious arts of monopoly. In this unequal contest, in which the produce of the land is claimed by one party as his exclusive property, is used by another as a lucrative object of trade, and is required by a third for the daily and necessary support of life, all the profits of the intermediate agents are accumulated on the head of the defenceless customers. The hardships of their situation were exaggerated and increased by their own impatience and anxiety; and the apprehension of a scarcity gradually produced the appearances of a famine. When the luxurious citizens of Antioch complained of the high price of poultry and fish, Julian publicly declared, that a frugal city ought to be satisfied with a regular supply of wine, oil, and bread; but he acknowledged, that it was the duty of a sovereign to provide for the subsistence of his people. With this salutary view, the emperor ventured on a very dangerous and doubtful step, of fixing, by legal authority, the value of corn. He enacted, that, in a time of scarcity, it should be sold at a price which had seldom been known in the most plentiful years; and that his own example might strengthen his laws, he sent into the market four hundred and twenty-two thousand modii, or measures, which were drawn by his order from the granaries of Hierapolis, of Chalcis, and even of Egypt. The consequences might have been foreseen, and were soon felt. The Imperial wheat was purchased by the rich merchants; the proprietors of land, or of corn, withheld from the city the accustomed supply; and the small quantities that appeared in the market were secretly sold at an advanced and illegal price. Julian still continued to applaud his own policy, treated the complaints of the people as a vain and ungrateful murmur."
Saturday, May 22, 2004
Para Entender o CapitalismoEsse blog não é para discutir política e muito menos economia. Esse é um blog sobre liberdade, do ponto de vista individual e existencial. Eu não gosto e nem entendo de política e nem de economia. Tenho lá minhas opiniões, fortemente vinculadas às minhas opiniões sobre liberdade, mas não tenho nem instrumental nem disposição para defendê-las. Acho a esquerda burra sim, mas também acho a direita retrógrada e hipócrita. Acredito em livre concorrência, livre mercado e estado mínimo. Acredito que o governo, qualquer governo, é intrinsicamente corrupto e deve ser mantido sob estrita vigilância pela sociedade - nunca o contrário. Dito isso, tenho afinidades históricas com a esquerda libertária e com os anarquistas, apesar de discordar deles em dezenas de coisas. Por fim, não quero alienar possíveis leitores com besteiras. E discussões esquerda vs direita são exatamente isso: besteiras. Se você tem um compromisso forte com a democracia e com as liberdades individuais, você está no meu time. O resto é detalhe. * * * Dito isso, fiquem com esse excelente artigo de João Mellão, originalmente publicado no Estado de São Paulo de 21 de maio. Não vou responder às provocações, mas fiquem livres para cair no pau entre vocês. Para entender o capitalismo: como explicar tudo isso de forma sucinta e acessível? Joãozinho, meu filho, está na faculdade. Um dia desses, um professor falou-lhe maravilhas sobre o comunismo e ele veio me questionar: Pai, se o comunismo é tão bom, por que é que o capitalismo venceu em todo o mundo? Eu poderia indicar-lhe uma centena de livros, mas preferi me propor um desafio: como explicar a um jovem, de forma sucinta e acessível, as inúmeras contradições entre os dois sistemas? Eis, em resumo, o que lhe falei. João, o comunismo seria um sistema perfeito se ele não exigisse, como pré-condição, um ser humano perfeito para nele viver. O capitalismo funciona porque ele aceita a natureza humana como ela é e se propõe a aperfeiçoar a sociedade com base no homem já existente. Como assim? Houve uma época, entre os séculos 19 e 20, em que se acreditava que, se o progresso científico podia revolucionar a natureza física, ele também seria capaz de revolucionar a sociedade e a natureza humana. Daí nasceu a idéia do socialismo e do comunismo. Essa idéia, infelizmente, se mostrou errada. A natureza humana - não importa o progresso material - é imutável. Os homens são, por essência, egoístas, ambiciosos e engenhosos, e a sociedade só pode ser aperfeiçoada se partirmos desses pressupostos. É essa a premissa básica do capitalismo? É. O capitalismo não é uma ideologia pré-elaborada. Ele nasceu espontaneamente, como conseqüência natural do progresso econômico da Humanidade. Ele não tem criadores, tem, no máximo, interpretadores. O primeiro deles, foi Adam Smith, um filósofo moral que, na década de 1770, afirmou que todos nós, humanos, temos o desejo inato de melhorar as nossas próprias condições. Segundo Smith "os governos não deveriam reprimir o egoísmo, pois as nações empobreceriam se dependessem unicamente da caridade e do altruísmo".A sua mais famosa constatação foi a de que "não é pela benevolência do açougueiro ou do padeiro que nós contamos com o nosso jantar, mas sim pelo próprio interesse deles em ganhar dinheiro". Sua conclusão foi a de que "se cada um cuidar de promover os seus próprios interesses, o resultado será a prosperidade da sociedade como um todo". Por que o padeiro não pede o preço que quiser pelo seu pão? Porque ele enfrenta a concorrência dos outros padeiros e assim tem que cobrar o preço que o mercado impõe. O mercado, segundo ele, é regido por uma "mão invisível" que estabelece todos os preços da economia em função da oferta e da procura existente. E o que se conclui disso tudo? Pergunta-me o Joãozinho. Que o Estado não deve interferir no mercado ou tentar fixar "preços justos", mas sim deixar que a economia, regida pela "mão invisível" - que nada mais é do que a interação permanente entre todos os indivíduos - caminhe por si só. A ganância inata das pessoas as torna engenhosas e empreendedoras, fazendo-as produzir produtos cada vez melhores por preços cada vez menores. É assim que surgem as novas tecnologias, se dá o progresso, e todos ganham com isso. Mas, pai - observa o Joãozinho. Na prática as coisas não se dão bem assim. Tem pessoas que já nascem ricas e poderosas. Como é que os pobres vão competir com elas? E se uma empresa sozinha dominar todo o mercado de um certo produto? Ela não vai impor o preço que quiser e deixar de investir em tecnologia? No capitalismo maduro é aí que entra o Estado. Quais são as suas funções? Prover Segurança e Justiça, proibir os monopólios, garantir a livre concorrência e obrigar o respeito à propriedade e aos contratos. Alem disso ele tem um papel importantíssimo que é o de promover iguais oportunidades para todos. Como assim? Essa é a base moral do capitalismo, meu filho. Cabe ao Estado garantir a "igualdade de oportunidades". O Estado deve prover Educação, Saúde e chances para todos os cidadãos, igualmente, independente de sua origem sócio-econômica. A partir daí, cada qual prospera de acordo com o seu próprio talentos e empenho. Para os menos capazes existe a proteção da seguridade social. Mas não é assim no Brasil, não é verdade?. Esta é a regra nos países capitalistas avançados. No Brasil, o verdadeiro capitalismo nunca existiu. Por aqui o Estado não garante aos indivíduos condições para que eles ascendam exclusivamente pelo seu próprio mérito e também não há uma eficiente rede de proteção social para proteger aqueles que, por razões diversas, são menos competitivos Além do mais nos falta algo indispensável que o economista Schumpeter definiu como "destruição criadora"... O que é isso?. O processo de "destruição criadora" é a base do progresso. Ele faz com que, no mercado, as tecnologias obsoletas e as empresas ineficientes sejam implacavelmente desafiadas e substituídas por novas empresas, mais competentes e com tecnologias mais avançadas. Os países comunistas - além de sufocar o ímpeto empreendedor dos indivíduos e impedir a ascensão de novos talentos - não contavam com esse instrumento e , por isso, as suas economias acabaram se estagnando e se inviabilizando. Essa falha, aliás, é também do Brasil. Para que as novas empresas e tecnologias possam florescer é preciso que haja financiamento em abundância. No nosso país, onde o crédito é caro e inacessível, não há o processo de "destruição criadora" e, portanto, há pouco desenvolvimento. A meta do comunismo era o da "igualdade total para todos". Qual é a do capitalismo? A bandeira política do capitalismo - ou do liberalismo, que é a sua versão ideológica - não é a da igualdade forçada, mas sim a da liberdade individual e a da prosperidade geral. Qual é a sua meta? Simples: 'Um número cada vem maior de oportunidades para um número cada vez maior de pessoas" Eu creio que o Joãozinho entendeu..." Obrigado ao leitor Marcelo Tavares por me enviar o artigo. Leia também Libertário e Libertino, Ok, Mas Liberal?!
Da Série Leitores Satisfeitos: Fetiche de RealidadeRecebi o seguinte email da leitora Karina: "Acabo de ler Mulher de um Homem Só. Para começo de conversa, devo dizer que esta noite desfrutei de apenas três horas de sono. Tente imaginar meu estado quando comecei a ler, pois é. Ainda assim, bravamente, fui do início ao fim sem intervalo e sem desejar abandonar a leitura e ceder seu lugar à tentadora e confortável cama. Talvez pelo fato de aqui estar diante do computador, uma luz clara mantendo as pupilas retraídas e o olhar atento, talvez. Mas não sejamos cruéis, parece mais honesto admitir que o mérito tenha sido mesmo seu, dessa narrativa leve e gostosa. À primeira vista, primeiras linhas, entrevi uma semelhança muito grande com o estilo de Machado de Assis. Geralmente, qd algo assim me soa muito patente, tendo a pré-conceituar o autor como um imitador pretensioso. Não aconteceu o mesmo desta vez, gostei de ter reconhecido ali a tal semelhança. Proposital ou não, enfim, não vem ao caso; um pouco mais adiante já não a identificava mais, e continuei a achar quase tudo muito agradável. O "quase" fica por conta das intimidades menos veladas. É, e tb do chulo em alguns trechos. Não sei por que teimam em retratar fielmente a realidade qd um romance mais romanceado (ui!) não cairia nada mal. E na realidade o buraco é mais embaixo: não sei por que acham que só vai parecer um retrato fiel da realidade se houver nas histórias uma certa dose de "porras" e afins (sim, as diversas conotações daquele). É tão obsceno quanto participar da intimidade escatológica do parceiro no banheiro. Uma indecência dessas em um enredo tão bonitinho.. ah!.. O que me atraiu à leitura foi o miniresumo e a questão posta em debate: amizade entre sexos. Polêmica antiga, e vivo nesse dilema. Sou a amiga em questão. Nada Júlia, deixemos claro! (rs) Mas isto aqui não é divã e sinto que daqui a pouco vou cair de vez de sono, então encurtemos a coisa toda: como já disse lá em cima, sua história ficou muito agradável de ser lida, fluida, fácil, ligeira. Com idas e voltas, mas sem perder o encadamento. Trama atraente pelo comum, não pelo banal. E devo dizer que foi muito bom experimentar essa sensação de ler o romance de um completo desconhecido. Oferece mais liberdade, pincipalmente a liberdade de não gostar. Evitei até me aprofundar no seu blog. Isenção total. Sou muito profissional, sabe.. rs.. Mas é isso aí, rapaz.. Muita sorte e sucesso na sua empreitada." Querida Karina, muito obrigado pelo interesse em me ler e pelo carinho em escrever. Pessoalmente, pelo que conheci dele, talvez eu seja parecido com o Machado, mas a narrativa da Carla? Acho que não. Ela fica mais entre Clarice Lispector e Molly Bloom. Talvez o que tenha causado essa familiaridade seja o clima casmurriano do romance. Alguns leitores às vezes até me perguntam, afinal, se o Murilo traiu mesmo a Carla com Júlia. Achei a maior graça o que falou sobre realismo. O fetiche da realidade é uma das piores doenças da ficção contemporânea. Pra começar, não sei quem disse que um romance precisa ser realista, ou próximo à realidade. Que besteira! Uma obra tem que fazer sentido intrinsecamente e só. E, mesmo se isso fosse verdade, quem disse que palavrões acrescentam realidade à uma obra? Por que será que as pessoas acham que falar cinco palavrões por frase é mais "real" do que usar mesóclises e falar coisas como "tê-lo-ia"? Afinal, existem pessoas nos dois grupos. Os pedantes também são reais. Carla fala rápido, ofegante, sem papas na língua e sem controlar suas palavras. Boca suja é ela, não eu. E você? Se gosta desse blog, está na hora de ler meu romance, Mulher de um Homem Só. Aliás, mais do que na hora, pois daqui a pouco ele vai sair do ar, e então só comprando.
Minha Personal StalkerEstava atrasado pra uma reunião em Ipanema e fiz uma coisa chata: roubei uma vaga. Vim pela direita, acelerei, penetrei na vaga, pimba. A vida pode ser cruel em um bairro com tão poucas vagas. Mas a derrotada não se deu por vencida. Parou o carro atrás do meu, como se bloqueando minha saída, e ficou me esperando. Putz, pensei, será que vou levar um tiro por causa de uma vaga? Carioca já pensa logo em tiro. Fiquei no carro o máximo que pude. Vesti o paletó, tirei o alarme, escondi o rádio, peguei a pasta, catei o dinheiro pro guardador, e nada da mulher ir embora. Ela não gritava, não xingava, nem abaixou o vidro. Só olhava pra mim, placidamente, me esperando sair do carro. Por fim, saí. Nossos olhares se cruzaram por um instante. Não fiz gestos, não sorri, não estendi o instante, não queria provocar. Tranquei o carro e fui embora. Acham que acabou aí? Não mesmo. Minha personal stalker começou a me seguir. Eu andava pela calçada e o carro dela me acompanhava, devagarinho. Em plena Ipanema, às duas da tarde. Tentei não olhar pra ela, pra não piorar a situação, mas via o carro pelo reflexo das vitrines. Entrei em duas galerias e perguntei: "Estou sendo seguido por uma louca, essa galeria tem alguma saída dos fundos?" Como estamos no Rio, ninguém estranhou, mas não havia outras saídas. Quando saí da segunda galeria, minha stalker não estava mais lá. Considerei seriamente voltar ao meu carro e estacioná-lo em outro lugar, pra não arriscar de encontrar o vidro quebrado ou os pneus furados. Mas a reunião era importante e eu estava muito atrasado. Pra eu aprender a não ser malandro.
Friday, May 21, 2004
Mecenas SecretoNem todos os mecenas desejam reconhecimento. A santa que me enviou quase R$100 de livros hoje quer que seu nome seja mantido no mais estrito sigilo. Tem medo de ser assediada por outros caras-de-pau como eu. Naturalmente, ninguém é mais cara-de-pau do que eu, mas respeito seu pedido. E agradeço os presentes, de coração.
Assinantes do EstadãoAlgum assinante do Estadão me arranja o texto do artigo do João Mellão de hoje sobre capitalismo?
Eu É um Outro: Autobiografia de Roberto FreireAcabei de ler Eu É um Outro, a autobiografia de Roberto Freire e presente do mecenas Alexz. Escreveu o Alexz: "te mandei um do Roberto Freire, porque logo q comecei a ler seu blog (há mais menos 1 ano) seus posts tinham tudo a ver com a maneira dele pensar ,além é lógico do nome do seu blog LLL." O Alexz tem razão. Amo e admiro Roberto Freire desde que li Sem Tesão Não Há Solução e Ame e Dê Vexame, na mesma tarde sôfrega, ambos presentes, adivinhem de quem?, da Joana. Cleo e Daniel e Coiote estão na minha fila de leitura há séculos e eu estava louco pra ler sua autobiografia desde que foi lançada, em 2002. Qualquer um que pretenda viver com mais liberdade tem, necessariamente, que passar por Roberto Freire. Sua auto-biografia me permitiu entender melhor o homem que ele é. Me permitiu também entender o homem que eu posso vir a ser. Só um porém: me irrita o esquerdismo rasteiro de Freire. Pra ele, ser rebelde e ser de esquerda são conceitos inseparáveis, o que não é verdade. Os comentários que mais me incomodaram foram coisas do tipo: "Ela tinha algumas atitudes burguesas, mas era gente boa." Porra, Roberto, e o que catzu quer dizer isso? Um trecho: "Ou somos nós mesmos ou não somos coisa nenhuma. E para ser si mesmo é preciso um trabalho de mouro e uma vigilância incessante na defesa, pois tudo conspira para que sejamos meros números, carneiros nos vários rebanhos. (...) Há no mundo ódio a exceção e ser si mesmo é ser exceção." Esse trecho me marcou muito e vou retomá-lo em breve em um texto que estou escrevendo desde julho de 2002, que sempre esteve pensado para abrir o blog (!), mas que nunca foi terminado ao meu contento. Basicamente, eu digo que o Liberal Libertário Libertino é uma persona, criada conscientemente por mim e mantida a custa de esforço constante. Para alguns, isso sifinifica que tudo o que leram aqui é uma mentira. Esses podem seguir viagem com a minha benção. Eu, pelo contrário, acho que é justamente por isso que meus esforços são dignos de nota. Já dizia Agostinho: de pouco vale a santidade de quem nunca teve desejos devassos. * * * Alexz, muito obrigado pelo maravilhoso presente, que tem tudo a ver comigo e com esse blog. E você? Meus textos lhe agradam? Já lhe ensinei alguma coisa que valesse a pena? Se for o caso, considere retribuir dando um livro de presente para um autor falido. Lista de Presentes Liberal Libertário Libertino
Livros e Mais LivrosHoje fui no meu playground (nome carinhoso que dou à Biblioteca da PUC) e eis o que cacei por lá: Câmara Cascudo. História da Alimentação no Brasil. 2vls. Um dos meus mestres. A erudição em pessoa. Ninguém conheceu o Brasil mais do que ele. Proust. Em Busca do Tempo Perdido: O Caminho de Swann. Segunda tentativa. Fernando Pessoa. Obra Poética. Para ler os poemas de Alberto Caieiro, por recomendação de Roberto Freire. José Cândido de Carvalho. O Coronel e o Lobisomem. Obra muito bem falada sobre, entre outras coisas, folclore fluminense.
Quem Vigia os Vigias? Leia hoje na minha coluna:
Blogueiro Preso por Falar Mal de Político Poderia ter sido no Irã, na Coréia do Norte ou na China. Mas foi na França. Christophe Grébert, morador da cidade de Puteaux, mantém o blog MonPuteuax, no qual trata de assuntos locais. Em especial, Grébert usa o blog para criticar incansavelmente a administração do prefeito da cidade. Até que o prefeito se irritou e, sábado passado, mandou prender Grébert. O blogueiro estava sendo levado pela Police Municipale quando a Police Nationale apareceu, achou aquela prisão suspeita e acabou soltando Grébert. Ele afirma que irá processar o prefeito por abuso de poder. Em suas próprias palavras: "Quelques minutes plus tard, une voiture de la police municipale arrive. En descendent, 4 policiers municipaux. Ils m'entourent. L'un d'eux me dit que je dois me soumettre à un "contrôle de police", que je suis en état "d'interpellation". Je demande quel délit j'ai commis : pas de réponse. Je leur demande leur identité : pas de réponse. Comme je demande aux passants de m'aider, d'appeler la police nationale, le même policier municipal me dit : "c'est du trouble à l'ordre public". A aucun moment, les policiers municipaux me disent pourquoi je suis arrêté. La police nationale arrive enfin... les policiers municipaux s'écartent. Je suis sauvé!" Recapitulando: político imaturo perde a noção do ridículo e toma medida totalmente despropositada e desproporcional contra um desafeto. Pior, além de pegar mal para ele e tranformá-lo de vítima em agressor, a medida é inútil, pois jamais passaria pelo crivo do Legislativo e seria derrubada de qualquer jeito. Puxa, deve ser horrível morar em um país onde esse tipo de coisa acontece. Links Relacionados: MonPuteaux Blogdex, Termômetro da Internet Conheci o Blogdex há pouco tempo. Não consigo mais viver sem ele. Não entendo como eu conseguia escrever sobre Internet sem conhecer o Blogdex. Brigo com velhos amigos: "Mas como assim você já conhecia? E por que não me disse nada?!" O Blogdex se define como o "índice de difusão dos blogs". O quê? Não entendeu? Claro que não. Esse deve ser um dos piores taglines da história. É simples: todo dia, ele varre os blogs do mundo, descobre quantos novos links foram adicionados nas últimas horas e mostra os sites para onde esses links apontam. Qualquer assunto importante vira assunto de blog. E os blogs, quando falam de alguma coisa, dão o link. Muitos links, no mesmo dia, para o mesmo lugar, são um excelente indicativo de algo importante acontecendo. Onde há link, há fogo. Se tivessem pedido minha opinião, eu bolaria um tagline muito melhor: o Blogdex é o termômetro da blogosfera. Consulte-o diariamente e nunca ficará por fora. O Blogdex foi lançado em julho de 2001, pelo The Media Lab, do MIT. Um ano depois, surgia o Toplinks, também chamado de Blogdex brasileiro. Se você não consegue ler inglês, o Toplinks pode ser uma boa pedida, apesar de não tão relevante. No universo mais restrito dos blogs brasileiros, a listagem é facilmente distorcida. Às vezes, basta dois blogs bobos linkarem para um terceiro e ele já aparece. O Blogdex, por seu lado, nunca falhou comigo. Se está lá, é porque o assunto é quente. Links Relacionados: Toplinks Blogdex Briga de Gangues Planejada pela Internet Duas gangues rivais de Dallas se encontraram em uma sala de bate-papo, trocaram insultos por algumas horas e marcaram hora e local para brigar. Apesar do encontro inicial high-tech, a questão acabou sendo resolvida mesmo aos socos, pontapés e golpes de bastão. Poucos dias depois, a polícia já prendera mais de quarenta envolvidos. Boa parte dos gênios tinha se cadastrado no bate-papo com seus nomes verdadeiros. Quem Vigia os Vigias? Antigamente, na Guerra do Vietnã, eram os jornalistas que levavam à guerra aos lares americanos. Hoje, são os próprios soldados, com os blogs e flogs que mantém do front. As autoridades não sabem para que lado olhar. Preocupado com a reeleição, o governo Bush está controlando ao máximo as imagens que saem do Iraque. Uma funcionária pública que tirou fotos dos caixões de soldados americanos acabou sendo demitida. Redes de televisão e jornais ligados aos conservadores não veicularam as imagens dos prisioneiros torturados. Bem ou mal, a imprensa vem se comportando docilmente. Mas como controlar centenas de milhares de blogs, flogs e câmeras digitais? Essas ferramentas, básicas para qualquer recruta recém-saído da adolescência, estavam totalmente fora do horizonte mental dos velhos do Pentágono. Foram pegos com as calças na mão. A princípio, desde que não revelem informações confidenciais, os soldados têm liberdade de escrever o que quiserem para suas famílias, inclusive manter blogs ou enviar fotos. Até quando? J.D Lasica, editor do Online Journalism Review, considera que essas fotos amadoras se tornaram as imagens emblemáticas dessa guerra. "Cidadãos comuns estão 'fazendo mídia com suas próprias mãos' ('to take media into their own hands')", diz ele. E conclui: "This scandal could not have occurred four or five years ago, before citizens (including US troops) achieved the power to be visual reporters. (...) There's no question that, but for the publication and airing of these photos, the reports of the prisoner abuse would have wound up buried on page A19." "Esse escândalo nunca teria acontecido quatro ou cinco anos atrás, antes dos cidadãos (incluindo soldados norte-americanos) terem obtido o poder de se tornar repórteres visuais. (...) Sem essas fotos, o escândalo da tortura dos prisioneiros teria sido enterrado na página 19." Cada guerra tem a sua foto emblemática. Os generais americanos torcem para que a foto emblemática dessa guerra seja a de Lynndie English levando um iraquiano na coleira. Pois a alternativa é muito pior e está deixando os generais sem dormir: a foto emblemática dessa guerra pode estar sendo enviada por email nesse exato momento. Uma versão editada desse texto foi publicada na minha coluna Internet, na Tribuna da Imprensa, no dia 21 de maio de 2004. A versão não-editada que você está lendo nesse blog é de minha inteira responsabilidade e contém informações que não foram aprovadas e muito menos publicadas pela Tribuna da Imprensa. Quaisquer reclamações, portanto, devem ser dirigidas a mim. Para conferir a versão autorizada publicada na edição impressa da Tribuna da Imprensa, clique aqui.
Thursday, May 20, 2004
Ainda Sobre AplausosLi hoje que Diários da Motocicleta foi aplaudido por 15 minutos em Cannes. Antes, o novo filme de Michael Moore também tinha sido aplaudido por 23 minutos. É definitivo: esse pessoal de Cannes realmente não tem mais o que fazer. Sobre isso, o xará Inagaki também escreveu hoje: "Segundo a Folha Online, a sessão do novo filme de Walter Salles no Festival de Cannes foi encerrada com a platéia aplaudindo "Diários de Motocicleta" de pé por 13 minutos. Exagero? Pois saiba que o crítico de cinema Kleber Mendonça Filho relatou que "Fahrenheit 9/11", o novo documentário de Michael Moore, foi ovacionado por nada menos que 25 minutos após sua exibição. Algumas dúvidas: a) quando a platéia começa a bater palmas, será que todo jornalista liga um cronômetro a fim de averiguar quanto tempo elas vão durar? b) esses franceses não sentem cãibra nas mãos? c) outras perguntas feitas pelo meu xará Cruz Almeida: "será que as pessoas só aplaudiam ou também conversavam entre si? E quem ficou com vontade de ir ao banheiro? Quantos celulares tocaram nesse meio tempo? Será que alguém abriu um jornal pra ler?" Fico imaginando a cena: cinéfilo bate palmas, sente uma inadiável vontade de dar uma mijadinha, alivia-se, olha-se no espelho, dá uma ajeitada em seu smoking, retorna para a sua poltrona enquanto os outros prosseguem com a ovação ao filme recém-exibido, entreouve o diálogo de um casal ("- Não sinto mais minhas mãos!"), hesita por uma fração de segundo se deve ou não acompanhar seus iguais naquele ritual interminável de adoração e, conformado, volta a bater palmas, sem antes gritar um "hurra!" enquanto flerta com a entusiasmada jornalista dinamarquesa que vibra ao seu lado."
Cristãos Proibidos de Ensinar LógicaPor aqui, nossa bela governadora Rosinha Matheus escreve livro sobre as virtudes submissas da mulher ideal e permite o ensino criacionista em nossas escolas. Enquanto isso, no passado, o Imperador Juliano (c.350) proibia cristãos de lecionarem gramática e retórica no Império Romano. Afinal, pessoas que defendem uma fé implícita e inquestionável não estão aptos para ensinar ou usufruir dos benefícios da ciência, da lógica e da razão. Imaginem se um dos critérios de admissão na Nasa fosse um "testemunho de não-fé"? Direto do vigésimo-terceiro capítulo de Decline and Fall of the Roman Empire, por Edward Gibbon: "A just and severe censure has been inflicted on the law which prohibited the Christians from teaching the arts of grammar and rhetoric. The motives alleged by the emperor to justify this partial and oppressive measure, might command, during his lifetime, the silence of slaves and the applause of flatterers. Julian abuses the ambiguous meaning of a word which might be indifferently applied to the language and the religion of the Greeks: he contemptuously observes, that the men who exalt the merit of implicit faith are unfit to claim or to enjoy the advantages of science."
Ainda José Serra e Seu IslandêsNunca gostei do Serra. Cheguei a votar no Lula pra não votar nele. Mas, convenhamos, essa sua série sobre o islandês está maravilhosa. Coluna de segunda, 3 de maio, na Folha: "Duas semanas atrás, fui jantar com o professor EK num desses restaurantes de São Paulo cuja comida justifica a boa fama culinária da cidade. No carro, o trânsito da cidade dominou a conversa. Ele disse nunca ter visto coisa igual no mundo. Expliquei que o ano eleitoral piorava a situação, pois a prefeitura estava usando os tapumes para mostrar serviço e aumentar a chance de reeleição de sua titular. Mas o islandês não conseguiu entender: "Desculpe, mas isso parece iniciativa da oposição. Não foram os vereadores adversários que obrigaram a prefeitura a fazer essas obras, sem ter dinheiro suficiente, tudo de uma vez, numa cidade já tão sofrida e na véspera de uma eleição?". Alem disso, acrescentou, "numa cidade desse tamanho e que tem pouco metrô, novos viadutos, passagens de nível e coisas assim são a menor distância entre dois engarrafamentos. Não seria mais lógico consumir o dinheiro e a paciência das pessoas fazendo mais metrô?". Nesse momento, chegamos ao restaurante, o que me livrou da obrigação de explicar-lhe, em inglês, a complexidade do assunto. Lá cruzamos, por acaso, com os amigos e deputados federais Jutahy Magalhães Jr. e Sebastião Madeira. No meio da nova conversa, aproximaram-se da mesa dois homens falando castelhano. O mais desenvolto se identificou como colombiano e diretor de um banco de investimentos multinacional sediado na Europa, dizendo o quanto teria gostado de que eu tivesse sido eleito. Agradeci: "Es una lástima que los colombianos no pueden votar acá. A propósito, como ve su banco la situación económica de Brasil?". Ele arriscou, em portunhol: "O problema é que no hay crescimento. Fazem falta buenos negócios". Expliquei para o EK, que entende pouco português e espanhol, o que o banqueiro havia dito, notando que, ao contrário do que pensam o governo federal e o PT, ele confirmara a teoria de que o capital estrangeiro é pró-cíclico: aparece quando tudo anda bem e reflui quando tudo vai mal. EK ficou surpreso: "Alguém pode pensar o contrário? Capital estrangeiro busca prosperidade. E o que vocês fazem aqui -juros e impostos altíssimos, falta de investimentos públicos úteis (não os dos tapumes)- afasta os investimentos diretos estrangeiros. Trata-se de uma atitude nacionalista xenófoba do PT. Vocês, da oposição, não perceberam isso". E tem mais: "O governo do Lula tem feito questão de reduzir os financiamentos do Banco Mundial e do BID, apesar de serem mais baratos e de prazo mais longo que os empréstimos privados. Eis uma forma original de ser contra o Consenso de Washington, cidade onde estão as sedes daqueles bancos". O Jutahy e o Madeira preparavam-se para rebater essas idéias esdrúxulas em nosso universo mental quando a chegada do peixe com purê de mandioquinha me permitiu desviar a conversa para temas mais amenos. Mas, no caminho para o hotel, EK arrematou: "Sabe, Serra, o que o colombiano ignora é que seu banco anda arredio com a economia brasileira porque o Banco Central brasileiro não é independente". Diante da minha surpresa: "Pelo menos é isso que um alto funcionário do governo [pediu-me "off" sobre o nome] acha que eles acham". Convenci, então, o conterrâneo da Bjork de que ele jamais entenderia minhas explicações a respeito na porta do hotel e naquela hora da noite."
Wednesday, May 19, 2004
Childless Couple Told to Try SexDo Ananova: "A German couple who went to a fertility clinic after eight years of marriage have found out why they are still childless - they weren't having sex. The University Clinic of Lubek said they had never heard of a case like it after examining the couple who went to see them last month for fertility tests. Doctors subjected them to a series of examinations and found they were both apparently fertile, and should have had no trouble conceiving. A clinic spokesman said: "When we asked them how often they had had sex, they looked blank, and said: "What do you mean?". "We are not talking retarded people here, but a couple who were brought up in a religious environment who were simply unaware, after eight years of marriage, of the physical requirements necessary to procreate." The 30-year-old wife and her 36-year-old husband are now being given sex therapy lessons while the university clinic undertakes a study to try to find out if there are more couples with a similar lack of sex education."
Bach & PixinguinhaEu não comprava CD desde 1999, quando surgiu o Napster. Ontem, comprei. Não é um CD qualquer. Bach é, talvez, o meu compositor clássico favorito. Além disso, também amo chorinho. Seria pouco dizer que Pixinguinha é meu compositor favorito de chorinho. Pra todos os fins e efeitos, Pixinguinha É chorinho. O concerto Bach & Pixinguinha foi realizado no Arte SESC. Nele, Marcelo Fagerlande (cravo) e Mario Sève (flauta e saxofone) tentam encontrar as semelhanças musicais entre esses dois mestres tão distantes no tempo. Conseguem com maestria. Poucas vezes me emocionei tanto ouvindo música. Do site Universo Musical: "Fizemos uma engenharia musical, ao ousar fazer uma ponte entre Bach e Pixinguinha. Parece uma idéia louca, mas há muitos pontos comuns entre eles, apesar da distância temporal. Ambos utilizavam muito o contraponto, que é uma melodia secundária em paralelo à principal. Além disso, nós tocamos os instrumentos prediletos deles, o cravo de Bach e o sax e a flauta de Pixinguinha", disse Marcelo. (...) "Em determinadas áreas da música as barreiras são muito leves. A música instrumental tem muitas afinidades com a música erudita", garante Mário. (...) O resultado soa tão conciso que um ouvinte desatento pode nem perceber que no disco são tocadas obras de artistas tão distintos. E a intenção, desde o início, era exatamente essa. "Resolvemos juntar obras com emoção e clima parecidos. Não queríamos uma coisa caricata, com Bach em ritmo de choro e Pixinguinha em música erudita. A idéia não era distorcer os autores." Escute trechos das melhores faixas do CD.
Cartas PortuguesasO livro que recebi de presente do meu mecenas Ricardo foi o Cartas Portuguesas, cinco cartas pretensamente escritas por uma freira lusitana a um cavaleiro francês, então estacionado em Lisboa, no século XVII. Cartas Portuguesas foi publicado pela primeira vez na França, em 1810. Há dúvidas sobre sua autenticidade. Muitos cogitam que as cartas tenham sido, de fato, escritas pelo pretenso tradutor. De qualquer modo, são um documento pungente do desespero exagerado do amor romântico. Mariana Alcoforado era uma freira que vivia no claustro de um convento português. Seduzida pelo cavaleiro francês, que penetrava secretamente no convento para penetrar secretamente na freira, ela viveu um tórrido caso de amor, encerrado quando ele foi chamado de volta à França. As cartas narram o esforço de Mariana em lidar com a paixão avassaladora que a consome, em tentar convencê-lo a voltar e, por fim, em tentar esquecê-lo. Alguns trechos: "Estou viva, infiel que sou!, e faço tanto para conservar minha vida quanto para perdê-la. Ah!, morro de vergonha. Meu desespero estará então só nas minhas palavras? Se te amasse tanto como mil vezes te tenho dito, não teria já morrido há muito tempo?" Mariana censurava especialmente as desculpas, para ela esfarrapadas, que o cavaleiro deu para justificar sua volta à França: "O oficial que há-de levar essa carta manda-me dizer, pela quarta vez, que quer partir. Que apressado está! Decerto vai abandonar nessa terra alguma desgraçada! Adeus! Tenho mais dificuldades em terminar a carta do que tu tivestes em me deixar, talvez para sempre." Por fim, ela faz uma crítica que já ouvi bastante, em especial da Joana. Eu quase posso ouvir sua voz dizendo as palavras abaixo: "Os seus impertinentes protestos de amizade e as delicadezas ridículas de sua última carta mostraram-me que recebera todas as outras que lhe escrevi e que elas não provocaram no seu coração nenhuma emoção, apesar de as ter lido. Ingrato! E ainda sou tão louca que me sinto desesperada por não poder pensar que elas lhe não tinham chegado e que não lhas tinham entregado! Detesto sua sinceridade! Acaso lhe tinha pedido que me dissesse sinceramente a verdade? Por que não me deixou minha paixão? Tudo o que tinha que fazer era não escrever: eu não procurava ser esclarecida. Não será pra mim o cúmulo da desgraça saber que nem sequer fui capaz de o obrigar a ter cuidado de me enganar?" Como o diálogo é totalmente unilateral, podemos especular à vontade. Quem nos garante, por exemplo, que houve mesmo um caso de amor? Não poderá tudo ter sido delírios e exageros na mente de uma sugestiva, jovem e cheia-de-amor-pra-dar feirinha portuguesa? Isso se as cartas forem autênticas, claro. Eu nunca gostei do jogo de sedução romântico. Eu quero ou não quero. Sou direto e não sei brincar de gato-e-rato. Por isso, nunca fui o gato, mas algumas vezes já fui rato. Nesse tipo de situação, sempre me imagino o perseguido, nunca o perseguidor. E tenho calafrios. Teve gente que achou o filme Bem me Quer Mal me Quer (À la Folie... Pas du Tout), com a excelente Audrey Tatou, uma comédia romântica. Pra mim, é filme de terror. Sobre isso, leiam também meu artigo Trago Pessoa Amada em Três Dias * * * Ricardo, mais uma vez obrigado pelo presente. E você? Meus textos lhe agradam? Já lhe ensinei alguma coisa que valesse a pena? Se for o caso, considere retribuir dando um livro de presente para um autor falido. Lista de Presentes Liberal Libertário Libertino
Tuesday, May 18, 2004
Essas Mulheres...Entreouvida no ônibus. Grupo de quatro universitários, lá pelos 20-25 anos, falando de mulher, óbvio. Lá pelas tantas, um deles confessa, em tom de desabafo: "Cara, a Solange faz o meu coração bater mais forte. Eu ia pedir pra ela morar comigo quando..." Pausa dramática. Suspense geral. "...ela pediu pra eu tirar a barba!" Suspiros, balanços de cabeça, tscs tscs. E o rapaz finaliza, em tom perplexo: "Pô, aí abalou."
23 Minutos de AplausosSegundo a Folha, Michael Moore foi aplaudido por 23 minutos em Cannes. Algum de vocês já fez um minuto de silêncio? Em pé, calado, numa sala cheia de gente, sem poder fazer nada, um minuto leva duas horas pra passar. Quem dirá 23. Tirando os intervalos, é um episódio de Friends. Já imaginaram ficar um episódio de Friends inteiro aplaudindo alguém? Será que as pessoas só aplaudiam ou também conversavam entre si? Michael Moore ficou sentado o tempo todo, ou sentou e depois se levantou? E quem ficou com vontade de ir ao banheiro? Quantos celulares tocaram nesse meio tempo? Será que alguém abriu um jornal pra ler? Mais importante, convenhamos, será que foram 23 minutos mesmo?
O Primeiro MecenasHoje, recebi pelo correio o livro Cartas Portugueses, presente do leitor Ricardo Schweitzer, estudante de psicologia de Porto Alegre. O cartão dizia: "Toma essa pequena retribuição pelas horas de reflexão que teus textos proporcionaram." Fiquei realmente emocionado. Todo mundo gosta de ganhar presente. Eu queria muito esse livro - esse e todos os outros da lista. Mas o importante mesmo foi um certo reconhecimento, bem material e concreto, de que o meu trabalho aqui realmente importa para algumas pessoas - nesse caso, o Ricardo, meu primeiro mecenas. Mecenas eram aqueles santos que, sabendo que a arte não trazia retorno financeiro, sustentavam os artistas para que pudessem produzir com tranqüilidade. Quem quiser me enviar um cheque mensal para que eu tenha tranqüilidade pra fazer um puta blog, para escrever excelentes romances ou mesmo, sei lá, pra dançar polca, podem me ligar. Dependendo do valor do cheque, posso ser bem flexível, lavo, passo, esfrego e até beijo na boca. Mas, enquanto ninguém faz isso (nossos operadores estão a postos!), fico feliz, muito feliz, de ter leitores como o Ricardo que dêem livros a um pobre artista batalhador. Valeu. Te devo uma. * * * Sou como a Mãe Dinalda. Não cobro nada. Estou aqui nesse blog por livre e espontânea vontade. Por prazer. Minha retribuição fica a cargo da sua consciência. Se meus textos não lhe tocam, beleza. Se o dinheiro vai fazer falta no leite das crianças, nem pense nisso. Mas não passa dois, três dias sem que alguém me escreva dizendo que meus textos mudaram seu modo de ver a vida, abriram seus olhos, lhe mostraram novas perspectivas. Essas pessoas se dirigem à mim como se eu fosse algum tipo de guru iluminado e eu nem sei como começar a responder. Perguntem à minha mãe: ela vai confirmar que eu nunca soube receber elogios. Pois agora, além dos obrigados, vou responder isso: se os meus textos realmente lhe tocaram e se você dispõe dos meios, por favor, considere doar um, dois, oito (pra que pensar baixo?) livros para um pobre escritor falido que não recebe um tostão pelo que escreve. Pense no seguinte. Eu demorei horas para escrever aquele texto do qual você tanto gostou. Se eu tivesse gasto esse tempo em alguma atividade produtiva, eu hoje provavelmente estaria melhor alimentado e mais bem vestido, Mas você nunca teria visto o mundo com novos olhos. * * * Eles já estão no ponto. Pode passar a sacolinha, irmã Dulce. Amém, irmãos! Lista de Presentes Liberal Libertário Libertino
Edward Gibbon e Eça de QueirozDepois de terminar o excelente Sobre Heróes y Tumbas, de Ernesto Sábato, retomei a leitura de Decline and Fall of the Roman Empire, de Edward Gibbon. Não se deixem intimidar pelo gigantesco tamanho do livro. Decline and Fall of the Roman Empire é daquelas obras monumentais onde se pode, literalmente, morar. Um livro enciclopédico, mas que passeia pela história dos últimos séculos do Império Romano com leveza, classe e bom humor. Decline and Fall of the Roman Empire não é livro que se acabe de ler. É livro para se ir lendo a vida toda. Um Livro Ultrapassado Talvez lhe digam que a pesquisa história de Decline and Fall of the Roman Empire, escrito em 1776, está ultrapassada. Ora bolas, claro que está. E daí? Hoje em dia, não se fazem mais historiadores como Gibbon. A Universidade não deixa. Eu sei, já estudei História. Se um aluno apresenta um projeto de tese chamado "Relações trabalhistas na indústria da margarina de Campos, 1920-1930" ainda é capaz de ouvir do professor que esse recorte está amplo demais. Meu filho, ele diria, tente só tratar do período 1920-1925. Alguém que se propusesse a narrar os últimos mil anos do Império Romano seria jubilado. Talvez até sumariamente morto, para não contaminar os outros. Além do mais, Borges disse algo fundamental: na época de Gibbon, as pessoas liam Decline and Fall of the Roman Empire para conhecer a história de Roma. Para nós, hoje, o livro é duplamente interessante: lemos Decline and Fall of the Roman Empire para conhecer as opiniões de um cavaleiro inglês do século XVIII sobre a história de Roma. Ou, então, você pode tentar encarar um "Dinâmicas de Dominação Patriarcal durante a Revolta dos Irmãos Gracchus: Uma Análise Weberiana à Luz dos Conceitos de IchLiebenstraum de Habermas". Foi escrito ano passado e incorpora a mais recente pesquisa. Boa sorte. Você vai precisar! Peregrinações à Jerusalém O que não falta no mundo é malandro. Para terem um gostinho do delicioso estilo de Gibbon, leiam esse trecho, do vigésimo-terceiro capítulo, sobre as peregrinações de cristãos europeus para a Terra Santa no séc.III: "The zeal, perhaps the avarice, of the clergy of Jerusalem, cherished and multiplied these beneficial visits. They fixed, by unquestionable tradition, the scene of each memorable event. They exhibited the instruments which had been used in the passion of Christ; the nails and the lance that had pierced his hands, his feet, and his side; the crown of thorns that was planted on his head; the pillar at which he was scourged; and, above all, they showed the cross on which he suffered, and which was dug out of the earth in the reign of those princes, who inserted the symbol of Christianity in the banners of the Roman legions. Such miracles as seemed necessary to account for its extraordinary preservation, and seasonable discovery, were gradually propagated without opposition. The custody of the true cross, which on Easter Sunday was solemnly exposed to the people, was intrusted to the bishop of Jerusalem; and he alone might gratify the curious devotion of the pilgrims, by the gift of small pieces, which they encased in gold or gems, and carried away in triumph to their respective countries. But as this gainful branch of commerce must soon have been annihilated, it was found convenient to suppose, that the marvelous wood possessed a secret power of vegetation; and that its substance, though continually diminished, still remained entire and unimpaired. It might perhaps have been expected, that the influence of the place and the belief of a perpetual miracle, should have produced some salutary effects on the morals, as well as on the faith, of the people." A Relíquia, de Eça de Queiroz Não dá pra ler esse trecho sem pensar em A Relíquia, meu romance preferido do Eça (que me perdoem Os Maias e A Ilustre Casa) por ser o mais engraçado, cínico e iconoclasta. Teodorico é um playboy português que vive sustentado pela tia beata. Lá pelas tantas, a tia decide doar toda sua fortuna para a Igreja. Teodorico fica desesperado: "Eu estava bem decidido a não deixar ir para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do Comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os seus tesouros incontáveis? (...) E ainda voltava, do alto do madeiro, os olhos vorazes para um bule de prata, e uns insípidos prédios da Baixa! Pois bem! disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu, ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, e eu adorando essa chaga, com tanto ruído e tanto fausto, que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti que morreste por nos amar de mais, se em mim que quero morrer por não te saber amar bastante!" Para cair nas graças da tia, Teodorico vai em peregrinação à Terra Santa, trazer para ela esses mesmos suvenires que já no século III os espertos usavam para enganar os turistas. Pelo caminho, ele se envolve com mulheres a torto e a direito, e nunca perde seu ar cínico: "Obedecendo à recomendação da Titi, despi-me, e banhei-me nas águas do Batista. Ao princípio, enleado de emoção beata, pisei a areia reverentemente como se fosse o tapete de um altar-mor; e de braços cruzados, nu, com a corrente lenta a bater-me os joelhos, pensei em São Joãozinho, sussurrei um padre-nosso. Depois ri, aproveitei aquela bucólica banheira entre árvores; Pote atirou-me a minha esponja; e ensaboei-me nas águas sagradas, trauteando o fado da Adélia." Por algum motivo que Eça tem o toque de gênio de jamais tentar explicar, Teodorico volta no tempo e acaba testemunhando, ao vivo, a paixão de Jesus. Imperdível. Decline and Fall of the Roman Empire A Relíquia
Dose Tripla de Gabeira na FolhaO deputado federal Fernando Gabeira foi citado/entrevistado pela Folha três vezes nos últimos dois dias. Todas as três merecem ser lidas. No Painel, de domingo, 16 de maio: Tiroteio Do deputado pelo Rio de Janeiro Fernando Gabeira (sem partido), sobre José Dirceu ter dito a senadores que era necessário revogar o visto de Larry Rohter para mostrar que o Brasil não é "uma republiqueta": -Quem mostrou que o Brasil não é uma republiqueta foi o Judiciário, ao conceder salvo-conduto ao repórter. O pleno funcionamento dos Poderes estabelece freios a iniciativas como a tomada pelo governo Lula." Trecho de uma entrevista à Folha, no mesmo dia: Folha - O presidente Lula errou ao cancelar o visto do correspondente americano? Gabeira - É uma volta a práticas da ditadura militar, é censura à liberdade de imprensa, e nos deixa muito mal no mundo porque revela que nós somos governados por um grupo despreparado para entender a complexidade das relações entre imprensa e governo, entre imprensa internacional e governo nacional. Folha - Como o sr. se sente como ex-petista diante dessa decisão? Gabeira - A única maneira que eu me consolo por termos estado juntos em um determinado momento, é admitir que eles sofreram uma regressão intelectual. Eles eram intelectualmente mais avançado do que são hoje." Por fim, a perspicaz Mônica Bergamo, rapidamente se tornando minha colunista preferida da Folha, fez questão de esclarecer com Gabeira uma outra questão polêmica: "A gravidade é diferente" "É engraçado: os EUA não concedem visto ao deputado Fernando Gabeira, que seqüestrou o embaixador em 1968. O embaixador já morreu de velho, e ainda hoje o Gabeira não consegue entrar lá." O paralelo entre a proibição de Gabeira pisar nos EUA por causa do seqüestro do embaixador Charles Elbrick e o cancelamento do visto do jornalista Larry Rohter, do "New York Times", já revogado, foi feito pelo presidente Lula à revista "Isto É". Gabeira, que é jornalista como Rohter, falou à coluna: Folha - É possível fazer esse paralelo que o presidente fez? Fernando Gabeira - O paralelo não é adequado. Evidentemente que, sempre que alguém fala da minha dificuldade com os EUA, eu entendo como um ato de solidariedade. Eu fico muito agradecido, mas não posso comparar os dois casos. Eu tenho obrigação intelectual de separá-los. (...) Folha - A negativa dos EUA na concessão de seu visto seria mais compreensível? Gabeira - Eu estou dizendo que ambos os casos são injustificáveis, mas por razões diferentes. A razão que levou à negação do visto do Larry é uma repressão à liberdade de expressão. A razão que levou os EUA a essa relação comigo foi uma retaliação por um ato armado contra uma autoridade americana. São fatos de gravidades diferentes. Eu fui contra o cancelamento do visto. Folha - Mantém sua posição mesmo à luz da carta enviada por Larry Rohter ao governo, lamentando a repercussão de sua reportagem? Gabeira - Eu penso nas variáveis internacionais. A condução do processo foi um tiro no pé. O fato de a Justiça ter permitido que o Larry fique no Brasil mostra que no país existe uma plenitude de poderes diferentes. O que vai fortalecer a imagem do Brasil é o fato de a Justiça ter sido capaz de contestar e negar uma decisão do presidente."
Da Série Leitores Satisfeitos: Sentimento de Morte e PerdaMinha nova leitora Laura, direto de Buenos Aires e emprestada do Antonio Caetano, leu o meu conto A Morte do Meu Cachorro e me mandou o seguinte email: "GOSTEI MUITO MUITO MUITO MUITO MUITISSIMO, me emocionei com o relato impecável, com os detalhes dos sentimentos, com a riqueza das suposições. Estou falando de "A morte do meu cachorro". Acabei de ler. Gostei tanto que por hoje nao vou continuar lendo. Vou dormir com aquelas imagens. Com esse sentimento de morte e perda que tantas vezes experimentamos e vc coloca em palavras nesse conto. (...) Vc lembra aquela parte de Estorvo, do Chico (adoro esse livro) em que o protagonista lembra de um amigo que está na piscina e num dado momento ele diz "é como se sabendo-se lembrado ele demorasse seus movimentos". (algo assim..) Eu SENTI nessa linha o que o relator falava. O mesmo me aconteceu lendo este conto seu. SENTI cada sorriso, cada dúvida, cada suposicao, coisa que nao me aconteceu quando li seu romance. Talvez pelo ritmo, "Mulher..." tem mais ritmo de videoclip, mas estes contos têm o ritmo de um filme francês. E eu me identifico mais com filme francês. (...) Olha que eu nao gostei pq a história acontece em Baires (fiquei surpresa , sim). Gostei é do conceito disso que vcs, artistas, conseguem fazer: colocar no papel, na pintura, etc o que a gente sente no mais fundo da alma. Esse sentimento de morte de algo que existia entre dois seres humanos é tal como vc descreve aí. (...) O que me atrai como leitora é tudo aquilo que me produz uma reacao, boa, adversa, qualquer uma, aquilo que me deixa pensando por qualquer razao, independentemente do intuito do autor quando escreveu. Vc já entrou na minha lista de autores preferidos. Agora pode dormir tranquilo :-))) Só que meu favorito é e será o Antonio!!" Laura, muito, muito obrigado. Buenos Aires é uma das minhas cidades preferidas e escrevi esse conto em sua homenagem. No conto, a capital portenha é um personagem tão importante quanto os dois brasileiros perambulando por ela. Sobre Estorvo, do Chico Buarque, os leitores antigos devem lembrar que considero esse romance um verdadeiro paradigma de TUDO o que há de pior na literatura brasileira. Para saber mais, leiam meu artigo sobre A Escola Urbana. Se você ainda não leu Onde Perdemos Tudo, meu livro de contos onde está inserido A Morte do Meu Cachorro, por que não fazer isso agora? Clique aqui.
Monday, May 17, 2004
Assinatura da FolhaTodos os jornais que já assinei são entregues na minha porta. Por que só a Folha é entregue na portaria? É porque estou no Rio? Ou aí em São Paulo é assim também? Se eu fosse um rapaz trabalhador nem faria muita diferença. Mas como passo dias inteiros em casa e tenho a maior preguiça de ir lá embaixo buscar o jornal, às vezes só leio a Folha dias depois de ela sair. Não vou cancelar a assinatura por isso mas, se soubesse que seria assim, não teria assinado.
Big BrotherUltimamente, uma das minhas diversões preferidas é perguntar para as pessoas se elas sabem por que o programa Big Brother tem esse nome. A pergunta é especialmente divertida de ser feita em salas de aula repletas de adolescentes - apesar de ser covardia, claro. Ninguém nunca sabe. Alguns nem conseguem imaginar. Dos que chutam uma possível razão, todos pensam que é porque o pessoal fica tanto tempo confinado lá dentro que ficam todos "irmãozões", amigões. E eu retruco: você acha mesmo que o pessoal sai de lá amigão e irmãozão? Eles coçam a cabeça e concedem: é, realmente, não faz sentido. E eu não digo. Sou ruim. Alguns mais desconfiados ficam pensando que eu também não sei. Deixa estar. O puro razer de não-dizer mais do que compensa. Às vezes, tenho a impressão de que só existem mais umas seis outras pessoas cultas nesse mundo. E, pior, elas se encontram sempre pra beber vinho e discutir Nero Wolfe e não me convidam.
Ainda Sobre a Influência do EstadãoLuiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa, me informa o seguinte: "Essa história de o Estadão ser o "jornal mais influente do Brasil" veio de uma pesquisa do Meio & Mensagem (ou publicada no M&M) no fim do ano passado. Há, portanto, "base científica" para a afirmação." Nesse caso, menos pior. Ainda assim, é uma afirmação temerária que eu jamais me arriscaria a fazer.
Estadão, o Jornal Mais Influente do BrasilVocês sabiam dessa? Pois é, eu também não, mas deve ser, pois deu no New York Times. Adoro o New York Times. Leio todos os dias e é o meu jornal favorito. Mas essa foi pesada. Jornalisticamente falando (e olha que eu costumo pecar pro lado do exagero), afirmações como essa devem sempre ser evitadas. São subjetivas, impossíveis de comprovar e lhe deixam aberto para contra-críticas que você não vai ter como responder. Digamos que alguém (eu, por exemplo) lhe confronte: não, não é, não. O que você responde? É sim? E se eu repetir: não, não é não? Periga da tia nos expulsar de sala. Afinal, quem decide qual é o jornal mais influente, o melhor escritor ou o maior time do Brasil? Esses dados estão listados em algum lugar? Cadê a fonte dessa afirmação tão categórica? Custava ter dito "um dos mais jornais mais influentes do Brasil" e pronto? Do New York Times de sábado, 15 de maio: Brazil's Government Drops Its Threat to Expel a Times Reporter By WARREN HOGE / Published: May 15, 2004 (...)The country's most influential newspaper, O Estado de São Paulo, published an editorial on Thursday calling the president's action a "monumental stupidity." Aliás, na opinião de vocês, qual é o jornal mais influente do Brasil?
O Homem do Copo de RequeijãoÉ engraçado as coisas que ficam na nossa cabeça. Quando eu era muito criança, folheando as Playboys do meu pai, li uma entrevista com Paulo Francis na qual ele dizia que comia um pote de requeijão de uma vez só, às colheradas. Aquilo me impressionou tanto (me impressiona até hoje!) que durante muitos e muitos anos Paulo Francis, pra mim, foi aquele cara que comia um pote de requeijão inteiro. Só muito depois fui descobrir que Paulo Francis também era otras cositas más. Fomos contemporâneos, de fato, por muito pouco tempo. Mal comecei a lê-lo e admirá-lo, e ele me morre. Uma pena. Até hoje, não consigo comer requeijão sem pensar nele.
ComentáriosEstou em processo de migrar meu sistema de comentários. Por isso, todos os comentários foram zerados, mas em poucas horas o arquivo de comentários deve voltar. Por favor, não façam comentários importantes aqui nesse post pois ele será excluído.
Relação de Amor e ÓdioO Polzonoff deve ter uma relação de amor e ódio com esse blog. Ele tira e coloca o link regularmente. Acabei de ir lá no blog dele e o link pra mim sumiu. Daqui a pouco, vejo pelo Sitemeter gente vindo pelo seu blog, vou lá e o link voltou. Depois, some de novo. Não estou criticando. Esse processo é normal. A gente lê a Veja, fica puto com uma matéria que não gosta, acha que aquela edição estava fraca, e pára de comprar. Passa um tempo, vê uma capa interessante na banca e compra de novo. Por aí vai. Como o Polzonoff tira e bota o link, dá pra acompanhar bem esse processo. Só gostaria de saber melhor o que anda espantando o homem. E vocês? Quem mais tem uma relação de amor e ódio com o LLL? Teve algum post particularmente que fez vocês irem embora? E depois? Por que voltaram?
LLL no GloboAfinal, blog é papo-furado? Essa foi a pergunta que o Gravatá fez a mim e a outros blogueiros ilustres, como o Polzonoff (viu, você é famoso também!), o Marmota e o Inagaki. As respostas estão na coluna de hoje do Gravatá, no caderno de informática do Globo. Como numa coluna nunca cabe tudo (bem sei eu!), a versão completa das respostas está no Blog do Gravatá. Dêem uma olhada e comentem.
Sunday, May 16, 2004
Contra a MeritocraciaO Malkhut também tem razão em outra coisa: o país não está preparado para livre-competição. Todo mundo ainda só quer saber de colo, de procurar uma teta para mamar. Nunca me esqueço. Durante uma das intermináveis greves da UFRJ, o governo fez a seguinte oferta. Ao invés do aumento que os professores pediam, ele sugeriam um generoso bônus para os professores que produzissem mais. Os critérios de produtividade seriam definidos pelos próprios professores. Eu achei aquilo genial. Já podia me ver em uma universidade povoada por professores ativos e energéticos, publicando em revistas especializadas, liderando grupos de pesquisa, levantando fundos para novos projetos. Fui o único. O IFCS (reduto da esquerda universitária, de onde partem quase todas as passeatas que atrapalham o trânsito do centro do Rio) quase veio abaixo de puro ódio. A simples idéia de uma meritocracia levava indignação às cabecinhas daqueles defensores dos fracos e oprimidos. Queriam era conseguir passar em algum concurso público e ficar de bobeira o resto da vida. A opção de trabalhar mais para ganhar mais lhes era absolutamente herética e revoltante. Tanto professores quanto alunos andavam pelos corredores fumegando de raiva diante da proposta absolutamente vantajosa e racional do governo, que melhoraria a vida não só dos professores (dos bons, claro) como também a produção intelectual do país. Estão vendo o absurdo que propõe esse governo neoliberal nojento? É por isso a universidade brasileira está se mercantilizando. Só querem saber de produtividade, esses capitalistas imundos! Nada disso de premiar os melhores, onde já se viu? Senão, como ficarão os medíocres na comparação? Nunca mais teremos sossego! Jamais! Vamos nivelar todo mundo por baixo! Che vive! Não preciso nem dizer que a proposta foi recusada. * * * Esse episódio é quase uma parábola de tão proverbial e exemplar. Não há melhor modo de testar a boa fé, integridade e auto-conhecimento de qualquer grupo que exija maiores salários. Proponha uma meritocracia e observe a reação. Quem for contra, é porque ou está de má-fé ou se conhece o suficiente para saber que estaria entre os medíocres. Não querem nada com o trabalho. Também faça questão de observar quem for a favor. Esses são as pessoas com quem você pode contar, as pessoas ativas, que trabalham, que têm idéias, que querem crescer. Conte com elas. De qualquer modo, um grupo que rejeite uma proposta de meritrocracia passa atestado de má-fé e incompetência e perde na hora qualquer legitimidade de reinvindicação. Um grupo que rejeite uma proposta de meritocracia está tão atolado na sua própria inércia e negligência que é melhor mesmo demitir todo mundo e começar do zero. Não tem volta.
Alternância de PoderFalei sobre os três erros do Lula e o leitor Roger comentou: "Vejo com bons olhos a chegada do PT ao governo. Um país precisa de instituições fortes e maduras. E, países democrátivos com sistema partidário, precisam de partidos experimentados e responsáveis no exercício do poder. A médio e longo prazo quem ganha é o Brasil com a rotatividade de comando entre os chamados partidos de "esquerda", "centro", "direita", ou, o que quer que seja que se convencione chamá-los. E, cá entre nós, ainda bem que no balanço geral, o PT tem se saído "melhor" do que a "direita" esperava e "pior" do que a "esquerda" sonhava. Moral da história: Um viva à realidade." E o Malkhut retrucou, sempre exagerado, mas dessa vez eu até concordo: "Que rotatividade mané Roger??? Desde a saída do general Figueirado estamos vendo trocarem os nomes (alguns nem tanto) mas a teoria é a mesma, ou seja, só temos governo de esquerda, que acham que o paternalismo do estado pode resolver tudo. Nem capitalismo de verdade temos no brasil, temos, sim, um estatismo doente e viciado, que não consegue desmamar os seus rebentos nunca... Lulla Hic! Boing da Silva não é melhor que Collor, nem que FHC, nem que Itamar. É, igualzinho, só mais "ingnorrante" e ornado com baba-ovos. Queria mesmo ver esse "empregariado" sobreviver numa economia de mercado, onde não houvesse um DEAC que proibisse uma promoção da Gol, com vôos de 50 reais, onde não publicitários não pudessem ir a tribunais para garantir que sua publicidade não vai ser contrariada." Os dois têm razão. Alternância de poder é ótimo. Por exemplo, a melhor coisa da Era Lula vai ser o PT nunca mais poder posar de santo, dono da verdade e monopolista da ética. Vai virar um partido como qualquer outro, que é o que sempre foi. Quando voltar a ser oposição (na verdade, nunca deixou de ser, o PT hoje é oposição de si mesmo), o PT talvez comporte-se de forma mais tolerante e racional. Lula percebeu que muitas das "maldades" do FH, que ele tanto combateu no Congresso, eram necessidades de governo que ele se vê obrigado a manter. Nunca mais veremos (quer dizer, nunca mais veremos sem ouvir risos ao fundo) o PT tentar demonizar quem discorda dele, como era seu hábito. As discussões políticas serão muito mais interessantes quando o governo da vez puder retrucar uma acusação leviana do PT perguntando: "Ah é? E o Waldomiro? E o Larry Rohter? E os velhinhos do Berzoini?" E, por outro lado, o Malkhut também tem razão: que alternância? Esse país ainda não teve nenhum governo que não fosse de esquerda em maior ou menor grau, que não fosse estatizante, nacionalizante, paternalista, retrógrado. Os governos militares, instaurados para combater o comunismo, foram os mais marxistas que tivemos! Realmente, se estamos falando de alternância de poder, seria bom o Brasil experimentar, nem que somente uma vez, nem que só pra ver como é, um governo liberal e capitalista, com respeito à propriedade privada, às liberdades individuais e ao livre-mercado. Seria uma experiência salutar, mesmo que jamais se repetisse - assim como ter o PT na presidência. Por fim, o leitor antigo Hugo Leonardo parece estar de TPM, pois tem deixado comentários estranhamente agressivos por aqui. Eis o último: "Esse post deveria se chamar "Um cara de direita, analisando um cara de esquerda". "Realmente, se estamos falando de alternância de poder, seria bom o Brasil experimentar, nem que somente uma vez, só pra ver como é, um governo liberal e capitalista" Meu deus Alexandre, estou chegando a conclusão que vc não gosta do Brasil mesmo. Só pode..." Hugo, gosto sim, e muito, não foi à toa que escolhi morar aqui, só não sou patriota, mas isso é outra história. E também não sou de direita, que é ainda mais retrógrada, cínica e conservadora (pra não dizer religiosa!) do que a esquerda. Defendo a liberdade. Só. Exatamente por que "governo liberal e capitalista" é um palavrão tão grande?
Song of Myself, de Walt WhitmanExistem dois tipos de pessoas no mundo: as que leram Song of Myself, de Walt Whitman, e isso mudou suas vidas pra sempre, e as outras.
Mulheres Malvadas e PoesiaThe Vampire (Kipling) "A fool there was and he made his prayer (Even as you or I!) To a rag and a bone and a hank of hair, (We called her the woman who did not care), But the fool he called her his lady fair-- (Even as you or I!) Oh, the years we waste and the tears we waste, And the work of our head and hand Belong to the woman who did not know (And now we know that she never could know) And did not understand! A fool there was and his goods he spent, (Even as you or I!) Honour and faith and a sure intent (And it wasn't the least what the lady meant), But a fool must follow his natural bent (Even as you or I!) Oh, the toil we lost and the spoil we lost And the excellent things we planned Belong to the woman who didn't know why (And now we know that she never knew why) And did not understand! The fool was stripped to his foolish hide, (Even as you or I!) Which she might have seen when she threw him aside-- (But it isn't on record the lady tried) So some of him lived but the most of him died-- (Even as you or I!) "And it isn't the shame and it isn't the blame That stings like a white-hot brand-- It's coming to know that she never knew why (Seeing, at last, she could never know why) And never could understand!" Kipling took the idea of a female vampire farther than the classic undead predator. He saw her as a woman who uses her sexuality to trap her besotted victim, strip him of his wealth, ruin his position, and, once completely in her thrall, sap him of the will to live. She used her sexuality as cynically and callously as a drug pusher uses heroin to hook his addicts. She was female evil embodied." Vampires: the fangs that fascinate
Os Três Erros de LulaChegou o fim-de-semana e lá veio meu pai, de novo, me dar esporro por causa do Lula. O que eu poderia esperar de um homem que não tem preparo, que não tem estudo? Deu no que deu. O problema de Lula não é não ter estudo. Eu conheço gente que já passou dos 30, está no segundo doutorado e nunca teve um emprego. Prefiro um sindicalista ignorante na presidência do que um desses gênios. Um presidente não precisa ser culto ou inteligente. Ele tem que ter liderança e sangue-frio. Lula tem, sim, três problemas, característicos da esquerda nacional: 1) Maniqueísmo: tanto Lula quanto os próceres do PT acreditam piamente que basta boa vontade para resolver qualquer coisa. Governos anteriores só não resolveram os problemas do Brasil porque eram corruptos, perversos e tinham o rabo preso com a elite. Verdade seja dita, acreditavam. O PT-governo agora sabe que o buraco é mais embaixo. 2) Assembleísmo: para qualquer coisa, se convocam reuniões intermináveis. O pessoal de esquerda acha que acredita no debate, mas nunca viram isso, nem sabem como é, pois só conversam entre si. Reuniões são ótimas para criticar o governo, mas quando se é governo, elas só atravancam a execução das medidas que têm que ser executadas. 2) Baba-ovismo: Lula formou-se politicamente entre pessoas que acham que ele é o Messias. Não está acostumado a ser criticado ou afrontado por pessoas próximas a ele. Quem não gosta ou critica Lula é imediatamente rotulado como "um deles" e prontamente desqualificado, de modo que as críticas não precisam ser respondidas ou mesmo levadas à sério. Falta a Lula aquele proverbial amigo que lhe diga as coisas desagradáveis.
Entrevista sobre MalvadasRecentemente, fui entrevistado sobre o tema mulheres malvadas para a Revista dos Bancários de São Paulo.
Como qualquer entrevistado desde que o mundo é mundo, não sei nem se a matéria vai sair, nem se vão utilizar o que eu falei, mas, de qualquer modo, aqui vai. Quero lhe perguntar é sobre este seu fascínio pelas malvadas. Ele é real? Ou uma criação sua, como bom escritor? Sim, é bem real. Pode-se dizer que é uma tara. Assim como sou podólatra e um pé feminino me causa mais tesão do que uma bela bunda, uma mulher malvada também me dá mais tesão do que uma boazinha. É só isso. E ambas as coisas são desde que me entendo por gente. De onde vem? Como você o percebeu? Essa eu respondi no artigo, Elogio às Malvadas: "Desde pequenininho. Eu me apaixonava pela Madrasta Má e pela Mulher-Gato. A Bat-Moça, que todos meus amigos amavam? Eu achava super sem-graça. She-ra e Teela? Meu tesão eram Maligna e Felina. Me lembro (puxada do fundo do baú) de perguntar pra minha mãe porque eu sempre ficava com vontade de ir ao banheiro quando via a Mulher-Gato. Sério. Nessas palavras. É que eu associava meu cotoquinho duro com vontade de mijar. Achava que era um modo do meu corpo me avisar que eu precisava tirar uma água do joelho. Mas por que, raios, sempre na hora do seriado do Batman e justo quando aparecia aquele (literalmente) mulherão-gato de quase dois metros de altura?" As boazinhas não tem vez na sua vida?
Acho que Gilberto Braga concorda comigo: as boazinhas são sempre meio sem graça. A Laura sempre vai ser mais sexy do que a Maria Clara. A Maria Clara é uma malaa. Naturalmente, como isso tudo é uma grande fantasia, eu acabo sempre saindo, namorando, etc, as boazinhas... As boazinhas que gostam de fantasiar que são más, que fique bem entendido. Essa história das malvadas sempre rende excelentes brincadeiras sexuais. Você ficaria espantada em saber quantas mulheres também sentem enorme tesão em se imaginar rainhas más, deusas perversas da antiguidade, servidas por escravos, consumindo homem atrás de homem e depois jogando-os fora. Namorei uma menina cujo grande tesão era imaginar que, depois do sexo, me jogava aos leões ou aos crocodilos - o bicho dependia do seu humor na hora. A idéia de ser tão poderosa, perversa e egoísta ao ponto de jogar às feras um homem que a amava e com quem tinha acabado de fazer amor lhe dava um tesão enorme. Era quase como uma "onda" de maldade e poder. Na verdade, se você considera que as taras masculinas são muito mais físicas e concretas e as taras femininas, mais psicológicas e abstratas, você poderia dizer que tenho um fetiche bem feminino. Tudo acontece no campo das fantasias, idéias e percepções. O tesão, o gozo vêm de nos abandonarmos à uma idéia de maldade e poder que temos dentro de todos nós.
De modo que, por mais tesão que eu sinta pelas malvadas, acabo tendo que me contentar só com as boazinhas que gostam de se imaginar malvadas. Afinal, quantas mulheres existem hoje em dia que de fato jogariam um homem aos leões depois do sexo? E, mais importante, onde elas estão? Elas têm telefone? Você me arranja? O que é que te fascina numa mulher que pode ser cruel? Ah, essa resposta é longa mas, com certeza, é uma relação de poder. Também tiro do Elogio às Malvadas: "As vilãs são egos sem super-egos. Nada mais sexy do que uma mulher linda, inteligente e poderosa que sabe que é linda, inteligente e poderosa. Ela não liga para mais ninguém. A felicidade dos outros, até mesmo suas vidas, tudo irrelevante. Homens? Ferramentas, pra ser usados e jogados fora. Só quer saber mesmo dos seus planos, do seu prazer, da sua felicidade. E eu, que sou pedólatra assumido, amo os belos pés das mais malvadas vilãs. Adoro aqueles filmes de época, com rainhas parcamente vestidas, cercadas de escravos plácidos, tomando reinos, conquistando países, executando sumariamente seus inimigos. E me vejo aos pés da perversa, lambendo seus dedinhos enquanto ela conquista o mundo. Ou seu escravo sexual, para uma noite de ardente prazer e, depois, aos leões." A Laura, de Celebridade, por exemplo, é prisioneira do seu próprio ódio. Minha malvada ideal é livre. Ela só se preocupa com si mesma, com sua felicidade, com seu prazer, e com mais nada. Ego sem super-ego.
De certo modo, aliás, tudo o que digo e faço sempre volta a esse mesmo tema: liberdade. Para o livro que estou escrevendo, um dos meus grandes problemas é tentar equilibrar os conceitos de felicidade vs liberdade, bem vs mal. Dá pra ser feliz fazendo o mal? E as malvadas da história - Margareth Tatcher, a ex-ministra Zélia, Cleópatra, Medéia - essas também merecem seu respeito? Não chamaria nenhuma dessas de malvada. Do artigo: "O que define uma pessoa malvada? Afinal, o que é bom pra um é mau para outro. Todos nós fazemos pequenas crueldades no dia-a-dia. Coisas que não pensamos que são maldades, mas que são vistas como tal.
A malvada é a pessoa que pratica essas pequenas maldades conscientemente, sabendo e pensando que são maldades, e por puro prazer." Tatcher e Zélia podem ter se enganado ou não, mas estavam fazendo o que achavam melhor para seus países. Cleópatra era uma política competente jogando o único jogo possivel para uma potência de segunda como o Egito da época. Medéia, coitada, não era má: ela teve claramente um surto psicótico. Literalmente, enlouqueceu. O que eu considero uma mulher malvada é, na verdade, um ideal de maldade difícil de existir na realidade - graças a deus. Além disso, sempre existem fatores atenuantes. As mulheres reais que mais chegam perto desse meu ideal da mulher malvada são algumas sinházinhas do Brasil Colonial. Os senhores de engenho, via de regra, só puniam seus escravos por faltas graves cometidas no trabalho e sempre tentando não feri-los: afinal, tinham enorme valor de mercado e precisavam voltar logo ao batente.
Já as mulheres não tinham esses freios. Entediadas pela falta do que fazer e, muitas vezes, por pura diversão, deixavam vir à tona seus piores instintos. Malvada, pra mim, é aquela mocinha de fazenda, linda e com cachinhos dourados, que por pura falta do que fazer, vai pra senzala do marido furar um olho de cada uma das escravas mais bonitas. E ainda se esbalda de tanto se divertir. E, por favor, que fique bem claro, não aprovo esse tipo de comportamento. Uma mulher dessas é uma psicopata e eu teria medo de chegar perto dela. Ficaria bem longe. De pau duro, mas longe. Elogio às Malvadas
Saturday, May 15, 2004
Entrevista para Rádio BandeirantesO Santo Marmota, louvado seja, dono de um dos melhores blogs do Brasil, gravou minha entrevista hoje na Rádio Bandeirantes, de SP, e ainda me enviou o arquivo em formato wma. Para quem quiser ouvir minha voz horrorosa falando sobre blogs e gaguejando abjetamente, aqui está o arquivo. São 1,5Mb e 6 minutos de duração. Marmota, te devo uma.
Degolar, Decapitar e Outras Birras Etimológicas, Parte II de IIOutras Birras Etimológicas Palavras são a minha vida. Ao longo de suas trajetórias, sei que elas vão mudando de significado, refletindo novos tempos e incorporando a cultura vigente. Mas, por isso mesmo, quem sabe seus significados originais, deve lutar para que não sejam deturpadas ao extremo. Eu confesso ter uma série de implicâncias linguísticas. Vou compartilhar algumas com vocês. João Suicidou Maria Um dos leitores lembrou que nunca se deve dizer degolar ou decapitar a cabeça. Naturalmente. O que mais teria sido decapitado? O pé? Degolou o braço? Há outra redundância que me incomoda: se suicidar. É possível suicidar outra pessoa? Maria estava muito deprimida e, então, João decidiu suicidá-la. Sei não, mas acho que seria outro crime. Por que não falarmos simplesmente: Depois de muita depressão, Maria suicidou: encontraram seu corpo enforcado no próprio vômito em uma banheira de hotel em Amsterdã. 15 Assassinatos Deixam um Saldo de 7 Mortos No verão, aqui no Rio, os jornais sempre publicam notícias assim: "Fim-de-semana movimentado na Orla. O Salva-Mar regista 100 afogamentos e 35 mortes." Aí, o tio Alê coça a cabeça e se pergunta: "Hã... O que aconteceu com os outros 75 que se afogaram mas não morreram? Viraram mortos-vivos? Estão perambulando pela praia tentando morder os vivos e comer cérebros?" Afogar é morrer. Não existe "Fulano, esse aqui é o meu primo, que se afogou o ano passado." Sinto muito. Se o seu primo se afogou o ano passado, é melhor não apresentá-lo a ninguém: ele vai estar inchado e fedendo. Até concordo com o uso do "estar se afogando." Afinal, se pessoas que estavam morrendo já foram salvas pelo gongo, por que não as que estavam se afogando? Mas estar se afogando é estar em processo de afogamento. Se alguém lhe salva, você vive. Se o processo se completa, você morre. Seguindo essa tendência, em breve leremos: "Noite violenta na Rocinha! 15 assassinatos deixam um saldo de 7 mortos!" Confiem em mim: se houve 100 afogamentos, houve 100 mortes. O Exército Foi Dizimado: E Daí? Talvez o termo que mais me incomode seja o dizimar. "O exército foi dizimado: de mil homens, menos de 50 voltaram vivos da batalha!" Eu não sou bom de conta, mas essa até eu sei fazer: se um exército de mil pessoas foi dizimado, então é porque mataram uma décima parte de seu efetivo. Ou seja, foram mil, voltaram novecentos. Dependendo do tipo de batalha travada, não é nenhuma grande tragédia. O termo dizimar foi inventado pelos romanos para punir legiões rebeldes. Quando uma legião se rebelava contra Roma e depois se rendia (as que não se rendiam, eram exterminadas), ela era dizimada para dar o exemplo. Ou seja, sorteava-se um décimo de seu efetivo para ser executado e o restante era espalhado por outras legiões nos quatro cantos do mundo. Sabiamente, os líderes romanos entendiam que não podiam prender todo um exército rebelde, mas também não poderiam deixar uma rebelião passar em brancas nuvens. Diziar os rebeldes era um modo de conciliar ambas preocupações. Entendo que nem todo mundo conhece essa historinha. Mas me revolta ver como uma palavra que significa a morte de um pequeno grupo transformou-se em sinônimo de destruição em massa. O próprio Houaiss registra primeiro a definição correta "provocar a morte (de parte de um grupo, ger. de um em cada grupo de dez)", para depois acrescentar: "Derivação: por extensão de sentido. provocar a morte em massa (de grande número de pessoas)" Só Morte É impressão minha ou todas as minhas birras etimológicas de referem, de um modo ou de outro, à morte? Realmente, devo ter lido história militar demais.
Rio Contra São PauloA birra do Lula levantou alguns dados interessantes. A maioria dos correspondentes estrangeiros no Brasil fica aqui no Rio, 130, contra 110 em São Paulo e 15 em Brasília. Na verdade, eu pensava que o Rio teria uma participação ainda maior nesses números. E morri de rir quando me dei conta que, para muitos paulistas, essa preferência é quase que um insulto pessoal. Um colunista, querendo desqualificar Rohter, teve a cara-de-pau de falar: e tem mais, se ele queria mesmo cobrir o Brasil, por que não está baseado em Brasília ou em São Paulo? O comentário ficou por aí, deixando escancaradamente implícito: afinal, nada acontece de importante no Rio. Se Rohter está lá, é porque não é sério, é porque quer só ficar de putaria na praia. Li outras farpas no gênero, no Estadão e na Folha. Vou ficar na minha, mas acrescento só isso: os jornalistas vão atrás das notícias. Se a maioria deles está aqui no Rio, devem ter lá suas boas razões.
ComentáriosEu fico brincando com as perguntas dos comentários mas, até onde eu saiba, esse código de confirmação dos posts, do qual todos estão reclamando, eu não tenho como tirar. Se alguém souber como, eu adoraria saber.
Jogando Pra PlatéiaJá disse um velho advogado de tribunal que você nunca, nunca faz uma pergunta à testemunha se não sabe a resposta. Talvez o pior dessa nova "crise" seja justamente isso. Aconteceu o mesmo no caso do americano que mostrou o dedo. Nosso governo não tem pudor algum em jogar para a platéia, mesmo sabendo que não há a mínima chance de suas bravatas serem sustentadas pelo supremo, mesmo sabendo que terá que voltar atrás em breve. Eu gostaria de imaginar que é cálculo político. Que nosso governo aposta na proverbial péssima memória do povo. Que todos vão se lembrar da reação patriótica contra o dedo do americano ou da ação enérgica do presidente para defender sua honra, e que ninguém vai lembrar que ambas as iniciativas chauvinistas foram barradas nos tribunais pouco depois. O pior, o pior mesmo, é que não é isso. É pura burrice.
Friday, May 14, 2004
Entrevista para Rádio Bandeirantes de São PauloDei mais duas entrevistas essa semana, ambas sobre blogs. A primeira para a coluna do Gravatá, em O Globo, vai sair na segunda. A outra, para a Rádio Bandeirantes, de São Paulo (840AM), vai ao ar amanhã, entre 10h e 11:30h, no programa Você É Curioso, de Marcelo Duarte e Silvania Alves. Convido os leitores paulistas a ouvir. E, se alguém souber como gravar isso em MP3, eu agradeceria muito. A matéria será depois publicada no site do programa. Gaguejei demais.
Degolar, Decapitar e Outras Birras Etimológicas, Parte I de IIPrimeiro, leia isso aqui. Oráculos Definidores de Palavras Em uma simplificação grosseira mas útil, eis como as palavras entram no dicionário: O arguto dicionarista repara que existe uma nova palavra circulando: cadeira. Ele percebe que todos os falantes conversam entre si sobre cadeiras sem maiores problemas de compreensão a respeito do que é uma cadeira. Chamam de cadeiras uma variedade enorme de objetos que não têm, a princípio, muito em comum. Por outro lado, parecem saber instintivamente que sofás, bancos e poltronas não são cadeiras. Claramente, pensa o dicionarista, há uma definição clara de cadeira nas cabeças dos falantes. O dicionarista pesquisa, escuta, pergunta e acaba descobrindo os elementos em comum de todas as diferentes cadeiras. Com base nisso, ele escreve a definição de cadeira para o seu dicionáriozinho: "Peça de mobília que é um assento apoiado sobre pés ('partes para apoiar'), quase sempre em número de quatro, com um encosto e, muitas vezes, braços ('partes fixas para apoiar ou descansar os antebraços'), com lugar para acomodar, com algum conforto, uma pessoa" (fonte: Houaiss) Em todo esse processo, fica claro quem manda e quem obedece. Quem manda são os falantes, que criam, definem e usam as palavras de acordo com seu bel-prazer. Quem obedece são os dicionaristas, que correm atrás e tentam transformar o uso consagrado pelos falantes em uma definição de fácil digestão. Por que então as pessoas cismam em se referir aos dicionários como se fossem verdadeiros oráculos, deuses definidores de palavras, aos quais devemos obediência e respeito? Sonhar, Sinônimo de Dormir Degolar (do latim decollare) significa passar uma faca pela frente do pescoço, cortando a carótida. Tirar a gola. Com o tempo, sabe-se lá o motivo, o termo começou a se confundir com decapitar (do latim decapitare), que significa cortar fora a cabeça. Provavelmente, por soarem parecidos. Um leitor opinou: "Etimologicamente "degolar" sgnificaria algo como "despescoçar", já que vem de "collum", que quer dizer pescoço. Como é impossivel decapitar (ou "descabeçar") sem causar algum grau de... despescoçamento, normal que no portugues as palavras sejam usadas intercambiavelmente, sinonímia que de resto é registrada pelos dicionários." Ora, que besteira. É impossível sonhar sem antes dormir e não é por isso que sonhar e dormir são sinônimos. O ato de degolar e decapitar pode até ser parecido mas, em inglês, por exemplo, as palavras flay e behead são tão diferentes que jamais se confundiram nem ninguém sonharia em usá-las intercambiavelmente. Degolar e decapitar se uniram não por seu significado, mas pelo seu som. Ainda não é tarde para separá-las. São palavras diferentes que descrevem atos diferentes. Babliblú do Flamengo no Maracanã Nossa língua tem palavras para vitória, derrota e empate. Digamos que também existisse a palavra "babliblú", um termo ambíguo significando "não-vitória" e englobando elementos tanto de derrota quanto de empate. Então, imagine que você lê a manchete: "Babliblú do Flamengo no Maracanã". Ok, você até sabe que ganhar, o Flamengo não ganhou. Mas perdeu ou empatou? Perdeu por WO ou de goleada? Não dá pra saber. A palavra é ambígua. Mas, já que existe uma palavra específica tanto para derrota quanto para empate, custava ter usado uma delas? Não poderia o infeliz jornalista ter nos informado, já na manchete, de forma direta e não-ambígua, se o Flamengo afinal perdeu ou empatou? Será que Ele Vai Ficar Bem? Digamos que eu concorde. Digamos que degolar tenha mesmo passado a significar também decapitar. Digamos que hoje ambos os termos sejam sinônimos e possam ser usados intercambiavelmente. Ainda assim, noticiar que o americano foi degolado é um exemplo de mau jornalismo e péssima redação. Mesmo que degolar signifique degolar E decapitar, decapitar, por enquanto, só significa decapitar. É uma palavra simples, específica e direta. Você diz que alguém foi decapitado e todo mundo entende. Não há dúvidas. Ninguém vai perguntar: "mas a cabeça dele saiu toda?" ou "será que ele vai ficar bem?" Nada disso. Todo mundo sabe que ele está mortinho da silva, com sua cabeça relativamente longe do resto do corpo. Temos dois cenários: Se degolar significa, como eu digo, só passar a faca pelo pescoço, então a imprensa errou feio ao dizer que o americano foi degolado. Se degolar significa, como vocês dizem, tanto passar a faca pelo pescoço quanto arrancar fora a cabeça, então a imprensa também errou ao utilizar um termo ambíguo, que gera dúvidas em boa parte dos leitores, quando poderia ter informado, com precisão, o que houve com o pobre americano utilizando uma palavra mais específica. Decapitar. De qualquer modo, não há justificativas para noticiarem a degola da vítima. (amanhã... outras birras etimológicas...)
Censura na Internet Leia hoje na minha coluna:
Censura na Internet No final do ano passado, o blogger (da Globo.com) apagou subitamente dois blogs de conteúdo sexual: Suruba Digital e o Uva na Vulva. Muitos internautas ficaram revoltados. Uma blogueira, Camaleoa, expressa assim a indignação geral: "Sem justificativas ou aviso-prévio, o blogger extingüiu todo o conteúdo dos weblogs Suruba Digital e Uva na Vulva. (...) Será que há uma censura `invisível' no que se refere a sexo na internet? Será que (...) foram execrados pelo conteúdo `obsceno'? Quem determina o que é (e baseado em que conceitos) obsceno, agressivo e vulgar?" Quem me conhece, sabe que defendo incansavelmente a liberdade em todas as suas formas. Sou radical mesmo, chuto o balde e vou aos extremos. Eu adorava o Suruba Digital e o Uva na Vulva e conhecia o Jozé e a Femme C., dois blogueiros de primeira. Foi uma pena o que aconteceu com esses excelentes blogs, mas não há motivo para indignação. O blogger não apagou ninguém sem aviso, pois já estavam todos pré-avisados pelos termos de uso da ferramenta. Outro dia, na universidade, o laboratório de informática estava lotado, mas tinha uma aula acontecendo em outra sala. Havia uma placa enorme na porta avisando que aqueles computadores só poderiam ser usados por quem estivesse naquela aula, mas sou malandro, fingi que não vi e fui entrando. Fiquei lá atrás usando a internet por bastante tempo, até que o professor percebeu que eu não era aluno dele e pediu pra eu me retirar. Foi sem aviso? Não, eu já estava avisado desde que vi a placa na porta: sabia que estava lá na malandragem e aproveitei enquanto pude. A mesma coisa aconteceu com os blogs de conteúdo visualmente sexual, como o Suruba e o Uva. Eles estavam infringindo os termos de uso do blogger e sabiam, ou deveriam saber que, assim como eu na sala de informática, estavam lá somente até que o dono da casa reparasse na malandragem. Quando o professor reparou e os expulsou, foi uma pena para todos nós leitores, mas não tinham direito moral algum de ficar revoltados. A Camaleoa também comenta sobre uma pretensa censura invisível na internet: "Quem determina o que é (e baseado em que conceitos) obsceno, agressivo e vulgar?" Bem, essa é fácil. Nesse caso, é o blogger. A ferramenta é dele, a casa é dele, os custos são dele, ele tem todo o direito de decidir que tipo de blog quer hospedar. Não há censura invisível. Ela é visível, clara, estampada explicitamente nos termos de uso da ferramenta, sem um pingo de hipocrisia. Essa questão de definir pornografia é complicada quando estamos falando de governo. Que direito o governo tem, por exemplo, de classificar essa ou aquela obra de pornográfica ou erótica? Via de regra, a consequência desse tipo de classificação é a restrição ao acesso do conteúdo tipo pornográfico, resultando em uma espécie de censura. Quer dizer, quando o governo começa a querer rotular isso ou aquilo de conteúdo pornográfico, é um problema de todos: eles podem estar restringindo seu acesso a um conteúdo que você quer ver. Mas uma empresa privada, que está dando de graça algo que ela custou pra desenvolver e custa ainda caro pra manter, tem todo o direito de só dar esse presente para quem quer sem precisar dar explicações a ninguém. Na sua casa, cada um faz o que bem entende. Guia de Blog SobreSites Foi relançado esse mês, sob minha tutela, o Guia de Blog SobreSites. Trata-se do maior e mais completo site de referência sobre blogs do Brasil. Um dos objetivos é ajudar o novato a montar seu primeiro blog. As resenhas comentadas de ferramentas de hospedagem, contadores, comentários e diretórios são inéditas na internet. Afinal, se você ainda não sabe nada de blog, como escolher entre Weblogger e Blig, Comentar e Haloscan? Outro é discutir aspectos culturais e comportamentais do fenômeno blog, assuntos que o leitor freqüente desse espaço acompanha, como os blogs de pessoas mortas, a influência dos blogs nas eleições norte-americanas e a difícil relação de jornais e blogs. Por fim, já começa a existir um preconceito de que blog é papo-furado, coisa de adolescente, uma besteirada só. Sim e não. A grande maioria dos blogs é de fato profundamente idiota. Mas como encontrar aqueles poucos que não são? O grande objetivo do guia, portanto, é ser uma seleção comentada dos melhores blogs do Brasil, nas áreas de (por enquanto) jornalismo, humor, literatura, sexo e famosos. Os critérios são: atualização freqüente, português correto, relevância ao tema e design leve. Blogs pessoais, atualizados de mês em mês, iskritos in purtugues axxxim e cheios de animações e musiquinhas estão fora. A internet é grande demais e intimidadora demais. Qualquer busquinha no Google encontra milhões de resultados. Meu objetivo é ir contra essa corrente: o Guia de Blog é um ambiente mais pessoal, apresentando menos opções, mas todas selecionadas e comentadas por mim. Espero sua visita. Guia de Blog SobreSites Uma versão editada desse texto foi publicada na minha coluna Internet, na Tribuna da Imprensa, no dia 14 de maio de 2004. A versão não-editada que você está lendo nesse blog é de minha inteira responsabilidade e contém informações que não foram aprovadas e muito menos publicadas pela Tribuna da Imprensa. Quaisquer reclamações, portanto, devem ser dirigidas a mim. Para conferir a versão autorizada publicada na edição impressa da Tribuna da Imprensa, clique aqui.
Novos Links RecomendadosImprensa: essa crise mostrou que blogs de jornalistas bem informados fazem a diferença. Enquanto progrediam os fatos, era mais negócio ler os dois indispensáveis blogs abaixo do que o Globo ou Folha On Line: Ricardo Noblat e Cláudio Humberto. Blogs amigos são todos os que têm a gentileza e o carinho de linkar pra mim. É impressionante o número de novos blogs que, toda semana, passam a linkar pra cá. Aqui vão eles: Substantivo Concreto, Vida Cotidiana, Geógrafos sem Fronteiras, Ímpar, Weblog do Sonny, Fogo Ariano, Sono un Gran Bugiardo, Nighterói, Fserbcombr, Purgatorying e Pensador. Essa semana não houve nenhuma adição à Galeria de Honra? Quer entrar para a Galeria de Honra? Coloque um botão do LLL no seu blog ou site.
Thursday, May 13, 2004
Ufa, Ainda Bem que Avisaram!Via Agência Estado, um importante aviso da Agência Nacional de Vigilância Sanitária: Aumento de pênis é propaganda enganosa, adverte Anvisa Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está de olho no crescimento do número de anúncios de terapias "milagrosas" indicadas para aumento do pênis e o combate à ejaculação precoce veiculados pela internet. O método é basicamente o mesmo: sites vendem manuais com exercícios que, garantem, resolvem de forma fácil, rápida e indolor uma série de problemas - incluindo infecções urinárias. "É uma enganação. Muitos homens deixam de comer para comprar estes manuais que não têm nenhum respaldo científico", afirmou a diretora de propaganda da Anvisa, Maria José Delgado Fagundes. Hoje, o Diário Oficial da União, publicou duas resoluções proibindo a venda de dois manuais pela internet. Maria José constata que, nos últimos tempos, houve um aumento significativo deste tipo de comércio que associa propaganda enganosa com venda de produtos irregulares. Com preços que variam entre R$ 30 e R$ 40, manuais trazem uma explicação nada convincente sobre como o pênis pode aumentar de tamanho (de 2 a 10 centímetros) com alguns exercícios diários. Um dos sites garante que 98% dos homens que exercitam o pênis conseguem não só alterar o comprimento do pênis, mas também o seu diâmetro. "Essas vendas exploram o fato de que muitos homens têm receio de procurar um especialista. Além de enganação, esses métodos podem levar pacientes a deixar de procurar médicos quando têm problemas de saúde, como relacionados à próstata", afirma Maria José. Técnicos da Anvisa também estão pesquisando se comer merda faz mal. Caso a resposta seja positiva, avisarão à população o mais breve possível. * * * Darwinisticamente falando, um homem que deixe de comer para comprar um manual desses (conseqüentemente ficando mais fraco e mais passível de adoecer e morrer) e, ainda por cima, que tenha sua capacidade reprodutora afetada por isso é a melhor coisa que poderia acontecer para nossa espécie.
Who Watches the Watchers?Ou seja, quem vigia os vigias? Antigamente, na Guerra do Vietnã, eram os jornalistas que levavam à guerra aos lares americanos. Hoje, são os próprios soldados, com os blogs e flogs que mantém do front, alimentados com fotos que tiram com seus celulares. Fascinante. Eu nunca tive nenhum amor por tecnologia. Usei meu primeiro computador aos vinte anos. Mas acho poucas coisas mais fascinantes do que o modo como as novas tecnologias estão moldando nossa vida e nossa cultura. Do Globo On Line, via Reuters: "Geração Napster vai à guerra e desafia a máquina de propaganda do governo As fotos tiradas em máquinas digitais e e-mails enviados por soldados americanos do Iraque mostram como as tecnologias atuais podem minar os esforços de relações públicas e propaganda de uma moderna máquina de guerra. - 'Olha que loucura esse período que estive a serviço no Iraque', parecem dizer as imagens - afirmou Chris Hoar, que administra um site no qual as pessoas colocam fotos tiradas com telefones celulares. A geração Napster, formada por adolescentes e pessoas com 20 e poucos anos, obrigou a indústria da música, cujo faturamento é de US$ 30 bilhões, a repensar seu negócio. Agora, esse grupo está fazendo as autoridades refletirem sobre como controlar o fluxo de informações vindo hoje das linhas de frente de combate e que pode ser prejudicial para os militares. Câmeras digitais, câmeras de vídeo e laptops são considerados requisitos básicos dos soldados dos EUA, assim como o alojamento em bases com acesso à internet. - Esse é um fato da vida - disse o general Peter Pace, vice-chefe do gabinete militar dos EUA. - As pessoas vão ter essas coisas. Elas estão disponíveis para todo mundo. Muitos soldados têm liberdade de enviar e-mails ou manter diários virtuais, os chamados blogs. Contanto que não informe sua localização exata ou forneça dados sobre planos de combate, o soldado americano de hoje pode contar sua rotina diária no front, documentando-a para o mundo ver, com fotos inclusive. Longe de terem sido proibidas pelos oficiais das Forças Armadas, as fotos foram copiadas e trocadas entre os soldados e civis presentes nas frentes de batalha. Algumas imagens chegaram a jornalistas dos EUA. - De repente, os militares terão de controlar não apenas os jornalistas, mas os combatentes também - afirmou Steven Barnett, da Universidade Westminster, na Grã-Bretanha. - Isso pode ter um impacto profundo sobre o futuro do treinamento militar - acrescentou, comparando as fotos tiradas na prisão Abu Ghraib às imagens recebidas nos lares americanos durante os anos 1960 e que mais tarde mobilizaram o país contra a Guerra do Vietnã. As imagens vindas do Iraque levaram soldados antes anônimos para a primeira página de jornais de todo o mundo, documentando o tratamento dados aos detentos iraquianos. - A ironia é que demora muito tempo para novas tecnologias serem implementadas pelos militares quando algumas tecnologias poderosas já estão nas mãos de soldados de 18 e 19 anos - disse o Pat Tyrell, oficial da Marinha Real da Grã-Bretanha. Os militares precisam reavaliar como as tecnologias emergentes poderiam alterar para sempre seus esforços de relações públicas, afirmou Tyrell. E, com o surgimento de telefones equipados com câmeras de vídeo, os soldados estariam aptos a mostrar cenas de guerra para todo o mundo, quase que instantaneamente, acrescentou. - Nesse momento, como vamos contê-los?."
Suspensa a LoucuraDo Globo On Line, às 14:07hs: "O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a cassação do visto de permanência no Brasil do jornalista do Larry Rohter, correspondente do jornal "New York Times". O repórter está na Argentina e teria oito dias para sair do Brasil quando voltasse ao país. Com o hábeas-corpus, ele não precisará deixar o território brasileiro e poderá aguardar no Brasil o julgamento do mérito da questão. Rohter escreveu um artigo no qual afirmava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava ingerindo bebida alcoólica em excesso e que essa hábito prejudicava seu desempenho no governo."
Degolar ou DecapitarEu sei que sou chato mas, tirando o óbvio, o que mais me incomodou nessa história foi a imprecisão da imprensa. Alguns diziam que o americano foi degolado. Outros que foi decapitado. Muitos veículos conseguiram a façanha de dizer, na mesma matéria, que ele foi degolado E decapitado, como se ambos os termos fossem sinônimos que pudessem ser usados alternadamente para evitar repetições estilísticamente desagradáveis. Para quem sabe a diferença (enorme) entre as duas coisas, ficou a dúvida: afinal, o pobre do homem foi degolado ou decapitado? Fica mais fácil de entender lendo a imprensa internacional. Se em português ambas palavras soam parecidas, em inglês elas são bem diferentes. Decapitar é beheading, ou seja, separar o corpo da cabeça. Degolar é flaying, um termo mais obscuro e menos usado, que significa fazer um corte no pescoço para que a vítima sangre até a morte. Nas minhas leituras na língua de Shakespeare, só me deparei com flaying nas descrições de antigos sacrifícios, nas quais as vítimas tinham que ser flayed de acordo com rigorosos rituais. A morte é a mesma, mas o fato de o corpo terminar com ou sem cabeça faz uma grande diferença. Para reconhecer a enorme diferença entre os dois termos, basta lembrar que a degola sempre foi o método preferido de execução de prisioneiros entre gaúchos de ambos os lados da fronteira em nossas guerras ao sul. Na Revolução Federalista de 1893, milhares foram degolados. Até mesmo durante as revoltas da década de 20, no Rio Grande do Sul, houve alguma degola. E nunca ouvi falar da cabeça de ninguém sendo separada do corpo.
Wednesday, May 12, 2004
Quer Dizer que Ninguém Vai me Dar Nem Um Livrinho?Seus ingratos. A lista continua aqui, mas está dando problemas. Os santos que quiserem colaborar, por favor, falem comigo. Que Clarice Lispector os abençoe.
O Melhor da CriseA melhor coisa dessa crise é que a tal da Brenda sumiu. E, mesmo que não tivesse sumido, seus ataques histéricos teriam perdido toda a importância na comparação.
Revelações de Ricardo Noblat"Na reunião ontem em que decidiu o destino do correspondente do NYT no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistiu aos apelos de ministros e de assessores para que não tomasse a decisão que tomou. Todos ou quase todos que ele ouviu foram contra a cassação do visto de permanência no país do jornalista. A certa altura da reunião, um dos ministros argumentou: - Presidente, o jornalista é casado com uma brasileira. E a Constituição concede a ele o direito de ficar aqui... A frase do ministro foi interrompida pelo comentário do presidente: - Foda-se a Constituição. O presidente estava furioso. Mais do que furioso: descontrolado em alguns momentos. Berrou, disse palavrões e esmurrou a mesa do seu gabinete de trabalho no Palácio do Planalto. A decisão de expulsar o jornalista foi dele, unicamente dele. O ministro Márcio Thomas Bastos, da Justiça, está em Genebra, a serviço. Consultado por telefone, foi contra expulsar o jornalista. Só soube que a expulsão fora decretada depois que ela fora assinada pelo ministro interino da Justiça. Os ministros Luiz Gushiken, da Comunicação Social, e Celso Amorim, das Relações Exteriores, também foram votos vencidos. Gushiken telefonou hoje para Thomas Bastos e conversou a respeito do assunto. Os dois, mais Celso Amorim e outros auxiliares do presidente estão tentando reverter a decisão dele. Já avaliaram que foi péssima e que só tenderá a ser pior a repercussão do ato presidencial - aqui e lá fora. O presidente continua determinado a não voltar atrás." Blog de Ricardo Noblat
Ninguém É Inocente em uma DemocraciaFelizmente, já deu pra ver que a loucura foi iniciativa solitária do presidente. O próprio titular do ministério que emitiu a proibição nada sabia a respeito. Vozes sensatas de todos os cantos do país estão se levantando contra a loucura. Estou fazendo questão de anotar os nomes de todo mundo que está se manifestando a favor. Vou lembrar deles depois. Eu me sinto responsável pelos nossos líderes. Ninguém é inocente em uma democracia. Os civis mortos no Iraque, sim, esses poderiam argumentar que não tinham nada a ver com o Saddam. Os mortos do World Trade Center, ou nós, brasileiros, não podemos alegar a mesma coisa em relação aos nossos presidentes. Todos somos responsáveis pelas loucuras do Lula. Ou somos culpados de cumplicidade, pois votamos no animal, ou por neglicência, por não termos nos esforçado o suficiente para eleger o outro. Apesar de alguma descrença, votei no Lula sim, sabendo que era aposta de risco. Felizmente, também votei em outras pessoas. Fiquei feliz em abrir o jornal hoje e descobrir que um deputado e um senador, ambos enviados a Brasília por mim e para me representar, estão tomando medidas concretas contra a loucura. Do Globo On Line: "O senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) protocolou nesta quarta-feira um pedido de hábeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) - que acabou sendo encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por questões de competência - para garantir a permanência do correspondente do 'The New York Times' Larry Rohter no país. Cabral invoca o inciso 52 do artigo 5º da Constituição, segundo o qual não se pode extraditar estrangeiro por crime político ou de opinião. O senador disse que tomou a iniciativa por ser jornalista e filho de jornalista que esteve preso durante o regime militar. - Há 20 anos eu fui visitar meu pai na cadeia e não posso admitir que algum tipo de punição à liberdade de imprensa ocorra nos dias de hoje. Essa medida viola a Constituição - afirma o senador. (...) Na Câmara dos Deputados, o presidente da Comissão de Seguridade Social, Eduardo Paes (PSDB-RJ), disse que apresentará uma proposta de decreto legislativo para derrubar a portaria que suspende o visto do jornalista do 'The New York Times'. - Sou solidário ao presidente. A reportagem é horrível. Mas defendo a liberdade de imprensa. O burocrata que tomou essa decisão só pode estar de porre - disse." Precedente Por fim, Lu Lacerda, em O Dia, citada no blog de Ricardo Noblat, lembra de quando o sapato esteve no outro pé: "Sendo falsa a matéria sobre Lula no NYT por que não processar o jornal? Em 1991, Fernando Collor processou o Sunday Times, que o acusava de frequentar rodas onde se consumia cocaína e ganhou. O jornal inglês teve que pagar 3 milhões de cruzeiros, além de gastar 40 mil dólares com advogados. Nem precisa dizer que na época o PT não se solidarizou com Collor." O blog do Noblat está imperdível.
Ainda Jornalista ExpulsoEsse assunto está me comendo por dentro e não estou conseguindo não escrever sobre isso. Certo Estava Ronald Biggs De acordo com Maurício Correa, em O Globo, mesmo casado com uma brasileira, o jornalista pode ser expulso. Só não poderia se fosse pai de um cidadão. Sendo só cônjuge, vale tudo. Por Que Eu Confessaria Algo Tão Imbecil? Hugo escreveu: "Olha só, realmente o ideal seria terem processado o jornal, mas não achei de todo errado essa atitude que tiveram ... Jornalista não é intocável, não pode tudo e quando eles erram tem de serem punidos. O que não podia era deixar essa leviandade passar em branco ... E não seja ingênuo né Alexandre: reportagem pouco elogiosa ao presidente ?? Fala sério. Aquela reportagem estava um lixo, cheia de inverdades que inventaran sabe-se lá aonde, e como vc deve saber o The New York Times é uma jornal influente e uma coisa dessas não poderia ter acontecido né ... E não me venha com essa de que vc sempre simpatizou com o Lula. Hipócrita não né Alexandre ... E duvido que vc tenha votado nele ..." A reportagem poderia ser leviana mas, se alguém inventou alguma coisa, não foi o jornalista, foram os entrevistados. E há várias atitudes que o governo brasileiro poderia ter feito dentro da lei, sem perder a razão, do que apelar para uma lei idiota da época da ditadura. E quem é você pra duvidar de mim? Por que cargas d'água eu confessaria ter feito algo tão imbecil quanto votar no Lula se não tivesse realmente feito isso? Ou você acha que ouvi meia hora de esporros do meu pai à toa? Diga-se em Seu Benefício Segundo o Globo, o ministro da Justiça, em viagem à Suiça, se disse surpreso com a expulsão do jornalista. E, como bom democrata, fez questão de ressaltar: o jornalista sempre pode recorrer da decisão. Atos Nocivos à Nação Nota da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra): "Não obstante a sordidez e o notório preconceito social presentes no texto do jornalista Larry Rohter, com a sua sumária expulsão o Executivo consegue produzir obra ainda mais triste, qual seja, a de não ser capaz de tolerar a liberdade de expressão quando, contra o presidente da República, são assacadas palavras inúteis, mas de que nenhum modo comprometem a soberania ou a segurança nacional." Tiranos e maus chefes-de-estado em geral gostam de confundir suas pessoas com seus países. Lula é atacado em uma matéria leviana no jornal, vá lá, e o atacado foi o Brasil. Temos que defender a honra do Brasil. Nada disso. Lula e seu governo que defendam sua honra. A honra do Brasil não teve nada a ver com isso. Nosso presidente ser vítima de uma reportagem leviana não mancha a honra do Brasil. Pelo contrário, é essa uma atitude ditatorial e restritiva que queima nosso filme em todo o mundo livre. O texto da lei utilizada para expulsar Rohter diz que "é passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conveniência e aos interesses nacionais." Não sei não. A reportagem de Rohter pode ter sido nociva ao Lula. Mas foi nociva à nação? Aos interesses nacionais? Digo mais: não acho que Lula tenha problemas com a bebida, mas poderia ter. Jamais saberíamos disso sem uma imprensa livre. E, se o presidente é alcóolatra, expor o problema pode ser ruim pra ele, mas é bom para a nação. Não Sabe Nem Ser Vítima O PT estava acostumado a pegar qualquer coisinha e inflá-la além de toda lógica e proporção para transformá-la em crise de governo. O inacreditável é que, hoje, mesmo estando no governo, o PT continua fazendo a mesma coisa. Como li em algum lugar, e já nem lembro onde, o governo Lula não sabe nem ser vítima. Se tivesse mais senso de humor, teria levado a reportagem na brincadeira e convidado o jornalista para um churrasco na Granja Torto - onde Lula só beberia laranjada. O assunto teria sido esvaziado. Agora, já falam em "crise". Crise criada, gestada e aumentada pela inépcia do governo. * * * Chega. Tenho mais o que fazer. Estou tão revoltado, sinceramente revoltado, que se deixarem fico aqui o dia todo escrevendo sobre isso.
Tuesday, May 11, 2004
Essência de DitaduraPerder a Razão Há erros de um lado e erros do outro. E há aqueles erros que fazem você perder a razão. Larry Rohter fez uma reportagem pouco elogiosa ao presidente. Alguns alegam que foi má-fé. Que seja. Ele estava no seu papel de correspondente. O governo, e seus aliados, também estavam no seu papel quando fizeram o maior alarde, rufaram os tambores patrióticos e disseram que iriam processar alguém com certeza, o jornalista ou o jornal, ou ambos. Até aí, tudo bem. Mas o governo Lula quando não faz na entrada, faz na saída. Como na expulsão do piloto que mostrou o dedo, novamente, nosso governo foi longe demais. Perdeu a razão. Visto de Larry Rohter, no NYT, É Cassado O visto temporário do jornalista Larry Rohter acabou de ser cancelado pelo Ministério da Justiça. Eis a nota divulgada pelo Ministério: "Em face de reportagem leviana, mentirosa e ofensiva à honra do presidente da República Federativa do Brasil, com grave prejuízo à imagem do país no exterior, publicada na edição de 9 de maio passado do jornal The New York Times, o Ministério da Justiça considera, nos termos do artigo 26 da Lei nº 6.815, inconveniente a presença em território nacional do autor do referido texto. Nessas condições, determinou o cancelamento do visto temporário do sr. William Larry Rohter Junior." A mensagem do governo Lula à toda a comunidade de correspondentes estrangeiros residentes no Brasil é clara. Sintam-se à vontade para elogiar. Escrevam o que quiserem sobre Lula ser a renovação da política latino-americana ou a esperança que venceu o medo no continente. No Brasil, sua liberdade de expressão é constitucionalmente garantida - desde que, claro, vocês expressem elogios. Ousem criticar o messias e podem ser sumariamente expulsos. No resto do mundo, até ditaduras deslavadas têm receio em coibir assim a atuação dos jornalistas estrangeiros. Criam todo tipo de hipocrisias e jogos de cena para esconder dos jornalistas o fato de que eles não têm, de fato, liberdade para escrever sobre o que bem entendem. Ainda bem que o governo Lula não tem medo de nada. Esse governo tem colhão! A Folha entrevistou a presidente da ACE (Associação dos Correspondentes Estrangeiros) de São Paulo, Verónica Goyzueta. Eis alguns trechos: "É muito triste e séria essa decisão do governo brasileiro. Haverá uma reação muito negativa entre os correspondentes e no exterior", disse Goyzueta. Segundo a jornalista, atualmente existem mais de 250 correspondentes estrangeiros trabalhando no país. A maioria (130) está instalada no Rio --outros 110 em São Paulo e 15 em Brasília. "Vamos discutir o caso e realizar manifestações em São Paulo e no Rio contra essa retaliação", disse a presidente da ACE. Segundo Goyzueta, a decisão de cancelar o visto do jornalista do "Times" vai prejudicar os esforços do governo Lula de melhorar a comunicação com os correspondentes estrangeiros. "A nossa situação de trabalho fica complicada. É uma ameaça à liberdade de imprensa, pois se você escrever algo que desagrada o governo corre o risco de ser perseguido e retaliado com a perda do visto", afirmou Goyzueta. Ela diz lamentar que a decisão seja tomada por um governo que tem, entre seus representantes, políticos que foram perseguidos na época da ditadura militar." Não Há Liberdade de Imprensa Quando Governo Pune Jornalista por Criticá-lo Sempre tive simpatia pelo Lula. Votei nele. Hoje, como a Regina Duarte, começo a ficar com medo. Tenho medo de um governo que não tem estrutura emocional ou amadurecimento para aceitar críticas. Tenho medo de um governo que já apele de cara para medidas tão drásticas. Tenho medo de que, amanhã, alguma emergência à la 9/11 seja a desculpa para o governo Lula fechar o Congresso, controlar a Imprensa, coibir liberdades individuais. Não se enganem: o que acabou de acontecer foi gravíssimo. Não há verdadeira liberdade de imprensa quando um governo pune um jornalista por criticá-lo. O jornalista pode ser brasileiro ou estrangeiro. O jornalista pode estar certo ou errado. A punição pode ser cair na malha fina ou ir pro paredón. O princípio é o mesmo. Processar Larry Rohter sim. Tirar até suas calças, se for o caso, ok. Cassar seu visto, jamais. Fazer o Intolerável e o Impensável, por Jogo de Cena Fica pior. Ou melhor, dependendo do seu ponto de vista. Alguns jornais mencionaram (não consegui confirmar) que Larry Rohter é casado com uma brasileira. Mesmo que o governo brasileiro casse seu visto de trabalho (reparem que estou especulando), ele ainda assim pode continuar no Brasil em sua condição de cônjuge de uma cidadã. Ou seja, um governo que faz o impensável e o intolerável por convicção já é ruim. Mas um governo que faz o impesável e o intolerável só por jogo de cena, sabendo que não vai dar em nada, isso é muito pior. Ou melhor, dependendo do seu ponto de vista. Já não sei mais de nada. Um Presidente que Não Sabe Aceitar Críticas Abriu Precedente Perigosíssimo Agora, quem está com medo sou eu. Temos um presidente que foi criado politicamente em ambiente de unanimidade em torno de si, cercado de puxa-sacos que babam seu ovo e concordam com tudo o que ele diz. Lula, e a esquerda de modo geral, não tem nenhuma prática nem inclinação para o debate. Os petistas falam infindavelmente entre si, mas não são debates, são reuniões onde todos concordam com todos. E, como se consideram os donos da verdade, da bondade e da boa vontade, desqualificam e vilificam quem discorda deles. Logo, se eximem da necessadidade de debater com os representantes do mal. Dá saudade do Sarney, do Itamar, do Collor, do FHC, todos incansavelmente, às vezes perversamente, muitas vezes justamente, perseguidos pela imprensa, zoados e caçoados de tudo quanto foi jeito, mas que jamais chegaram perto de fazer o que o governo Lula fez hoje. Hoje, 11 de maio de 2004, um presidente que não sabe aceitar críticas abriu um precedente perigosíssimo. De agora em diante, é ladeira abaixo. Um Fato Inédito Pra encerrar, meu pai acabou de ligar e ficou 10 minutos literalmente gritando comigo no telefone. Disse que a culpa é toda minha. Você tem 20 anos de estudo, ele bradou, e votou em um metalúrgico que não sabe cuidar do próprio dedo. Olhaí, deu no que deu! Aconteceu uma coisa raríssima durante essa ligação. Se não me falha a memória, talvez tenha sido a primeira vez. Só quem me conhece entenderá a enormidade desse precedente: Baixei a cabeça e ouvi calado.
Presidente Movido à ÁlcoolQuando o Baby Bush invadiu o Iraque, teve gente que parou de beber Coca-cola em protesto. Não entendo bem a relação entre as duas coisas. Vai ver essas pessoas também pararam de beber Guaraná Antartica em protesto contra as altas taxas de juros. Naturalmente, a Coca-cola tem tanto a ver com a invasão do Iraque quanto a Ambev com o os juros. Agora, depois da reportagem no NYT, já tem gente vendo conspirações por todo o lado, aí tem dedo do governo americano, é retaliação contra a decisão da OMC sobre o algodão, os gringos querem desacreditar mais uma liderança da esquerda no continente, essas besteiras. Os tambores patrióticos e antiamericanistas voltaram a ribombar. Segundo O Globo, o líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), chegou a dizer que [Rohter] "assumiu o papel de porta-voz das trevas de um movimento golpista, mas aqui a democracia está consolidada." Mas, naturalmente, uma reportagem assinada no NYT tem tanto a ver com o governo americano quanto a invasão do Iraque e a Coca-cola. Se acharam a matéria absurda, critiquem o NYT, critiquem o jornalista. O governo americano, e seu povo, não tem nada a ver com isso. * * * Minha opinião: leio as matérias de Rohter há anos e ele sempre me foi simpático. Acho que ele errou ao noticiar uma pretensa preocupação nacional com os hábitos de bebida de Lula, preocupação essa que nunca percebi. Mesmo assim, o homem não caluniou ninguém. Entrevistou uma série de pessoas e reproduziu suas opiniões. A calúnia, se existe ou não, foi dos entrevistados. E daí que não foram ouvidos os amiguinhos do presidente? Todos sabemos o que iriam dizer. Pra terminar, tentativas mesquinhas de desqualificar os outros só desqualificam quem as faz. Assim como é patético tentar desqualificar um adversário apontando seus erros de português, também foram patéticas as tentativas de desqualificar o Cláudio Humberto lembrando que ele foi porta-voz de um governo democraticamente eleito há mais de 15 anos. E daí? Ninguém está dizendo que o Collor foi um bom presidente. Mas será que Cláudio Humberto ter sido porta-voz de um péssimo presidente (digamos) realmente significa que, 15 anos depois, suas opiniões políticas não são válidas ou não devam ser levadas a sério? O homem vem cobrindo política a vida inteira. Se suas opiniões sobre política não são válidas, então ele vai poder opiniar sobre o quê? Apicultura?
Brenda StardomA Brenda cansou de fazer comentários aqui e resolveu me escrever. Eu não respondi, nem vou, posto aqui o email: "Well, well, Alex, I seem to have hit a nerve and it's quite amusing to see you devote your blog to keep writing about me, calling me names, your friends calling me names. If this isn't an over-reaction I don't know what is. I am NOT an American, I am a citizen of Portugal, so stop with the Americana Maluca bit. I, like you said in an earlier post, think Americans are pigs. You quoted what I wrote yesterdy and it would have been easy to give a link to your blog so others could see YOUR over the top hysterical reaction to some comments I made. Yes, I was sick, yes I probably should have jut let it go, but I didn't, but I stopped after your last comment to me, but you just couldn't leave it alone. Actually, you are paying me compliments without realizing it. You can't say that you found me through Google that day because of you knowing about my husband and records show you've been on my site a lot. I am asking you to cease and desist with the slander, yes slander. You say I was out of line. Haha. You, Alex, have gone OVER THE TOP maligning me and sure I could devote an entire column to you and your friends, make you look like a fool, get everyone I know to agree, but I won't stoop as low as you have. Wooeee that male latino pride! I didn't put this in the comments and from what I've witnessed from your actions, I wouldn't put it past you to put this there, too. It's not fair that this is one-sided now, it's not cool that you must keep harping on this. Like you said, I stopped, but ohboy you sure didn't. Let's hope this is the end of this. It had better be." A Brenda se confunde em algumas coisas. Eu não estou escrevendo sobre ela, mas usei essa situação para refletir sobre outras coisas mais importantes. Eu não "maligned" (algo como falar mal) nem "slandered" (caluniar) ela, pois não falei nada sobre ela (a não ser considerar seu post histérico), já que não sei nada sobre ela. Acho graça de ela dizer que eu não poderia tê-la encontrado pelo Google só porque eu sei que seu marido é português e várias outras coisas. Ora, encontrei seu blog maldito na semana passada, buscando por "OSS'04", o nome da conferência de inteligência mencionada na matéria do Yahoo! e que eu cito na minha coluna. Fiz a referência à Brenda na minha matéria tendo lido somente um post e sem saber mais absolutamente nada sobre ela. Naturalmente, quando apareceu gritando por aqui, aí sim eu fui lá tentar descobrir quem era essa maluca. Tudo o que eu sei vem daí. E sim, claro, depois disso fui lá várias vezes, eu e alguns dos meus leitores, com certeza. Realmente, não sei se ela é americana, cidadã portuguesa ou marciana. Se for cidadã portuguesa, é uma cidadã portuguesa bem estranha, pois quando teve que ir ao hospital essa semana se tratar de uma doença, ficou feliz de encontrar um médico que falasse inglês. "The doctor, luckily spoke English, confirmed that etc." Brenda claramente tem delírios conspiratórios e de perseguição. Primeiro, ela achou que os homens maus do governo americano estavam monitorando seu blog. Agora, parece achar que eu sou algum tipo de stalker digital, um leitor antigo que sabe tudo sobre ela e está aproveitando para caluniá-la. Ainda por cima, Brenda é uma pessoa extremamente preconceituosa. Acha que os americanos são porcos, sempre uma generalização imbecil, e considera que eu estou perseguindo-a por causa do meu "wooeee that male latino pride!", ou seja, por causa do meu orgulho machista latino. Sabe-se lá o que ela acha de negros ou judeus. Melhor não perguntar. O que mais me diverte é imaginar a Brenda espumando de raiva lá em Portugal e achando que eu também estou irritado, ou nervoso, ou algo assim. Eu sei que não devia dar corda, mas eu juro que acho esses malucos que povoam a Internet muito, muito engraçados.
Da Série "Melhores Emails do Guia de Blog"Só pra vocês verem como aquele FAQ não foi tão agressivo quanto poderia ser. Email recebido hoje, bem representativo dos emails que o Guia recebe: "O que é e como fazer um blog. Gostaria se possivel algumas informções sobre os famoso blog se possivel enviar com uma certa urgencia" O que ele quer? Vocês conseguem adivinhar? A falta de pontuação e concordância impede qualquer compreensão da frase. Nem ele deve saber, mas uma coisa ele sabe: quer rápido! Educadamente, mandei o link do FAQ pra ele. FAQ do Guia de Blog SobreSites
Herodes e PilatosSebastião Nery de ontem, na Tribuna da Imprensa: "A brilhante jornalista Claudia Gondim, numa entrevista de TV, perguntou ao ex-governador Wilson Braga, da Paraíba, qual a posição dele diante do governo Lula. - Como Herodes, lavo minhas mãos. - Não foi Herodes, governador. Foi Pilatos. - Vai me dizer que Herodes não lavava as mãos!"
A Opinião dos OutrosA americana está surtando porque eu comentei, por alto e muito rapidamente, que um post que ela fez foi histérico. O post nem era tão histérico assim mas, ao ficar histérica nos meus comentários por causa disso, ela só faz provar que eu atirei no que vi e acertei no que não vi. Nunca deixa de me espantar a importância que as pessoas dão à opinião das outras. Como alguém pode se alterar tanto por causa de uma bobagem escrita por um cara que ela nem conhece, que não é ninguém, escrevendo em outra língua, do outro lado do Atlântico? Será que não percebe que deixar a opinião dos outros lhe afetar desse modo equivale a lhes dar ingerência sobre sua vida e suas emoções? Toma, fulano, está aqui a chave dos meus nervos, bem na sua mão. Você agora tem o poder de determinar meu humor. Se você fizer isso e aquilo, eu fico feliz. Se você falar aquilo outro, eu perco a compostura. Juízo, hein? Pode alguém ser mais indefeso do que a pessoa que abdica tanto assim do controle sobre si mesma? * * * Nem sempre dá pra cagar pra opinião dos outros. Algumas vezes, o opinador é poderoso ou influente. Se eu digo que seu livro é ruim, dane-se, quem sou eu? Se Diogo Mainardi, do alto de sua coluna na maior revista da América Latina, diz a mesma coisa, a carreira comercial do seu livro pode ser seriamente afetada. Não dá pra ignorar. Outras, o opinador é muito próximo. Dói duplamente. Antes de tudo, porque nunca deixa de ser uma espécie de traição. E dói mais ainda porque aquela pessoa tem credibilidade para falar sobre você. Se um babaca, numa briga de rua, me chama de viado, ninguém vai parar pra pensar se eu sou viado mesmo. Se minha esposa diz que eu sou viado, você vai pensar: hmm, ela conhece ele muito bem, se ela está falando isso deve ser porque ele é mesmo. Naturalmente, eu não sou nada disso para Brenda Stardom. Então, por que tanto escândalo? * * * Não deixem de ler minha prisão Aceitação, onde eu falo que essa nossa ânsia de sermos aceitos, de estarmos sempre bem na opinião dos outros, é uma das maiores prisões que existem.
A História da Americana HistéricaTudo começou com uma simples frase na minha coluna de semana passada, que nem citava a dita cuja, mas dava link pro seu site: Ainda assim, membros de ONGs de direitos civis já estão bradando contra essa pretensa ilegalidade. Alguns blogueiros ficaram absolutamente histéricos, conferindo os IPs de todos os seus visitantes, para ver quem veio de instituições governamentais." Eu nunca tinha ouvido de falar de Brenda Stardom, encontrei seu blog por uma busca no Google. Ela, que é casada com um português e mora em Portugal, comentou aqui no blog: "I didn't know whether to laugh, cry or vomit when I read your what you must have thought very witty words about the IP's of gov. spooks and calling me hysterical. It really galls me to read things from people who don't know anything about me or my past and feel they can pass judgement on what I write, calling it hysterics. WTF do YOU know???? Would you like me to refer to you and list your blog and say this guy talks out of his ass?? This guy is fixated on boobs? This guy thinks he knows Americans.....ohh yeah he's HYSTERICAL. Bah. I'll bet you've never left your country. But opinions are like assholes ... i needn't say more." Eu respondi: "Hello Brenda. Did your husband read it for you or can you read Portuguese by yourself? FYI, I'm American-educated and I have lived there for a while. I may be wrong occasionally but I consider myself fully qualified to write about American culture. I don't know if you've read the whole thing or just the part where I call you histerical, but yes, I think you threw quite a fit there. So what if people from gov't agencies read your blogs? Too bad for them. Why is it that when I read your blog, I'm just reading it, but if a CIA agent were to read it, he would be "monitoring" it. That makes no sense to me. Isn't your blog open for all to read? Relax, chill out. Trust me, I have a very popular blog, I sign a newspaper column and everytime we put our words out there, we ARE giving people the implicit right to judge us based solely on those words, and nothing else. After all, our readers don't know anything about our past. They can only pass judgement or have opinions (which amounts to the same thing) based on those very words they are reading. All the best, Alex" E Brenda, que obviamente não é uma pessoa histérica, abriu as comportas: "Let me ask you this? Do you have any of these entities visiting this site? Does the invisible Cyveillance spider crawl your site and index it? Somehow I doubt it. I don't think you read or if you did, understood the last paragraph. "I'm not sure what to think at this point. If all these outfits are having to read all my stuff, I'm sure they're a bit baffled as I don't think the tongue in my cheek is always visible. Maybe some will become regular visitors. Who knows and who cares! My only motivation for doing these is to keep myself busy and doing what I like and talking about what fascinates me. If others read it, wonderful, if they hate it, I'm not surprised.. Like I said in the last report, I'm not about to stop. I've only begun! I ain' a-skeered of spooks." There's a lot of humor in what I write, but it goes unnoticed. You seem to be the only one who thinks I was "hysterical" in writing about it as other sites have pointed it out and said, yeah, right on. Notice I corrected your spelling on the word 'hysterical'. Sigh, you don't get it. You never will, but to single me out like that was fucked up and you know it. Oh, obviously this isn't the first you've read as you know my husb. is port. And no, he didn't read it for me in answer to your obvious slur. I'm not through. Your snide little remarks keep popping out. "So what if people from gov't agencies read your blogs? Too bad for them. Why is it that when I read your blog, I'm just reading it, but if a CIA agent were to read it, he would be "monitoring" it. That makes no sense to me. Isn't your blog open for all to read? Relax, chill out." Too bad for them? Just wtf do you mean by that? Relax, calma, chill. And please stop calling it a blog. You don't get it you never will and I've wasted far too much time on a wannabe american. I feel sorry for you." Por fim, falei o seguinte: "Brenda, just read what you're writing! You're hysterical again. This is clearly a pattern. Why should you bother what I say, or if I think or don't think you're hysterical? You don't even know me. I'm nothing to you. Forget about it. Let it go. Take me, for example. I don't really care what you think of me. But I wish you'd choose: am I a guy who's never even left his country or am I a wannane American? Maybe I'm both... BTW, where do you live? I've lived in Cascais for six months in 1989. Nice place. all the best." Depois disso, Brenda Stardom não falou mais nada. Seu blog revela que ela está muito doente, sem forças para se mexer. Pra vir aqui soltar os cachorros, ela teve que, literalmente, se arrastar da cama. Imagine o rebu que ela não vai tocar quando estiver forte e saudável. Em suas palavras: "I can't think, I can't write, even though I went off on some Brazlilian blogger who called me hysterical over the report that the feds came calling. I could call him some names, too, I could link to his blog, which he states is very popular, but no way will I do so. Idiot."
Monday, May 10, 2004
Americana MalucaUma americana maluca que foi mezzo-citada na minha coluna dessa semana descobriu esse blog e está perdendo a compostura nos comentários. Vão lá ver.
Eu Podia Estar Roubando, Eu Podia Estar Matando...Estou pra fazer isso há muito tempo. Confesso que tinha vergonha. Pensei: o que meus leitores vão pensar? Mas o Polzonoff abriu as porteiras. Deixou de lado o orgulho, deu agência e número da conta e pediu doações: "No sistema capitalista, se uma pessoa trabalha ela tem direito a receber por este trabalho. Ora, o que eu faço todos os dias atualizando este site é trabalho. No entanto, não sou remunerado por ele. Se você gosta do que escrevo e acha que eu mereço ser remunerado pelas coisas que escrevo, pelas informações que dou e pelo divertimento, eis os dados da minha conta bancária: Itaú / Agência 0715 / CC 45264-5 Agradeço desde já qualquer tipo de contribuição, você sabe, para pagar o leitinho das crianças." Mas não é verdade? Pense bem: escrevo que nem um louco coisas legais e interessantes que fazem você voltar aqui dia após dia. E ninguém me paga nada por isso! Agora, você, pessoa boa e caridosa, vai ter a oportunidade que sempre sonhou: retribuir todo o entretenimento que lhe proporcionei, me dando um simples presentinho. E ainda faço melhor que o Polzonoff. Ninguém precisa dar dinheiro na minha mão. Assim, podem ter certeza de que não vou gastar tudo em cachaça ou livros do Mirisola. Criei uma lista de presentes no Submarino e, por pudor, nem mesmo incluí livros de áreas não-afins a esse blog. É só literatura, e da boa. Bote a mão na consciência, amigo leitor. Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou aqui, escrevendo três, quatro posts por dia só pra você. A idéia nem mesmo é recente. Henry Miller, um dos maiores escritores de todos os tempos, fazia listas dos livros que estava procurando e mandava pros amigos, circulava entre leitores, publicava em seus romances. Um dos apêndices do seu "The Books in my Life" é a lista nominal dos leitores, por todo o mundo, que lhe haviam enviado livros. Pois eu também acredito em toma-lá-dá-cá e gratidão. Me dê um desses livrinhos e estarei em seu débito profundo. Peça o que quiser e, se puder, farei. A casa, comovida, agradece. Lista de Presentes Liberal Libertário Libertino
Ainda Sobre Democracia: A Verdadeira DivisãoDiz a piada que as pessoas podem ser divididas em dois tipos: as que dividem as pessoas em dois tipos e as que não dividem. Ou então, as pessoas podem ser divididas em três tipos: as que sabem contar e as que não sabem. Piadas à parte, acho que as pessoas são é divididas em grupos que, no fim das contas, querem dizer muito pouco: esquerda vs direita, liberais vs socialistas, etc. A verdadeira divisão, a divisão que realmente importa, é entre quem acredita em democracia e quem não acredita. Entre quem acha que qualquer tipo de ditadura é injustificável e quem encontra desculpas e atenuantes para as "boas" ditaduras. Como escreveu o leitor Marcelo Batalha: "Essa visão democratica-esquizofrênica da realidade não é exclusividade dos fãs de Che Guevara. Num grupo de discussões, um colega, que se diz liberal, fez uma defesa apaixonada das ditaduras chilena e brasileira. No Forum da Liberdade recentemente, sabe quem esteve lá? Olavo de Carvalho, aquele que justifica a ditadura chilena como única alternativa ao socialismo. Além de não entender o que é socialismo, o brasileiro médio também não sabe o que é liberalismo. Dá pra aceitar um esquerdista defendendo uma ditadura, afinal, eles são doutrinados com pensamento pseudo-cientifico-socialista, mesmo que não marxista. Agora um suposto liberal defendendo ditadura?" Realmente, a esquerda, por definição e em seu berço, é autoritária e, por isso, sempre vai ser uma péssima idéia. Hoje em dia, esse conceito já foi suavizado e liberalizado, mas a essência é a mesma. Por outro lado, ver alguém que se diz liberal encontrar justificativas, atenuantes ou pontos positivos em qualquer tipo de ditadura, de Médici a Pinochet, é de um contrasenso que chega a doer. É como matéria tocando anti-matéria: o universo deveria se desfazer em protesto. Desculpem, mas eu boto todo mundo no mesmo saco. Milton Temer, defendendo Cuba na TVE, dizendo que os 75 presos políticos encarcerados recentemente devem ser ignorados, afinal, olha só quantas medalhas de ouro Cuba ganhou nos jogos olímpicos!, é igualzinho ao Olavo de Carvalho justificando a repressão brutal e cruel do Pinochet, afinal, olha só como a economia do Chile cresceu! Eu não sei de que lado essas pessoas estão, mas não estão do meu. Como tudo na vida, é uma questão de prioridades: uma ditadura é um preço muito alto a se pagar por medalhas de ouro ou crescimento econômico. Não há meio termo. Ou você acredita na democracia ou não.
O Viagra e as PutasGenial sacação de Xico Sá, hoje, na NoMínimo: "A difícil vida fácil pós-Viagra O Viagra acabou com a vida fácil das meninas que sobrevivem da prostituição infantil em capitais nordestinas como Fortaleza e Recife. O "vapt-vupt" com os velhinhos, que rendia US$ 100 e tempo para outros clientes, chegou ao fim com a pílula azul. "Antigamente um gringo velho, coroa, era tudo o que a gente queria, mas agora o bicho pega, não tem escolha, a gente ganha bem, mas os f.d.p. exploram até dizer basta", conta. "Depois do Viagra a vida fácil acabou."" E, se o assunto lhe interessa, leia minha matéria Sexo sem Intermediários: Prostituição, Jornalismo e Internet, publicada originalmente na primeira página do TribunaBis, caderno de cultura da Tribuna da Imprensa. Se o Viagra está dificultando a vida das meninas, a Internet está facilitando. Descubra como, lendo o artigo.
Cibergrileiros na InternetPorra! Estou há três semanas pesquisando sobre essa merda e a Folha de domingo publica matéria de capa sobre isso no Mais! Não é pra ficar puto? Pelo menos, vocês são minhas testemunhas que já falo disso faz tempo.
Adote um ArtistaGrafitti flagrado hoje, no tapume da obra de restauração da fachada do MNBA (Museu Nacional de Belas Artes), no Rio de Janeiro, um dos meus museus preferidos. Pra ver, só visitando o flog.
Sunday, May 9, 2004
Novos Links RecomendadosGaleria de Honra, para os santos que têm botões do Liberal Libertário Libertino em seus blogs: Pensar Enlouquece, Pense Nisso, o sensacional blog de Alexandre Inagaki, Pras Cabeças, do Cláudio Costa e Fogo Cruzado, do Luciano. Blogs amigos são todos os que têm a gentileza e o carinho de linkar pra mim: Urgente, Meus Retalhos, Apanhador de Sonhos, Dark Angel, Entre Outras Coisas, Saudade do Presidente Figueiredo, Geógrafos Sem Fronteiras e No Idéia. Quer entrar para a Galeria de Honra? Coloque um botão do LLL no seu blog ou site.
Nosso Presidente PinguçoEssa matéria ainda vai dar tanto o que falar que acho importante que as pessoas leiam a versão original integral. Depois comento. "Brazilian Leader's Tippling Becomes National Concern By LARRY ROHTER Published: May 9, 2004 BRASÍLIA - Luiz Inácio Lula da Silva has never hidden his fondness for a glass of beer, a shot of whiskey or, even better, a slug of cachaça, Brazil's potent sugar-cane liquor. But some of his countrymen have begun wondering if their president's predilection for strong drink is affecting his performance in office. In recent months, Mr. da Silva's left-leaning government has been assailed by one crisis after another, ranging from a corruption scandal to the failure of crucial social programs. The president has often stayed out of the public eye and left his advisers to do most of the heavy lifting. That has spurred speculation that his apparent disengagement and passivity may somehow be related to his appetite for alcohol. His supporters, however, deny reports of heavy drinking. Though political leaders and journalists are increasingly talking among themselves about Mr. da Silva's consumption of liquor, few are willing to express their misgivings in public or on the record. One exception is Leonel Brizola, the leader of the leftist Democratic Labor Party, who was Mr. da Silva's running mate in the 1998 election but now worries that the president is "destroying the neurons in his brain." "When I was Lula's vice-presidential candidate, he drank a lot," Mr. Brizola, now a critic of the government, said in a recent speech. "I alerted him that distilled beverages are dangerous. But he didn't listen to me, and according to what is said, continues to drink." During an interview in Rio de Janeiro in mid-April, Mr. Brizola elaborated on the concerns he expressed to Mr. da Silva and which he said went unheeded. "I told him 'Lula, I'm your friend and comrade, and you've got to get hold of this thing and control it,' " he recalled. " 'No, there's no danger, I've got it under control,' " Mr. Brizola, imitating the president's gruff, raspy voice, remembers Mr. da Silva replying then. "He resisted, and he's resistant," Mr. Brizola continued. "But he had that problem. If I drank like him, I'd be fried." Spokesmen for Mr. da Silva declined to discuss the president's drinking habits on the record, saying they would not dignify baseless charges with a formal reply. In a brief e-mail message responding to a request for comment, they dismissed speculation that he drank to excess as "a mixture of prejudice, misinformation and bad faith." Mr. da Silva, a 58-year-old former lathe operator, has shown himself to be a man of strong appetites and impulses, which contributes to his popular appeal. With a mixture of sympathy and amusement, Brazilians have watched his efforts to try not to smoke in public, his flirtations at public events with attractive actresses and his continuing battle to avoid the fatty foods that made his weight balloon shortly after he took office in January 2003. Aside from Mr. Brizola, political leaders and the news media alike seem to prefer to deal in innuendo, but do so with relish. Whenever possible, the Brazilian press publishes photos of the president bleary-eyed or ruddy-faced, and constantly makes references both to weekend barbecues at the presidential residence at which the liquor flows freely and to state events at which Mr. da Silva never seems to be without a drink in his hand. "I've got a piece of advice for Lula," the gadfly columnist Diogo Mainardi wrote in late March in Veja, the country's leading newsmagazine, reeling off a list of articles containing such references. "Stop drinking in public," he counseled, adding that the president has become "the biggest advertising spokesman for the spirits industry" with his very conspicuous consumption of alcohol. A week later, the same magazine printed a letter from a reader worrying about "Lula's alcoholism" and its effect on the president's ability to govern. Though some Web sites have been complaining for months about "our alcoholic president," it was the first time the mainstream national press had referred to Mr. da Silva in that manner. Historically, Brazilians have reason to be concerned at any sign of heavy drinking by their presidents. Jânio Quadros, elected in 1960, was a notorious tippler who once boasted, "I drink because it's liquid"; his unexpected resignation, after less than a year in office during what was reported to be a marathon binge, initiated a period of political instability that led to a coup in 1964 and 20 years of a harsh military dictatorship. Whether or not Mr. da Silva really has a drinking problem, the issue has seeped into the public consciousness and become the subject of gibes. When the government spent $56 million early this year to buy a new presidential plane, for instance, the columnist Claudio Humberto, a sort of Matt Drudge of Brazilian politics, sponsored a contest to give a tongue-in-cheek name to the aircraft. One winning entry, recalling that the United States president's plane is called Air Force One, suggested that Mr. da Silva's jet should be designated "Pirassununga 51," which is the name of the most popular brand of cachaça. Another suggestion was "Powered by Alcohol," a pun referring to a government plan to encourage cars to use ethanol as fuel. Speculation about the president's drinking habits has been fed by various gaffes and faux pas that he has made in public. As a candidate, he once offended residents of a city regarded as a haven for gays by calling it "a factory that manufactures queers," and as president, his slips in public have continued and become part of Brazilian political folklore. At a ceremony here in February to announce a large new investment, for example, Mr. da Silva twice referred to the president of General Motors, Richard Wagoner, as the president of Mercedes-Benz. In October, on a day honoring the nation's elderly, Mr. da Silva told them, "when you retire, don't stay at home bothering your family, find something to do." Abroad, Mr. da Silva has also stumbled or spoken ill-advisedly. On a visit to the Middle East last year, he imitated an Arab accent in speaking Portuguese, mispronunciations and all; and in Windhoek, Namibia, he said the city seemed to be so clean that it "hardly seems like Africa." Mr. da Silva's staff and supporters respond that such slips are only occasional, are to be expected from a man who likes to speak off the cuff and have nothing to do with his consumption of alcohol, which they describe as moderate in any case. As they see it, he is being held to a different and unfair standard than that of his predecessors because he is Brazil's first working-class president and received only a sixth-grade education. "Anyone who has been at a formal or informal reception in Brasília has witnessed presidents sipping a shot of whiskey," the columnist Ali Kamel wrote in the Rio de Janeiro daily O Globo recently. "But you'll have read nothing in that respect about other presidents, just about Lula. That smacks of prejudice." Mr. da Silva was born into a poor family in one of the country's poorest states and spent years leading labor unions, a famously hard-drinking environment. Brazilian press accounts have repeatedly described the president's father, Aristides, whom he barely knew and who died in 1978, as an alcoholic who abused his children. Stories about drinking episodes involving Mr. da Silva are legion. After one night on the town when he was a member of Congress during the late 1980's, Mr. da Silva got off the elevator at the wrong floor of the building where he lived at the time and tried to batter down the door of an apartment he mistakenly thought was his own, according to politicians and journalists here, including some who are former residents of the building. "Under Lula, the capirinha has become the national drink by presidential decree," the daily Fôlha de São Paulo said last month in an article about Mr. da Silva's association with alcohol and referring to a cocktail made with sugar-cane liquor."
Democracia É Um Processo, Não Um FimPesquisa do Pnud mostra que a maioria dos latino-americanos trocaria alegremente a democracia por maior prosperidade econômica. A seguir, editorial da Folha de São Paulo sobre o assunto, da segunda-feira, 26 de abril. Mais abaixo, minhas considerações: "Erro de Avaliação Atualmente a democracia não goza de muito prestígio na América Latina. Estudo realizado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostra que a maior parte da população latino-americana apoiaria um governo autoritário, desde que com ele se resolvessem os problemas econômicos de seus respectivos países. Os números obtidos em pesquisa que envolveu a população de 18 nações -incluindo o Brasil- indicam que a maioria dos latino-americanos considera o desenvolvimento econômico preferível aos benefícios políticos da democracia. Julgam, além disso, que o regime democrático não resolve os problemas de seus países. O estudo indica que se frustraram as esperanças de que a instituição da democracia fosse acompanhada pela superação do subdesenvolvimento e das desigualdades que historicamente caracterizam a região. De fato, os índices de desemprego, os indicadores de pobreza e o desnível de renda relativos aos países latino-americanos ainda são escandalosos. A ONU estima, por exemplo, que até o ano passado 43,9% da população latino-americana vivia abaixo da linha de pobreza. Em 2002, o índice de desemprego médio regional era de 9,2%. É inquietante constatar que nesse contexto ganha força a opinião, marcada por um pragmatismo extremado, de que, em troca de prosperidade econômica não seria mau negócio abrir mão da democracia. O grande risco que salta da pesquisa é avaliar a democracia não por aquilo que ela é e representa em termos de sistema político, de direitos e garantias, mas apenas como mais uma fórmula para promover o crescimento da economia. E daí inferir incorretamente que num regime de liberdades não encontramos as condições para superar nossas conhecidas dificuldades econômicas." Durante a faculdade de História, me especializei em História Militar e Naval. Alguns de meus primeiros artigos publicados foram análises de batalhas navais para a Revista Marítima Brasileira. Tive muito contato com almirantes e generais, muitos dos quais com participação ativa na então recém-finada revolução gloriosa. Todos acreditam, com a mais profunda e sincera convicção, ter feito tudo o que fizeram em nome da democracia. Para defender a democracia. E não há como dissuadi-los dessa idéia ridícula. (Eu tenho medo de imaginar o que eu teria feito nessa época. Compactuar com um governo ditatorial, que sufocava as liberdades civis, jamais. Pior, ainda era uma ditadura de esquerda, pois nenhum governo brasileiro foi mais esquerdista, retrógrado, nacionalista e estatizante do que a série de presidentes militares. Aliar-me aos imbecis da esquerda, que se matavam em nome de ideais não só idiotas, como, naquele momento, impraticáveis, seria pior ainda. Fazer o quê? Se eu soubesse que nenhum presidente brasileiro seria tão liberal quanto Lula, talvez até lutasse por ele. Ou preferisse o exílio.) Enfim, eu tentava explicar aos meus amigos militares que eu acreditava neles. E ainda acredito. Mas democracia é um meio e não um fim. Essa parece ser a sabedoria que nem nossos militares, nem George W. Bush e, pior, muito pior, de acordo com a pesquisa do Pnud, nem o grosso do nosso povo tem. Se você precisa utilizar meios anti-democráticos para implantar ou manter uma democracia, então você já perdeu. A democracia se provou inútil. Melhor arranjar outro sistema de governo. Se você troca a democracia por pretensos "resultados" sob um governo autocrático, então é você quem já perdeu. Caiu em um dos maiores engodos históricos de todos os tempos, que já vitimou gregos, romanos, africanos e muitos, muitos latino-americanos. A questão não é nem se a democracia produz ou não resultados. A questão é que todos os outros métodos de governo, ou sistemas ideológicos que rejeitem a democracia, são absolutamente insustentáveis, inaceitáveis e intoleráveis. Não temos escolha a não ser fazer a democracia funcionar.
Sites BizarrosUm novo fotolog só de screen captures dos sites mais bizarros do Brasil. Sites Bizarros
Saturday, May 8, 2004
Rápidas Algumas vezes, parece que foi ontem, outras, que já fazem 10 anos... Mas, oficialmente, hoje completa um aninho! Tudo, o tempo todo!
* * * Eu faço de brincadeira e nunca deixo de me impressionar com o resultado. Ontem, às duas da manhã, tinham quase 100 pessoas online nesse blog. De acordo com Nedstat, o dia hoje deve fechar em 6 mil pageviews. Por que ninguém busca por Walt Whitman ou Henry Miller? * * * O FAQ do Guia de Blog foi destaque hoje no Pensar Enlouquece, Pense Nisso, do Alexandre Inagaki, um dos melhores blogs do Brasil. Dêem uma conferida. * * * Eu e a senhora-minha-esposa combinamos passar o dia longe de nossos respectivos computadores. Até amanhã pra vocês. Os leitores antigos, que já são de casa, por favor, façam sala pros punheteiros que estão chegando.
A Democracia e Che GuevaraAtualmente, a Che-Mania é um dos principais sintomas desse baixo apreço pela democracia em nosso continente. A figura humana de Ernesto Che Guevara me é muito simpática, como acredito que para quase todo mundo. O homem tinha carisma. Infelizmente, alguns critérios são eliminatórios. Democracria é um deles. As pessoas me falam que Che era uma pessoa boa, um idealista que só queria o bem do povo. Exportou a luta armada pelo continente para libertar as massas exploradas. Atravessou o rio para passar o aniversário com os leprosos. Ajudava velhinhas a atravessar a rua. Blá blá blá. Até concordo e acho muito justo. Mas, no fim das contas, o homem ajudou a implantar, e foi um dos pilares de sustentação (chegando até a Presidente do Banco Central), de uma ditadura que, até hoje, quase cinqüenta anos depois, ainda não tem nem imprensa nem eleições livres, ainda prende pessoas por crimes políticos (!), ainda tem seu paredón com fuzilamentos regulares e, talvez o pior, não permite que seus cidadãos descontentes saiam do país. Então, esse é meu critério eliminatório. Esse é meu critério "perdeu a razão". É nesse critério que a má-fé dos pretensos heróis se revela. Se fossem mesmo tão bonzinhos, tão idealistas, se amassem tanto o povo e confiassem tanto nele, teriam dado a esse mesmo povo o poder de criticar o governo na imprensa, de tirá-lo do poder por meio de eleições ou, no pior dos casos, de se mudar pra outro país. O povo de Cuba, tão amado por Guevara, não desfruta de nenhum desses direitos. * * * Comentando o filme Diários da Motocicleta, na Folha de quinta, 6 de maio, Contardo Calligaris escreve: "É difícil olhar para Ernesto jogando pedras no caminhão de uma mineradora sem pensar em suas lutas futuras. Mas, para mim (e deve ser assim para muitos), o caminho entre a raiva do jovem Ernesto e a morte do Che na Bolívia não é uma gloriosa ascensão em direção à santidade. A regra (trágica) é esta: a magnanimidade que pode nos levar a menosprezar nossa própria vida e a encarar o martírio é a mesma que pode nos induzir a menosprezar a vida dos que obstaculizam nossos projetos. Medindo as palavras: quase sempre as melhores intenções alegam sua generosidade para justificar a pior intransigência." * * * Por favor, não venham de falar da ditadura brasileira. Ninguém jamais me pegará inventando desculpas para qualquer ditadura. A diferença entre eu e a esquerda é que eu acho que toda ditadura é errada, sempre, ponto. Já o pessoal de esquerda acha que existem ditaduras do bem (como a do Fidel) e do mal (como a do Pinochet). E que em Cuba todos deveriam lamber os beiços de ter boa saúde e bons esportes. Liberdade de expressão e direito a voto? Meros detalhes.
Ninguém Vai Poder Dizer que Aqui Não Tem Fotos Nuas da Juliana Paes na Playboy Pois é, depois da Antonela, a nova onda são as fotos nuas da Juliana Paes na Playboy. Não sei por que as pessoas tanto falam da Juliana Paes. É Juliana Paes pra cá, Juliana Pais pra lá, Juliana Paes aqui, Juliana Paes ali, o nome de Juliana Pais está em todas as bocas, o corpo de Juliana Paes em todas as fantasias, a Playboy da Juliana Paes em todas as bancas.
Pra não me chamarem de mentiroso, até descolei umas fotos bem antigas da Juliana Paes, da época em que Juliana Paes ainda nem andava de vestido grená no Andaraí. Naquela época, e nessas fotos, Juliana Paes não era essas coisas não, mas enfim.
Hmm... Agora me ocorreu que, por causa desse inócuo e inocente post, dezenas de milhares de punheteiros secos por fotos nuas da Juliana Paes na Playboy podem acabar caindo aqui no blog. Que chato. Sinceramente, esse pessoal só faz buscar por sexo explícito, bocetas, caralhos, xerecas, sexo anal, sexo oral, sexo bizarro, mulheres nuas. Caramba, será que não tem nada de melhor pra procurar, não? Quem me dera ver o pessoal entrando aqui atrás de Walt Whitman e Henry Miller. Enfim, eu é que não vou me aproveitar dessas punhetagens, seria baixo demais!
Usabilidade de NewsletterLer não é para principiantes. Acompanhe todo o desespero que um simples errinho de diagramação em uma newsletter pode causar: "O que o Blue Bus mais deseja? Que depois de ler as manchetes, o usuário clique no link e vá para o site. O que o usuário, assinante voluntário da newsletter, mais deseja? Uma vez aberto seu apetite pelas manchetes, ele quer clicar no link para ir ao site e ler as matérias completas. Convergência total. Não poderia ser mais perfeito. Mas o link não está lá." Usabilidade de Newsletter
Dedos dos Pés
Sei que sou doente, mas nada é mais lindo do que um belo pé feminino com os dedos nessa posição...
Você Viu o GorilaEstudo demonstra que nossos cérebros da idade pedra podem não estar mais conseguindo dar conta da complexidade da vida moderna. Did You See the Gorilla?, from The Telegraph
Livros InacabadosPerdi faz tempo a neura de acabar todo livro que começo. Não tenho obrigação ler nada, ler não é currículo. Livro que me enche o saco, eu largo sumariamente. Na lista ao lado, dá pra ver os livros largados. Alguns eu retomo, outros não, mas não me forço a nada. Sobre isso, leiam ensaio de hoje, no New York Times Sunday Book Review: "Why subject yourself to an irksome book when so many sublime ones are available? Nevertheless, every reader recognizes the threshold my correspondent has yet to cross: the moment when you decide that you don't have to finish every book you start. For some, it's like a loss of virginity; you never forget the book that defeated your naive faith in the contract between an author and his or her reader, the promise that your time and effort, even your irritation, will be fairly repaid. (In my case, it was ''A Portrait of the Artist as a Young Man''; I had had about enough of Master Dedalus, thank you very much.)" Divorce That Book, by Laura Miller (Aliás, só acabei Portrait of the Artist porque tive que ler pra escola. Ô livro chato!)
Friday, May 7, 2004
Adesivos de Pára-Choque
Uma parceria Liberal Libertário Libertino e o Eu Hein!, do Nelito Fernandes, um dos blogs mais engraçados do Brasil e vencedor do IBest. Aproveitem e leiam a última do Nelito: "Soldados americanos negaram ontem a tortura de prisioneiros de guerra iraquianos. Os soldados divulgaram uma foto para provar que os prisioneiros estão sendo bem tratados e, inclusive, são levados para passear três vezes por dia e frequentam as melhores pet shops da cidade."
Dien Bien PhuHoje é o aniversário de 50 anos da Batalha de Dien Bien Phu (se pronuncia Din Bin Fú). Dos jornais que eu leio, só a Folha se lembrou da data. Dien Bien Phu foi uma batalha fora do comum. Em primeiro lugar, foi a última grande batalha do século. Nunca mais centenas de milhares de pessoas se enfrentaram em espaço tão pequeno. O Vietnã consolidou uma tendência de encontros rápidos entre patrulhas pequenas. As guerras americanas posteriores foram cada vez mais cirúrgicas. Até a "grande" batalha de Goose Green, na qual os britânicos tomaram de vez as Malvinas, foi travada entre menos de mil combatentes. Em segundo lugar, foi uma batalha à la Primeira Guerra Mundial. Ao contrário das grandes batalhas móveis da Segunda Guerra, Dien Bien Phu foi uma batalha de trincheiras. Os franceses estavam entrincheirados em Dien Bien Phu e os vietnamitas, entrincheirados em volta. Em terceiro lugar, também na contramão da tendência do século XX, foi uma batalha na qual a tecnologia e a aviação levaram uma sova dos números e da inteligência. Apesar de terem o domínio inconteste dos céus e receberem, via área, reforços e suprimentos, os franceses ainda assim caíram. Nenhum teórico militar da época (aliás, acho que nem hoje) iria prever que um exército sem aviação pudesse derrotar outro com o controle do ar. Mas derrotou. Por fim, foi uma derrota do colonialismo, abrindo as comportas para todos os movimentos nacionalistas e anti-colonistas que, de lá pra cá, fizeram triplicar o número de nações no mundo. Até Dien Bien Phu, era quase que um truísmo que um exército colonial, de raça inferior (negros, asiáticos ou latinos), jamais conseguiria, por conta própria, derrotar os brancos, não só superiores geneticamente como também em armamentos e tecnologia. Mas derrotaram. Com maestria poucas vezes igualada, Giap, o general vietnamita, ex-professor de História e ainda vivo ao 90 anos, soube forçar uma batalha ao inimigo no momento e local de sua escolha, maximizando seus poucos pontos fortes e anulando as vantagens dos franceses. Giap tinha tudo, tudo, contra si e ainda assim triunfou. * * * Não pretendia escrever sobre Dien Bien Phu, mas não resisti. Uma vez historiador militar, sempre historiador militar. Como abandonei todos os meus livros de história na casa da minha mãe e trouxe só os de literatura, tive que citar tudo de memória. Posso ter cometido alguma atrocidade nesse texto que escrevi tão impulsivamente. Qualquer coisa, me corrijam. Deixo vocês com uma matéria excelente sobre a batalha, escrita para o aniversário dos 40 anos e publicada pela Folha em 1994. O autor é Ricardo Bonalume Neto, que pouco depois escreveu o melhor livro sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, "Nossa Segunda Guerra". A última frase dessa matéria é prova do enorme talento do Bonalume. Perdemos contato há muitos anos, mas conto com ele para iluminar as guerras do nosso passado. E vocês, fiquem com a matéria: "Tropas ficaram presas na própria armadilha A derrota francesa na batalha de Dien Bien Phu não entrou nos livros de história militar pelo seu tamanho, mas pelo simbolismo. No auge da Guerra Fria, esse até então obscuro lugarejo no Vietnã tornou-se o símbolo da derrota do colonialismo pelo comunismo, além de dar uma lição de tática e estratégia militares que, se tivesse sido apreendida na época, teria livrado os EUA de sua posterior derrota na mesma parte do planeta. Os franceses deram uma lição perfeita de como cavar um buraco e se enterrar nele. A derrota pode ser resumida nisso: quiseram pegar os guerrilheiros em uma armadilha, mas ficaram presos nela. A estratégia do general Henri Navarre era tentar fazer o inimigo largar seus ataques típicos de guerrilha - emboscadas do tipo "acerte e fuja" - para entrar em uma batalha campal, o "modus operandi" das guerras ocidentais. Nesse tipo de batalha, o poderio de fogo francês e a tecnologia bélica ditariam as normas. O resultado seria mais um nome de uma estação de metrô de Paris, tipicamente batizadas com vitórias militares. Os franceses saltaram de pára-quedas no meio do território controlado pelos guerrilheiros e criaram posições fortificadas, cada uma com o nome de uma mulher (os soldados diziam que eram as amantes do comandante, coronel Chistrian de Castries). O general Vietminh, Vo Nguyen Giap, logo viu o potencial da "ratoeira". Os franceses estavam em um vale de rio, cercado por colinas com florestas. Giap concentrou tropas nessas colinas, particularmente artilharia. E com isso o destino da guarnição foi decidido. O cerco durou mais de 50 dias. No começo otimista, Dien Bien Phu foi visitada pelo então vice-presidente americano e ardoroso anticomunista, Richard Nixon (já então os americanos pagavam boa parte da conta da guerra francesa no Vietnã: 78%). No final, aviões não tinham mais como pousar nas duas pistas. A ironia maior foi os franceses cometerem erros parecidos na Argélia em seguida, e os americanos fazeram erros do mesmo tipo no Vietnã de 1965 a 1973. No dia 7 de maio de 1954 a guarnição se rendeu com a queda das principais posições no centro. No dia seguinte, rendeu-se uma guarnição isolada, Isabelle. Paris não tem nenhuma estação de metrô Dien Bien Phu."
Espionagem e Blogs Leia hoje na minha coluna:
Editor para Leitores: Fotos ou Não? Um pequeno jornal norte-americano deu uma aula sobre como utilizar blogs para potencializar a imprensa escrita. Chris Cobbler, editor do Greeley Tribune, do Colorado, utilizou seu blog para lançar a seguinte pergunta aos leitores: deveria o jornal publicar as fotos dos iraquianos torturados? A maioria dos leitores disse que não. Com base nos comentários feitos, entretanto, Cobbler decidiu ainda assim publicar uma das fotos. Ele escreveu em seu blog: "Ultimately, we decided readers needed to see a picture to fully understand the story and the world reaction to it. The images had been shown around the world, and we didn’t feel right sheltering our readers from them." "No fim das contas, decidimos que os leitores precisavam ver a foto para realmente compreender a história e a reação mundial que se seguiu. As imagens foram vistas por todo o mundo e não achamos que tínhamos o direito de proteger nossos leitores delas." A foto foi publicada na edição de domingo, 2 de maio. Ninguém reclamou. Cobbler promete repetir a experiência em breve. Links Relacionados: Greeley Tribune More Disturbing Images from Iraq - post de 1º de maio Involving Readers Before Publication - post de 2 de maio An Experiment Worth Repeating - post de 3 de maio Obituários Online Os obituários estão na moda nos Estados Unidos. A International Association of Obituarists (Associação Internacional dos Obituaristas) vai realizar, em junho, sua Sixth Great Obituary Writers' Conference (Sexta Grande Conferência de Escritores de Obituários). Enquanto isso, sites como o Obituaries Professionally Written oferecem serviços profissionais de escritores de obituários. Um de seus slogans é: "Você viveu uma vida, Você tem uma história" ou "You've lived a life, you have a story." O outro slogan é: "Renascimento de uma Arte Moribunda" ou "Revival of a Dying Art". E eles continuam: "Our philosophy at Obituaries Professionally Written is to provide lively stories that paint an accurate picture of the deceased. We steer clear of clichés such as, "he was the nicest guy you’d ever want to meet... he bent over backwards for people... he’d give you the shirt off his back." At the same time we believe in honoring a life with respect, dignity and integrity. When needed, euphemism is used liberally." "Nossa filosofia é criar histórias cheias de vida que mostrem com realismo quem era o falecido. Evitamos clichês como "ele era a pessoa mais legal do mundo". Ao mesmo tempo, acreditamos em honrar a vida com respeito, dignidade e integridade. Quando necessário, utilizamos eufemismos com liberalidade." Hoje em dia, cada vez mais idosos estão planejando seus funerais e tentando obter mais controle sobre suas mortes. Ter um obituário já pronto para publicação faz parte desse processo. Os obituários escritos pela OFW são, em geral, publicados como matéria paga nas páginas de obituários dos jornais e podem custar até mil dólares. Preços pela hora da morte. Links Relacionados: ObitPage Obituaries Professionally Written Tio Sam Monitora Blogs Furo de reportagem do Yahoo News: serviços de inteligência norte-americanos já estão começando a monitorar blogs, nos Estados Unidos e pelo mundo. Quem diria! Só falta agora noticiarem que as agências de informação também vão passar a assinar alguns jornais e revistas, sabe como é, pra ficar mais bem inteirados das últimas. Não sei bem como é a rotina diária dos membros da comunidade de inteligência, mas estariam sendo negligentes se deixassem de conferir alguns dos blogs mais populares e influentes. Os blogs são fontes mais do que válidas de informação. Comparados com a imprensa, se parecem com aviões monomotores: voam próximos ao solo e, por isso, não aparecem nos radares. Seu ângulo de visão é diferente: vêem coisas que a grande imprensa não vê mas também são notoriamente não-confiáveis. Igualzinho a um monomotor. Podem até não ser muito confiáveis, mas tornam-se extremamente úteis quando as informações oficiais são ainda menos confiáveis. Salam Pax, blogueiro iraquiano de 29 anos, foi uma das melhores fontes de informação sobre como a Guerra do Iraque era vista pelos civis. A China escondeu enquanto pôde a epidemia da SARS, mas constantes menções em blogs de chineses foram um dos vários fatores que começaram a chamar atenção da comunidade sanitária internacional. Escolados, os chineses agora estão tentando monitorar, fechar e proibir os blogs. Naturalmente, pelo menos enquanto Baby Bush não extinguir o Congresso, os serviços de inteligência norte-americanos não vão tão longe. Querem apenas ler tudo e saber o que está sendo dito. O que, aliás, é sua obrigação constitucional. Ainda assim, membros de ONGs de direitos civis já estão bradando contra essa pretensa ilegalidade. Alguns blogueiros ficaram absolutamente histéricos, conferindo os IPs de todos os seus visitantes, para ver quem veio de instituições governamentais. Besteira. A própria questão é abordada de forma alarmista. Quando eu leio um blog, estou apenas lendo. Quando um agente da CIA lê, ele está "monitorando". Mas, afinal, os blogs não estão no ar para qualquer um ler, tanto açougueiros quanto espiões? O grande problema é credibilidade. Depois dos recentes escândalos no New York Times e no USA Today, entretanto, talvez seja melhor mesmo confiar em blogueiros como Rosana Hermann e Alexandre Inagaki. Links Relacionados: Blog-Tracking May Gain Ground Among U.S. Intelligence Officials - Matéria do Yahoo! News Yahoo! News Pensar Enlouquece - blog de Alexandre Inagaki Querido Leitor - blog de Rosana Hermann Uma versão editada desse texto foi publicada na minha coluna Internet, na Tribuna da Imprensa, no dia 7 de maio de 2004. A versão não-editada que você está lendo nesse blog é de minha inteira responsabilidade e contém informações que não foram aprovadas e muito menos publicadas pela Tribuna da Imprensa. Quaisquer reclamações, portanto, devem ser dirigidas a mim. Para conferir a versão autorizada publicada na edição impressa da Tribuna da Imprensa, clique aqui.
Fotos Nuas da Juliana Paes na Playboy Para prestar ainda mais serviços aos meus leitores punheiteiros, aqui vai o que Mônica Bérgamo, uma de minhas colunistas preferidas, escreveu sobre Juliana Paes na Folha, de quinta-feira, 6 de maio:
O mito da perfeição A revista "Playboy" garante que Juliana Paes é tão perfeita que suas fotos, na revista que chega hoje às bancas, dispensaram os tradicionais retoques que a publicação faz para melhorar a imagem das mulheres que brilham em suas páginas. A própria atriz não é assim tão generosa consigo mesma. Eis o que ela contou à coluna: Folha - É verdade que suas fotos não tiveram nenhum retoque? Juliana Paes - (risos) Olha, eu não sei... Escolhi as fotos que não queria que saíssem e deixei o resto por conta da revista. Mas hoje em dia não tem como não ter retoque. Os fotógrafos já fazem seu trabalho contando com isso. Folha - Alguma parte do seu corpo precisa de conserto? Juliana Paes - Como toda mulher, sempre acho algum defeito. Mas não conto. Deixa eu reclamar sozinha com o espelho. Folha - Você tem celulite? Estria? Juliana Paes - Já disse em entrevistas que sim, e a repercussão foi ruim. Algumas mulheres ficaram bravas. Mas é óbvio que tenho. Faço parte dos 90% da população feminina que precisam se livrar de alguma gordurinha localizada ou celulite. Folha - Tem circulado pela internet um e-mail com uma foto sua cheia de celulite. Você viu? Juliana Paes - Não. Minha vida tem sido tão corrida que não consigo acompanhar tudo o que sai. Folha - Ninguém comenta com você? Juliana Paes - Todo mundo pergunta, dos diretores da novela às pessoas que cruzam comigo na rua. Folha - E quais são as suas medidas? Juliana Paes - Tenho 1,70 m de altura. O peso não sei, eu nunca me peso. Nunca. Quando perguntam, digo um número aproximado. A última vez que me pesei foi em outubro do ano passado. Tinha 57 quilos."
Thursday, May 6, 2004
Guia de Blog SobreSites, por Alexandre Cruz AlmeidaSaiu antes do que eu esperava. O Guia de Blog SobreSites foi relançado hoje, agora editado por mim. O antigo Editor, Jotaesse, apesar de ter feito um excelente trabalho, teve que sair por razões pessoais e, como eu venho colocando minhas manguinhas de fora na blogosfera, decidi assumir a criança.
Meus leitores fiéis já leram algumas prévias por aqui e agora podem conferir o produto por inteiro. O novo Guia de Blog tem três objetivos principais: 1) Ajudar o novato Quando montei meu blog, não havia na Internet brasileira nenhuma comparação comentada de ferramentas de hospedagem, contadores, comentários e diretórios. Pra um novato, que ainda não sabe nada de blog, escolher entre o Weblogger e o Blig, ou entre o Comentar e o Haloscan, é uma questão de pura sorte - ou azar, se você escolher o Blig, por exemplo. 2) Discutir o fenômeno blog Para usuários mais avançados, os serviços comparados também podem ser muito interessantes. Muita gente não conhece os diretórios de blogs, ou nunca usou serviços fantásticos com o Blogdex e o Toplinks. Mais importante, nas minhas colunas, reproduzidas na seção Artigos, pretendo comentar aspectos interessantes do fenômeno blog, como blogs de pessoas mortas, a influência dos blogs nas eleições norte-americanas e a difícil relação de jornais e blogs. 3) Selecionar os melhores blogs brasileiros Diretórios, como Bloglist e Blogalize, listam todos os blogs que se cadastram, sem nenhuma seletividade. Blogs comuns listam apenas os blogs de seus amigos e poucos outros. Até agora, não havia na Internet uma seleção comentada dos melhores blogs do Brasil, guiada por critérios objetivos. Os Critérios de Entrada Pra entrar aqui, não tem pistolão. Tem que mandar muito bem. Os critérios são: atualização freqüente, português correto, relevância ao tema e design leve. Blogs pessoais, atualizados de mês em mês, iskritos in purtugues axxxim e cheios de animações e musiquinhas estão fora. Alguns leitores discordam desses critérios. Teve até um, em protesto, que tinha sido listado e pediu para ser tirado. Achei meio patético, mas tudo bem. O Guia é meu e não posso, nem quero, delegar seu controle a terceiros. Quem tem que decidir sou eu mesmo. Não há como decidir democraticamente quem entra e quem sai. Pelo menos, faço questão dos critérios serem objetivos e explícitos, para que os leitores possam me ajudar a conferir se os blogs listados de fato se enquadram.
Qualquer um pode sugerir a inclusão do seu blog, mas ele só será adicionado se cumprir os critérios acima. Os blogs selecionados podem, e devem, usar o botão especial Estamos no SobreSites. Para quem quiser divulgar, todos os botões disponíveis estão aqui. Para saber mais, dêem uma olhada na apresentação e no FAQ do Guia de Blog. Naveguem, usem, recomendem e me contem o que acharam! Guia de Blog SobreSites
Ficando FamosoEssa semana, minha vida foi só entrevista. Além das várias entrevistas que estou conduzindo para a matéria dos ciberposseiros, com empresários, advogados e etc, ainda fui entrevistado nada menos que quatro vezes! Duas foram sobre blogs, para jornais do Nordeste: A Tarde, de Salvador, e O Povo, de Fortaleza. E olha que o Guia de Blog, feito por mim, ainda nem foi ao ar. O Editor anterior, o Jotaesse, vivia sendo entrevistado. Mas entrevista sobre blogs nem é nada tão sui-generis assim. O incrível mesmo foram as outras duas: fui entrevistado sobre o assunto mulheres malvadas! Quem diria. Será que estou me tornando um expert em vilãs perversas? Quem me dera. A primeira foi para uma matéria sobre mulheres poderosas (ou algo assim) para a Revista do Sindicato dos Bancários de São Paulo. A última... Bem, a última não foi bem uma entrevista, mas foi a melhor de todas. Acreditem ou não (eu quase não), fui procurado por uma atriz conhecida, que está desenvolvendo uma vilã, e queria trocar idéias sobre o tema comigo. Ou seja, virei um consultor em mulheres malvadas. Essa história ainda é sigilosa, mas obviamente estou tentando descolar uma casquinha, uma exclusiva, algo assim. Se eu puder contar algo para alguém, podem ficar certos que serão os primeiros a saber. Fiquem com meu artigo Elogio às Malvadas
FAQ do Guia de BlogO FAQ do Guia de Blog está um pouquinho diferente de um FAQ comum. Talvez por eu ter feito algo que pouca gente faz: escrevi o FAQ me baseando nos emails que o Guia de Blog de fato recebeu! Ou talvez a diferença esteja no tom. Confesso que fui meio agressivo e irônico. Mas não dá, gente! Vocês não fazem idéia do tipo de email que o Guia de Blog recebe. Dêem uma olhada nesses trechos selecionados do FAQ: "6 - Não tem jeito. Não consigo. Além do mais, tenho dinheiro e não quero me estressar. Faz tudo pra mim? Faço, claro. Crio um template exclusivo, cuido de toda a burocracia, coloco todas as firulas que você quiser, de comentários à BlogChalk, e ainda te incluo em sites de busca e diretórios de blogs. Você só vai precisar inserir o conteúdo. Tudo por R$500. 7 - Cruz credo, R$500! Não tá caro, não? Claro que está. Queria moleza? Você sempre pode fazer seu blog sozinho, como todo mundo. 8 - Bem, pelo menos, pagando essa exorbitância, eu vou ser listado no Guia, não é? De modo nenhum. Inclusão nesse Guia não está a venda. Isso ficará por sua conta, depois de criado o blog. Faça um conteúdo legal e quem sabe? Se você me deu R$500, pode ficar certo que será meu amigo e isso já é um bom começo. Mas não garante nada. 11 - Como faço para viver do meu blog? *falta de ar de tanto rir* 12 - Estou montando um blog e quero colocar... ...música ...animação ...uma musiquinha ...aquele rastro de mouse. Se quer torturar os visitantes do seu blog, problema seu. Eu não vou ser cúmplice. Daqui a pouco, todas essas coisas que você mencionou serão proibidas pela Convenção de Genebra. 13 - Todos os contadores que você recomenda são em inglês. Eu não sei falar nem yes please. Não dá pra recomendar nenhum em português, não? Amigo, sinceramente, se no mundo de hoje você ainda não sabe falar inglês o suficiente pra se virar no SiteMeter, então, confia em mim, ter um blog sem contador é o menor dos seus problemas. 14 - Tenho um blog no Blig/Weblogger e... Chega. Não quero nem ouvir. Quem tem blog no Blig ou no Weblogger quer mais é sofrer. E quem sou eu pra interferir no seu carma? Saia desses serviços urgentemente. Quando chegar ao nirvana, a gente conversa. 15 - Falow Alixxandre! Meu nomi eh Jullyanninha tenhu 15 aninhus e teclu de bsb seu bloh eh taum massa ki... A casa se dá ao direito de só responder emails em português, inglês ou espanhol. Italiano, talvez, mas ainda estou aprendendo. Essa língua aí eu juro que não entendo. 16 - Como faço para que ninguém copie o conteúdo do meu blog? A princípio, eu sugeriria fazer um conteúdo muito, muito ruim, mas não adianta: tem mau gosto pra tudo. Tecnicamente, não tem jeito. Palhaçadas como desabilitar o botão direito do mouse não adiantam nada e só irritam seu visitante. Deixe pra lá. Quem quiser copiar, vai copiar. Leve como um elogio. 17 - Estou fazendo um trabalho pra escola/universidade sobre blogs. Você pode me ajudar? Olha, não muito. Se você quiser me entrevistar, eu até respondo. Se você quiser que eu faça seu trabalho por você (e, acreditem em mim, é o que 80% das pessoas que perguntam isso querem), eu até faço, mas cobro. Mande email pra gente discutir o preço. Pagamento adiantado. Sabe como é, nessa internet só tem pilantra. Tem gente até que compra trabalho escolar! 20 - Adorei o seu Guia! De quanto em quanto tempo você atualiza? Não há uma peridiocidade definida. A seção Artigos é mais dinâmica. Sempre vai ter coisa nova por lá. Se quer ficar por dentro, assine meu informativo e eu te aviso quando o Guia for atualizado. Valeu! 21 - Oi. Quero montar um blog. O que faço? (Vocês acham que eu estou brincando, né? Não passa um dia que não chegue um email exatamente igual a esse.) Olha, amiguinho, uma pergunta geral assim não dá nem pra começar a responder. Dá uma lida no Guia todo, confere o Blog Faq do Edney e tenta se aprumar. Depois, a gente conversa." Guia de Blog SobreSites
Observatório da Imprensa Na edição dessa semana do Observatório da Imprensa, mais um artigo meu A Pirataria e o Ridículo, já publicado aqui no blog.
Saíram também comentários dos leitores sobre os artigos anteriores Não Existe Almoço Grátis e Os Jornalistas e os Blogs: "Papo bonito, mas... Sabe, todo esse papo é bonito, e como sempre em toda a história tudo tem dois lados. De um lado a empresa que não quer trabalhar, de outros os blogueiros que, acostumados a um serviço gratuito, não querem pagar. O problema não é cobrar, simplesmente. O problema é saber que esse "cobrar" limita as pessoas, como o mundo faz, como a globalização faz: se você tem condições monte o seu blog/blig etc. Se não tem, leia, apenas. Como tudo na vida: se não tem dinheiro assista ao show pela TV. Use net grátis se não tem dinheiro para um provedor. O que revolta talvez não é o fato de algo ser gratuito ou pago. O que revolta é o fato de que muitos que tinham blog foram excluídos porque não podem pagar e são obrigados a assistir ao show de casa. Binha Vedovelli, estudante, Santos, SP Leitores desatentos Ótima matéria. Interessante o destaque dado aos mal-entendidos que ocorrem por causa da falta de atenção dos leitores. Gabriel Costa, estudante, Rio de Janeiro Ótimo blogueiro Alexandre Cruz Almeida é um dos melhores cronistas e blogueiros deste país. Faz um tempo venho lendo seus posts em LLL e na Tribuna da Imprensa, onde já tive também o prazer de publicar algumas opiniões, e agora aqui no mais que demais OI. O Alexandre tem fluidez, e capacidade de pesquisa. É mais um destes casos em que se trabalha no que se gosta e tem prazer de fazer. O que não significa dizer que sempre é fácil, muito pelo contrário, muitas vezes somos tomados por uma busca de perfeição e detalhes que não queremos que nos cobrem, mas cobramos a nós mesmos por profissionalismo, e cá para nós, a concorrência é grande mesmo. Hoje, aparece quem batalha muito o próprio talento. Tânia Lúcia Barros, escritora e professora, Niterói, RJ" Para a Binha, eu só posso dizer: quem não tem dinheiro, não consome. Isso não é tragédia alguma. Eu não tenho iate, não como lagosta e nem moro na Vieira Souto (coisas que eu adoraria!) tudo só porque não tenho dinheiro pra pagar a conta. Que injustiça! E, para Tânia, puxa, obrigado. Amigos leitores, vão lá, leiam e comentem, e ainda aproveitem para dar uma passeada pelo Observatório que ele merece. Alguns de meus artigos para o Observatório: Sexo Sem Intermediários: Prostituição, Jornalismo e Internet Não Existe Almoço Grátis Os Jornalistas e os Blogs A Pirataria e o Ridículo Visitem também o blog da Tânia, o Letracine, sobre cinema e literatura.
Insulto telegráficoDa coluna Painel, na Folha, segunda, 3 de maio: "A campanha Diretas-Já, que mobilizou o país entre 1983 e 1984, alimentou paixões e ódios entre os políticos. Quando a emenda Dante de Oliveira foi derrotada, o deputado estadual José Yunes, do PMDB paulista, antimalufista e militante da campanha, decidiu vingar-se dos parlamentares do Estado que votaram contra o projeto. Em referência ao personagem da Inconfidência, criou o prêmio Joaquim Silvério dos Reis. Yunes conseguiu lotar a Assembléia para a entrega do troféu, que ostentava um carrasco cortando uma urna ao meio. Antes, enviou telegrama aos agraciados. Recebeu reposta de apenas um deles. Também por telegrama, o deputado Armando Pinheiro, malufista que votara contra as Diretas, replicou: - Acuso recebimento de convite evento V. Exa. Impossibilitado comparecer, peço ser representado sua digníssima mãe."
Wednesday, May 5, 2004
O Asteróide ToutatisOs jornais já começaram a anunciar a passagem do asteróide Toutatis, o corpo celeste de grande dimensão que passará mais perto da Terra em cem anos. Os cientistas garantem que o corpo celeste não oferece risco de colisão com nosso planeta, mas estão acompanhando sua rota com carinho. De O Globo de hoje: "Em 29 de setembro deste ano, um asteróide do tamanho de uma pequena cidade (4,6 quilômetros de comprimento por 1,5 quilômetro de largura), fará a maior aproximação da Terra de um corpo celeste de grande dimensão registrada nos últimos cem anos. Cientistas da Nasa, a agência espacial americana, garantem que não há risco de impacto. Toutatis, como foi chamado o asteróide, intriga os cientistas por outras razões, entre elas, seu formato bizarro e seus movimentos incomuns." Mas nenhuma das matérias que li explicava seu nome tão peculiar. E eu pensando: caramba, esse nome, em um asteróide que pode bem cair sobre nossas cabeças, não pode ser coincidência. Será que ninguém vai comentar nada? Será que só eu reparei? Fiz meu dever de casa e confirmei minha intuição. O asteróide Toutatis foi descoberto na França, em 1989, por Alain Maury e Derral Mulholland. O nome, claro, como não poderia deixar de ser, veio da popular série de histórias em quadrinhos do Asterix. Para quem não lembra, a exclamação mais comum dos bravos gauleses (que temiam apenas que o céu caísse sobre suas cabeças) era: "Por Tutatis!" O próprio Dr.Maury conta a história: "By 1989, I had already started numbering Apollo objects using gaulish gods. One which I had not used was Toutatis since I thought it was an invention of Goscinny and Uderzo, authors of the well known comic book series "Les aventures d'Asterix". (...) One of their constant saying is "By Toutatis", another one is that their only fear is that the sky may fall onto their heads. I discovered my ignorance of gaulish culture when I learned that Toutatis was (or had been) a real God. I also learned that the citation in Asterix was not a joke, but that it had been reported by some historians of Alexander the great who had met some gaulish warriors (who had once invaded Italy and Great Britain). One of the first thing we learned about Toutatis was its record low inclination. This meant that it is indeed (in a remote future) a good candidate to fall onto our heads. The name stuck almost immediately at the telescope when I proposed it. Toutatis, also sometimes spelled "teutates" is a totemic deity, to which human sacrifices were made. Don't be misled, very few french persons do know about the cruel god Toutatis, but most will talk to you about Asterix and his friends if you come to swear " By Toutatis ! ", provided you get the right (i.e. french) accent..." Toutatis Home Page
A Infalibilidade do Autor, Parte II de IIA Opinião do Machado Nada mais infantil do que ficar se perguntando se Capitu traiu Bentinho ou não. E pior, muito pior, é ficar se perguntando o que o próprio Joaquim Maria achava da questão. Ora, Dom Casmurro não é uma obra de Machado de Assis. Dom Casmurro, simplesmente, é. Deixem o Joaquim Maria em paz. Que interroguemos Bentinho. Que busquemos pistas nas palavras de Capitu. Que façamos literalmente o que quisermos, mas dentro do romance, utilizando os elementos intrínsecos do romance. Questionar o Personagem Meu romance, Mulher de Um Homem Só, se prende especialmente a uma leitura casmurriana. As pessoas me escrevem e não capto nenhuma indicação de que leram criticamente a narração de Carla. Gostaram muito do livro, mas aceitaram tudo o que ela disse assim como aceitam, digamos, o Evangelho de Mateus. Quando deparam com alguma discrepância, quando sentem falta de alguma coisa, quando percebem instintivamente que algo foi omitido, são incapazes de questionar o personagem ou suas motivações. Jamais se perguntam: mas por que Carla não disse isso? Não. Vêm perguntar a mim. Explico, didaticamente: eu, Alexandre, não tenho nada a ver com isso. Não fui eu quem não disse nada. O romance é na primeira pessoa. O que você tem que se perguntar é: se isso é tão óbvio, é tão lógico, é tão gritante, por que Carla nunca menciona o assunto? J. L. Borges: Omitir siempre una palabra, recurrir a metáforas ineptas y a perífrasis evidentes, es quizá el modo más enfático de indicarla. Nunca lhes ocorreria a idéia de questionar a narradora. Como tinham acesso a mim, me questionaram. Se não tivessem, teria ficado por isso mesmo. Talvez seja erro meu, por estar vivo. Mas cura-se. O Romance que Caiu do Céu Não é nem preciso considerar o autor é infalível. Basta pensar o romance como uma obra una, inteiriça, acabada, que caiu do céu exatamente daquele jeito, e não como produto da mente de um autor que pode ser questionado ou desafiado. Basta lembrar que todas as chaves para entender um romance estão dentro dele, jamais fora. O leitor que faz isso descobre que os romances se abrem em flor à sua frente, que camadas atrás de camadas vão sendo reveladas, que ele aprende coisas que nunca imaginaria. Dar ao autor o benefício da dúvida não quer dizer deixar de ler criticamente, ou perdoar qualquer barbaridade. Pelo contrário, quer dizer, somente, reservar as críticas para o final, quando você puder enxergar a obra como um todo. Questione o romance, questione os personagens, nunca o autor. O autor não tem mais nada a dizer.
Ainda CiberposseirosAdiei mais uma vez minha coluna sobre ciberposseiros. Por excesso de assunto. A pesquisa não pára de dar frutos e sempre acho que ainda posso desencavar mais alguma coisa. É uma questão fascinantes que ainda não foi devidamente explorada pela imprensa. Com certeza, vai virar uma série de duas ou talvez três colunas. Qualquer coisa que vocês possam me contar sobre o assunto será bem-vinda. Histórias, depoimentos, fofocas, o que for. A coluna dessa semana vai ser sobre espionagem e blogs. Ou vocês não sabiam que a CIA e o FBI monitoram os principais blogs? Bobinhos.
Thalma de FreitasUma das mais lindas e talentosas artistas desse país está de blog novo. Vale a visita.
Paiol AbertoTento só citar aqui matérias realmente interessantes e que façam contribuições originais. Senão, o blog vira um comentário da imprensa. Essa matéria, de Jânio de Freitas, para a Folha de terça-feira, 4 de maio, fala o que todo mundo está falando: que o roubo de armas de militares é um absurdo. Mas diz isso com muito, muito humor. Eu, pelo menos, ri bastante: "Antes de mais nada, foi uma grossa falta de educação. Não esperaram nem a passagem de um dia para o outro. Foi só o general-comandante do Exército dar a tranqüilizadora informação de que as Forças Armadas adotam "sempre os critérios mais rígidos possíveis" na guarda de suas armas, e em horas uns marginais desrespeitosos entraram no Depósito de Armas da Aeronáutica no Rio, fizeram uma limpa e ainda foram embora em transporte da casa. Como diria Paulo Maluf, rouba mas não tripudia. Apenas horas depois, vai a polícia à caça de um bandido em favela suburbana, não o encontra mas, para não não perder a viagem, encontra um depósito de armas. Depósito paisano, armas e munições militares. Até bazucas. Logo na primeira apreensão de arma no episódio da Rocinha, lá veio um fuzil com o emblema da FAB. As minas descobertas (além de granadas e vasta munição) em um depósito bandido foram identificadas pelo fabricante como de um lote vendido à Aeronáutica. Mesmo que não houvesse muitos outros precedentes, só esses casos atuais já negariam que "a quantidade de armas desviadas das Forças Armadas é muito menor do que se imagina", como disse o general Francisco Albuquerque, horas antes do roubo no depósito da Aeronáutica. Não sei quanto o comandante do Exército imagina que nós imaginamos, mas não são necessárias novas demonstrações para saber-se que o desvio de armas e munições das Forças Armadas para a criminalidade é um problema gravíssimo no sentido e na dimensão. O simples fato de que ocorra algum desvio já é uma aberração. Nada pode explicar que o controle dos depósitos, paióis e demais setores com armas militares não ofereça segurança e controle absolutos. Não há dificuldade alguma para isso. Há pessoal em quantidade, muito tempo disponível e meios materiais. O que falta, portanto, não deixa bem as Forças Armadas. Os bandidos não esperam pelo noticiário para saber, como acontece conosco, que entre eles e as armas do Depósito da Aeronáutica haveria apenas cinco pessoas. E que, uma vez no Depósito, armas e munições seriam facilmente acessíveis. Em outros roubos, a operação pode ser diferente, mas a facilidade, por certo, é a mesma: fuzis AK e bazucas, para não falar armas maiores, não cabem em bolsas nem sob a roupa. Desviá-las depende de controle e guarda precários. E, no entanto, são armas que a polícia apreende freqüentemente, com sinais que não deixam dúvida sobre sua procedência. Já é tempo de que o corporativismo militar deixe de reagir mal e escamotear suas falhas, quando evidenciadas. O direito de indignar-se, no caso, é da população, que se torna vítima das armas que saem dos quartéis para os bandidos. São muitas. E já fizeram muitas vítimas. Vá lá que as Forças Armadas comprem porta-aviões e esquadrilhas, mas desde que comprem também alguns cadeados. E os usem."
Tuesday, May 4, 2004
A Eterna Dúvida MasculinaSer homem é duro. A gente sempre acha que dá no couro, que somos bem dotados, que nosso pau é lindo. Claro. As mulheres estão sempre tentando nos agradar. Que mulher tem coragem de dizer: "Hmmm... Já vi maiores?" Nada disso. Todos nós só ouvimos elogios aos nossos paus. Será verdade? Agora, finalmente, podemos descobrir a verdade. Para alguns, teria sido melhor viver na ignorância. Avalie Meu Pinto
Gravatá, Foschia e PolzonoffDestaque para a coluna do Gravatá dessa semana, em O Globo, apresentando o casal Paula Foschia (Epinion) e Paulo Polzonoff (Polzonoff). Vale a pena. Adorei a história de como eles se conheceram. Coluna do Gravatá
O Cavalo de LulaMais uma das sempre deliciosas historinhas de Sebastião Nery, hoje, na Tribuna: "O caboclo, aqui de São Paulo, bem lá do interior, muito pobre, era feliz, vivia rindo o tempo todo. E não tinha nada, só uma rocinha e um cavalo. Um dia, um homem da cidade, muito rico, o encontrou na feira: - De onde vem esta sua felicidade? - De meu cavalo, doutor. Só o senhor vendo. Não tem outro cavalo igual. Quando acordo, ele já está na porta, com os dentes de fora, relinchando. Entra, faz meu café, arruma a casa, dá comida às galinhas e me leva para a roça. - Cavalo faz tudo isso? - O meu faz, e muito mais coisas que o senhor não imagina. Uma semana depois, o homem rico encontrou o caboclo pobre e feliz: - Quer vender seu cavalo? Dou 10 contos. - De jeito nenhum. Nem por 50 contos. Se oferecer 100, não vendo. Acabou vendendo por 200 contos. E o homem rico levou o cavalo. Mais uma semana e, furioso, encontrou novamente o caboclo pobre e feliz na feira: - Você me enganou, me roubou. Seu cavalo não faz nada daquilo que você disse. Não serve para nada. Nem para montar. É uma merda de cavalo. - Doutor, não fale assim. Comece logo a falar bem de seu cavalo, se não o senhor não vende seu cavalo. O patético de Lula é este. Já não pode nem falar bem do cavalo dele, do governo dele. Enganou tanto, traiu tanto, que nem o deixam mais falar nada." Sebastião Nery
A Infalibilidade do Autor, Parte I de IIPara os católicos, o Papa é infalível. Naturalmente, se um Papa discorda do outro, vale o mais recente. Papa morto, papa posto. Peça para um físico calcular a velocidade média de um carro e ele irá prontamente presumir que o carro se desloca através do vácuo sem fricção alguma com o chão. E eu pergunto: quantas vezes você já dirigiu no vácuo? Pois eu defendo que leitores de literatura também deveriam considerar os autores infalíveis - mesmo sabendo que não são. Os Erros de Sherlock Holmes Uma organização de estudiosos de Sherlock Holmes tem o seguinte, e curioso, teste de entrada. O candidato a membro precisa explicar algum erro flagrante das histórias, de modo a demonstrar que o erro, na verdade, não era erro. Conan Doyle odiava Holmes e escrevia as histórias sem nenhum cuidado. Apesar de as histórias serem deliciosas, até o leitor mais distraído consegue reparar que a quantidade de erros lógicos, factuais, cronológicos, etc, é gigantesca. Pois os membros da associação (por esporte, que fique bem entendido) tratam o texto de Conan Doyle como se fosse sagrado. Presumem que não há erros. As discrepâncias são propositais, basta serem explicadas. Holmes e Watson saem apressados de Baker Street na terça-feira de manhã, mas só chegam ao seu destino, um subúrbio relativamente próximo, na quarta à tarde. Um erro primário de Conan Doyle? De jeito nenhum. Na verdade, foi durante essa tarde perdida que Holmes e Watson fizeram isso e aquilo, que provou-se fundamental para a resolução do mistério, apesar de Watson ter sido forçado a silenciar sobre esse assunto. O que parecia um erro bobo para o não-iniciado revela-se, na verdade, parte de uma conspiração esotérica. Na verdade, todos sabem que Conan Doyle provavelmente escreveu aquela história em duas horas e ela foi para as prensas sem jamais ser relida, nem por ele e nem pela editora, que estava mais interessada em botar as revistas na rua o mais breve possível. Mas e daí? Que benefício prático nos traz esse conhecimento? Se você descarta essa questão como um reles erro, não há nada a aprender dela, não há teorias interessantes, não há discussões empolgadas à volta da lareira. Consideramos o autor infalível não em benefício dele, mas nosso. O Obscurantismo de Sobre Héroes y Tumbas Estou atualmente mergulhado na deliciosa leitura de Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto Sábato. Apesar da primeira página maravilhosa sobre a qual já falei, o livro tem trechos obscuros. O diálogo inicial é especialmente difícil de entender. Temos uma pessoa relembrando estar relembrando o passado com outra pessoa. E essa simples conclusão da última frase eu demorei cinquenta páginas para formular. Há dois personagens, Martín e Bruno, e nunca temos certeza quem está contando a história e quem está lembrando ter ouvido o outro contar a história. Afinal, com quem aconteceram aqueles fatos? Com Bruno ou com Martín? Além disso, a maioria dos diálogos não tem indicativo de quem falou ("disse Bruno", "respondeu Martín", etc) e nunca sabemos quem disse o quê. Por fim, a própria narração se refere alternadamente aos personagens sem nomeá-los. "Rió suavemente, sin nostalgia." Quem? Bruno ou Martín? Não temos como adivinhar. Seria fácil descartar Sábato (ainda mais assim, em começo de romance) como um autor descuidado e seguir viagem. Fácil demais. Mas isso não levaria a nada. Eu não lucraria nada. Eu não aprenderia nada. Melhor dar a ele o benefício da dúvida. Melhor me refugiar na "infalibilidade do autor". Melhor concluir que a confusão foi proposital, que o trecho foi escrito deliberadamente para ser obscuro, que esse era o clima que Sábato queria criar. Melhor me perguntar porque ele tomou essa decisão. Melhor eu me perguntar como isso influencia o resto da história. Que fique bem claro: minha indulgência com Sábato é para meu benefício, nunca para o dele. Se, ao final do romance, esse obscurantismo inicial não tiver se provado parte integrante e necessária da trama, eu vou concluir que ele realmente não sabia o que estava fazendo. Afinal, nada impede que ele seja realmente descuidado ou incompetente. (amanhã... a opinião de machado... questionar o personagem... o romance que caiu do céu...)
Monday, May 3, 2004
RapidinhaEstou trabalhando em um call-center, prestando consultoria. Ligo pra senhora-minha-esposa e ela já me atende cheia de sem-vergonhices que não posso nem reproduzir aqui. E me doeu o coração ter que interrompê-la: "Meu amor, as chamadas são monitoradas..."
Festinha no RioHoje tem uma festinha muito interessante aqui no Rio. Eu vou. Os leitores estão convidados. As leitoras, essas então estão convidadíssimas. Mais detalhes aqui.
Arte É CriaçãoQuase todo fim de semana, vou aos concertos populares do projeto Domingo no Municipal. Adoro. Fico impressionado com a coragem que deve exigir subir em um palco e interpretar Kachaturian ao piano. Minha arte, graças a deus, não é executada ao vivo. Fico na segurança da minha casa, reescrevo as frases quantas vezes eu quiser e só mostro pra alguém quando estou satisfeito com o resultado. Por outro lado, eu nunca tenho esse eletrizante contato com a platéia ao vivo, um dos melhores momentos na vida de qualquer artista. Esse blog supre parte dessa carência. Mas será que esses músicos da OSB são realmente artistas? Arquitetos e Peões-de-Obra Uma vez, conversando com uma empregada, tocou-se no tema arquitetos. Ela, que nunca tinha parado pra pensar no assunto, nem sabia que existia esse profissional. Em sua cabeça, eram aqueles peões-de-obra mesmo que levantavam o prédio por conta própria. Não é uma crença tão absurda assim. Cupinzeiros comparativamente mais complexos do que qualquer construção humana são erigidos por animais muito mais idiotas do que o peão-de-obra médio e sem arquiteto central algum. Mas, como sou professor, fiz questão de ensiná-la o que era um arquiteto e qual a relação entre um arquiteto e os peões. Essa empregada era uma das pessoas mais inteligentes que já conheci em minha vida. Ela ouviu tudo, entendeu e não aceitou. Para ela, o prédio, se era de alguém, era criação dos peões, que estavam lá, com a mão literalmente na massa, e não do arquiteto, que fez um desenhinho lá de longe do escritório dele e pronto. Naturalmente, nós, cultos e refinados, sabemos que minha empregada estava errada. O artista é o arquiteto. O prédio é criação sua. Os peões apenas executaram sua visão artística. Então, por que consideramos grandes artistas Heifetz ou Yo-Yo Ma? Eles também não fazem mais do que executar a visão artística dos outros. Beethoven está para Heifetz como o arquiteto para o peão. Ou será que entendi tudo errado? O Criminoso e o Virtuoso Você pode dizer que não é fácil interpretar a Sonata Kreutzer de Beethoven. É preciso sensibilidade, perícia e anos e anos de estudo. Mas você também poderia dizer que não é fácil "interpretar" O Grito, de Munch. É preciso sensibilidade, perícia e anos e anos de estudo. Então, por que um forjador, que "repintou" O Grito exatamente como Munch o pintou, não é considerado um tão grande artista quanto Heifetz, que executou a Kreutzer exatamente como Beethoven a compôs? Pior, um é um criminoso, o outro, virtuoso. Alexandre Cruz Almeida Interpreta Machado de Assis Aí você argumenta: o Heifetz não se limita a reproduzir ou executar fielmente a obra de Beethoven. Ele interpreta. Ele impõe sua própria visão. Ótimo. Já posso até ver os pôsteres: "Alexandre Cruz Almeida interpreta Dom Casmurro, de Machado de Assis", em cartaz na Biblioteca Nacional. Eu entro no palco, sozinho, luz em mim, e leio minha versão modificada de Dom Casmurro. Minha visão. Tirei algumas vírgulas, para o texto ficar um pouco mais rápido, troquei algumas palavras em desuso por outras mais comuns, e até decidi que, afinal de contas, Capitu não era adúltera coisíssima nenhuma. O espetáculo dura somente umas duas horas e meia, com direito a intervalo. Afinal, é um livro curto. No final, sou aplaudido de pé. "Alexandre Cruz Almeida é o mais novo virtuoso da literatura, dizem as resenhas, ele trouxe Dom Casmurro ao século XXI com a mão firme de um mestre em sua arte. Ah, quem me dera se fosse tão fácil. Para que eu, algum dia, seja considerado um bom artista, eu vou ter que de fato criar alguma coisa. Interpretar ou Reproduzir? Para a maioria dos amantes da literatura, a idéia de alguém "impor sua própria visão" sobre Dom Casmurro (ou qualquer outra obra literária) soa herética e desrespeitosa. Quem sou eu (ou qualquer outro) pra tirar uma vírgula que Machado (ou qualquer outro escritor) decidiu colocar? Pra fogueira com ele! Por outro lado, consideramos normal Yo-Yo Ma impor sua visão sobre Piazzola ou Heifetz interpretar Beethoven, mudando isso ou aquilo, acelerando aqui, segurando ali. Na verdade, pelo pouco que conheço de música, esses grandes intérpretes seriam considerados medíocres caso se limitassem a somente reproduzir fielmente as composições dos mestres. Heifetz vs Racionais MCs Não estou desmerecendo os grandes intérpretes. Tenho certeza que interpretar corretamente uma grande sinfonia é um aprendizado de uma vida. Uma técnica dificílima. Um verdadeiro artesanato. Só não é arte, pois arte é criação. Se Heifetz é tão artista quanto Beethoven, então Harold Bloom é tão artista quanto Shakespeare, e o mestre-de-obras é tão artista quanto o arquiteto. Heifetz e Yo-Yo-Ma são alguns dos meus intérpretes favoritos. O que o Heifetz faz com um violino ninguém acredita. Yo-Yo Ma relê os tangos de Piazzola como nenhum outro. Infelizmente, arte por arte, os Racionais MCs são mais artistas do Heifetz e Yo-Yo Ma juntos. Suas músicas são podres, mas são suas: boas ou ruins, são criações artísticas.
Sunday, May 2, 2004
Estranhos CaminhosEncontrei o seguinte post no blog de Alex Popst: "Essa é uma homenagem ao cachorrinho da Lílian. Aliás, o texto também foi uma sugestão dela... "A INFÂNCIA ACABA, DISSE alguém, quando morre nosso cachorro. Somente então estaríamos prontos para os desafios da vida adulta. Pouco importa se somos doutorados ou casados: enquanto existe o cachorro - símbolo vivo de nossa adolescência - ainda moramos com os pais. Sua morte quebra esse último vínculo. Nada mais nos liga à casa paterna. Não sei quem bolou essa máxima e nem se concordo com ela. Estabeleço um paralelo diferente. Amigos humanos têm outros afazeres e outros amigos. Um dia, seus caminhos se descruzam e cada um vai viver sua vida. Talvez nunca mais se vejam. Um cachorro, entretanto, só tem o dono e seus caminhos são coincidentes: a vida do cachorro é a vida do dono e ele sempre ficará ao seu lado, até morrer. Então, com o fim, absoluto e irrecorrível, da amizade mais sincera que pode existir, a infância acaba." O texto é um fragmento de um conto do Alexandre Cruz Almeida. O site dele é bem interessante e tem muitos arquivos para download." Fiquei intrigado. O trecho é o começo do meu conto Onde Perdemos Tudo. Agradeci a menção, mas quis saber quem era Lílian e qual era a história do seu cachorro. Hoje, veio a resposta: "Bem, é uma história meio estranha, como eu escrevi no meu post, o cachorro da Lílian foi atropelado! E ela, num gesto que só Freud explica, foi até o google e digitou "meu cachorro morreu". Eis que surgiu seu blog, o meu post e a sua visita."
Sexo ou ViolênciaFalei sobre Kill Bill e um leitor comentou: "Ainda não assisti o filme. MInha filha, de 15 anos, quer ver e me pede pra levá-la comigo, tipo pra 'quebrar' a censura. Agora, fico pensando se esse filme seria mau pra cabeça da guria que não é assim tão ingênua. Se as cenas de sexo forem muitas e quentes, por exemplo, como não sou praticante do incesto, pode ser um clima meio estranho." Por um acaso, Kill Bill não tem nenhuma cena de sexo, mas é um filme terrivelmente violento. Não quero criticar o meu leitor. Suas preocupações são as mesmas de boa parte da população. Mas não entendo. Penso em meus hipotéticos filhos, que eu fizer tudo direitinho e usar sempre camisinha, nunca existirão. Pois eu preferiria que meus filhos assistissem mil cenas de sexo explícito a um único assassinato. Não vejo que mal uma cena de sexo possa fazer à mente de uma criança. É um ato natural, bonito e do qual todas as crianças farão parte um dia. Já um assassinato é algo terrível. Um assassinato é antinatural, feio e algo do qual gostaríamos que nossos filhos nunca participassem, seja como vítimas ou algozes. Pior, realmente, quanto mais assassinatos, mortes, torturas e vinganças assistimos, mais aquilo se torna parte de nossa rotina, mais anestesiados ficamos, mais aceitável aquilo se torna. Muita gente reclama das loiras apresentadoras de TV, em especial da Xuxa, por sexualizarem precocemente nossas crianças. Estrangeiros, então, ainda mais os americanos, ficam absolutamente horrorizados de ver as loiras sensuais seminuas que apresentam desenhos animados às crianças de 10 anos. E daí? Já vi filmes censura livre (ou quase) com dezenas de mortos espalhados pelo chão. Entretanto, bastaria uma visão de relance de um par de seios para que o filme fosse classificado como censura 18 anos. Triste mundo em que nossas crianças podem ver um facão penetrando lentamente em uma barriga mas não um pau penetrando suavemente em uma boceta.
Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto SábatoEm geral, não acredito em amor à primeira vista. Nem por mulheres, nem por livros. Atualmente, estou lendo, e me deliciando, e me perdendo, em Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto Sábato (Argentina, 1961). Com certeza, ainda vou escrever mais sobre esse livro, ao mesmo tempo épico, filosófico, sensível, excitante, apocalíptico. Sem dúvida alguma, um dos grandes romances do século XX. Agora, quero apenas contar como cheguei a ele. Li, faz muito tempo, uma resenha sobre um livro de ensaios de Sábato, falando sobre escritores e literatura. Fiquei interessado, não me lembrava bem do nome. Estava na biblioteca da PUC, mandei baixar todos os livros do Sábato. Tinham dois: Sobre Héroes y Tumbas e El Escritor y sus Fantasmas. Comecei a folheá-los. Rapidamente, ficou claro que era o segundo que eu procurava, que aliás já li e também adorei. Mas Sobre Héroes y Tumbas me pegou na primeira página. Foi só ler e ficar preso. Já estudei essa primeira página cuidadosamente centenas de vezes, encantado com cada palavra, com cada mistério, com cada insinuação. Acho que não existiria força na terra capaz de me impedir de ler um livro que começasse com uma página de abertura como essa: "Noticia Preliminar Las primeras investigaciones revelaron que el antiguo Mirador que servía de dormitorio a Alejandra fue cerrado con llave desde dentro por la propia Alejandra. Luego (aunque, lógicamente, no se pueda precisar el lapso transcurrido) mató a su padre de cuatro balazos con una pistola calibre 32. Finalmente, echó nafta y prendió fuego. Esta tragedia, que sacudió a Buenos Aires por el relieve de esa vieja familia argentina, pudo parecer al comienzo la consecuencia de un repentino ataque de locura. Pero ahora un nuevo elemento de juicio ha alterado ese primitivo esquema. Un extraño "Informe sobre ciegos", que Fernando Vidal terminó de escribir la noche misma de su muerte, fue descubierto en el departamento que, con nombre supuesto, ocupaba en Villa Devoto. Es, de acuerdo con nuestras referencias, el manuscrito de un paranoico. Pero no obstante se dice que de él es posible inferir ciertas interpretaciones que echan luz sobre el crimen y hacen ceder la hipótesis del acto de locura ante una hipótesis más tenebrosa. Si esa inferencia es correcta, también se explicaría por qué Alejandra no se suicidó con una de las dos balas que restaban en la pistola, optando por quemarse viva. [Fragmento de una crónica policial publicada el 28 de junio de 1955 por La Razón de Buenos Aires.] Um Pequeno Mistério No meu exemplar, a frase "terminó de escribir la noche misma de su muerte" é "terminó de escribir afiebradamente la noche misma de su muerte". Estudei tanto essa página que cheguei até a arrumar uma tradução brasileira só pra ver como era. E, nela, faltava justamente esse "afiebradamente" (febrilmente) que também falta nessa versão on-line que arranjei. Pra onde foi esse adjetivo? De onde veio? Sobre Héroes y Tumbas foi recentemente publicado em uma dessas coleções de livros de banca em capa dura. Se ficaram interessados pela amostra, procurem, encontrem, leiam e se deliciem. Depois conto mais. Homenaje a Ernesto Sábato
Saturday, May 1, 2004
Quentin Tarantino, Arnaldo Bloch e o Pé FemininoQue Tarantino é pedólatra até as pedras da rua sabem. Em sua coluna de hoje, em O Globo, Arnaldo Bloch se revela também. Hoje, acordei aos gritos de "meu colunista favorito é pedólatra!". Era a senhora minha esposa, também pedólatra doente, lendo seu jornal matinal. Ela é tão doente que até tem um flog só de fotos dos seus pés, Popsicle Toes. Eis o Bloch de hoje, sem a imagem, sorry: "A tara de Tarantino pelo pé feminino Violência? Que violência que nada. Sangue? Ora, somos cariocas. Referências ocultas do nerdismo da animação japonesa? Repertório musical? Maravilha, tudo ótimo. Mas o melhor mesmo de “Kill Bill” são os pés femininos. Para olhos treinados/interessados, não será difícil perceber que um alto percentual de tomadas e closes no filme concentra-se em dedos, solas, pés descalços, sapatos e tênis instigantes. Não é de hoje que Tarantino declarou sua fissura por esta importantíssima parte do corpo das mulheres. Em “Jackie Brown”, Bridget Fonda exibia em tomadas longas os seus belos dedos decorados com anéis e a sua sola em primeiríssimo plano. Na época, a imprensa registrou o fato e confirmou que Tarantino era podólatra (não confundam com pedófilo: o amor por pés é fetiche saudável e inofensivo, exceto na China, onde se deformam os pés antes de usá-los). Mas em “Jackie” a coisa se limitava a uma cena. Em “Kill Bill” o pé é onipresente, Tarantino está mais bandeiroso, embora ainda não tenha dado vazão às suas fantasias sobre o que fazer com ele, o pé, ou sobre o que o pé vai fazer com ele. Vamos dar nomes aos bois, quer dizer, às vacas, ou melhor, às donas dos exemplares mostrados nas fotos ao lado, que exigiram duas sessões seguidas de trabalho fotográfico por parte do cronista numa sala escura. Por conta disso, já vi “Kill Bill” três vezes. No alto, da esquerda para a direita, vemos primeiro os pés de Gogo (Chiaki Kuriyama) e da terrível O-Ren Ishii (Lucy Liu) subindo uma escada. Por sinal, essa coisa de olhar pé debaixo de escada é fetichismo clássico. A segunda foto lá em cima (assim como a que vem abaixo dela), é fácil: a protagonista Black Mamba (ou “The bride”), interpretada por Uma Thurman, tenta fazer seus dedos moverem-se após quatro anos de coma. Os pés de Uma, para quem prefere os delicados e sedosos até no máximo 37, são muito feios, tortos, grandes (40) e algo rugosos, mas tem gente que aprecia. Provavelmente, o próprio Tarantino, que já tem em Uma o seu modelo de atriz-fetiche de outros carnavais. Não é à toa que os pezões da moça são os que merecem, no filme, maior tempo de exposição. A terceira foto da esquerda para a direita, no alto, é dos pés da crooner da banda de rock que anima o restaurante/boate em Tóquio onde acontece a grande carnificina de “Kill Bill”. Detalhe: da baterista à cantora, passando pela baixista e pela guitarrista, todas tocam descalças. Aeee, Tarantino! Mandou bem! A primeira foto da segunda fileira horizontal mostra um dos sapatos de Elle Driver (ou California Mountain Snake), vestido por Darryl Hanna com muitíssima sensualidade, no momento em que, travestida de enfermeira, ela prepara-se para... deixa pra lá, vamos respeitar quem não viu ainda o filme. À direita, pulando a foto dos dedos, vemos o tênis amarelo de Uma Black Mamba Thurman, calçado oficial para batalhas com espada de samurai, parte de um traje já usado por Bruce Lee. Logo abaixo, à esquerda, uma das mais belas tomadas do filme: as unhas pintadas de Sofie Fatale (Julie Dreyfus), pisando graciosamente no acelerador de seu Mercedes preto antes de... bom, esquece. E, logo em seguida, o que se vê são os tênis brancos e meias imaculadas da perversa Gogo no estilo fetiche colegial, carregando na mão uma maça, temível arma medieval (notar detalhe à esquerda da foto, foi o melhor que consegui sem flash no escurinho do cinema). Encerrando a série, novamente Uma Thurman, no tênis de modelo pedestre, para batalhas ocidentais, durante a terrível briga nos EUA com a cruel e arrependida Vernita Green. Teria outras coisas a dizer sobre “Kill Bill” do ponto de vista cinematográfico, mas, confesso, não estou nem um pouco interessado. Aos não iniciados na arte de admirar pés femininos, peço desculpas pelo mau jeito. Aos que (e às que) compreendem esse misterioso lado das afeições masculinas, rendo meu respeito e minhas homenagens, recebendo de bom grado comentários construtivos."
Mundo cãoDeu no Ancelmo Gois de hoje, em O Globo: "Outro dia, um cão labrador ficou com a cabeça presa entre as grades da varanda de um apartamento no condomínio Oceanfront, na Barra. Como sua dona não acordava com os latidos, um vizinho correu lá, escalando a mureta, já que o apartamento era de 1 andar. Mas, acredite, em vez de soltar o bicho, deu-lhe um golpe mortal de martelo na cabeça para silenciá-lo. O caso esta na 16 DP." Caralho, que mundo é esse?
Os Critérios de SeleçãoAcho que já posso abrir pra vocês: essas seleções comentadas de sites que venho publicando aqui são o futuro Guia de Blog SobreSites, que vou assumir em maio. Como metade dos emails que o Guia recebe é de neguinho querendo incluir seu blog, fiz por bem acrescentar à seguinte pergunta ao FAQ. Me digam o que acham, se concordam com esses critérios, se mudariam alguma coisa. "Como faço para incluir meu blog no seu Guia?" O Guia de Blog é uma seleção de sites. Não há como incluir automaticamente um site ou blog. Fiquem à vontade para sugerir novas adições, mas somente os melhores serão listados. Alguns critérios imprescindíveis são: - Atualização diária (ou muito perto disso) - Português correto (se vc eh uma dakelas pixoas ki falaum axxim, esqueça) - Relevância dentro do tema escolhido (blog pessoal só de celebridades) - Design leve (sem excesso de imagens ou animações: tocou musiquinha ou piscou alguma coisa e você está fora) Por favor, não se sinta mal de não ser listado. O Guia de Blog é somente para os melhores entre os melhores blogs do Brasil. Ter um blog pessoal para compartilhar experiências com os amigos não é vergonha alguma, mas foge à linha editorial do Guia de Blog. Se você acha que algum dos blogs aqui listados não atende a esses critérios, por favor me avise. Se for verdade, ele será retirado da lista."
Blogs FavoritosSeção por seção, publiquei aqui toda aquela minha resenha comparada de ferramentas de blogs, comentário, contadores, blogs de humor, blogs jornalísticos, etc etc. A última parte é a seleção dos Blogs Favoritos. Esses não são nem necessariamente os melhores, mas são os blogs fodas que não couberam em nenhuma outra categoria. Antes que alguém comente, é óbvio que considero o meu blog foda. Eu até poderia achar esse blog ruim. Faço muita coisa ruim. Mas, se coloquei no ar para 1500 pessoas por dia, é porque acho muito foda - senão já tinha tirado do ar! Por essas e outras, nunca entenderei os humildes. Galerias de Honra à parte, a entrada nessa seleção de blogs com certeza não está a venda nem aberta a escambo. Liberal Libertário Libertino Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Seu assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como patriotismo, verdade e monogamia. Dê sua opinião! Pensar Enlouquece, Pense Nisso Um dos melhores blogs do Brasil, por Alexandre Inagaki. O assunto? Tudo. Kit Básico da Mulher Moderna Renata M, 27 anos, carioca, descolada e desinibida, para não dizer irônica e mordaz, escreve um blog de história de mulher para mulher (e para quem mais quiser espiar). Elas por Elas Inspiradas na série Sex and the city e confortavelmente instaladas no anonimato, duas jornalistas transformam as suas próprias histórias e as das amigas em diversão, reflexão, humor e, sobretudo, crítica. Querido Leitor Rosana Hermann comanda um dos blogs mais visitados e diversificados do país. Ela está sempre em cima de lance. Quando quero saber de alguma notícia urgente, vou ao Querido Leitor antes de qualquer outro site de jornalismo online. É impressionante. Marmota Mais dos mesmos. Tudo e mais um pouco pelo jornalista André Rosa de Oliveira. Weblog da NoMínimo A NoMínimo é um dos melhores veículos jornalísticos do Brasil, de qualquer mídia. Seu blog, mantido por Pedro Dória, não fica atrás. Usabilidade & Arquitetura da Informação Máquinas de café que não funcionam, placas mal explicadas, celulares impossíveis de usar. Essa e outras questões do dia-a-dia são abordadas com muito humor e nenhum jargão em um blog sobre tecnologia, mídia digital e design. Paulo C. Barreto Jornalista e observador da paisagem digital. Artigos exclusivos, links, indicações de sites, dicas, palpites e opiniões.
|
Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambi�‹o, verdade e medo. Dê sua opinião!
Msn (melhor modo de falar comigo)
AmigosAllan Ana Anon Bel Beth Bia Branco Bruno Camila Carol Cinthia Dani Doni Diego F‡bio Fl‡via Harry Helder Ian Idelba Ina L� LŽo Lulu Marcela Marina Marmota Maur’cio Mauro Nemo Nituche Pablo Paula Paula, fiha de Tom, afilhada de Chico, neta de ZŽ Loiro Rafa Renata SergioLinksSobreSites - a empresa que crieiGuia de Blog - tudo sobre blogs Guia de Fotolog - tudo sobre fotologs Guia de Usabilidade - tudo sobre usabilidade Usability - minha empresa de consultoria Usabilidade & AI - design de intera�‹o Gatas do Flickr - fotos de belas mulheres Sublinhado - resenhas de livros e filmes Fotolog - minhas fotos Alex Castro - site pessoal Arquivo
Janeiro 2008
Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8% Di‡rio de Leituras 2007167. RisŽrio, Antonio. Utopia Brasileira e os Movimentos Negros, A. [Brasil, 2007] Dez.166. Nejar, Carlos. Hist—ria da Literatura Brasileira. Da Carta de Pero Vaz de Caminha ˆ Contemporaneidade. [Brasil, 2007] Dez. Ex. de divulg. 165. Williams, Eric. From Columbus to Castro. The History of the Caribbean. [Trinidad e Tobago, 1970] Dez. 164. Borges, Jorge Luis. Pr—logo con un Pr—logo de Pr—logos. [Argentina, 1974] Dez. 163. Borges, Jorge Luis. El Libro de Arena. [Argentina, 1975] Dez. 162. Sarlo, Beatriz. Borges, un escritor en las orillas. [Argentina, 1995] Dez. Internet 161. Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. [Brasil, 168] Dez. 160. Omil, Alba. Cuatro Versiones del Mart’n Fierro. [Argentina, 1993] Dez. (TulBib) 159. Estrada, Ezequiel Mart’nez. Muerte y Transfiguraci—n de Mart’n Fierro. [Argentina, 1948] Dez. (TulBib) 158. Alposta, Luis. La Culpa en Mart’n Fierro. [Argentina, 1998] Dez. (TulBib) 157. Lesser, Jeffrey. A Negocia�‹o da Identidade Nacional. (Negotiating National Identity. Immigrants, Minorities, and the Struggle for Ethnicity in Brazil.) [EUA, 1999] (TulBib.) Dez.1 156. Rebelo, Marques. A Estrela Sobe. [Brasil, 1939] Dez.1 155. Nuez, Iv‡n de la. Fantasia Roja. Los Intelectuales de Izquierda y la Revoluci—n Cubana. [Cuba, 2006] 154. Evaristo, Concei�‹o. Ponci‡ Vic�ncio. [Brasil, ?] Presente da autora. Nov.20- 153. Carpentier, Alejo. El Siglo de Las Luces. [Cuba, 1962] Nov.20-25 152. Hernandez, JosŽ. La Vuelta de Martin Fierro. [Argentina, 1879] Nov 151. Borges, Jorge Luis. El Martin Fierro. [Argentina, 1950] Nov. (TulBib) 150. Farinas, Lucila. Las Dos Versiones de Cec’lia ValdŽs: Evoluci—n Tem‡tico-Literaria. [EUA, 1979] ILL 149. Trelles, Edward E. Race in Another America. The Significance of Skin Color in Brazil. (Racismo ˆ Brasileira: Uma Nova Perspectiva Sociol—gica) [EUA, 2004] Nov. 148. Borges, Jorge Luis. El Informe de Brodie. [Argentina, 1970] Nov. 147. Suassuna, Ariano. O Auto da Compadecida. [Brasil, 1955] Nov.2. 146. Barrenechea, Ana Maria. La Expression de La Irrealidad en la Obra de Borges. [Argentina, 1967] Nov. 145. Borges, Jorge Luis. El Hacedor. [Argentina, 1950] Out. 144. Borges, Jorge Luis. El Otro, El Mismo. [Argentina, 1964] Out. 143. Cadena, Marisol de la. Indigenous Mestizos. The Politics of Race and culture in Cuzco, Peru, 1919-1991. [EUA, 2000] Out. 142. Moura, Clovis. As Injusti�as de Clio: O Negro na Historiografia Brasileira. [Brasil, 1990] Out. (TulBib) 141. Gorender, Jacob. A Escravid‹o Reabilitada. [Brasil, 1990] Out. (TulBib) 140. Grandin, Greg. The Blood of Guatemala. A History of Race and Nation. [EUA, 2000] Out. 139. Borges, Jorge Luis. Otras Inquisiones. [Argentina, 1952] Out. 138. Lacombe, AmŽrico Jacobina & outros. Rui Barbosa e a Queima dos Arquivos. [Brasil, 1988] Out. (ILL) 137. Graham, Sandra Lauderdale. Prote�‹o e Obedi�ncia: Criadas e seus Patr›es no Rio de Janeiro, 1860-1910.[EUA, 1992] Out. 12 (TulBib) 136. Martinez-Alier, Verena. Marriage, Class and Colour in Nineteenth-Century Cuba. A Study of Racial Atittudes and Sexual Values in a Slave Society. [Reino Unido, 1974] Out.10 (TulBib) 135. Graham, Richard. (org) The Idea of Race in Latin America, 1870-1940. [EUA, 1990] Out.8 (TulBib) 134. Rodrigues, Nelson. O Beijo no Asfalto. [Brasil, 1961] Out.10 133. Hernandez, JosŽ. El Gaucho Martin Fierro. [Argentina, 1872] Out.9 (TulBib) 132. Caminha, Adolfo. O Bom-Crioulo. [Brasil, 1895] Out.131. Caminha, Adolfo. No Pa’s dos Ianques. [Brasil, 1894] Out. (TulBib) 130. Mendes, Leonardo. O Retrato do Imperador. Negocia�‹o, Sexualidade e Romance Naturalista no Brasil. [Brasil, 2000] Out. (TulBib) 129. Azevedo, S‰nzio. Adolfo Caminha, Vida e Obra. [Brasil, 1999] Out. (TulBib) 128. Nuez, Ivan de la. La Balsa Perpetua. Soledad y Conexiones de la Cultura Cubana. [Cuba, 1998] Out. (TulBib) 127. Borges, Jorge Luis. El Aleph. [Argentina, 1949] Set. 126. Smorkaloff, Pamela Maria. (org) Cuban Writers On and Off the Island. Contemporary Narrative Fiction. [EUA, 1999] Set. (TulBib) 125. Bueno, Salvador. (org) Costumbristas Cubanos del Siglo XIX. [Cuba, 1800-1900] Set. (TulBib) 124. Fornet, Ambrosio. El Libro en Cuba. [Cuba, 1994] Set. 123. De La Torriente, Lol—. La Habana de Cecilia Valdes. Siglo XIX. [Cuba, 1946] Set. (TulBib) 122. Jensen, Larry. Children of COlonial Despotism. Press, Politics and Censure in Cuba, 1790-1840. [EUA, 1988] Set. (TulBib) 121. Artalejo, Lucrecia. La M‡scara y el Mara–on. La Identidad Nacional Cubana. [EUA, 1991] Set. (TulBib) 120. Smorkaloff, Pamela Maria. Readers and Writers in Cuba. A Social History of Print Culture, 1830s-1990s. [EUA, 1997] Set. (TulBib) 119. Rojas, Rafael. Un Banquete Can—nico. [Cuba, 2000] Set. (TulBib) 118. Borges, Jorge Luis. Ficciones. [Argentina, 1941] Set 117. Cabrera Infante, Guillermo. Tres Tigres Tristes. [Cuba, 1967] Set. (TulBib) 116. Borges, Jorge Luis. Historia de la Eternidad. [Argentina, 1936] Set. (TulBib) 115. Dias Gomes, Alfredo. O Pagador de Promessas. [Brasil, 1960] Set. 114. Arenas, Reinaldo. El Portero. [Cuba, 1990] Set. (TulBib) 113. Borges, Jorge Luis. Historia Universal de la Infamia. [Argentina, 1935] Set. 112. Barash, David & Judith Eve Lipton. The Myth of Monogamy. Fidelity and Infidelity in Animals and People. [EUA, 2001] Set. 111. Borges, Jorge Luis. Fervor de Buenos Aires. [Argentina, 1923] Ago.30 (TulBib) 110. Borges, Jorge Luis. Luna de Enfrente. [Argentina, 1925] Ago.30 (TulBib) 109. Borges, Jorge Luis. Cuaderno San Mart’n. [Argentina, 1925] Ago.30 (TulBib) 108. Borges, Jorge Luis. Discusi—n. [Argentina, 1932] Ago.30 (TulBib) 107. Castro, Ruy. O Anjo Pornogr‡fico. A Vida de Nelson Rodrigues. [Brasil, 1992] Ago. (TulBib) 106. Rodrigues, Nelson. Vestido de Noiva. [Brasil, 1941] Ago. (TulBib) 105. Mankell, Henning. Side-Tracked. [SuŽcia, 1995] Ago. 104. Garcia-Roza, Luiz Alfredo. Berenice Procura. [Brasil, 2005] Ago. 103. Carri—n, Miguel de. Las Honradas. [Cuba, 1919] Ago.- 102. Garcia-Roza, Luiz Alfredo. Espinosa sem Sa’da. [Brasil, 2006] Ago.11 101. Rowling, J.K. Harry Potter and the Deathly Hallows. [Reino Unido, 2007] Jul.21-22 100. Diamond, Jared. Colapso. Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso. [EUA, 2005] Jun. 99. Collazo, Miguel. El Arco de Belen. [Cuba, 1975] Jun.25 98. Collazo, Miguel. Onoloria. [Cuba, 1973] Jun.25 97. Cairo, Ana. BembŽ para Cimarrones. [Cuba, 2005] Jun.25 96. Nov‡s Calvo, Lino. Pedro Blanco, El Negrero. [Cuba, 1933] Jun.24-25 95. Leante, Cesar. Los Guerrilleros Negros. [Cuba, 1975] Jun.22-23 94. Heredia, Nicol‡s. Un Hombre de Negocios. [Cuba, 1881] Jun.21 93. Palma, Ramon de. El Colera en la Habana. [Cuba, ] Jun.18- 92. Medina, Trist‡n Jesus de. Mozart Ensayando su Requien. [Cuba, 1881] Jun.20 91. Ramos, JosŽ Antonio. Caniqu’. [Cuba, 1936] Jun.18-20 90. Gonzalez, Reynaldo. Contradanzas y Latigazos. [Cuba, 1983] Jun.17-19 89. Padura Fuentes, Leonardo. La Novela de Mi Vida. [Cuba, 2001] Jun.17-19 88. Barnet, Miguel. Canci—n de Rachel. [Cuba, 1969] Jun.16-17 87. Palma, Ramon de. Una Pascua en San Marcos. [Cuba, ] Jun.14 86. Gonzalez del Valle, JosŽ Zacarias. La Vida Liter‡ria en Cuba. (1836-1840) [Cuba, 1840] Jun.14 (BNJM) 85. Meza, Ram—n. Carmela. [Cuba, 1887] Jun.12-14 84. Lizaso, Felix. Domingo del Monte: Origen y Formacion. [Cuba, 1947] Jun.11 (BNJM) 83. Soto Paz, Rafael. La Falsa Cubanidad de Saco, Luz y Del Monte. [Cuba, 1941] Jun.11 (BNJM) 82. Villaverde, Cirilo. Cecilia Valdes. 2» Vers‹o. [Cuba, 1839] Jun.11 (BNJM) 81. Barnet, Miguel. Biografia de un Cimarr—n. [Cuba, 1966] Jun.9-20 80. Meza, Ram—n. Mi Tio, El Empleado. [Cuba, 1887] Jun.9-11. 79. Sosa, Enrique. La Economia en la Novela Cubana del Siglo XIX. [Cuba, 1978] Jun.6 (BNJM) 78. Padura Fuentes, Leonardo. Adios, Hemingway & La Cola de La Serpiente. [Cuba, 2000] Jun.8 77. Villaverde, Cirilo. El Guajiro. [Cuba, 1842] Jun.4-8 76. Villaverde, Cirilo. Cecilia Valdes. 1» Vers‹o. [Cuba, 1839] Jun.2 75. Villaverde, Cirilo. Di‡rio del Rancheador. [Cuba, 1843] Jun.1-8. 74. Portuondo, JosŽ Antonio. (org.) Hist—ria de La Literatura Cubana. Tomo I. La Colonia: Desde los Origenes hasta 1898. [Cuba, 2002] Mai.30-Jun.3 73. Morillas, Pedro JosŽ. El Ranchador. [Cuba, 1839] Mai.30 72. GuillŽn, Nicol‡s. Del Alto Norte El P‡jaro Sangriento. [Cuba, c.1930-1960] Mai.28 71. Calcagno, Francisco. Romualdo, Uno de Tantos. [Cuba, 1869] Mai.27-28 70. Carpentier, Alejo. Tientos y Diferencias. [Cuba, 1974] Presente da Isabel 69. Bremer, Fredrika. Cartas Desde Cuba. [SuŽcia, c.1850] Maio. Presente da Isabel. 68. Baker, Christopher. Cuba. [EUA, 1996] Maio. 67. Doggett, Scott et al. Lonely Planet Havana. Revolution, Rumba & Rum.[Reino Unido, 2004] Maio. 66. McAuslan, Fiona et al. The Rough Guide to Cuba. [Reino Unido, 2006] Maio. 65. Simenon, Georges. Maigret Right and Wrong. [Fran�a, 1958] Maio. 64. Ortiz, Fernando. Contrapunteo Cubano del Tabaco y el Azucar. [Cuba, 1940] Maio. (TulBib) 63. Ribeiro, Albano Martins. Os Melhores (E TambŽm Alguns dos Piores) Textos de Branco Leone. [Brasil, 2007] Abr. 62. Lindsay, Jeff. Dearly Devoted Dexter. [EUA, 2005] Abr. 61. Sarduy, Pedro Perez. Las Criadas de Habana. [Cuba, 2002] Mai. (TulBib.)
60. Fuentes, Leonardo Padura. La Neblina del Ayer. [Cuba, 2005] Mai. (TulBib.)
59. Callado, Antonio. Bar Don Juan. [Brasil, 1974] Abr. (TulBib.) 58. Becker, Gavin de. Fear Less: Real Truth About Risk, Safety, and Security in a Time of Terrorism. [EUA, 2002] Abr. 57. Farias, Za’ra Ary. Domesticidade: "Cativeiro" Feminino? [Brasil, 1983] Abr. ILL 56. Zizek, Slavoj. How to Read Lacan [Eslov�nia, 2007] Abr. 55. Chomsky, Aviva, ed. The Cuba Reader. History, Culture & Politics. [EUA, 2003] Abr.- 54. Fuentes, Leonardo Padura. Paisaje de Oto–o. [Cuba, 1999] Abr. (TulBib.) 53. Gutierrez, Pedro Juan. Trilogia Suja de Havana. [Cuba, 1998] Abr. (TulBib.) 52. Azevedo, Alu’sio. A Condessa VŽsper. [Brasil, 1882] Abr. (TulBib) 51. BerubŽ, Michael. What's Liberal About the Liberal Arts? Classroom Politics and "Bias" in the Classroom. [EUA, 2006] Emp.Id. Abr. 50. Chalhoub, Sidney. Machado de Assis, Historiador. [Brasil, 2003] (ILL) Mar.- 49. Kaufman, Tania. A Aventura de Ser Dona-de-Casa. (Dona-de-Casa x Empregada) Um Assunto SŽrio Visto com Bom Humor. [Brasil, 1975] (ILL) Mar. 48. Fran�a, Jean Marcel Carvalho. Imagens do Negro na Literatura Brasileira (1584-1890). [Brasil, 1998] (ILL) Mar. 47. Conforto, Mar’lia. Faces da Personagem Escrava. [Brasil, 2001] (ILL) Mar. 46. Weil, Simone. Simone Weil. An Anthology. [Fran�a, c.1940] Mar.16-18 (TulBib.) 45. Weil, Simone. Opression and Liberty. [Fran�a, c.1935] Mar.15-16 (TulBib.) 44. Costa, Fernando Braga. Homens Invis’veis. Relatos de uma Humilha�‹o Social. [Brasil, 2004] Mar.14-18 (TulBib.) 43. Biajoni, Luiz. Virginia Berlim. [Brasil, 2007] Mar. 42. Matory, J. Lorand. Black Atlantic Religion: Tradition, Transnationalism, and Matriarchy in the Afro-Brazilian Candomble. [EUA, 2005] Mar. 41. Fraginals, Manuel Moreno. Cuba/Espa‹na, Espa–a/Cuba. Hist—ria Comun. [Cuba, 1995] Mar.15- 40. Fuentes, Leonardo Padura. M‡scaras. [Cuba, 1997] Mar. (TulBib.) 39. Fuentes, Leonardo Padura. Vientos de Cuaresma. [Cuba, 1994] Mar. (TulBib.) 38. Fuentes, Leonardo Padura. Pasado Perfecto. [Cuba, 1993] Mar. (TulBib.) 37. Carpentier, Alejo. Ecue-Yamba-î. [Cuba, 1933] Mar. (TulBib.) 36. Horkheimer, Max e Theodor Adorno. Dialectic of Enlightenment. Philosophical Fragments. [Alemanha, 1944] Fev.- (TulBib) 35. Santos, Ely Souto dos. As DomŽsticas. Um Estudo Interdisciplinar da Realidade Social, Pol’tica, Econ™mica e Jur’dica. [Brasil, 1983] Fev. (TulBib) 34. GutiŽrrez, Ana. Se Necesita Muchacha. [Peru, 1973] Fev.- (TulBib) 33. Lindsay, Jeff. Darkly Dreaming Dexter. Fev.13 [EUA, 2004]32. Bechdel, Alison. Fun Home. A Family Tragicomic. Fev. [EUA, 2006] 31. Cowley, Robert. (ed) What If? The World's Foremost Military Historians Imagine What Might Have Been. [EUA, 1999] Fev. Emp. Roberto 30. Su‡rez y Romero, Anselmo. Francisco. El Ingenio o Las Delicias del Campo. [Cuba, 1838] Fev. (TulBib) 29. Chapeaux, Pedro Deschamps. El Negro en el Periodismo Cubano en el Siglo XIX. [Cuba, 1963] Fev. (TulBib) 28. Zambrana, Antonio. El Negro Francisco. Novela de Costumbres Cubanas. [Cuba, 1873] Fev.16 (TulBib) 27. Lajolo, Marisa e Regina Zilberman. A Leitura Rarefeita. Livro e Literatura no Brasil. [Brasil, 1991] Fev.23 (TulBib) 26. Lajolo, Marisa e Regina Zilberman. A Forma�‹o da Leitura no Brasil. [Brasil, 1996] Fev.24 (TulBib) 25. Zilberman, Regina. EstŽtica da Recep�‹o e Hist—ria da Literatura. [Brasil, 1989] Fev.22 (TulBib) 24. Saraiva, Antonio JosŽ. Inicia�‹o ˆ Literatura Portuguesa. [Portugal, 1949] Jan. (presente) 23. Zizek, Slavoj. Eles N‹o Sabem o que Fazem: o Sublime Objeto da Ideologia. [Eslov�nia, 1989] Fev. (Emprestado do Idelber) 22. Zizek, Slavoj. Bem Vindo ao Deserto do Real. [Eslov�nia, 2002] Fev. (Emprestado do Idelber) 21. Kofes, Suely. Mulher, Mulheres: Identidade, Diferen�a e Desigualdade na Rela�‹o entre Patroas e Empregadas. [Brasil, 2001] Fev. (TulBib) 20. Marina W. N‹o Sou Uma S—: O Di‡rio de uma Bipolar. [Brasil, 2006] Jan. 19. Dias, Antonio Gon�alves. Primeiros Cantos. [Brasil, 1846] Jan. (TulBib) 18. Noll, Jo‹o Gilberto. Hotel Atl‰ntico. [Brasil, 1989] Jan. (TulBib) 17. Telles, Lygia Fagundes. As Meninas. [Brasil, 1973] Jan. (TulBib) 16. Cam›es, Luis Vaz de. Os Lus’adas. [Portugal, 1572] Jan. 15. Vieira, Antonio. Serm‹o da SexagŽsima. Serm‹o pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as da Holanda. [Brasil, sŽc.XVII] Jan. (TulBib) 14. Jo‹o do Rio. A Profiss‹o de Jacques Pedreira. [Brasil, 1911] Jan. (TulBib) 13. Galv‹o, Patr’cia. Parque Industrial. [Brasil, 1933] Jan. (TulBib) 12. Lispector, Clarice. A Paix‹o Segundo G.H. [Brasil, 1964] Jan. 11. Callado, Antonio. Quarup. [Brasil, 1968] Jan. (TulBib) 10. Drummond, Roberto. Sangue de Coca Cola. [Brasil, 1980] Jan. 9. Saramago, JosŽ. A Jangada de Pedra. [Portugal, 1986] Jan. 8. C‰ndido, Antonio. Literatura e Sociedade. [Brasil, 1973] Jan. 7. Barbosa, Fernando Cordeiro. Trabalho e Resid�ncia. Estudo das Ocupa�›es de Empregada DomŽstica e Empregado de Edif’cio a Partir de Migrantes Nordestinos. [Brasil, 2000] Jan. (TulBib) 6. Reis, Maria Firmino dos. òrsula. [Brasil, 1859] Jan. 5. Lee, James F. et al. Making Communicative Language Teaching Happen. [EUA, 2003] Jan. 4. Gama, Bas’lio da. O Uraguai. [Brasil, c.1769] Jan.4 3. King, Stephen. Cell. [EUA, 2006] Dez.30- (audio) 2. Jameson, Fredric. P—s-Modernismo: a L—gica Cultural do Capitalismo Tardio. [EUA, 1990] Dez.29-Jan. (PucBib) 1. Veloso, Caetano. Verdade Tropical. [Brasil, 1997] Dez.26-Jan. (PucBib)
8129 Panola St, New Orleans, LA, 70118, msn, tel, email
Ao me enviar email ou comentar no LLL, voc� est‡ automaticamente permitindo que eu publique sua mensagem no blog, inclusive com seu nome e endere�o. Pense bem.
|