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Sunday, February 29, 2004
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Sejam Grandes!: Dando o Braço a Torcer em Público
Quando escrevi sobre a Escola Urbana, muita gente caiu de pau em cima de mim.
As pessoas têm medo de crítica. Como não querem ser criticadas, tentam interferir com o seu direito de criticar os outros, pra não serem as próximas. Os comentários foram variados, com três vertentes básicas: 1) pra que criticar?, deixa pra lá... 2) quem é você pra criticar? e 3) você está é com inveja!
Tenho um artigo grande, já rascunhado, sobre toda essa questão do medo da crítica e do direito de criticar. Daqui a pouco publico.
Entretanto, quem mais me irritou nessa história toda foi o Mané Goiaba, que inclusive foi comentar sobre essa minha pretensa inveja em outros blogs. Fiquei puto e tirei o meu link pra ele, ainda mais que ele nunca tinha tido a gentileza de me linkar de volta.
Ai, ai. Mas não sou eu que digo pra vocês serem grandes? Pois vou ser também. Dou o braço a torcer em público.
Como já falei em outras ocasiões, a coluna da esquerda, aqui ao lado, nada mais é do que a minha lista pessoal de favoritos. Os links estão ali, acima de tudo, pra facilitar o meu acesso a eles. Os Blogs Favoritos são, realmente, os blogs que visito todos os dias e os outros, com muita freqüência.
Quando me peguei, pela segunda vez, digitando a URL do blog do Mané no meu navegador, só porque o link não estava mais na coluna, fiz um mea culpa e descobri que estava sendo pirracento. Mesquinho. Pequeno.
Minha opinião pessoal sobre o Mané não vem ao caso. Além dos comentários venenosos pelas costas, também foi ele que me ofereceu a treta pra limar banners que motivou o artigo Blogs Gratuitos: Ética vs Estética.
Independente disso tudo, o blog dele é muito útil. Time to put my money where my mouth is.
Enfim, eu poderia ter colocado o link de volta na encolha, mas isso não faria o meu estilo. Como respondi ao Saint-Clair, um dos objetivos desse blog é auto-exposição. Ser grande não significa ter que dar satisfações aos outros, mas inclui fazer as coisas abertamente, sob o escrutínio de todos, sem medo das conseqüências.
Então aí está.
Mané Goiaba Sempre Alerta
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Ciúmes
Tira La Vie en Rose, de Adão Iturrusgarai, publicada ontem na FSP. Veja essa e outras imagens lá no fotolog.
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Da Série Leitores Satisfeitos:
As Contradições das Pessoas
 A Krika, do blog Kuka da Krika, leu o meu romance e reparou algumas contradições interessantes:
"Achei legal você brincar com as contradições das pessoas, como dizerem que são ateus e praticarem ritos religiosos, e até justificarem isso como brasilidade, ou mudarem de opinião, tomando atitudes diferentes diante da mesma situação, como no caso do suicídio só por ter ou não afinidade com o suicida.
E, também explorou bem a rivalidade feminina. Ela existe sob forma de amizade ou tolerância como foi colocado no texto. O que me deixa curiosa, onde você aprendeu tanto sobre o universo feminino? Você realmente se preocupou em entender esse universo, ou usou apenas de ironia?"
Krika, adorei você ter reparado as contradições. A vida é assim mesmo. Eu também sou cheio de ideais e teorias, mas não há ideal ou teoria que sobreviva a uma boa pancada de realidade. A gente sempre tem que conciliar.
Quanto às mulheres, eu sou meio mulherzinha mesmo. Nunca tive grandes amigos homens. Passei a vida cercado de mulheres. Na adolescência, todas minhas amigas e confidentes eram meninas. O grupo no qual eu andava era eu e outras sete amigas, que eu ainda amo até hoje.
Acho que está no sangue.
E você, que gosta desse blog, vem aqui sempre, mas ainda não leu o romance, não acha que já está na hora, não? Você pode fazer o download em versão para imprimir ou para ler na tela.
Saturday, February 28, 2004
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O Dever do Colunista: Artigo Reescrito a Pedidos
A Violetinha é marxista demais pro meu gosto, gosta de cavalgaduras como Bordieu e usa palavras como "opressores" e "burguesia", mas ela ainda assim é foda e teve uma certa razão em suas críticas. Eu fiz um texto sobre o dever do escritor quando, na verdade, eu queria dizer dever do colunista ou do cronista, um tipo bem específico de escritor. Por isso, reescrevi o texto, mudando não só isso, mas outras coisas. Realmente, escritor é um conceito mais amplo, mas também não acho que escritor tenha que ser politizado, ou que tenha que "denunciar opressões e opressores", mas essa é outra conversa. Se quiserem comparar a revisão, leiam o artigo original.
Às vezes, os leitores parecem não se dar conta do que é o trabalho de um colunista.
O leitor Augusto Vindeiro escreveu o seguinte sobre a minha coluna de 20 de fevereiro, Em Defesa do Monopólio, onde aponto alguns pontos positivos do monopólio que a Microsoft exerce no mercado de informática:
"A impressão que eu tenho é que, todos os dias, o nosso amigo Alexandre faz para si mesmo duas perguntas: 1) Qual questão representa um consenso atualmente? e 2) Qual argumento eu posso desenterrar, para tentar ir contra o senso comum, para conseguir criar uma polêmica e parecer um gênio? Acho o Alexandre um cara extremamente inteligente e com uma sensibilidade absurda. Pena que ele coloque essas duas qualidades em segundo plano, diante da sua necessidade de criar um show."
Caríssimo Augusto, não é nem que eu tenha vindo do Mundo Bizarro e todas as minhas opiniões sejam o contrário do senso comum e muito menos que eu adoro tanto criar um show que eu precise forçar uma barra e escrever sobre coisas que não são necessariamente minha opinião.
Mas, para prender meu leitor e merecer meu pão, eu preciso preencher essa coluna semanalmente com assuntos interessantes e instigantes.
Quando mataram a Liana e o Felipe, boa parte dos colunistas da grande imprensa não teve pudor algum em somente repetir o blá-blá-blá do senso comum. Cadê o profissionalismo dessa gente? Qual a graça de repisar chão pisado?
Não há nada de errado em termos uma reação "comum" a uma tragédia. Você pensa que é um absurdo, você pensa que o matador tinha apenas dezesseis anos, pensa que ele vai sair em três, pensa "que mundo é esse, meu deus?!", etc. Isso é normal. Em relação a 95% das coisas que acontecem, eu também não tenho nada a dizer, ou, pelo menos, nada de diferente.
Mas um colunista tem obrigação de oferecer algo novo. Pode ser tanto uma informação nova (um fato que o leitor não sabia) ou uma opinião nova (algum ângulo inesperado que não ocorreu ao leitor).
Negligência e incompetência é estarem todos os leitores pensando no absurdo insensato que é a morte desses dois jovens e o colunista sentar pra escrever... sobre o absurdo insensato que é a morte desses dois jovens!
Isso vai acrescentar alguma coisa aos seus leitores? Nada. Nadinha. Eles vão balançar a cabeça, vão pensar (pensar?) que esse mundo está mesmo indo pro buraco e lá se vai o jornal forrar a gaiola do passarinho.
Se eu acho um absurdo insensato terem matado esses dois jovens e olho em volta e vejo todo mundo também achando isso um absurdo insensato, eu concluo que o mundo não precisa de mais uma pessoa fazendo tsc tsc e balançando a cabeça. Melhor ficar calado e ir garimpar assunto pra minha próxima coluna noutro lugar.
Se eu olho em volto e vejo todo mundo malhando o monopólio da Microsoft e descubro uma vantagem desse monopólio que pouca gente percebe, aí sim me vejo na obrigação de escrever sobre isso. Não para convencer ninguém, pois não estou aqui pra botar azeitona na empada dos outros, mas somente para mostrar uma nova perspectiva.
Você, Augusto, que me acha inteligente e sensível, queria me ver escrevendo sobre o quê? Que pobreza é ruim e distribuição de renda é bom? Que foi um absurdo fazerem os velhinhos de noventa anos entrarem na fila, que o Waldomiro é um escroque e que a Guerra no Iraque foi uma fraude?
Por que perder o meu tempo, e o de vocês, nessas platitudes?
Quem quiser balançar a cabeça e confirmar o que já sabia que vá pastar noutras paragens. Aqui não tem capim-com-arroz.
Meu compromisso é tentar sempre mexer com suas cabecinhas, chacoalhar suas idéias feitas, chutar as bases dos seus preconceitos.
Que me leiam por sua conta e risco.
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A Treta Redimida
Eu sabia que essa história da Antonela nua ainda ia me trazer benefícios reais, ao invés de apenas um aumento inócuo nos pageviews.
Vejam esse post que encontrei hoje no blog Weirdo's Lazy Life:
"Achei um link de um blog divertidíssimo, com ótimos textos. Pertence a um jornalista da Tribuna da Imprensa chamado Alexandre Cruz Almeida. Encontrei o blog na minha diária dose de pornografia, ao procurar pelas novas fotos da loira gostosa do Bigue bródi. Resultado: boa leitura e nada de pornografia. Mas valeu a pena! Talvez, quando me organizar nessa troca idiota de CPUs aqui na caixa, adicione ele aos links e retire o do finado blog do Vlad."
Quer dizer, ainda há esperanças.
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Elementos Agregadores da Comunidade
Em outras palavras, vira-latas. Adorei.
Deu no Globo de hoje, coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos:
"Sarnas de Cesar
A Secretaria de Defesa dos Animais não recolherá mais cães e gatos de rua, agora convertidos, por decreto de Cesar Maia, em “animais comunitários”. “Se sobrevivem na rua são, de alguma forma, cuidados. Dormem na garagem de um, comem no açougue de outro. Pertencem à comunidade e são elementos agregadores dela”, diz a secretária Maria Lúcia Frota. “Ganharão coleira e registro. Começamos segunda-feira por Irajá.”
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O Dever do Escritor
O leitor Augusto Vindeiro escreveu o seguinte sobre a minha coluna de 20 de fevereiro, Em Defesa do Monopólio:
"A impressão que eu tenho é que, todos os dias, após o trabalho, o nosso amigo Alexandre chega em casa e faz para si mesmo duas perguntas:
1) Qual questão representa um consenso atualmente?
2) Qual argumento eu posso desenterrar, para tentar ir contra o senso comum, para conseguir criar uma polêmica e parecer um gênio?
Acho o Alexandre um cara extremamente inteligênte e com uma sensibilidade absurda. Pena que ele coloque essas duas qualidades em segundo plano, diante da sua necessidade de criar um show."
Caríssimo Augusto, muita gente já veio me dizer isso gritando e nem respondi. Mas você foi educado, então lá vai.
Acho que as pessoas não se dão conta do que é o trabalho de um escritor e/ou colunista e/ou jornalista e/ou blogueiro.
Não é nem que eu tenha vindo do Mundo Bizarro e todas as minhas opiniões sejam o contrário do senso comum e muito menos que eu adoro tanto criar um show que eu precise forçar uma barra e escrever sobre coisas que não são necessariamente minha opinião.
Graças a deus, não sou intelectual, então não me vejo na obrigação de ser inteligente ou mesmo lógico. Sou escritor e sempre encarei esse blog profissionalmente. Esse espaço é minha coluna diária, que preciso preencher com assuntos interessantes e instigantes todos os dias, para prender meu leitor e merecer meu pão.
Quando mataram a Liana e o Felipe, eu fiz um desabafo:
"Não é problema algum você ter uma reação, digamos, comum à uma tragédia. Você pensa que é um absurdo, você pensa que o matador tinha só 16 anos, pensa que ele vai sair em 3 anos, pensa que mundo é esse, etc. Isso é normal. Em relação a 95% das coisas que acontecem, eu não tenho nada a dizer, ou, no mínimo, nada de novo.
O que me deixa chocado é a enorme quantidade de jornalistas profissionais, colunistas e afins, que não tem nenhum pudor em repetir o blá-blá-blá do senso comum. Cadê o profissionalismo dessas pessoas? Qual a graça de repisar chão pisado?"
Um escritor, ou colunista, tem a responsabilidade de oferecer algo de novo ao seu leitor. Pode ser tanto uma informação nova (algum fato que o leitor não sabia) ou uma opinião nova ( algum ângulo inesperado, uma interpretação que não ocorreu ao leitor).
Negligência e incompetência é estarem todos os leitores pensando no absurdo insensato que é a morte desses dois jovens e o colunista sentar pra escrever... sobre o absurdo insensato que é a morte desses dois jovens!
Isso vai acrescentar alguma coisa aos seus leitores? Nada. Nadinha. Eles vão balançar a cabeça, vão pensar (pensar?) que esse mundo está mesmo indo pro buraco e lá se vai o jornal forrar a gaiola do passarinho.
Se eu acho um absurdo insensato terem matado esses dois jovens e olho em volta e vejo todo mundo também achando isso um absurdo insensato, eu concluo que o mundo não precisa de mais uma pessoa fazendo tsc tsc e balançando a cabeça. Melhor ficar calado.
Se eu olho em volto e vejo todo mundo malhando o monopólio da Microsoft e descubro uma vantagem desse monopólio que pouca gente percebe, aí sim me acho na obrigação de escrever sobre isso. Não para convencer ninguém, pois não estou aqui pra botar azeitona na empada dos outros, mas somente para mostrar uma nova perspectiva.
Você, Augusto, que me acha inteligente e sensível, queria me ver escrevendo sobre o quê? Que pobreza é ruim e distribuição de renda é bom? Que foi um absurdo fazerem os velhinhos de 90 anos entrarem na fila, que o Sérgio Naya é um bandido e que a Guerra no Iraque foi uma fraude?
Por que perder o meu tempo, e o de vocês, nessas platitudes?
Quem quiser balançar a cabeça e confirmar o que já sabia que vá pastar noutras paragens. Aqui não tem capim-com-arroz.
Meu compromisso é tentar sempre mexer com suas cabecinhas, chacoalhar suas idéias feitas, chutar as bases dos seus preconceitos.
Que me leiam por sua conta e risco.
Friday, February 27, 2004
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Novo Update da Coluna da Esquerda
Blog de honra: Von Martius.
Blog preferido, direto pras cabeças: Carreira Solo, do publicitário e redator Mauro Amaral.
Blog de Humor: Leite de Pato, de Adaílton Persegonha.
Blogs amigos: Trip Session, Espécie Duma Coisa Qualquer, Contracena, Paraphernalia Pop, Weirdo's Lazy Life, O Filho da Vaca, Spaghetti alla Puttanesca, Diário Secreto Meu, Nada É Tão Ruim que Não Possa Piorar e ZeroK v.2.
Site interessante: Top Links.
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Blogs Limados
Os seguintes blogs foram limados da coluna da esquerda:
Santo de Casa, Eu Já, Crônica Literária, Palpiteira, Bacterium, Burburinho, À Procura de um Mundo Laranja, Garotonas, Histeria na Pólis, O Lau que Ninguém Conhece, Perséfone, Ene Coisas, Carpe Diem, Total Apathy, Bengelsdorff, Quem Se Importa?, Palavras ao Acaso, Mural de Recados, Mude, Clicktoris, Dela, Não Meu, Um Certo Diogo Mainardi, 700km, Home Alone, A Vida da Leoa, Mundo Estranho, Being Boring, Escala-Estantes, Memória Inventada, JotaSite, Zadig, FDR e Humanistas
Nada pessoal. Os motivos foram técnicos: estavam fora do ar, pareciam abandonados, não linkavam pra mim, etc. Além disso, eu precisava liberar espaço.
Se você é dono de algum desses blogs e quiser voltar a ser linkado, basta falar comigo.
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Link É Coisa Séria
Trabalho com Internet há muito tempo. Ninguém ganha dinheiro nessa blogosfera, as pessoas podem pelo menos se ajudar. Um blog lava o outro: faço questão absoluta de linkar todo mundo que me linka.
E confesso que acho, no mínimo, falta de educação aqueles sites que eu linko aqui e que não me linkam de volta. Naturalmente, ninguém é obrigado a me linkar. Eu posso gostar do blog da pessoa e ela não gostar do meu. Acontece. Mas, igualmente, eu não sou obrigado a linkar ninguém.
Eu coloco o link aqui e espero. Não fico mendigando. Se o blogueiro tiver a gentileza de retribuir o favor, beleza. Se não, eu decido caso a caso.
Há blogs que gosto tanto que linko mesmo eles não me linkando de volta - mas sob protestos. Exceção para aqueles sites que não tem link nenhum, como o Mudança de Vida, da Francy.
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Mersault e a Argumentação Genial do Promotor
Essa é pra acabar.
O leitor Wellington Lacerda me enviou um email sensacional com uma nova perspectiva sobre o livro que eu não havia considerado:
"Alexandre,
Vc só esqueceu de um detalhezinho... ter ido ao cinema no dia da morte de sua mãe mostra um Mersault frio. Indiferente à vida. Um Mersault que pode ter matado o árabe com a frieza de quem esmaga um inseto. Esta argumentação constrói a imagem do monstro.
O acusado é inocente até que se prove sua culpa. Qualquer dúvida na culpabilidade implica a inocência. Ora, ninguém mata ninguém sem motivo, esse pensamento é absurdo.
O promotor o acusa de ter ido ao cinema por que isso FOI um crime muito maior que ter matado o árabe. Ninguém no juri saberá por que motivos Mersault matou o árabe. O promotor tem de expor os motivos do crime. Não havendo motivo, existe uma dúvida razoável sobre o crime, e Mersault está livre. Porém, se Mersault despreza a vida humana de forma monstruosa, despreza até mesmo a vida de sua própria mãe a ponto de ir ao cinema, então não resta dúvida de que ele pode ter matado o árabe sem motivo nenhum. E aí ele estará condenado pelo crime que efetivamente cometeu.
O que pode parecer uma argumentação distorcida, na verdade é uma argumentação genial do promotor e uma crítica fabulosa ao sistema.
Wellington"
Rapaz, adorei. Você é advogado?
Leia o meu artigo que deu origem à polêmica, O Golpe de Mersault.
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Calça Justa, do Elas por Elas:
A Questão da Privada Mantido pelas jornalistas Mariana e Isadora, o Elas por Elas é um blog delicioso sobre comportamento: sobre aquelas histórias deliciosas dos encontros e desencontros de homens e mulheres.
Toda sexta-feira, o Clube da Luluzinha abre suas portas aos machos: é o Calça Justa, onde homens selecionados têm direito à palavra uma vez por semana.
Essa sexta, o macho da vez sou eu, com um texto que escrevi especialmente para as meninas, sobre a polêmica questão da privada. Afinal, como funciona isso? As mulheres querem que a gente abaixe a tampa, ou levante a tampa, ou ambos?!
Quero saber o que vocês acham.
O bom do Elas por Elas é que a mulherada comenta mesmo, os comentários ficam pegando fogo! Vão lá, leiam e dêem sua opinião.
Se você gosta do Liberal Libertário Libertino, tem que conhecer o Elas por Elas.
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Minha Coluna na Tribuna:
O Custo da Estagnação Leia, hoje, na minha coluna:
O Custo da Estagnação
Semana passada falei sobre algo que poucas pessoas se dão conta: o lado bom do monopólio da Microsoft.
 Naturalmente, por mais que existam ocasionais lados bons, não há como retorcer a questão: monopólios como esse são extremamente nocivos, tanto para o consumidor, quanto para a sociedade quanto para outras empresas.
* * *
Muito antes dos portugueses pensarem em sair ao alto-mar, o mundo já vivera uma Era das Grandes Navegações. Almirantes chineses exploraram os Oceanos Pacífico e Índico, o Mar Vermelho e o Mar Arábico e chegaram até a costa leste da África, promovendo o comércio e fazendo contatos diplomáticos.
No século XV, cinqüenta anos antes de Vasco da Gama, a China, unificada sob o comando dos imperadores Ming, era a maior entidade política independente do mundo e a mais poderosa. Somente mais alguns anos dessa agressiva política naval e os chineses teriam dobrado o Cabo da Boa Esperança: sabe lá o que seria da América hoje.
A unidade da China foi sua queda. Bastou um conselheiro mais influente, um imperador mais vacilante e um lobby mais bem conduzido que, com uma só canetada, a Era das Grandes Navegações chinesas foi encerrada. Chegou-se ao extremo de impor pena de morte a quem construísse navios de alto-mar. Em pouco tempo, o conhecimento naval foi perdido.
Por decisão e poder de um único homem, a China se voltou para dentro.
* * *
Poucos anos depois, apareceram os portugueses e tomaram conta daqueles mares, praticamente sem encontrar oposição alguma. Durante esse processo, levaram armas de fogos às terras que visitavam.
Os japoneses, a princípio, até gostaram da idéia, mas aí descobriram que aqueles brinquedinhos permitiam que qualquer plantador de arroz matasse, à distância e sem risco, o mais nobre e honrado dos samurais.
Em pouco tempo, o uso e a fabricação de armas de fogo foi proibido em todo o arquipélago. Pelos próximos séculos, enquanto o resto do mundo se queimava em pólvora, o Japão continuou o paraíso das espadas
* * *
Os cavaleiros medievais da Europa também consideraram as armas de fogo anti-esportivas e revolucionárias. Muitos reis e aristocratas simplesmente se recusaram a usá-las. Leis como as do Japão foram passadas em vários reinos europeus.
Ênfase na palavra "reinos", plural de "reino".
A Europa era um continente em polvorosa, formado por centenas de pequenos países, reinos, condados, cidades-estado e repúblicas em eterna guerra uns contra os outros.
Os nobres bem que tentaram fechar a caixa de Pandora mas, em um continente tão competitivo, bastava que um malandro não aderisse ao boicote para obter uma vantagem competitiva insuportável sobre os outros. Por fim, todos foram obrigados a ceder.
* * *
Não parece, mas tudo isso foi pra falar da Microsoft.
Quase todo mundo julga que a China já ser um império unificado e independente quando os europeus ainda pintavam paredes de caverna era uma grande vantagem.
Em termos de paz e prosperidade, eu até concordo. Mas em termos de progresso científico e material, não.
Na Europa politicamente pulverizada e imersa em guerras, a disseminação de novos conhecimentos e novas tecnologias era incontrolável. Na China pacífica e unificada, qualquer capricho do imperador poderia mudar para sempre a história do mundo.
* * *
Apesar das vantagens de um mercado de informática monopolizado, a estagnação é inevitável.
Por mais que a Microsoft tente investir em pesquisas e em novas tecnologias, e acredito que tente, ela ainda assim é uma empresa só, com sua cultura, procedimento e preconceito próprios.
Nada que se compare à explosão de criatividade, novas tecnologias e novas soluções que haveria se o mercado de informática fosse mais saudável, se contasse com mais players em pé de igualdade disputando sua hegemonia.
O custo da estagnação é enorme. Não há como imaginar o quão longe já teríamos ido.
* * *
A outra grande fraqueza de um mercado monopolizado é sua baixa resistência imunológica. Mais sobre isso na semana que vem.
Uma versão editada desse texto foi publicada na minha coluna Internet, na Tribuna da Imprensa, no dia 27 de fevereiro de 2004
Thursday, February 26, 2004
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Eu Não Sou Paulista
Sinceramente, tem alguma coisa nesse blog que dá a entender que sou paulista?
Todo dia alguém me pergunta se sou paulista. Pior, todo dia alguém já parte do princípio que sou paulista, como se isso fosse auto-evidente.
Não tenho nada contra os paulistas não. Só queria saber de onde as pessoas estão tirando isso.
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Emails Recebidos Sobre O Estrangeiro
A polêmica continua rendendo. Vejam alguns emails que recebi:
De Cláudio J. Adas:
"Que texto mais patético!
Quanta bobagem sobre "culpados" x "inocentes". Em que mundo de faz-de-conta você vive, no qual os personagens literários são "bonzinhos" ou "mauzinhos"? Só idiotas terminam a leitura de um livro sentindo "pena" ou "prazer" pelo destino de um personagem, como se estivesse em um daqueles rídiculos programas que simulam um tribunal.
Sua leitura d´"O estrangeiro" tem a profundidade de um pires de plástico. Para o futuro sugiro leituras mais "leves", que não exijam muito de sua cabecinha vazia, acostumada a enxergar o mundo em preto-e-branco."
De Adail Sobral:
"Desculpe-me, Alexandre, mas esta é uma leitura, de cunho puramente ideológico, que empobrece o literário, reduzindo-o a tratado sociológico, e, precisamente, despreza as condições, ideológicas e outras, em que foi produzida. E ainda faz aproximações indevidas. Era melhor a coerência, que o autor propala com também sua, do Bloom e da Paglia.
Aliás, o próprio fato de o autor se defender por antecipação desse modo prova o que digo. Esse impressivismo ideológico deixa de lado toda a questão da arquitetônica da obra, toma o autor como autor concreto, não objetivado na obra, enfim, uma indigência só. Se ele dissesse logo: vou fazer uma leitura tendenciosa, eu aceitaria, mas fazê-la dizendo que não faz é o cúmulo do tendencioso!"
Não entendo o que o Cláudio achou de tão patético no texto. Patética é essa atitude dos leitores. Concordo com ele, nada pior do que leituras ralas de pires de plástico que lêem obras literárias em termos de culpados ou inocentes.
O artigo é justamente pra denunciar esse tipo de atitude. Li O Estrangeiro em uma aula de estudos literários. Todos os alunos, e até o professor, entenderam o livro dessa maneira rala que descrevi.
Meu artigo justamente critica esse tipo de atitude.
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Eu e o Incêndio no Rio Minha empresa tem conta na agência no Banco Real que fica no térreo do edifício em chamas.
Hoje, eu precisava fazer um saque substancial dessa conta pra cobrir um cheque que ia bater em outra conta. Como não queria ir até o centro pra fazer o saque, eu já tinha combinado desde a véspera com a minha gerente que a soma estaria disponível pra mim no Banco Real mais próximo da minha casa.
Pra minha surpresa, acordo essa manhã e meu banco está pegando fogo!
Foi um dos momentos mais embaraçosos da minha vida. Entrei naquele Banco Real, todas as TVs estavam ligadas no incêndio e a moça veio perguntar o que eu queria.
Ahã... Eu vim fazer um saque de muitos mil reais.
Perfeitamente. O senhor é correntista dessa agência?
Não, ahã... Daquela ali...
Ah, então tá.
Deve ter pensado: caramba, não pode nem uma agência pegar fogo que vem logo todo gaiato dizer que tinha milhares de reais depositados lá!
* * *
Última: a CET-Rio passou o dia pedindo para os cariocas evitarem o centro da cidade.
Peraí. Isso aqui virou São Paulo? Desde quando alguém precisa avisar os cariocas para evitar o centro da cidade na quinta-feira depois do carnaval?!
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Ainda O Estrangeiro
O debate está ficando interessante. A Dani se empolgou (como sempre) e também está falando sobre isso no seu blog, fazendo inclusive um apanhado dos melhores comentários daqui.
Acho só importante ressaltar duas coisas.
Sobre Mersault
A no seu blog escreve que a "relação do personagem com sua mãe é de amor e ódio" e que "ele odeia tudo, tudo, (...) tem nojo e horror de tudo que o cerca. Até seu amor por sua pseudo-namorada e os planos e sonhos simples dela são odiosos para ele."
Não poderia discordar mais. Se Mersault tivesse uma relação de amor e ódio com sua mãe, ele seria um filho como qualquer outro. Se Mersault pudesse odiar, ainda haveria salvação.
O problema de Mersault é que ele é moral e psicologicamente anestesiado. Ele não consegue sentir. Ele anda pela vida indiferente a tudo, quase um autista. E isso faz dele isolado e solitário. Digno de pena.
Um perfeito narrador da Escola Urbana.
Sobre O Estrangeiro
As pessoas ficaram com a impressão que não gostei de O Estrangeiro, que é um livro maniqueísta, etc.
Não é verdade. O livro é ótimo.
Não é culpa de Camus Mersault ter gerado milhares de clones que povoam os romances da Escola Urbana até hoje.
Não é culpa de Camus seu livro ser um dos mais mal lidos da história da literatura.
Nada disso tira o valor de O Estrangeiro que, como eu disse, é uma obra imortal, mas apavorante.
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Fotolog
Não espalha, não, mas já desde novembro Liberal Libertário Libertino também é fotolog.
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O Golpe de Mersault
Contém spoilers: não leia se não quiser saber o fim do livro
O Estrangeiro, de Camus (1942), é uma das maiores pegadinhas da história da literatura.
Vamos aos fatos: na Argélia colonial francesa, um homem mata outro por motivo absolutamente fútil. Pior que fútil. Não havia motivo algum. Ele recebe um julgamento justo, é condenado à morte e, depois, executado.
 Nada poderia ser mais straight forward, simples e previsível.
Na verdade, a grande surpresa do enredo acontece depois que o livro é fechado: subitamente, Mersault passa de algoz a herói. 99% dos leitores saem de O Estrangeiro do lado de Mersault, como se ele fosse algum injustiçado, como se ele fosse uma vítima inocente do sistema.
Camus distorce tanto nossa percepção, ficamos tão concentrados nos esforços da promotoria em condenar Mersault não pelo crime, mas por ter ido ao cinema no dia da morte da mãe, que esquecemos que Mersault cometeu, de fato, o crime pelo qual está sendo acusado! O homem é culpadíssimo!
A promotoria pode até ter provado seu caso por vias tortas, usando argumentos que nada tinham a ver com o crime, mas nós, leitores, sabemos que Mersault merece sua punição.
Ou melhor, deveríamos saber, se não caíssemos no conto de Camus.
Uma Leitura Colonialista
Não gosto muito das leituras colonialistas que alguns criticos, à la Edward Said, fazem da literatura. Jogo no time de Harold Bloom e Camille Paglia. Mas, enfim, talvez uma leitura colonialista nos ajude a explicar as causas desse fenômeno.
Podemos especular que Mersault, um branco, só mata o árabe de forma tão fútil, como se ele fosse um inseto, porque, para Mersault, ele era de fato menos que um inseto.
Do mesmo modo, durante o julgamento, o promotor convenientemente ignora os detalhes do crime e se concentra no caráter de Mersault, talvez por saber que, para um júri de brancos franceses, ir ao cinema no dia da morte da mãe é um crime muito pior do que matar um mero árabe.
Tal qual estivesse no júri, o leitor cai na mesma armadilha.
Discordamos do promotor, é verdade - coitadinho do Mersault, condenado por falar a verdade, por não ser hipócrita, etc - mas concordamos com ele em relação a quais são os fatos essenciais do caso. Nós também só colocamos em questão o caráter de Mersault.
Deixamos o promotor desviar nosso olhar do árabe morto na praia e não pensamos mais nele. Jamais, em hora alguma, consideramos o árabe como um ser humano igual a nós, cujo bárbaro e unprovoked homicídio merece uma punição apropriada.
Nós, o júri, a acusação, Mersault, todos relegamos a humanidade da vítima para segundo plano.
O Legado de Mersault
O Estrangeiro é uma obra imortal. Daqui a mil anos, quando os jovens quiserem estudar o que foi o século XX, vão ler Camus. E, pior, vão entender tudo, de Hitler à Guerra Fria.
Pois O Estrangeiro prenuncia e simboliza todo o vazio moral da nossa era.
Uma população tão crédula que se deixe levar por essa narrativa aparentemente inocente, ou tão anestesiada moralmente que se deixe desviar com tanta facilidade da questão fundamental - o homicídio, bem, essa vai ser a população que vai apoiar o nazismo e o comunismo, o macartismo e o golpe de 1964.
Cordeirinhos. Inocentes úteis. Pessoas que estavam só seguindo ordens.
Pior, O Estrangeiro é um dos precursores da maldita Escola Urbana que, ao longo das décadas seguintes, nos legaria Rubem Fonseca, Chico Buarque e Marcelo Mirisola.
Tomara que os alunos do terceiro milênio também leiam Garcia Marquez ou Milan Kundera. Pra ver que nem tudo era desgraça no século XX. Que nem todos caíram no golpe do Mersault.
Links Relacionados
A Escola Urbana
Wednesday, February 25, 2004
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Da Série Leitores Satisfeitos:
Nelson da Praia: "Quando Vi Tinha Lido Tudo"
 O Nelson da Praia, um dos melhores blogueiros desse país, me mandou o seguinte email:
"Confesso que comecei a ler sua novela (permita-me a liberdade terminológica) meio que imbuído de uma obrigação de blog buddy: fazer o quê, né? ele pediu tão educadamente, terminei o serviço mais cedo aqui na agência, não custa dar uma olhadinha nas primeiras páginas...
Quando vi tinha lido tudo. Notável seu senso de ritmo, timing, condução de personagens. Um defeito ou outro que sua novela possa ter ocorreria em qualquer autor consagrado, pode ter certeza. Bola para a frente. Bata na porta, dispare a campainha das editoras. Você merece."
Nelson, esse elogio, vindo de quem vem, é uma delícia de receber. Obrigado.
E você, que gosta desse blog, vem aqui sempre, mas ainda não leu o romance, não acha que já está na hora, não? Você pode fazer o download em versão para imprimir ou para ler na tela.
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Heróis e Vilões
 Já falei aqui sobre o autor como manipulador. Qualquer bom autor sabe fazer seu leitor ir aonde ele bem quiser, como um treinador balançando o osso na frente do cachorro. A good author can get away with anything.
Acho isso especialmente interessante de se reparar nos heróis que não são heróis e nos vilões que não são vilões.
Twister, o Filme
Já repararam que os vilões do filme Twister não fazem nada de malvado? Nada. Nem uma vilaniazinha sequer.
Eles se vestem de preto, dirigem vans pretas e são competitivos. Além disso, seu líder é antipático e metido. Uuu, que medo! Será que vão querer conquistar o mundo?
 Os pretensos vilões são cientistas, assim como os heróis, querendo apenas fazer seu trabalho em prol da ciência.
Única e exclusivamente por causa do modo tendencioso como a história é contada, eles ficam parecendo grandes vilões sem ter feito nada para justificar a fama. Quando morrem (ahã... não seria talvez um castigo grande demais para tão pouca vilania?) ninguém sente pena deles.
Bem feito! Quem mandou se vestir de preto!
Celebridade
Na novela Celebridade, Darlene é do bem e Beatriz é do mal. Por quê? Porque o autor quis, claro. E você caiu.
Darlene é simpática e pobrezinha, mas tem muito mais maldades no seu currículo do que a Beatriz. Por exemplo, sente inveja mortal do sucesso de sua amiga, Jacqueline, uma emoção nada bonita.
Além disso, ter tentado armar um flagrante de adultério só pra se promover, sem pensar que isso iria acabar com o casamento do Nelito e causar muita dor à sua família, já seria considerado uma vilania inaceitável em outras novelas. Maria de Fátima, em Vale Tudo, vilã de carteirinha, nunca desceu tão baixo.
Mas Darlene é tão gente boa que esquecemos com facilidade seus escorregões morais.
E Beatriz? Tudo bem, ela é antipática, rica, mimada e preconceituosa. Vilã!, bradam todos. Pra fogueira com ela! Mas o que ela fez de fato? Beatriz fez alguma maldade contra alguém? Se sim, foi em algum capítulo que perdi.
Apesar de suas falhas de caráter gritantes, Beatriz está apenas tentando salvar seu casamento e recuperar seu marido. Tem ódio da amante do marido, mas quem não teria? Atazana a vida do filho, mas que mãe não atazana?
 Gilberto Braga apresenta positivamente uma personagem que faz as piores maldades para ficar famosa e, pronto, ela vira uma das mocinhas. Por outro lado, apresenta negativamente uma outra que não faz nada de mais e ela se torna vilã.
É lindo ver como o autor manipula os telespectadores ao seu bel-prazer.
Tudo isso é pinto, aliás, perto do que Camus fez em O Estrangeiro.
(amanhã, O Estrangeiro, de Camus, a maior pegadinha da história da literatura...)
Links Relacionados
O Escritor, Esse Manipulador
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Deu no The Onion:
Massachusetts Supreme Court Orders All Citizens to Gay Marry
Alguns destaques:
"As we are all aware, it's simply not possible for gay marriage and heterosexual marriage to co-exist," Massachusetts Chief Justice Margaret H. Marshall said. "Our ruling in November was just the first step toward creating an all-gay Massachusetts."
Marshall added: "Since the allowance of gay marriage undermines heterosexual unions, we decided to work a few steps ahead and strike down opposite-sex unions altogether. Instead of spending months or even years volleying this thing back and forth, we thought we might as well just cut to the eventual outcome of our decision to allow gay marriages," Marshall said. "Clearly, this is where this all was headed anyway."
Without the order, Rep. Michael Festa said the vote, and his personally dreaded wedding to House Speaker and longtime political opponent Thomas Finneran, would be delayed.
"This is a victory, not only for our state, but for America," Festa said. "Simply allowing consenting gay adults the same rights as heterosexuals was never the point. By forcing everyone in the state into a gay marriage, we're setting the stage for our more pressing hidden agendas: mandatory sodomy and, in due time, the legalization of bestiality and pedophilia."
Massachusetts has one of the highest concentrations of gay households in the country, at 1.3 percent, according to the 2000 census. Under the new laws, the figure is expected to increase by approximately 98.7 percentage points."
Leia a matéria completa.
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Ainda a Morte do Dentista
Um leitor me escreveu o seguinte sobre a coluna de 17 de fevereiro, A Morte de Um Dentista:
"No mundo em que vivenos, ninguem sobrevive se não declara profissao ou atividade, seja ele branco, ou negro ou amarelo ou spook! Ser negro confere a condiçao de martir e vitima de holocausto, diferente de um branquelo qualquer que se negue a ser abordado pela PM que arrisca a ser fuzilado. Ja passei por constrangimentos, um PM até chegou a enfiar o dedo ndentro do cu pra procurar uma madita droga, e ainda por me expulsou da praçinha, enquanto um criollinho qualquer vindo do interior tentando a sorte na cidade grande foi liberado sem mais, enquanto eu fui atingido na minha dignidade e não obtive seuqer um pedido de desculpas da dupla de P´ms. Esse recem formado é apenas uma vitima como outra qualquer do abuso e delinquencia policial. Ou sera que por ser negro vindo do reino de zumbi lehes confere imunidade, e eles podem praticar um sem numero de crimes em nome da opressao que vem historicamente sofrendo´? Sera esse mais um capitulo da Cabana do Pai Tomas?"
Tuesday, February 24, 2004
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Momento Celebridade
Meu deus, esse Renato Mendes é mesmo um monstro! Ele quer fechar três revistas... só porque elas não dão retorno financeiro à empresa!
Agora só falta ele querer demitir funcionários improdutivos, promover os mais eficientes e tentar maximizar a gestão!
Imagine só você, que idéia de maluco, uma empresa visando o lucro!
Como disse o Cristiano para o Fernando, nossos dois heróis, como alguém pode fazer uma coisa dessas?!
No fim da novela, com certeza, esse malvado do Renato Mendes vai se dar mal.
(E, seis meses depois, claro, o Grupo Vasconcelos quebra e vai todo mundo pra rua!)
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Meu Pseudo-Brilhantismo e Esse Blog
 O leitor Saint-Clair perguntou:
"Eu queria só ter uma pergunta respondida: Por que você escreve esse blog? (Não é para dizer o quanto é brilhante?)"
Ilusão de Ótica
Cetecler, eu agradeço os elogios, mas não sou brilhante e nós dois sabemos disso. Somos homens lidos: podemos puxar da cartola, sem precisar pensar muito, dezenas de nomes de pessoas realmente brilhantes.
Um dos problemas do Brasil é que nossos padrões são baixíssimos. Como disse o Polzonoff uma vez, o Brasil é um lugar onde o Jô Soares é visto como intelectual:
"Considero-o emblemático. Um verdadeiro símbolo do que é a inteligência para nós, brasileiros. Uma pessoa que assistir ao Programa do Jô todos os dias e reparar na platéia vai entender porque o Brasil é um país atrasado. (...) Sinto um quê de decepção ao ver que Jô Soares é o máximo a que se almeja chegar, intelectualmente, no Brasil."
Eu até admito que eu possa parecer brilhante pra algumas pessoas, aquelas que só leram Paulo Coelho e Sidney Sheldon, que nunca tiveram um professor carismático na escola, que só visitam blogs ki falaum axxim, etc, mas é ilusão de ótica. Se evoluírem além desse estágio, vão descobrir que não sou nada de mais.
Para acelerar esse processo de evolução, eu recomendo que leiam meus mestres: Henry Miller, Walt Whitman, Henry Thoreau, Ralph Waldo Emerson, La Mettrie, Roberto Freire.
Quem gosta do que eu falo vai gostar mais ainda de beber na fonte. E vão perceber o meu verdadeiro tamaninho.
Humildade
Por favor, não estou sendo humilde. Eu desprezo a humildade e os humildes com todas as minhas forças. Não me conformo de algo tão nocivo e pernicioso quanto a humildade ser considerado virtude.
 Ou a pessoa é humilde mesmo, e só merece desprezo, ou é uma falsa humilde, e aí é uma hipócrita. De qualquer modo, não há salvação para os humildes até que fiquem de pé e reconheçam o seu próprio valor.
Sobre o Blog
O primeiro aniversário desse blog está chegando e vou escrever alguns textos sobre como ele nasceu, porque foi criado e o que ele já conseguiu alcançar. Enquanto isso, acho que vale uma resposta rápida.
Escrevo esse blog por 3 motivos:
1) Disciplina
Passei 2002 quase sem escrever e queria um motivo para voltar a escrever sempre, todos os dias, e bem.
2) Divulgação
Daqui a pouco, vou começar a tentar vender livros por aí e seria bom não ser mais um completo desconhecido. Além disso, para um escritor freelancer, um blog é um portfólio maravilhoso.
3) Exposição
Parte do meu projeto de libertação e descoberta pessoal inclui eu me expor ao mundo, sem máscaras, sem medo de preconceitos ou da opinião alheia. Meio que como aquele passo dos Alcóolicos Anônimos em que você procura as pessoas que feriu e pede desculpas.
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Novo Update da Coluna da Esquerda
Novo blog preferido, direto pras cabeças: Ponto Media, sensacional resenha de jornalismo na Internet.
Novos blogs amigos: O Anacrônico, Via Oral e BloGaardner.
Aviso aos blogueiros: vou começar a fazer uma limpa na coluna da esquerda. Afinal, não dá pra só entrar, entrar, e não sair ninguém. Vou tirar os links quebrados, óbvio, e também links de gente que não dá as caras há muito tempo.
Se eu por acaso tirar o seu, e você ainda ler esse blog e perceber!, basta me avisar que eu ponho de novo.
Só não quero é ficar linkando pra gente que o caminhão já pegou faz tempo.
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Você Se Acha Muito Inteligente, Não É?
Eu fui reclamar do meu ego grande e o novo leitor Guilherme sugeriu:
"As vezes sinto a mesma coisa q vc no meu blog...mas escrevo bem pior q vc e quando leio blog tipo o seu vejo como eu sou um coco...procure ler outros blogs e verá q naum é tão bom assim"
Pô, Guilherme, o pior é que ler outros blogs não dá certo.
Há exceções, graças a deus. Outro título para os Blogs Favoritos poderia ser Gente que Manda Melhor que Eu. O Soares Silva, o Polzonoff, a Violeta, o Milton, a Tata, o PC, o Plausível, o Porfírio, o Zé, o Sérgio, o Inagaki, o Edson, a Dani, a Mariana e a Isadora, estão todos aí pra provar que eu não sou o único que manda bem nesse mundo.
Mas não foi fácil garimpar essas pérolas.
Você Se Acha Muito Inteligente, Não É?
Quando fiz faculdade, tinha uma senhora burríssima na minha turma. Ela se sentia completamente inferiorizada perto de mim e algumas vezes ficava agressiva. Um dia, ela se emputeceu e bradou, no meio da turma:
Você se acha muito inteligente, não é?
E eu respondi, com muita calma e sinceridade: não me acho, não; só pareço assim comparado à cavalgaduras como a senhora.
Foi um momento chato.
Eu Cresço É na Comparação
Eu gosto de ficar sozinho.
Quando estou sozinho, entro em contato comigo mesmo e todas as minhas limitações e defeitos afloram. Quando estou sozinho, tenho noção perfeita de tudo o que me falta aprender, sobre mim mesmo, sobre a vida, sobre a arte. Quando estou sozinho, eu me sinto o último dos homens. Sinceramente, não me acho nem um pouco inteligente, nem um pouco talentoso, nada. Sou um pobre mamífero com um longo caminho a percorrer.
Meu problema são os outros. Eu cresço é na comparação.
Converso com as pessoas e fico horrorizado com sua pequenez. Elas são burras, incultas, preconceituosas, medrosas.
O medo talvez seja o que mais me me surpreende. Vejo adolescentes abdicando dos seus sonhos por medo do futuro, procurando carreiras seguras, pensando em emprego estável. Vejo quase todos tomados por um irresistível medo da vida. Pior, medo de si mesmos, de descobrir quem realmente são.
Eu juro que não me acho nada de mais. Mas basta passar duas horas com os humanos que começo a me considerar quase um buda. Meu ego ameaça alçar vôo e eu me sinto mal, minha própria arrogância me intoxica, e bate aquela necessidade de ficar sozinho de novo, de tentar reencontrar a perspectiva de minha própria pouca importância.
Quando fujo das pessoas não é por não gostar delas, mas por não gostar da pessoa que eu me torno perto delas.
* * *
Escrever isso não foi fácil. Sei que confessei coisas impopulares. Mas, como disse na Prisão Conformismo, estou perdendo a capacidade de prever qual será o impacto das minhas palavras. Já não sei mais o que as pessoas vão achar de mim. E também não ligo. Falo. E conto com vocês para o feedback.
Monday, February 23, 2004
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Ignorando Malas
Tem um stalker mandando emails para os meus leitores. Eu peço: não respondam.
Não há palavra para stalker em português. É alguém que fica te perseguindo, te atazanando, ligando pra sua casa obssessivamente, seguindo você onde quer que você vá. Mulheres e celebridades são vítimas preferenciais dos stalkers.
Só há um jeito comprovado de se lidar com eles: ignorá-los.
Pensem comigo: um stalker da Xuxa, alguém que acampe no quintal da casa dela, deixe 495 mensagens na secretária e fique seguindo-a pela rua, quer, antes de mais nada, um relacionamento com a Xuxa. Quer um diálogo.
Se a Xuxa não responder, provavelmente ele vai cansar e vai se fixar na Malu Mader.
Se a Xuxa responder, mandar ele se fuder, soltar os cachorros nele, entrar com uma ação cautelar, ela vai estar presenteando-o com tudo o que ele mais quer: uma relação com a Xuxa. Ele agora não é mais apenas o Zé Ninguém do Engenho de Dentro. Ele é o cara perseguido pelos seguranças da Xuxa. Ele é o cara sendo processado pela Xuxa. Já criou-se um vínculo.
Não precisa ser celebridade para ter um stalker. Qualquer mulher já passou por isso. Tem sempre aquele mala que não se toca, não aceita um não como resposta.
É difícil não fazer nada, mas não há outro jeito.
Se o stalker deixa 20 recados na sua secretária, e você aguenta firme, dá o desprezo absoluto, mas aí, na 21ª ligação, você perde a paciência, tira o telefone do gancho e manda ele a merda, fudeu.
Fudeu porque você acabou de quantificar claramente que o custo de obter sua atenção, de criar um diálogo (que é, afinal, tudo o que ele quer) é de vinte ligações. Pode ficar certo que ele vai ligar, no mínimo, outras vinte vezes.
Chatos e malas em geral não devem nunca ter o privilégio de saber a irritação que nos causam. Deixe que fiquem apenas imaginando. Não responda. Não brigue. Não xinge. Sejam grandes! - nem que apenas por pragmatismo.
Stalkers têm a capacidade de concentração de uma mosquinha. Sem feedback, eles esquecem o que estão fazendo em cinco minutos.
* * *
Sei que esse próprio post vai contra os meus conselhos.
Sim e não. Por um lado, estou dando ao retardado uma atenção que ele não merece e que nem sua mãe lhe dá. Em um primeiro momento, ele vai ficar mais saidinho, sim.
Por outro lado, sei que ele está escrevendo pra muitos de vocês e que vocês estão dialogando com ele, brigando, respondendo. Isso é um erro. Não façam isso.
Depois desse post, eu vou passar a ignorar a existência do engracadinho. Nem os posts dele eu vou mais apagar. Se vocês também fizerem isso, vão ver que antes do fim do carnaval ele já vai ter arranjado outro brinquedo.
E peço desculpas pela aporrinhação. Obviamente, foi tudo culpa minha.
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Não Me Elogiem
Sério. Eu imploro. Sabe aquelas roupas pré-lavadas? Que você não precisa lavar? Pois é. Eu sou pré-elogiado, não precisa elogiar.
Meu ego já é grande demais, isso não faz bem. Critiquem. Perguntem. Opinem. Caiam de pau. Mas não me elogiem.
Cada vez que recebo um elogio, eu me sinto mal. Penso: será que mando bem mesmo? Não pode ser, não acredito nisso. Mesmo que mande, melhor achar que não mando, melhor me iludir, pra eu não deitar em berço esplêndido, pra eu continuar tentando me melhorar. Senão, fudeu.
Sabem aquele escravo que, nas grandes celebrações do Império, ia atrás de César sussurando: "Lembre-se, você é apenas humano"? Pois é disso que preciso.
Meus amigos já estão todos pré-avisados. Na remota possibilidade de eu algum dia virar uma pessoa pública, eles terão que confirmar que não foi o sucesso que me estragou. Ele sempre foi metido e insuportável, dirão nas coletivas para a imprensa, mesmo quando não era ninguém.
Gosto de saber que tem gente que lê o que escrevo e odeia. Sente nojo. Me acha pretensioso, óbvio, pedante. Eu me sinto confiante na humanidade. Penso: meu deus, nem todo mundo caiu no meu blefe, ainda há esperanças!
 Como não dá pra reler Coelet todos os dias, o único crítico com quem sei que posso contar é o Oliver, o meu poodle.
Tenho um prazer perverso em chegar na área e ver minha última coluna espalhada no chão, amarelada de mijo, um cocô enorme em cima do meu nome.
É um banho de água fria no ego. É um exemplo concreto da transitoriedade das vaidades humanas. E é uma aula de jornalismo.
Todo jornalista que se preze deveria ter um cachorro em casa para poder ver concretamente (ver e cheirar, claro) qual é o destino inevitável de tudo o que escrevemos.
O Oliver quer nem saber: pode ser a última coluna bombástica do Hélio Fernandes, pode ser uma notinha boba do Márcio G., pode ser até uma crônica genial da Clarah.
No dia seguinte, ele caga em tudo.
Sunday, February 22, 2004
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Galeria de Honra do Liberal Libertário Libertino
Toma-lá-dá-cá descarado.
Acabei de criar a Galeria de Honra do LLL, cujo objetivo explícito é divulgar os santos que colocam meus botões ou banners nos seus blogs ou sites.
Os botões disponíveis podem ser vistos nesse post ou na coluna da esquerda, ao lado, e as banners estão nessa página, sempre destacando uma frase marcante do blog. Eles são bonitos, elegantes, diferentes, intrigantes e, melhor de tudo, não piscam.
 Todo mundo ganha nessa divulgação. Eu vou ter os meus botões e banners espalhados por aí, e você vai ter seu link em uma área nobre aqui do blog, acima até mesmo dos Blogs Favoritos. Garanto que vou lhe mandar vários novos leitores.
Se você já gosta desse blog e vem sempre ler as novidades, pense com carinho nessa proposta. Colocar um botão no seu blog vai inclusive facilitar as suas vindas pra cá, ao invés de você ter que ficar o tempo todo digitando URLs. Pra mim, por exemplo, meu blog é a minha lista de favoritos: só visito os sites que estão linkados aqui.
 Os primeiros santos da Galeria de Honra são a velha e fiel leitora Elaine Pauvolid, da Revista de Cultura Aliás, o Rafael, do Paper Street Soap Company e a Luciane, do A Day in a Life.
Participe: um blog lava o outro.
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Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos
Adoro esse filme, mas sou só eu que me irrito com a quantidade de pessoas que acham que aquelas historinhas das pessoas são verdade?
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Fotos da Antonela Nua na Playboy
Muitas fotos nuas da Antonela, do Big Brother Brasil (BBB4), fotos da Antonela na Playboy, fotos da Antobela de tudo quanto é jeito.
Aprendi esse truque na revista Mad. De vez em quando, o Ota fazia uma capa bombástica com um tema do momento, tipo "A Morte do Super-Homem" e vinha escrito, em letrinhas miúdas, logo acima do título: "nada sobre". Sempre vendia.
Achei graça que o fã maluco do Sérgio Vieira de Mello escreveu:
"Alexandre Cruz é um nome que nada diz a ninguém e que NINGUÉM LERIA SE NÃO SURGISSE NA INTERNET A REBOQUE DO PROFESSOR DOUTOR SERGIO VIEIRA DE MELLO."
Se ele tivesse só trocado Sérgio Vieira de Mello por Antonela seria quase verdade.
O meu truque, tão óbvio, está sendo citado pela internet como se fosse alguma grande descoberta da pólvora. No fórum Ciência da Computação, alguém comentou:
"Galera, descobri hoje um geito alucinante de encher o fórum de visitas. É o seguinte, o seguinte blog http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/ postou um artigo incluíndo o nome da Antonella umas 50 vezes. O Google indexou o site do cara e ele recebeu mais de 1000 visitas num dia. Bom, em compensação ele recebeu alguns comentários meio desapontados. Tentei postar o link, mas não rolou, quem quiser ver vai ter de entrar no site (endereço acima) e achar o post da Antonella (aconselho usar o Ctrl+F)."
Os punheteiros da Antonela estão caindo de pau em mim, claro. Deixa eles. Ainda bem que só podem segurar o pau com uma mão, pois com a outra... Bem, pensando bem, com a outra também. Que me processem por propaganda enganosa. Vai ser o processo de propaganda enganosa mais flagrante desde o caso de Lionel Hutz contra A História sem Fim.
Por que fiz isso?
Estou sempre buscando por novos leitores. Quem não corre atrás, fica pra trás. Aprendi o valor do marketing braçal já no SobreSites.
Para divulgar o post sobre a Prisão Preconceito, me inscrevi em todos os fóruns e grupos de discussão sobre racismo. Escrevi sobre os Dilemas da Tradução e podem ficar certos que entrei em todos os grupos de tradutores e dubladores para chamá-los pra conversa. E ainda peço sempre aos leitores queridos que repassem os emails a quem quer que possa se interessar.
Fiz o primeiro comentário sobre a Antonela de pura gaiatice, porque não levo nada a sério mesmo e estou sempre zoando. Nunca imaginaria o tamanho do impacto.
Levei um susto com tanto punheteiro entrando aqui e voltei atrás.
Depois, parei de viadagem e coloquei de novo: ah, foda-se.
E daí? Ralo pra caramba pra trazer leitores pra cá, deixa eles virem. Podem estar com esperma na cabeça agora, mas talvez sejam pessoas semi-racionais. Se 1% deles passar os olhos pelo blog, ler, gostar, salvar e voltar já valeu a pena.
Afinal, a brincadeira não me custa nada e o retorno é astronômico. Considerem.
Janeiro foi meu melhor mês. O blog teve uma média de 250 pageviews por dia, com picos ocasionais de até 500, chegando a um total de 8500 no mês. Somando com os pageviews do site, 16 mil páginas escritas por mim foram lidas somente em janeiro. Pré-Antonela. É bastante coisa. As estatísticas são abertas ao público e podem ser conferidas aqui e aqui.
Em fevereiro, por causa da Antonela, o blog bateu 2400 pageviews no último domingo, 3400 na segunda (meu aniversário) e 3200 na terça.
Ou seja, em apenas três dias, 9000 pessoas passaram pelo blog, mais do que em todo o mês de janeiro, meu melhor mês. Se somente 1% desses, 90 pessoas, se converterem em leitores, já vai ser bom demais.
Tudo bem, eu admito, há a qualidade dos pageviews. Os 8500 de janeiro foram meus leitores mesmo, legítimos. Os trolhões que estão vindo em fevereiro, quem sabe?
Mas não quero deixar os mãos-peludas órfãos.
Antes de terminar, uma foto da Antonela, a melhor foto dela que consegui arranjar. Confesso que acho a Antonela uma loirinha muito da sem-graça e irritante. Não acho sexy mulheres feitas que se comportam como meninas. Acho debilidade mental, mas enfim.
Nessa foto, pelo menos, ela está com uma expressão adulta no rosto, ao mesmo tempo safada e perversa, sorriso contido querendo explodir no rosto. Também adorei a sensualidade de sua mão, com esse dedão assim em riste, e o contraste da pele da palma com das costas da mão.
Além, claro, dos peitões.
E, pra quem quiser saber mais sobre a Santa Antonela, sugiro o Blog Antonela Avellaneda.
Saturday, February 21, 2004
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Um dos blogs mais engraçados que já li.
Eles se autodefinem como "um Blog Sobre Socialistas-Caviar, Esquerdinhas-Chique, Viúvas da União Soviética, Patricinhas Guevarinhas de Butique, Playboys metidos a revolucionários e Fascistas de Esquerda em geral".
Não deixem de conferir o Gerador Automático de Discursos Pós-Modernos.
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Monopólio e Bens de Clube
Minha irmãzinha, que é quem me explica as coisas, fez o seguinte comentário sobre o artigo Em Defesa do Monopólio:
"Uma terminologia nova foi criada em economia para descrever bens como a Microsoft: bens de clube. Sao bens, como vc bem descreveu, que a principal caracteristica deles eh que sao tanto melhor, quanto maior for a quantidade de pessoas que os utilizem tambem. Antes um programa que de pau do que um programa que nao pode ser aberto por um numero significativo de pessoas com quem vc deseja interagir.
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Sérgio Vieira de Mello
Quando morreu Sérgio Vieira de Mello, em agosto, escrevi um artigo sobre ele. De vez em quando, pingam umas reações tardias. Vejam o que tinha a dizer o leitor John Smith , cuja tecla CAPS LOCK estava descontrolada:
"ALEXANDRE, Tenho estudado seu caso lendo suas carnavalescas performances literárias. Aconselho você a escrever «a vida afetiva e emocional de Lulla da Silva» OU « os amores de Annan Secretário Geral», com sucesso garantido, ENFRENTANDO ASSIM, NUM GESTO DE DIGNIDADE, OS VIVOS QUE O POSSAM OLHAR CARA A CARA, EM VEZ DE SE ESCONDER NO SILÊNCIO DOS MORTOS E SE SERVIR DELES PARA SE DAR A SI PRÓPRIO A CONHECER JÁ QUE Alexandre Cruz é um nome que nada diz a ninguém e que NINGUÉM LERIA SE NÃO SURGISSE NA INTERNET A REBOQUE DO PROFESSOR DOUTOR SERGIO VIEIRA DE MELLO QUE MERECIA DE SI RESPEITO PELOS VALORES QUE DEFENDEU E PELO TRABALHO QUE DESENVOLVEU EM TODO O MUNDO E DE MANEIRA ESPECIAL EM ÁFRICA ONDE HÁ CARÊNCIAS E PROBLEMAS HUMANOS DE TODA A ORDEM. MAS VOCÊ NAÕ CONHECIA NEM CONHECE!
Diz você ser escritor e com aspirações literáriAs e convencido de ter humor. Ora o que eu vejo é você num mundo paralelo e vazio de sentido convencido de que é o centro do universo e de que os outros assim o vêem. «ESPELHO, ESPELHO MEU,DIZ-ME : naõ há ninguém mais belo do que eu!!!» UM PARENTESIS COM UMA PERGUNTA : VOCÊ É FILHO ÚNICO ? SEUS PAIS TIVERAM VOCÊ TARDIAMENTE ? Você é inteligente e se se REpensar poderá desenvolver mesmo seu talento e atingir outro tipo de público que o RESPEITE e lhe reconheça mérito. «ENTÃO???...» Você ainda é muito novo e ser escritor não é coisa imediata e fácil. Espero ainda um dia cruzar-me com você, já com sucesso merecido, em uma feira internacional de livros, e poder felicitá-lo cara a cara. John"
Leiam meu artigo Brigando por Carniça: A Morte de Sérgio Vieira de Mello
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Refastelar
Um leitor me escreveu, disse que adorou o blog, mas que não teve tempo de ver direito: iria voltar depois para ler mais. Deixei passar uns dias e perguntei, inocentemente:
"E aí, já teve chance de voltar lá e se refastelar?"
Ao que meu leitor respondeu:
"Eu agradeço pela resposta, apesar de não fazer idéia do que significa "refastelar" (nem o Aurélio nem o Gamma possuem essa palavra, se você puder me esclarecer...)"
Fiquei encucado. Procurei no Houaiss e nada. Nem mesmo nenhuma outra palavra parecida, de radical semelhante.
Ao contrário da maioria das pessoas, eu não idolatro dicionários nem deixo que eles definam as palavras por mim, mas não consigo deixar de achar estranho quando dois bons dicionário não trazem um verbo que sempre usei e que é básico no meu vocabulário.
Será que sou eu que estou ficando maluco?
Busquei por refastelar no Google e observem alguns dos resultados:
"Se puder, dê uma volta numa "gaivota", sentindo a densidade tranquila das águas do Rio Vizela, que nasce um pouco antes. Pode levar um bom merendeiro, refastelar-se durante uma tarde nas margens do açude, acompanhado da família e do cirandar de crianças e aves, em voos de liberdade." ( guia de camping português)
"Uma foca aproveita para se refastelar rapidamente com a bola de isco de sardinhas, dando um novo sentido à fast food." (edição portuguesa da revista National Geographic)
"Por exemplo, O Dr. Liesen observou que os atletas de futebol tinham tendência para, entre as sessões de treino, se limitarem a refastelar-se e a ver televisão, ficando as suas mentes quase num estado de vegetal." (site técnico de fisioterapia esportiva de portugal)
"Largaram ao romper da manhã, mal dizendo adeus à família e aos vizinhos, ainda a rebolarem na enxerga da cabana indecisos entre erguerem-se e conquistar o dia ou ficarem a refastelar-se no calor dos corpos e da palha." ( narrativa de ficção portuguesa)
"Nos portos onde parávamos, éramos agraciados por muitas delícias típicas da culinária cabocla, que sempre foi o meu encantamento maior _ cozinhar, refastelar-se à mesa, dar prazer gastronômico aos outros : esse era meu sonho..." (site de turismo e culinária do Amazonas)
"Assim, poupando uns trocos aqui e ali, já talvez dê para comprar depois o Cinema Display... mas ver um filme num Mac, ainda assim, não se compara em vê-lo lá na sala, num bom ecrã, bom som e pipoca doce ou salgada. Hmmm, afinal sempre vou tirar o cu da cadeira... para me refastelar lá no sofá, as luzes já se estão a apagar... "Vou já, querida!" (site português sobre DVDs)
"Enrolei pra dizer que meu programaço de sexta é sair com a minha mãe e suas amigas velhas pra fazer lanchinho das 18 hs, na casa de mais uma coroa, se refastelar de tanto comer, e voltar pra casa sonolenta e pum...cama pra que te quero." ( blog de uma carioca)
"O que se sabe ao certo é que os seus amigos são vadios que se amotinam pelas ruas da cidade; as suas mulheres, meretrizes. O Malcozinhado, bordel de má fama lisboeta, é o lugar preferido para refastelar-se. Gosta de fitar o sexo oposto. Assedia, fala, canta. É jocoso. Convida a dançar, cheiro a cravo." (site português sobre a vida de Camões)
Hmm... Detecto um padrão? Pelo visto, adquiri o uso de uma palavra que só os portugueses ainda usam. Quer dizer, tirando um ou outro blogueiro carioca e o pessoal do amazonas.
Fui tirar a prova. Chamei a patroa, amazônica de carteirinha, e perguntei o que era refastelar. E ela sabia.
Não conto o final da história. E vocês, o que acham?
Friday, February 20, 2004
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Novo Nome para Esse Blog
O blog daqui a pouco fará um ano de existência. Como parte das comemorações, quero rebatizá-lo. A verdade é que o nome Liberal Libertário Libertino é bem preciso e até simpático, mas é um jogo de palavras velho e gasto.
Tenho algumas opções.
Tudo, o Tempo Todo.
Esse é o meu lema pessoal.
Enlouquecendo Cedo Demais.
A descrição bem precisa de um leitor sobre o que está acontecendo comigo.
Alexandre Cruz Almeida
Meio ególatra, mas o pior mesmo é que vai ser confundido com o Alexandre Soares Silva.
E vocês, o que acham? Têm alguma preferência entre esses três? Têm alguma outra sugestão?
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Vergonha da Faxineira
Acontece todo mês.
A casa vai ficando progressivamente imunda. Como somos pobrezinhos, eu e minha mulher tentamos limpar tudo nós mesmos, mas a sujeira vai acumulando. Em um dado momento, temos que admitir: está demais pra nós. Hora de chamar a faxineira pra dar uma geral.
Aí, pasmem!, na véspera da faxineira chegar, minha mulher passa o dia inteiro limpando tudo e a casa fica um brinco.
Não entendo nada: mas criatura, não concordamos em chamar a faxineira justamente porque não tínhamos como dar conta disso?! Aí você vai e limpa tudo? Amanhã a faxineira vai fazer o quê? Ver novela, tomar café, ler jornal?
Diz minha mulher: ah, sei lá, tenho vergonha dela chegar e ver a casa assim imunda, o que ela iria pensar de mim?
Tomara que ela nunca seja presa, senão periga de nem ligar pro advogado. Com vergonha dele ver ela assim presa.
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Minha Coluna na Tribuna:
Em Defesa do Monopólio Leia, hoje, na minha coluna:
Em Defesa do Monopólio
Ninguém duvida que a Microsoft detém um virtual monopólio do mercado de software.
Monopólios são desencorajados e desmembrados pelo governo por uma razão simples: preço. O monopolista impõe o preço que bem entende e o consumidor é que paga a conta.
Para o usuário doméstico, entretanto, esse monopólio em particular não pesa no bolso. Só pagam por software Microsoft as empresas que não podem correr o risco de usar versões piratas. O consumidor médio, em geral, nem sabe quanto custa um Windows.
Talvez por isso o monopólio da Microsoft incomode menos do que outros monopólios e possíveis monopólios, como o das bebidas, aviação, telecomunicações e chocolates.
Além disso, o monopólio do mercado de software também tem um lado bom que poucas pessoas enxergam.
Um Mundo, Uma Língua
Eu já trabalhei como professor de inglês e português para uma multinacional latino-americana no Rio de Janeiro. Eu ensinava os executivos expatriados latinos e norte-americanos a falar português e ensinava os brasileiros e expatriados latinos a falar inglês. Brincava que, sem mim, os funcionários da empresa só se comunicariam por sinais.
Melhor do que ninguém, eu sei quanto dinheiro aquela empresa gastava com "localização de conteúdo." Foi assim que paguei minha faculdade.
Imagine agora os seguintes cenários. Você faz uma apresentação em Power Point para ser mostrada na empresa do cliente. Você escreve um trabalho escolar no Word e leva para sua reunião de grupo. Você cria um site otimizado para ser visualizado no Explorer.
Parecem coisas simples, porque estamos habituados a elas, mas não são. Meio como naqueles filmes de ficção científica em que os personagens desembarcam em um mundo desconhecido e já saem conversando com os habitantes, como se não houvesse diferenças de língua.
Os cenários descritos são simples (e baratos) por causa do monopólio da Microsoft. Podemos fazer uma apresentação em Power Point e levar para um cliente sem medo pois não há chances de ele não ter o Power Point instalado em alguma de suas máquinas. Qualquer um tem Word, a maioria dos internautas usa o Explorer.
Raramente pensamos como isso facilita a nossa vida.
Imagine dezenas de pequenas, médias e grandes empresas disputando um mercado de software vibrante e competitivo. Imagine cada uma delas com seu próprio programa de apresentações em slides, o seu editor do texto, o seu navegador de Internet, com formatos de documentos e especificações diferentes.
Imagine ter que levar uma apresentação a um cliente sem fazer idéia de qual software ele usa - pois não há marca dominante no mercado. Imagine o inferno que seria desenvolver sites que pudessem ser corretamente visualizados em uma dúzia de navegadores diferentes.
Estudo de Caso: Internet
Houve época em que o Explorer e o Netscape disputavam o mercado dos navegadores. Lutei bravamente pelo Netscape, de 1996 até 1999, até que desertei para o lado inimigo. Hoje, o Netscape está praticamente extinto e os outros navegadores têm participação ínfima no mercado. 99% dos visitantes do meu site usam Explorer.
Desenhar sites que sejam otimizados tanto para o Netscape quanto para o Explorer dá um trabalho danado. Participei da criação de um portal cujo lançamento foi adiado em cinco meses só porque o cliente (sabiamente) exigia que o site fosse visualizado igualmente bem nos dois navegadores.
Não foi fácil. Elementos gráficos que ficavam lindos no Netscape apareciam truncados no Explorer e vice-versa. O design do site acabou tendo que ser muito simplificado para que os elementos restantes fossem bem visualizados em ambos os navegadores. Deu um trabalho danado, mas conseguimos.
Pensem nos custos. O cliente teve que pagar quase 40% a mais apenas para garantir que seu site fosse bem visualizado pelos cerca de 8% de linhas-duras que ainda usavam o Netscape naquela época.
Imagine se houvesse dezenas de navegadores competindo por esse mercado. Das duas, uma.
Para que os sites pudessem ser bem visualizados por todos esses navegadores, o padrão gráfico e funcional da web teria que ser ridiculamente baixo. Ainda estaríamos navegando por sites somente-texto, com aquela cara meio 1995.
Esse foi o lado bom.
Pior, designers e clientes não conseguiriam se contentar em fazer sites simples. Baseados nos perfis de seu público-alvo, as empresas criariam sites lindos, otimizados para um ou dois navegadores específicos, e que simplesmente não funcionariam em nenhum outro.
A Internet se dividiria em feudos e os feudos se subdividiriam em tribos. Nossa capacidade de navegação seria limitada pelo nosso navegador. Profissionais da Internet, como eu, que por obrigação profissional têm que ser capazes de entrar em qualquer site, teriam que ter dezenas de navegadores instalados e ficar alternando entre um e outro. Usuários de internet comuns jamais se dariam a esse trabalho e acabariam confinariados aos sites visualizáveis em seu navegador.
As maiores empresas de internet acabariam criando diferentes versões de seus sites, em URLs diferentes. Assim, haveria o www.yahoo-browserX.com, www.yahoo.browserY.com e por aí vai, cada um com sua cara diferente, de acordo com as especificações e limitações de cada programa.
Os custos de criação e manutenção de sites iriam subir absurdamente, assim como o custo de entrada no mercado de Internet, que ficaria proibitivamente alto. Mercados que até hoje ainda não conseguiram se padronizar e se estabilizar (como a publicidade on-line) não teriam a menor chance.
A Internet seria um negócio menos atrativo e menos acessível aos empreendedores. Conseqüentemente, a quantidade de serviços oferecidos pela web seria muito menor, a Internet seria menos interessante e, quem sabe, talvez até acabasse sendo somente uma moda passageira.
O Mundo Seria Outro
Parece um apocalíptico cenário de horror, mas já vivemos nesse mundo.
Lembra da empresa onde trabalhei? Também temos nossa capacidade mundial de atuação limitada por sistemas operacionais diferentes (línguas), gerando enormes custos adicionais em termos de traduções, adaptações, dublagens e aulas de idiomas.
Imagine sair do Brasil, pousar na Mongólia e ser perfeitamente entendido. Imagine empresas abrindo escritórios em qualquer parte do mundo sem se preocupar com a língua ou com choques culturais. Imagine ler livros de qualquer outro sem se preocupar com tradução e nunca mais ter que assistir filme lendo letrinha.
O mundo seria outro.
Por causa do monopólio da Microsoft, o mundo da informática é assim.
Semana que vem, algumas considerações sobre os malefícios do monopólio: estagnação cultural e baixa resistência imunológica.
Uma versão editada desse texto foi publicada na minha coluna Internet, na Tribuna da Imprensa, no dia 20 de fevereiro de 2004
Thursday, February 19, 2004
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Podem Zoar de Mim
Podem zoar de mim, mas esse programa do Clodovil fofocando com a empregada é impagável. Não sei nem o nome do programa, mas já é a enésima vez que estou zapeando pela TV, passo por ele e, quando vejo, estou lá há horas.
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Rio Celebra os 450
Li em algum lugar e não lembro onde. O autor é um gênio:
Rio celebra os 450... quilômetros de distância de São Paulo!
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Gente que me Conhece Bem Demais
Comentário da minha irmã sobre o último post:
"O artigo sobre os 30 anos eh de fato muito engracado - particularmente a questao de que nao vivemos pouco, mas ficamos mortos tempo demais. Eu tinha certeza absoluta que vc ia citar Edipo; vc sempre cita. Tive portanto que esperar ate a ultima linha."
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Meus Trinta Anos, Parte 4 de 4, Final:
O Fim É A Explicação
Planejar o Tempo que se Tem
Tenho uma série de metas a realizar. Para realizar essas metas, eu tenho um plano de ação. Meu plano de ação atual pressupõe que vou viver, no mínimo, até os 55 anos. Embora seja provável que eu viva mais, estou me programando pra realizar tudo o que tenho pra realizar nos próximos 25 anos.
Tudo suposições. O ônibus pode me atropelar aos 42. Meu coração pode parar aos 38. Posso escorregar no chuveiro aos 98.
Pois eu adoraria saber quando o chefe vai, de fato, bater na minha porta e pedir pra ver o relatório.
O problema não é ter pouco tempo: é não poder planejar o tempo que se tem.
Se for daqui a cinco anos, iria ser péssimo, mas nenhuma grande tragédia. Eu simplesmente adotaria um esquema de emergência, abandonaria tudo o que não fosse essencial e me concentraria nas tarefas a realizar.
Se for daqui a cinqüenta anos, isso me daria liberdade de arriscar mais, tentar coisas diferentes, sair em tangentes interessantes, pois sei que teria tempo de voltar para a estrada principal.
 Por exemplo, me propus tirar três anos de licença da literatura pra abrir uma empresa e tentar ganhar dinheiro. Foi uma experiência interessante e aprendi muito, mas só o tempo dirá o seu verdadeiro valor.
Se eu morrer aos 38, terá sido um trágico desperdício, um desvio que consumiu minhas energias e me impediu de realizar coisas mais importantes. Se eu morrer aos 55, terá sido uma experiência inestimável.
Imagino somente um grande problema: se eu soubesse que iria morrer velho, eu me conheço, eu iria me acomodar e não fazer mais nada até a velhice chegar.
O Fim É A Explicação
Não dá pra julgar um livro antes de terminar de ler. É à luz do final que captamos a essência do enredo.
Levo Sartre um pouco mais longe: sim, a existência precede a essência, pois só quando essa existência cessa é que a essência pode ser plenamente apreendida.
Ou, como diz o coro final de Édipo:
"E aprenda que os homens devem ter sempre em mente a morte, e que nenhum pode ser considerado feliz até o dia em que leve sua felicidade para o túmulo em paz."
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