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Wednesday, December 15, 2004

Proteger a Língua É Dever do Estado

Opinião inteligente e articulada do Unabomber:
"Eu ja viajei pelo mundo um bom bocado, já estudei um outro bom bocado e já li muitos e muitos outros bons bocados, entao tenho uma forma mais particular de enxergar essa questao, e q é compartilhada por uma porrada de gente q estuda linguistica e se interessa por idiomas e política de um modo geral e amplo.

Se o governo não for capaz de preservar pelo menos a identidade de seu próprio idioma, em alguns séculos vamos ter uns 30 dialetos diferentes espalhados pelo país e dentro de alguns séculos talvez tenhamos uma ruptura na unidade federativa, com 30 picos querendo independência, por motivos particulares, fundamentados em lógicas particulares e apoiados por uma divisão idiomática. Isso acontece em vários lugares do mundo hoje em dia.

O chines de taiwan não é o mesmo de pequim, são diferentes ao ponto de serem incompreensiveis um ao outro em muitos , mas MUITOS momentos mesmo. No afeganistao o povo sempre se matou geral simplesmente pq cada etnia mantem sua cultura -- e lingua -- proprias. Qdo a India se separou do Paquistao, a primeira medida foi estabelecerem alfabetos para seus idiomas: paquistaneses usam o alfabeto arabe, lingua sagrada do islam, enqto indianos se valem do devanagari, alfabeto sanscrito e tb sagrado, e embora a forma falado dos DOIS idiomas seja denominada hindustani, chamamos o idioma do paquistao de urdu e o da india de hindi. E acreditem, eles estao se afastando rapido, ja estao mais distantes hj do q eram antes da separaçao, se é q o foram nesse momento (me refiro aos 2 idiomas oficiais citados, uma vez q essa regiao é a regiao do mundo conhecida por possuir mais dialetos diferentes falados). Além disso, pelo mundo td, idiomas morrem tds os dias.

A língua, obviamente, evolui, cada um escreve como quiser, mas há de existir um conjunto claro de normas cultas a serem obedecidos pelas publicações oficiais do Estado. Esqueçam escritores, poetas, jovens, esqueçam o povo, seja ele elite cultural ou punks de boutique, a questão é estatal. O Estado tem o DEVER de preservar seu idioma. Idioma é como bandeira. Observem qtas o afeganistao teve no ultimo seculo e descubram qdo cada uma entrou em vigor. Depois lembrem-se do q é o afeganistao (esqueçam a palhaçada do bush, o buraco lá sempre foi mais pra baixo). Isso ajuda a entender oq estou dizendo.

O latim não é idioma morto pq o Vaticano o mantém como idioma oficial até hoje, com regras q muita gente estudou na escola nao faz tempo e estuda ate hj. O hebraico, já fora de moda na época de Cristo, suplantado pelo poder do aramaico, voltou ao status de idioma vivo com a criação de Israel, que teve, por exemplo, a preocupaçao de adotar a forma asquenazi de se falar. A melhor gramática de Tupi q existe ainda é a escrita por Anchieta, identificamos vocábulos de origem tupi pela maneira como são grafados em português, conforme convenções oficiais. Os gregos criaram métodos de ensino sistemático da língua apenas para ensiná-la aos povos conquistados e seguimos essas regras até agora qdo estudamos qq idioma novo.

Se a questão é "não" aos estrangeirismos, estamos face a um problema mundial criado pelas barreiras construídas no âmago do pensamento de cada povo. Quem se der ao trabalho de estudar pelo menos 10 ou 12 idiomas de diferentes troncos lingüísticos vai entender isso muito bem... Russos, por explo, não possuem um verbo q expresse o conceito de posse permanente e a palavra para expressar negociação vem do inglês (nos soa algo como BÍZNES). Imaginem os russos sem entender a ideia de Business no mundo de hj. Imaginem o hebraico, milenar idioma hamito-semítico, precisando expressar a idéia simples de "computador" (para isso usam o equivalente ao termo "pensamento"). O páli, a exemplo do sanscrito, classifica mulher e vagina como palavras masculinas, embora possua 3 generose deixe claro q palavras q denotem femeas, sao femininas (!!!). Japoneses atribuem niveis de polidez aos verbos, utilizam um alfabeto apenas para grafar palavras de origem estrangeiras, coreanos atribuem "sufixos" para definir qdo qq animal é, por explo um pássaro, ou qq acidente geográfico é por explo montanha, entre muitos, muitos outros casos. Aliás, qdo o rei sejong criou o alfabeto coreano, o fez para impedir q o chines lhe conquistasse ou tranformasse os fonemas. Ele o fez para eternizar os sons do coreano. Certas tribos indígenas simplesmente concebem numerações em escalas totalmente diferentes das q conhecemos ou podemos imaginar. Um povo inserido num mundo globalizado, q se fecha a estrangeirismos corre o risco de simplesmente não ser capaz de se comunicar. É preciso, no entanto, criar regras para essa assimilação, senao vira zona. E essa regra deve ser universal dentro dessa unidade social.

O problema não é simples, nao é uma questao de "democracia e direitos", e sim de "responsabilidades e deveres", exige um debate bem mais amplo e complexo, mas a conclusão final será invariavelmente a mesma: regras e normas, são, um mal necessário, só não aceita isso quem não quer..."
A opinião do Unabomber mereceu o holofote. Ela é inteligente e articulada e seu blog faz falta. Entretanto, confesso, eu realmente sou daqueles que não aceitam isso porque não querem, acho que ele está errado do começo ao fim. Não reconheço ao Estado o direito de legislar as palavras que uso e não acho que a influência de palavras estrangeiras ameaça a integridade seja dos idiomas ou dos estados nacionais.

Minha razões vocês encontram expostas aqui: Em Defesa da Língua Portuguesa.


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