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Wednesday, December 31, 2003
Blogs Gratuitos: Ética Versus Estética – Parte II de IICuidando de Mordida de Cobra Expus minha posição ao leitor que me ofereceu a treta e ele disse: "Pois é, Alexandre, o tema "Blogs Gratuitos: Ética x Estética" daria muito pano prá manga. Minha posição é pró-Estética pelos motivos: o banner é feio, sutil como macaco em loja de louça, e já carregamos a marca 'blogspot' marcada com ferro em brasa no próprio nome. É o suficiente prá mim. Mas enfim..." Acho que ele colocou a questão tão bem que virou até título do artigo: ética versus estética. Na verdade, o que houve foi o seguinte: o Blogger deu a ele um blog de graça e pediu três coisinhas em troca. O blogspot.com no nome do blog e o banner no topo da página não foram realmente pedidos, mas vieram com o pacote. Não há como ter um blog no Blogger sem o primeiro e, teoricamente, não deveria ser possível eliminar o segundo. Na prática, a única coisa mesmo que o Blogger pediu foi pra ele incluir o selo do Blogger na página. Verdade seja dita, colocar o selinho o meu leitor até colocou, quando seria fácil não colocar. O blogspot na URL ele não teve como mexer. Mas limou o banner. Pôxa, de três eu fiz dois, ele parece estar dizendo, não é o suficiente pra satisfazer esses fominhas do Blogger? E, além do mais, os banners são horríveis! Isso tudo é muito bonito, e quase faz sentido, até você se lembrar do seguinte: o importante é o banner. O banner é a única fonte de renda do Blogger. O nome da URL e o botão são legais, ajudam, divulgam etc, mas quem paga as contas é o banner. O banner é que é fundamental para a sobrevivência da empresa. E o banner, por motivos estéticos e anti-éticos, o meu leitor vetou. Pior, mesmo assim, ele se sente quites com Blogger só porque o termo blogspot aparece, "marcada com ferro em brasa", em sua URL. Imagino meu leitor socorrendo uma vítima de picada de cobra. Ele faz gaze e compressa, dá bastante água, protege a vítima do sol, faz tudo, tudo mesmo, menos aplicar o soro anti-ofídico. E depois, quando o infeliz morre, meu leitor não se conforma e ainda se acha cheio de razão: mas caramba, eu fiz tudo o que dizia aqui no manual de primeiros-socorros, tudo mesmo, só não fiz uma coisinha. Logo a coisinha que era fundamental. Ajude Quem Lhe Ajuda Então, amigos leitores, eu renovo o apelo que fiz no artigo Não Existe Almoço Grátis. Pode ser que amanhã o universo vire de cabeça pra baixo, mas hoje ainda estão valendo as regras do mercado, da oferta e da procura. Vocês podem não gostar, podem se mudar pra Albânia, podem se filiar ao PSTU, mas até a Heloísa Helena tomar o poder e nos tranformar num Cubão, a realidade ainda é o mercado. E quem ignora isso só vai fazer dar com a cara na parede. As empresas não sobrevivem de vento e precisam pagar suas contas. Ou elas arranjam um jeito de ganhar dinheiro ou fecham. Portanto, se existe algum serviço gratuito que você usa e gosta, descubra qual é a fonte de receita do fornecedor do serviço e ajude-o. Assim mesmo. Só isso. Eu sei, parece um contra-senso para a maioria das pequenas mentes marxistas que conheço, que ainda acreditam que existe almoço grátis e que toda empresa é intrinsecamente má, mas minha proposta é mesmo radical. Ajude quem lhe ajuda. Será que você é capaz de fazer isso? Se alguém lhe dá um serviço gratuito, eu proponho que você tente dar algo em troca para esse alguém. Se ele vende produtos, sugiro que você compre um de vez em quando. Se ele sobrevive de publicidade, sugiro que você clique nos seus banners e/ou gere pageviews. Se ele tem uma parceria com o Submarino, sugiro que você compre livros através do link em seu site para que ele ganhe uma porcentagem na venda. E por aí vai. Todas essas iniciativas são muito pequenas, mas podem fazer uma grande diferença. Mais do que qualquer outra coisa, você estará ajudando a si mesmo. Links Relacionados: Não Existe Almoço Grátis - O artigo que deu origem a tudo Comentar Blogger Blogger Brasil Globo.com Blig SiteMeter Nedstat
Tuesday, December 30, 2003
Blogs Gratuitos: Ética Versus Estética – Parte I de IIUm dos meus simpáticos leitores me enviou uma treta para limar os banners do meu blog. A intenção certamente foi boa, e eu agradeço, sinceramente e em público, mas decidi recusar. Não Existe Almoço Grátis Ultimamente, quando o Blig ameaçou cobrar pelos seus serviços e agora com a Globo.com expulsando todos os não-assinantes do Blogger Brasilil, eu escrevi um artigo chamado Não Existe Almoço Grátis , que convido todos a lerem. Eu defendo, em outras palavras, que não temos direito algum de usufruir gratuitamente de serviços que custaram muito para ser desenvolvidos e que ainda custam muito para ser mantidos. Pelo contrário, o dono do serviço, que o criou e disponibilizou, é que tem todo o direito de cobrar por ele. Paga e usa quem quiser e puder. Ainda acrescentei o seguinte: ninguém cobra de perverso. As empresas que oferecem serviços gratuitos na rede sabem que a decisão de cobrar é muito impopular e que gera rigorosamente o mesmo tipo de manifestação pueril que vem acontecendo na Internet. Via de regra, essas empresas só apelam para a cobrança em último caso, para se manter vivas e porque sua forma de receita original não estava cobrindo os custos. Na maioria dos casos, essa forma de receita original é publicidade. Como Manter a Web Gratuita Quando eu gosto de um serviço gratuito - e eu adoro vários, como o SiteMeter, Nedstat, Comentar, Blogger, etc - eu faço questão de fazer com que essas empresas tenham algum tipo de compensação pelo presente que estão me dando. Clico conscientemente em todos os banners e botões que vejo pela frente. Não sou criança e nem nasci ontem. Sei que se o faturamento de publicidade for bom, se o click-through compensar, essas empresas nunca vão querer se arriscar a cobrar de mim pelos serviços que usufruo de graça. Melhor ainda, nunca vão falir e me deixar sem o serviço. Os mais jovens talvez não saibam o que é isso, mas eu ainda me lembro com pesar dos serviços gratuitos que eu adorava e que perdi, para sempre, simplesmente porque as empresas faliram. Só pra dar dois exemplos: HotLinks e e-comics. Alguém ainda lembra deles? Realmente, não sei o que leva alguém a querer eliminar os banners do seu blog. Se o cúmulo da velocidade é fechar a gaveta e jogar a chave dentro, o cúmulo do egoísmo, se não é isso, é bem próximo. Será que não vêem que é só por causa dos banners que eles usufruem do blog gratuitamente? Que se os banners sumirem, ou pararem de dar retorno, a empresa não vai ter outra alternativa que não fechar ou cobrar? E nenhuma dessas opções, teoricamente, é agradável ao usuário que aprecia o serviço. O melhor jeito de manter a web gratuita é justamente ajudar as empresas que oferecem serviços gratuitos, nunca sabotá-las. Alguém Tem Uma Idéia Melhor? Essas pessoas que bloqueiam banners devem ser as mesmas que ficaram bradando por liberdade de expressão na internet e inclusão digital quando o Blig ameaçou cobrar. Não existe mágica. Os funcionários da Globo.com precisam ser pagos. Eu confesso que não gosto muito de banners, mas também confesso que não tenho solução melhor. Essas pessoas que querem usufruir o serviço (ou seja, não querem que ele feche), mas que não querem pagar por ele e nem querem ficar vendo banners no seu blog, bem, acho esses quereres muito justos, mas essas pessoas deveriam sentar e pensar em algum novo modelo de arrecadação para a Globo.com e mandar para eles urgente. Até lá, essas três opções ficam sendo praticamente as únicas: fechar de vez, cobrar assinatura ou divulgar banners. (conclui amanhã... cuidando de mordida de cobra.... meu humilde apelo... ajude quem lhe ajuda...) Links Relacionados: Não Existe Almoço Grátis - O artigo que deu origem a tudo Comentar Blogger Blogger Brasil Globo.com Blig SiteMeter Nedstat
Monday, December 29, 2003
Blogs de Pessoas MortasEm maio, três adolescentes morreram em um concerto de rock em Curitiba. Uma das meninas, Larissa Seletti, de 15 anos, tinha um blog, que ficou online por vários meses depois de sua morte. O blog era um fascinante instantâneo de como era sua vida, seus amores, sua, hmm, sexualidade. Hipnotizado por essa história mórbida e surreal, eu escrevi uma série de artigos, sobre o blog da menina morta e sobre outros blogs de pessoas mortas também, pois acabei descobrindo que o fenômeno não é tão raro assim.
Inspirada nessa série, a DaniCast contou, em seu post de 22 de dezembro, outras histórias, algumas falsas e outras verdadeiras, de mortes na Internet. Vale a pena ler. Muita gente que leu esses meus artigos ficou revoltada. Acharam que faltei ao respeito com a menina. Até hoje seus familiares me escrevem, prometendo me processar e me linchar, não necessariamente nessa ordem. A questão é espinhosa. Se houve falta de respeito, foi da Larissa com ela mesma. Algumas coisas são dolorosas de um pai ler sobre sua filhinha de 15 anos, mas quem escreveu essas coisas foi ela. Larissa conta que os colegas não a deixaram ir pro meio da muvuca de um show porque "tbm ne.. qndo fui quase perdi a virgindade..." Eu só reproduzi e comentei.
Em algum momento desses últimos meses, o blog da Larissa saiu do ar, seja a pedido da família ou porque o Blig fez merda, mas eu salvei tudo no meu HD. Pensei até em colocar no ar de novo, em outro endereço, mas achei que se a família, teoricamente, pediu pra tirar do ar, não sou eu que vou colocar. Utilizo apenas as fotos, que tirei do blog de Larissa. Chegamos então à primeira questão, que vocês devem responder depois de ler os artigos: manter no ar o blog de uma pessoa morta é falta de respeito ou, pelo contrário, é uma forma de respeitá-la e mantê-la viva? A segunda questão é a que a DaniCast levanta: e será que é verdade? Será que podemos confiar no que a gente lê na Internet? Sobre isso, eu já escrevi bastante. Minha resposta é: não pensem nisso. E daí se for mentira? Há pouco tempo atrás, Jorge Furtado, Lázaro Ramos e Luana Piovani estiveram no meu blog comentando o filme O Homem Que Copiava. Será que eram eles mesmo? A verdade também pode ser uma prisão, se nós a deixarmos controlar nossas vidas.
Enfim, o assunto é fascinante e dá muito pano pra manga. Links Relacionados: O Blog da Menina Morta - O artigo que deu origem a tudo Blogs de Pessoas Mortas Prisão Verdade A Galinha do Homem que Copiava A Diferença Entre a Verdade e a Mentira DaniCast
LLL Ditando as Pautas da Cidade
Vocês viram aqui primeiro. Tirei a foto do feirão de blindados na segunda, 22 de dezembro, e postei aqui no dia seguinte. O Caetano, editor do caderno de cultura da Tribuna da Imprensa, viu a foto aqui e publicou no jornal na sexta-feira, 26. De lá pra cá, o assunto já foi comentado pelo Ancelmo Gois, pelo Tutty e até transformado em reportagem pela TV Record. E sabe lá por quem mais que eu não soube. Não vou dizer que eles me copiaram, claro. Pra qualquer um com a verve satírica do Tutty Vaques, por exemplo, seria impossível passar por aquela faixa e não pensar alguma besteira. Só não esqueçam que viram aqui primeiro.
Sunday, December 28, 2003
Repercussão de As Mulheres Querem TudoMeu artigo As Mulheres Querem Tudo, publicado entre os dias 5 e 11 de dezembro, anda causando frisson pela Internet. Vários blogs dedicaram um espaço substancial para discuti-lo, comentá-lo ou atacá-lo. Pra começar, eu queria dizer que esse artigo foi escrito pensando em dois blogs amigos. Um, o Kit Básico da Mulher Moderna, da querida Renata, que tinha feito, recentemente, um post chamado A Versão do Cavalo do Príncipe, sobre príncipes encantados e cinderelas. E fiquei matutando o assunto. E, também, escrevi o artigo a convite das meninas do Elas por Elas, Mariana e Isadora, para o Calça Justa, a seção semanal onde os homens botam a boca no mundo. Mas como o Calça Justa só vai voltar em janeiro, achei que esse artigo era bom demais para esperar tanto. Escrevi outros dois artigos pra elas e decidi publicar logo o As Mulheres Querem Tudo. Quanto à repercussão, a primeira pessoa a comentar o artigo foi minha querida amiga Diva Artisan, que sempre concorda comigo em quase tudo e dessa vez discordou em absolutamente tudo. Infelizmente, parece que o seu maravilhoso blog foi uma das vítimas das novas políticas capitalistas da Globo.com. Consegui encontrá-lo somente no cache do Google, mas reproduzo tudo mais abaixo. Além disso, os blogs O Sorriso do Gato de Alice, em 13/12, e Perolada, em 22/12, também fizeram comentários interessantes sobre o artigo. Finalmente, o Sandrus, do Arkhan Asilum, e o Ratapulgo, do Copy & Paste postaram a quarta parte todinha em seus blogs. Acho natural que citem somente a quarta parte, que é onde estão as conclusões, mas não consigo deixar de pensar que o processo pelo qual cheguei a essas conclusões é bem mais interessante do que as próprias. Dêem uma olhada no que esse povo todo escreveu e tirem suas próprias conclusões. Abaixo, o post da Diva, do finado (espero que por pouco tempo) ArtErótika: "Homens, perdidos no mundo sem mãe ou esposa Para entender esse post, por favor leiam os seguintes blogs: no O Sorriso do Gato de Alice leiam o post de 11 de dezembro intitulado "Homens... " e leiam por favor no Liberal Libertino a série intitulada "As Mulheres Querem Tudo". A mulher tinha um papel servil na sociedade. Ela era mãe, dona de casa, empregada para tarefas domésticas, criada sexual. Ela se casava e ficava casada para o resto da vida, servindo aquele sujeito. Não havia outra opção. Isso tudo mudou. A mulher passou a trabalhar, a ter direito a orgasmos, a ter direito a votar, a ter opiniões próprias, a procurar sua própria satisfação pessoal. Os homens estão perdidos nesse contexto. Não sabem mais quem eles devem ser ou o que devem ser. Um dos problemas que eu vejo é uma recusa surda-muda da sociedade em se adaptar a essa nova realidade. Pessoas ainda casam, tem filhos e assumem compromissos que precisam durar muito - uma vez que, se decidirem ter crianças, terão que assumir pelo menos vinte anos de responsabilidades comuns. Mas as pessoas não sabem mais como negociar relacionamentos, qualquer relacionamento. Sabe, eu não sou feminista. Eu acho o feminismo tão prejudicial e ruim quanto o machismo. O lugar da mulher não é na cozinha ou no tanque, ou na cama de alguém, mas o lugar do homem também não é trabalhando e sustentando ninguém e a mulher não precisa queimar sutiãs em praça pública. Tanto o homem quanto a mulher deveriam revisar seus posicionamentos dentro dos relacionamentos. Urgentemente. Eu li todos os artigos do blog do Alê da série intitulada "As Mulheres Querem Tudo" e não consigo concordar com quase nada do que li lá. As mulheres sabem que homem querem, os homens é que ainda procuram modelos de mulheres que não existem mais. Os homens estão tão ou mais emocionalmente complicados do que as mulheres e pior: homens não choram, não extravasam, não falam sobre isso. Eles se fazem de blasé ou fingem que são descomplicados, mas não são. As mulheres geralmente tem maior maturidade emocional porque elas exercitam o lado emocional sem medo. Homens ainda esperam por mulheres perfeitas sim, só que esse "perfeita" não é no sentido da máxima perfeição, não, e sim, "adequadas ao modelo que os homens ainda trazem na cabeça" - e isso, queridos, não existe mais. Sim, a mulher acredita no amor. A mulher é educada para isso. A mulher tem anseios de ter filhos, em alguma altura da vida. E a sociedade ainda prega que para ter filhos, é necessário casar. Então a mulher, como tem feito há milhares de anos, sai em busca de um procriador e mantenedor, um macho que esteja disposto a ajudar a montar um ninho e criar filhotes. E os homens estão mais despreparados do que nunca para isso, porque a mulher, em todo o resto, mudou. Sim, a mulher ainda "se contenta com o que encontra" e isso, está errado: temos que ser mais criteriosas, e não sair casando com qualquer um. Se todas as mulheres fossem mais criteriosas, os neanderthais se extinguiriam rapidamente. Alê, menino carente sensível é um preconceito, cuidado. Homens são carentes e sensíveis sim, eles apenas se fazem de durões porque a sociedade espera isso deles. E pagam um ônus imenso por isso. São obrigados a viver uma vida inteira sem saber lidar direito com as próprias emoções e dominados por seus demônios interiores. Ser mulher é tão mais fácil. Como mencionou O Sorriso do Gato de Alice, os homens estão despreparados para se relacionar com mulheres que queiram apenas se relacionar com eles e mais nada. Não, querido, não quero casar. Não, querido, não quero dormir com outros caras. Não, querido, não quero morar junto. Sim, querido, eu amo você, mas eu amo a minha independência, a minha liberdade, e adoro morar no meu próprio apartamento, ter meu próprio emprego, sair com minhas amigas. Eu gosto do nosso relacionamento dessa maneira. Eles enfartam. Ficam procurando armadilhas que não existem. Se sentem inúteis. Perdem seu papel tradicional e não conseguem inventar um novo. Daí acontece aquele famoso desenlace que eu já vi mais de uma vez: o cara rompe com aquela mulher independente e esquisita e vai atrás de alguma mulher que tenha sido educada de forma mais tradicional. Alguém que queira lavar as cuecas deles e fritar ovo para eles. Alguém que sonhe em casar e ser dependente. É tão mais confortável, e os amigos não vão fazer piadinhas e chamar a namorada deles de piranha só porque ela é forte e independente e sabe o que quer. A mãe dele não vai ficar perguntando "e aí, quando vocês casam?" ou "e aí, cadê o meu neto?" Saídas confortáveis, saídas menos trabalhosas. Não tenho soluções ou respostas para nenhuma dessas questões. Sei que não é tão simples assim. Mas talvez a ponta do fio que comece a desenrolar esse novelo seja: individualidade. Se você, homem ou mulher, cuidar de si mesmo em todos os sentidos, físico, mental, cultural, profissional, os relacionamentos com certeza fluirão melhor. Porque se o homem não precisa de empregada doméstica porque já tem uma, ou de mãe, porque já tem uma, ou de sócio-financeiro, porque a vida profissional está resolvida, fica mais fácil achar uma mulher que preencha os quesitos que deveria preencher: amiga, amante, companheira. O mesmo vale para as mulheres." Links Relacionados: As Mulheres Querem Tudo - O artigo que deu origem a tudo ArtErótika - Em cache O Sorriso do Gato de Alice Perolada Arkhan Asilum Copy & Paste Kit Básico da Mulher Moderna Elas por Elas
Saturday, December 27, 2003
Teoria do Chapéu Esse natal, eu me dei um chapéu de presente. Detesto o sol do Rio e detesto andar horas pegando sol na cachola. Sempre que vou andar, levo um boné, mas não gosto do meu visual de boné: pareço um velho idiota usando um boné de criança, vivendo uma segunda infância retardada. Por isso, comprei o chapéu panamá. Agora, pelo menos, vou parecer só um gordo excêntrico, que é o que eu sou mesmo.
Descobri uma coisa interessante. Não dá pra usar chapéu e mastigar ao mesmo tempo: quando fechamos o maxilar, nossas têmporas se expandem e aperta tudo lá em cima. A não ser que o chapéu esteja simplemente muito largo (e, nesse caso, ele vai voar no primeiro ventinho) simplesmente não dá. Eis, portanto, a minha teoria: os chapéus saíram de moda na mesma época em que os chicletes viraram moda. Foi uma batalha de titãs, de vida ou morte. Só um sairia vivo. As pessoas ou usam chapéus ou mascam chiclete. Não dá pra fazer os dois. As fábricas de chiclete devem ter se dado conta disso cedo mas os pobres chapeleiros ingênuos só perceberam a tragédia quando já era tarde. As crianças viciadas em chiclete nos anos 40 e 50 cresceram e, nos anos 60 e 70, simplesmente jamais abririam mão de seus queridos chicletes por um mero chapéu. E foi o fim da indústria chapeleira. Ainda bem que odeio chiclete. E estou muito feliz com meu panamá.
Friday, December 26, 2003
Recomendações de LeituraUm dos blogs que mais me divertem é o Homem É Tudo Palhaço. São quatro mulheres que passam o tempo todo falando mal dos homens. A coisa é escrachada mesmo. Uma linha bem diferente, digamos, da minha abordagem ou da do Elas por Elas, que tentamos compreender os fenômenos comportamentais. As meninas do Homem É Tudo Palhaço não tentam compreender nada, elas só zoam. E zoam bem, o blog é engraçadíssimo. Tudo bem, algumas vezes eu penso que elas pegam meio pesado. Porra, elas não perdoam nada. Fico me lembrando do episódio do Seinfeld em que a Elaine dá esporro nele porque ele termina com as namoradas pelas razões mais superficiais, tipo comer ervilha uma por uma. Pois a gente lê o Homem É Tudo Palhaço, ri e pensa: ou essas mulheres não sabem escolher homem e, por isso, só andam com palhaços, ou então elas são tão seletivas e tão cri-cri que espantam todos os não-palhaços. Ou ambos. Na última semana, acompanhei, dia a dia, a melhor série do Homem É Tudo Palhaço até hoje: a história do Bodão. A história do Bodão é de chorar de rir. A história do Bodão é tão inacreditável que só pode ser verdade. A história do Bodão prova que, quaisquer que sejam os seus defeitos, as meninas do HTP contam uma história como ninguém. Outra recomendação é o blog Canjicas, recomendado pelo Soares Silva. Acabei de ler o blog inteiro, inteirinho, com lágrimas nos olhos, de tanto rir e de emoção, pois o cara manda muito bem. Sem comentários, vão lá ler. Última notinha: realmente, estou desovando todos os enchimentos nessa temporada natalina. Continuo escrevendo meus artigos pensados e insightful, mas estou guardando para quando os leitores voltarem. Por enquanto, vou dando dicas de leitura, malvadas, pés de leitoras, tudo o que fui guardando para os dias sem assunto. Links Relacionados: Homem É Tudo Palhaço - A História do Bodão Canjicas
Os Pés das LeitorasLeitora boa lê meu blog, faz comentários, linka pra mim, repassa meus emails. Mas leitora boa mesma é aquela que deixa eu fotografar e beijar seus pés. Essa querida leitora de hoje quis ficar anônima e não me deixou tirar fotos de seu rosto. Azar de vocês, ela é uma gata.
Além da belíssima sandália, em escamas douradas, que acho que só dá pra ver na foto grande, o que mais chamou minha atenção no pezinho da minha leitora foi sua tornozeleira. Adoro torno-zeleiras de bolinhas brancas, ou de pérolas, acho super sexy. Ao contrário da maioria das minhas taras, entretanto, essa eu sei exatamente de onde veio: da Dra. Cyber.
A malvada Dra. Cyber é um dos ícones da minha infância. Por causa dela, e só por causa dela, eu até hoje tenho fixação por sarongues, cabelo chanel e tornozeleiras de pérolas. Leia mais sobre a Dra. Cyber no meu artigo Elogio às Malvadas. Não sei vocês, mas a minha foto preferida é a segunda, em que ela está com seu belo pezinho sobre a cadeira. Depois, consegui que ela colocasse o pé sobre a mesa. Sempre amei essa pose: mulheres com os pés indolentemente largados em cima de mesas me passam uma impressão de extrema sensualidade, de "não-tô-nem-aí-pras-aparências".
Infelizmente, minha querida leitora se recusou a tirar a sandália e me deixar tirar uma foto da sua sola do pé, que é o que mais gosto. Disse que estava sujinha. Insisti de tudo quanto foi jeito, mas não rolou. Essa foi pena pra mim e pra vocês: uma bela solinha do pé é algo tão lindo que uma sujeirinha nem atrapalha. Beijinho, então, nem pensar.
Thursday, December 25, 2003
Meu NatalEstou micado aqui em casa, atualizando um site que mantenho, um trabalho chatíssimo, longuíssimo e repetitivo. Enquanto isso, nos intervalos, vou escrevendo mais e mais posts pro blog. Acho engraçado que a maioria dos blogueiros decretou recesso de fim-de-ano, ou algo assim, para avisar que vão ficar até começo de janeiro sem postar. Eu sou o oposto. Nesses últimos dias, e nos próximos, é que vou escrever muito, estou em casa, sem grandes obrigações externas. Mas parece, realmente, que os leitores de blogs também decretaram recesso, pois quase ninguém apareceu por aqui hoje. Resultado: não vou postar pra ninguém ler, mas já estou com um estoque enorme de matéria para publicar nos próximos dias, quando o pessoal começar a voltar. Aliás, amanhã, aquela foto do feirão de blindados sai na Tribuna da Imprensa. E outra coisa que preciso perguntar aos poucos gatos-pingados que aparecem: estão gostando da série com as vilãs? Tem a ver? Quando postei o primeiro artigo sobre malvadas, em agosto, eu estava com medo que ninguém fosse gostar, e a resposta foi eufórica. Dessa vez, talvez pelas poucas visitas, as vilãs estão meio que ignoradas. O que acham?
Malvadas: Roleta
Roleta também é uma das novas vilãs que estão surgindo por aqui. Esses scans são de Liga da Justiça 12, novembro de 2003, ainda nas bancas. Roleta é dona de uma casa de lutas e apostas. Basicamente, duas vezes lutam até a morte, o povo aposta e a casa, ou seja, Roleta, sempre ganha. Claro que alguém morre, mas nossa bela vilã não se importa nem um pouco com isso.
Em geral, os participantes são meta-humanos pé-rapados mas, dessa vez, Roleta conseguiu capturar dois membros da Sociedade da Justiça para seus jogos mortais. Na primeira figura, ela está conversando com seu prisioneiro, Sr.Incrível. Nada mais sexy do que o momento em que a vilã se gaba e goza de seu poder conversando com os cativos. Vejam como ela flerta com ela, passa as mãos em seu peito e rosto e acaba até dizendo: "Espero algo nada menos que espetacular."
Depois, duas belas visões de Roleta: de costas, meio de lado, mostrando belas pernas tatuadas e pés calçando sandálias de salto alto e, também, uma deliciosa visão de baixo pra cima. A terceira figura mostra mais uma bela visão de seu corpo, a medida em que explica o jogo aos participantes. Então, pra finalizar, ela baixa os óculos, dá o seu olhar mais sensual, sorri diabolicamente e tem, aparentemente, um enorme prazer em informar aos jogadores que o perdedor morrerá. A maldade aqui é que, ao mesmo tempo, ela parece adorar dizer isso e, por outro, ela põe o corpo fora: não sou eu quem vai matar ninguém, vocês é que vão jogar, eu vou só assistir... Não sou boazinha?
Mais malvadas
Wednesday, December 24, 2003
Todo Mundo Não Sou EuDepois que fiz o post de segunda-feira, sobre tentar quebrar a corrente da culpa do natal, toda vez que dou feliz natal para um leitor, ele diz: ué, feliz natal, vindo de você? Sim, feliz natal vindo de mim. Não parto do princípio que todas as pessoas do mundo são iguais a mim. Pelo contrário, sei que são bem diferentes. Desejo feliz chanucá pros meus amigos judeus, por que não desejaria feliz natal aos meus amigos cristãos? Mas não gosto que me desejem nem feliz natal nem feliz chanucá. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Então, para quem comemora o chanucá, feliz chanucá. Para quem comemora o natal, feliz natal. Para quem não comemora nada, bem... boa noite.
Ateus e CrentesDe vez em quando, eu quase acredito que é possível, ao mesmo tempo, ter um cérebro e acreditar em deus. Não conheço muitos crentes inteligentes, mas o Alexandre Soares Silva tem sido uma excelente surpresa. Seu artigo de ontem sobre ateus é um verdadeiro achado: "Às vezes me parece (...) que Deus tem tamanho espírito esportivo que deu mais inteligência aos ateus do que aos crentes. (...) Deus, também é verdade, parece ter colocado os piores jogadores no nosso time. Não há ateu tão estúpido quanto um crente estúpido. Deus e o Diabo escolhendo os jogadores dos seus times. Deus teve pena dos aleijadinhos intelectuais e os escolheu; Deus não deixou que eles ficassem por último." Soares, você tem razão, para os ateus, a vida é um breve piquenique: que aproveitemos bem o nosso tempo, comendo, bebendo e sendo felizes, ao ar livre, sob o sol. Feliz de quem não é um bicho sem alma e vai viver pra sempre. Feliz natal!
Tem Coisas Que Só Acontecem na Barra da Tijuca
Agora não é mais preciso ser rico para andar blindado pelas ruas da Barra da Tijuca. Se há brechó de roupas e móveis, por que não um modesto brechó de blindados usados? Fica a dúvida: será que os poderosos executivos que mandam blindar seus carros blindam também os carros da esposa e dos filhotes? Por incrível que pareça, não: na maioria das famílias blindadas que conheço, só o macho alfa roda protegido.
Malvadas Que Amo: Beverly Lacoco Beverly Lacoco não é uma vilã recorrente. Ela só aparece na edição brasileira número 5 do Agente X, de novembro de 2003, ainda nas bancas. Mas já foi o suficiente para fazer dela uma das minhas vilãs preferidas.
Junto com seu amante e capacho, O Olho Encapuzado, também chamado de Kenny, ela está saqueando e devastando Delta City. Ela não tem superpoderes mas o Doutor Orangotango está trabalhando nisso com afinco. O primeiro quadrinho mostra o momento das boas notícias: o cientista maluco confirma que conseguiu encontrar um jeito de dar superpoderes à malvada. Reparem bem sua felicidade tão sincera e tão expontânea, o modo como ela pula no pescoço do seu Kenny e se diz a mulher mais sortuda do mundo! No segundo quadrinho, a conseqüência lógica e inevitável. Meu deus, como esses homens são bobos. Será que não sabem (inclusive eu) o preço que se paga por amar as malvadas. Beverly diz: "E devo tudo a vocês dois. Kenny, você me tornou a garota mais feliz do mundo. E o doutor, bem, o que posso dizer? Você me tornou a garota mais poderosa do mundo." E completa: "Isso significa que não preciso mais de vocês!"
Ora, é claro que não precisa. Uma boa mulher malvada não precisa de ninguém. Ela não tem amigos nem cúmplices. Só capachos e capangas, que ela usa e joga fora. Isso é tão óbvio que elas, coitadinhas, nem mesmo entendem como os homens podem ser tão bobos e se apaixonar por elas mesmo assim. Não aprendem! Vocês podem pensar que a alegria dela no primeiro quadrinho foi fingida. Tsc tsc. Prova de que não entendem as malvadas. Não, meus amigos. Naquela momento, ela estava sinceramente alegre e agradecida ao Kenny, justamente por ele ter lhe proporcionado os meios de ser ainda mais malvada e independente, de não precisar de mais ninguém, em especial dele, de quem ela já devia estar pensando em descartar enquanto pulava em seu pescoço. É assim que as mulheres pensam, as vilãs, mais ainda. Mais malvadas
Tuesday, December 23, 2003
Glauco Cruz Ilustração de Glauco Cruz para a coluna do Cat, do Caderno de Informática do Globo dessa semana, publicado em 22 de dezembro de 2003.
Esse cara desenha as melhores mulheres de todos os tempos - e os pés mais lindos também. Reparem bem na cara de êxtase do gato com essa sola do pé tão linda sendo esfregada em sua cara. Quem não gostaria? Não deixem de conferir também esse clube no Yahoo especialmente devotado às suas maravilhosas mulheres. Aliás, já repararam como estou visual esses dias? :)
Vilãs de Quadrinhos: Forja e Magenta Ultimamente, os quadrinhos estão apresentando mais vilãs que o normal. Nas páginas da Liga da Justiça, o Flash está há quatro meses enfrentando um grupo de supervilões que inclui duas sensuais malvadas. Os scans são da Liga da Justiça 12, de novembro de 2003, ainda nas bancas.
Na primeira imagem, Forja, a líder dos vilões, tem o prazer de informar ao seu ex-marido, ajoealhado aos seus pés, que ela irá matá-lo - a ele e ao Flash. Eu acho especialmente sexy os pedacinhos de pele que ficam a mostra em seu uniforme, incluindo batata da perna e coxas. Na outra figura, Magenta está abraçando Viga, o supervilão que segura o Flash pelo pescoço. A malvada parece muito excitada de imaginar que o valoroso herói está prestes a morrer nas mãos dos supervilões e pede, em uma voz que só posso imaginar como doce e provocadora, para que ele mate o Flash rapidinho. Ela parece estar tão feliz e excitada que o Viga teria toda a razão em imaginar que, assim que matar o Flash, ele e Magenta terão uma noite inesquecível.
Até parece. No próximo número, com certeza alguma coisa vai estragar o prazer da bela perversa. Mais malvadas
Monday, December 22, 2003
Quebrem a Corrente da CulpaNão me mandem votos de Feliz Natal. Eu sou ateu, considero Jesus (se é que existiu) apenas um sujeito muito boa praça e, aliás, a própria Bíblia, por suas evidências internas, indica que ele nasceu em final de setembro. A data em final de dezembro é bastante posterior à época bíblica e foi criada para opor o natal cristão às comemorações pagãs pelo solstício de inverno. Em suma, essa porra dessa data não quer dizer nada, nem pra quem é cristão de carteirinha e ama Jesus, então, por favor, não venham me aporrinhar com felizes natais.
Houve época em que eu mandava cartões de natal. Cruzes, eu até pintava os meus próprios cartões. A mão. Um por um. Não por amor à Jesus ou ao cristianismo, claro, pois ateu eu sempre fui, mas por amor ao sentimento natalino. Que piada. Depois comecei a ver que mandar cartões de natal era, de fato, uma grande maldade. Você está apenas contribuindo para uma grande corrente de culpa, que parece ter sido iniciado por nossas mães e que nunca mais acabará. A pessoa recebe um cartão e pensa: puxa, eu não mandei nada pra ele, eu não comprei nada pra ele, eu não falo com ele há meses/anos, caramba, que chato, e agora? Sou mesmo um cretino. Pior, os meus cartões, por serem tão originais, pintados à mão e o escambau, deveriam aumentar ainda mais o sentimento de culpa. Afinal, como competir com isso? Vou me sentir uma ingrata se mandar um simples cartão do Garfield em resposta a um cartão desses! E agora? Só se eu for lá e der pra ele! (Infelizmente, ninguém chegou a esse ponto.) O natal é a temporada da culpa. Sentimos culpa por não termos sido melhores, por não termos ido mais à igreja, por não termos ligado tanto para a Tia Clotilde, no Paraná, por não termos sido bons pais, filhos, irmãos ou maridos, por não termos tido tempo pra fazer cartões de natal tão bonitos quanto os que recebemos, etc. Já há tanta culpa circulando, tentemos não dar nossa contribuição. Eu imploro: quebrem a corrente de culpa!
Malvadas Que Eu Amo: Cláudia RaiaEu sei, sou doente, mas vou assistir Abracadabra só por causa de Cláudia Raia. Ninguém interpreta uma vilã malvada e histriônica como Cláudia Raia. Ela estava deliciosamente má como Mina, em O Beijo do Vampiro e, recentemente, como a perversa Medéia, no Sítio,
Em outras épocas, Cláudia já foi Ângela, a explodidora de shoppings, mas não era a mesma coisa. Ela estava contida, controlada - em suma, uma pessoa normal. E já descobri que Cláudia Raia gosta mesmo é de soltar a franga, rir freneticamente suas gargalhadas diabólicas, e isso ela só pode fazer quando interpreta vilãs de programas ou filmes infantis. Ou seja, ela vai estar, novamente, enlouquecidamente má em Abracadabra. Reparem na segunda foto. É impressão minha ou essa é uma pose tradicionalmente das malvadas, sacudir seus dedinhos para nós, com toda a carga de maldade e sensualidade que isso pode ter, como se apenas por balançar aqueles dedinhos sexy ela já estivesse fazendo maldades, acabando conosco, nos enfeitiçando?
E observem sua gargalhada como Medéia. Pode ser uma gargalhada boa, uma gargalhada de uma mulher boazinha que acabou de saber que o Fome Zero bateu suas expectativas? Acho que não. Para Cláudia Raia, vilã de programa infantil, soltar uma gargalhada livre, leve e solta dessas, é porque alguém se deu muito mal. E ela, malvada, está adorando. Eu também. Mais malvadas
Saturday, December 20, 2003
Pacto da MediocridadeAdorei as sugestões de leituras. Já estou até lendo o primeiro, Timon of Athens, recomendado pelo Dalton, um dos meus leitores mais maravilhosos e que comenta pouco. Os outros livros eu vou ter que correr atrás, mas o literato que não tem uma coleção das obras completas do bardo em casa deveria considerar a construção civil como ramo de atuação. Dalton, obrigado. ![]() Humor em Timon of AthensA peça, além de ter tudo a ver com o que estou procurando, é hilária. Algumas vezes, Shakespeare tem umas tiradas que poderiam estar (pra bem ou pra mal) em qualquer sitcom americano e não consigo deixar de pensar que, hoje, ele estaria roteirizando Friends ou Will & Grace e escrevendo sua literatura séria on the side. Só alguns exemplos: Um cidadão reclama pra Tímon que um dos seus escravos está dando em cima de sua filha. Tímon defende o escravo: Timon: The man is honest Pai da menina: His honesty rewards him in itself; it must not bear my daughter. O filósofo Apemanto é o rei das tiradas. Podia ser o George, de Seinfeld, mas é Shakespeare. Tímon mostra uma jóia a Apemanto: What dost thou think 'tis worth? Apemanto: Not worth my thinking. Depois de levar outra cortada verbal, um ricaço xinga Apemanto: Lord: Hang thyself! Apemanto: No, I will do nothing at thy bidding. Make thy requests to thy friend. A última é do bobo da corte. Um dos ricaços comenta: Lord: Thou art not altogether a fool. Fool: Nor thou altogether a wise man. As much foolery as I have, so much wit thou lackest. E, depois, alguém ainda comenta: that answer might have become Apemanthus. Shakespeare no OriginalSei que muitos leitores vão ter alguma dificuldade em ler e entender os exemplos acima. Nem todo mundo é fluente em inglês e nem todos os fluentes em inglês conseguem entender Shakespeare. Por outro lado, o único Shakespeare que tenho é em inglês, lê quem quer, também não me vejo na obrigação de traduzir tudo, até porque sou tradutor profissional e odeio traduzir. Um dos meus artigos mais polêmicos foi Os Dilemas da Tradução, no qual eu defendo que devemos, sempre que for mais ou menos possível, ler as obras no original. Tudo bem, ler Dom Quixote no original é difícil, você vai perder algumas coisas, mas o simples êxtase de estar sozinho no quarto com Cervantes, só você e ele, sem intermediários, vale e muito a pena os pequenos mal-entendidos. Leiam o resto do artigo que vocês vão gostar. Enfim, outro dia, numa lista de discussão de literatura, uma moça fez uma excelente pergunta: ela queria ler Shakespeare e perguntou se era muito difícil ler no original, se precisava de alguma leitura prévia. Ou seja, uma moça inteligente e metódica que gosta de fazer as coisas direito. O que eu recomendei, vocês já imaginam. Falei pra ela tentar em inglês e, se não desse, somente se não desse, passasse para o português. Mas teve gente propondo que ela lesse em português mesmo: uma das participantes, formada em Letras-Inglês, disse que ela tivera que ler Shakespeare no original pra faculdade e que achava que era quase impossível. Quase impossível. Quer dizer, meus amigos, eu devo realmente ser uma anomalia genético-cultural. Agora entendo porque chamam o Alexandre Soares Silva ou o Polzonoff de pedantes por simplesmente comentar suas leituras. Que pacto de mediocridade é esse? Se nem os nossos formados em Letras-Inglês lêem Shakespeare no original, pra que servem? Não é esse seu trabalho? Ninguém tem obrigação de ler nada no original, embora seja sempre a melhor opção. Mas se nem as pessoas formadas em Literatura, com especialização em uma dada língua, estão lendo no original (ou acham que é melhor ler no original) as obras escritas naquela língua, então é melhor mesmo cortar esse desperdício todo pela raiz. Eu sempre achei meio herético e escandaloso esse negócio de "desconstruir Hamlet" e academicidades do gênero. Meu deus, porque alguém quereria desconstruir Hamlet - ou qualquer outra obra literária? Que instinto perverso é esse que faz uma pessoa que vê uma obra linda e bem construída ter ganas de desconstruí-la linha por linha? De vez em quando, ainda sai algo de bom das faculdades de literatura, mas fico pensando: não seria mais útil para a sociedade botar esse povo todo pra construir prédio, carregar caixote ou servir mesa? Links Relacionados: Timon of Athens - Extraído do Tales from Shakespeare, de Charles e Mary Lamb
Thursday, December 18, 2003
Romances sobre DinheiroEstou escrevendo um romance sobre o dinheiro e sua influência em nossas vidas e gostaria de usar vocês um pouquinho como fonte bibliográfica. Como vêem, hoje estou só pedindo. Gostaria de ler mais livros que tratassem dos dilemas da relação do homem com seu dinheiro, ricos em decadência ou novos ricos em ascensão, coisas assim. Alguns dos livros relacionados que já li são: - O Leopardo, do Lampedusa - Theory of the Leisure Class, do Veblen - Tender is the Night, do Fitzgerald - O Jardim das Cerejeiras, do Tchecov O que mais vocês podem me recomendar?
Três PerguntasEu tenho três perguntas pra vocês. Perguntas simples, rápidas e diretas. Espero respostas francas, mesmo que seja apenas que vocês não sabem do que estou falando, ou que sabem, mas não conhecem o suficiente para dar uma opinião. Caso tenham uma posição definida, por favor expliquem seus motivos. Vamos lá: Capitu, culpada ou inocente? Antígona ou Creonte? Floriano ou Saldanha? Depois que eu achar que todo mundo que tinha que dar opinião já deu, eu comento o assunto.
Um épico injustiçadoCheios de dedos, intelectuais têm dificuldade em reconhecer os méritos literários de "O senhor do anéis" por Alexandre Cruz Almeida "O Senhor dos anéis: o retorno do rei", terceira parte da trilogia dirigida por Peter Jackson, tem estréia marcada nos Estados Unidos para 17 de dezembro. No Brasil, o filme deve estrear no dia de Natal. Deve. Apesar de o site da Warner ainda listar a estréia nacional como confirmada para o dia 25 de dezembro, fontes próximas já dão como certo o adiamento dessa data. As especulações variam. Alguns cogitam a sexta-feira, 26, outros, o sábado, 27, mas a maioria concorda que a data mais provável é a do feriado de 1º de janeiro. "O que se sabe com certeza absoluta é que a pré-estréia será no dia 20 de dezembro," diz Daniel Cossi, Fundador e Diretor-Presidente da Sociedade de Tolkien Brasileira . Naturalmente, o possível adiamento não agradou em nada a legião de fãs de Tolkien no Brasil. E agradou menos ainda o motivo alegado: evitar concorrência direta com "Abracadabra", o novo filme da Xuxa, que estréia dia 19, também pela Warner. A mensagem é clara: o estúdio considera que ambos os filmes têm o mesmo público e, sendo o caso, por que colocá-los para brigar logo de cara? Não há motivo para arriscar diluir o impacto cada vez mais importante do primeiro fim-de-semana. Além disso, não haveriam cinemas suficientes para comportar dois megalançamentos simultâneos. Como Xuxa teria se recusado a trocar a data do lançamento de seu filme, só restou à Warner adiar a estréia de "O senhor dos anéis" por aqui. Não há porque estranhar a banca da ainda rainha dos baixinhos: seus filmes são disparados as maiores bilheterias do cinema nacional. Mercadologicamente, não se pode negar que o estúdio tem lá sua razão, mas vá convencer os fãs de Tolkien. Por seu lado, eles também argumentam que os públicos-alvo não são tão semelhantes assim: enquanto o filme da Xuxa é voltado para crianças e pré-adolescentes, "O senhor dos anéis" é um filme para todas as idades. "No Brasil, vende-se mídia e não filmes," opina Daniel Cossi, que também é editor do Guia de Tolkien, do Projeto SobreSites. Ele acredita que o problema está, justamente, no modo como os filmes são vendidos no Brasil: o apelo de filmes como o da Xuxa, diz ele, são mais pelas participações especiais de uma avalanche de nomes famosos do que por suas qualidades cinematográficas, como roteiro e produção. Mas não é de hoje que "O senhor dos anéis" é taxado de simples obra infanto-juvenil. Tolkien e a Tradição Épica Há muito mais literatura entre o primeiro e o último livro de "O senhor dos anéis" do que suspeita a vã filosofia dos doutores em Literatura Comparada. A trilogia se insere solidamente na grande tradição das narrativas épicas e não fica a dever a nenhuma. Pelo contrário, é a síntese de todas, com uma roupagem moderna e mais acessível. Tolkien faz uso de todos aqueles arquétipos que povoam o imaginário humano desde as primeiras rodas ao redor da fogueira até a mais recente novela das oito. Em seus livros, e não só em "O senhor dos anéis", podemos encontrar os monstros irredimíveis e os monstros que se revelam heróis, os heróis incorruptíveis e os heróis corrompidos, o rei que revela sua nobreza ao se comportar com um homem do povo e o rei que revela sua falta de berço ao abusar das prerrogativas do cargo. Duendes, magos, princesas, elfos e anões completam a lista de arquétipos. Apesar disso, "O senhor dos anéis" nunca é um romance fácil. Ele se utiliza dos arquétipos sem se submeter a eles. Distorce nossas expectativas e nos revela mais do que esperávamos. Sua deliciosa complexidade se deve nem tanto às referências geográficas e mitológicas da Terra-Média, dificuldade que um bom glossário resolve, mas sim às inúmeras camadas de leitura e interpretação que a saga exibe. "O assassinato no Expresso Oriente", por exemplo, clássico de Agatha Christie, foi escrito unicamente por ela, sem a participação de nenhum leitor. Não interessa quantas vezes o lermos: ele vai sempre dizer a mesma coisa, contar a mesma história. Experimente ler "O Processo", de Kafka (ou "O senhor dos anéis", de Tolkien) de dez anos em dez anos: a cada leitura, você estará segurando um livro diferente. A crônica da Terra-Média se presta a múltiplas leituras. Uma leitura mais clássica, por exemplo, se focalizaria em Aragorn, o herói épico tradicional, forte, seguro, leal, comprometido, um poço de qualidades romenescas. A leitura mais óbvia pensa o livro como a história de Frodo. Por um lado, o portador do anel é o herói trágico por excelência, escolhido pelo destino para se sacrificar pelo bem comum, sem esperar nada em troca. Como ele mesmo diz, em um dos trechos mais bonitos do livro, ele salvou o Condado, mas não para ele; algumas vezes, alguém tem que desistir de algo para que os outros possam usufruir dos seus benefícios. Frodo também encarna um típico personagem do imaginário do século XX: o homem comum pego em acontecimentos muito maiores que o obrigam a navegar entre escolhas morais complexas. O exemplo mais imediato são os chamados "romances sérios" de Graham Greene. Mas há outras leituras possíveis do épico de Tolkien. Esqueçam os lordes como Aragorn e, de certo modo, Frodo. Experimentem ler o livro como a história de um jardineiro simples que seguiu seu patrão sem titubear em uma missão suicida do outro lado do mundo. De certo modo, Sam é o único que não se deixa deslumbrar pelos acontecimentos históricos que presencia. Até mesmo Merry e Pippin têm suas ilusões de grandeza e orbitam as cortes dos reis humanos. Mas Sam, o simples Sam, de mentalidade tacanha e direta, consegue o que nem os mais poderosos conseguiriam, usar o anel sem se corromper, e depois voltar calmamente para o Condado e viver feliz para sempre. Outras leituras são possíveis. E a cada nova leitura, o enredo do livro revelará novos símbolos, novos significados, novos tesouros. Apesar disso, os doutores da Academia, que suspiram por grandes épicos da humanidade como "La Mort d'Artur", "Nibelungenlied", "El Cid", "Os Lusíadas" e "Bewoulf", torcem os narizes para "O senhor dos anéis". É pena. Iriam adorar. O livro foi escrito para eles e por um deles. Ninguém melhor do que eles para aproveitar todas as referências e estruturas simbólicas do texto. Mas, infelizmente, os doutores da Academia, e tantos outros, não lêem "subliteratura". Publicado na Tribuna da Imprensa, a Dez.17, 2003 Links Relacionados: Guia de Tolkien SobreSites Sociedade de Tolkien Brasileira Warner Bros Omelete Cinema em Casa Guia de Cinema SobreSites
Wednesday, December 17, 2003
Estréia na Tribuna da ImprensaHoje é minha estréia no diário carioca Tribuna da Imprensa. Para quem não conhece, a Tribuna desempenhou um papel importante na história do Brasil: nas mãos de Carlos Lacerda, o jornal fez e desfez governos. Nos últimos tempos, tem acolhido blogueiros esparsos em suas fileiras, como Clarah Averbuck, João Paulo Cuenca e, agora, eu. Conheci o Caetano, editor do caderno de cultura Tribuna Bis, através da minha sensacional leitora Júlia Viegas. Navegando aqui pela blog, o Caetano leu o post sobre Tolkien, na série Literatura Imaginativa, gostou e me convidou para adaptar o artigo, falando também um pouco sobre o filme, para a capa do Tribuna Bis de hoje. Aqui está a criança: Um Épico Injustiçado. Aproveitem, a Tribuna não tem arquivo on-line e o link só é válido hoje. Amanhã, eu publico o texto completo aqui. Caetano e Júlia, obrigado.
Os Cariocas Não São Mais os MesmosO encontro estava marcado para às 20h, no Centro. Eu, como trabalho em Jacarepaguá até às 21hs, já avisara que iria chegar a partir de 22:30hs, que é o tempo de chegar em casa, tomar banho e fazer a viagem. Cheguei no Amarelinho às 23hs, depois de cruzar a cidade, esperando poder comprar o Cabotino das mãos do próprio autor, falar mal de literatura contemporânea, e também conhecer minha leitora Pauvolida e as blogueiras Paula e Isadora. Nada. Encontrei só a queridíssima Mariana, do Elas por Elas, já pagando a conta. O que houve com os cariocas? Nem mesmo a Pauvolida, que foi lá pra me conhecer, me esperou até às 23h e olha que avisei que iria chegar às 22:30hs. Pôxa, na minha terra um atrasinho de meia hora, ainda mais pra eventos sociais e em uma noite de chuva, são aceitáveis. Gente, não tem problema, conheço vocês na próxima. Elaine, mil desculpas por você ter perdido a viagem. Se tivesse esperado a meia hora, a gente tinha se conhecido.
Tuesday, December 16, 2003
Última Chamada para o Encontro BloguísticoGente, é hoje, terça-feira, 16 de dezembro. Quem quiser me conhecer (e eu quero muito conhecer vocês!) basta comparecer ao Amarelinho, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, a partir das 21hs. Eu estarei lá, com certeza, e também a Paula, do Epinion, o Polzonoff, a Mariana e a Isadora, do Elas por Elas, entre outros. Apareçam.
A Literatura Imaginativa, Parte IV de IV, Final:
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Um blog sobre rebeldia, contemplação e sacanagem, regado a muita literatura e humor. Nosso assunto são as várias prisões que acorrentam o homem, como ambi�‹o, verdade e medo. Dê sua opinião!
Msn (melhor modo de falar comigo)
AmigosAllan Ana Anon Bel Beth Bia Branco Bruno Camila Carol Cinthia Dani Doni Diego F‡bio Fl‡via Harry Helder Ian Idelba Ina L� LŽo Lulu Marcela Marina Marmota Maur’cio Mauro Nemo Nituche Pablo Paula Paula, fiha de Tom, afilhada de Chico, neta de ZŽ Loiro Rafa Renata SergioLinksSobreSites - a empresa que crieiGuia de Blog - tudo sobre blogs Guia de Fotolog - tudo sobre fotologs Guia de Usabilidade - tudo sobre usabilidade Usability - minha empresa de consultoria Usabilidade & AI - design de intera�‹o Gatas do Flickr - fotos de belas mulheres Sublinhado - resenhas de livros e filmes Fotolog - minhas fotos Alex Castro - site pessoal Arquivo
Janeiro 2008
Quer comprar no Submarino? Entre por aqui e eu ganho 8% Di‡rio de Leituras 2007167. RisŽrio, Antonio. Utopia Brasileira e os Movimentos Negros, A. [Brasil, 2007] Dez.166. Nejar, Carlos. Hist—ria da Literatura Brasileira. Da Carta de Pero Vaz de Caminha ˆ Contemporaneidade. [Brasil, 2007] Dez. Ex. de divulg. 165. Williams, Eric. From Columbus to Castro. The History of the Caribbean. [Trinidad e Tobago, 1970] Dez. 164. Borges, Jorge Luis. Pr—logo con un Pr—logo de Pr—logos. [Argentina, 1974] Dez. 163. Borges, Jorge Luis. El Libro de Arena. [Argentina, 1975] Dez. 162. Sarlo, Beatriz. Borges, un escritor en las orillas. [Argentina, 1995] Dez. Internet 161. Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. [Brasil, 168] Dez. 160. Omil, Alba. Cuatro Versiones del Mart’n Fierro. [Argentina, 1993] Dez. (TulBib) 159. Estrada, Ezequiel Mart’nez. Muerte y Transfiguraci—n de Mart’n Fierro. [Argentina, 1948] Dez. (TulBib) 158. Alposta, Luis. La Culpa en Mart’n Fierro. [Argentina, 1998] Dez. (TulBib) 157. 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