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Wednesday, April 30, 2003
Candidato ao JuqueriPra mostrar que nem tudo são flores, o leitor Marcos me enviou o seguinte email, que reproduzo em sua plenitude, exatamente como o recebi. O assunto era “Candidato ao Juqueri” e imagino que ele se referia ao que escrevi sobre a terceira prisão, a Verdade: “A verdade nao aprisona ninguem, na verdade ela indica um caminho, uma saida! De que adianta trepar sem camisinha e saber algum tempo depois que e soropositivo, continuara esse infeliz a transmitir HIV a outros semelhates de sua espécie? Quem acha que a vedade aprisona ou nÃO serve pra nada no minimo é candidato ao manicomio! Sei que a verdade a s vezes, aliado pela propria natureza, vive de ficçao, acredita em qualquer coisa, e iniocente util. como quem eperde tempo com esses blogs que cheirqam a ceu aberto! Desculpé a franqueza, nmao e nada pessoal, erecebi a newleter de voces, dou tambem a minha opinia. e lembre-se que a verdade doi, mas mesmo assim temos de enfrenta-la, afinal a quem voce epmnsa que engana com esse libel.o de merda?” Vocês são testemunhas de como tenho tentado ser elegante e não responder à provocações. Acho mesmo que todo mundo tem direito a sua opinião, sei que as minhas são polêmicas e estou preparado para ser criticado, bombardeado e demonizado. O difícil mesmo é combater meu instinto sarcástico. Por exemplo, eu não lembro muito bem onde escrevi pras pessoas transarem sem camisinha, mas se o Marcos dá a entender que falei isso, quem sou eu pra discordar? Agora, a última pergunta não tem como eu não responder. Vertida para o português, ela deve querer dizer o seguinte: “Afinal, a quem você pensa que engana com esse libelo de merda?” Pôxa, Marcos, todo mundo! Menos você! Você foi esperto demais pra mim e já viu logo que era tudo uma fachada para a minha organização secreta para a disseminação da Aids! Chega, eu me entrego! Amanhã, nesse espaço, um blog sobre os valores da tradicional família católica brasileira.
Tuesday, April 29, 2003
Monday, April 28, 2003
Diário de Leituras: Os HispânicosA partir de hoje, estou compartilhando com vocês meu diário de leituras de 2003. Já dá pra identificar algumas tendências. Foi um ano em que praticamente só li espanhol. Dos 23 livros, seis foram em espanhol, mas dois desses (Don Quijote e Fortunata y Jacinta) tinham mais de mil páginas e me tomaram três meses. Benito Pérez Galdós Em geral, uma leitura leva a outra. Li Whitman por insistência de Henry Miller. Me aventurei por Kafka depois de muita insistência do Kundera. Encarei Grande Sertão: Veredas por causa de uma indicação do Veríssimo. E por aí vai. Mas Galdós entrou em minha vida totalmente por acaso. Estava em um saldão de importados, vi um paperback espanhol com uma capa interessante de Goya, um livro desconhecido, um autor desconhecido, a contra-capa dizia que Galdós era o maior romancista espanhol depois de Cervantes, estava barato, comprei. Cheguei em casa com uma pilha de livros do saldão. Muitos eram livros que eu buscava há anos, pelos quais pagara caro. Vocês podem ficar certos que esse romance desconhecido, de autor desconhecido, não-recomendado, iria direto para o fim da minha fila de leitura, seria um daqueles romances que eu olharia pro lado, na mesinha de cabeceira de meu leito de morte, e diria: puxa, esse eu nunca consegui ler. Mas tenho um ritual pós-compra-de-livros que consiste no seguinte: eu sento numa poltrona confortável, pego aquela pilha de livros (nunca compro um só) e dou uma geral completa. Sei que muitos livros eu, infelizmente, vou morrer antes de ler. Sei até que é possível que eu esteja pegando alguns daqueles livros pela primeira e última vez. Então, leio a contra-capa, as orelhas, alguma introdução ou prefácio, se houver, e as primeiras páginas. Pronto. Depois de ler as primeiras páginas de Misericordia, de Galdós, eu já não queria parar mais. O homem é muito, muito foda. Engraçado, perspicaz, sacana. Seus livros seguem bem aquele o realismo do final do século XIX, com todos os defeitos inerentes a isso, mas também com as qualidades maximizadas ao limite. Sua obra-prima, Fortunata y Jacinta, é reconhecida, por muitos que a leram, como o auge do romance realista. Outros podem ter chegado ao seu nível, Dom Casmurro, Os Maias, etc, mas não dá pra ir mais longe e ainda ser um romance realista. É simplesmente avassalador. Depois de ficar três semanas mergulhado nas suas mil páginas, eu me sentia conhecendo mais a Madri do final do século XIX do que o Rio de Janeiro de começos do século XXI. Seus últimos livros, como o Misericordia que li primeiro, já começam a, aqui e ali, transgredir os limites do realismo, mas infelizmente o autor não viveu o suficiente pra levar esse processo à sua conclusão. É uma pena que não seja celebrado pelo mundo a fora tanto quanto o é na Espanha. Ele merecia. Encontrei um livro dele em catálogo aqui no Brasil: As Novelas de Torquemada, pela Paz e Terra, um volume reunindo os quatro romances protagonizados por Torquemada, não o famoso inquisidor, mas um homônimo agiota espanhol. La Invención de Morel, por Bioy Casares Antes de ler esse livro, eu tinha ouvido falar que Bioy Casares era o garoto-prodígio de Jorge Luis Borges e só. Sua fama se deveria, basicamente, à sua amizade com Borges e aos livros que escreveram juntos, como as deliciosas histórias de Don Isidro Parodi. Comecei a desconfiar que isso talvez não fosse verdade quando li Historias Fantasticas, mas ainda nada conclusivo – embora o primeiro conto seja uma das melhores histórias de fantasmas de todos os tempos. La Invención de Morel encerra, definitivamente, a dúvida: a reputação literária de Casares se sustenta por seus próprios méritos. No prefácio, Borges afirma o seguinte: “He discutido con su autor los pormenores de su trama, la he releído; no me parece una imprecisión o una hipérbole calificarla de perfecta.” Eu sei, parece puxa-saquismo mas definitivamente não é. Além de ser um clássico da ficção científica, o livro é curtinho e vale muito a pena. Confesso que lá pelo meio eu fiquei meio desesperado, pois nada acontece e você não entende o que está acontecendo. Mas isso logo passa. Não larguem esse livro no meio.
Saturday, April 26, 2003
Liberdade nos Olhos dos Outros É RefrescoLembram da Teresa, minha amiga citada no post "Você Não Precisa Amar Todos, Não com o Corpo", de 11 de abril? Ela me mandou o email abaixo: “Bem, desde que me separei estou curtindo ser solteira. Para mim as coisas ñ são muito fáceis, pq a maioria dos homens pensam como vc, sobre fidelidade. Eles querem ficar com outras, liberdade total para eles, se a gente tem algum problema de ordem sentimental eles pulam fora e vc ainda tem q ficar vigiando os filhos da puta pra eles não fazerem merda. E quanto a nós, exatamente isso, a gente tem q ser só deles.” Depois disso, uma outra leitora, Priscila, com a qual eu nunca tinha mantido contato, me escreveu o seguinte: “enviei por mail para meu namorado e artigo sobre a monogamia, pra ver o que ele achava... foi a maior complicação, ele queria saber quais eram minhas intenções ocultas com aquilo, achava que eu estava tramando alguma coisa, preparando campo, afim de alguém, etc.. nosso namoro quase acabou e não sei se não acabará em breve em virtude disso... mas que porra, eu sempre achei que qualquer namorado adoraria a proposta de um namoro aberto, sem tantas imposições e exigências, e fui praticamente massacrada por isso. definitivamente, não consigo entender.” Esse tipo de email me deixa balançado. Pra começar, nunca me acostumo aos efeitos que minhas palavras ou atitudes têm na vida dos outros. Sempre fui muito independente, falo sempre só sobre mim mesmo, caminho sozinho e vou onde eu quero. Me assusta, às vezes, saber que tem gente tentando me acompanhando e me perturba ainda mais saber que eles de vez em quando levam uns tombos. Esse será assunto para um outro post. Mas acho que minhas amigas cometeram alguns equívocos em relação aos homens. Por exemplo, Teresa disse que a maioria dos homens pensa como eu, mas então ela deve estar andando com uma turma bem diferente. Não conheço NENHUM homem que pensa como eu. Mulheres, algumas, poucas. Elas falam: hmm, se ele me liberasse pra transar com outros, eu liberava ele pra transar com outras. Mas os homens? Nenhum toparia um casamento como o meu. Tanto homens quanto mulheres querem liberdade sexual. Liberdade todo mundo quer, é bom ter, mesmo que planejem não usar, mas liberdade nos olhos dos outros é refresco. A diferença entre homens e mulheres é outra: algumas mulheres acham que dividir seus homens é um preço pequeno a se pagar pra se ter essa liberdade. Dos homens, nenhum que conheço achou esse preço palatável. A liberdade é linda, mas se for pra dar a mesma liberdade às suas mulheres, preferem eles mesmos não ter! A história da Priscila só confirma entre triste fato. Leitoras, cuidado antes de propor putarias aos seus respectivos: homens são mais territoriais, preferem não ter liberdade a dividi-la. Considerem-se avisadas. Ah, e Teresa errou feio ao achar que não ligo pra fidelidade. Pra mim, fidelidade é fundamental. Se minha mulher não for fiel a mim por meia vez que seja, eu vou embora e não volto mais. Só que fidelidade não tem nada a ver com sexo...
Friday, April 25, 2003
Casamento, Divórcio e HipocrisiaLaura é uma de minhas melhores amigas, lá da infância, quando eu já era metido a maluco, mas não tão quanto hoje. Ela e casamento têm tudo a ver na minha cabeça. Pra começar, ela foi a primeira das minhas grandes amigas a casar – pra quem não sabe, eu nunca tive muitos amigos homens e meu grupo de amigos íntimos da adolescência era composto por várias mulheres maravilhosas que até hoje eu amo de paixão. Também fui sua testemunha no cartório e chorei que nem um bobão durante a cerimônia. Quando escrevi meu romance, Mulher de Um Homem Só, Laura era a única pessoa realmente próxima a mim que já tinha casado e me inspirei nela pra muitas coisas que estão ali. Enfim, minhas amigonas estranharam um pouco esse blog a princípio – eu sempre fui radical, mas agora estou surtando de verdade – mas agora estão se achegando mais. É engraçado porque quando a gente passa por uma grande mudança na nossa vida, nosso grupo de conhecidos acaba sempre se dividindo em dois: as pessoas que te conheceram depois da mudança, e que acham que você é assim e sempre foi assim, e as pessoas que te conheceram antes, que acompanharam aquele processo, e que, às vezes, podem até achar que você mudou pra pior. Escrevi um artigo longo sobre isso que vou postar aqui em breve. Laura me mandou o seguinte email, sobre o post “O Casamento Faliu”: “Só quero te dizer que estou ficando viciada no seu blog. Nao vai ficar metido para cima de mim nao pque nao concordo e fico irritada com metade do que voce escreve. Concordo que divorcio nao e o fim do mundo e que e muito melhor os pais separados do que ter um lar infeliz. Por outro lado, apesar de eu nao saber nenhum detalhe, a separacao dos seus pais foi "amigavel" (pelo menos eu acho). Tiveram casais na minha familia que se separaram brigados e foi muito traumatico para os filhos (que hoje ja crescidos continuam cheios de problema). Entao o meu issue com este post, assim como a maior parte do que voce escreve e voce transforma uma experiencia sua numa generalizacao de comportamento no resto da sociedade.” Às vezes, eu faço isso, sim, e faço de olhos abertos: acho que um dos melhores métodos de apreender o mundo é de dentro pra fora. Como não sou cientista, não preciso de evidencia empírica pra fundamentar minhas frágeis conclusões. Digo o que acho, concorda quem quer. Não tenho pretensões de sábio, nem me finjo de expert em coisa alguma Mas, ainda que eu faça isso de vez em quando, não foi o caso aqui, por um motivo simples: estou falando de divórcio em geral, e você está falando de um tipo de divórcio específico: o litigioso. Óbvio que divórcio litigioso é ruim, ninguém acha bom ver a mãe tentando tirar até as calças do pai, ou vice-versa. Isso nós DOIS concordamos. Mas tem gente (nem eu, nem você, espero) que diz que divórcio é ruim ponto, que divórcio é ruim intrinsecamente e que as pessoas não deveriam se separar nunca, para não destruir a cabeça dos filhos. E o que eu digo é: em geral, o divórcio é bom. Mas, claro, quando é um divórcio problemático e violento, então não é bom! Em outras palavras, os seus amigos traumatizados não provam que divórcio é ruim. Isso seria como dizer que ir pra faculdade é ruim porque meu primo levou porrada no trote e ficou traumatizado pra sempre! Vamos separar as coisas. Freqüentar universidade é bom. O que houve com seu primo é que foi fora do normal e péssimo, e os culpados devem ser punidos. Idem idem aqui: os seus amigos ficaram traumatizados não porque divórcio é pecado, ou porque divórcio é ruim, ou porque o divórcio vai destruir a tradicional família brasileira, mas porque os divórcios dos pais DELES foram mal-feitos, litigiosos, perversos, dolorosos. Eles é que não souberam brincar. Pra terminar, Laura escreveu: “Só nao entendo uma coisa - se voce ja esta casado, e nao se preocupa com o futuro nem com garantias e protecao no caso de alguma coisa nao dar certo, entao pque take o extra step de assinar o papel? Nao estou falando que vce nao deve casar - muito pelo contrario - eu nao sou nem um pouco contra o casamento (foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida), mas acho que voce esta sendo um pouquinho, titiquinho, tiquitiquitiquitinho hipocrita.Parabens pelo nao casamento :-)” Nada hipócrita, nem um tiquitiquitiquitinho. :) Eu não ligo pra casamento e continuo não ligando, mas se a família da minha mulher faz questão, por que não? Por que eu iria bater o pé? Já me sinto casado, não vai ser esse papel que vai fazer eu me sentir ou estar mais casado do que já estou. É como a questão do casamento religioso. Sempre disse que estou disposto a fazer isso. Sou ateu. Subir num altar e falar umas mentiras e pedir a proteção de um ente que não existe, poxa, isso não me custa nada. Quem acredita nesse ente e acha que o tal altar é sagrado é que não deveria querer que eu subisse lá e mentisse, mas isso é problema de quem tem fé. Felizmente, minha mulher concorda com isso e parece que casar no religioso eu não vou precisar fazer. Pra ser bem casado, a gente precisa saber ceder. Ou melhor, saber escolher as batalhas. Isso não é hipocrisia. E, aliás, casar também foi uma das melhores coisas que já fiz.
O Casamento FaliuEu e minha mulher vamos nos casar no dia 8 de maio. Caso você seja um conhecido nosso e fique chateado de saber por aqui, não fique. Ninguém foi convidado pra nada, não vai haver festa. Simplesmente assinaremos os papéis no cartório e pronto. Tudo bem anti-climático mesmo. Eu, sinceramente, não estou dando a mínima. Na minha cabeça, casei com ela quando fomos morar juntos, um ano e meio atrás. Esse foi o compromisso. O resto é burocracia. Papelada pra sogro ver. Pensando em nosso casamento próximo, assistimos juntos ao Globo Repórter de sexta-feira retrasada. Tenho duas observações a fazer. A primeira é rápida. Que bom que já está começando a se perceber que divórcio dos pais não é nenhum fim do mundo pros filhos. Meus pais se separaram quando eu tinha 12 anos de idade e foi ótimo. As crianças sabem quando o casamento não vai bem, ninguém quer ver os pais casados por culpa, por ressentimento. É muito melhor ter duas casas, e ter dois pais felizes, independentes, ativos, do que ser filho de pais casados há 50 anos e que se odeiam. Enfim, eu nunca entendi todo o escândalo que faziam sobre isso e é bom ver que as coisas estão mudando. E dois, acho a maior graça mesmo, isso me faz rir, ver que todo mundo se refere a um casamento que acaba como fracassado. Fulano e fulana foram felizes por quinze anos, até que seu casamento fracassou. Caramba, isso é como dizer que Dom Pedro I foi um fracasso só porque ele morreu. Todo mundo morre. Assim como todo casamento acaba. O que importa é o que acontece antes disso. Julgar um casamento por sua duração é, simplesmente, não entender o que faz de um bom casamento um bom casamento. Vou dar um exemplo. Estou casado há um ano e meio e tenho sido delirantemente feliz. Se amanhã – não dizem que assinar papel muda tudo? – as coisas começarem a ficar ruins e, lá pra agosto, mesmo depois de tentar reverter a situação, eu perceber que a felicidade se esvaiu, duas coisas podem acontecer: 1) eu dou um beijo na testa da minha esposa, junto meus livros e saio porta afora, pra perseguir minha felicidade, depois de um casamento de dois anos absolutamente feliz e muito bem-sucedido. 2) ou então, eu fico. Trinco os dentes e fico. Agüento tudo, engulo a raiva e a tristeza e fico. Tento consertar, não consigo, e fico. Depois de quinze anos, não suporto mais, tenho que ir embora. É o fim de um casamento de quinze anos absolutamente infeliz e mal-sucedido. A função cultural do casamento é uma só: proteger o mais fraco, seja ele a mulher ou os filhos. Se não fosse o casamento, qual seria a tendência da maioria dos homens? Casar, emprenhar a esposa diversas vezes, mantê-la em casa fazendo coisas de mulherzinha, acumular dinheiro. Um belo dia, ele iria se ver com os filhos crescidos e morando com uma velha. Pra que sustentar a velha? Ela, que não se educou, não trabalhou, só sabe parir e não tem como se defender nem se manter, seria sumariamente posta na rua, pra morrer de fome, e o garboso marido compraria duas de 18. Por isso, a instituição casamento visa proteger esse lado mais fraco, dificultando o processo de separação e criando a instituição da pensão alimentícia para mulheres (só as que não trabalham!) e para os filhos pequenos. Tudo isso é muito bonito e muito justo. E, quando ambos os cônjuges estão em posição de igualdade social e econômica, também muito desnecessário. Eu e minha mulher temos nossas vidas, nossas carreiras, nosso dinheiro. Ninguém sustenta ninguém. Se eu deixar de amá-la, ela não precisará da proteção da lei pra não passar fome. Pelo contrário, como é mulher decidida, com auto-estima e respeito próprio, ela vai ser a primeira a não querer viver com um homem que não a ama. Dividiríamos livros, móveis e CDs, e ela iria pra um apartamento seu, pago com seu próprio dinheiro. Ponto. Somos dois adultos livres. Se eu não quiser mais morar com ela e ela não quiser mais morar comigo, não vejo que direito tem a lei de dificultar ou atrasar esse processo, de me dizer que não posso casar de novo por tanto tempo, etc. Não preciso que a lei proteja meu casamento. O casamento é meu, eu o desfaço quando quiser. A lei não está do lado das pessoas, mas das instituições. Não do lado dos cônjuges, mas do casamento em si, da família, dessas abstrações. E é fato sabido que, muitas vezes, essas coisas se auto-excluem. Muitas vezes, o casamento só se mantém à custa de uma extrema infelicidade de seus participantes. E, nesses casos, a lei está sempre do lado do casamento, nunca das pessoas. O casamento, entidade viva, deseja sobreviver a todo custo, mesmo que isso signifique infelicidade pra homem, mulher, crianças, gatos e cachorros. Por isso, o casamento faliu. Por isso, hoje, o casamento não serve mais pra nada. Vocês devem estar pensando: pôxa, que discurso romântico, vindo de um homem que vai casar em duas semanas. Mas esse é o ponto: não vou casar. Já casei, há um ano e meio, e foi a coisa mais incrível que fiz na minha vida. Não tenho como estar mais casado do que estou. Dia 8 vou só assinar um papelzinho.
Thursday, April 24, 2003
Wednesday, April 23, 2003
Falando As Verdades Desagradáveis II: A História de PaulaTive um namoro de alguns meses com uma moça chamada Paula. Acabei terminando o relacionamento porque ela estava muito apaixonada por mim, enquanto que eu só gostava dela. Ela sabia disso, mas o negócio estava ficando tão intenso que achei melhor matar o relacionamento pela raiz antes que ficasse muito complicado e ela se machucasse ainda mais. Eu gostava dela, mas queria distância, nem que fosse apenas pra que ela pudesse me esquecer. Só que a menina insistia em ainda me ligar todos os dias e falar longamente sobre tudo o que acontecia na sua vida. Depois de alguns dias, eu já não agüentava mais. Fazer o quê? Não consegui falar pra ela não ligar. Não dá pra falar essas coisas. O que eu fazia então? Ouvia. Ouvia por horas a fio. Respondia monossílabos, não demonstrava interesse algum e não contava nada da minha vida. Achei que assim, em pouco tempo, ela iria se mancar e parar de ligar. Até parece, né? Continuou ligando. Queria marcar de me ver e eu, que naquela época trabalhava em casa e tinha o horário mais flexível do mundo, estava sempre ocupadíssimo. Ela não se mancava. Aí queria aparecer na minha casa, avisava que estava indo, e eu, que na época ficava em casa 95% do tempo, acontecia de estar sempre de saída. E ela não se mancava, meus amigos. Se a minha falta de interesse fosse uma cobra, tinha fugido dela, desesperada. Finalmente, ela fez uma coisa que me revoltou. Paula ligou pra minha casa e deixou um recado com a empregada dizendo que estava indo. Só isso: estou indo pra aí. Liguei de volta cinco minutos depois e ela já tinha saído de casa – atenção, crianças: celulares nem sempre existiram, tanto que, na idade da pedra, quando essa história aconteceu, eles nem tinham sido inventados ainda. Achei que aquilo era demais. Minha casa é meu castelo. Pensei: se ficar aqui, minha tarde vai pro espaço. Se for embora, a tarde dela vai pro espaço. Hmm, escolha difícil essa, ainda mais quando foi ela que cometeu a indelicadeza de ligar e simplesmente dizer que estava indo. Isso é o cúmulo. Saí. Quando ela chegou, minha família disse que eu tinha um compromisso inadiável e que, se ela tivesse falado comigo, ao invés de apenas deixar um recado, teria poupado a viagem. O que acham que ela fez, a cara de mogno? Sentou pra almoçar com a minha família, como se ainda fosse minha namorada, e só saiu de lá à noite. Ficou a tarde toda na maior social. Final feliz: depois disso, parou de ligar.
Tuesday, April 22, 2003
Ainda Sobre o Edifício MasterOdeio ficar explicando e clarificando o que escrevi. Escritor que fizer muito isso vai acabar escrevendo outras três vezes tudo o que já escreveu uma vez. Mas quando um leitor aparentemente inteligente, articulado e bem educado entende o oposto do que a gente tentou dizer, vale a pena tirar dez minutinhos pra clarificar o ponto. Nem que apenas pra presentear quem tem caráter de criticar com elegância. Sobre o post O Lado Cômico do Edifício Master, o leitor Jery Mércio escreveu: “Só para a tua informação: os entrevistados do Edifício Master não só sabiam que estavam dando depoimento para um filme e que o diretor ia publicar o que quisesse, como receberam ($) para dar seus depoimentos, procedimento muito comum em documentários sérios do mundo inteiro e raramente usado no Brasil, mas não por questões éticas (muitíssimo pelo contrário). Muito bem. Parece que o que te impressionou e desencadeou o mote de teus comentários foi o fato de os depoimentos serem muito espontâneos. É aquele negócio: quem faz um site só pra falar mal, como se fosse vantagem ou novidade, vê defeito onde há virtude. Em tempo: não vi o filme em questão, mas vi outros de Coutinho: Santo Forte e Cabra Marcado Para Morrer. O cabra é bom e a espontaneidade dos depoimentos é o seu forte. Que sejas mais feliz em outros comentários. Que sejas feliz em tudo! Um abraço e parabéns, de qualquer modo, pelo esforço. Só é criticado quem faz alguma coisa: o Coutinho, você... jary” Não fiz nenhuma crítica sequer, nem sugestão de crítica, nem ironia, nem nada de nada, ao filme. O filme é impecável, um dos melhores documentários brasileiros de todos os tempos. Jary, você que não viu, deveria ver, e correndo. É óbvio que os entrevistados sabiam que estavam sendo entrevistados para um filme: com certeza, não era pra coleção particular do Coutinho. Realmente, eu não sabia que tinham sido pagos e, pra fins do meu comentário, isso é irrelevante. Os depoimentos são sim muito espontâneos, bem conduzidos e bem editados e, por tudo isso, o filme é genial, mas eu nem toquei nesse assunto. Aliás, relendo o post, eu vejo que mal falei, comentei ou resenhei o filme: o meu mote, como você colocou, foi a reação perversa da platéia. Foi algo muito doloroso de ver, aquelas pessoas todas rindo com escárnio dos entrevistados do filme. Não havia nada que o Coutinho pudesse ter feito pra prevenir isso. Acho até – e falo isso com todas as letras no penúltimo parágrafo – que ele fez o que pode. Mas a maldade humana não tem solução: quanto mais naturais e espontâneos fossem os depoimentos, mais seriam caçoados. Uma das mais fiéis leitoras desse blog, a Elaine Pauvolid, colocou a questão muito bem: “As pessoas tendem a encarar o outro com menosprezo ou idolatria. No caso, como eram pessoas comuns, devem ter menosprezado. A idolatria vai para os heróis, geralmente existentes somente no écran e no imaginário.” Os entrevistados estavam despreparados para a reação perversa da platéia porque, realmente, nada poderia tê-los preparado pra isso. Falaram sério e esperaram ser levados a sério. Se o Coutinho os tivesse avisado que iriam ser vítimas de escárnio, com certeza responderiam: eu não, meu depoimento é especial, o meu, as pessoas vão levar a sério. Jary, espero que tenha clarificado suas dúvidas. Fico pensando se o motivo do mal-entendido foi você não ter visto o filme. Enfim, você só foi realmente cruel em uma coisa: “quem faz um site só pra falar mal, como se fosse vantagem ou novidade, vê defeito onde há virtude.” Essa eu não mereci. Criticam meu blog, merecidamente, de ser chato, prolixo, egocêntrico, etc, mas de ser um blog criado pra falar mal, nunca. Não falo mal de ninguém, só falo de mim. E ver defeitos, bem, só vi defeitos na platéia: no filme, não vi nenhum. Felicidade pra você também!
Falando As Verdades Desagradáveis: Parte 1 de 2Outra leitora fiel, a Sue, escreveu o seguinte, sobre o post A Diferença Entre as Mulheres que Você Come e as que Você Não Come, de 13 de abril: “Faz tempo que eu não lia um post tão inteligente, espirituoso, e que diz um bocado de coisas que as mulheres precisam ouvir e não querem. De uma maneira tão leve. Eu vim descendo do seu post mais recente para este, lendo tudo no caminho. Fui ficando curiosa a respeito de que post tão terrível seria este que causou tanta indignação. Quando cheguei aqui, encontrei um post para lá de sensato, que espelha exatamente o que eu penso. Comecei a rir sozinha na frente do meu computador. Putz, mas sabe qual é o problema, Alexandre? Não são só as mulheres que ficam presas em comportamentos antigos e sexualmente determinados. Os homens ficam armados se uma mulher toma a iniciativa de ligar. Ao invés de FALAR "olha, liga menos, você está sendo invasiva", ou "desculpe,agora não dá/quero falar com você", os homens são gentis e queridos ao telefone, depois comentam com os amigos que "fulaninha não larga do meu pé". E aí?? Complicado...” Sue, olha só, concordo e discordo. Homens e mulheres em geral estão excessivamente presos à padrões e expectativas, o que muitas vezes bloqueia totalmente o processo de comunicação – pra não falar do processo de fornicação. Não é um problema nem feminino nem masculino. Por outro lado, sem convenções e expectativas, a comunicação também ficaria impossível, por ficar muito imprevisível. Eu sou uma das pessoas mais brutalmente honestas que você pode conhecer. Pareço uma criança de cinco anos. Minha mulher fica maluca. Mas mesmo eu tenho meus limites. Outro dia, uma fiel leitora desse blog, cujo nome não vou citar, me enviou seu romance pra eu ler. O livro era muito ruim. E como é que eu ia dizer isso pra ela? Quando alguém te dá um romance pra ler, é quase como deixar você botar o filho recém-nascido no colo. Você não pode deixar cair. Ou pode? Decidi que eu tinha que put my money where my mouth was. Ou, usando outro ditado americano que eu simplesmente amo e para o qual não há equivalente em português: I talked the talk, now could I walk the walk? Em português claro: se eu não fosse capaz de chegar pra ela e dizer que o romance dela era muito fraco, era melhor eu fechar esse blog, desistir de escrever e ir procurar emprego em uma carreira, digamos, mais sincera, como relações-públicas, porta-voz, vendedor de carros usados ou político. Acabou que falei tudo o que achava e ela me agradeceu. Ela se matou duas semanas depois, mas acho sinceramente que os dois acontecimentos não tiveram nada a ver um com o outro. Brincadeiras a parte, nem mesmo eu consigo chegar pra uma mulher com quem esteja começando um relacionamento e dizer pra ela ligar menos, que ela está sendo intrusiva, ou que não quero falar com ela. E, olha, se eu não consigo falar, é porque deve ser perto de humanamente impossível de se falar. Amanhâ: case study, a história da Paula. (continua...)
Sunday, April 20, 2003
O Escultor de SaddamO bom jornalismo é aquele que nos revela o que nem sabíamos não saber. É aquele que nos surpreende, criando conexões e relações entre eventos aparentemente desconectados. Quem lê o meu blog sabe que estou de saco cheio dessa guerra do Iraque. Especialmente com a imprensa carioca. Como é que um jornalista que precisa se desviar de falsas batidas, cadáveres, ônibus queimados e balas perdidas pra chegar ao trabalho senta no seu computador e se mostra chocado com a morte de cinco civis iraquianos em um bombardeio? Esse cara mora em uma bolha? Enfim, o Jornal do Brasil me surpreendeu positivamente hoje, com a primeira matéria original que já li sobre a cobertura dessa guerra. Tudo bem que a matéria é originalmente do The Independent, escrita por Peter Popham, correspondente em Roma, mas vá lá. Finalmente, parece que alguém está pensando em novos ângulos e novas perspectivas: “Destruição de Estátuas Deixa Autor Desolado O escultor responsável por algumas das grandiosas estátuas de Saddam Hussein destruídas por simpatizantes dos EUA no Iraque está indignado.” Não é lindo que alguém tenha lembrado que, independente de facções, guerras ou políticas, aquelas estátuas foram esculpidas por alguém, um artista de carne e osso, que não só viu pela TV seu trabalho ser destruído como também teve que ouvir todo mundo falando nisso como se fosse a melhor coisa do ano? Adorei. Pra quem sabe ler inglês, recomendo fortemente, sempre, que leiam a versão original. Aliás, uma coisa estranha. A tradução no JB é tem um parágrafo a mais que a versão original do The Independent. Será que foi o tradutor do JB que surtou e acrescentou coisas, ou será que o JB teve acesso a uma versão preliminar, não-editada da matéria?
Mega Atualização no Meu SiteAproveitei o feriado pra fazer uma mega atualização do meu site. Já estão arquivadas, para facilitar a referência, as quatro prisões já tratadas: monogamia, heterossexualidade, verdade e segurança. Também estou arquivando, na recém-criada página de artigos, alguns dos melhores posts do blog: Gostar de Quem Não Gosta da Gente, O Lado Cômico do Edifício Master, A Diferença Entre as Mulheres que Você Come e as que Você Não Come, Autores Libertários, Internet: Reveladora de Cavalgaduras, Vamos Prender o Padeiro de Beira-Mar, Mais Livros do Mal e Literatura Contemporânea e Livros do Mal. O site também explica muito do que fica obscuro nesse blog. Quem sou eu? Por que me chamo de Liberal Libertário Libertino? O que são essas prisões de que eu tanto falo? Como entrar em contato direto comigo? Mais importante, é lá que vocês podem fazer download do meu romance, Mulher de Um Homem Só. Quem gostou desse blog não pode deixar de dar uma passadinha no site.
Saturday, April 19, 2003
Minhas AmarrasMinha querida leitora, Ótima, escreveu: “O post sobre a Joana foi triste, sim, e mostrou que você ainda sustenta várias amarras, Alexandre.” Ótima, valeu mesmo pelo input! Eu sei que ainda vivo amarrado. Nunca disse que tinha conseguido vencer todas as prisões. Eesse blog é o diário do meu processo de libertação, que inclui primeiro identificar as prisões e depois lutar contra elas. Contra umas, eu já nasci vacinado: religião, marxismo, vergonha. Outras, eu venci por esforço consciente e a duras penas: monogamia, verdade, medo do futuro. Contra algumas, ainda estou lutando: heterossexualidade, patriotismo. Quem gosta desse blog às vezes gosta até demais (parece que quem desgosta também desgosta demais!) e tenho receio de me transformar em um guru. Não sei nada sobre a vida de ninguém. Por isso, falo só de mim e tento (ah, em vão, eu sei, mas tento) não cagar regra. Na verdade, o post é simples e pode ser aplicado a qualquer pessoa que passa por nossas vidas, desde uma amante/namorada, até amigos e mesmo funcionários. Eu tinha um funcionário na minha empresa que era muito eficiente, só que não tomava banho, fedia e incomodava todo mundo. Quando pediu demissão, eu fiquei chateado de ele ir embora, mas também pensei: porra, pelo menos não vou mais ter que aturar ele chegando aqui fedendo de manhã cedo e a fofocada toda e o mal-estrar entre os outros funcionários que não queriam sentar perto dele e ficavam fazendo piadinhas. Idem com a Joana: sinto ainda muito a perda dela, sim, mas é um alívio não ter mais que ouvir certas coisas. Ótima (e todos os leitores também, a pergunta está no ar pra quem quiser responder), que tipo de amarras achas que ainda carrego?
Friday, April 18, 2003
Tutty Vasques: Afinal, Quem Manda no Rio de Janeiro?Sensacional, como sempre. "Os baianos devem estar morrendo de inveja: o carioca vai emendar a Semana Santa na Semana Santo. Até o Dia de São Jorge, feriado municipal da próxima quarta-feira, ninguém faz nada no Rio de Janeiro, já que na terça, ponto facultativo, a cidade vai funcionar como naqueles dias em que o tráfico manda fechar tudo. Meia bomba total. (...) A decisão de enforcar a terça-feira, entre as efemérides de Tiradentes e São Jorge, é do prefeito César Maia, que, com R$ 1,8 bilhão em caixa, não vê motivo para tanto dia útil no calendário da cidade. (...) Pobre crime organizado! Vai ter que mudar de tática para continuar aterrorizando o Rio de Janeiro. Não faz sentido mandar ordens para fechar o comércio e as escolas com tantos feriados e pontos facultativos pela frente. Corre à boca pequena nas bocas de fumo da cidade a idéia de mandar abrir o que o poder público mandar fechar. Só então saberemos quem manda de fato na boa vida dos cariocas." Leia o texto completo na No Mínimo.
Ter ClasseClasse é que nem Fiat Stilo: ou você tem ou não tem. E classe (e boa educação e elegância, etc) é justamente pra ser usada com quem não gosta da gente, com quem é grosso, com quem está histérico. Ninguém precisa pedir pra você ser educado com seu melhor amigo. Quando alguém chega pra mim com cinco pedras na mão, eu dou a outra face e reajo com o máximo de classe e elegância possíveis. Eu faço isso por três motivos: 1) Ter classe é um valor intrínseco. Mesmo que não houvesse nenhuma vantagem prática, faz bem ser elegante. Dá até, claro, aquela pontada no ego se saber tão superior ao outro, que está ali gritando e esperneando. 2) Muitas vezes, o outro chega com cinco pedras na mão por algum mal-entendido fácil de se resolver. Se você responde com outras cinco pedras na mão, o conflito escala e, logo logo, não tem mais volta, não tem mais diplomacia, só porrada. Além disso, a maioria das pessoas inteligentes e racionais, mas temporariamente histéricas, reage com surpresa positiva ao ver que você não está histérico nem ofendido. Não esperam isso. Quebra seus paradigmas. Nesse instante de surpresa, eu consigo um tempinho pra tentar desarmar a situação. É muito gratificante quando funciona, já ganhei amigos assim. 3) Eu tenho que confessar minhas fraquezas humanas e admitir que a terceira é a minha preferida. Eu me divirto mesmo é quando a minha elegância descontrola completamente o outro. Não sei bem porque, não entendo como a cabeça desse tipo de gente funciona, talvez seja a frustração desesperadora de querer provocar o outro e não conseguir, ou de se saber baixo, querer de tudo quanto é jeito arrastar o outro pro seu nível e ele se recusar a descer, por aí. Mas é muito divertido ver isso acontecendo, assim, ao vivo. Até que porque, quanto mais elegante você é e quanto mais descontrolado o outro fica, mais ele se aliena perante quem estava observando a patética cena, mais sozinho ele fica. Isso também é bonito de ver. Mas enfim. Parte da graça também é eu me abster de discutir com gente histérica. Gritam comigo, eu retruco elegantemente tentando desarmar a situação, o outro fica mais histérico ainda e... Bem, eu observo um pouco pra me divertir, depois viro as costas e vou embora. Um dos leitores do blog da minha mais nova amiga disse que quando eu desse porrada nela, ele gostaria de ser avisado – teoricamente, pra ele poder ver e se deliciar. Ela respondeu, com surpreendente insight e sem ironia alguma: “Quanto as coisas que falei a respeito do seu colega Alexandre, não precisa se preocupar. Ele é um rapaz de mente aberta que quer se libertar das prisões portanto vai encarar tudo que foi dito com extrema naturalidade. Tenho certeza que não irá se ofender com uma linha do que foi dito, muito pelo contrário. Afinal de contas estou só seguindo a própria filosofia dele: dizer o que se quer.” Ela está coberta de razão. Fiquei, aliás, surpreso em ver como ela me conhece bem. A confusão que ela causou não deriva de nenhum tipo de mal-entendido. Ela leu o meu blog de cabo a rabo – vários comentários que fez indicam isso – e me entendeu muito bem, sabe exatamente quem eu sou, o que eu defendo e quais são meus valores. Me entende melhor até do que alguns amigos e admiradores que pensaram que eu poderia estar chateado ou com raiva, ou que eu deveria ir lá tomar satisfações e brigar, etc. O problema não é um mal-entendido que pode ser clarificado: ela me entendeu bem até demais, só não gostou de quem eu sou e do que defendo. Mas isso tudo é muito justo e é direito dela. Foi um pouco grossa, mas isso é problema dos seus leitores, não meu. Na verdade, sou escritor profissional, sempre fui, sempre quero ser. Parem e pensem: o que mais um escritor pode querer do que um leitor que leia muito do que ele escreveu e que demonstre conhecê-lo assim tão bem? Ela não gostar de mim é um mero detalhe. (Gostaria muito de saber o que vocês acharam dessa divertida novelinha, mas não vou mais fazer posts sobre isso, pra não alimentar o monstro. Aliás, falei até demais, mas foi minha primeira detratora, não estava preparado. Nos próximos, serei mais breve. Assunto encerrado.)
Thursday, April 17, 2003
Kit Básico da Mulher ModernaGente, quem ainda não foi no blog citado abaixo, tem que ir. Quem já foi, vá de novo. Por favor. Não vou dar mais detalhes. Tem até fotos. Só vendo.
Gostar de Quem Não Gosta da GenteUma moça muito simpática postou o seguinte comentário no seu blog, Kit Básico da Mulher Moderna: “Dica de um manéman's blog Não deixem de visitar o blog de um típico mané da espécie (se é que podemos chamar assim) masculina. O nome do blog é Liberal Libertário Libertino. Dá pra dar boas risadas com os textos do nosso colega LIBERTINO. O blog até poderia se chamar KIT BÁSICO DO MANÉ MODERNO. Só não esqueçam: antes de visitar o blog tomem um remédio anti-vômito e deixem um saquinho daqueles de avião à mão para qualquer emergência.” Bem, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Eu falo tudo o que quero e já estou acostumado a ouvir o que não quero. Esse negócio de achar que todo mundo tem que gostar de você é a maior falácia. Sempre vai haver um grande grupo de pessoas que te acha simplesmente um merda – ou um mané, como disse minha nova amiga. Sim, foi isso mesmo que ouviram: amiga. Quem me lê e ainda por cima linka pra mim é minha amiga. Em menos de um dia, uns 15 novos usuários já chegaram ao meu brog pelo link que ela criou e, quem sabe, podem até ter gostado. Aliás, recomendo aos meus leitores que dêem um pulo no blog dela, ou mandem um email, mandando-lhe um caloroso abraço em meu nome. Tudo bem que ela não vai muito com a minha cara, mas isso nunca me impediu de considerar alguém meu amigo. Historinha boba de infância: estava um grupo de crianças discutindo qual dos pais dos amigos eles mais e menos gostavam. Todas (eram só meninas, menos eu, um padrão recorrente na minha infância e adolescência) foram unânimes em escolher a Luciana, mãe de uma menina que obviamente não estava lá, como a mãe de quem elas menos gostavam. E eu, sempre do contra, tinha dito que ela era justamente minha favorita. E minhas amigas disseram: ela não gosta de crianças, não gosta de nenhum de nós. Com isso, eu até concordava. Ela era diferente. Além de ser uma das poucas mães do grupo que trabalhava, ela era uma intelectual, escrevia livros, aparecia na televisão, não tinha realmente muito saco pra crianças e nem pro dia-a-dia doméstico da maioria das outras mães. Mas então eu não tinha entendido a brincadeira. Era pra dizer o nome de quem a gente não gostava ou de quem não gostava da gente? Pronto. Fui zoado. Bobo!, é a mesma coisa! Óbvio que a gente não vai gostar de quem não gosta da gente! Fiquei em silêncio. Aquilo, aparentemente tão óbvio, nunca tinha me passado pela cabeça. Me parecia terrivelmente pequeno e mesquinho não gostar de alguém só porque ela não gostava de mim. Não era motivo suficiente. A maioria das pessoas espera ser amada por todo mundo o tempo todo. Talvez por isso, quando encontramos alguém que não gosta da gente, ficamos tão chocados. Quebra uma das nossas expectativas sociais mais básicas. Comigo era o contrário. Sempre fui uma criança absolutamente insuportável. Quase fui expulso do colégio por comportamento todos os anos, falava muito, alto, o tempo todo, era hiperativo e superdotado e me achava grandes coisas. Em suma, estava razoavelmente acostumado a encontrar adultos que não me suportavam. Não levava isso como ofensa. Pra mim, era um fato da vida: depois do dia, vem a noite, tem adultos que gostam de mim e adultos que não, etc. Eu gostava da Luciana por ela ser diferente, independente, inteligente, instigante. Eu gostava dela, e ainda gosto, por ela ser quem ela é. A opinião pessoal dela sobre mim era irrelevante. Se eu já era assim na infância, não vou deixar de ser assim hoje. Caramba, estava até desestimulado. Estou aqui há um mês e meio falando tudo quanto é impropério contra a lei, a ordem e os bons costumes, como é que ninguém ainda tinha aparecido pra dizer que eu era um mané?! Mas, enfim, o que eu gostaria de perguntar à minha nova amiga, cujo nome eu não sei, pois nem no blog ela fala, é o seguinte: qual foi o motivo do seu simpático comentário? Quer dizer, sou um mané pelo conjunto da obra, ou pelo post chauvinista sobre a Joana, ou por ser (ou tentar ser) anti-patriota, ou por algum outro motivo específico? Pode deixar que não estou perguntando pra brigar não, e muito menos, pra me defender, ou me explicar, o que, além de inútil, é ridículo. Não posso correr o risco de te conquistar e perder minha única detratora por enquanto! É que sou curioso mesmo.
Wednesday, April 16, 2003
O Lado Cômico do Edifício MasterAprendi muito sobre natureza humana durante o documentário “Edifício Master”. Os entrevistados contaram coisas sérias e profundas, expuseram suas vidas frente às câmeras. E a platéia riu. Quando não eram gargalhadas, era aquele silêncio de tsc tsc, aquele silêncio de coitadinha, aquele silêncio de que moça iludida. A empatia (sic?) do público oscilava entre escárnio e pena, sem meios-termos.
Face ao estranho e ao novo, face às idiossincrasias de pessoas comuns, seus erros de gramática, suas ilusões e seus medos, o público ria de se descabelar, como se diante de um novo personagem do Casseta & Planeta: primeiro o Massaranduba, depois o Seu Creysson, agora a moça agorafóbica, com problemas mentais aparentemente sérios, que fala de modo muito estranho, nunca olha pra câmera e faz poemas em inglês aliás perfeito. A platéia parecia uma claque, de tanto que ria: ficaram faltando só os aplausos quando o personagem entra em cena e, claro, um bordão. Mais um novo personagem pro imaginário popular, tão engraçado quanto o Capitão Gay ou o Professor Raimundo.
A medida que a moça falava, entretanto, o riso foi se abafando, como se baixasse a convicção incômoda de que ih não, ela é de verdade, agora que lembrei, não posso rir, não tem graça. Uma das pessoas que estava comigo até comentou que só se sentiu mal mesmo de ter rido dessa moça. Mas riu. E não riu sozinha. O humor se baseia em surpresa, inversão de expectativas e, principalmente, crueldade. Um dos axiomas do humor é que, pro público gargalhar, alguém tem que se estar dando mal. Não existe gargalhada do bem. A grande diferença é que essa moça não é um quadro da “Praça É Nossa”. Ela é real, e não estava contando algo pra fazer rir, estava falando do seu namorado, de seus poemas, de Nova Orleans, de sua vida e do seu futuro. Os artistas se expõem, por dever de ofício, ao escárnio público. Ou à glória pública. Ou ao mais absoluto descaso público. O artista é aquele pobre coitado da quermesse, que coloca sua cara no buraco e se expõe às tortas dos visitantes atiram. E quem lhe acertar bem no nariz, ainda ganha um ursinho. O artista que surtar quando seu trabalho for ridicularizado deveria ter estudado odontologia, como seu avô queria. O artista sabe o quanto está se expondo. Os entrevistados do Edifício Master sabiam? Acho que não. Falaram com uma simplicidade e uma sinceridade que não dedicamos nem aos nossos psicanalistas. Falaram de coisas sérias e profundas e, com certeza, nunca lhes ocorreu que aquelas coisas sérias e profundas, ditas com seriedade e profundidade, seriam ouvidas com algo que não fosse seriedade e profundidade. Falaram sério e esperaram ser levados a sério. Será que ouviram as gargalhadas?
O diretor Eduardo Coutinho disse ter feito o possível, durante a edição, para minimizar o patético, pra não expor ao ridículo aquelas pessoas que, com ingenuidade até, haviam se aberto tanto pra ele. Eu acredito. O filme, hora alguma, estimula o patético ou enfatiza o risível. Mas, mesmo assim, no lugar dele, eu teria ficado desesperado. Eu teria levantado no meio da sessão, parado tudo, mandado acender as luzes. E ficaria gritando, pregando no deserto, desesperado, dizendo não, gente, não é assim, não é isso que eu quis mostrar, isso não tem graça, essa velhinha é uma pessoa maravilhosa, o que ela falou é sério, muito sério, vocês não vêem? Iriam rir dele também.
Tuesday, April 15, 2003
Patriotismo
O patriotismo também é uma prisão. Não há nada mais ridículo, mais amordaçante, mais emburrecedor do que amar seu próprio país, sua própria cidade, sua própria tribo. Você fica cego às qualidades dos outros e aos seus próprios defeitos. É patético. Passeiem por qualquer cidade americana no 4 de julho e vocês vão entender. É claro que é fácil achar os americanos ridículos, é até covardia, mas ficamos igualzinhos quando somos patriotas. Nem falo de Copa do Mundo. Mas, por exemplo, do episódio A Vida É Bela versus Central do Brasil. Não vou entrar no mérito da qualidade dos dois filmes, mas só em quão supremamente ridículo foi ver pessoas que eu considerava dignas de respeito malhando um filme, que muitas vezes nem tinham visto, só porque venceu Central do Brasil. Como todas as prisões citadas aqui, ela é nociva pois nos cega e nos acorrenta à idéias pequenas e comportamentos mesquinhos. Em suma, esse texto não é sobre a prisão patriotismo. É pra dizer que, dessa prisão, ainda não me soltei. Não totalmente, pelo menos isso. Já não penso mais em mim como brasileiro faz tempo, sou um ser humano pensante, membro da irmandade suprainternacional de seres humanos pensantes, emocionantes, transantes, amantes. Mas confesso que tenho recaídas de amor pelo Brasil que ainda me envergonham. Confesso que amo o Rio de Janeiro com um ardor que acho que um ser humano só deveria dedicar a um outro ser humano, nunca a algo inanimado. Mas estou me curando, chego lá. Essa imagem me engasga sim quando a vejo, acho lindo, acho emocionante, acho – francamente – ridículo, mas enfim, podem haver outros bobões como eu lendo esse blog. Vou olhar essa foto periodicamente. Quando ela não mais me engasgar, estou curado. Muito obrigado ao amigo Galante leitor desse blog, que me mandou essa imagem.
Sunday, April 13, 2003
A Diferença Entre as Mulheres que Você Come e as que Você Não ComeJoana foi minha amante e uma de minhas melhores amigas. Ela terminou comigo há poucos meses porque estava voltando para o seu homem de direito. Apoiei sua decisão, claro: nos divertimos muito juntos, mas o futuro dela é com ele, não comigo. Ainda somos amigos, mas não tanto quanto éramos. Ainda tenho tesão por ela, mas não tanto quanto tinha. Ainda a amo, mas não tanto quanto amava. Hoje, nos encontramos em um evento. No salão, antes que eu pudesse chegar até ela, duas pessoas vieram falar comigo, uma depois da outra, e me ocuparam por uns quinze minutos. Quando finalmente cheguei até Joana, ela virou a cara pra mim. O que foi?, perguntei. E ela, em um tom de voz ofendidíssimo, apontando com olhos para sua melhor amiga que estava conversando com ela: a fulana veio direto falar comigo, não parou pra falar com ninguém antes. Sabem qual é a grande diferença (além da óbvia) entre as mulheres que você come e as mulheres que você não come? É que você não precisa ouvir esse tipo de coisa das mulheres que você não come. Virei as costas e fui embora. Joana é linda, inteligente, independente, mas tem um grande defeito: é mulherzinha. Não sei se dá pra explicar. Mas é justamente isso: só uma mulher muito mulherzinha falaria uma coisa dessas. Ela é o tipo de mulher que, quando eu ligo pra ela, ao invés de ficar feliz porque eu liguei, contabiliza há quanto tempo eu não ligo: puxa, estava morrendo de saudades, eu digo. É, sei, ela retruca, em tom mezzo-escárnio mezzo-ofendida, recebi suas dezenas de recados na minha secretária. Ou então: puxa, estava mesmo querendo falar com você. E ela: se quisesse mesmo, não ficava sem me ligar desde terça. Ou então, ou então, e essa é a minha preferida: oi, tentei te ligar, mas você não atendeu o celular. E ela: humpft, se quisesse mesmo falar comigo não teria me ligado logo na hora que sabe que não posso atender. Você queria é que eu visse que ligou, não falar comigo. E como eu vou explicar que nunca me dei ao trabalho de decorar os horários dela? Sou totalmente espontâneo, ela sabe disso, ou deveria saber: ligo pra quem quero na hora que me dá vontade de falar com aquela pessoa. Ponto. Esse negócio de ligar pra alguém na hora em que você sabe que a pessoa não pode atender só pra deixar um recado na secretária, caramba, isso é tão não-eu que eu mal consigo apreender o conceito. E eu explico: olha só, assim como a medida de distância é o metro, digamos que a medida do não-ligar seja, por exemplo, narjaras-turetas. E digamos, mais ainda, que eu tenha não-ligado pra você uma quantidade de 15,58 narjaras-turetas na semana passada. Isso quer dizer que você também não-ligou pra mim na exata mesma quantidade de 15,58 narjaras-turetas. A mesma reclamação que ela me faz de forma tão insuportavelmente deselegante (se quisesse mesmo falar comigo, não ficava sem ligar desde terça-feira!) eu também poderia fazer pra ela. Ou então, melhor ainda, ela mesma poderia se fazer essa reclamação diante do espelho e nos poupar a todos o perrengue. Que tal? Não sei vocês, mas quando alguém que eu gosto e com quem não falo há algum tempo me liga, eu fico tão feliz que só consigo mesmo curtir aquela felicidade. Além do que, eu sei que se ela não me ligou, eu também não liguei pra ela, e então empatou tudo, não se fala mais nisso. Estou ficando velho, minha vida, cada vez mais complicada e eu, cada vez mais louco, livre e seletivo. Cada vez tenho menos tempo pra gente que acho que não vale a pena. Quando ligo pra alguém, é um ato de amor mesmo, é porque quero muito falar com essa pessoa. Qualquer um que eu ligue (tirando a minha mãe, porque essa não tem jeito e mãe é assim mesmo) e me receba com esse tipo de cobrança, pode ficar certo que não vai receber outra ligação minha tão cedo. Talvez nunca. A não ser, claro, que seja a mulher com quem estou transando. Eu devo ser muito poliana mesmo, ou então vocês vão me achar muito cínico, muito as-uvas-estão-verdes, mas quando ouvi esse comentário pequeno hoje à tarde, eu fiquei até feliz. Porque pensei: caralho, que delícia não precisar mais ouvir isso! Fui muito feliz ao lado da Joana, mas comentários como esse quase me levaram a loucura durante meses. Saber que não preciso mais me rebaixar ao ponto de explicar que liguei na hora em que ela estava ocupada porque não sabia os horários dela, não porque não queria falar com ela, etc etc, hmmm, gente, eu juro, isso é uma delícia também. Cada coisa na sua hora, claro, mas poder virar às costas pra alguém que faz um comentário desses é tão bom quanto sexo.
Saturday, April 12, 2003
Testinho Viciante da MensaEsse é um testinho que recebi por email. Teoricamente, ele é um teste da Mensa para medir a genialidade de seus membros. Mensa, pra quem não sabe, é uma associação mundial de gênios. Você tem que provar um QI excepcional pra entrar, ou coisa assim. Não me interesso muito pela Mensa e nem por esse tipo de teste. Sempre odiei enigmas e quebra-cabeças, problemas mentais, etc, não só porque eu sou meio burrinho, mas também porque não tenho paciência e desisto fácil. Mas esse aqui me viciou. Fiquei ontem até as três da manhã com ele e hoje ainda vou continuar mais um pouco. Estou indo agora pra fila da Telefônica tentar parcelar minha conta e, adivinhem, vou levar o testezinho impresso. Bem, pra começar, tem que sacar muito de inglês, senão não rola. O teste é formado por 33 itens, letras e números, que significam alguma coisa e você tem que descobrir o quê. A primeira, por exemplo, é “24 H in a D” que quer dizer “24 hours in a day”. Óbvio que as grandes pistas são não só os números mas também o “in a”, e por aí vai. Não sei se é da Mensa mesmo, e não ligo a mínima pra isso, mas é divertido e viciante. Dêem uma tentada e me digam o que acharam. Mas não dêem pistas, nem entreguem as respostas! Aliás, por enquanto estou em 19. Segundo o teste, quem acerta mais de 19 é gênio. Bem, estou na fronteira. Vou ver se hoje ainda mato mais algumas. Faça o download do teste.
Friday, April 11, 2003
Você Não Precisa Amar Todos, Não com o CorpoUma velha amiga leu o brog e teve o seguinte comentário a fazer sobre a Prisão Nº2: A Heterossexualidade. Quem não leu, é melhor ler antes. “Cara, eu acho q vc tá viajando em certos aspectos, mas eu entendo. Estas te procurando. E vas te achar (ou não...) O que te importa é o caminho, certo? Bem, apesar de ser bem mais nova q vc (tenho 21), tenho uma certa experiência de vida pq me lancei muito, mergulhei fundo em situações e experiências. Sobre o lance da heterosexualidade: é claro q todo mundo ou quase todo mundo já pensou nisso. Afinal de contas, o que é a sexualidade? Segundo Freud, por exemplo, ela explica tudo. E isso é só o começo. Estudando antropologia, podes ver o quanto de hábitos culturais a vida sexual de cada pessoa carrega. Sobre mim: sou heterosexual assumida (essa é boa), sei que estou meio fora de moda (tantos amigos transando tudo por aí)...Então, essa é a minha questão. Os homens são uns escrotos, uns filhos da puta, mas eu gosto do órgão sexual deles. Já tive um namorado que tinha tesão em rolar um bacanal. Mas, eu ñ topei. Ele me encheu o saco. Eu, nada. Ele ficava falando e falando, mas quando eu ñ quero ñ há quem possa.Terminei com o mala. Resumo da ópera: o sujeito me ajudou. Sim, coloquei em questão a minha sexualidade. E me descobri. Então, tenho algo a lhe dizer: vc ñ precisa amar todos. Não com o corpo. Essa dialética não te levará a lugar nenhum. Tu me dizes q desprezando os homens estaria perdendo metade das oportunidades de amar alguém. Eu te digo que não, pois amo minhas amigas. Amo muitas mulheres. Sem ter com elas corpo a corpo. Sinto nojo do ato, mas isso ñ quer dizer que eu as repudie por isso, tenho amigas e amigos gays. Sou até mesmo considerada careta por alguns de meus amigos. E tb tenho amigos que me entendem e tb pensam como eu. Comunicação é isso.” Ela está, claro, soterrada de razão. O que eu disse não é que eu quero dar pra alguém, ou sair por aí pegando homem, mas que quero estar aberto pra isso. Caso aconteça, caso surja vontade, caso apareça um tesão súbito, eu quero estar aberto a essa possibilidade. Não quero estar com essa porta fechada a priori. Quero todas as portas abertas ou, no mínimo, entreabertas. Quando você fala que não preciso amar todos, não com o corpo, eu entendo bem. Amei profundamente todas as minhas melhores amigas, e ainda amo, mas de forma não sexual, não com o corpo, mas intensamente, muito intensamente. Mas achei lindo o que ela disse. E muito bem dito. Te admiro muito, menina! Aliás, não tenham medo de me escrever. Tenho recebido tantos emails incríveis, levantando pontos interessantes sobre as loucuras que eu falo, que é impossível não postá-los no blog. Daqui a pouco, isso vai virar um grande diálogo filosófico. Mas, que fique bem claro, que só faço isso depois de pedir autorização aos autores. Mesmo se eu não for citar seu nome.
Thursday, April 10, 2003
Outro Autor Libertário: KerouacJack Kerouac Como fui esquecer dele? On The Road foi um livro que mudou minha vida. Depois, passei o rodo nos beats, mas nenhum outro livro dessa turma me marcou tanto. Li alguns outros trabalhos do Kerouac, que não me impressionaram, e estou com Dharma Bums na fila, que parece ser melhorzinho. On The Road, pra quem não sabe, é o road book por excelência, a história de jovens vagando pelos Estados Unidos da década de quarenta, bebendo, cheirando e fumando todas, e dormindo com qualquer coisa que tenha duas pernas. O livro é lindo, poético, triste, patético. É uma verdadeira viagem, no sentido literal do termo. Kerouac tentou criar a literatura da espontaneidade, e escreveu o livro em três semanas em um rolo único de papel, pois dizia que ficar trocando o papel na máquina de escrever quebrava seu ritmo.
Wednesday, April 9, 2003
Sugestões de Leitura: Autores LibertáriosMuita gente tem me pedido sugestões de leitura. Autores bons há muitos. Mas como, em geral, quem me pede isso gostou desse blog, vou dar aqui uma lista dos meus pares, ou seja, autores que seguem, em larga medida, a linha filosófica desse brog. Meu objetivo é dedicar um post detalhado a cada um desses grandes autores, que eles merecem, mas como sei que isso vai demorar e os pedidos estão se acumulando, vou me forçar a ser muito breve e falar só muito pouco sobre cada um deles. Liberdade & Sexo Walt Whitman Eu não gosto muito de poesia, por achar que, em geral, poesia é só forma e pouco conteúdo. Por favor, NÃO venham me listar as inúmeras exceções que sei que existem, mas o velho sem vergonha Walt é a maior dessas exceções. Ele escreveu só um livro, Leaves of Grass, Folhas de Grama, reescrito e aumentado ao longo de sua vida. Antes de qualquer outra coisa, leiam sua obra-prima, Song of Myself, Canção de Mim Mesmo. O resto é bom, mas empalidece na comparação. E leiam no original, se puderem. Henry Miller O velho pornógrafo. Seus livros foram proibidos por décadas, pelo conteúdo pornográfico. Puro moralismo cego. Qualquer novela das oito tem mais cenas de sexo do que os livros de Henry Miller. O que faz dele um mestre é sua filosofia libertária. Black Spring (Primavera Negra) tem todo um capítulo sobre as delícias de mijar ao ar livre. Os críticos (e a maioria esmagadora dos leitores) não entendem que Miller via a vida como um todo. Ele brincava dizendo que tinha 3 tipos de leitores: os que gostam da filosofia e reclamam das longas cenas de sexo, os que gostam das longas cenas de sexo e reclamam dos longos monólogos filósofos e, finalmente, os que entendem que é tudo uma coisa só, matéria da vida, em estado bruto, sexo, mijo e liberdade. Comecem pelos trópicos, Trópico de Capricórnio ou Trópico de Câncer, e depois encarem Primavera Negra. O resto é só pra viciados mesmo. Roberto Freire Ele começou como psicanalista, viu as amarras que prendiam Freud e criou a Somaterapia. Seus livros Ame e Dê Vexame e Sem Tesão Não Há Solução são sensacionais, a melhor coisa, que eu saiba, que já se escreveu em português sobre esses temas de sexo e liberdade. Estou há muito tempo pra comparecer a uma das reuniões do Soma aqui no Rio e sempre adio. Acho que teríamos muito a aprender juntos. Ele acabou de lançar uma autobiografia, que ainda não li. Liberdade, Política & Religião Henry David Thoreau Membro do movimento filosófico norte-americano dos transcendentalistas, que muito influenciaram Whitman. Ele escreveu Walden e Ensaio sobre a Desobediência Civil. Ele ensina muito sobre rebeldia. Quase chorei quando li uma frase dele que eu já havia aprendido sozinho em criança: “Quando descobri que o máximo que podiam fazer era prender meu corpo, percebi a extensão da minha liberdade” Ralph Waldo Emerson O pai dos transcendentalistas. Seus Ensaios são sensacionais. Jean Paul Sartre Sartre tenta criar uma filosofia de vida para o ateísmo. Como, no ser humano, a existência precede a essência, quer dizer, primeiro nascemos e, depois, ao viver, vamos, nós mesmos, construindo nossa essência, bem, por tudo isso, por não haver deus que nos dê essência, ou seja, um objetivo nessa vida, ou uma razão de viver, cabe a nós suprir essa lacuna. E não é fácil. Por isso, quando Sartre fala de liberdade, ele diz que o ser humano está condenado a ser livre, pois a liberdade é um tremendo fardo e não é nada fácil de se carregar. Eu descubro isso tudo dia no meu casamento. Depois, ele ficou gagá e aderiu ao marxismo, que foi a segunda maior besteira que a humanidade inventou – a primeira foi deus, claro. Julien Offray de la Mettrie Filósofo materialista francês. Esse é quase impossível de encontrar por aí, não é muito badalado. Ele dizia que, eticamente falando, a felicidade é o objetivo natural de cada organismo, tal como a saúde, e, logo, a má consciência, enquanto inimiga da felicidade, é apenas uma doença que precisa ser tratada. Leiam o Homem-Máquina. Esses são só alguns. Quem souber de outros autores que sigam a linha desse brog, podem me dizer que vou correr atrás deles. Autor é que nem figurinha: é pra trocar.
Sunday, April 6, 2003
Piadinha Sensacional que Recebi pela Internet“Uma garota passada de burra ia sair pela primeira vez com um homem. A mãe dela apreensiva, deu algumas instruções: “Olha minha filha, ele te convidou para sair, voce vai; ele vai te levar para jantar, voce vai; ele vai te convidar para conhecer o apartamento dele, voce vai; ele vai te oferecer uma bebida, voce aceita; ele vai te convidar para ir pro quarto; voce vai, ele vai te convidar para tirar a roupa, voce tira; ele vai te pedir para deitar na cama, voce deita... Mas, na hora em que ele for subir em cima de voce para desonrar sua família, voce não deixa, viu minha filha?” Tudo avisado, a garota saiu. Quando chegou, foi contar para a mãe o ocorrido: “Tudo o que a senhora falou era verdade, mãe! Ele fez tudinho! Só que na hora que ele foi subir em cima de mim pra desonrar minha familia...” “Você saiu da cama, né, filha?” Perguntou a mãe, apreensiva. “Fiz melhor! Eu trepei em cima e desonrei a família dele!” Odeio fazer análise literário-sociológica de uma piada, mas vou ter que fazer. Até que porque tem tudo a ver com o tema desse brog. Eu juro que não entendo o mundo, não entendo os paradigmas, não entendo as convenções culturais. Às vezes acho que entendo tão pouco o mundo que é incrível eu conseguir funcionar como um ser humano normal, dar bom-dia às pessoas na rua sem ofender tabus, etc. Talvez a medida em que eu avançar nesse meu caminho em direção à liberdade, isso acabe acontecendo, eu acabe perdendo realmente contato com a massa da humanidade e me tornando clinicamente (clinicamente não, culturalmente) louco. Como me aconselhou um leitor desse blog, cuidado pra não enlouquecer cedo demais. Enfim, a garota passada de burra foi de uma lógica e de uma inteligência impecáveis, quase brilhante. Quem está todo errado, quem é “passado de burro” é o mundo em que a gente vive, é a cultura que tem esse tipo de paradigmas, é todo mundo que ri dessa piada. Na verdade, o “piadinha sensacional do título” foi só um truque pra fazer você rir da piada e se sentir mal depois, e foi também um estudo sobre como influenciar as pessoas. Se o título tivesse sido: “olha que piada sexista escrota”, você provavelmente não teria rido, já chegaria na piada de sobreaviso. Mas eu queria é que você risse, só pra depois abrir seus olhos sobre como esse teu riso foi escroto. A questão agora é: você concorda ou discorda de mim? Dito isso, queria só reiterar que me sinto profundamente ridículo comentando, a sério, uma piada, e que me senti em pleno “Piada em Debate”, da saudosa TV Pirata. Quem não sabe do que eu estou falando, não imagina o que perdeu...
Saturday, April 5, 2003
Da Série "Usos da Internet": Reveladora de CavalgadurasFalam que a Internet não serve pra nada, o que é uma puta injustiça. A Internet serve pra muita coisa. Dê o seu exemplo. Aqui vai um, fundamental, essencial: Tinha gente que eu respeitava. Eu dizia: pô, esse cara manda bem. Sabe das coisas. Fala direitinho. Tem um cérebro. Aí, um belo dia, ele te manda um email com a frase: "Nunca se sabe, né?" e, embaixo, uma oferta da Microsoft, dizendo que se você encaminhar aquele email pra mais 10 pessoas, você vai ganhar mil dólares. Mil! Ah tá, então ficamos combinados assim. Nem pensem que desisto assim fácil dos amigos, não. Eu respondo, explico como que não pode ser verdade, até encaminho a capivara pra uma página de lendas urbanas feita especialmente pra desbancar essas besteiras, com todos os argumentos mastigadinhos. A besta vai, lê, e ainda te responde: ih, é verdade, bobeei, né?, mas como é que eu ia saber? É verdade, como que ele ia saber, a anta?! Mas sou tolerante com as fraquezas humanas. Deixa estar. Daqui a pouco, veio outro email. Sério, nem lembro mais qual foi. Se tivesse sido hoje, teria sido o email babaca da Nestlé que está circulando por aí. Já recebi ele duas vezes só essa semana, enviado por pessoas que foram, naturalmente, riscadas da minha lista. Bem, aí acabou, né? Sem a Internet, eu nunca saberia o quão profundamente imbecil essa pessoa é. E sabem por que isso é absolutamente essencial? Tenho 29 anos. Dos meus amigos de infância e adolescência, uns 5 já me chamaram pra ser sócios deles em tudo quanto é tipo de empresa. A habilidade de distinguir as antas dos humanos, portanto, é fundamental pra minha saúde financeira. Imaginem que quase montei uma empresa junto com alguém que acredita não só que 1) a Microsoft dá dinheiro pra quem encaminha um email, como 2) que a Microsoft tem como descobrir quem encaminhou o email. Em suma, foi por pouco. Devo uma pra Internet. (O meu site preferido pra desbancar lendas urbanas é www.snopes.com. Caso você não saiba ler inglês, bem, você basicamente se fudeu.)
Thursday, April 3, 2003
Wednesday, April 2, 2003
O Pessoal me Interpretou MalO pessoal não está entendendo. Fiz o post sobre as buscas pra mostrar como são ridículas as pessoas que ficam buscando na web sobre fotos do dhomini e da sabrina e como é mais ridículo ainda que venham parar logo no meu blog, que não tem NADA a ver com esse assunto. Mas a coisa está degringolando. Já me vi citado em dois blogs como tendo descoberto "um truque" pra aumentar a audiência. E uma pessoa simpática ainda me sugeriu: "Se você quer audiência,porque você não coloca uma frase de busca tipo:^"venha ver minha mãe dando o cú para o capeta" ou então, "fotos minhas, de papai e mamãe dando o cú para o saddan"? Porra, eu não quero audiência. Ou se quero, não quero essa. Não adianta nada. O cara que busca por fotos do dhomini e da sabrina transando, pra começar, já é um pré-humano. O fato dele clicar na descrição do meu blog que, claramente, não tem nada a ver com esse assunto, também é sinistro. Óbvio que esse cara não vai ficar aqui. Óbvio que esse cara não vai ler nada. Óbvio que esse cara não me interessa. Ele vai chegar, ver que aqui NÃO TEM fotos nem do dhomini nem da sabrina e vai chispar. Na verdade, o puto só veio pra cá, e meu blog só aparece em buscas babacas como essa, por causa do simples e inocente comentário sobre relacionamentos aberto que vou citar abaixo: "Pois agora a moda é swing. Já saiu reportagem no Globo, os tribalistas cantam que ninguém é de ninguém, o Olhar 2003, da TVE, fez debate sobre isso (todos se pronunciaram contra), o povo se espanta com a permissividade da Manuela perante os amassos do Dhomini e da Sabrina e o assunto, em suma, está nas pontas dos dedos de tudo quanto é colunista." Como é que eu ia imaginar!! Então, realmente, essa audiência eu não quero. O simpático leitor tem até razão que, se realmente o que eu quisesse fosse só audiência, pura e simples, tem muitas outras frases que eu poderia usar. Mas, a verdade é, eu digo e repito, cada vez que eu falo disso e quanto mais eu menciono os nomes fatídicos, melhor colocado o meu blog ficará nessas buscas e mais imbecis virão. Desde que coloquei aquele post o número de gente vindo de buscas assim do Google quadruplicou. Não tem como ganhar. E olha que pensei muito antes de fazer o post pois queria justamente evitar isso. Agora... Se você não se incomoda com uma audiência de imbecis no seu site, taí a dica.
Tuesday, April 1, 2003
Vamos Prender o Padeiro de Beira-MarCecília Machado, advogada de Luiz Fernando da Costa (também conhecido por Beira-Mar), admitiu a um jornalista que recebe dinheiro do tráfico. Bem, ela agora está negando, claro, mas digamos, hipoteticamente, que tenha mesmo dito isso. E daí? Por ter falado o que todo mundo já sabia, a OAB do Distrito Federal vai instaurar uma representação disciplinar contra Cecília. E não é só. O líder do PL no Senado, Magno Malta (ES), está elaborando um projeto de lei para obrigar advogados criminalistas a justificar a origem de seus honorários. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, disse que “o advogado tem, sim, obrigação de saber a origem do dinheiro de determinados clientes. Se ele sabe que o dinheiro é fruto de um crime, ele está incorrendo em outro crime, que é receptação de produto de origem criminosa.” O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto, disse que uma declaração dessas “choca qualquer pessoa.” Choca qualquer pessoa que nunca tenha parado mais do que dois minutos pra pensar no assunto. Deixa eu ver então se eu entendi. Os ilustres citados e todos os outros indignados não citados achavam que Luiz Fernando pagava sua advogada como? Com o dinheiro que ganha vendendo biscoitos, disfarçado de bandeirante? Ou, talvez, com o dinheiro de um fundo legítimo que ele criou pra si mesmo, onde depositava um ou outro rendimento honesto, pra não misturá-los com os seus rendimentos desonestos, que ele depositava em uma outra conta? Afinal, ninguém melhor que ele para saber só se pode pagar advogados com dinheiro ganho licitamente. Para mostrar o ridículo da questão, vamos a um exemplo concreto. Digamos que eu tenha roubado R$100 mil e, como é meu direito, contrate um advogado pra me defender, por R$10 mil. Como determinar de onde veio o dinheiro que paguei ao advogado? Dinheiro sujo deixa rastro? Fede? Desses R$10 mil que paguei ao advogado, quanto saiu dos R$100 mil (que, segundo os indignados e chocados, é dinheiro ilícito e o advogado não poderia aceitar) e quanto saiu dos meus rendimentos legais e legítimos? Se nem eu, o próprio ladrão, tenho como determinar isso, como é que o meu advogado vai conseguir? E se eu disser que, dos R$10 mil, R$9 mil foram dos meus negócios legítimos e só R$1 mil saíram dos R$100 mil que eu roubei, aí pode? Ou não pode vir nada dos R$100 mil? E se for meio a meio? Mas, fora de brincadeira, acho que não devemos parar na doutora Cecília. O exemplo cívico que a OAB está dando deve ser seguido por toda a sociedade. Luiz Fernando da Costa também não é dono de vários imóveis? Pois o que a ABADI (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis) está fazendo que ainda não encontrou e cassou os corretores que venderam esses imóveis pra ele? Afinal, aceitaram dinheiro do tráfico. Aquele flanelinha desdentado que ganhou R$2 guardando o carro de Luiz Fernando da Costa enquanto ele jantava em um restaurante fino? Cana. Vamos aproveitar e prender o maitre também, pois eu sempre quis ver um maitre na cadeia, quanto será que aquela fleuma vai durar? E a AIPERJ (Associação das Indústrias Panificadoras do Estado do Rio de Janeiro)? Luiz Fernando da Costa não come pão? Pois a Associação deve tomar medidas enérgicas contra esse padeiro renegado que aceita dinheiro do tráfico e cassar sua licença de fazer massa. Tolerância zero. Em algum dado momento, os falsos indignados e os indignados falsos vão se dar conta que o tráfico de drogas movimenta muito dinheiro. Especialmente no Rio. E vão logo parar com a palhaçada, por medo de descobrir que o dinheiro sujo do tráfico vai parar em muitos mais bolsos do que imagina nossa vã filosofia – pra não falar da nossa mais vã ainda, quase inútil, Justiça.
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